1º BIMESTRE
DO CUMPRIMENTO DE SENTENÇA ESPÉCIES DE SENTENÇAS - Sentença autossuficiente
Declaratória: obtenção de uma certeza.
Constitutiva: alterar situação preexistente (Ex: divórcio). - Sentença não autossuficiente
Condenatória: determina o pagamento de quantia, entrega de coisa. Mandamental: impõe um fazer ou um não fazer.
PRINCÍPIOS DO PROCESSO DE EXECUÇÃO
- Princípio da efetividade da execução forçada (ou princípio da efetividade do processo)
O processo deve dar, o quanto for possível, a quem tenha direito, tudo aquilo e exatamente aquilo que tenha direito de receber. No processo de execução só se revela efetiva a medida capaz de assegurar ao titular a soma em dinheiro a que faz jus.
Na entrega de coisa, a efetividade só haverá se a coisa realmente for entregue. Nas execuções de obrigação de fazer e não fazer:
Fazer: cumprimento da obrigação ou conversão em perdas e danos;
Não fazer: cumprimento sob pena de multa ou conversão em perdas e danos. - Princípio do menor sacrifício possível ao executado
Art. 805. Quando por vários meios o exequente puder promover a execução, o juiz mandará que se faça pelo modo menos gravoso para o executado.
Parágrafo único. Ao executado que alegar ser a medida executiva mais gravosa incumbe indicar outros meios mais eficazes e menos onerosos, sob pena de manutenção dos atos executivos já determinados.
- Princípio do contraditório
Corrente divergente: inexiste na execução (Humberto Teodoro Jr).
Corrente majoritária: o contraditório é atenuado (Dinamarco), como garantia de que as partes tomarão conhecimento de todos os atos processuais praticados no processo.
Ex: Na execução por quantia certa, feita a penhora on line, vista à parte contrária para manifestação (citação para pagar ou nomear bens a penhora).
- Princípio do desfecho único
Só se encerra com o cumprimento da obrigação pelo executado.
Se houver desistência do exequente, é desnecessária a manifestação do executado. Qualquer outro fim é considerado anômalo.
Ex:
Fim da execução por falta de condições da ação. Porque os embargos são acolhidos.
COMPETÊNCIA
Para analisar a competência, leva-se em conta o título em que se funda a execução. O art. 516 dispõe: Art. 516. O cumprimento da sentença efetuar-se-á perante:
I - os tribunais, nas causas de sua competência originária; II - o juízo que decidiu a causa no primeiro grau de jurisdição;
III - o juízo cível competente, quando se tratar de sentença penal condenatória, de sentença arbitral, de sentença estrangeira ou de acórdão proferido pelo Tribunal Marítimo.
Parágrafo único. Nas hipóteses dos incisos II e III, o exequente poderá optar pelo juízo do atual domicílio do executado, pelo juízo do local onde se encontrem os bens sujeitos à execução ou pelo juízo do local onde deva ser executada a obrigação de fazer ou de não fazer, casos em que a remessa dos autos do processo será solicitada ao juízo de origem.
Observações:
- Competência territorial: derrogável. - Competência material: depende do título.
LEGITIMIDADE
Os artigos 778 e 779 tratam das partes legitimadas no processo de execução: Legitimidade ativa (art. 778)
Credor: é quem tem um título a receber. Se afirma credor:
I - MP - Execução de sentença em ação popular e em processo coletivo. II - espólio – herdeiros e sucessores.
III - Cessionário – nos casos de sucessão inter vivos – cessão opera-se pelo endosso.
IV - sub-rogado – fiador que se sub-roga nos direitos do credor porque paga a dívida do devedor. Legitimidade passiva (art. 779)
Devedor: é aquele que tem de cumprir a obrigação. II - Espólio, herdeiros e sucessores.
III - Novo devedor.
IV - Fiador – garantia fidejussória – alguém que se responsabiliza no curso do processo - também o extrajudicial.
V - responsável por dívida que tem garantia real.
VI - o responsável pelo bem entregue a título de garantia real.
REQUISITOS PARA A EXECUÇÃO
Para que possa ocorrer a execução de um título executivo, há a obrigatoriedade dos seguintes requisitos: - Obrigação inadimplida, ou seja, obrigação certa, líquida e exigível consubstanciada em título executivo. - Certeza: ausência de dúvida quanto a sua existência. Partes obrigadas.
- Exigibilidade: direito à prestação. Não poderá estar sujeita a termo ou condição.
- Liquidez: obrigação deve existir como um objeto determinado. Dispensa qualquer elemento extrínseco para averiguar o valor da obrigação.
TÍTULO EXECUTIVO JUDICIAL O art. 515 traz um rol dos títulos executivos judiciais:
Art. 515. São títulos executivos judiciais, cujo cumprimento dar-se-á de acordo com os artigos previstos neste Título:
I - as decisões proferidas no processo civil que reconheçam a exigibilidade de obrigação de pagar quantia, de fazer, de não fazer ou de entregar coisa;
II - a decisão homologatória de autocomposição judicial;
III - a decisão homologatória de autocomposição extrajudicial de qualquer natureza;
IV - o formal e a certidão de partilha, exclusivamente em relação ao inventariante, aos herdeiros e aos sucessores a título singular ou universal;
V - o crédito de auxiliar da justiça, quando as custas, emolumentos ou honorários tiverem sido aprovados por decisão judicial;
VI - a sentença penal condenatória transitada em julgado; VII - a sentença arbitral;
VIII - a sentença estrangeira homologada pelo Superior Tribunal de Justiça;
IX - a decisão interlocutória estrangeira, após a concessão do exequatur à carta rogatória pelo Superior Tribunal de Justiça;
BENS PENHORÁVEIS (ART. 835) Art. 835. A penhora observará, preferencialmente, a seguinte ordem:
I - dinheiro, em espécie ou em depósito ou aplicação em instituição financeira;
II - títulos da dívida pública da União, dos Estados e do Distrito Federal com cotação em mercado; III - títulos e valores mobiliários com cotação em mercado;
IV - veículos de via terrestre; V - bens imóveis;
VI - bens móveis em geral; VII - semoventes;
VIII - navios e aeronaves;
IX - ações e quotas de sociedades simples e empresárias; X - percentual do faturamento de empresa devedora; XI - pedras e metais preciosos;
XII - direitos aquisitivos derivados de promessa de compra e venda e de alienação fiduciária em garantia; XIII - outros direitos.
§ 1o É prioritária a penhora em dinheiro, podendo o juiz, nas demais hipóteses, alterar a ordem prevista no caput de acordo com as circunstâncias do caso concreto.
§ 2o Para fins de substituição da penhora, equiparam-se a dinheiro a fiança bancária e o seguro garantia judicial, desde que em valor não inferior ao do débito constante da inicial, acrescido de trinta por cento. § 3o Na execução de crédito com garantia real, a penhora recairá sobre a coisa dada em garantia, e, se a coisa pertencer a terceiro garantidor, este também será intimado da penhora.
Art. 836. Não se levará a efeito a penhora quando ficar evidente que o produto da execução dos bens encontrados será totalmente absorvido pelo pagamento das custas da execução.
§ 1o Quando não encontrar bens penhoráveis, independentemente de determinação judicial expressa, o oficial de justiça descreverá na certidão os bens que guarnecem a residência ou o estabelecimento do executado, quando este for pessoa jurídica.
§ 2o Elaborada a lista, o executado ou seu representante legal será nomeado depositário provisório de tais bens até ulterior determinação do juiz.
BENS IMPENHORÁVEIS (ART. 833) Art. 833. São impenhoráveis:
I - os bens inalienáveis e os declarados, por ato voluntário, não sujeitos à execução;
II - os móveis, os pertences e as utilidades domésticas que guarnecem a residência do executado, salvo os de elevado valor ou os que ultrapassem as necessidades comuns correspondentes a um médio padrão de vida; III - os vestuários, bem como os pertences de uso pessoal do executado, salvo se de elevado valor;
IV - os vencimentos, os subsídios, os soldos, os salários, as remunerações, os proventos de aposentadoria, as pensões, os pecúlios e os montepios, bem como as quantias recebidas por liberalidade de terceiro e destinadas ao sustento do devedor e de sua família, os ganhos de trabalhador autônomo e os honorários de profissional liberal, ressalvado o § 2o;
V - os livros, as máquinas, as ferramentas, os utensílios, os instrumentos ou outros bens móveis necessários ou úteis ao exercício da profissão do executado;
VI - o seguro de vida;
VIII - a pequena propriedade rural, assim definida em lei, desde que trabalhada pela família;
IX - os recursos públicos recebidos por instituições privadas para aplicação compulsória em educação, saúde ou assistência social;
X - a quantia depositada em caderneta de poupança, até o limite de 40 (quarenta) salários-mínimos; XI - os recursos públicos do fundo partidário recebidos por partido político, nos termos da lei;
XII - os créditos oriundos de alienação de unidades imobiliárias, sob regime de incorporação imobiliária, vinculados à execução da obra.
§ 1o A impenhorabilidade não é oponível à execução de dívida relativa ao próprio bem, inclusive àquela contraída para sua aquisição.
§ 2o O disposto nos incisos IV e X do caput não se aplica à hipótese de penhora para pagamento de prestação alimentícia, independentemente de sua origem, bem como às importâncias excedentes a 50 (cinquenta) salários-mínimos mensais, devendo a constrição observar o disposto no art. 528, §8º, e no art. 529, §3º.
§ 3o Incluem-se na impenhorabilidade prevista no inciso V do caput os equipamentos, os implementos e as máquinas agrícolas pertencentes a pessoa física ou a empresa individual produtora rural, exceto quando tais bens tenham sido objeto de financiamento e estejam vinculados em garantia a negócio jurídico ou quando respondam por dívida de natureza alimentar, trabalhista ou previdenciária.
FRAUDE CONTRA CREDORES
Conceito: Alienante, em conluio com adquirente, dispõe de seus bens, tornando-se insolvente, para fraudar o direito do credor. É matéria de direito material.
Requisitos: Eventos damni e Consilium fraudis (potencial consciência da insolvência). Características
- Ausência de bens para pagamento; - Redução à insolvência;
- Agravamento da situação anterior;
- Exige participação de terceiro adquirente na fraude.
Ação cabível: Ação pauliana. A sentença pauliana reconhece que o ato foi praticado em fraude e este se torna ineficaz perante o credor, retornando os bens ao patrimônio do devedor e ficando sujeitos à penhora.
FRAUDE À EXECUÇÃO
Conceito: é instituto de direito processual. O executado dispõe de seus bens para não adimplir com a obrigação devida. Os atos praticados em fraude à execução são ineficazes, podendo os bens serem alcançados por atos de apreensão judicial, independentemente de qualquer ação de natureza declaratória ou constitutiva. É declarada incidentemente.
Características
- Alienação ou gravame, quando pende execução (art. 792,I; 790,I; e 109).
- Alienação ou oneração quando pendente execução, desde que averbada (art. 828). - Alienação depois de averbada hipoteca judiciária (art. 495).
- Quando pendente ação capaz de reduzir o devedor à insolvência – execução de obrigação de entregar coisa (art. 792, IV), basta processo pendente.
- Ato deve sempre tornar o devedor insolvente.
CUMPRIMENTO PROVISÓRIO DE SENTENÇA
Pode ser feito quando houver sentença ou decisão sem trânsito em julgado. Faz-se o cumprimento de sentença em autos apartados. A execução é dada por iniciativa e responsabilidade do exequente, não sendo
possível o impulso oficial. Se sentença ou decisão for reformada, o exequente é obrigado a reparar os danos causados ao executado, sendo esses danos liquidados nos próprios autos.
Características
- Execução fundada em título provisório.
- Se houver reforma parcial, o cumprimento em relação ao restante.
- Se houve reforma total, retorna ao status quo ante com ressarcimento dos prejuízos. - Competência do juiz da causa.
- Recurso desprovido de efeito suspensivo.
- Juiz pode determinar prestação de caução para levantamento de valores, ato que importa transferência de posse, alienação de propriedade.
Medida de cautela – periculum in mora in verso.
Sem dispensa de caução (art. 521, Parágrafo único - A exigência de caução será mantida quando da dispensa possa resultar manifesto risco de grave dano de difícil ou incerta reparação).
- Petição inicial (art. 522):
Parágrafo único. Não sendo eletrônicos os autos, a petição será acompanhada de cópias das seguintes peças do processo, cuja autenticidade poderá ser certificada pelo próprio advogado, sob sua responsabilidade pessoal:
o I - decisão exequenda;
o II - certidão de interposição do recurso não dotado de efeito suspensivo; o III - procurações outorgadas pelas partes;
o IV - decisão de habilitação, se for o caso;
o V - facultativamente, outras peças processuais consideradas necessárias para demonstrar a existência do crédito.
CUMPRIMENTO DEFINITIVO DE SENTENÇA
A execução é fundada em título definitivo, com sentença ou decisão transitada em julgado. A execução é dada por iniciativa do exequente e não é possível o impulso oficial.
Obrigação de pagar quantia certa (art. 523 a 527);
- Petição simples - memória de cálculo – nomes completos das partes, CPF, CNPJ, índice de juros e correção aplicados.
- Art. 523 – o executado é intimado para pagar em 15 dias sob pena de multa de 10% sobre o valor da condenação e também honorários em 10%.
- Intimação na pessoa do advogado.
- O não pagamento importa em mandado de penhora e avaliação, seguindo-se atos de expropriação. - Se pagamento parcial, multa e honorários também sobre o valor remanescente.
- Se a impugnação for rejeitada, haverão honorários de até 20% sobre o valor total do débito. - A impugnação, em regra, não possui efeito suspensivo.
Consequência: expedição de mandados de penhora e avaliação; e atos posteriores de expropriação.
LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA Art. 509 a 512 do CPC – quando pedido genérico
Art. 509. A liquidação se procede a requerimento do credor ou do devedor, somente para títulos executivos judiciais:
I - por arbitramento, quando determinado pela sentença, convencionado pelas partes ou exigido pela natureza do objeto da liquidação;
Observações
- Na fase intermediária ocorre a intimação do devedor ou credor para solicitar a liquidação. - Fixada por decisão interlocutória.
- Tudo no mesmo processo (sincretismo).
- Se na sentença houver parte líquida e outra ilíquida, ambas podem ser executadas simultaneamente, porém, a parte ilíquida será feita em autos apartados.
- Se apuração depender apenas de cálculo simples, já se pode iniciar o cumprimento de sentença.
- É disponibilizado um Programa de atualização monetária, criado pelo CNJ, para todos os procedimentos da liquidação.
- Principio da isonomia
- É proibido discutir novamente a lide. - Finda-se por decisão interlocutória.
Recurso cabível: Agravo de Instrumento (Art. 1015, Parágrafo único, CPC).
Art. 510 – juntada de pareceres e dados elucidativos, e se precisar, perito. Primeiro analisam-se os documentos, pareceres e cálculos apresentados pelas partes e então somente se for necessário, nomeia-se perito.
Art. 511 – procedimento comum – contestar em 15 dias.
Art. 512 – em havendo recurso – possiblidade de liquidar – liquidação realizada de forma antecipada.
Art. 816, parágrafo único – não satisfazendo a obrigação de fazer no prazo, o exequente pode requerer a satisfação da obrigação à custa do executado ou perdas e danos.
DEFESAS DO EXECUTADO IMPUGNAÇÃO (ART. 525)
É a defesa do executado quando este for intimado ao cumprimento de sentença (obrigação de fazer, não fazer, dar coisa). Intima-se o executado para pagar em 15 dias, sob pena de multa de 10% sobre o valor exequendo, acrescido de 10% de honorários. Não havendo pagamento, deve-se impugnar o cumprimento em mais quinze dias. Tem natureza de incidente processual, ou seja, não é um processo novo.
O termo inicial é contado a partir do fim do prazo para o pagamento. Prazos
- Obrigação de pagar quantia: prazo de 15 dias + 15 dias para impugnar. Observações
- Se a execução correr contra a Fazenda Pública, o prazo da impugnação é de 30 dias e isenta da multa de 10%.
- Demais obrigações (de fazer, de não fazer, de entregar coisa): prazo estipulado pelo juiz (para cumprimento voluntário) + 15 dias para impugnar.
Efeitos
A impugnação não possui efeito suspensivo, salvo: - A requerimento da parte;
- Juiz se convencer dos argumentos do executado; - Haja caução ou penhora ou depósito;
- Se iminentes os danos ao executado (Fumus boni iuris – probabilidade do direito; Periculum in mora – perigo de dano irreparável)
Obs: O efeito suspensivo não é absoluto, podendo haver a pratica de atos de reforço ou redução de penhora e também atos de avaliação de bens.
Matéria da impugnação
Quanto às matérias a serem impugnadas – art. 525, §1º: - Matérias processuais;
Observações
- Não é possível impugnar matéria da fase de conhecimento, pois há eficácia preclusiva da coisa julgada. - Quando houver execução provisória há a possibilidade de discutir matérias da fase de conhecimento, porém, apenas as que ainda não foram solucionadas, obedecendo-se o princípio do no bis in idem.
- Se alegado excesso de execução, a defesa deverá apresentar os cálculos com os valores alegadamente corretos.
Recursos cabíveis
Da decisão que sobrevir à impugnação caberá agravo de instrumento. Se acolhida e extinta a execução, dessa sentença caberá apelação.
EXCEÇÃO DE PRÉ-EXECUTIVIDADE (ARTS. 518 e 803)
Conceito: É a defesa do executado que pode ser arguida a qualquer tempo, por simples petição, quando o título executivo estiver eivado de vícios quanto à sua legalidade, prescrição, entre outras matérias de ordem pública (pressupostos processuais, legitimidade e condições da ação executiva), as quais podem ser identificadas e conhecidas de ofício pelo juízo, sem a necessidade de estabelecimento do contraditório, podendo também tratar de questões de mérito, quando houver nesse caso prova pré-constituída das alegações.
Prazo
- Regra: o prazo máximo para interposição é até o trânsito em julgado da execução.
- Exceção: O art. 525, §11°, dispõe: As questões relativas a fato superveniente ao término do prazo para apresentação da impugnação, assim como aquelas relativas à validade e à adequação da penhora, da avaliação e dos atos executivos subsequentes, podem ser arguidas por simples petição, tendo o executado, em qualquer dos casos, o prazo de 15 (quinze) dias para formular esta arguição, contado da comprovada ciência do fato ou da intimação do ato.
JUSTIFICATIVA
Conceito: Trata-se de defesa do executado no cumprimento de sentença de alimentos. O executado é intimado para pagar, justificar, ou pagar em 03 dias a obrigação alimentícia devida.
A justificativa não possui efeito suspensivo.
Não havendo justificativa, nem pagamento, nem comprovante de pagamento, incidirá em: - Prisão, sendo esta decretada pelo período de 1 a 3 meses.
- Protesto do título e a inscrição do nome do executado no cadastro de negativação de inadimplentes. - Penhora, sendo esta uma opção do exequente.
EMBARGOS DO EXECUTADO OU EMBARGOS À EXECUÇÃO (ARTS. 914 E SS)
Conceito: É a defesa do executado no processo de execução de títulos executivos extrajudiciais. Possui natureza de processo autônomo, pois ele inicia um novo processo de conhecimento. O executado poderá interpor embargos à execução independente da ocasião de garantia do juízo (penhora, depósito ou caução) – art. 914.
Os embargos à execução serão distribuídos por dependência, autuados em apartado e instruídos com cópias das peças processuais relevantes, que poderão ser declaradas autênticas pelo próprio advogado, sob sua responsabilidade pessoal.
Execução por carta precatória
Se execução for realizada por carta precatória, os embargos poderão ser opostos tanto no juízo deprecante quanto no juízo deprecado – art. 914 §2°.
Competência
Regra: a competência para julgar é do juízo deprecante.
Exceção: na hipótese de vícios ou defeitos da penhora, da avaliação ou da alienação dos bens efetuadas, a competência para julgar será do juízo deprecado.
Prazo
Os embargos serão oferecidos no prazo de 15 (quinze) dias, contado, conforme o caso, na forma do art. 231. Se a execução for por carta, o prazo será contado da:
- Juntada da certificação de citação, se arguição de vícios;
- Juntada aos autos originários do comunicado da citação (carta precatória, rogatória ou de ordem). Observações
- Não se aplica o prazo em dobro do art. 229 (litisconsortes com advogados de escritórios distintos) - Se cônjuges, contará prazo comum (único), iniciando-se da juntada do último comprovante de citação. - O prazo para opor embargos inicia junto ao do cumprimento (em 3 dias).
Efeito
Os embargos à execução não possuem efeito suspensivo, salvo quando verificados os requisitos para a concessão da tutela provisória (probabilidade do direito, e perigo de dano grave ou de difícil reparação) e desde que a execução já esteja garantida por penhora, depósito ou caução suficientes.
O efeito suspensivo não impede a continuidade da execução, ou seja, não haverá atos de expropriação, porém, poderá haver atos de penhora e avaliação.
O embargado será intimado para defesa em 15 dias. Ocorrendo a falta desta, ocorrerá a revelia. Observações
- Haverá audiência de instrução e julgamento somente se necessário. - Encerrada a instrução, o juiz proferirá sentença.
Reconhecimento da dívida (art. 916)
No prazo dos embargos, o executado poderá requerer o parcelamento do débito, efetuando-se o pagamento de 30% do total e parcelando-se o remanescente em 6 parcelas, acrescidas de correção monetária e de 1% de juros ao mês.
Observações:
§ 1o O exequente será intimado para manifestar-se sobre o preenchimento dos pressupostos do caput, e o juiz decidirá o requerimento em 5 dias.
§ 2o Enquanto não apreciado o requerimento, o executado terá de depositar as parcelas vincendas, facultado ao exequente seu levantamento.
§ 3o Deferida a proposta, o exequente levantará a quantia depositada, e serão suspensos os atos executivos. § 4o Indeferida a proposta, seguir-se-ão os atos executivos, mantido o depósito, que será convertido em penhora.
§ 5o O não pagamento de qualquer das prestações acarretará cumulativamente:
I - o vencimento das prestações subsequentes e o prosseguimento do processo, com o imediato reinício dos atos executivos;
II - a imposição ao executado de multa de dez por cento sobre o valor das prestações não pagas. § 6o A opção pelo parcelamento de que trata este artigo importa renúncia ao direito de opor embargos § 7o O disposto neste artigo não se aplica ao cumprimento da sentença.
2º BIMESTRE
CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER (ARTS. 536 E 537) Apontamentos
- O procedimento executivo é feito a requerimento do exequente. - O prazo para cumprimento da obrigação é estipulado pelo juiz.
- Podem ser requeridas medidas coercitivas de ofício e também atípicas como, por exemplo, determinar medidas de conservação da coisa.
- Conforme a Súmula 410, a intimação será feita na pessoa do executado. Multa
- A astreinte (multa periódica) será fixada por decisão judicial, podendo ser proferida, inclusive, na fase de conhecimento. Ela não pode ser insignificante, ou seja, ela deve ser suficiente para constranger o devedor, porém, não podendo, também, ser abusiva. Ela deve estar de acordo com a capacidade do executado/demandado.
- O valor da multa pode ser modificado de ofício e ele será revertido em favor do exequente. A sua incidência passa a ocorrer a partir do descumprimento da obrigação.
- Se o exequente requerer perdas e danos, este abrirá mão da multa (astreinte). Crime de desobediência
- O devedor que descumpre a decisão judicial, que determina um fazer ou não fazer, responderá pelo crime de desobediência, o que não significa que ele sofrerá coerção (ou sanção penal) por descumprir a ordem judicial.
- Os autos serão remetidos ao Ministério Público para a instauração de inquérito policial. - Ele não será preso pelo processo na área civil.
Exemplos
- Dever de fazer não obrigacional (cunho não patrimonial): Estado negar posse de candidato aprovado em concurso.
- Multa na fase de conhecimento: multa para exclusão do cadastro de negativação de prestadora de serviço (operadora de telefonia).
PROCESSO DE EXECUÇAO DE TÍTULO EXECUTIVO EXTRAJUDICIAL Título Executivo Extrajudicial
Art. 784. São títulos executivos extrajudiciais:
I - a letra de câmbio, a nota promissória, a duplicata, a debênture e o cheque; II - a escritura pública ou outro documento público assinado pelo devedor; III - o documento particular assinado pelo devedor e por 2 (duas) testemunhas;
IV - o instrumento de transação referendado pelo Ministério Público, pela Defensoria Pública, pela Advocacia Pública, pelos advogados dos transatores ou por conciliador ou mediador credenciado por tribunal;
V - o contrato garantido por hipoteca, penhor, anticrese ou outro direito real de garantia e aquele garantido por caução;
VI - o contrato de seguro de vida em caso de morte; VII - o crédito decorrente de foro e laudêmio;
VIII - o crédito, documentalmente comprovado, decorrente de aluguel de imóvel, bem como de encargos acessórios, tais como taxas e despesas de condomínio;
IX - a certidão de dívida ativa da Fazenda Pública da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, correspondente aos créditos inscritos na forma da lei;
X - o crédito referente às contribuições ordinárias ou extraordinárias de condomínio edilício, previstas na respectiva convenção ou aprovadas em assembleia geral, desde que documentalmente comprovadas;
XI - a certidão expedida por serventia notarial ou de registro relativa a valores de emolumentos e demais despesas devidas pelos atos por ela praticados, fixados nas tabelas estabelecidas em lei;
XII - todos os demais títulos aos quais, por disposição expressa, a lei atribuir força executiva. Competência
Obs: Em se tratando de título executivo extrajudicial, a regra geral importa que o foro competente será o do domicílio do réu.
I - a execução poderá ser proposta no foro de domicílio do executado, de eleição constante do título ou, ainda, de situação dos bens a ela sujeitos;
II - tendo mais de um domicílio, o executado poderá ser demandado no foro de qualquer deles;
III - sendo incerto ou desconhecido o domicílio do executado, a execução poderá ser proposta no lugar onde for encontrado ou no foro de domicílio do exequente;
IV - havendo mais de um devedor, com diferentes domicílios, a execução será proposta no foro de qualquer deles, à escolha do exequente;
V - a execução poderá ser proposta no foro do lugar em que se praticou o ato ou em que ocorreu o fato que deu origem ao título, mesmo que nele não mais resida o executado.
Apontamentos
- Os honorários advocatícios são verba alimentar que permitem a penhora do salário do devedor.
- A petição inicial (inicial por este ser processo autônomo, um processo novo) deverá ser instruída dos elementos
gerais (endereçamento, qualificação das partes, fatos, fundamentos/direito e pedidos) juntamente com documentos necessários (anexos, documentos pessoais, procuração, comprovante de endereços, memória de cálculo) e o mais importante, o título executivo extrajudicial.
- A angularização processual é a formação do processo com todos os sujeitos envolvidos, ou seja, o juiz, o exequente e o executado. Ela somente se completa quando ocorre a citação do executado.
Observações
- A fase executiva se inicia a requerimento do exequente para intimação do executado, na pessoa do procurador para
cumprimento da obrigação no prazo estabelecido pelo CPC, para as obrigações de pagar quantia, ou no prazo estabelecido pelo juiz quando se tratar de obrigações de fazer, não fazer e entregar coisa.
- O processo de execução de títulos executivos extrajudiciais inicia-se com a distribuição de uma petição inicial em
que se requer a citação pessoal do executado para cumprir a obrigação de pagar no prazo de 3 dias; ou a obrigação de fazer, não fazer, dar coisa certa, dar coisa incerta no prazo determinado pelo juiz.
- A citação pessoal do executado é imprescindível no processo de execução, mas é dispensada na fase executiva em
razão de que a angularizaçào processual deve acontecer na fase de conhecimento.
Penhora
- Penhora é o ato judicial que limita a disponibilidade de bens do executado.
- O executado tem o prazo de 10 dias após a intimação da penhora para requerer a substituição do bem penhorado, sendo necessária a comprovação de que este lhe será menos oneroso e não trará prejuízos ao exequente (art. 847).
Prescrição intercorrente
Conceito: Prescrição intercorrente é a perda da chancela de exigir amparo judicial para o cumprimento de uma
obrigação, ou seja, é a prescrição que ocorre incidentemente no processo de execução.
Prazo
- O prazo prescricional para iniciar a fase de execução é de 5 anos. - O prazo de prescrição intercorrente é de 3 anos.
- O prazo contado é o de direito material (inclui o 1º dia e exclui o último).
PROCESSO DE EXECUÇÃO DE CHEQUE
Conforme os artigos 33 e 59 da Lei do Cheque – Lei 7.357/85, temos:
Prazo
- Cheque da mesma praça: 30 dias para apresentar. - Cheque de praça diversa: 60 dias para apresentar.
- O prazo mensal é contado por mês completo, não importando se ele tem 28 ou 31 dias. - O prazo é contado a partir da data da expiração da data de apresentação.
Art . 33 O cheque deve ser apresentado para pagamento, a contar do dia da emissão, no prazo de 30 (trinta) dias,
quando emitido no lugar onde houver de ser pago; e de 60 (sessenta) dias, quando emitido em outro lugar do País ou no exterior.
Parágrafo único - Quando o cheque é emitido entre lugares com calendários diferentes, considera-se como de
emissão o dia correspondente do calendário do lugar de pagamento.
Prescrição
- O cheque prescreve em 6 meses da data de apresentação (data da emissão).
Art . 59 Prescrevem em 6 (seis) meses, contados da expiração do prazo de apresentação, a ação que o art. 47 desta Lei
assegura ao portador.
Parágrafo único - A ação de regresso de um obrigado ao pagamento do cheque contra outro prescreve em 6 (seis)
meses, contados do dia em que o obrigado pagou o cheque ou do dia em que foi demandado.
AÇÃO MONITÓRIA Observações
- O prazo prescricional do cheque, na forma do art. 59 da Lei 7.357/85, é de 6 meses contados da expiração do prazo para apresentação. Na hipótese de verificar-se o prazo prescricional, o cheque perde o status de título executivo extrajudicial. Considerando-se que a dívida subsiste e que tem chancela legal, poderá o credor manejar ação de conhecimento (Ação Monitória) para que seja reconhecida a existência da obrigação e, através de um Título Executivo Judicial (sentença), possa exigir o pagamento da quantia.
- O prazo da ação monitória inicia a partir da data de emissão do cheque.
POSSIBILIDADES DE COBRANÇA DE CHEQUE PRESCRITO - Ação de cobrança Rito Comum
- Ação monitória Rito Especial - Art. 700 – Cabimento da Ação Monitória
- Art. 701 – Prazo de 15 dias para o réu cumprir com a obrigação e o pagamento de 5% de honorários do valor da causa (Mandado de Pagamento ou Mandado Monitório).
- O réu será isento do pagamento de custas processuais se cumprir o mandado no prazo. - Não pagando Título Executivo Judicial Novo Processo de Execução - Art. 702 – Réu pode opor Embargos Monitórios no prazo do art. 701.
- A oposição dos embargos suspende a eficácia da decisão evitando o cumprimento provisório, se estes atingirem toda a decisão. Sendo parcial, ainda será possível o cumprimento provisório do que não houve defesa.
- Art. 702, §10 – A ação monitória de má-fé importará em multa de 10% sobre o valor da causa, revertida em favor do réu.
- Art. 702, §11 – Os Embargos Monitórios de má-fé importarão em multa de 10% sobre o valor da causa, revertida em favor do autor.