• Nenhum resultado encontrado

PRECONCEITOEDISCRIMINAÇÃOCOMASMULHERESNEGRASESUAINCLUSÃONOMUNDODOTRABALHO

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2021

Share "PRECONCEITOEDISCRIMINAÇÃOCOMASMULHERESNEGRASESUAINCLUSÃONOMUNDODOTRABALHO"

Copied!
44
0
0

Texto

(1)

ESPECIALIZAÇÃO EM INTEGRAÇÃO DA EDUCAÇÃO PROFISSIONAL À EDUCAÇÃO BÁSICA NA MODALIDADE DE EDUCAÇÃO DE JOVENS E

ADULTOS

P

RECONCEITO E DISCRIMINAÇÃO COM AS MULHERES NEGRAS DA

E.

J.

A.

V

IAMÃO

RS

E SUA INCLUSÃO NO MUNDO DO TRABALHO

MARIA DARCILA TINOCO

Orientador: profª. Dra. MARILENE LEAL PARÉ

Porto Alegre 2009

(2)

FICHA CATALOGRÁFICA

___________________________________________________________________________

T591p Tinoco, Maria Darcila

Preconceito e discriminação com as mulheres negras da E.J.A. Viamão-RS e sua inclusão no mundo do trabalho / Maria Darcila Tinoco ; orientadora Marilene Leal Paré. – Porto Alegre, 2009.

43 f. : il.

Trabalho de conclusão (Especialização) – Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Faculdade de Educação. Programa de Pós-Graduação em Educação. Curso de Especialização em Educação Profissional integrada à Educação Básica na Modalidade Educação de Jovens e Adultos, 2009, Porto Alegre, BR-RS.

1. Educação. 2. Educação de Jovens e Adultos. 3. EJA. 4. Mulheres negras – EJA – Escolas Estaduais – Município de Viamão, RS. 5. Mulheres afro-descendentes – Preconceito – Discriminação – Ingresso – Mundo do trabalho - EJA – Viamão, RS. I. Paré, Marilene Leal. II. Título

CDU 374.7

_____________________________________________________________________________ CIP-Brasil. Dados Internacionais de Catalogação na Publicação.

(3)

SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO ... 4

2. CONCEITOS ... 5

2. 1. Definição de racismo, preconceito e discriminação ... 5

2.2. A Situação Atual do Preconceito Racial ... 6

3. VEICULADORES DOS PRECONCEITOS RACIAIS ... 8

3.1. Preconceito velado na escola ... 8

3.2. Tabus históricos ... 9

3.3. O fantasma do racismo ... 10

4. LEVANTAMENTOS DE DADOS ATRAVÉS DE PESQUISAS COM ALUNAS NEGRAS DAS ESCOLAS ESTADUAIS DO MUNICÍPIO DE VIAMÃO ... 12

4.1. Pesquisa com as alunas ... 12

4.2 Perfil das alunas da EJA ... 17

5. DIFERENÇA ENTRE TRABALHO E EMPREGO ... 20

6. GÊNERO E ETNIA NO MUNDO DO TRABALHO ... 24

6.1. Índices de homens e mulheres negras e não-negras ... 25

6.2. Índices de desemprego por sexo ... 26

6.3 Salário por sexo, segundo a etnia, em reais ... 27

6.4 Inserção dos negros no mundo do trabalho ... 27

7. TIPO DE TRABALHO/EMPREGO OFERECIDO NO MUNICíPIO ... 29

7.1. Fichas de Entrevistas nas agências de emprego e das Empresas de Viamão (Empresa de transportes de Viamão, Mumu Ltda , SINE) ... 29

7.2. Entrevista com as pessoas responsáveis pelas entrevistas com os candidatos ... 30

7.3. O que o Município de Viamão oferece no mundo do trabalho para essas alunas negras/ afro-descendentes da EJA ... 31

7.4. Análise de dados – Tabulação e Gráficos ... 32

8. DOCUMENTO BASE DO PROEJA ... 32

8.1. Surgimento e Finalidade do PROEJA ... 33

8.2. Integração do currículo de formação inicial e integrada ... 34

8.3 Legislação: documento base do PROEJA ... 35

8.4. Educação X Trabalho: Uma nova perspectiva ... 38

9. CONSIDERAÇÕES FINAIS ... 39

(4)

1. INTRODUÇÃO

O mundo do trabalho esta cada vez mais limitado na cidade de Viamão/RS, pois o número de desempregados é muito grande e o número de empresas existentes na cidade é muito pequena. Esse fato deve-se aos nossos prefeitos não desejarem que a cidade se torne uma cidade poluída daí não permitirem qualquer empresa se instalar no Município. Entretanto, com isso não há recursos financeiros e nem emprego para os trabalhadores viamonenses e, neste contexto econômico, temos as mulheres trabalhadoras, dentre elas, as mulheres negras estudantes, as quais, por muitos motivos, estão estudando na Educação de Jovens e Adultos.

Esta pesquisa tem a finalidade de verificar se existe preconceito e discriminação com as mulheres negras/afro-descendentes que estudam nas Escolas Estaduais, na modalidade de Educação de Jovens e Adultos, no Município de Viamão, para ingressarem no mundo do trabalho.

(5)

2. CONCEITOS

2. 1. Definição de racismo, preconceito e discriminação

O racismo não surgiu de uma hora para a outra, mas estava presente lá no período de colonização onde começou a exploração de mão-de-obra barata. Exploração que gerava riqueza e poder para o branco colonizador e opressor.O racismo entre os seres humanos foi surgindo e se consolidando.

O conceito de racismo é tão antigo que Aristóteles dizia que uma parte dos homens nasceu forte e resistente, destinada expressamente pela natureza para o trabalho duro e forçado. A outra parte- os senhores- nasceu fisicamente débil; contudo, possuidora de dotes artísticos, capacitada, assim, para fazer grandes progressos nas ciências filosóficas e outras(GRIGULEVICH,1983, p.105)

Para o Programa Nacional de Direitos Humanos, Racismo ¨é uma ideologia que postula a existência de hierarquia entre os grupos humanos¨(1998, p.12)

“ Racismo é a afirmação da superioridade de uma raça / etnia sobre as outras. ¨É a suposição de que há raças... uma maneira de justificar a dominação de um grupo sobre o outro, inspirada nas diferenças fenotípicas da nossa espécie.¨( SANTOS,1990,p.12).

Para compreender melhor o preconceito racial sofrido pelos negros e negras deve-se diferenciar: Preconceito e Discriminação.

Discriminação é o nome que se dá para a conduta (ação ou omissão) que viola direitos das pessoas com base em critérios injustificados e injustos, tais como a raça, o sexo, a idade, a opção religiosa e outras.¨(Programa Nacional de Direitos Humanos, 1998,p.15).

Discriminação Racial significa qualquer distinção, exclusão, restrição ou preferências baseadas em raça, cor, descendência ou origem nacional ou étnica.¨( Idem, ibidem) Ocorre quando a igualdade de tratamento é negada a uma pessoa ou a um grupo de pessoas em razão de sua origem.¨ É atitude ou ação de distinguir, separar as raças, tendo por base idéias preconceituosas.¨(LOPES,2001,p.187) È a pior forma de discriminação porque o discriminado não pode mudar suas características raciais que a natureza lhe deu.

Preconceito Racial é o pré-julgamento negativo realizado quanto a uma pessoa em função de sua raça/etnia. Pode ser expresso através de piadas, injúrias, apelidos,... É a idéia pré-concebida suspeita de intolerância e aversão de uma raça em relação a outra, sem razão

(6)

objetiva ou refletida. Normalmente, o preconceito vem acompanhado de uma atitude discriminatória .¨(LOPES, 2001,p. 18) É uma opinião pré-estabelecida, que é imposta pelo meio, época e educação. Ele regula as relações de uma pessoa com a sociedade”. ( Antonio Olimpio de Sant´Ana, 2001,p.62)

2.2. A Situação Atual do Preconceito Racial

O racismo, a discriminação e o preconceito são muito fortes, atualmente, mas também cresce o nível de consciência de que o racismo, a discriminação e o preconceito devem ser combatidos , denunciados e eliminados.

As pessoas não herdam, geneticamente, idéias de racismo, sentimentos de preconceitos e modo de exercitar a discriminação. As pessoas aprendem, desenvolvem , tornam-se preconceituosas e discriminadoras em relação ao outro.

Segundo Agnes Heller Sant’Ana (2001), preconceito tem relação com o fenômeno social, no entanto, o coloca na esfera dos fenômenos psicológicos porque ele considera que o preconceito está baseado em julgamentos de pessoas sobre outras pessoas, ou seja, encontra-se na esfera da consciência dos indivíduos, pois, ninguém é obrigado a gostar de alguém, mas, é obrigado a respeitar os seus direitos. O preconceituoso nem sempre fere os direitos, de fato, do outro, mesmo que não alimente grandes simpatias por esse outro. Preconceito é, portanto, uma opinião pré-estabelecida, que é imposta pelo meio, época e educação. Ele regula as relações de uma pessoa com a sociedade. Ao regular, ele permeia toda a sociedade, tornando-a uma espécie de mediador de todas as relações humanas.

Ele pode ser definido, também, como uma indisposição, um julgamento prévio, negativo, que se faz de pessoas estigmatizadas por estereótipos. (Sant’Ana, 2001, p. 54)

Como a escola é parte integrante e muito importante na sociedade, cabe a ela a mudança, o comprometimento e a transformação desta sociedade nas questões sobre racismo, discriminação e preconceito pelos quais muitos de nossos alunos negros sofrem.

O preconceito manifesta-se em brincadeiras ou apelidos alusivos a cor. E esta discriminação e preconceito vão acompanhando tanto homens quanto mulheres para o resto de suas vidas, como se ter uma cor, ser negro, fosse um defeito;daí os muitos afro-descendentes serem discriminados ao concorrerem a uma vaga de emprego no mundo do trabalho.

(7)

Como professora negra e educadora que sou, senti a necessidade de pesquisar e tentar, na medida do possível, investigar se acontece discriminação e preconceito com as mulheres negras que estudam nas Escola Estaduais, na modalidade de Ensino EJA . , no mundo do trabalho da cidade de Viamão, pois “ A maioria, 53%, dos jovens entre 15 e 24 anos , já estão fora da escola” (FRIGOTTO, 2004).

“As estatísticas relativas à inserção , tanto de crianças quanto de jovens, no mundo do trabalho revelam, invariavelmente, uma desvantagem dos negros. A inserção precoce no mundo do trabalho atinge mais as crianças negras... na faixa de 05 a 09 anos, eram afro- descendentes.” (FRIGOTTO, 2004)

As Escolas em questão são três escolas estaduais, sendo uma escola de Ensino Fundamental, a qual chamei de Escola X e duas de Ensino Médio Y e Z , onde realizei minha pesquisa.

“trabalho, na sua essência e generalidade, não é atividade laborativa ou emprego que o homem desempenha e que, de retorno, exerce uma influência sobre a sua psique, o seu habitus e o seu pensamento, isto é, sobre esferas parciais do ser humano. O trabalho é um processo que permeia todo o ser do homem e constitui a sua especificidade” (KOSIK, 1986)

(8)

3. VEICULADORES DOS PRECONCEITOS RACIAIS

3.1. Preconceito velado na escola

Discriminar significa ¨fazer uma distinção¨. As discriminações mais comuns são as sociais: racial, religiosa, sexual e étnica. Há duas formas de discriminar:a primeira é a visível, reprovável de imediato;a segunda é a indireta, que diz respeito a prática de atos aparentemente neutros, mas que produzem efeitos diversos sobre determinados grupos.

Existe a discriminação positiva e negativa. Negativa ocorre quando se dá um tratamento diferenciado a um grupo, ou categoria de pessoas, visando menosprezá-las.Positiva ocorre quando tratar de ações que visam equiparar grupos ou pessoas que são discriminadas negativamente, de modo a trazê-las para a sociedade de uma forma igualitária. Como exemplo temos a ação afirmativa que procura minimizar as desigualdades existentes entre grupos discriminados negativamente ao longo da história, através da aplicação de políticas públicas.

Dizem que no Brasil já não existe mais racismo, preconceito ou discriminação.Ao mesmo tempo é impossível negar o alargamento das diferenças sociais e econômicas sofridas pela sociedade no decorrer dos séculos. É necessário voltar ao período de colonização do País, para perceber, também, que há, através da história a perpetuação da discriminação. Em1888 a princesa Isabel declarou que os negros não eram obrigados a trabalhar de graça e serem humilhados de todas as formas pelos brancos.Hoje a realidade é que a escravidão está aí, não só para negros, mas para brancos, amarelos, vermelhos…e não há lei que a impeça. Ao contrário da escravidão dos

negros, que era escancarada, esta é uma escravidão silenciosa, que quase não se percebe. Somos todos escravos. Queremos tomar um suco de laranja, mas a Coca Cola não deixa. Queremos sair e praticar um esporte, mas o Domingo Legal nos impede. Não adianta querer comprar um tênis simples: a sociedade, nossa terrível senhora, nos chicoteia com artistas famosos usando Nike.

Uma das maneiras de combater estes preconceitos é através da valorização da cultura afro-brasileira, de não permitir as brincadeiras como: ele é um negro de ¨alma branca¨, isso é ¨coisa de preto¨ou ¨serviço de preto¨, não permitir o uso da palavra sujo associada a negro,...

(9)

Temos que conhecer... refletir e reformular alguns conceitos como: O negro ¨veio¨para o Brasil...

O negro escravo era indolente, preguiçoso... O negro era bem tratado...

O negro era passivo em sua posição de escravo...

3.2. Tabus históricos

É impossível negar o alargamento das diferenças sociais e econômicas sofridas pela sociedade no decorrer dos séculos. A abolição da escravatura aconteceu, mas, percebe-se que houve, através da história, a perpetuação da discriminação. Em 1888 foi declarado que os negros não eram obrigados a trabalhar de graça e serem humilhados de todas as formas pelos brancos, mas não foram dadas condições para que esses negros tivessem como trabalhar, onde morar, como terem uma vida digna como qualquer cidadão comum.É neste período que começa a marginalização, a segregação e a condenação do negro a condições de desigualdade em nosso país. Durante o período escravista e no pós-abolição leis e normas sociais impediam o acesso dos negros nas escolas.

A partir da lei do Ventre livre, criam-se patronatos agrícolas para acolher os filhos dos escravos e orfanatos para acolher as filhas de escravos. Certamente com o intuito de preparar trabalhadores e trabalhadoras para trabalhos menos valorizados os quais, conseqüentemente, receberiam por estes serviços um salário mais baixo.

Já se passaram cem anos desde a abolição e o negro continua lutando por um espaço digno na sociedade. O que sobrou a esta etnia após a abolição foi o preconceito racial, a rejeição social, a desvalorização, a marginalidade. E a democracia racial é um mito na sociedade brasileira porque este mito serve para mascarar o preconceito racial existente.

Todos esses fatores contribuíram para dificultar a construção da identidade social do negro. A idéia que se tem de construção da identidade social é a da construção de um processo de socialização que começa na infância e continua ao longo da vida, a partir do aprendizado de normas, valores sejam eles culturais, religiosos, políticos. Mas o problema dessa identificação da etnia negra reside no fato de que cada grupo por onde esse indivíduo vive recebe mensagens diferentes de cada grupo social que convive: a família o ensina que o respeito é recíproco, a auto-valorização, que as relações são de igualdade. Quando chega na

(10)

escola essas mensagens são todas lembradas nos discursos, mas no dia-a-dia não são aplicadas.

3.3. O fantasma do racismo

Difundiu-se no Brasil a idéia de que não existe desigualdade racial, logo não temos exclusão social e muito menos o racismo.

Tem-se a idéia de que os negros são pobres porque são acomodados ou até preguiçosos, e essa idéia não é só das pessoas de etnia branca. Muitas pessoas de etnia negra pensam a mesma coisa. Essa idéia foi implantada com a finalidade de justificar as graves injustiças sociais:

É uma estratégia de dominação secular reinventada:o mesmo mito que esconde o racismo reforça e cristaliza a exclusão do negro em nossa sociedade.” (AMARO, 2002).

Na realidade brasileira existe uma falsa democracia racial, pois muitas pessoas afirmam que as discriminações e preconceitos existentes no Brasil são contra os pobres, em geral, e não contra os negros. É um modo distorcido e equivocado de ver a questão.

A discriminação é contra os pobres, mas quem são a maioria destes pobres? Por que a maioria da população negra permanece pobre? Por que as taxas de desemprego e subemprego são maiores entre os negros? E as tarefas de menor remuneração e baixo prestígio social são realizadas por negros?

Os indivíduos negros bem sucedidos no mundo do trabalho são muito poucos e isto vem a confirmar a regra geral da discriminação e do preconceito.

Nas escolas, o preconceito e a discriminação constituem um reflexo evidente do que ocorre no mundo das relações sociais. Nos apelidos, nas anedotas, nas máximas são sempre os negros que são os personagens feios, malandros, preguiçosos, inferiores. Muita gente acha essas piadas inocentes ou engraçadas , mas é exatamente por parecerem inocentes e banais as pessoas não se dão conta de quanto preconceito racial existe.

A permanência do aluno negro na escola é extremamente dificultada devido a vários fatores dentre eles a insuficiência da renda familiar que faz com que a criança negra vá mais cedo em busca do trabalho realizando biscates, se sujeitando a tarefas adultas, às vezes até de semi-escravidão, trabalhando no tráfico de drogas ou prostituindo-se. Pode-se dizer que esses

(11)

problemas são dos pobres em geral, mas são os negros que deixam a escola mais cedo que os brancos. São vários os problemas que excluem o aluno negro da escola. A rejeição por parte das crianças brancas reflete a carga de preconceito recebida no âmbito familiar e essa rejeição provoca danos gravíssimos à formação de auto-estima da criança negra, o que se refletirá na sua produção escolar e inevitávelmente influenciará na sua vida adulta e nas suas possibilidades de entrar no mundo do trabalho, pois não terá as mesmas condições de competir a uma vaga num emprego.

(12)

4. LEVANTAMENTOS DE DADOS ATRAVÉS DE PESQUISAS COM ALUNAS NEGRAS DAS ESCOLAS ESTADUAIS DO MUNICÍPIO DE VIAMÃO

4.1. Pesquisa com as alunas

Escola Est. De Ens. Fund. X A) X1

Não trabalha porque está difícil por não ter estudo. Tem que ter uma boa qualidade de ensino e um bom curso. Diz que o estudo com a EJA fica mais difícil porque não se aprende tudo que é necessário, é rápido. No ensino médio pretende fazer normal. Veio para a EJA por problemas na outra escola.

Ao ser explicado o que é o PROEJA disse que não seria a solução para os estudos porque continuaria sendo uma EJA. O estudo na EJA é complicado no mundo do trabalho.

Para ela,a mulher negra no mundo do trabalho, mesmo tendo estudado, ainda é colocada na faxina, para servir cafezinho. E diz que existe preconceito para a mulher negra que estudou na EJA, pois acham que são “burras.”

Diz que nunca sofreu discriminação e nem preconceito.

Acha que existe discriminação no mundo do trabalho por ser negra e pobre, mas a dificuldade maior de ser inserida no mundo do trabalho é a falta de estudo.

Se houvesse a possibilidade do PROEJA na escola que estudasse gostaria de fazer um curso de contabilidade.

B) X2

Estuda na EJA porque quer trabalhar e com a idade dela não pode mais estudar durante o dia.

Não trabalha. Já largou currículo e nada. Não sabe porquê não a chamam para trabalhar.

Já trabalhou de babá. Quando começou a trabalhar era só para cuidar da criança, mas depois a patroa começou a pedir para limpar a casa e ficar depois do horário. Ficou nessa casa um ano e três meses. A patroa devia pensar que eu era “burra”.

Acha que a EJA só vai ajudá-la e que se tivesse PROEJA na escola a ajudaria a arrumar um emprego melhor.

(13)

Atualmente trabalha num salão e ajuda a mãe nas faxinas.

Acha que é difícil arrumar um emprego sendo mulher, negra e sem estudo”. Diz nunca ter sofrido preconceito e nem discriminação.

Acredita que há discriminação no mundo do trabalho pelo fato de ser negra e pobre, mas a dificuldade maior de se inserir no mundo do trabalho é falta de estudos.

No PROEJA gostaria de fazer um curso de Informática.

C) X3

Trabalhou como divulgadora de uma pizzaria em POA e saiu porque não ganhava passagem.

Está a procura de emprego, mas não achou nada até agora. Largou currículo, mas acha que pela idade não é chamada. Veio para a EJA porque quer trabalhar e acha que o estudo irá ajudá-la, pois terá mais conhecimento.

Ao perguntar-lhe sobre o PROEJA, disse ser melhor estudar do que fazer um curso profissionalizante junto com o estudo.

Acha que a mulher negra vai para a faxina e é discriminada ainda mais se fez EJA”. Diz nunca ter sofrido discriminação e nem preconceito.

Acha que há discriminação no mundo do trabalho com a mulher por ser negra e pobre, mas o que dificulta a ser inserida no mundo do trabalho é a falta de estudos.

Se houvesse o PROEJA em sua escola faria um curso de Informática.

D) X4

Já sofreu preconceito, mas com a filha no supermercado, pois uma senhora pensou que ela estava furando a fila. Já foi discriminada no serviço, pois colega que tinha mais estudo, era branca e foi promovida e ela era negra sem estudos, apesar de ter mais anos na empresa, mais experiência. Pesou o fato de ser negra e não ter estudo.Faz EJA porque teve que trabalhar muito cedo. Sempre quis estudar, mas a mãe não estudou e não valorizava, depois vieram os filhos. Casou duas vezes e o segundo marido dá apoio para estudar. Ele fica com os filhos, quatro, dois do primeiro casamento e dois desse.

Acredita que o fato de ser mulher, negra e estudar na EJA não vai atrapalhar seu serviço. E o PROEJA só ajudaria”.

(14)

Acha que existe discriminação com a mulher para ser inserida no mundo do trabalho por ser negra e pobre, mas a dificuldade maior de se inserir no mundo do trabalho é a falta de qualificação.

Escola Estadual de Ensino Médio Y

A) Y1

Aluna muito simpática, cativante e brincalhona. Estudava à tarde, foi para a noite por causa da idade. Trabalhava numa creche onde foi indicada para o serviço.

Acha que o estudo ajuda muito e que a EJA vai ajudá-la a arrumar um serviço decente. Já trabalhou numa firma, supermercado, como auxiliar de limpeza.

Acha que o fato e estudar na EJA e ser mulher e negra não vai interferir para que arrume um bom trabalho.

Quanto ao PROEJA, acha melhor fazer um curso e aprender outras matérias, mais direcionado, melhor para ter mais chance na vida.

Diz nunca ter sofrido preconceito e nem discriminação, mas acha que existe discriminação no mundo do trabalho com as mulheres negras.

Acha que as dificuldades para ser inserida no mundo do trabalho é a falta de estudos e se tivesse PROEJA na sua escola gostaria de fazer um curso de informática.

B) Y2

Sempre teve vontade ( sonho) de estudar “ recuperar o tempo perdido” e não teve oportunidade de terminar os estudos porque teve que começar a trabalhar; casou, vieram os filhos. Agora que se aposentou e surgiu a oportunidade de realizar “meu sonho”, “voltei a estudar e já estou terminando o T6 e” já penso na faculdade, se sobreviver até lá”. Diz ser mais fácil agora porque a EJA é mais rápido e é a noite.

Essa aluna diz já tersofrido discriminação e preconceito e diz que “ se estudo tiver a cor não será considerada, mas a cor influencia. Nunca se deve pensar que tá bom. No emprego sempre será considerado o conhecimento e não a cor, mas temos que nos destacar para termos melhores empregos, cargos”

Quanto ao PROEJA, acha fundamental a idéia. Se tivesse na sua escola faria um curso de Informática.

(15)

Acha que existe discriminação no mundo do trabalho devido ao fato de se ser negra e pobre, por falta de qualificação e outra dificuldade é a idade.

C) Y3

Foi para a EJA porque queria arrumar um emprego, mas não conseguiu nada e aí começou a fazer um curso no SENAC de administração e já esta no curso há cinco meses. Está na EJA por ser mais rápido e isso a ajudará a arrumar um emprego logo, “ já terá estudado”

Acha uma “boa” o PROEJA porque assim termina os estudos mais rápido e ainda sai com um profissionalizante junto.

Diz nunca ter sofrido preconceito e nem discriminação, mas acha que existe mais discriminação no mundo do trabalho pelo fato de ser negra.

Se tivesse PROEJA na sua escola faria um curso de contabilidade. Acredita que uma das dificuldades para se inserir no mundo do trabalho seja a falta de qualificação.

D) Y4

Diz nunca ter sofrido discriminação e nem preconceito.

Está na EJA porque está fazendo um curso de Administração e Informática durante o dia.

Acha que as negras são discriminadas para o mundo do trabalho, mas o que dificulta a mulher negra a se inserir no mundo do trabalho é a falta de qualificação e a falta de experiência.

Fez uma entrevista numa empresa e diz ter sido eliminada por ser “mais escurinha” inclusive ouviu a funcionária disser “ ela é pretinha”

Acredita que o fato de ser mulher, negra e estudar na EJA não a prejudica em nada para o mundo do trabalho.

(16)

Esc. Est. De Ensino Médio Z

A) Z1

Estuda na EJA porque o trabalho exige que tenha o Ensino Fundamental completo. Diz nunca ter sofrido discriminação nem preconceito, mas acha que há discriminação no mundo do trabalho pelo fato de ser negra e a maior dificuldade de se inserir no mundo do trabalho é a idade.

Faz cursos para se aperfeiçoar.

Acha que a EJA vai auxiliá-la a arrumar um emprego melhor.

Se houvesse o PROEJA em sua escola faria um curso de Informática.

B) Z2

Está estudando na EJA porque é uma exigência do serviço. Diz nunca ter sofrido discriminação e preconceito,

Acha que existe preconceito e discriminação no mundo do trabalho por ser negra, mas acha que uma das dificuldades de se inserir no mundo do trabalho seja o fator idade.

Espera aprender cada vez mais na EJA e sabe que este estudo vai ajudá-la a melhorar de emprego.

Faz cursinho de Informática e se tivesse PROEJA na sua escola ,faria o curso de Informática.

C) Z3

Estuda na EJA porque teve que começar a trabalhar.

Diz já ter sofrido discriminação e preconceito ao ser eliminada de uma seleção de emprego,pois a colega que foi contratada tinha o mesmo grau de estudo que ela, só que era branca. Acredita que para ser inserida no mundo do trabalho há discriminação ocorre pelo fato de ser pobre, mas uma das dificuldades para ser inserida no mundo do trabalho é a falta de estudo por isso continua estudando.

(17)

4.2 Perfil das alunas da EJA

Realizei entrevista com as alunas negras que estudam na modalidade de ensino E.J.A. das Escolas Estaduais de Ensino Fundamental e Médio “ X, Y e Z”, do Município de Viamão.

Sabe-se que uma das grandes dificuldades enfrentadas por essas mulheres, alunas, são a de assumirem sua etnia, devido a toda a problemática que envolve o universo negro (discriminação, racismo, preconceito, ...), onde há dificuldade dessa mulher se encarar e assumir seu papel de negra, numa sociedade que desvaloriza ou valoriza o ser humano pela sua cor.

Um dos grandes problemas que enfrentados ao selecionar as alunas para realizar a pesquisa foi elas se assumirem como negras.

Ao apresentar-me nas escolas e explicar qual era o trabalho, qual a finalidade dele e o porquê de realizar esta pesquisa já enfrentei o preconceito e a discriminação por parte das alunas negras.

O número de alunas de cor negra visível nas escolas “ X, Y,Z” totalizam 76 alunas, mas compareceram apenas 11 alunas que se assumem como negras para realizarem a entrevista.

Destas alunas , apenas 05 estão inseridas no mundo do trabalho.Estão estudando na EJA pelo fato de ser exigido escolaridade no emprego ou pela idade avançada.

Na escola “X” existem 32 alunas de cor negra visível e se apresentaram apenas 04 para me auxiliarem na entrevista.

Destas alunas, 03 dizem nunca terem sofrido discriminação e nem preconceito, mas acreditam que no mundo do trabalho há discriminação pelo fato de serem negras e pobres e que uma das chances de se colocarem no mundo do trabalho é através do estudo e da qualificação profissional.Quando encontram trabalho é sempre de nível mais inferior, como por exemplo, faxina, servir cafezinho e inclusive que a negra é “ burra”, ou seja, mesmo sendo negra e com estudo ainda terão muitas dificuldades.

Perguntei-me se será que é por isso que não procuram fazer cursos de especialização? Um dado que me chamou a atenção ao entrevistá-las é que apesar de acreditarem no estudo e na qualificação profissional, nenhuma delas faz cursos, procuram se qualificar para

(18)

se inserirem no mundo do trabalho, mas tem uma visão maior da realidade no que se refere a discriminação e o preconceito.

Na escola “Y” existem 26 alunas de cor negra visível e se apresentaram apenas 04 alunas para me auxiliarem na entrevista. Inclusive aqui nesta escola só apareceram essas alunas porque a supervisora da escola convenceu-as a participarem da entrevista, pois se não fosse a intervenção da supervisora não teria aparecido nenhuma aluna.

Nesta escola, apenas uma delas já sofreu discriminação e preconceito no trabalho. Quanto a discriminação no mundo do trabalho apenas uma atribui ter discriminação por ser negra e pobre, duas atribuem a discriminação por serem negras e uma, por ser pobre. Uma só delas acredita que no mundo do trabalho há discriminação por não ter estudo e as outras três acham que há discriminação pela falta de qualificação.

O que me chamou a atenção nestas alunas é que todas fazem cursos de qualificação( Informática, contabilidade,...), fora o fato de estudarem na EJA. estão mais preocupadas com qualificação profissional.

Ambas acreditam que o fato e serem negras e estudarem na EJA não deverá prejudicá-las para se inserirem no mundo do trabalho, pois acreditam que se tiverem estudo poderão competir de igual no mundo do trabalho.

Na escola “Z” existem 18 alunas de cor negra visível e se apresentaram apenas 03 alunas para me auxiliarem na pesquisa.

Aqui também, apenas uma das alunas diz já ter sofrido discriminação e preconceito, mas ambas acreditam que há discriminação no mundo do trabalho por serem negras e uma só acha que o que discrimina é ser pobre, mas uma das dificuldades para se inserir no mundo do trabalho é a idade.

Estas alunas também estão preocupadas com a qualificação profissional e todas fazem cursos de especialização para se colocarem melhor no mundo do trabalho.

Uma realidade visível é que todas sabem que existe preconceito e discriminação racial, mas não se dão conta que muitas vezes sofrem essa discriminação e preconceito pelo fato da dificuldade de se assumirem como negras. O preconceito e a discriminação já começa por aí.

Ao comparar os dados sobre o preconceito e a discriminação que acontece no Brasil, tem-se uma clara idéia de como tanto na escola “Y” e “Z” essas alunas estão fora da realidade do universo negro no que diz respeito ao mundo do trabalho.

(19)

Desconhecem os preconceitos e as discriminações que ocorrem neste mundo, mas ainda têm esperança que o estudo, e por isso fazem cursos, seja de grande valia para enfrentar e competir no mundo do trabalho.

Já na escola “X” a realidade do mundo do trabalho é bem conhecida, pois já sofreram na “carne” as discriminações, mas também continuam lutando e na esperança que o estudo vá ajudá-las, mas sabem que mesmo com estudo ainda vai ser difícil uma colocação melhor no mundo do trabalho, mas não perdem a vontade e a garra de lutar por suas vidas, por seus sonhos, por seu futuro.

(20)

5. DIFERENÇA ENTRE TRABALHO E EMPREGO

A maioria das pessoas associa as palavras trabalho e emprego como se fossem a mesma coisa, não são. Apesar de estarem ligadas, essas palavras possuem significados diferentes. O trabalho é mais antigo que o emprego, o trabalho existe desde o momento que o homem começou a transformar a natureza e o ambiente ao seu redor, desde o momento que o homem começou a fazer utensílios e ferramentas. Por outro lado, o emprego é algo recente na história da humanidade. O emprego é um conceito que surgiu por volta da Revolução Industrial, é uma relação entre homens que vendem sua força de trabalho por algum valor, alguma remuneração, e homens que compram essa força de trabalho pagando algo em troca, algo como um salário. De acordo com a definição do Dicionário do Pensamento Social do Século XX, trabalho é o esforço humano dotado de um propósito e envolve a transformação da natureza através do dispêndio de capacidades físicas e mentais. É a relação, estável, e mais ou menos duradoura, que existe entre quem organiza o trabalho e quem realiza o trabalho. É uma espécie de contrato no qual o possuidor dos meios de produção paga pelo trabalho de outros, que não são possuidores do meio de produção.

Ao longo da história da humanidade, variando com o nível cultural e com o estágio evolutivo de cada sociedade, o trabalho tem sido percebido de forma diferenciada. Como lembra Peter Drucker, o trabalho é tão antigo quanto o ser humano. No ocidente, a dignidade do trabalho foi falsamente louvada por muito tempo. O segundo texto grego mais antigo, cerca de cem anos mais novo que os poemas épicos de Homero, é um poema de Hesíodo (800 a.C.), intitulado "Os Trabalhos e os Dias", que canta o trabalho de um agricultor. Porém, tanto no ocidente como no oriente esses gestos de louvor eram puramente simbólicos. Nem Hesíodo, nem Virgílio, nem ninguém da época, estudou de fato o que um agricultor faz e, menos ainda, como faz. O trabalho não merecia a atenção de pessoas educadas, abastadas ou com autoridade. Trabalho era o que os escravos faziam. Mas o trabalho é mais do que um instrumento criador de riqueza (posição dos economistas clássicos). Além do valor intrínseco, serve também para expressar muito da essência do ser humano (o homo faber). O trabalho está intimamente relacionada à personalidade. (Quando dizemos que fulano é um carpinteiro, um médico ou um mecânico, estamos, de certa forma, definindo um ser a partir do trabalho que ele exerce).

(21)

No começo dos tempos, o trabalho era a luta constante para sobreviver (acepção bíblica). A necessidade de comer, de se abrigar, etc. era que determinava a necessidade de trabalhar. O avanço da agricultura, de seus instrumentos e ferramentas trouxe progressos ao trabalho. O advento do arado representou uma das primeiras revoluções no mundo do trabalho. Mais tarde, a Revolução Industrial viria a afetar também não só o valor e as formas de trabalho, como sua organização e até o aparecimento de políticas sociais. A necessidade de organizar o trabalho, principalmente quando envolve muitas pessoas e ou muitos instrumentos e muitos processos, criou a idéia do "emprego". Nos tempos primitivos, da Babilônia, do Egito, de Israel, etc., havia o trabalho escravo e o trabalho livre; havia até o trabalho de artesãos e o trabalho de um rudimento de ciência, mas não havia o emprego, tal como nós o compreendemos atualmente.

Na Antiguidade, não existia a noção de emprego. A relação trabalhista que existia entre as pessoas era a relação escravizador-escravo. Podemos tomar as três civilizações mais influentes de sua época e que influenciaram o Ocidente com sociedades escravistas, a epípcia, a grega e a romana. Nessa época, todo o trabalho era feito por escravos. Havia artesãos, mas estes não tinham patrões definidos, tinham clientes que pagavam por seus serviços. Os artesãos poderiam ser comparados aos profissionais liberais de hoje, já que trabalhavam por conta própria sem ter patrões. Para os artesãos não existe a relação empregador-empregado, portanto não podemos falar que o artesão tinha um emprego, apesar de ter uma profissão.

Na Idade Média também não havia a noção de emprego. A relação trabalhista da época era a relação senhor-servo. A servidão é diferente da escravidão, já que os servos são ligeiramente mais livres que os escravos. Um servo podia sair das terras do senhor de terras e ir para onde quisesse, desde que não tivesse dívidas a pagar para o senhor de terras. Na servidão, o servo não trabalha para receber uma remuneração, mas para ter o direito de morar nas terras do seu senhor. Também não existe qualquer vínculo contratual entre os dois, mesmo porque senhor e servo eram analfabetos.

Na Idade Moderna as coisas começam a mudar. Nessa época, existiam várias empresas familiares que vendiam uma pequena produção artesanal, todos os membros da família trabalhavam juntos para vender produtos nos mercados; não podemos falar de emprego nesse caso. Além das empresas familiares, havia oficinas com muitos aprendizes que recebiam moradia e alimentação em troca e, ocasionalmente, alguns trocados. É por essa época que começa a se esboçar o conceito de emprego. Com o advento da Revolução Industrial, êxodo

(22)

rural, concentração dos meios de produção, a maior parte da população não tinha nem ferramentas para trabalhar como artesãos. Sendo assim, restava às pessoas oferecer seu trabalho como moeda de troca. É nessa época que a noção de emprego toma sua forma. O conceito de emprego é característico da Idade Contemporânea.

Discorremos sobre o trabalho e as relações trabalhistas tendo em vista os quatro períodos históricos, Idade Antiga, Idade Média, Idade Moderna e Idade Contemporânea para que ficasse visível a lógica da divisão da História em quatro períodos. Cada período histórico é marcado por uma organização sócio-político-econômico-cultural própria. Temos motivos para crer que esse fim de século XX é o início de um período de transição de onde passaremos da idade contemporânea para uma Idade pós-Contemporânea. As mudanças que vêm ocorrendo graças à tecnologia, principalmente a tecnologia da computação-telecomunicação, estão modificando as relações econômicas entre empresas, empregados, governos, países, línguas, culturas e sociedades. Essas mudanças parecem estar caminhando para uma situação tão diferente da existente no final da Segunda Guerra Mundial, que podemos a individualidade que somos e a natureza que desenvolvemos (nutridos, subnutridos, abrigados, sem teto, sem terra etc.) estão subordinadas ou resultam de determinadas relações sociais que os seres humanos assumem historicamente (GRAMSCI, 1978) os seres humanos criam e recriam, pela ação consciente do trabalho sua própria existência (LUKÁCS, 1978). É a partir dessa elementar constatação que Marx destaca uma dupla centralidade do trabalho quando concebido como valor de uso: criador e mantenedor da vida humana em suas múltiplas e históricas necessidades e, desse aspecto, como princípio educativo:

O trabalho, como criador de valores de uso, como trabalho útil, é indispensável à existência do homem - quaisquer que sejam as formas de sociedade- é necessidade natural e terna de efetivar o intercâmbio material entre o homem e a natureza, e portanto, de manter a vida humana (MARX, 1982p.50).

Nessa concepção de trabalho também está implícito o conceito ontológico de propriedade - intercâmbio material entre o ser humano e a natureza, para poder manter a vida humana. Ontológico, é o direito do ser humano, em relação e acordo solidário com os demais seres humanos, de apropriar-se da (o que implica, também, transformar, criar e recriar, mediado pelo conhecimento, ciência e tecnologia) da natureza e dos bens que produz, para produzir e reproduzir a sua existência, primeiramente física e biológica, mas não só, também, cultural, social, simbólica e afetiva. Nesse sentido, para Marx, o trabalho assume duas

(23)

dimensões distintas e sempre articuladas: trabalho como mundo da necessidade e trabalho como mundo da liberdade. O primeiro está subordinado à resposta das necessidades imperativas do ser humano enquanto um ser histórico-natural.

É a partir da resposta a essas necessidades imperativas que o ser humano pode fruir do trabalho propriamente humano - criativo e livre.

Nos últimos três séculos o trabalho esteve regulado pelas relações sociais capitalistas. Trata-se de um modo de produção social da existência humana que foi se estruturando, desde o século XI, em contraposição ao modo de produção feudal, e que se caracteriza pela emergência da acumulação de capital e, em seguida, mediante esta acumulação, pelo surgimento da propriedade privada dos meios e instrumentos de produção. Para constituir-se, todavia, necessitava da abolição da escravidão, já que era fundamental dispor de trabalhadores duplamente livres: não proprietários de meios e instrumentos de produção e também não propriedade de senhores ou donos. Essas duas prerrogativas os tomava em proletários que necessitariam imperativamente vender seu tempo de trabalho. É dessa relação social assimétrica que se constituem as classes sociais fundamentais: proprietários privados dos meios e instrumentos de produção e os não proprietários - trabalhadores que necessitam vender sua força de trabalho para sobreviver. Daqui é que surge o trabalho/emprego, o trabalho assalariado. Tanto a propriedade quanto o trabalho,a ciência e a tecnologia , sob o capitalismo, deixam de ter centralidade como valores de uso, resposta a necessidades vitais de todos os sereshumanos. Sua centralidade fundamental se transforma em valor de troca, com o fim de gerar mais lucro ou mais capital. A distinção do trabalho e da propriedade e tecnologia como valores de uso e de troca é fundamental para entendermos os desafios que se apresentam à humanidade nos dias atuais.

(24)

6. GÊNERO E ETNIA NO MUNDO DO TRABALHO

O gênero e a raça não são questões de minoria e que passam desapercebidas no Brasil; são, sim, questões muito importantes sobre a sociedade brasileira. Dentro do número da população negra brasileira, as mulheres representam 70% da população que trabalham no Brasil. As mulheres negras são as que mais sofrem com a discriminação, pois representam a menor taxa de participação no mundo do trabalho, menor taxa de ocupação em setores importantes da economia, maior taxa de desemprego e ainda têm o menor rendimento financeiro.O mundo do trabalho está cada vez mais restrito para todos , mas, para as mulheres afro-descendentes, essa inclusão, inserção, neste mundo do trabalho está ainda mais restrito.

Diante desta realidade, pergunta-se como fica a mulher negra que não teve condições de estudar no período da infância e da adolescência e que hoje tem de estudar na modalidade de Educação de Jovens e Adultos, E. J. A., e se inserir neste mundo do trabalho tão restrito e cheio de preconceitos e discriminatório?

[...] na faixa dos 10 aos 14 anos, 61, 3% , dos 15 aos 17anos devido aos estágios e ingresso no mercado forma de trabalho, a proporção cai para 53% de negros. (FRIGOTTO, 2004)

Com essas condições, a mulher negra/afro-descendente tem que ampliar seus horizontes n que diz respeito a competitividade do mundo do trabalho e para que isso aconteça tem que se especializar, tem que ter mais opções de estudo e é fundamental que uma política pública estável voltada para a EJA contemple a elevação da escolaridade com profissionalização no sentido de contribuir para a integração sócio-laboral dessa mulher negra que está se inserindo no mundo do trabalho. Ela tem de ter condições e ter acesso a uma formação profissional de qualidade.

No Brasil, os preconceitos raciais/étnicos ocorrem em todas as classes e sustentam uma forma de dominação que se apóia unicamente na diferença da cor da pele e/ou da cultura. No mundo do trabalho, preconceito é algo tão comum que passa despercebido na maioria das vezes. Do mesmo modo que as relações de gênero, as relações raciais ocorrem no cotidiano do trabalho e resultam em uma intricada rede de poder e dominação, que vem de cima para baixo e retorna fortalecida pelas sustentações que se dão de baixo para cima.

O preconceito é uma atitude, uma predisposição positiva ou negativa, que não significa necessariamente uma ação, mas prepara para que a ação possa ocorrer. Essa ação é a

(25)

discriminação, capaz de beneficiar ou prejudicar, social e psicologicamente, pessoas e/ou grupos.

Por muitos anos se privilegiou as relações entre classes, sem incorporar gênero e raça, como subprodutos da proletarização do trabalho, estreitando a visão das conseqüências negativas sofridas pelos trabalhadores negros e negras, e pela sociedade integralmente.

Os números que apresentados a seguir demonstram a segmentação do racismo e do sexismo no mercado de trabalho brasileiro. A pergunta que se faz é a seguinte:

A que atribuir tais números? Apenas à exploração capitalista?

E o papel do Estado e dos empregadores em todo o contexto da saga de negros e negras?

Segundo o CEERT – Centro de Estudos das Relações do Trabalho e Desigualdades de São Paulo , pelo menos 6 em cada 10 casos de discriminação racial registrados em delegacias são de discriminação no trabalho, especialmente nos processos de admissão e demissão .

O requisito da boa aparência é um dos mecanismos criados para impedir o acesso de negros e negras a determinados postos de trabalho.

Negras e negros, quando empregados, ocupam os piores postos de trabalho. E mesmo que tenham o mesmo nível de estudo, ocupando o mesmo posto, ainda assim a remuneração é menor.

6.1. Índices de homens e mulheres negras e não-negras

Na escala da discriminação, a mulher negra ocupa a pior posição, pois fica depois do homem negro e da mulher branca.

O peso da cor, ou, melhor dizendo, o preço da cor, recorta o mundo do trabalho de cima a baixo, cria divisões, segrega e traça as linhas da diferença com que

negros e brancos são tratados, formando um verdadeiro mapa discriminatório racial no trabalho.

Observação: Neste contexto vale explicar que a Etnia negra são os negros e os pardos e Etnia não-negra são os brancos e os amarelos.

(26)

6.2. Índices de desemprego por sexo 0,0% 10,0% 20,0% 30,0% 40,0% Homens negros Mulheres negras Homens não-negros Mulheres não-negras

Desemprego por sexo - RM Porto Alegre (2005)

Fonte: Fonte: IPE –INSTITUTO DE PESQUISA APLICADA

O rendimento é o indicador fundamental em relação à qualidade de vida e trabalho. Este parâmetro define, por si, a situação social de um indivíduo ou um grupo e seus diferenciais indicam, de forma concreta, como a riqueza se distribui em uma sociedade.

Os rendimentos dos trabalhadores e trabalhadoras negros são sistematicamente inferiores aos rendimentos dos não-negros, quaisquer que sejam as situações ou os atributos considerados. Expressam o conjunto de fatores que reúne desde a entrada precoce no mercado de trabalho, a maior inserção da população negra nos setores menos dinâmicos da economia, a elevada participação em postos de trabalho precários e em atividades não-qualificadas e as dificuldades que cercam as mulheres negras no trabalho.

São o indicador, por excelência, dos resultados da combinação da pobreza, da desigualdade e da discriminação na constituição da sociedade brasileira.

Em primeiro lugar, é necessário considerar que os patamares de rendimentos da população em geral são baixos. Mas, a desigualdade que caracteriza a situação dos negros mostra-se com bastante clareza quando comparados os rendimentos entre as duas etnias.

Os resultados permitem concluir que a discriminação racial sobrepõe-se à discriminação por sexo, combinando-se a esta para constituir o cenário de aguda dificuldade em que vivem as mulheres negras, atingidas por ambas. No entanto, as diferenças destas taxas entre as mulheres negras e não-negras são consideravelmente menores do que entre os homens.

(27)

6.3 Salário por sexo, segundo a etnia, em reais

Tomando como base os homens não-negros, que estão no topo da escala de rendimentos, as diferenças são bastante acentuadas não apenas no que se refere aos homens, mas especialmente às mulheres negras, que apresentam os níveis mais baixos de rendimentos em todas as situações. R$ 0,00 R$ 200,00 R$ 400,00 R$ 600,00 R$ 800,00 R$ 1.000,00 R$ 1.200,00 R$ 1.400,00 Homens negros Mulheres negras Homens brancos Mulheres brancas

Rendimento Médio Mensal - 2007

Fonte: IPE –INSTITUTO DE PESQUISA APLICADA

O salário de mulheres negras é menor e elas são mais afetadas pelo desemprego do que outros extratos da sociedade brasileira. A duplicidade de discriminações – de raça e de gênero – torna-se inquestionável.

6.4 Inserção dos negros no mundo do trabalho

As condições atuais do mundo de trabalho brasileiro e todas as questões que afetam as possibilidades de ingresso, permanência e crescimento profissional da população negra conjugam-se assim, para compor o quadro de extrema gravidade que caracteriza sua inserção no mundo do trabalho.

(28)

Indicadores São Paulo Salvador Recife Distrito Federal Belo Horizonte Porto Alegre Taxas de Participação 63,2% 60,8% 54,2% 62,6% 58,5% 56,0% Taxas de Desemprego 22,7% 25,7% 23,0% 20,5% 17,8% 20,6%

Ocupados em Situações Vulneráveis

(1) 42,4% 46,2% 44,7% 35,4% 40,3% 38,2%

Ocupados em Postos de Trabalho Não

Qualificados (2) 28,6% 25,6% 24,2% 25,2% 27,00% 30,6%

Rendimento Médio Mensal dos

Ocupados R$ 512,00 R$403,00 R$ 363,00 R$ 776,00 R$ 444,00 R$ 409,00 Salário por Hora R$ 2,94 R$ 2,88 R$ 2,46 R$ 5,06 R$ 2,88 R$ 2,43 Assalariados com Jornada Superior à

Legal 45,3% 41,7% 50,0% 28,00% 43,5% 38,9%

Fonte: DIEESE/SEADE e entidades regionais. PED - Pesquisa de Emprego e Desemprego. Elaboração: DIEESE

Notas: (1)Inclui os assalariados sem carteira de trabalho assinada, os autônomos que trabalham para o público, os trabalhadores familiares não remunerados e os empregados domésticos

(2) Inclui as atividades não qualificadas do grupo de ocupação da execução e as atividades de serviços gerais no grupo de ocupação de apoio

Obs.: Raça negra: pretos e pardos; raça não-negra: brancos e amarelos

A situação apresentada por estes dados revela um aspecto crucial da desigualdade social no Brasil: ela resulta não apenas sobre a injusta distribuição da riqueza gerada e de políticas econômicas que beneficiam grupos privilegiados desta sociedade, em detrimento dos trabalhadores. Está calcada também sobre diferenciações e comportamentos discriminatórios disseminados por todo o país.

A justiça social, a igualdade de oportunidades, a cidadania plena, enfim, as condições que ofereçam a todos uma igual distribuição das possibilidades de obter seu sustento e a plena realização de suas capacidades passam, necessariamente, pela construção da igualdade racial no Brasil.

(29)

7. TIPO DE TRABALHO/EMPREGO OFERECIDO NO MUNICÍPIO

7.1. Fichas de Entrevistas nas agências de emprego e das Empresas de Viamão (Empresa de transportes de Viamão, Mumu Ltda , SINE)

A pesquisa consistiu em entrevistar as pessoas responsáveis pela seleção dos empregados que irão trabalhar nas seguintes empresas no município de Viamão: Empresa de Transportes Coletivo Viamão Ltda, situada na av, Bento Gonçalves nº1157 e Mumu Alimentos Ltda , situada na av. Senador Salgado Filho nº 4756.

Entrei em contato por telefone com a pessoa responsável pela seleção dos futuros funcionários da Fábrica Mumu e fui informada que a seleção é feita por uma agência de empregos, situada na av. Liberdade, no bairro Santa Isabel. Ao solicitar o endereço, a pessoa em questão não soube me fornecer o endereço e ainda me informou que a agência não existia mais, mas que eles contratavam pessoas sem estudo “para ajudá-las”, pois é “difícil sua colocação no mundo do trabalho, já que tem funcionários que nem a 4ª série, 5º ano, tem completa. Ao questionar como essa pessoa foi selecionada para estar trabalhando na empresa, disse que já tinha trabalhado na empresa e que por isso foi chamado novamente. Então perguntei se também selecionavam as pessoas por Q.I. , Quem Indica ? , Prontamente disse que não e pediu desculpas, pois estava muito ocupado e desligou. Tentei novamente falar com essa pessoa por telefone e não estava no momento. Fui à Fábrica e descobri que a pessoa com quem tive contato não trabalhava mais lá e pedi para conversar com a pessoa que ficou no seu lugar, mas também não se encontrava no momento. A secretária que me atendeu pediu meu número de telefone para entrar em contato, mas “ até o presente momento não foi possível o contato.”

Já a tentativa de entrevistar a pessoa responsável pela seleção na Empresa de Transporte Coletivo já foi mais burocrática do que na Fábrica Mumu. Ao entrar em contato com a Empresa, por telefone, para agendar a entrevista fui encaminhada para a psicóloga da empresa, que solicitou que eu mandasse meu projeto para ser avaliado.

A princípio fiquei muito preocupada, pois se mandasse o projeto onde quero verificar se existe preconceito e discriminação com as mulheres negras que estudam na EJA para se inserirem no mundo do trabalho, tinha certeza que não me receberiam.

(30)

Ao conversar com minha orientadora ela fez eu ver que não posso partir de dados não reais para atender meu objetivo e que ao não aceitarem meu projeto e nem quererem que eu os entrevistasse já demonstraria o preconceito e a discriminação que existe na empresa.

Mandei por e-mail o projeto real. Fiquei à disposição da Empresa e mandando e-mails para saber como estaria a avaliação. Depois de quase um mês de expectativa, recebi um e-mail avisando-me que a Empresa estava em auditoria e que não poderiam me receber. Mandei outro e-mail agradecendo a atenção a mim considerada.

Estas atitudes só vêm reforçar o que realmente acontece no mundo do trabalho em Viamão.

Esses teriam sido os passos a serem trilhados, se tivesse havido a possibilidade das entrevistas nas empresas.

7.2. Entrevista com as pessoas responsáveis pelas entrevistas com os candidatos

Na última década, a situação econômica dos negros, comparada a dos brancos, manteve-se praticamente a mesma. Pesquisa da OIT (Organização Internacional do Trabalho) mostra que um negro recebe, em média, 50% do salário de um branco no Brasil. Em 1992, a taxa equivalia a 51%.

O dado esconde uma discriminação maior quando se leva em conta o aumento no grau de escolaridade dos negros. Em 92, 23% dos negros economicamente ativos e maiores de 16 anos tinham mais de sete anos de estudo. Em 2001, eram 35%.Isso quer dizer que os trabalhadores negros não conseguiram melhorar de vida, mesmo com o aumento da escolaridade.s diferenças de remuneração entre os grupos analisados vêm caindo ao longo dos anos. Entre 1996 e 2007, segundo o Ipea, as desigualdades de renda entre brancos e negros caíram 13% e entre homens e mulheres, 10%.

Entre os 10% mais pobres da população em 2007, cerca de 67,9% eram negros. Essa proporção cai para 21,9% no grupo dos 10% mais ricos. Já no grupo do 1% mais rico da população, somente 15,3% eram indivíduos negros. Já 41,7%, da população negra encontrava-se abaixo da linha da pobreza, enquanto 20% da população branca situava-se na mesma situação. No caso de indigência, 16,9% da população negra recebe menos de um quarto de salário mínimo per capita por mês, contra 6,6% dos brancos.

(31)

Embora o desemprego atinja mais as mulheres, a pesquisa destaca que elas vêm aumentando a participação no mundo do trabalho nos últimos anos. Em 1996, 46% da população feminina estava ocupada ou à procura de emprego, mas essa proporção subiu para 52,4% em 2007.

Os maiores percentuais de vulnerabilidade da mulher negra no universo dos trabalhadores ocupados se explicam, sobretudo, pela intensidade de sua presença no emprego doméstico. Esta atividade, tipicamente feminina, é desvalorizada aos olhos de grande parte da sociedade, caracterizando –se pelos baixos salários e elevadas jornadas, além de altos índices de contratação à margem da legalidade e ausência de contribuição à previdência.

O rendimento- hora da mulher negra corresponde a não mais do que 61,2% daquele recebido pelos homens não-negros, enquanto os homens não-negros recebiam, por hora, R$ 8,08 em média, as negras recebiam R$ 3,17, o que representava apenas 39,2% do rendimento médio por eles recebidos.

7.3. O que o Município de Viamão oferece no mundo do trabalho para essas alunas negras/ afro-descendentes da EJA

Viamão é um município grande em extensão e largura, mas pouco desenvolvido economicamente. Grande parte da população viamonense trabalha em Porto Alegre, por isso é conhecida como cidade- dormitório. A cidade tem poucas lojas comerciais e as empresas de grande porte são as Empresa de Transportes Coletivo Viamão, Fábrica Mumu, a cervejaria Brahma e a fábrica de pão Bread’s Indústria de Alimentos.

A maioria das pessoas que ali residem, buscam emprego em Porto Alegre por ter mais chances de colocação no mundo do trabalho. O município oferece empregos em supermercados, padarias, lancherias, farmácias e serviços tercerizados,..

Dentro deste quadro econômico precário, do município, ainda encontramos barreiras para as mulheres negras, que estudam na EJA para se inserirem no mundo do trabalho. Ainda nos deparamos com preconceitos e discriminações com as mulheres e muito mais com as mulheres negras.

O PROEJA viria ajudar esses estudantes da EJA, principalmente as alunas negras, através dos cursos concomitantes, pois estariam mais habilitadas para o tipo de serviço

(32)

oferecido no município, como por exemplo, secretariado, informática, contabilidade, ... que são do interesse dos alunos, sejam negros ou não negros, mulheres ou homens.

7.4. Análise de dados – Tabulação e Gráficos

0 5 10 15 20 25 30 35 40 45

Negros Brancos Pardos Indígenas Não declarados

Distribuição Étnica Escola X

Homens Mulheres

As escolas Y e Z não aparecem, nas fichas de matrículas, a etnias dos alunos.

8. DOCUMENTO BASE DO PROEJA

O Documento Base tem o enfoque na integração entre o ensino médio e os cursos técnicos de nível médio, enquanto estes têm por objetivos fazer uma reflexão e propor fundamentos a cerca da integração entre a formação inicial e continuada de trabalhadores e os anos finais do ensino fundamental na modalidade de Educação de Jovens e Adultos – EJA.

O Programa Nacional de Integração da Educação Profissional com a Educação Básica na Modalidade de Educação de Jovens e Adultos – PROEJA abrange cursos que, como o próprio nome diz, proporcionam formação profissional com escolarização para jovens e adultos. Os cursos podem ser oferecidos de forma integrada ou concomitante. A forma integrada é aquela em que o estudante tem matrícula única e o curso possui currículo único, ou seja, a formação profissional e a formação geral são unificadas. Na forma concomitante, o curso é oferecido em instituições distintas, isto é, em uma escola o estudante terá aulas dos componentes da educação profissional e em outra do ensino médio ou do ensino fundamental,

(33)

conforme o caso. As instituições que optarem pela forma concomitante devem celebrar convênios de intercomplementaridade, visando o planejamento e o desenvolvimento de projetos pedagógicos unificados.

A idade mínima para acessar os cursos do PROEJA é de 18 anos na data da matrícula e não há limite máximo.

Ainda contribuíram para sua criação, os debates sobre as possibilidades das instituições federais de educação tecnológica atuarem na educação de jovens e adultos. Essas negociações já vinham se desenvolvendo desde o seminário nacional “Ensino Médio: Construção Política”, maio de 2003, e os três encontros nacionais de educação profissional acontecidos, em 2004, nas cidades de Natal, São Paulo e Curitiba. Também no relatório anual 2004 do Tribunal de Contas da União (TCU), encontra-se relatada a necessidade de maior participação dessas instituições nas políticas de inclusão social. No entanto, a implantação do programa trazia consigo diversos desafios políticos e pedagógicos. Como construir um currículo integrado considerando as especificidades desse público tão diverso; quais os instrumentos para reconhecimento dos saberes adquiridos em espaços não-formais de aprendizagem; como articular as diferentes políticas sociais e qual o papel da escola pública são algumas das questões trazidas pelo Proeja

8.1. Surgimento e Finalidade do PROEJA

Decreto nº. 5.478, de 24/06/2005, e denominado inicialmente como Programa de Integração da Educação Profissional ao Ensino Médio na Modalidade Educação de Jovens e Adultos, o PROEJA revelava a decisão governamental de atender à demanda de jovens e adultos pela oferta de educação profissional técnica de nível médio, da qual, em geral, são excluídos, bem como, em muitas situações, do próprio ensino médio, representado um aumento substantivo de jovens na EJA, todos com escolaridade descontínua, não-concluintes com êxito do ensino fundamental, obrigados a abandonar o percurso, ou pelas reiteradas repetências, indicadoras do próprio “fracasso”, ou pelas exigências de compor renda familiar, insuficiente para a sobrevivência, face ao desemprego crescente, à informalidade e a degradação das relações de trabalho, ao decréscimo do número de postos.

Nessa exclusão aos estudos também está muito presente as condições geracionais, de gênero, de relações étnico-raciais , os fundantes da formação humana e dos modos como se

(34)

produzem as identidades sociais. Nesse sentido, outras categorias para além da de “trabalhadores”, devem ser consideradas pelo fato de serem elas constituintes das identidades e não se separarem, nem se dissociarem dos Entretanto, mesmo nessas situações excepcionais, é fundamental que seja elaborado um projeto político-pedagógico único, a partir da ação conjunta das instituições que estiverem colaborando no sentido de viabilizar a respectiva oferta. Nesse projeto político-pedagógico interinstitucional único, é imprescindível que se incorporem, ao máximo possível, as concepções, princípios e diretrizes estabelecidas para a oferta integrada.

Dessa forma, no caso da concomitância, as instituições que estiverem colaborando, elaborarão de forma conjunta e prévia ao desenvolvimento da oferta, o respectivo projeto político-pedagógico. É nessa perspectivas que o PROEJA vem dar mais subsídios, condições de luta, de igualdade para a mulher negra/afro-descendente ter condições de competir no mundo do trabalho.

[...]. Significa que buscamos enfocar o trabalho como princípio educativo, no sentido de superar a dicotomia trabalho, trabalho/ manual, intelectual, de incorporar a dimensão intelectual ao trabalho produtivo de formar trabalhadores capazes de atuar como dirigentes e cidadãos. (CIAVATTA, 2005, p. 84).

8.2. Integração do currículo de formação inicial e integrada

Ciavatta (2005), ao se propor a refletir sobre o que é ou que pode vir a ser a formação integrada pergunta: que é integrar? A autora remete o termo, então, ao seu sentido de completude, de compreensão das partes no seu todo ou da unidade no diverso, o que implica tratar a educação como uma totalidade social, isto é, nas múltiplas mediações históricas que concretizam os processos educativos. No caso da formação integrada ou do ensino médio integrado ao ensino técnico, o que se quer com a concepção de Educação integrada é que a educação geral se torne parte inseparável da educação profissional em todos os campos onde se dá a preparação para o trabalho: seja nos processos produtivos, seja nos processos educativos como a formação inicial, como o ensino técnico, tecnológico ou superior. Significa que buscamos enfocar o trabalho como princípio educativo, no sentido de superar a dicotomia trabalho manual / trabalho intelectual, de incorporar a dimensão intelectual ao trabalho produtivo, de formar trabalhadores capazes de atuar como dirigentes e cidadãos.A idéia de formação integrada sugere superar o ser humano dividido historicamente pela divisão social

(35)

do trabalho entre a ação de executar e a ação de pensar, dirigir ou planejar. Trata-se de superar a redução da preparação para o trabalho ao seu aspecto operacional, simplificado, escoimado dos conhecimentos que estão na sua gênese científico-tecnológica e na sua apropriação histórico-social. Como formação humana, o que se busca é garantir ao adolescente, ao jovem e ao adulto trabalhador o direito a uma formação completa para a leitura do mundo e para a atuação como cidadão pertencente a um país, integrado dignamente à sua sociedade política.

Formação que, nesse sentido, supõe a compreensão das relações sociais subjacentes a todos os fenômenos. (Ciavatta, 2005, p. 85)

8.3 Legislação: documento base do PROEJA

A base legal do Programa é o Decreto no 5.840, de 13 de julho de 2006. Outros atos normativos que fundamentam o PROEJA são: a Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, o Decreto no 5.154, de 23 de julho de 2004, os Pareceres CNE/CEB nº 16/99, nº 11/2000 e nº 39/2004 e as Resoluções CNE/CEB nº 04/99 e nº 01/2005.

Estão entre os fundamentos do programa as discussões sobre a integração entre formação geral e formação profissional, travadas desde os anos 80 e tendo como marco a promulgação do Decreto nº 5.154, de 23 de julho de 2004.

DECRETO Nº 5.840, DE 13 DE JULHO DE 2006.

Institui, no âmbito federal, o Programa Nacional de Integração da Educação Profissional com a Educação Básica na Modalidade de Educação de Jovens e Adultos - PROEJA, e dá outras providências.

.

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o art. 84, inciso IV, da Constituição, e tendo em vista o disposto nos arts. 35 a 42 da Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e no Decreto no 5.154, de 23 de julho de 2004, no art. 6o, inciso III, da Lei no 8.080, de 19 de setembro de 1990, e no art. 54, inciso XV, da Lei no 8.906, de 4 de julho de 1994,

DECRETA:

Art. 1o Fica instituído, no âmbito federal, o Programa Nacional de Integração da Educação Profissional à Educação Básica na Modalidade de Educação de Jovens e Adultos - PROEJA, conforme as diretrizes estabelecidas neste Decreto.

Referências

Documentos relacionados

5.5 menciona que estas regras se aplicam aos contratos que estabeleçam, por um preço global, prestações de transporte combinadas com alojamento (contratos de viagem) 70.

Dos artistas (ou gêneros) mais rejeitados aparecem entre os citados mais de 10 vezes o pagode (gênero relacionado ao samba), o funk, o palhaço Tiririca, o grupo de pagode

Assim sendo, com vista à redução dos esforços físicos das mulheres na cozinha das zonas do projecto e nas escolas situadas nas mesmas comunidades, a preservação dos

Distribuição: Senado Federal: Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), Comissão de Assuntos Sociais (CAS), Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), Plenário

Outro ponto importante para ficar atento é a transição entre a Educação Infantil e o Ensino Fundamental, pois, como aponta a BNCC, é preciso que haja uma continuidade em

Clínica da Família Maria José de Souza Barbosa Estrada do Taquaral nº 100 – Bangú.. Clínica da Família Mario Dias de Alencar Rua Mucuripe s/n -

Só ficou a falsidade da jura que ocê escreveu Do nosso amor é o que resta, a esperança perdida Não vejo mais seu sorriso que alegrava minha vida. “Só leio a palavra triste da

cordões’ espalhadas por toda a fazenda. As matas ciliares situam-se ao longo dos rios Miranda e Abobral, e também ao longo de seus corixos. Interessante salientar que essas áreas