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A FEBRE EM GERAL, E AS PERMCIOSAS EM PARTICULAR,

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(1)

r

CONSIDERAÇÕ

ES

SOBRE

A

FEBRE EM

GERAL

,

E

AS

PERMCIOSAS EM

PARTICULAR

,

APRESENTADA A'FACULDADE DE MEDICINA DO RIO DEJANEIRO, ESUSTENTADA EM16DE DEZEMBRO DE 1846

.

POR

liiiiz <rAlmeida Ilranilão

.

NATURALDACIDADE DES

.

SEBASTIÃ ODORIODE JANEIRO,

FILIIOLEGITIMO DE ESTEVÃOD’ALMEIDA BRANDÃO,

E DOUTOREMMEDICINA.

Sequimur probabiliora,necultraquam idquod veiisitni!« occurrit,progredipossumug.

(Cic.Tuscui)

RIO D E JANEIRO ,

TYPOGRAPHIA

DO

BRASIL

DEJ. J. DAROCHA,

Rua

dos Ciganos, n

.

#05

.

(2)

FACULDADE DE

MEDICINA

D O R I O D E J A N E I R O.

DIBECTOB

OSKB

.

DB

.

JOSE’MARTINSDA CRÜZ JUBIM .

Lentes

proprietários

.

OsSNBS

.

DUS.

I.8 ANNO. Franciscode Paula Cândido. Francisco FreireAllemão.... 2

ANNO

.

Physica Medica.

tiotanicaMedica,e principio« elementares de Zoo

-logia.

I

1

Chimica Medica, e principio« elementares de Mi

-neralogia.

Anatomiageraie descriptiva. J.Vicente Torres Homem

JoséMaurício Nunes Garcia 3.8 ANNO

.

JoséMauricio Nunes Garcia L.de A.P

.

da Cunha,Supplente.

..

4

ANNO

.

Luis FransciscoFerreira,Examinador. JoaquimJoséda Silva,Examin João José deCarvalho

5.® ANNO

.

Anatomia geraledescriptba. Physiologie.

Pathologia externa. Pathologiainterna.

Pharmacia,Materia Medica, especialmentea Bra

-sileira,Therapeutica eArte deformular

.

Cândido BorgesMonteiro

FranciscoJulioXavier 6

ANNO

.

Thomas Gomes dosSantos José Martinsda Crus Jobim..,, 2.®aoA.°Manoel F. P.deCarvalho.

Operações, Anatomia topographieseApparelhos. SPartos, Moléstiasdas mulherespejadas e paridas,e ’

I

demeninosrecem

-

nascido*.

Hygienee Historia da Medicina. Medicina Legal.

Clinica externa c Anatomia pathologiesrespectira. 5.° ao 6.° M.deV alladão Pimentel,presidente

.

Clinica interna cAnatomiapathologiesrespectivi

lentes

substitutos

.

Francisco Gabrielda RochaFreire.

...

AntonioMariade MirandaCastro JoséBentoda Rosa Antonio FelixMartins,Exam D.Marinho de Azeredo Americano

.

LuizdaCunhaFeijô,Exam

.

...

.

...

Secçãodas Sciencias accessories

.

Secçã o Medica.

^

Secção Cirúrgica.

Secretario

.

Luiz CarlosdaFonseca

.

.

4 Faculdade não

approva

que lhesuoapresentadas

.

(3)

ZJ

DE

MED PAY,

DE

MIMIA

MAY

,

E

DE

JUIVHA

IKII

Ï

A

,

Tributodeamor, veneraçãocsaudade.

A

1Hlm

.

Sur'

.

O

.

MariaJosepliina«lelemos, Votodeextremoso amor.

A

MEL

IRM

Ã

O E

A

MIMIA

CUNHADA

,

Testemunho de fraternal amizade.

AOILLM.SNR

.

JOAQUIMFERREIRA DE LEMOS,

Signal de amizadeerespeito

.

AtoilosOH

meus

parentes

,

ESPECIALMENTE A MEUS PRIMOS:OS ILLMS

.

SN RS.

JOÃODE

ALMEIDA

BRANDÃO

,

E

JOÃO GERALDO

CARNEIRO.

Prova deconstanteaffeição

.

(4)

AOMEU MESTRE

,

o

1LLM

.

SNR

.

DU

.

JUSTINIANO

JOS

É

DA

ROCHA

.

AO MEU AMIGO

,

O1LLM

.

SNR

.

GUILHERME DE SUCKOW.

A MEU EX

-

TUTOR

,

OILLM

.

SNR

.

ANTONIO ALVES MACHADO DE CARVALHO

.

AO MEU AMIGO,

OILLM

.

SNR

.

DR

.

CÂNDIDO BRANDÃODE SOUZA BARROS. Senhores!Tanio vosdevo, ião penhorado metendes

,

quedesconheço phrases comquepossa exprimir

-

vos minha gratidão: assimmal vosfareisentir a disposi

-çãode meuanimo

,

dedicando

-

vosestetrabalho

,

comoolïertadereconhecimento,

consideração eduradoura amizade

.

A MEU PADRINHO

,

OILLM

.

SNR

.

ANTONIOJOAQUIMGONSALVES

,

Expressãodeamizadeeacatamento

.

A TODOS OS MEUSAMIGOS

,

Em particular aos meuscollegas :os Ulms

.

Snrs

-DR. MANOELMOREIRA DE FIGUEIREDO MASCARENHAS

,

DR. FRANCISCO DE MENEZESDIASDA CRUZ, DR. BERNARDINOANTONIOALVES MACHADO, DR. MANOELMARIA DEMORAESEVALLE,

DR. JAC1NTHO PEREIRA MACHADO, DR. CÂNDIDO

TEIXEIRA

DA CUNHA,

EaosUlms.Snrs

.

PRIMEIROTENENTE,SEBASTIÃOJOSÉ BASILIO PYRRHO

.

CARLOS ARTHUR BUSCH VARELLA.

Lembrançado vossoamigo,

(5)

PHEFACIO.

Apavora

-

me a pcrspccliva do labyrinthepyretologico,enomlocâraaoliiniat queo franquea

,

se não fora o reclamo«lo desejo desabor, oo aliomando da necessidade

.

Vejoque trilhadoestáde tal sorte o caminho das scionrias.<jm*não esperodarumsó passo que não soja sobre pisada alheia, otantossysloiuas opiniõestemvindoaopensamentodosautores

,

queparecemui diílicii haver boje quem escrevacousa,quejásenãoache escripta

.

E*desta verdade quemuitosse temaproveitado, pretendendoconfundir oencontrode doutrinas com aservil copia do quedizemoutros ;c é dessa confusãoquegrandedesar temresultado aosquetiram de sua intelligencia algum producto

.

Não serei original;nãosei dizercousasnovas;masforçaéadvertir que,na escolha de assumptoparaminha these, baldode profundosconhecimentos

,

esem prova de quetenha faculdade inventiva, entendique acertado iria

,

preferindo objecto sobre oqual reinassem controversos juizos;porqueassim,adoptando uma ououtratheoria,e aindaregeitando

-

astodas,econfessandominha ignorância arespeito

,

conseguiria mostrarqueli emeditei

.

K como paramim tenho que a apresentação esustentaçãodcuma these é umaultima prova deestudos,enãode inventos,aíToutO

-

mea dizeralgumacousa sobre a febre cmgeral,e as perniciosas miasmaticasemparticular.

Emduas partesvae divididoestetrabalho;eemcada uma dessaspartes hirão as falhasdoescriptor queestrôa. Portaesfalhas esperomenosarguições dosqueme temdejulgar

,

que dos quemequizeremtisnar. Os primeiros facil

-mente relevarãoque brotem espinhos destaminhaprimeira,etalvezúnica,se

-menteira; porque bem conhecem quenãoescrevo por jactancia,senão por «lever. Equantoaossegundos

,

não lhespeço venia;eantes desprezo seusapodos; porqueseiquenãopoupariam a uma obra demérito, emuito

menos

áquese segue

.

um

resu

-lttn

(6)

LONSIDUIULOLS

A SOBRE

A

FEBRE EM

RURAL

,

E

AS

PERNICIOSAS EM

I'

IRTKIUR

.

PRIMEIRAPARTE

.

Ifta feltre em $eral

.

Quantasdefinições, quantasdcscripçõestemsido applicadasá palavra

-

febre! E entretanto a verdadesenãodivulgou

,

ouantesmais acobertada estápeloinex

-tricávelvéu

,

tecido porinsignesobservadores

,

por notabilidades scicntificas!E*para admirar como anatureza, tantasvezes pródigaem patentear seusarcanosaos espíritossublimes,furta

-

se ainda aumadasmaisimportantesrevelações! Emais maravilha over

-

secomoautores,profusamente aquinhoadosde subidaintelligencia

.

divergem emsuasseduetorasdoutrinas!

Hippocrates,que extensamente discorreusobreoscaracterescssenciaes demuitas espccicsdefebres,foioprimeiro que empregou essapalavra para designar fogo

.

ou calormorbidoemque ardiam os enfermos

.

Consideravaeile esse fogo,ou calormorbido, comoomais constanteenotável phenomeno pathologico,elhe bastava observai

-

o, para quelogo diagnosticassefebre,abrangendo assim,debaixo de tunamesmadenominação,moléstiasdiversas,cujasédelhe eradesconhecida. Nãoseservia daexploração do pulso;c entendendo que afebreorauma affecção essencial,capazde complicarou desercomplicadacomtodasasoutras moléstias, estabeleceu as differentes especies, segundoessascomplicaçõesea marchados plienomenos febris

.

Mais tarde Galeno

,

cujas doutrinasdominaram por tantos séculos,disseque febreéa mudança ou passagem do calorinnatoparaum esta-dopreler

-

nalurai,com bateduras fortes,efrequentes do pulso

.

Paracclso,esua escbola entendem por febreumaeffervescent

-

ia ou fermentação do sangue cdos humores

.

Sydenhameseus discípulos,fazendo reviver algumas ideas deCelsoso

-bre autilidadedafebre, proclamam que cila consiste cm um movimento naturezaexerce parasedesembaraçar deuma matérianociva

.

Segundo Sthall

.

é

um

(7)

<‘

.

ONSlt>ERA<;<ÎLS

milsalular«sforço,nã

o

da natureza,masdo principio vital«pic, pretendendoci

-polIiralgumamateriamorhilica

,

augmenta consideravelmente osmovimentos s<

-

. rretofios

.

Hoffmann,quefazconsistir a febreno espasmodospequenos vasos, tem por earacteristicasasmodilieações de calor«•de circulação

.

Iloerhaave admitte osmesmossymptoinas;masattribue a febre auma irritarão dosorgãos sanguí

-neos

.

Sauvagesentende pur phenomenos febrisocalafrio,o caloreaacrelcrarâo do pulso;eésegundoacombinaçãodesses diversos phenomenos

,

que elleesta

-belesceas suascento ccincocnta c cinco especies de febres

.

C

.

ullen ,seguindoa doutrinade Hoffmann

,

ecxplicando

-

apela influenciado systema nervoso

,

dâtain

-benicomocaracteres

essen

eines da febre o calafrio

,

succcdido decalor,e«lefre

-quencia do pulso,mas cominterrupção

,

eaílecção dedifferentes funeções

,

c so

-bretudo com uma diminuição de força nasfuneções animaes, sem que todatia baja lesãoalguma local,essencial,c primitiva,talcomodizobservar

-

sc constante

-mente nasoutrasordensdepyrcxiaspor elle admittidas

.

Selle definefebre uma moléstia\ariavcl em suamarcha

,

ou em sua duração

,

com frio,calor

,

pulsoora mais,oramenosfrequentequeno estado natural

.

Alexis Pujol diz «jucfebreé esseestado violento,cm«pietodoosystemaarterialseabala

,

cseagita

,

ao mesmo tempo

.

Prostdesignapela palavrafebreumaperturbação da circulação arterial, causada por uma alteração dircctu,ouSympathien dosystemadesangue rubro, (troussais entende queoestado febril,emsuarealidade,éapenas um plienomcno symptomalico

.

ou oresultado de uma dor Iransmiltida ao

cora

ção <*atodo oap

-parelbo doscapillarcs sangu íneospela arvore nervosa,da «jual alguns ramosfazem partedeumorgãosoffredor

.

C

.

liomel dizqueasfebressãomoléstias agudas, ca

-racterisadas pelaperturbaçãosimultâneadetodas as funeções

,

«*espccialincntcda

circulaçãocdocalor,independentesdetoda aaffeeção local,bmn«piepossam<>xis

-tircomoutrasmoléstias,imprimir

-

lhesedelias receber modilieações particulares

.

Uollando

.

cm sua deffuição

,

considera a febrecomo uma excitação cardíaca, que provêm,quer deumadesordem particular,ou dedebilidadedosystema nervoso, epor consupicncia«le todososorgãos

,

«píer deumexcesso«leestimulo

.

S«*guinlo C

.

eorgel

,

a felnvéuma excitaçãoccrclwalenervosa,idiopatbica ousymptomatica

.

IHigèspensaque cilaliãoêmais«pieumaexaltaçãogeral «losystema nervoso; «• postoquenãoconsidero asuperaeção dosystemacirculatóriocomoum«demento essencial,todavia a admitte como umcffcito«laexaltação «lo systema ganglionar,

l'ànlim liouillaiiddizque a febre consiste essencial mente emum irritação idiopa

-tbica

,

ousympalliicado systomn sangu í neo ;«pieé uma angio

-

enrdite maison me

-nos intensa

.

\ ssin»VINHOS«piantodiscordamosautores,pretendendo «lar signilicacàoexactaã palavra

-

febre

-

;«•longeiriaou

,

N *melizessecargo «le referir outras muitas«leli

-niçõrs eopiniõesemiltidas em pyretologia

.

Knlrelnnto toda essa discrepânciareina sobre um objecto deobservação,sobre aleituradeumapagina da natureza' K qnc

,

A

(8)

ß SOWIE AFERRE EM(’

.

KRALEASPERNICIOSAS KMPARTICl'I

.

AR

.

rcflectem sobre os enlevadosporsuasdiversas ilieorias medicas,muitos autoresas

inmimerosfados<|uepresenciam,oentão só inferemconclusõesqueasrompt o

vem:nemdeoutra sorteeu puderapensar

,

vendoGaleno

.

ocxiuiiopraticode l*'' 1 mago,creando a doutrina Immoral;ParacclßOacscliola dosalcliiinistas;Stliall a dos vitalisms;Hoiïmann ados mcchanicos,etc.

Alrazadoseinconhecimentosanatómicos epliysiologicos

.

e sobretudo privados do estudo daanatomia

-

pathologica,durantelongaseras

,

tiveram osmedicosdere

-correráshypotheses,paradealgum modoexplicarema razãode muitos phenome-nos morbidos:entãocadaumaseu alvitreestabelecia umprincipiofundamental

,

desenvolvia

-

o,eapresentavaasua theoria.Forçosoé pois relevaraosantigospy

-retologistas.chefes dedecahidasseitas medicas, as gratuitas,mas engenhosas ex

-plicações do movimentofebril

.

Ccrtainentc,condemnados auma forçadaignorân

-cia pelo religioso respeitoconsagrado aoscadaveres, nãopuderamconhecera side ca natureza das lesões orgânicas,debaixo de cuja influencia semanifestaafebre; esseconhecimento estava reservado ã idade cmquefosse licito levar oescalpello, aindagar dos mortosquaesos orgãos afiectados

.

c qualanatureza dessasaflccções

,

que,durante avida,fizeramapparccercertose determinados symptomas.Foi pelas autopsias,epeloprogressoda physiologia.queoestudodo diagnostico ganhou im-pulso.esubiu ao pontocmque ovemos: sem esses dons auxílios,soberbose er

-gueriaaindao edifícioda csscncialidadc da febre

.

Mas

,

quemseguir a fragosaviadodesenvolvimentoda pyrctologia

,

facil alcan-çará que todos osautores que tem cscripto a respeito

,

regeitandoasdefinições alheias,paraquesepodessem pronunciar segundosuas diversastheorias

,

deixa

-ram

-

sctodaviaprenderemumamesmaopinião

.

Fnaverdade,ninguémdeixará deverque

.

d’entretantos escriptos variados

,

reçumusempreumaidéalixa

,

pela qual se harmonisaram seusautores: nempor diflicilheio reconhecer que todos

estesconcordesvãocmadmittirque a febrese manifestasempre porumaaltera

-çãodacirculação

.

Assim Hippocrates

,

no diagnosticodas moléstias febris,bem quenãofaliasseda exploração do pulso, comtudodeucomo iufallivelocalor bidodosfebricitantes,queincontestavelmentedepende deninaalteraçãoda circu

-lação ;Galeno

,

e lodososque escreveram antes de Harvey,ignorandoa existência dessagrandefuneçáo,nadadisseramdesua alteração;mas simda do pulso semduvidaimporta omesmo; edepoisque,em ograndemedicoinglez des

-cobriu o movimentocirculatório do sangue,mais positivos foram osmedicos peitodessaalteração, como jávimosemsuas definições

.

Kntrctanloalgunsauto

-resadinitliram a existência deuma febrelarradaoumascarada

,

que,segundo pensavam,eraumafebre intermittentesemfebre, umafebreoccultasobafórma deuma hemorrbagia,deumanévrose

,

deumaplegmasiaintermittente

.

Masincon

-testavelmente nada mais contradictorio pódc haver do que

denominarem

febr

umaaller«áo que,como elles mesmosdiziam,nem

-

umphcuomeno febril mor

-,

que ares

-e a apresen

(9)

-CONSIDERAÇÕES

lava

.

Osautoresque incorreram

em

talabsurdo,haviamadmillidoaintermiltencia de algumas febres,enãodisseramqueasplilcgmasiaseasnévroséspodem tam

-hemserperiódicas

,

de modo(jue,sempre queobservavamsymptomasmanifestos

de

uma

irritaçãointermittente

,

persuadidos

,

comoestavam,deque as irritações não podiam revestir esse typo

,

pretenderam,para conciliarosfactos com athcoria,quc haviaumafebrequetomavaafôrma,a

mascara

de uma hemorrhagia,deurna in

-flammação,deuma névrose;porque sóa febre podia ser intermittente:como se porventura soubessem o queeraumafebre,efossemais facil conceber aintermit

-tencia desta

,

quea deumainflammação.Hojeporém,essasidéasnãoprevalecem; cnein

-

um

pratico lia que reconheçaaexistência da febre

,

sem apreciara altera

-çãodagrandefuneçãocirculatória

.

Assim

,

atalrespeito vão de accordo quasi todos ospyretologistas,desde Hippo

-cratesatéa épocha actual: falhaporém essa concordância,quando intentam de

-terminarossymptomas, anatureza eostyposdessa alteração

.

Symptomas.

Longosforam osautoresemenumerarossymptomas constituin

-tesdécadaespccicdefebres;mas,considerando

-

as de umamaneirageral,pouco disseram dos caracteres communs

.

Cada nosologista dividiu

-

asa seu modo:assiin osphenomenosqueumconsidera como essenciaes de certaespecie,nãotemva

-lor paraoquadrodeumoutro,ouentão caractérisant especie diversa

.

Confron

-tcm

-

scasnosograpliiasdeSauvages

,

deCullen,deVogel,de Selle,dePinei

,

de Boisseaucde outros

,

e ver

-

se

-

áofundamentodestaminhaasserção

.

A despeitodetodaessadivergência

,

prescindindode questõestlieoricas

,

valer

-me

-

ei dos proprioscscriptosdessesautores,afim deconseguirconhecerquaesos phenomenospathologicos,existentessempreque ha febre, sejaqualfôrsuacausa, sua natureza,seu typo,suas complicações

.

Epoisque,como disse

,

diversasdi

-visões setemfeito das moléstias febris,basta

-

meexaminarospontosdecontacto, que osmaisnotáveisautoresestabelecem entre as especies que admiltem :epara facilitaresteestudo, dividirei cmquatrogrupos as principaes opiniões

.

Assimtemos em primeirolugarHippocrates,admittindoocalor morbidocomoumphenomeno constantenas affecçõesfebris;cmsegundolugar,Galeno,ctodosos queosegui

-ram

.

reconhecendofebre,quando ha augmentoriccalorcombatimentos fortes c accelcradosdopulso;cmterceirolugar,Sauvagescseus discípulos

,

entendendo por phenomenos febrisocalafrio

,

o calor

,

'c aacce1eraçãodo pulso; em quarto lugar linalmcnte,Cullencmuitosoutros,dizendo que,sempre queha febre,se ob

-serva não sóocalafrio, ocalorca (rapteneindopulso

,

mas tambémumaaltera

-çãodeoutrasfuneções.

Ouantoá primeira opinião, observarei: 1*, que sendo diUicilsenãoimpossí

-vel determinarcom exaccãoqual a temperatura natural doindivíduo,sópo

-doremos apreciar seu augmento, quando este fòr excessivo; 2o

,

que atem

-peratura do ambiente

,

o acto da digestão, um

exerc

ício qualquer, ou

um

(i

(10)

SOBREA PERREEMGERAL KASPERNICIOSASIM PARTKSPLAR

.

movimento violento, asaffccçõcs

mornes,

etc., podem elevar aealoramm

.

il

.

sem que a soude se tenlia alterado; 3°,que nasaflecçõ

es

adynainicas

,

xicas

,

enocomeço doaccesso de febre intermittente

,

quando muitas os doentesapresentam a peripheria do corpo nimiamente fria, e um impulso concentrado

,

mas frequente

,

nãose póde rigorosamentedizer que nãoliafe

-bre

.

Assim vô

-

sc queo augmenta de calor nãopóde ser

considerado como

um

signalpatliognomonico;mas

,

apezar disso

,

não se poderá negar que elle quasi sempreapparccc, quando ha febre

.

Quantoá opinião de Galeno

,

só devo agora tractardoquedizrespeito ás batedorasfortescfrequentes do pulso. Mas antes deencetaresta questão, é

necessário advertir que, noexame do pulso

,

cujas variedades diflicilimassão deapreciar

,

pondode parteas distineções sublis,admittidas poralguns me

-dicos

,

c segundo a maioria

,

temos a considerar

,

primeiramente cada uma

daspulsaçõesquantoasua duração, seu volume

,

suaforça esuaconsistência;

cem segundo lugar

,

o mododesuccessãodessaspulsações

,

isto é

,

orhythmo que cilasapresentam.Assimopulsopódeapresentar

-

seprompto oulento; grande

ou pequeno; forteou fraco; duroou molle;frequenteou raro;regular ou irre

-gular

,

cintermittente(1)

.

Os Chins

,

queprofundo estudofazemdaartesphyginica

,

pretendemquebastamos signaes tiradosdesseexame

,

para seformar todo o diag

-nosticodifferencial;mas

,

semrefutaressa exagerada pretenção

,

e sem designar aquemoléstias correspondem todas asvariedades ácimaindicadas

,

objecto que

vasto lugaroccupacmtodosos tratados depathologia geral, ireisómente indagar

o quediz respeito á febre

.

Éinnegavelque,conservando

-

seasignificaçãoetymologica da palavrafebre, os

signaesdados por Galeno

,

emsuadefinição

,

nuncadevem faltar

.

Mas

,

dizemal

-guns,o exercício

,

oactodigestivo

,

o estado de crecção,algumasaffecçõcs raes

,

etc

.,

podem tornaropulsoforte

,

efrequente

,

semque determinemum estado

morbido

,

c assimnemsempreeste signalindica a existência defebre

.

Reconhe

-cendotal verdade,devo advertir

,

queentãooscommcinorativosde muitovalerão

a orientar

-

nos; alòmdeque

,

seopulsoestiver alterado cmconsequência das causassuppostas

,

obscrvaremqsqueellereadquiresuanormalidade

,

logo q sara acção destas

.

Alguns outros pyretologistastambémpretendem

,

que afre

-quência dasbatedurasdasartérias nã

o

devetero valor designalgenérico;porque, dizemelles, pódehaverfebre

,

independente dessephenomeno

,

comose vénas

eata

-vezes

mo

-ue ccs

-febresalgidas,emalgumas ataxicas, e cm algumasadynainicas,emqueo pulso se mostrafraco craro

.

Examinando

,

porém,oscaracteresespccilicos dasdiversas febres designadasporessesmesmosautores,confrontando essas cspecies,cpers

(11)

S CONSIDERAI

.

IÒHS

mitaudnonexo que as prendeemgenero,acheique

.

nomaior

numero

delias

,

o

signal maisconstante quese apreseulaóa frequênciadopulso; eque

,

iiaqnella

-einque folha

esse

signal

,

nem

-

iimoutroexiste,que racionalmeiitenosleve aco

-nhecerquehafebre

.

Ja SylviusdeLe Hoe

.

Hocrliaave, omuitos outrostinham

essa frequência das pulsações artcriaescomo um signalpatognomonico;eacre

-ditoque hoje não haverá umsópraticoqueveja febre em um individuo

.

cujo

pulso setornefraco eraro

.

Passandoáopiniãode Sauvages,etendojátratadodo calorcdafrequênciado pulso,como phenomenos febris,sódevo agoraoccupar

-

inedo calafrio,que tanta

importânciamereceu dosmechanicos

.

Não meempenhareiem discutirasrazões

fundainentaes que induziram lloiïmauuc(lullená creaçãoedesenvolvimento da

doutrinadoespasmo;nemcommettcreirefutar

-

lhes,comargumentaçõesseienti

-ficas, as theoriasque estabeleceram

.

Quem sentircm si valor bastante para op

-pòr

-

sc a dous atlilctasdascicncia;quemfòrassaz munido deresignaçãoparaen

-trar empolemicas sobre doutrinas medicas,travea luta,dequeparalongefujo

.

Imitando os verdadeiros práticos, apcllo para a observaçãodosfactos, afim de

obterumresultado seguro:então irrefragavelineutc admitto que muitasvezeso movimentofebrilse podemanifestar com toda a violência,sem que,emseuco

-meço, ou durante seu curso,haja calafrio

.

Galeno(1)

,

Forestus(2)

,

Stoll (3)

.

Pinel (A)

,

c muitosoutrospyretologistasantigos emodernos

,

dizemtervistofre

-quentescasosdefebres

,

que

.

desdeseu principio, apresentaramlogoexcessivoca

-lor ;e hoje nem

-

umaduvida existe da possibilidadedetaescasos

.

OproprioSau

-vages

,

quando procedeádivisão nosographica

,

deixa claramentc perceber que tambémnãoconsidera o phenomenodocalafriocomo infallivel em todasasa Ace

-ções febris,massim

como

muifrequente

.

Entendendo deste modo

,

razão teve o

autor danosographiametbodica; porquanto, no começodosaccessos das febres intermittentese de muitas

r

émittentes

,

cigualmente nainvasãodemuitasaffccções

febriscontinuas

,

osdoentessentemhorripilações

,

frioe tremores

,

mais

ou

menos violentos

.

Todaviadevo aindaadvertir

,

que alßinde faltaremnãopoucasfebres, ocalafrio pôde também apparccersemalteração dasaúde: assim basta, muitas vezes

,

atemperaturadoambiente,o medo, o horror

,

a vacuidade doestomago

,

etc

.

,

paraprovocal

-

o

,

sem determinarmoléstia

.

Examinandofínalmentc a quarta opinião, c havendo jáestudadoo calafrio, o

calor,eacccleraçãodo pulso

,

tratareiagoradaalteraçãodeoutrasfuncçòcs

,

como

(I)Meth

.

mcd.,lib

.

IX

.

(2)D« Feb

.

,lib.I

.

(3) K|>h<Wri<tc* ann.177'J

.

(12)

1» \sPERNICIOSAS I M I*AlîTl*ilI VH.

'igualdo febre

.

Invocando ainda a

observar

ãodosfados

,

dirci, e«•imoui« i que diversaspodemseressasalterações

,

eordinariamenteliacephalalgia,iiiajq» tencia,eside

.

Nãome compete,por em quanto,determinar

se

eafebre qued*'

lugar aoutrasaifecçôcs

,

ou se são estasquedão lugaráqueila: comoque:qim seja

,

sempreque seobservamosphenomenos febris jáindicados,observa

-

selam

-bem um

,

ou mais symptomasquesenão referemdirectamente áalteraçãoda cir

-culação

,

mas quemuito podemservir,nãosópara fazer certificar que esta depende deumesiadopnthologico,comolambempara levar

-

nosa conhecer a séde prin-cipal domal

.

Matureza

.

Ktempoagora depassar á mais importante edilficil questãoque

sepodesuscitarem pyrctologia

.

Lançareio fragil batel deminha razãosobre esseoceanoimmcnso de opiniões contrarias, emittidas Acerca da natureza da

febre

,

lerei por leme a physiologia

,

c, servindo-me debússolaaobservação dos

factos,nãodospoucosepiesctempassadodebaixodeminhasvistas

,

mas simdos

muitosque se achamescriplosporintelligentespráticos

,

seguireiumabreve derrota que meleve,senãoao porto daverdade

,

ao menos aodaprobabilidade

.

Nãorelatareias immolerastheorias queestabeleceramosdiversos pyrelologis

-las,quando,segundosuas doutrinas, pretenderam explicar a naturezada febre;

nãoabalareias hypothesesdequemuitossevaleram; não mostrareias imperfei

-çõesde algumas

,

nemos absurdosde outras

.

A’proporçãoquesesuccéderai» os

autores

,

succedcuo impériodasvariascrençasmedicas;o pyrctologista,que pen

-sou deuinnovo modo

,

combateuopensardeseus antecessores

,

eplantou o es

-tandarte deseusystema ; masessemesmoquefoi então vencedor,teveporsua vez de sertambémvencido ; edessaseriede lutas resultou oprogressoemque bojeveinoso conhecimento dafebre

.

Sondoassim,como digo,já combatido foi ohumorismo,eninguém mais attribue

asfebres quotidianasá pituitapútrida

,

asterçãs á hilis amarclla,asquartas ántra -bilis,etc

.

;aalchimia lia muitoqueliãocontaunisó prosclyto; ovitalismo cumhiu

,

camesmasortecoube ao systema dos mechaiiicos: éa medicinapbysio

-logicaquebojeprevalesce

,

quasique exclusivamcntc

.

Dispensado me julgo,pois

.

deseguir alonga marcha doprogressodapyrctologia,ebasta

-

mc,paradar

comcco

ásolução doproblemaem questão, lembrar que

,

depois detranscrever diversas definições quetomrecebido a palavra

-

febre

manifestam seus autores

,

confrontandoasopiniões inhérentesaessasdefinições

eabstraindo

-

modas theorias,conseguireconhecerque medicostão oppostos

suasdoutrinas

,

deaccordoestãocmadmittir,queafebresc manifesta sempre poruma alteraçãoda circulação

.

Ociososerálembrar quoossymptomasfebrisrevelam justamente aalteração da grande funeçãocirculatória; mas

necess

árioédeclarar queessaalterarão lime simplesmentea expressão

,

onão a

ess

ência dafebre

.

sor

.

ni AFi:ntu KM C

.

KRAI.Y

SlIC

-édeadmirar adiscrepância quo

.

em

(13)

-CONSIDERAÇÕES

Sabidoéquemuitosautorespensaram,coinoCliomcl

.

quedizque no estado actual dascieiicia

.

deve

-

seadmittirfcl/rcsUliopatbicas

,

istoé, aíTocçõcscaracto

-risadaspor umamarcha aguda, eporumaperturbaçãogeral das funeções, inde

-pendentedctoda aaffecçáolocal primitiva

,

cque nãodeixam

,

depois damorte,

nosorgãos alteraçãoalgumaaque se possa altribuir os plicnomenos quetiveram lugarduranteavida (1)

.

Tacsideas

,

adoptadaspor muitos medicos, que adimittiram aessencialidadedas febres

,

emperfeitoantagonismo está comosconhecimentosquetemosdaorgani

-sação

.

Nos Prolegomenos do cursodemedicina clinica, diz.M

.

Rostan

,

comseu

çslylo energico c persuasivo:«Omediconão devevernohomem senão orgãos< funeções

.

Estas não sãomaisquecffeitos;nãosãomaisqueumaconsequência da disposiçãoorganica

.

Os orgãossãodispostosparaobrar;obram;eis

-

ahia func

-ção

.

As funeçõesnãopodempreceder os orgãos

,

porqueumcITcito nãopôde pre

-cedersuacausa; nãopodem existirsemelles; porquanto

,

uma acçãonão pódc existirsemagente,um mo\imcutosem corpoque se mova

.

As funeções estão poisdebaixo dadependência dosorgãos

.

»Eassimdevemos entender que dizer

-

se moléstia dynamica, 6dizer

-

se moléstia cuja natureza0 desconhecida

,

enunca

mera

modificação de funeções

.

Fujamosportanto do prejudicial ontoiogismo; ereflcctindo que não sedá a existênciada febre,semaugnientodas batedoras do coraçã

o

edasartérias

,

não esqueçamosaimportanteverdade,proclamada porBrown

,

(piando dizque« rida seentretem pelos estimulantes

.

Lembremo

-

nosque asaúdeconsiste na harmonia

dasfuneções,que resulta decertográude excitaçãodos orgãos

,

provocada pela acçãonecessária dos modificadores estimulantes;nemnosdeslembremos queto

-dasasvezesquetacsmodificadores augmentantoudiminuemessaacção, necessá

-riaparaa manutençãodoestadophysiologico

.

apparece odesequilíbrio dasfune

-ções,(piecaexpressão symptomaticade lesõesorganieas

.

Epoisque na febreliaumexcessodeactividadc dosystema sanguíneo

,

mani

-festadopela celeridade da circulação,£que tambémhouve, necessariamente, um excessodc excitação desse mesmosystema, econseguintemente nina irritação

.

Ora,éinnegavelquc sendo a irritação um estadomorbidoresultante dasuperexci

-taçãodesteou(laquelleorgain

,

desteou(laquellesystema, muitasvezes apenassc

manifesta pelasuperaeçã

o

da parte aflectada, independente de alteraçõesorgâni

-cas

,

apreciáveis a nossos meios doinvestigação : entãotemoso quealgunsautores chamamnévrosé

,

ouirritaçã

o

nervosa

.

-

se portanto que, aindaadmittindocom Cullen

,

M

.

Choinclemuitosoutros,

que

,

na autopsia feita em cadaveresdeindivíduos

,

que succumbein em

consequen

-10

(14)

11

SOBREA.FEBRE KM GERAI

.

EAS PERNICIOSAS KM PARTIGI'I.AR

.

ciadefebresgraves, muitasvezes nem-mna alteraçã

o

se encontra

,

considerosetn

-preosphenomenosfebris comoaexpressão symptom/tiradewnu systema sanguíneo

.

FoiRoerhaave quemprimeiroconcebeuessaidea,eM

.

Bouillaudque a adopta diz ter observado rubor e outros traços d

é

phlogosenosindivíduos que suc

-cumbem depois deterapresentado,duranteumcertoespaçode tempoassaz con-siderável,osdiversossyinptomasdafebreangio-tenica

,

a qual,segundo elle, fa

-zendo-seabstraçãodas plilegmasiaslocacs,deque tira tantas vezes sua origem, não('real menteoutracousa cousa senão afebre

,

considerada de uma maneira geral (1)

.

JaKrankhavia dito antes, que nas febres vehementissíniasdena

-turezainnammatoria,com agitação enorme do coração e das artérias, viu, não sóestas,mas tambémtodasas veiasqueas acompanham,profundamenleenrube

-cidaseinflammadasemtodaasuprefície interna;e já muitas vezes, continua o mesmo autor,mostramos,debaixodasmesmas circumstancias

,

semelhantes plilo

-gosespnrciaes dasartérias, cprincipalmenteda aorta(2)

.

Estasobservaçõesporcin

,

não bastam

,

paracolligirmos que a febredeixasempre, depois damorte,traços desuaexistência; aos factosaíTirmativosdeuns oppoem

-seos factos negativos de outros;cporque Frank, e M

.

Bouillaud notaram uma alteraçãoorganica

,

nãoérazãopararecusarmoscrerque

.

noscasosemque(lul

-leneM

.

Chôme! paticaramaautopsia cadavérica

,

talalteraçãonãoexistia

.

Aanatomia pathologica,que detantotemvalidoparasesegregarem dogrupo dasfebres

,

chamadas essenciaes

,

muitas moléstias erroneamente nolleincluídas, ainda nãotevepoderpara revelar amodificação organica, a que necessariamente devecorresponderomovimento febril;ainda não pódecomprovarqueafebre e

umairritaçãodo systemasanguíneo

,

como bem seconcluepor iuducçõcsphysio

logico-pathologicas

.

Esperemos todavia, que

,

com odecorrerdo tempo,osmeios deinvestigaçãose aperfeiçoem,e entãotalvezchegueaepoclia em que se possa apreciar aslesões organicasdenominadas névroses;eanaturezada febre dei-xará deseraliça

,

ondeos contendoresmedicos decontinuoesgrimamargumen

-tações

.

Entretanto

,

aindaem faltadesses dados precisos, continuarei na opi

-niãoqueabracei

.

E agora me cumpre fazeroutrasreflexões

.

Como sabemos,noestadophysiologico

.

aacção decada orgam se acha ligadaá de todososoutros

,

semoque, a harmonia desapparece eextingue

-

seavida;

como ainda sabemos

,

essenexo,esseencadeamento de acções,essas relações organicas,denominadassvmpalhias

,

mais clarasse mostram duranteoestado morbido

.

c assimquem reconhecea relação intima,queexiste entreo systema irritarão do

(1)Obracilada.

(15)

12

CO>SII>M:A<;OI*•

ouïrasparies eloorganismo

,

facilmenteeomprchendequantoaquel

-sanguineooas

Irst*deveressentir <losoffriínento destas

,

<• reciprocameiitc

.

Os factos confir

-mam esse raciocínio

,

e denotoriedade medica quenãoha um sóorgam cuja irritaçãointensa nãotcnliaapparccido syinpathicameote

,

algumasoumuitasvezes

,

systema sanguí

neo

.

Leia

-

seasymptomatologydas moléstias

,

e ver

-

se

-

áque

cm um grande numerodeltas

,

logo cmseucomeço

,

oudepois de certo de

-senvolvimento,appareccm osplienonicnos caracttristicos da febre

.

Epois

,

a fe

-bre

.

istoé

,

airritaçãodosystemasanguíneo,cmuitas rezessgmpathica.

Já Galeno havia reconhecido quea aficcção de certos orgãos podia pro

-duzir febre; mas

,

faltando

-

lhe os necessários conhecimentos d«: physiologia eanatomia pathologica

,

c conseguintemente vcndo

-

sc muitas vezes impossi

-bilitadode conhecer o orgam cujairritação provocaria a febre,entendiaque muitas vezesesta podia ser independente daquella

.

Assim, sempre que ob

-servai os plienomenos febris, sem que os podesse referir a alguma irri

-tação,porque nem

-

umadescobria, dizia que havia umafebre assazdistincta da queera produzida poraffecçõesorgauicas

.

Eentãoestabeleceu a divisão

das febres em sgmptonuiticas c esscnciacs

,

subdividindo estas

,

segundo os humores a cuja alteração as atlribuia

. .

Lommius

,

Hoerhaavc

,

Stool, Selle c outros, desenvolvendo a classificação começada por Galeno

,

admiuem cinco cspecics tiefebresprimitivasouossen

-ciaes

,

âs quaes dão as denominações de inflammutoria

,

biliosa, mucosa ou

piluitosa,pútrida oumaligna.Mas

,

bemse vè

.

que esses termosvagos

im-própriossão da linguagem medica

,

emque deve haversemprerigorosa pre

-cisão

.

Gom efl'cito

,

o que exprimem as palavras

biliosa e mucosa

,

quando queremos saber a alteração dos orgãos

,

e não a da bill’s c do muco ?

..

.

E

as expressõespu/rida emaligna

,

cujasignificaçãotemexeessivameule variado, ainda menos inculcam as lesõesa quecorrespondem

.

Pinei

,

tomando por base essa mesma divisão

,

admitte seis ordens

,

na classe

«lasfebres primitivasouesscnciacs:Io

,

febresangio

-

tcnicas;2o

,

febresmeningo

-gaslricas;3a,febres adeno

-

meningeas;A"

,

febres ady

nantiras

; 5o, febres ata

-•ricas;6®

,

febres adeno

-

nerrosas

.

E porém«le notar «pie o autor «lanosogra

-phia pliilosophica diz que estasdenominaçõ

es

,

fundadas sem duvida sobre certas npparenciasexteriores

,

c sobre signaes de alguma lesão«las funerõ

es,

não são demodoalgum destinadas a exprimir a natureza intima das febres

,

objectoeterno de Ans discussões c controvérsias

,

que se deve d*

ora

avante

evitar (1)

.

í

:

para admirar que Pinei, depois de se haver furtado a «lar

os

caractc

-110

(16)

SOBRE A EEltl>E EMGERAL E ASPERNICIOSAS EM PARTICULAR*

PCS csscuciacsdufebre era geral

,

procedendo á divisão dasespccics

,

Ibcs ap

-plique denominações que

,

segundo seinferede

suas

proprias palavras

,

pouco ounada quadram ao diagnostico

.

Sem negar o grandeavanço, queapyrelolo

-gia tevepelo insignetrabalhodo nosograplio fiancez;seindesconheceragrande

reducção que soffreu o grupo das chamadas febres essenciaes

,

quando esse autor soube referirá classe das pldegmasias muitasalTecções até então mal estudadas ; sem linalmentedesa'preciar as minuciosas descripçõcs

,

quefez de cadaordem

,

cquede tantovaleram para ulteriores conhecimentos

,

devocoin

-tudo extranhar que insistisse cm adinittir a essencialidade das febres

.

K na verdade

,

lendo

-

seossymptoinaspropriosde cada uma das ordens dePinei

,

e reflectindo

-

sesobre a historia de algunsfactos

,

que esse mesmo autor apre

-senta, custaa crer que elle nãopercebesse que quasi todasessasfebres,se

-nãotodas,eramsyinpalhicas de alTecçõesvisceracs

.

Uma breve analysearrazoará

este meu dizer

.

1$ comonasseis ordens da nosographia philosophic« estão incluídastodasasfebres

,

entãosuppostasessenciaesou primitivas,examinando

-

as succintamente, deixarei veros princípios cm que me firmopararecusar

,

não só as denominações dadas por Pinei

,

como ainda aexistência daessenciali

-dadedasfebres

.

Temoscm primeirolugara febreangio

-

teuica (1), quePinei consideracomo uma irritação do system« vascular sanguíneo

.

Ora, se na denominação das moléstias devemos tersempre cmattenção odiagnosticodifferencial;senesse diagnostico todaaconsideraçãomerecem ossignaescaracteristicos;esc a thera

-peutic« requer quesejabemdistincto o mal que temosdecombater;não po

-demoscmcasoalgum contentar

-nos

com dizerque hauma febreangiotenica

,

porquanto tacsexpressõessignificamsimplesmente a irritaçãodo system«san

-guíneo, sem que designem se essa irritação c primitiva

,

ou se ésympa

-thie« de uma meningite

,

de uma bronquite

,

deumapneumonia

,

de umagas

-iro

-

cnterite

,

etc

.

, etc

.

;eem faltadessa designação,nuncachegaremosauma indicaçãoracional

.

Bem que talvez nem-umaobservação exista de uma irritaçãoidiopathic« do system« sanguíneo

,

todavia conccbc

-

sc dealgum modo apossibilidade desua existência

.

E,quando essapossibilidade passar a effectividade

,

parece que

,

para sermos mais conformes com a liuguagem da scicncia, em vez dedizermos que ha uma febreangiotenica,deveremos dizer, como M. Bouillaud

,

que ha umaangio

-

cardite

.

Assim nãoconfundiremosumaaflecção primitiva

,

nemdei

-(\ ) SynonimU:Synochusimputris etSynochusputris,G «leno ; Synocasimplex,etacutasanguínea lluflan; Febriscontinuavrl Synocha, Stahl ; Febrisin/lamniatorin,Stoll ,etc.,SgnocA

.

i, Sauviw

gen,Cullen,etc

.

;Fieereanyiotcnicjue,1’inol

.

Asfebres inllainmatunasapresentam,mtniatorparto

(17)

CONSIDERAçõES

\

aremos

de designar qualalesãoorganica a quese devereferir aimaginada essencialidade das febres

.

Que muitas

vezes,

senão sempre

,

a irritação do systcma sanguincoappa

-reresympatbicamcnte

,

óquestãofó

ra

deduvida

,

econfirmada pelo proprio Pinei

,

que apresenta entre os symptoiuasda febre angiotenica

,

os seguintes : linguaesbranquiçada ou rubra

,

side mui viva

,

repugnânciaa substanciasaui

-maes

,

constipação, ou desecções alvinas raras e scccas; pulso cheio,forte

,

duroefrequente

,

entretanto, algumas vezes mollecconcentrado;bemorrba

-gias pelo nariz, pelo utero,etc

.

;respiração frequente

,

algumasvezesdi ílicil; urina

,

aoprincipio

,

de còr carregada cpouco abundante

,

depois

,

depondo um sedimento branco

,

leve chomogéneo; vertigens

,

visão apparente de corpos

brilhanteseiudanimados;somnolenciaoudelírio

,

etc

.

, etc

.

Xa segunda ordem temosa febre mcniiigo

-

gastrica ( 1 )

.

O celebrepyreto

-logista depois de haver confessadoque « tudo parece indicar queasede prin

-cipal das moléstias desta ordem£ noconducto alimentar

,

cnão menos nos orgãossecrctorios da bilis, cdo sueco pancrcalico

,

pretendendo ainda sus

-tentaramalentendida essencialidade

,

pergunta :que conuexão tem as causas occasionnes

,

pbysicas ou moraes

, com

este augmento de irritabilidade febril noestomagoou noduodeno, ou nosconductosou reservatórios biliaresoupan

-crcaticos ?

Entreascausasproductoras das febres meningo

-

gastricas

,

Pineienumera :

usodealimentosdidiceisdedigerir

,

oabusodelíquidosalcoholicos

,

bebidas frias abundantes

,

estandoocorpo mui quente

,

ouiinmediatamcntedepois deumarre

-batamento decólera; a íTecçõcs moraes tristes; umembaraçogástricoouintestinal que tenha sido abandonado a simesmo,etc

.

,

etc

.

Eentreossymploinasproprios

dessasmencionadas febres

,

omesmoautorapresentaos seguintes:«sensibilidade vivano cpigaslrio

.

ardor doabdomen;sôdeintensa ;vomitosde matérias biliosas; constipação pertinaz ou diarrhéa;e todososmais pbenomenos morbidos que caracterisama gastro

-

entero

-

hepatile

.

Ora;se nada('.mais natural que,na pre

-sençade agentesirritantes

,

manifestar

-

seumairritação,facilmente se comprehendc aperfeitarelação

,

queexisteentre os referidosefleitos

,

c suas

causas

determi

-nantes

.

-

sc

,

portanto

,

que a febre manifestadaemtaescasos é syinpathicu da iuflam

-maçãodos orgãosdigestivos; cassimseha razãopara admittir

-

sefebresgastricas

,

direicomBroussais

,

(pica mesmarazãoexistepara reconhcccr

-

se

febres pulmo

-nares

,

cardí

acas

,

vesicacs

,

femoraes

,

cruracs

,

brachiacs

,

digitaes

,

etc

.

I h

«o

(I) Synonimia : Febres biliosas,Hippocrate*, Stahl,Selle,Tissot, Stoll,etc

.

,SynoeJio bilioso,

(«leno ; Frhrt»gastriau,Uaillou ; FebremcniHyo

-

gattrica

,

Pinel

.

(Notaa pic IHdot l No

(18)

fil SOUR K A FERRE EM(iEHAI.E ASPERNICIOSASI

.M

PARTICt’f.AR

.

Quantoásfebres adeno

-

meningeas( 1)

.

«cujossymptomns,

como

«li/

.

Pin«*!,in

-dicam umairritação«lasmembranas mucosas«locomlucto intestinal,«lirci que também não podemconstituiruma especiedistincta

.

porquanto

,

osplicnomciios febris queentãose manifestam,procedemirrcfragavelincntodassympathias orga

-nicas

.

em*virtudedasquaes

,

como jã vimos,muitas febres sedesenvolvem, has

-sim

.

aindaporestavez,repetirei com Broussais que

,

seconcedermos áirritação

dasmembranasmucosasumafebreespecial

,

todos os systcmas da economia hu

-mana reclamarãosuasfebres;poisque todos elles sãosusceptiveis dcumairritação capazde produzirsyinpalhicainenlcos phenomenos febris

.

aAs febres adynamicas (2),diz Pinei,sãoas que semanifestam,sobretudo no#

exterior

,

porsignaes dc uma debilidadeextrema,edeuma atonia geral dos mús

-culos.»Jãse vô pois,«piea tal modo«le definiraífincadatnente seoppormasleis do diagnostico

.

Ecom efieito

,

queimporta aomedico clinicooconhecimento

dessa debilidadeextrema

,

se porventuraignoraacausaque adetermina,eque aentretem?Que importa observara atoniageral dos

mnseutos

,

a perturbarão de todas as faneeues,a prostrarãodo indivíduo,aameaçade morte próxima

.

quandodesconheceas lesões profundas,a quecorresponde todo esse desarranjo da economia?

Fpossívelqueuma irritação idiopãtliicado systemasangu íneopossa sympatlii

-camente determinaraadynamia, provocando pldegmasias intensas; mas a obser

-vação dospráticos nosrefereque

,

no maior numero decasos, emque apparece achamada febre adynamica

.

existeumaprimitiva inílammaçãointerior,quepor sympatbia produz os phenomenosfebriscadynamicos

.

Sem duvida,em ambas essascircunstancias, aasthenia,ouantesaquasi inaeção do systemanervoso,pro

-cededaafiecçãogravede alguma viscera,«pieemsiparececoncentraraexcitarão,

que devêraserproduzida cm todos os orgãos

.

F isto(\tantomais de acreditar, quanto se observaque,quandotaesmoléstias sãoassazviolentas,não ha signal de reacção, e o pulso se apresentapeipieno,molle eraro

.

Finalmente,asfebres adynamicas, nãopodemconstituirumaordemde molés

-tiasfebris

,

por issoque osdonsgruposdesymptomas,que uos revelamaal

-teraçãodo systema sangu íneoedosystemanervoso

,

não bastam paradirigir

-

nos a umaindicação precisa ; é«le misterconhecermoso orgam,cuja lesão deter

-mina a febrecaadynamia ; e édesse conhecimento que devepartirum diag

-nosticocxacto

.

(1 ) Synommia:Fibrinmesenterica,Iíaclin;Febrilpituitosa,Stoll,etc.;Fibre glutinosa

astrica

Sarconc; Morbus mucosus,Itoederero Vngler;Febre adono

-

meningea,Finei,etc

.

(Notaextralud

à

daNo»,phil

.

,t.1,pag.91)

.

(2) Synonimia:Typhus,Hippocrate»

.

Sauvage»,Cullen,etc

.

;Febrispestilentialit, Fracastrr

Sydenham,(irant,etc

.;

Fcbritputrida

,

Stoll,Quatil),tic

.

;Fcbrcaih/namica

.

Find etc(NotaIT

(19)

.

ONSIDERAÇÍiBS

V 5

.

*ordem da l

.

" classe da nosographia dePinei comprehend«* as

febres

ataxicas (1 ),«que

.

comodizesseaulor

,

sãocaracterisadas pelasallcrnaiivasde

excitação eabatimento,com singularíssimas anomaliasnervosas

.

»Tenho

,

portanto

,

dercgeitaraindaporestavez, aclassificaçã

o

do sabionosograpbo

.

Kccrtainente

contra a denominarão de febres

ataxicas

,

como

designativade umaordem de moléstiasdistinctas

,

militam asmesmasrazões queacimaexpuzcontra aadmissão «lasfebres adynamicas

.

Emsextoe ultimo lugar

,

temos a febre adeno

-

nervosa (2),que,segundoPi

-nei, consiste cmumestado ataxieocomalTecçãosimultâneadasglandulas

.

«Seus

,plienomenos caractcristicos são buboes,antbrazes, e petechias

,

diz omesmo

autor ;eessesplienomenos caracteristicos, lô

-

sc mais adiante

,

sãoprecedidos

,

ounão

,

porumestado febril

.

ȃ innegavel

,

quena febre adeno

-

nervosa

,

osys

-tema sanguíneo se acha profundamente aflectado; ccomcffeito os miasmascon

-tagiososquedeterminam a intoxicaçãopestilencial

,

ou sejam levadosã

mucosa

gastro

-

intestinal porintermédio dos alimentoscbebidas

,

ouabsorvidos pela pelle,

• ou íinalmenteinspiradoscom o ar que tem de servir ã hematose

,

sãoembreve

lançadosnatorrentecirculatória;eentãoo sangue

,

assimalterado,deve irritar immediatamenteosystema sanguíneo,c derramara mortepor todos os orgãos

.

Dada a acção dos princípios delcterios, importa

-

nos saber sc o mal se concentrou cm alguma parte; ea verificarmos esse caso

,

a acreditarmosem

Broussaiscoutros

,

que éo intestino delgado a side mais frequentedos de

-sastrosos cffeitos

,

não esqueceremos tal circumstancia quandoestabelecermos

o diagnostico

.

E como cm muitas epidemias dopestífero ílagcllo

,

os doentes desde o começo da moléstia apresentam symplomas de grave alTecção ner

-vosa

,

sem quesc manifestem os plienomenos febris

,

não podemos admiltir que tal moléstia constitua uma ordem de febres

,

ou entãoadmiltiriamos que pódc haver uma febre sem febre,

Typos

.

Desde os tempos de Hippocrates sc tem observado queosphe

-nomenos febris podem seguir uma marcha não interrompida

,

ou apresentar

-se porper íodos intercalados pela cessação completa de sua manifestação

.

Dabi proveiu a divisão tlas febresem continuas e intermittentes

.

Observando

-

se lambem

,

quealgumas febres

,

semdeixarem de ser continuas

,

apresentamexa

-cerbações periódicas

,

ndmittiu

-

seumaordem de febres rémittentes: echamou

-

se

sub

-

intrante a febreintermittente cujoaccessoseprendeporseudecrementumao

incrementumdo accesso subsequente

.

10

t

fl) Synonimia : Typhus,Sauvages

.

Cullen, etc

.

; Febremaligna do« autores;Febris atneta

.

S

.

Ile;

Febrismrtosa,Frank,etc

.

;Febreataxica, Finei

.

(Xotaextratudada No»,plut

.

,t

.

I,pag.206)

.

(2) Febre pestilencialdemuito» autores ; [ Febre adeno

-

nervosa

,

Finei;Typhus do Oriente,do»

(20)

SÖHREA PERREEU OERAI

.

E AS l'ERMC

.

lOSAS EM PARMCLIMl

.

Algunsautores

,

entre osquaesPineleBroussais,pouca ou ncm

-

uuia nttem

.

io

prestarama essa differenç

a

de typos

,

bem convencidosde que

responde adistinccàode natureza

.

Outrosporém,e desse

numero

MM

.

Bayer

.

Bailly,Alard,eonossoprofessor de pathologiainterna, entendem queassazdilleie a naturezadas febres continuas da das febresintermittentes

.

Tratareidestaques

-tão, quando estudar a natureza e sede dasfebresperniciosasmiasmaticas

.

sarei ãsegunda partedestathese

.

4*11.1 não cor

Pns

-SKGlíNDAPAUTK

.

liasIVIires|»orniciosasiiiia*niati<‘as.

Antes de occupar*mc do estudo especial das moléstiasquetemrecebidoa de

-nominaçãodc

-

febres perniciosas miasmaticas

-

,bei de mister dizer algumacousa

ãcercadasfebres intermittentes,acujogrupopertencemaquellas

.

Terminando o artigo antecedente, liz jáver queafebre intermittente consiste cm uma aflecção, emqueos phenomenosfebrisseapresentampor períodosinter

-calados pela cessação completa desua manifestação; e agora,seguindo a lingua

-gemde todosos pyretologistas,denominareiaccessoou pyrexiaa duração perio

-dica do movimentofebril,cintermitteneiaou apyrexia,aduraçãoperiodica«le umestadode sauderealou apparente

.

Descrevendoaordememque mais frequentes sesuccedem os phénomènes

febrisnas febresintermittentes,explicar

-

me

-

ci melhor do quem*opermittiria

uma deliniçáo

.

Assim tomarei para modeloumafebreintermittenteregular, dessasqueo vulgoentrenósdenominasezões

.

Odoente aflectado desse malcomeça porapresentarsignaes prodroinosque são:quebramentotieforças,pandiculaçõcs

,

bocejos,dôres ao longo dosmembros,

inappetencia ecançaço

.

Logo depoisprincipia umaserie importante de pheno

-inenosqueconstituem o accesso,o qual sedivideem trez tempos

.

Noprimeiro,haumasensaçãodefrio

.

que,partindo das regiõeslombares

.

e\

-tende

-

se por todoocorpoatéásextremidades;eestefrio,quepóde

menosintenso,obrigaodoente a buscaroleito, onde debalde tentaaquccer

-

se

por todos osmeios:seu corpoapresenta

-

seencolhido, tendo aspernasdobradas

uma

sermaisou

(21)

o\su»t:iu«.òi:s

sobroascoxas stassobrooventre; osbraçoscruzadossobreo peito,parao

qualtambém se achainclinada a cabeça

.

Aiguillas ve/

.

os aintensidadedo frio{• talque provocatremores

,

c entãoosmembros seagitam,as maxillasbatem

uma

sobre outra cosdentes rangem;entretanto apelle se tornaIria econtrahida

.

«•

os bulbosapresentam

-

se salientes

,

dando

-

llic o aspecto da pelle degallinlia; nota

-

sepallidez geral, com lividez dos lábiosedas unhas;opulsotorna

-

se con

-centrado,frequenteedesigual; avoz é alteradactremula;arespiraçãoincom

-modaeaccelerada; a boccasecca ;as urinasclarase límpidas: algumasvezes

sobrevem vomitos etosse frequente

.

Este primeiro tempo de um accesso tem

sidochamadoperíodo deconcentraçãoouestádiodefrio

.

Sua duração

,

queé

algumasvezesde minutos

,

outras vezes prolonga

-

se alêm de cincohoras; mas

ordinariamente

,

ao lim deumahora, os referidos soflVimenlos vãogradualinente diminuindo;ocalafriocessa

,

eentãocomeçaosegundotempo

.

Durante este

.

o doenteexperimenta asensaçãodeu:n calorgeralque

,

sendo aoprincipio agradavcl

,

depressa selhetorna insupportavcl

,

obrigando

-

o a uma

agitaçã

o

continua: entãoapelletorna

-

sequente

,

expande

-

sec tinge

-

se deuma còr rosacea

,

principalmente naface ;opulso apresenta

-

sefortee frequente;a

respiração grande e facil ;hasêdc excessiva,cephalalgia violenta

,

eauxiedade; as urinas sãoavermelhadas

.

Este segundotempo temrecebidoonomedeperíodo dereaceãoou estádiode ador

.

E'duranteestarcacção

,

quemuitasvezesappa

-recemphenomenos graves que servemdehaseádivisãodas febres iu termitten tes

em benignaseperniciosas;é comcITeito,durante estetempo

,

que tantas vezes esteou aquelle orgam seapresenta consideravelmenteaUectado;c que assim se aggrega aoapparato dos phenomenos febris um perigososolTrimcnto local,que

«lá áfehre umcaractcrameaçador de morte

.

Noterceiro tempo

,

chamadoperiodo decrise,ouestádiodesuor,apparcceum

suor mais oumenoscopiosoque, começandopelacabeça

,

desce ao pescoço

,

passa ao tronco, dalii aos membros; finalmente lorna

-

scgeral: entãoodoentesente um allivioconsiderável; parccc

-

llieestarcomperfeitasaude; resta

-

lheapenas

um abatimento

,

como oquesuccédédepois de longoexercício

.

Assimterminao

accesso,cujamarcha eintensidadevaria

.

Devoagora advertir quenemsempre,

cmtodososdoentes

,

seobserva a totalidade dossymptoinasqueacabo deenu

-merarcomoproprios deumaccesso

.

Mas comoquerqueseja,findoeste,começa aintcnnittencia ou apyrexia

,

durante a qualo doente conserva tão somente alguma prostração

.

Quandosuccédéque,ao declinar deumaccesso,e antesde suaterminação,so

-brevém um outro

,

temos umafebreremittente

,

cujas exacerbações recebem a denominação deparo

.

n/smos

.

que contrastacoma deremissão, dada a cada

um

dostemposque as separa

.

Sc notarmosqueum

accesso

termina complctaincntc

.

masque,semtempo deintervalle,se lho seguelogoum outro,temosa febre sub

(22)

I l

*

SOMEA FEMEF.M CEH At

.

E AS miNIClOSASF.M 1'AM ICI I.AIl

.

in

traute

.

Seoacrcssosi*manifestalodososdias,afebie(•denominadaquotidiana

.

noterceiro

.

s«*apparece cmurn dia

.

cdesapparece no segondo,parareapparccer

oassim por dianic,a febre(1terei7;seoespaço de dons diasintercalaos

accessos

,

diz

-

se que liauma febrequartil

.

Quandoosaccessos quotidianosassaltam

horas diflerenles,ou diflerem relativaincnte Asua intensidade, ou duraçao,etc

.,

havendo identidadeentre ol

.

°co3

.

°

,

o2

.

®co4

.

°,istoé

,

reproduzindo

-

sc de

dousem dons diasasmesmascousas

,

-

seáfebre a denominaçãode dupla terni

.

Quando dedousemdous diasapparccem dous accessos durante 24horas

,

afebre

éterçadobre

.

Ila aindaumafebre triple,uma quadruplalereil

,

etc

.

; ealguns

autoresdizemterobservado febresintermittentesquintauns

,

sextanas, hebdoma

-darias, octanas, nouanas,mensacs,himensaes,etc

.

Masde todas essasfebres, as maisnotáveis,c que mais frequentemente se apresentam são:aquotidiana,aterril

eaquartil

.

Todasasvezesqueosaccessosapparcceincmépochasindeterminadas,diz

-

sc

quehaumafebre intermittenteirregular

,

erratira

,

ou atppira

.

Concordesvão osautoresno(pieatéaqui hei expostoacercadasfebresinter

-mittentes;mas essa concordânciacessa,quando pretendemdecidirsenecessaria

-mentese devem manifestar outrasalTccçõcsduranteessa moléstia

.

Assim dizem

ter tisto febres intermittentes em que apenasapparecemosirezmaisconstantes

plicuomcnos, frio,calor esuor

.

semquehajaalgum outro signal pathologico;c

nesses casosdãoá moléstiaa denominação de febre intermittentesimples

.

Pinel(I ),

esforçando

-

se pornegar aexistência de tal febre,quese nãopódcreferiraalguma das suas seis ordens

,

diz q u e«sem duvida asfebres intermittentes, depois de longa duração

,

perdemossignaesdesuanatureza primilira,esãoent ãomuitas

vezes constituídaspor accessosem que se observa frio, calor csuor, chegandoaté

cmalgunscasos a faltar umou outro destes symptomas

.

» ()mesmoa u t o rsus

-tentaque«emsuaorigem,todas asfebresou serão biliosas, ou mucosas

,

ou de alguma outra ordem; eque

,

sódepoisque algumas houverem degenerado, e

quando apenasrestarem vestígios

,

équepoderãosimularessa pretendida simpli

-cidade

.

»Broussais (2)tambémcontesta que haja irritaçõesgeraesdosystcma

sanguíneo,quenãosejam oefleitosympathieo de um augmentoviciosodaacção organica em um systema ou apparelho particular

.

M.Bayer(3)combate a Pinei

catodososquerecusam admittir queexisteumafebreintermittentesimples;diz tel

-

aobservado; o apoiando

-

se napractica dePrank,na nosograpliia de Selle,

nas observações deFizcau

.

eem algumaspassagensdas obrasdo proprioBrous

-em

(1)Obr»citada,tom.I,png.12.

( 2)KxmncndeUdoctrineU plusgénéralement adoptée,pag lóI.

(23)

20 CO

.

NSim.lt AÇÕES

.

repelle qualquerduvida que se pretenda suscitar

.

M

.

Botiilkiud(1),confoi

sais

mando

-

se

com

M

.

Bayer

.

«acredita que existe realmcntccasos emqueairritação dosystcinasanguíneo

,

aqual constitueocaracter fundamental deum

accesso

de

feine intermittente, sedesenvolveindependentedetoda a reacçãosyuipatliicadas

visceras contidasnas treatcavidades

.

»Entrenós,muitas vezesse tem

observado

afebre intermittente nesseestadodesimplicidade;nembojedeve haver quem vacilleem acreditar naexistência de taesfactos

,

c tantomaisque facilmente se comprehende sua possibilidade,semprejuízo das leis physiologicas que nos são conhecidas

.

Aexplicação»lessesphenomenos lá para diante terá maiscabida;

por emquanto,seguindo a todos ospyretologistas,continuarei a distinguir as

febresintermittentes cm benignas cperniciosas

,

dandoa primeira denominação

atodas aquellas

,

cujossymptomas pouco intensos não promettent uma breve

terminação fatal, cantesinduzem aumfeliz prognostico; casegunda,a todas

as queoflereceinphenomenosmorbidostão graves,eumamarchatãoprecipitada, quemuitasvezes,nocursodepoucos acccssos

.

se terminampelamorte

.

Outrasfebres intermittentes tem sidodescriptas

,

sob a denominação dcfebres

intennitíentesanómalas

.

Estasse dividem emdonsgenerös:aoprimeiroper

-tencem asfebres cujosacccssossãoincompletos

,

isto6

,

cmque falta mn ou dous

dosirez estádios;aosegundosereferem todas aquellas cujosestádiosseacham

confundidosouinvertidos

.

Alôindasdiversas divisõesque ficamenunciadas

,

umaoutra existe,baseada na

dilïerenca dascausas quedãoorigem ásfebres intermittentes:assim,estas também

se distinguememmiasmaticus

,

c nãomiasmalicas; sendo asprimeirasproduzidas

pela acçãodeletéria de miasmaspaludosos;eas segundasoccasionadas poroutros agentesquenão esses

.

Estabelecidostaesprincípios, passareiaoccupar

-

me do estudodasfebres per

-niciosasmiasmalicas

.

Como bemdizBroussais(*2), senemtodasasfebresperniciosassãomiasmalicas,

éaomenoscerto que as febresmiasmalicas oíTerccemmaisperniciosasdo que as

outras

.

Agravidade destasaffecçõcsprovõm daappariçãode umoumuitos phe

-nomenos morbidos,cujapresença serveparafazer conbecel

-

as,caracterisal

-

as

,

e dcnominal

-

as

.

Eliasnão difierem das febres intermittentes ordinárias

,

como

aindaodizBroussais(3) , senãopelaviolênciadas congestões queasacompanham

,

«seu perigo variaemrazãoda importância do orgarn,cmqueseoperam

essas

congestões

.

Seus períodos sãoosmesmos;assim os acccssos se

compocm

de frio,calor< suór,seguidode apyrexia

.

(I ; Diet,deMíd

.

et deChir,lom.8,pag.121

.

Cl)Coursde Path

.

,tom.I, pag.110

.

(24)

2!

SOBREAFEBRE EM OBRAI

.

E AS PERNICIOSASEM PARTICULAR. É(Imanteoestádiode calor,como já lica dieto, quesemanifestamas les<k*s graves

,

que tantasvezesterminampelamorteao3

.

*ou4

.

°

accesso

;ctf segundo a natureza c stfde da lesáo predominante

,

queospyretologistasestabelecem a subdivisão dasfebresperniciosas miasmaticas

.

Entretanto Cliomel (1) dizque algumas destas febresnãooflerccem maisqueumconcursodesymptomasgraves, sempredomíniosensível dealguin delles

.

Segundoesteautor

,

para reconliecer

-

se umafebreperniciosa,basta observar

-

se profunda alteração da pbysionomia,

abatimentoexcessivo,fraqueza extraordinaria

,

perturbação de ideas

,

linguasecca, pidsopequeno

,

mollecirregular

.

Algumas linliasdos escriptos de Hippocrates (2) mostram queasfebres per

-niciosasnão escaparamásua observação

.

Praxagoras(3)notouque muitasfebres intermittentes eram acompanhadas deaccidentes mortaes

,

principalmente de apoplexia c catalepsia

.

OsArabes (4) mais de uma vez as mencionam emsuas obras

.

Mercatus(5)

,

no começo do séculoXII

,

diz que

,

nasfebresperniciosas, os

trezperíodos doparoxysinose executamdeuma maneiramenosuniformeemenos regular

.

E’pois erradamente

,

como dizM

.

Alibert(6)

,

que Morton attribue

-

se a gloria deseroprimeiroqueasobservou;masa sciencialhedevegrandes serviços que valeram osbellos trabalhos que selhes seguiram. Torti(7) que fazuma excellentedescripçãodasfebresperniciosasconhecidasem seu tempo,asdivide emdousgenerös,comprehendcndo no primeiro todas asquesão caracterisadas por um symptomapernicioso predominante; eno segundo,todas aquellas que, vindo acompanhadas de phenomenos variados

,

tiram seucaractergrave, não já

do predomínio deum déliés

,

masde suatendencia ácontinuidade. E’ a febre sub

-

eontinua

.

Os esforços deWerlliof

,

deEmitter

,

de Cleghorn

,

deMcdicus

,

de Comparcttie de outrosaugmentaramocirculodeconhecimentossobreestamateria: e ultima

-mente M

.

Alibert eCoutanceau ajuntam novas variedades de febresperniciosas ás queeramattfentãoadmittidas

.

O primeiro destesautores,noseutratado das fe

-bresperniciosasintermittentes,descreve1

.

*a c/toí

cr

ícaoudysenlerica; 2

.

°ahc

-palhica ou atrabiliar;3

.

*a cardiatgica: h

.

*a diaphorctica;6.*a syncopal,

<5

.

“aalgida ; 7

asoporosa:8

.

"adelirante

,

í)

.

°apcripncnmonica oupleuritiea; 10

.“ a rheumatica ; 11

.

»a ncpbritica ; 12.» a epiléptica; 13

.

*a convulsiva

; um

(1 )Traitédes Fiè vres, pag.370

.

C l)Popular,lib

.

7,Vander

-

Linden interprete

.

(3) Sprengel, Histoiredelamédecine,tom

.

1,pag.374. (4)Idem, ibidem

.

(6 )(«fimand,Coursdes Fièvres,tom

.

3,pag

.

291. (G) Traité des Fièvrespernicieusesintermittentes. (7)Therapeutic«specialisad febr period, puni

.

tora.I , pag.374

Referências

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