• VETOR POSIÇÃO
𝑟 = 𝑥𝑖 + 𝑦𝑗 + 𝑧𝑘
• VETOR DESLOCAMENTO
Se uma partícula se move de uma posição 𝑟1 para outra 𝑟2: ∆𝑟 = 𝑟2 − 𝑟1 ∆𝑟 = 𝑥2 − 𝑥1 𝑖 + 𝑦2 − 𝑦1 𝑗 + 𝑧2 − 𝑧1 𝑘
• VETORES VELOCIDADE MÉDIA E VELOCIDADE INSTANTÂNEA 𝑣𝑚 = ∆𝑟 ∆𝑡 𝑣 = 𝑑𝑟 𝑑𝑡
Exemplo 1
Um veículo robótico está explorando a superfície de Marte. O módulo de aterrissagem é a origem do sistema de coordenadas e a superfície do planeta é o plano xy. O veículo, que será representado por um ponto, possui componentes x e y que variam com o tempo de acordo com:
x = 2 m – (0,25 m/s²)t² y = (1 m/s)t + (0,025 m/s³)t³
a) Calcule as coordenadas do veículo e sua distância do módulo de aterrissagem no instante t = 2s.
b) Calcule o vetor deslocamento e o vetor velocidade média no intervalo de tempo entre 0 s e 2 s.
c) Expresse a velocidade instantânea em t = 2 s, usando componentes e também em termos do módulo, direção e sentido.
• VETORES ACELERAÇÃO MÉDIA E ACELERAÇÃO INSTANTÂNEA 𝑎𝑚 = ∆𝑣 ∆𝑡 𝑎 = 𝑑𝑣 𝑑𝑡 Exemplo 2 Para o exemplo 1:
a) Calcule os componentes do vetor aceleração média no intervalo de tempo entre 0 s e 2 s.
b) Ache a aceleração instantânea para t = 2s.
• COMPONENTES PERPENDICULARES E PARALELOS DA ACELERAÇÃO
Componente Paralelo:
→ Há mudança no módulo da velocidade, mas não em sua direção;
→ O móvel se move em linha reta, com velocidade escalar variável.
Componente Perpendicular:
→ Há mudança na direção da velocidade, mas não em seu módulo;
→ O móvel se move em trajetória curva, com velocidade escalar constante.
Exemplo 3: encontre os componentes paralelo e perpendicular da aceleração em t = 2s para os exemplos anteriores.
• MOVIMENTO DE PROJÉTEIS
Um projétil é um corpo lançado no ar, o qual realiza uma trajetória curvilínea, devido sua velocidade inicial, à aceleração da gravidade e à resistencia do ar.
ax = 0 ay = -g
Considerando o instante do lançamento do projétil:
No eixo vertical: 𝒈//𝒗𝟎𝒚
→ altera o módulo da velocidade, mas não sua direção;
→ ocorre movimento na vertical, com velocidade variando uniformemente → queda livre
𝑣 = 𝑣0 + 𝑔𝑡 𝑦 = 𝑦0 + 𝑣0𝑡 + 1
Considerando o instante do lançamento do projétil:
No eixo horizontal: 𝒈 ⊥ 𝒗𝟎𝒙
→ muda a direção da velocidade do projétil, mas não seu módulo;
→ movimento com velocidade constante → MRU 𝑣 = 𝑣0𝑥
* Trajetória do projétil:
Componentes de 𝑣 0:
v
ox= v
ocosθ
0v
oy= v
osenθ
0
Para cada eixo:
𝑥 = 𝑥0 + 𝑣0𝑥𝑡 → 𝑥 = (𝑣0𝑐𝑜𝑠𝜃0)𝑡 (I) 𝑦 = 𝑦0 + 𝑣0𝑦𝑡 − 1
2𝑔𝑡² → 𝑦 = (𝑣0𝑠𝑒𝑛𝜃0)𝑡 − 1
Isolando t em (I) e substituindo em (II): 𝑡 = 𝑥 𝑣0𝑐𝑜𝑠𝜃0 𝑦 = 𝑣0𝑠𝑒𝑛𝜃0. 𝑥 𝑣0𝑐𝑜𝑠𝜃0 − 1 2 𝑔 𝑥 𝑣0𝑐𝑜𝑠𝜃0 2 𝑦 = 𝑡𝑔𝜃0𝑥 − 𝑔 2𝑣0²𝑐𝑜𝑠²𝜃0 𝑥²
* Alcance Horizontal R:
Indica a distância horizontal entre a posição final do projétil e o seu ponto de lançamento
Horizontal: 𝑅 = 𝑣0𝑐𝑜𝑠𝜃0𝑡 → 𝑡 = 𝑅 𝑣0𝑐𝑜𝑠𝜃0 Vertical: 0 = 𝑣0𝑠𝑒𝑛𝜃0𝑡 − 1 2 𝑔𝑡²
Substituindo o tempo na segunda equação: 0 = 𝑣0𝑠𝑒𝑛𝜃0. 𝑅 𝑣0𝑐𝑜𝑠𝜃0 − 1 2𝑔 𝑅 𝑣0𝑐𝑜𝑠𝜃0 2 0 = 𝑅 𝑠𝑒𝑛𝜃0 𝑐𝑜𝑠𝜃0 − 1 2 𝑔 𝑅² 𝑣0²𝑐𝑜𝑠²𝜃0
𝑔𝑅² 2𝑣0²𝑐𝑜𝑠²𝜃0 = 𝑅 𝑠𝑒𝑛𝜃0 𝑐𝑜𝑠𝜃0 𝑅 = 2𝑣0²𝑐𝑜𝑠²𝜃0 𝑔 . 𝑠𝑒𝑛𝜃0 𝑐𝑜𝑠𝜃0 𝑅 = 𝑣0² 𝑔 . 2𝑐𝑜𝑠𝜃0𝑠𝑒𝑛𝜃0
Usando a identidade trigonométrica 2senθ0cosθ0=sen2θ0: 𝑅 = 𝑣0² 𝑔 𝑠𝑒𝑛2𝜃0 Rmáx → θ0 = 45o R mín → θ0 = 0 ou θ0 = 90o
Exemplo 4
Um motociclista maluco se projeta para fora da borda de um penhasco. No ponto exato da borda, sua velocidade é horizontal e possui módulo igual a 9 m/s. Ache a posição do motociclista, a distância da borda do penhasco e a velocidade depois de 0,5 s.
Exemplo 5
Uma bola de beisebol deixa o bastão do batedor com uma velocidade inicial v0 = 37 m/s com um ângulo inicial θ0 = 53,1o em um local onde g = 9,8 m/s².
a) Ache a posição da bola e o módulo, a direção e o sentido de sua velocidade para t = 2s.
b) Calcule o tempo que a bola leva para atingir a altura máxima de sua trajetória e ache a altura h desse ponto.
c) Ache o alcance horizontal R, ou seja, a distância entre o ponto inicial e o ponto onde a bola atinge o solo.
• MOVIMENTO CIRCULAR
A trajetória circular é causada pelo componente da aceleração perpendicular à velocidade, responsável por alterar sua direção.
* Movimento Circular Uniforme (MCU):
A velocidade escalar do móvel é constante, pois nesse caso não existe o componente paralelo da aceleração.
Considere uma partícula em dois instantes em um MCU:
Da definição de ângulo, θ = S/R, temos para cada um dos triângulos semelhantes que:
𝜃 = ∆𝑆 𝑅 e 𝜃 = ∆𝑣 𝑣 , onde v = v1 = v2 Portanto: ∆𝑣 𝑣 = ∆𝑆 𝑅 → ∆𝑣 = 𝑣 𝑅 ∆𝑆
Dividindo a equação por ∆t: ∆𝑣 ∆𝑡 = 𝑣 𝑅 ∆𝑆 ∆𝑡
Tomando o limite para ∆t → 0, temos: lim ∆𝑡→0 ∆𝑣 ∆𝑡 = 𝑣 𝑅 ∆𝑡→0lim ∆𝑆 ∆𝑡 𝑎 = 𝑣 𝑅 𝑣
Sendo a velocidade instantânea constante no MCU: 𝑎 = 𝑣²
𝑅
Como a aceleração é radial em todo o MCU, denomina-se a = arad. Assim:
𝑎𝑟𝑎𝑑 = 𝑣² 𝑅
Exemplo 6
O carro Aston Martin V8 Vantage possui “aceleração lateral” de 0,96g, o que equivale a 0,96 . 9,8 m/s² = 9,4 m/s². o que representa a aceleração centrípeta máxima sem que o carro deslize para fora de uma trajetória circular. Se o carro se desloca a uma velocidade constante de 40 m/s (cerca de 144 km/h), qual é o raio mínimo da curva que ele pode aceitar?
Exemplo 7
Em um brinquedo de parque de diversões, os passageiros viajam com velocidade constante em um círculo com raio 5 m. Eles fazem uma volta completa no círculo em 4 s. Qual é a aceleração deles?
• VELOCIDADE RELATIVA
Geralmente a velocidade é medida a partir de um referencial considerado em repouso, como o solo ou alguma placa ou marco preso a ele. No entanto, é possível medi-la para referenciais também em movimento, como faz um motorista ao ultrapassar um veículo a sua frente. Nesse exemplo, a velocidade do motorista em relação à estrada possui certo valor, porém em relação ao carro da frente observa-se um módulo diferente.
* Velocidade Relativa em Uma Dimensão:
Se uma mulher caminha com velocidade de 1 m/s em um trem a 3 m/s, qual a velocidade da mulher? Para responder essa pergunta, é necessário conhecer o referencial para o qual foi medido cada velocidade e qual o sentido do deslocamento da mulher e do trem.
Mulher e trem se deslocam para direita:
Em relação ao solo:
v = vm + vt = 4 m/s Em relação ao trem:
Mulher se desloca para esquerda e trem para direita:
Em relação ao solo:
v = vt – vm = 2 m/s Em relação ao trem:
Exemplo 8
Você dirige em uma estrada retilínea do sul para o norte com velocidade constante de 88 km/h. Um caminhão se aproxima em sentido contrário com velocidade constante de 104 km/h.
a) Qual a velocidade do caminhão em relação à você? b) Qual sua velocidade em relação ao caminhão?
c) Como as velocidades relativas variam depois que o caminhão cruza por você?
* Velocidade Relativa em Duas ou Três Dimensões:
Nesse caso, estende-se o conceito de velocidade relativa para mais dimensões, utilizando-se a notação vetorial para um espaço bidimensional ou tridimensional.
Exemplo 9
Voando com vento ortogonal: a bússola de um avião mostra que ele se desloca do sul para o norte e seu indicador de velocidade do ar mostra que ele está se movendo no ar com velocidade igual a 240 km/h. Se existe um vento de 100 km/h de oeste para leste, qual é a velocidade do avião em relação à Terra?
REFERÊNCIAS
Young & Freedman. Sears & Zemansky – Física I: Mecânica. 12ª edição, editora Addison Wesley, São Paulo, 2008.
As imagens e exemplos foram extraídas da fonte acima ou criadas pelo autor.