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DIREITO TRIBUTÁRIO Técnico TRF

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Extinção do Crédito Tributário

Das Causas de Extinção do Crédito Tributário

O art. 156 do CTN estabelece as causas que possuem a força de extinguir

o crédito tributário, quais sejam: o pagamento; a compensação; a transação; a remissão; a prescrição e a decadência; a conversão do depósito em renda; o pagamento antecipado e a homologação do lançamento nos termos do disposto no art. 150 e seus §§ 1° e 4°; a consignação em pagamento, nos termos do disposto no § 2° do art. 164; a decisão administrativa irreformável, assim entendida a definitiva na órbita administrativa, que não possa mais ser objeto de ação anulatória; a decisão judicial passada em julgado; a dação em pagamento em bens imóveis, na forma e condições estabelecidas em lei.

1.1 Pagamento

O pagamento é a forma corrente de extinção do crédito tributário. Regulado a partir do art. 157 do CTN, fica estabelecido, inicialmente, que nesta hipótese de extinção do crédito tributário a imposição de penalidade não ilide o pagamento integral do crédito tributário, ou seja, o contribuinte, ao pagar a multa por atraso na entrega da Declaração de Imposto de Renda de Pessoa Física, não afeta o imposto apurado na declaração, que continua sendo devido em sua integralidade.

Forte no art. 3o do CTN, tributo não se confunde com penalidade pecuniária, com

sanção por ato ilícito. Na mesma linha, o pagamento de um crédito não importa em presunção de pagamento de outras prestações ou de outros tributos, devendo este, salvo disposição em contrário da legislação tributária, ser efetuado na repartição competente do domicílio do sujeito passivo.

1.2. Compensação

Esta espécie de extinção do crédito tributário, elencada no art. 156, II e regulada no art. 170 e 170-A, todos do CTN, se dá quando o obrigado ao pagamento do tributo é credor da Fazenda Pública. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Decorre a compensação, portanto, de operação matemática que busque ‘bater’ créditos com débitos devidos ao ente público. No caso de crédito tributário vincendo, ou seja, com prazo de vencimento ainda não transcorrido, a lei determinará, para efeitos de compensação, a apuração do seu montante, não podendo, porém, cominar redução maior que a correspondente ao juro de 1% ao mês pelo tempo a decorrer entre a data da compensação e o vencimento.

No âmbito dos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, cabe trazer a lume o que preceitua a lei 9.430/1996 com suas posteriores alterações, dispondo que uma vez verificado saldo credor de tributo do sujeito

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passivo a ser restituído, poderá valer-se deste crédito para compensar débitos próprios relativos a quaisquer tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal. Assim, o sujeito passivo, verificando a existência de saldo credor, poderá efetivar o pedido de compensação, preenchidos os requisitos legais, na forma do que dispõe o art. 74 da Lei 9430/96 e suas posteriores alterações. De igual forma, o art. 66 da Lei 8383/91 preceitua que nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subseqüente.

Por fim, importa aduzir a alteração introduzida pela Lei Complementar 104/2001, que incluiu o art. 170-A no CTN, estando vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial.

1.3. Transação

A transação prevista no art. 156, III do CTN é o acordo efetivado entre as partes que restam por transacionar a obrigação tributária e o crédito tributário. Importa referir que somente por previsão legal, e portanto nos estritos termos do princípio da legalidade, a autoridade competente poderá autorizar a transação. Da mesma forma, é necessária a existência de prévio litígio entre as partes, sendo terminado com o advento da transação. O art. 171 deixa claro a existência destes dois requisitos para a realização e efetivação da transação, quais sejam, a

previsão legal e a existência de litígio1.

1.4. Remissão

Remissão é causa extintiva do crédito tributário, consoante prevê o art. 156, IV do CTN, isto porque consiste no perdão do tributo, fundamentado mediante

autorização legal, art. 150, §6o da Constituição. Nos termo do art. 172 do CTN, a

lei fixa critérios e autoriza a remissão, posteriormente esta é efetivada pelo despacho fundamentado da autoridade administrativa. A remissão somente pode acontecer com previsão legal, em total respeito ao princípio da legalidade. A remissão é dispensa/perdão do tributo e não da multa, neste ponto não se confundindo com a anistia. A remissão poderá ser total ou parcial do crédito tributário e deverá levar em conta os seguintes critérios:

a) situação econômica do sujeito passivo;

b) o erro ou ignorância escusáveis do sujeito passivo, quanto à matéria de fato;

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CTN, art. 171: “A lei pode facultar, nas condições que estabeleça, aos sujeitos ativo e passivo da obrigação tributária, celebrar transação que, mediante concessões mútuas, importe em determinação de litígio e conseqüente extinção de crédito tributário. Parágrafo único. A lei indicará a autoridade competente para autorizar a transação em cada caso”.

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c) a diminuta importância do crédito tributário; d) eqüidade;

e) condições peculiares a determinadas da região do território da entidade tributante.

Sendo uma medida, um poder político fiscal na mão da entidade tributante, a remissão não gera direito adquirido, nos termos do que dispões o parágrafo único do art. 172 do CTN.

1.5. Decadência

Uma vez operada a decadência, ocorre a extinção do crédito tributário, conforme previsão do art. 156, V do CTN. O instituto da decadência está vinculado ao direito de lançar da Fazenda Pública, de constituir o crédito tributário. É prazo legal extintivo do direito. Esgotado o lapso temporal para lançamento do tributo sem que a Fazenda Pública o tenha efetuado, dá-se a decadência do direito de lançar, de constituir o crédito tributário. Nestes termos, uma vez efetivado o lançamento tributário e constituído, por conseguinte, o crédito tributário, não há que se falar em decadência, mas em prescrição da ação de cobrança. A grande discussão acerca da decadência não reside propriamente no seu prazo, legalmente fixado como sendo de 05 anos, mas na determinação de seu termo inicial, conforme será analisado adiante.

O direito da Fazenda de constituir o crédito tributário, nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento de ofício e por declaração, extingue-se após cinco anos, contados:

a) do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, art. 173, I do CTN (portanto, realizado o fato gerador em 2006, o prazo decadencial começa a contar a partir do primeiro dia do exercício de 2007);

b) se antes do primeiro dia do exercício seguinte, o sujeito passivo é notificado de alguma medida preparatória indispensável ao lançamento, o início do prazo é antecipado para a data da notificação, art. 173, parágrafo único do CTN (nestes termos, a notificação antecipa o termo inicial para a contagem do prazo decadencial);

c) na data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento, anteriormente efetuado, art. 173, II do CTN (não se trataria de interrupção, mas de reabertura de prazo.

A decadência não se suspende e não se interrompe).

Na hipótese específica dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, dá-se a decadência com o decurso do prazo de cinco anos

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prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado. Assim, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, em ocorrendo o pagamento antecipado, o prazo decadencial de 05 anos é contado a partir da ocorrência do fato gerador.

1.6. Prescrição

A prescrição é causa de extinção do crédito tributário, assim disposta no art. 156, V do CTN. A ação de cobrança do crédito tributário prescreve em 05 anos, contados da data de sua constituição definitiva a teor do art. 174 do CTN. Assim, ao falar em prescrição, leva-se em conta a constituição definitiva do crédito tributário. A prescrição do direito do Fisco cobrar o crédito tributário diz diretamente com o processo, com a ação de execução fiscal. Aqui o crédito está constituído. É a prescrição operando quando o titular do direito subjetivo não deduz sua pretensão pelo instrumento processual próprio. A prescrição, no âmbito do direito tributário, ataca o direito de ação e o próprio crédito tributário. Cumpre ressaltar que a impugnação da notificação do lançamento tributário instaura o litígio administrativo, não havendo que se falar em início do prazo prescricional uma vez que o crédito tributário não está definitivamente constituído. Somente com a intimação da decisão final administrativa, não mais sujeita a recurso, é que pode-se falar em constituição definitiva do crédito tributário e início do prazo prescricional.

Diferentemente da decadência, a prescrição poderá ser interrompida e suspensa. A interrupção significa retirar do sistema o prazo já transcorrido e porventura reiniciá-lo novamente em sua totalidade. A suspensão, por sua vez, não apaga o prazo já transcorrido, contando-se o prazo restante na hipótese de desaparecimento da causa de suspensão.

Cumpre aduzir a possibilidade expressa no art. 40 da Lei 6.830/80 (LEF) da ocorrência da chamada prescrição intercorrente. Tem fundamento a decretação da prescrição intercorrente uma vez verificado o transcurso do prazo de 05 anos, após a decisão que ordenar o arquivamento, sem qualquer manifestação do credor/fisco. Havendo inércia do Fisco por período superior a 05 anos, é de ser declarada a prescrição intercorrente de ofício, depois de ouvida a Fazenda Pública.

1.7. Conversão de Depósito em Renda

A conversão do depósito em renda extingue o crédito tributário, conforme dispõe o art. 156, VI do CTN. A conversão somente poderá ser efetivada uma vez ocorrido o trânsito em julgado da decisão favorável ao Fisco, devendo ser determinada de ofício pelo juízo. Aquele crédito que estava suspenso pelo depósito do montante integral, seja na esfera administrativa seja na esfera judicial, que evitava a fluência de juros e correção monetária, agora deverá ser convertido em renda, extinguindo o crédito tributário.

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1.8. O Pagamento Antecipado e a Homologação do Lançamento

O pagamento antecipado e a homologação do lançamento está elencada no art. 156, VII do CTN como causa de extinção do crédito tributário. O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos do art. 150 do CTN extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 05 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador. Expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Cumpre reportar, ainda, a leitura ao referido acerca da Lei Complementar 118/2005 ao tratar do pagamento indevido e o início do prazo para restituição do indébito tributário que começa a correr com o pagamento antecipado.

1.9. Consignação em Pagamento

A consignação em pagamento é causa de extinção do crédito tributário, conforme art. 156, VIII do CTN. O art. 164 do CTN estabelece a faculdade do contribuinte de consignar judicialmente a importância relativa ao crédito tributário, nos casos:

I – de recusa de recebimento, ou subordinação deste ao pagamento de outro tributo ou de penalidade, ou ao cumprimento de obrigação acessória;

II – de subordinação do recebimento ao cumprimento de exigências administrativas sem fundamento legal;

III – de exigência, por mais de uma pessoa jurídica de direito público, de tributo idêntico sobre um mesmo fato gerador.

Na consignação em pagamento o contribuinte tem o animus de pagar, de satisfazer e extinguir o crédito tributário. Não há interesse em discutir valores, alíquotas, ilegalidades e inconstitucionalidades, mas manifesto interesse em pagar e recusa do credor em receber. Aí não se confunde o depósito do montante integral para suspender a exigibilidade do crédito e discutir a dívida com a consignação em pagamento, o manifesto desejo de pagar a dívida. Julgada procedente a consignação, o pagamento se reputa efetuado e a importância consignada é convertida em renda. Sendo julgada improcedente a consignação, no todo ou em parte, cobra-se o crédito acrescido de juros de mora, sem prejuízo das penalidades cabíveis.

1.10. Decisão Administrativa Irreformável

A decisão administrativa irreformável está prevista no art. 156, IX do CTN, constituindo causa de extinção do crédito tributário. O CTN considera decisão administrativa irreformável aquela entendida como a definitiva na órbita administrativa, não podendo mais ser objeto de ação anulatória. O crédito tributário pode ser extinto mesmo quando ainda se encontra em constituição, sendo reconhecida indevida a exigência impugnada ou submetida a recurso.

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Operou-se o reconhecimento administrativo da inexistência do crédito tributário que foi objeto de impugnação por parte do contribuinte.

Cumpre afirmar que, se atacados e acolhidos os argumentos apenas no que tange aos vícios formais do lançamento, tal decisão favorável ao contribuinte não fulmina a obrigação tributária. Nestes termos, a Fazenda Pública, dentro do prazo decadencial, poderá efetuar novo lançamento do crédito tributário, sanando o vício perpetrado no lançamento anterior.

1.11. Decisão Judicial Passada em Julgado

A decisão judicial transitada em julgado favorável ao contribuinte é causa de extinção do crédito tributário, nos termos do art. 156, X do CTN. Assim, certificado o trânsito em julgado da decisão favorável ao contribuinte, resta extinto o crédito tributário constituído, seja pela invalidade do lançamento ou por qualquer causa que venha por fim fulminar o crédito tributário ou seu processo de constituição.

1.12. Dação em Pagamento em Bens Imóveis

A dação em pagamento em bens imóveis, acrescentada pela Lei Complementar 104/2001, está prevista no art. 156, XI do CTN como causa de extinção do crédito tributário. Assim, o contribuinte, almejando a extinção do crédito tributário, entrega bens imóveis ao credor/fisco. Esta dação em pagamento é autorizada somente em bens imóveis, não sendo ampliada aos bens móveis. Assim, atendidos os requisitos, a forma e as condições estabelecidas na lei, poderá ser extinto um crédito tributário pela dação em pagamento em bens imóveis.

PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS TRIBUTÁRIOS

Princípio da Legalidade

O princípio da legalidade tributária ou legalidade estrita, nos termos do artigo 150, I da CRFB/1988, dispõe que é vedado à União, aos Estados, aos Municípios e ao Distrito Federal exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça. A lei

ordinária é o veículo introdutor “ordinário” das normas que instituem ou aumentam tributos.

O prazo de recolhimento do tributo não é matéria de reserva legal, podendo ser definido por ato infralegal, visto que não integra o “tipo tributário”.

Por outro lado, atualizar a base de cálculo com índice próprio que é superior aos oficiais torna o tributo mais oneroso, ocorrendo sua majoração. Neste caso, é matéria de reserva legal.

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Das Exceções ao Princípio da Legalidade

O princípio da legalidade comporta exceções:

a) Dos Impostos Flexíveis ou Regulatórios: Imposto de Importação (II),

Imposto de Exportação (IE), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e Imposto sobre operações de crédito, câmbio e seguro, ou relativos a títulos ou valores mobiliários (IOF). Cumpre destacar que estes impostos federais, exatamente em razão de seu caráter extrafiscal, devem ser manejados agilmente, pois a demora em uma decisão nesta seara pode ser nefasta para a economia nacional.

b) Da CIDE – COMBUSTÍVEIS como exceção ao princípio da legalidade: Com

o advento da Emenda Constitucional n. 33/2001, nos termos do artigo 177, § 4º, I, “b” da CRFB/1988, a contribuição de intervenção no domínio econômico relativa às atividades de importação ou comercialização de petróleo e seus derivados, gás natural e seus derivados e álcool combustível (CIDE) poderá ter sua alíquota reduzida e restabelecida por ato do Poder Executivo.

c) Do ICMS incidente sobre combustíveis: artigo 155, § 4º, IV da CRFB/1988,

as alíquotas do ICMS incidente sobre combustíveis serão definidas mediante deliberação dos Estados e do Distrito Federal, ou seja, por convênio entre os Estados-membros.

Do Princípio da Igualdade Tributária - Isonomia

O princípio da igualdade tributária, ou isonomia tributária, dispõe que é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e Municípios instituir tratamento desigual entre contribuintes que se encontrem em situação equivalente, proibida qualquer distinção em razão de ocupação profissional ou função por ele exercida, independentemente da denominação jurídica dos rendimentos, títulos ou direitos, nos termos do artigo 150, II da CRFB/1988.

Do Princípio da Capacidade Contributiva

É aplicável somente aos impostos. O artigo 145, §1° da CRFB/1988 assim preceitua: “Sempre que possível, os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte, facultado à administração tributária, especialmente para conferir efetividade a esses objetivos, identificar, respeitados os direitos individuais e nos termos da lei, o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte”. Busca-se por este princípio, a justa incidência de impostos, levando-Busca-se em consideração a capacidade econômica do contribuinte.

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Do Princípio da Anterioridade do art. 150, III, ‘b’ da Constituição

A anterioridade prevista no art. 150, III, ‘b’ da CRFB/1988 estabelece a vedação à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios de cobrar tributos no mesmo exercício financeiro em que haja sido publicada a lei que os houver

instituído ou aumentado2. Assim, para ser exigido novo tributo ou tributo

majorado, a lei que institui ou majora o tributo deverá ser publicada no exercício financeiro anterior para somente ser cobrado no exercício financeiro subseqüente. Em nosso país, o exercício financeiro referido pela lei coincide com

o ano civil3, qual seja, de 1° de janeiro a 31 de dezembro.

Importa esclarecer que o Supremo Tribunal Federal, ao tratar da matéria, firmou posicionamento no sentido de que a norma legal que altera o prazo de recolhimento da obrigação tributária não se sujeita ao princípio da anterioridade,

inclusive sumulando a matéria com a Súmula de n° 6694.

Em suma, constituem-se exceções ao princípio da anterioridade, não sendo aplicável a anterioridade prevista no art. 150, III, ‘b’ da Constituição os seguintes tributos, assim determinados pelo art. 150, §1°, primeira parte, com redação dada

pela Emenda Constitucional 42/20035:

· Empréstimo compulsório, somente o previsto no art. 148, I CRFB/1988,

para atender as despesas extraordinárias, decorrentes de calamidade pública, de guerra externa ou sua iminência;

· II – Imposto de Importação de produtos estrangeiros, art. 153, I da

CRFB/1988;

· IE – Imposto de Exportação, para o exterior, de produtos nacionais ou

nacionalizados, art. 153, II da CRFB/1988;

· IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados, art. 153, IV da CRFB/1988;

· IOF – Imposto sobre operações de crédito, câmbio e seguro, ou relativas a

títulos ou valores mobiliários, art. 153, V da CRFB/1988;

· Impostos Extraordinários na iminência ou no caso de guerra externa, art.

154, II da CRFB/1988;

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CRFB/1988, art. 150, III, b: “Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios (...) III – cobrar tributos: (...) b) no mesmo exercício financeiro em que haja sido publicada a lei que os instituiu ou aumentou”.

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Lei 4.320/64, art. 34: “O exercício financeiro coincidirá com o ano civil”.

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STF, súmula 669: “Norma legal que altera o prazo de recolhimento da obrigação tributária não se sujeita ao princípio da anterioridade”.

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CRFB/1988, art. 150, §1º: “A vedação do inciso III, b, não se aplica aos tributos previstos nos arts. 148, I, 153, I, II, IV e V; e 154, II”.

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· CIDE-combustíveis no que se refere a alterações de alíquotas, art. 177, §4°,

I, ‘b’ da CRFB/1988;

· ICMS-combustíveis no que se refere a alterações de alíquotas e na forma

prevista no art. 155, §4°, IV, ‘c’.

Do Princípio da Anterioridade dos Noventa Dias do art. 150, III, ‘c’ da Constituição

O art. 150, III, ‘c’ da CRFB/1988 estabelece a vedação à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios de cobrar tributos antes de decorridos noventa dias da data em que haja sido publicada a lei que os instituiu ou aumentou, observado o princípio da anterioridade do art. 150, III, ‘b’ da CRFB/1988. Nestes termos, uma lei que instituir ou aumentar tributo que for publicada em 31 de dezembro, somente surtirá efeitos em abril do ano seguinte, dado que assim estará respeitando a anterioridade do exercício e a anterioridade dos 90 dias. Por sua vez, uma lei que instituir ou aumentar tributo que for publicada em 31 de janeiro, somente surtirá efeitos em 1° de janeiro do exercício subseqüente, em respeito ao princípio da anterioridade do exercício e da anterioridade dos 90 dias (que neste caso já estaria cumprida em maio do mesmo ano da publicação da lei).

Igualmente a anterioridade dos 90 dias, comporta as exceções previstas no art. 150, §1°, in fine da CRFB/1988.Constituem-se exceções ao princípio da anterioridade dos noventa dias, não sendo aplicável a anterioridade prevista no art. 150, III, ‘c’ da Constituição, os seguintes tributos, assim determinados pelo

art. 150, §1°, in fine, com redação dada pela Emenda Constitucional 42/20036:

· Empréstimo compulsório, somente o previsto no art. 148, I CRFB/1988,

para atender as despesas extraordinárias, decorrentes de calamidade pública, de guerra externa ou sua iminência;

· II – Imposto de Importação de produtos estrangeiros, art. 153, I da

CRFB/1988;

· IE – Imposto de Exportação, para o exterior, de produtos nacionais ou

nacionalizados, art. 153, II da CRFB/1988;

· IR – Imposto de renda e proventos de qualquer natureza, art. 153, III da

CRFB/1988;

· IOF – Imposto sobre operações de crédito, câmbio e seguro, ou relativas a

títulos ou valores mobiliários, art. 153, V da CRFB/1988;

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CRFB/1988, art. 150, §1º, in fine: “e a vedação do inciso III, c, não se aplica aos tributos previstos nos arts. 148, I, 153, I, II, III e V; e 154, II, nem à fixação da base de cálculo dos impostos previstos nos arts. 155, III, e 156, I.”

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· Impostos Extraordinários na iminência ou no caso de guerra externa, art.

154, II da CRFB/1988;

· IPVA – Imposto sobre a propriedade de veículos automotores, art. 155, III

da CRFB/1988, somente no que tange à fixação da base de cálculo;

· IPTU – Imposto sobre a propriedade predial e territorial urbana, art. 156, I

da CRFB/1988, somente no que se refere à fixação da base de cálculo.

Noventena das Contribuições para a Seguridade Social do art. 195, § 6° da Constituição

As contribuições para a seguridade social, segundo mandamento constitucional, não estão disciplinadas pela anterioridade prevista no art. 150 da CRFB/1988. Em verdade, estas contribuições encontram regramento próprio, estabelecido no

art. 195, §6° da CRFB/19887, e somente a ele devem guardar cumprimento.

Referido artigo estabelece a chamada ‘noventena’ das contribuições para a seguridade social, afastando a anterioridade do exercício, estabelecendo que estas “só poderão ser exigidas após decorridos noventa dias da data da publicação da lei que as houver instituído ou modificado, não se lhes aplicando o disposto no art. 150, III ‘b’”.

Do Princípio do Não-Confisco

O artigo 150, IV da CRFB/1988, dispõe que é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios “utilizar tributo com efeito de confisco”. Tal princípio, também chamado de vedação ao confisco, é invocado sempre que um

tributo ofenda o direito de propriedade8, por ser excessivamente oneroso, vindo a

atingir consideravelmente ou mesmo a absorver o patrimônio do contribuinte.

Do Princípio da Liberdade de Tráfego e Locomoção

O artigo 150, V da CRFB/1988 veda o estabelecimento de limitações de tráfego de pessoas ou bens, por meio de tributos interestaduais ou intermunicipais, ressalvada a cobrança de pedágio pela utilização de vias conservadas pelo Poder Público. Não há dúvidas de que o presente princípio tem como objetivo preservar a federação, no sentido de viabilizar a relação entre os Estados-membros e os Municípios, de modo a evitar que a tributação limite o tráfego, a locomoção de pessoas e bens. O princípio em tela, portanto, veda que seja instituído tributo pelos Estados-membros e os Municípios que tenham como elemento essencial

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CRFB/1988, art. 195, § 6º: “As contribuições sociais de que trata este artigo só poderão ser exigidas após decorridos noventa dias da data da publicação da lei que as houver instituído ou modificado, não se lhes aplicando o disposto no art. 150, III, "b"”.

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de sua hipótese de incidência a passagem de bens e pessoas pelos limites estaduais e municipais.

Do Princípio da Uniformidade Geográfica

Conforme art. 151 da CRFB/1988, a União não pode instituir tributo que não seja uniforme em todo o território nacional ou que implique distinção ou preferência em relação a Estado, ao Distrito Federal ou a Município em detrimento de outro, admitida a concessão de incentivos fiscais destinados a promover o equilíbrio do desenvolvimento socioeconômico entre as diferentes regiões do país.

QUESTÕES

01. ( ) A remissão é ato de autoridade administrativa dotada de expressa

autorização legal; a remição, por seu turno, é ato de resgate que pode ser realizado pelo particular em relação a bem penhorado em execução fiscal.

02. ( ) A conversão do depósito em renda constitui forma de extinção do crédito

tributário.

03. ( ) A decadência, atingindo o próprio direito substantivo, impede o

lançamento.

04. São modalidades de extinção do crédito

(A) a conversão de depósito em renda, a transação e decisão administrativa irreformável

(B) a prescrição, a imunidade e o pagamento

(C) a coisa julgada, a dação em pagamento e a compensação

(D) o pagamento antecipado e a homologação do lançamento, a remição e transação

(E) a decisão judicial passada em julgado, a decadência e a concessão de medida liminar em mandado de segurança

05. Forma extintiva da obrigação, implicando o perdão do tributo devido, é a

(A) anistia. (B) remissão.

(C) denúncia espontânea. (D) isenção.

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(A) a decisão judicial transitada em julgado extinguindo a obrigação; a falência da pessoa jurídica;

(B) a prescrição e a decadência; o ajuizamento de mandado de segurança contra o lançamento tributário;

(C) a compensação; a remissão; (D) o pagamento; a insolvência civil.

07. A decadência se distingue da prescrição tributária pelo fato de :

(A) na decadência, a Fazenda dispõe de cinco anos para efetuar o ato administrativo de lançamento, e na prescrição a Fazenda dispõe de cinco anos para a proposição da ação de cobrança ou ação de execução;

(B) na decadência, a Fazenda dispõe de dez anos para efetuar o ato administrativo de lançamento e na prescrição a Fazenda dispõe de dez anos para a proposição da ação de cobrança ou ação de execução;

(C) na decadência, a Fazenda dispõe de cinco anos para intentar a ação de cobrança ou ação de execução, e na prescrição dispõe de cinco anos para efetuar o ato administrativo de lançamento;

(D) tanto na decadência quanto na prescrição tributárias, a Fazenda dispõe de

dez anos para

efetuar o ato administrativo de lançamento.

08. São causas extintivas do crédito tributário, segundo o Código Tributário Nacional:

(A) o pagamento, a compensação, a transação, decisão judicial proferida liminarmente e a conversão do depósito em renda.

(B) o pagamento, a compensação, a dação em pagamento em bens imóveis, a transação e a conversão do depósito em renda.

(C) o pagamento, a compensação, a prescrição e decadência e o depósito do montante integral do tributo.

(D) a conversão do depósito em renda, a transação, a compensação, a moratória e a remissão.

(E) a compensação, a transação, a remissão e a dação em pagamento em bens móveis.

09. Considere as afirmativas a seguir:

I - Na compensação, se o obrigado ao pagamento do tributo é credor da Fazenda Pública, poderá ocorrer uma compensação pela qual seja extinta sua obrigação, isto é, o crédito tributário.

II - Transação é acordo, sendo certo ainda que a lei pode facultar, nas condições que estabeleça aos sujeitos ativo e passivo da obrigação tributária, celebrar transação que, mediante concessões mútuas, importe em terminação de litígio e conseguinte extinção de crédito tributário.

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III - Remissão é perdão, é dispensa. Só pode ser concedida pela autoridade administrativa para tanto expressamente autorizada por lei.

IV - Pela decadência, ocorre a extinção do direito de o fisco constituir o crédito tributário.

São verdadeiras: (A) I, II, III somente. (B) I, II, III e IV (todas). (C) III somente.

(D) II e IV somente.

10. (ESAF) Será suspensa a exigibilidade do crédito tributário no caso de

a) parcelamento b) isenção c) remissão d) decadência e) compensação (Cespe)

Nos arts. 150 a 152, a Constituição Federal dispõe acerca de importantes princípios em matéria tributária, que visam, ao mesmo tempo, limitar o poder dos entes tributantes e proteger os contribuintes. Em relação aos princípios constitucionais tributários, julgue os itens abaixo.

11 - ( ) O princípio da anterioridade, segundo o qual as entidades governamentais não podem cobrar tributos no mesmo exercício financeiro em que haja sido publicada a lei que os instituiu ou aumentou, não se aplica aos impostos sobre importação, exportação, produtos industrializados, propriedade territorial rural e grandes fortunas.

12 - ( ) O princípio da uniformidade geográfica comporta atenuações nas hipóteses de concessão de incentivos fiscais que objetivem promover o equilíbrio socioeconômico de diferentes regiões do País.

13 - (Cespe – Advocacia Geral da União) Certo ou Errado

( ) Nem todos os impostos se submetem rigorosamente ao princípio da anterioridade da lei tributária, como ocorre com o imposto de importação, o imposto de exportação, o imposto sobre produtos industrializados (IPI) e o

(14)

imposto sobre operações de crédito, câmbio e seguro, ou relativas a títulos ou valores mobiliários, uma vez que estes podem ser majorados e cobrados no mesmo exercício da norma que os houver elevado

Referências

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