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2 CONSIGNAÇÃO EM PAGAMENTO

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(1)

DOS PROCEDIMENTOS ESPECIAIS DE

JURISDIÇÃO CONTENCIOSA

DA AÇÃO DE CONSIGNAÇÃO EM

PAGAMENTO

CPC ARTS. 890/900

1 - INTRODUÇÃO

A PALAVRA CONSIGNAÇÃO

deriva do latim consignatio, de

consignare

significa:

registrar

mencionar por escrito

depositar determinada quantia

para pagamento de dívidas ou

despesas,

(2)

enviar ou entregar mercadorias a

alguém para as vender.

O PAGAMENTO POR

CONSIGNAÇÃO

constitui uma das formas de

extinção das obrigações

CC Art. 334. Considera-se pagamento, e

extingue a obrigação, o depósito judicial

ou em estabelecimento bancário da coisa

devida, nos casos e forma legais.

(3)

Código Civil

Art. 335. A consignação tem lugar:

I - se o credor não puder, ou, sem justa causa, recusar receber o

pagamento, ou dar quitação na devida forma;

II - se o credor não for, nem mandar receber a coisa no lugar,

tempo e condição devidos;

III - se o credor for incapaz de receber, for desconhecido,

declarado ausente, ou residir em lugar incerto ou de acesso

perigoso ou difícil;

IV - se ocorrer dúvida sobre quem deva legitimamente receber o

objeto do pagamento;

V - se pender litígio sobre o objeto do pagamento.

OBJETO DA CONSIGNAÇÃO EM

PAGAMENTO

obrigação em dinheiro

entrega de bens móveis

(4)

2 – AS FORMAS E ESPÉCIES DE

PROCEDIMENTOS DA CONSIGNAÇÃO

formas de efetuar a consignação em

pagamento: extrajudicial e judicial

quatro espécies de procedimentos:

uma extrajudicial

três judiciais

3 - PROCEDIMENTO EXTRAJUDICIAL

Art. 890, parágrafos 1º ao 4º, do

CPC

Legitimidade: o devedor ou terceiro

Objeto: obrigação em dinheiro

Depósito: valor principal e acréscimos,

em conta com atualização monetária

(5)

Ciência ao credor: por carta com aviso

de recebimento

Opções do credor: o credor, no prazo de

10 dias, poderá:

aceitar o depósito;

permanecer inerte;

recusar

por

escrito

ao

estabelecimento bancário.

§ 1o Tratando-se de obrigação em dinheiro, poderá

o devedor ou terceiro optar pelo depósito da quantia

devida, em estabelecimento bancário, oficial onde

houver, situado no lugar do pagamento, em conta

com correção monetária, cientificando-se o credor

por carta com aviso de recepção, assinado o prazo

de 10 (dez) dias para a manifestação de recusa.

(Incluído pela Lei nº 8.951, de 13.12.1994)

§ 2o Decorrido o prazo referido no parágrafo

anterior, sem a manifestação de recusa,

reputar-se-á o devedor liberado da obrigação, ficando à

disposição do credor a quantia depositada. (Incluído

pela Lei nº 8.951, de 13.12.1994)

(6)

§ 3o Ocorrendo a recusa, manifestada por escrito

ao estabelecimento bancário, o devedor ou terceiro

poderá propor, dentro de 30 (trinta) dias, a ação de

consignação, instruindo a inicial com a prova do

depósito e da recusa. (Incluído pela Lei nº 8.951, de

13.12.1994)

§ 4o Não proposta a ação no prazo do parágrafo

anterior, ficará sem efeito o depósito, podendo

levantá-lo o depositante. (Incluído pela Lei nº 8.951,

de 13.12.1994)

BANCO CENTRAL

RESOLUCAO 2.814

de 24 de janeiro de 2001

Art. 3º Acolhido o depósito de consignação em

pagamento, este fica à exclusiva disposição:

I - do credor, caso não seja recebida, pela instituição

financeira, a recusa formal referida no art. 4º, parágrafo único,

inciso II, alínea "a";

II - do depositante, após recebida, pela instituição

financeira, a recusa formal referida no inciso anterior;

III - do juízo competente, após proposta a ação de

consignação em pagamento referida no art. 6º, prevista pela

legislação em vigor.

(7)

4 – DA AÇÃO DE CONSIGNAÇÃO EM

PAGAMENTO

PROCEDIMENTOS JUDICIAIS:

Recusa ou obstáculo para

efetivação do pagamento;

dúvida sobre quem deva receber;

depósito dos alugueres – Lei

8.245/91.

LEGITIMIDADE

Ativa: devedor ou terceiro

Passiva: credor ou credores em

litisconsórcio

(ou seus herdeiros ou sucessores) CC art. 308

Consignatória fundada em dúvida:

todos aqueles que disputam o

(8)

COMPETÊNCIA

Foro do lugar do pagamento

CPC art. 891

CC art. 337

Foro do lugar da coisa imóvel ou corpo

certo que deva ser entregue no lugar em

que está

CPC art. 891 parágrafo único

CC art. 341

Locação: foro de eleição ou do lugar do

imóvel – art. 58, II, Lei 8.245/91

PRESTAÇÕES PERIÓDICAS

depósito das prestações que se forem

vencendo no mesmo processo.

(9)

Prazo para o depósito:

Locação: no vencimento.

CPC: até 5 dias após o vencimento.

Locação: até a sentença.

CPC: não estabelece termo final

.

PETIÇÃO INICIAL

Requisitos:

CPC arts. 282 e 893

LOCAÇÃO art. 67 - I

Prazo para o depósito:

Locação: 24 horas

CPC: 5 dias

Coisa indeterminada e escolha do

credor – art 894 CPC

(10)

Em caso de dúvida quem deva receber

– art. 895 CPC

OPÇÕES DO RÉU

no prazo de quinze dias

aceitar

o

depósito,

levantando-o

permanecer inerte

oferecer resposta:

contestação

reconvenção

exceções

impugnação ao valor da

causa

Nos dois primeiros casos - aceitação e

inércia:

RECONHECIMENTO JURÍDICO

DO PEDIDO E REVELIA

(11)

-

julgamento antecipado

-

procedência do pedido

-

declarada extinta a

obrigação

-

condenação do réu nas

verbas da sucumbência

-

na locação: honorários

de advogado de 20% do valor dos

depósitos

MATÉRIA DE DEFESA

CPC art. 896

Não houve recusa ou mora em

receber a quantia ou coisa

devida.

Foi justa a recusa.

O depósito não se efetuou no

prazo ou no lugar do pagamento.

(12)

O depósito não é integral. O réu

deverá indicar o montante que

entende devido.

DÚVIDA A QUEM PAGAR

CPC art. 898

Citados todos aqueles que postulam o

crédito,

três hipóteses se abrem:

1ª - Nenhum dos réus comparece

Julgamento antecipado

A sentença declarará extinta a obrigação

Efeito liberatório para o devedor

O depósito será convertido em

arrecadação de bens de ausentes (arts.

1.159/1.169 CPC)

(13)

O juiz decidirá de plano

Provado o direito do credor: deferimento

do levantamento

Não provado o direito: arrecadação de

bens de ausentes

Efeito liberatório para o devedor

3ª - Mais de um réu comparece

Sentença de procedência

Extinta a obrigação

Efeito liberatório para o devedor

Prossegue o processo apenas entre os

credores em procedimento ordinário

Na hipótese de impugnação, por parte

dos réus, do próprio depósito, não

complementado, serão mantidas as

mesmas partes, inclusive, portanto, o

autor.

(14)

CONTESTAÇÃO LASTREADA NA

INSUFICIÊNCIA DO DEPÓSITO

CONSIGNATÓRIO

o autor poderá complementar o valor

devido

excetuado o caso de inutilidade ou

impossibilidade da prestação a ensejar

rescisão do contrato

prazo para complementação:

CPC dez dias

LOCAÇÃO cinco dias com

acréscimo de 10% sobre o valor da

diferença

Prazo preclusivo e contado da data da

intimação a respeito da contestação

(15)

Levantamento da parte incontroversa

Acarreta a liberação parcial do autor

DA SENTENÇA

A sentença que reconhecer a

insuficiência do depósito determinará,

sempre que possível, o montante

devido, valendo como título executivo

judicial, a ser satisfeito nos próprios

autos da consignatória

Natureza jurídica da sentença:

declaratória de extinção da

obrigação

condenatória se determinar o

montante devido

(16)

Recurso: apelação

CPC – duplo efeito

LOCAÇÃO – apenas efeito

devolutivo

5 – RESGATE DO AFORAMENTO

Conceito: aforamento ou enfiteuse é

direito real sobre coisa alheia.

É arrendamento perpétuo de terras

não cultivadas ou terrenos destinados à

edificação, mediante o pagamento de uma

pensão ou foro anual, certo ou invariável.

CC / 1916 arts. 678 a 694

CC / 2002 art. 2.038 proíbe a sua

constituição.

(17)

O proprietário atribui a outrem o domínio

útil do imóvel.

Proprietário: senhorio direto

Titular do domínio útil: enfiteuta ou foreiro

Resgate do aforamento

Após 10 anos da constituição da enfiteuse,

mediante o pagamento ao senhorio direto

de um laudêmio de 2,5% sobre o valor

atual da propriedade plena e de 10

pensões anuais, o foreiro poderá resgatar o

aforamento, isto é, liberar o terreno – CC /

1916 art. 693.

Caso o senhorio direto se recuse a receber

tal quantia em dinheiro, denominada

laudêmio, poderá o enfiteuta promover a

ação consignatória para resgatar o

aforamento

(18)

AÇÃO DE RESGATE DE AFORAMENTO

Seguirá o procedimento da consignatória

SENTENÇA SERVIRÁ DE TÍTULO

LIBERATÓRIO – Lei 6.015/73 – art. 250, I

Obras consultadas

GAGLIANO, Pablo Stolze. PAMPLONA FILHO, Rodolfo. Novo Curso de Direito Civil. Saraiva, São Paulo, 2002, vol. II

GONÇALVES, Marcus Vinícius Rios. Sinopses Jurídicas Procedimentos Especiais. São Paulo: Saraiva, 1999, v. 13.

Grande Dicionário Larousse Cultural da Língua Portuguesa, Nova Cultural, São Paulo, 1999.

GRECO FILHO, Vicente. Direito Processual Civil Brasileiro. 15ª ed., São Paulo: Saraiva, 2002, v. 3.

MARCATO, Antonio Carlos. Procedimentos Especiais. 7ª ed., São Paulo: Malheiros, 1995.

SANTOS, Ernane Fidélis dos. Manual de Direito Processual Civil. 9ª ed., São Paulo: Saraiva, 2003, v. 3.

SILVA, Ovídio A. Baptista da. Curso de Processo Civil. 3ª ed., São Paulo: Revista dos Tribunais, 2000, v. 3.

SILVA, De Plácido e. Vocabulário Jurídico. Forense, 1963, Rio de Janeiro, vol. I WAMBIER, Luiz Rodrigues. Curso Avançado de Processo Civil. 4ª ed., São Paulo: Revista dos Tribunais, 2002, v. 3.

LIVRO IV

DOS PROCEDIMENTOS ESPECIAIS TÍTULO I

DOS PROCEDIMENTOS ESPECIAIS DE JURISDIÇÃO CONTENCIOSA CAPÍTULO I

(19)

Art. 890. Nos casos previstos em lei, poderá o

devedor ou terceiro requerer, com efeito de

pagamento, a consignação da quantia ou da coisa

devida.

§ 1o Tratando-se de obrigação em dinheiro, poderá

o devedor ou terceiro optar pelo depósito da quantia

devida, em estabelecimento bancário, oficial onde

houver, situado no lugar do pagamento, em conta

com correção monetária, cientificando-se o credor

por carta com aviso de recepção, assinado o prazo

de 10 (dez) dias para a manifestação de recusa.

(Incluído pela Lei nº 8.951, de 13.12.1994)

§ 2o Decorrido o prazo referido no parágrafo

anterior, sem a manifestação de recusa,

reputar-se-á o devedor liberado da obrigação, ficando à

disposição do credor a quantia depositada. (Incluído

pela Lei nº 8.951, de 13.12.1994)

§ 3o Ocorrendo a recusa, manifestada por escrito

ao estabelecimento bancário, o devedor ou terceiro

poderá propor, dentro de 30 (trinta) dias, a ação de

consignação, instruindo a inicial com a prova do

depósito e da recusa. (Incluído pela Lei nº 8.951, de

13.12.1994)

§ 4o Não proposta a ação no prazo do parágrafo

anterior, ficará sem efeito o depósito, podendo

(20)

levantá-lo o depositante. (Incluído pela Lei nº 8.951,

de 13.12.1994)

Art. 891. Requerer-se-á a consignação no lugar do

pagamento, cessando para o devedor, tanto que se

efetue o depósito, os juros e os riscos, salvo se

for julgada improcedente.

Parágrafo único. Quando a coisa devida for corpo

que deva ser entregue no lugar em que está, poderá

o devedor requerer a consignação no foro em que

ela se encontra.

Art. 892. Tratando-se de prestações periódicas, uma

vez consignada a primeira, pode o devedor

continuar a consignar, no mesmo processo e sem

mais formalidades, as que se forem vencendo,

desde que os depósitos sejam efetuados até 5

(cinco) dias, contados da data do vencimento.

Art. 893. Na petição inicial o autor requererá a

citação do réu para em lugar, dia e hora

determinados, vir ou mandar receber a quantia ou a

coisa devida, sob pena de ser feito o respectivo

depósito.

Art. 893. O autor, na petição inicial, requererá:

(Redação dada pela Lei nº 8.951, de 13.12.1994)

(21)

I - o depósito da quantia ou da coisa devida, a ser

efetivado no prazo de 5 (cinco) dias contados do

deferimento, ressalvada a hipótese do § 3o do art.

890; (Incluído pela Lei nº 8.951, de 13.12.1994)

II - a citação do réu para levantar o depósito ou

oferecer resposta. (Incluído pela Lei nº 8.951, de

13.12.1994)

Art. 894. Se o objeto da prestação for coisa

indeterminada e a escolha couber ao credor, será

este citado para exercer o direito dentro de 5 (cinco)

dias, se outro prazo não constar de lei ou do

contrato, ou para aceitar que o devedor o faça,

devendo o juiz, ao despachar a petição inicial, fixar

lugar, dia e hora em que se fará a entrega, sob pena

de depósito.

Art. 895. Se ocorrer dúvida sobre quem deva

legitimamente receber o pagamento, o autor

requererá o depósito e a citação dos que o disputam

para provarem o seu direito.

Art. 896. A contestação será oferecida no prazo de

dez (10) dias, contados da data designada para o

recebimento, podendo o réu alegar que:

Art. 896. Na contestação, o réu poderá alegar que:

(Redação dada pela Lei nº 8.951, de 13.12.1994)

(22)

I - não houve recusa ou mora em receber a quantia

ou coisa devida;

II - foi justa a recusa;

III - o depósito não se efetuou no prazo ou no lugar

do pagamento;

IV - o depósito não é integral.

Parágrafo único. No caso do inciso IV, a alegação

será admissível se o réu indicar o montante que

entende devido. (Incluído pela Lei nº 8.951, de

13.12.1994)

Art. 897. Não sendo oferecida contestação dentro

do prazo, o juiz julgará procedente o pedido,

declarará extinta a obrigação e condenará o réu no

pagamento das custas e honorários advocatícios.

Art. 897. Não oferecida a contestação, e ocorrentes

os efeitos da revelia, o juiz julgará procedente o

pedido, declarará extinta a obrigação e condenará o

réu nas custas e honorários advocatícios. (Redação

dada pela Lei nº 8.951, de 13.12.1994)

Parágrafo único. Proceder-se-á do mesmo modo se

o credor receber e der quitação.

(23)

Art. 898. Quando a consignação se fundar em

dúvida sobre quem deva legitimamente receber, não

comparecendo nenhum pretendente, converter-se-á

o depósito em arrecadação de bens de ausentes;

comparecendo apenas um, o juiz decidirá de plano;

comparecendo mais de um, o juiz declarará

efetuado o depósito e extinta a obrigação,

continuando o processo a correr unicamente entre

os credores; caso em que se observará o

procedimento ordinário.

Art. 899. Quando na contestação o réu alegar que o

depósito não é integral, é lícito ao autor completá-lo,

dentro em 10 (dez) dias, salvo se corresponder a

prestação, cujo inadimplemento acarrete a rescisão

do contrato.

§ 1o Alegada a insuficiência do depósito, poderá o

réu levantar, desde logo, a quantia ou a coisa

depositada, com a conseqüente liberação parcial do

autor, prosseguindo o processo quanto à parcela

controvertida. (Incluído pela Lei nº 8.951, de

13.12.1994)

§ 2o A sentença que concluir pela insuficiência do

depósito determinará, sempre que possível, o

montante devido, e, neste caso, valerá como título

executivo, facultado ao credor promover-lhe a

(24)

execução nos mesmos autos. (Incluído pela Lei nº

8.951, de 13.12.1994)

Art. 900. Aplica-se o procedimento

estabelecido neste Capítulo, no que

couber, ao resgate do aforamento.

(Redação dada pela Lei nº 5.925, de

1º.10.1973)

CÓDIGO CIVIL

CAPÍTULO II

Do Pagamento em Consignação

Art. 334. Considera-se pagamento, e extingue a obrigação, o depósito judicial ou em estabelecimento bancário da coisa devida, nos casos e forma legais.

Art. 335. A consignação tem lugar:

I - se o credor não puder, ou, sem justa causa, recusar receber o pagamento, ou dar quitação na devida forma;

II - se o credor não for, nem mandar receber a coisa no lugar, tempo e condição devidos; III - se o credor for incapaz de receber, for desconhecido, declarado ausente, ou residir em lugar incerto ou de acesso perigoso ou difícil;

IV - se ocorrer dúvida sobre quem deva legitimamente receber o objeto do pagamento; V - se pender litígio sobre o objeto do pagamento.

Art. 336. Para que a consignação tenha força de pagamento, será mister concorram, em relação às pessoas, ao objeto, modo e tempo, todos os requisitos sem os quais não é válido o pagamento.

Art. 337. O depósito requerer-se-á no lugar do pagamento, cessando, tanto que se efetue, para o depositante, os juros da dívida e os riscos, salvo se for julgado improcedente.

Art. 338. Enquanto o credor não declarar que aceita o depósito, ou não o impugnar, poderá o devedor requerer o levantamento, pagando as respectivas despesas, e subsistindo a obrigação para todas as conseqüências de direito.

(25)

Art. 339. Julgado procedente o depósito, o devedor já não poderá levantá-lo, embora o credor consinta, senão de acordo com os outros devedores e fiadores.

Art. 340. O credor que, depois de contestar a lide ou aceitar o depósito, aquiescer no levantamento, perderá a preferência e a garantia que lhe competiam com respeito à coisa consignada, ficando para logo desobrigados os co-devedores e fiadores que não tenham anuído.

Art. 341. Se a coisa devida for imóvel ou corpo certo que deva ser entregue no mesmo lugar onde está, poderá o devedor citar o credor para vir ou mandar recebê-la, sob pena de ser depositada.

Art. 342. Se a escolha da coisa indeterminada competir ao credor, será ele citado para esse fim, sob cominação de perder o direito e de ser depositada a coisa que o devedor escolher; feita a escolha pelo devedor, proceder-se-á como no artigo antecedente.

Art. 343. As despesas com o depósito, quando julgado procedente, correrão à conta do credor, e, no caso contrário, à conta do devedor.

Art. 344. O devedor de obrigação litigiosa exonerar-se-á mediante consignação, mas, se pagar a qualquer dos pretendidos credores, tendo conhecimento do litígio, assumirá o risco do pagamento.

Art. 345. Se a dívida se vencer, pendendo litígio entre credores que se pretendem mutuamente excluir, poderá qualquer deles requerer a consignação.

BANCO CENTRAL RESOLUCAO 2.814 de 24 de janeiro de 2001

PROGRAMA NACIONAL DE DESBUROCRATIZAÇÃO - Dispõe sobre procedimentos a serem observados pelas instituições financeiras no acolhimento de depósitos de consignação em pagamento de que trata a Lei nº 8.951, de 1994. O BANCO CENTRAL DO BRASIL na forma do art. 9º da Lei nº4.595, de 31 de dezembro de 1964, torna público que o CONSELHO MONE-TÁRIO NACIONAL, em sessão realizada em 24 de janeiro de 2001, combase no art. 4º, incisos VIII e IX, da referida lei, e tendo em vistao disposto no art. 1º da Lei nº 8.951, de 13 de dezembro de 1994, quealterou o art. 890 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973,

R E S O L V E U:

Art. 1º Estabelecer que é obrigatório o acolhimento de depósitos de consignação em pagamento de que trata a Lei nº 8.951, de 13de dezembro de 1994, por parte de instituições financeiras públicas.

Parágrafo 1º Para os efeitos da Lei nº 8.951, de 1994, as instituições financeiras públicas definidas como estabelecimentos bancários oficiais são os

(26)

bancos múltiplos com carteira comercial e os bancos comerciais, federais e estaduais, e a Caixa Econômica Federal.

Parágrafo 2º Em se tratando de município desassistido de dependência das instituições referidas no parágrafo anterior, o acolhimento de depósitos de consignação em pagamento caberá aos bancos múltiplos com carteira comercial e bancos comerciais, privados, bem como às cooperativas de crédito que recebam depósitos à vista, no caso de a dívida relativa ao depósito em consignação envolver depositante e credor associados, instalados na localidade.

Parágrafo 3º Na hipótese de inexistência, na localidade onde é devido o pagamento da dívida, de instituição financeira autorizada a receber os depósitos de que trata esta Resolução, o acolhimento caberá às instituições localizadas em municípios próximos, observando-se as demais condições estabelecidas neste artigo.

Parágrafo 4º À instituição financeira é vedado o acolhimento de depósitos de consignação em pagamento relativos a obrigações em que ela mesma seja credora.

Art. 2º As instituições financeiras devem exigir do depositante, no ato de abertura da respectiva conta de depósitos de consignação em pagamento, e do credor, quando este efetuar a retirada dos depósitos, as informações cadastrais previstas na Resolução nº 2.025,de 24 de novembro de 1993, e regulamentação posterior.

Parágrafo 1º No caso de depósitos realizados por mandatário sou prepostos, a instituição financeira deve exigir a apresentação de procuração ou carta de preposição, além das identificações do representante e da pessoa representada, nos termos da regulamentação citada no caput.

Parágrafo 2º No caso de depósitos realizados por terceiros,interessados ou não, a instituição financeira deve realizar os procedimentos estabelecidos pela regulamentação citada no caput em relação ao depositante, cabendo a este último o fornecimento dos dados de identificação do devedor, bem como a responsabilidade pela veracidade desses dados.

Parágrafo 3º A conta de depósitos de consignação em pagamento somente pode acolher recursos com essa finalidade, devendo o depositante declarar, no termo de abertura da conta, o objeto da dívida a que se refere e o credor da mesma, identificando esse último mediante fornecimento, no mínimo, de nome completo, número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) e endereço para envio da notificação a que se refere o art. 4º.

Parágrafo 4º O acolhimento de sucessivos depósitos de consignação em pagamento, referentes a dívidas de prestações periódicas relativas a um mesmo contrato entre credor e devedor, pode ser realizado mediante um único procedimento de identificação das partes interessadas, devendo cada um dos referidos depósitos ser objeto de identificação clara da prestação a que se refere e de tratamento específico para os fins desta Resolução e dos correspondentes efeitos legais.

Art. 3º Acolhido o depósito de consignação em pagamento, este fica à exclusiva disposição:

I - do credor, caso não seja recebida, pela instituição financeira, a recusa formal referida no art. 4º, parágrafo único,inciso II, alínea "a";

II - do depositante, após recebida, pela instituição financeira, a recusa formal referida no inciso anterior;

III - do juízo competente, após proposta a ação de consignação em pagamento referida no art. 6º, prevista pela legislação em vigor.

(27)

Parágrafo único. As retiradas de depósitos de consignação em pagamento devem ser realizadas pelo valor integral, em espécie, cheque administrativo ou transferência para outra conta de depósitos, registrando-se a operação e o destino dos recursos no caso de transferência, no histórico da conta-origem, vedado o fornecimento de talonários de cheques.

Art. 4º A instituição financeira, quando do recebimento de depósitos de consignação em pagamento, deve expedir, dentro de dois dias úteis, a correspondente notificação ao credor, cujo aviso de recepção deve ser assinado pessoalmente pelo destinatário e conservado pela instituição para os fins previstos em lei.

Parágrafo único. A notificação a que se refere o caput deve ser efetuada em formulário apropriado, a ser confeccionado e fornecido pela instituição financeira, do qual constem, no mínimo:

I - identificação da finalidade da notificação, da pessoa do devedor e da dívida objeto do depósito;

II - informação em destaque, de que, nos termos do art. 890,Parágrafo 2º, da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, o devedor será considerado liberado da obrigação objeto da dívida indicada, na ocorrência de uma das seguintes hipóteses:

a) o credor não apresentar à instituição financeira depositária, no prazo de dez dias contados da data de recebimento da notificação, manifestação de recusa formal da totalidade do valor depositado, permanecendo referidos recursos, nesse caso, à sua disposição,para retirada a qualquer tempo;

b) o credor proceder à retirada dos recursos antes do término do prazo mencionado na alínea anterior;

III - espaço destinado à eventual manifestação de recusa por parte do credor, onde este poderá incluir as razões para tanto, que deve ser efetuada por escrito no próprio formulário;

IV - instruções para o envio da formalização de recusa à instituição financeira, por via postal ou entrega direta, respeitado o prazo mencionado no inciso II, alínea "a", com aviso de recebimento a ser autenticado e assinado por funcionário da instituição;

V - advertência de que o depósito refere-se ao valor total da dívida indicada, não se admitindo aceitação e conseqüente recebimento realizados com ressalvas;

VI - outras informações que esclareçam o credor quanto aos direitos, obrigações, procedimentos, providências a serem tomadas e respectivas conseqüências jurídicas e administrativas, conforme estabelecido na legislação e regulamentação em vigor, e advertência de que a assinatura do aviso de recebimento implica ciência das informações constantes da notificação.

Art. 5º Após o decurso do prazo legal estabelecido para a formalização de recusa por parte do credor, sem que a mesma tenha sido realizada, ou na hipótese de esse último vir a retirar o valor depositado, a instituição financeira deve fornecer declaração, a pedido do depositante, onde constem o objeto e a data da consignação, a data da juntada do aviso de recepção assinado pelo credor e a ausência de recusa formal desse último até a data da declaração, ou, na hipótese da retirada dos recursos por parte do credor, a data dessa retirada

Art. 6º Ocorrendo a formalização de recusa por parte do credor, a instituição financeira deve expedir notificação ao depositante, no prazo de um dia útil, com aviso de recepção, para que o mesmo possa, nos termos da lei, fazer uso da prerrogativa de proposição de ação de consignação em pagamento prevista na legislação em vigor.

Parágrafo único. Os depósitos de que trata esta Resolução passam a ser tratados pela instituição financeira como depósitos judiciais, uma vez proposta a ação

(28)

de consignação em pagamento referida no caput, cabendo ao depositante comprovar o fato perante a instituição depositária.

Art. 7º Os depósitos de consignação em pagamento devem ser atualizados, no mínimo, nas mesmas condições da remuneração básica dos depósitos de poupança, observando-se, após a eventual instauração da ação referida no art. 6º, a legislação em vigor referente aos depósitos judiciais.

Art. 8º É facultado à instituição financeira ressarcir-se, perante o depositante, de despesas de postagem, elaboração de documentos e outras incorridas na realização dos procedimentos determinados nos termos desta Resolução.

Parágrafo 1º A instituição financeira poderá cobrar tarifa relativa à manutenção de conta de depósitos, não superior à estabelecida para contas de depósitos à vista, debitando-a diretamente à conta que acolheu o depósito de consignação em pagamento e até o limite dos recursos nela existentes, decorridos, no mínimo, sessenta dias após o prazo referido no art. 4º, parágrafo único, inciso II, alínea"a", desde que não tenha sido proposta a ação de consignação em pagamento referida no art. 6º e de que os recursos não tenham sido retirados por quem de direito.

Parágrafo 2º Cabe à instituição financeira esclarecer às partes interessadas sobre as condições relativas à cobrança de ressarcimentos e tarifas tratadas neste artigo, conforme praticados pela instituição, exigindo ciência formal do devedor e do credor sobre o assunto.

Parágrafo 3º No caso de depósitos de consignação em pagamento referentes a dívidas de prestações periódicas relativas a um mesmo contrato entre credor e devedor, a instituição financeira somente poderá cobrar do titular dos recursos, observadas as condições estabelecidas neste artigo, uma única tarifa mensal referente a manutenção de conta de depósitos, independentemente do número de prestações depositadas e eventualmente não retiradas.

Parágrafo 4º Nos extratos mensais a serem enviados pela instituição financeira à pessoa habilitada a realizar a correspondente retirada, devem constar, quando for o caso, informação sobre o débito de tarifa periódica e recomendação de retirada dos recursos visando o encerramento da conta.

Art. 9º As instituições mencionadas no art. 1º terão prazo,até 2 de abril de 2001, para o atendimento do disposto nesta Resolução.

Art. 10. Fica o Banco Central do Brasil autorizado a baixaras normas e a adotar as medidas julgadas necessárias à execução do disposto nesta Resolução.

Art. 11. Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação. Brasília, 24 de janeiro de 2001

Arminio Fraga Neto Presidente

CPC PROJETADO

CAPÍTULO I

DA AÇÃO DE CONSIGNAÇÃO EM PAGAMENTO

Art. 524. Nos casos previstos em lei, poderá o devedor ou terceiro requerer, com

(29)

§ 1º Tratando-se de obrigação em dinheiro, poderá o devedor ou terceiro optar pelo

depósito da quantia devida em estabelecimento bancário, oficial onde houver,

situado no lugar do pagamento, em conta com correção monetária, cientificando-se

o credor por carta com aviso de recebimento, assinado o prazo de dez dias para a

manifestação de recusa.

§ 2º Decorrido o prazo do § 1º, contado do retorno do aviso de recebimento, sem a

manifestação de recusa, considerar-se-á o devedor liberado da obrigação, ficando à

disposição do credor a quantia depositada.

§ 3º Ocorrendo a recusa, manifestada por escrito ao estabelecimento bancário, o

devedor ou terceiro poderá propor, dentro de um mês, a ação de consignação,

instruindo a inicial com a prova do depósito e da recusa.

§ 4º Não proposta a ação no prazo do § 3º, ficará sem efeito o depósito, podendo

levantá-lo o depositante.

Art. 525. Requerer-se-á a consignação no lugar do pagamento, cessando para o

devedor, à data do depósito, os juros e os riscos, salvo se for julgada improcedente.

Art. 526. Tratando-se de prestações sucessivas, consignada uma delas, pode o

devedor continuar a consignar, no mesmo processo e sem mais formalidades, as

que se forem vencendo, desde que os depósitos sejam efetuados até cinco dias

contados da data do respectivo vencimento.

Art. 527. Na petição inicial, o autor requererá:

I - o depósito da quantia ou da coisa devida, a ser efetivado no prazo de cinco dias

contados do deferimento, ressalvada a hipótese do art. 524, § 3º;

II - a citação do réu para levantar o depósito ou oferecer contestação.

Art. 528. Se o objeto da prestação for coisa indeterminada e a escolha couber ao

credor, será este citado para exercer o direito dentro de cinco dias, se outro prazo

não constar de lei ou do contrato, ou para aceitar que o devedor o faça, devendo o

juiz, ao despachar a petição inicial, fixar lugar, dia e hora em que se fará a entrega,

sob pena de depósito.

Art. 529. Na contestação, o réu poderá alegar que:

I - não houve recusa ou mora em receber a quantia ou coisa devida;

II - foi justa a recusa;

III - o depósito não se efetuou no prazo ou no lugar do pagamento;

IV - o depósito não é integral.

(30)

Parágrafo único. No caso do inciso IV, a alegação somente será admissível se o

réu indicar o montante que entende devido.

Art. 530. Alegada a insuficiência do depósito, é lícito ao autor completá-lo, em

dez dias, salvo se corresponder a prestação cujo inadimplemento acarrete a

rescisão do contrato.

§ 1º No caso do caput, poderá o réu levantar, desde logo, a quantia ou a coisa

depositada, com a consequente liberação parcial do autor, prosseguindo o processo

quanto à parcela controvertida.

§ 2º A sentença que concluir pela insuficiência do depósito determinará, sempre

que possível, o montante devido e valerá como título executivo, facultado ao

credor promover-lhe o cumprimento nos mesmos autos, após liquidação, se

necessária.

Art. 531. Não oferecida a contestação e ocorrendo os efeitos da revelia, o juiz

julgará procedente o pedido, declarará extinta a obrigação e condenará o réu nas

custas e nos honorários advocatícios.

Parágrafo único. Proceder-se-á do mesmo modo se o credor receber e der

quitação.

Art. 532. Se ocorrer dúvida sobre quem deva legitimamente receber o pagamento,

o autor requererá o depósito e a citação dos possíveis titulares do crédito para

provarem o seu direito.

Art. 533. No caso do art. 513, não comparecendo pretendente algum,

converter-se-á o depósito em arrecadação de coisas vagas; comparecendo apenas um, o juiz

decidirá de plano; comparecendo mais de um, o juiz declarará efetuado o depósito

e extinta a obrigação, continuando o processo a correr unicamente entre os

presuntivos credores, observado o procedimento comum.

Art. 534. Aplica-se o procedimento estabelecido neste Capítulo, no que couber, ao

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