DOS PROCEDIMENTOS ESPECIAIS DE
JURISDIÇÃO CONTENCIOSA
DA AÇÃO DE CONSIGNAÇÃO EM
PAGAMENTO
CPC ARTS. 890/900
1 - INTRODUÇÃO
A PALAVRA CONSIGNAÇÃO
deriva do latim consignatio, de
consignare
significa:
registrar
mencionar por escrito
depositar determinada quantia
para pagamento de dívidas ou
despesas,
enviar ou entregar mercadorias a
alguém para as vender.
O PAGAMENTO POR
CONSIGNAÇÃO
constitui uma das formas de
extinção das obrigações
CC Art. 334. Considera-se pagamento, e
extingue a obrigação, o depósito judicial
ou em estabelecimento bancário da coisa
devida, nos casos e forma legais.
Código Civil
Art. 335. A consignação tem lugar:
I - se o credor não puder, ou, sem justa causa, recusar receber o
pagamento, ou dar quitação na devida forma;
II - se o credor não for, nem mandar receber a coisa no lugar,
tempo e condição devidos;
III - se o credor for incapaz de receber, for desconhecido,
declarado ausente, ou residir em lugar incerto ou de acesso
perigoso ou difícil;
IV - se ocorrer dúvida sobre quem deva legitimamente receber o
objeto do pagamento;
V - se pender litígio sobre o objeto do pagamento.
OBJETO DA CONSIGNAÇÃO EM
PAGAMENTO
obrigação em dinheiro
entrega de bens móveis
2 – AS FORMAS E ESPÉCIES DE
PROCEDIMENTOS DA CONSIGNAÇÃO
formas de efetuar a consignação em
pagamento: extrajudicial e judicial
quatro espécies de procedimentos:
uma extrajudicial
três judiciais
3 - PROCEDIMENTO EXTRAJUDICIAL
Art. 890, parágrafos 1º ao 4º, do
CPC
Legitimidade: o devedor ou terceiro
Objeto: obrigação em dinheiro
Depósito: valor principal e acréscimos,
em conta com atualização monetária
Ciência ao credor: por carta com aviso
de recebimento
Opções do credor: o credor, no prazo de
10 dias, poderá:
aceitar o depósito;
permanecer inerte;
recusar
por
escrito
ao
estabelecimento bancário.
§ 1o Tratando-se de obrigação em dinheiro, poderá
o devedor ou terceiro optar pelo depósito da quantia
devida, em estabelecimento bancário, oficial onde
houver, situado no lugar do pagamento, em conta
com correção monetária, cientificando-se o credor
por carta com aviso de recepção, assinado o prazo
de 10 (dez) dias para a manifestação de recusa.
(Incluído pela Lei nº 8.951, de 13.12.1994)
§ 2o Decorrido o prazo referido no parágrafo
anterior, sem a manifestação de recusa,
reputar-se-á o devedor liberado da obrigação, ficando à
disposição do credor a quantia depositada. (Incluído
pela Lei nº 8.951, de 13.12.1994)
§ 3o Ocorrendo a recusa, manifestada por escrito
ao estabelecimento bancário, o devedor ou terceiro
poderá propor, dentro de 30 (trinta) dias, a ação de
consignação, instruindo a inicial com a prova do
depósito e da recusa. (Incluído pela Lei nº 8.951, de
13.12.1994)
§ 4o Não proposta a ação no prazo do parágrafo
anterior, ficará sem efeito o depósito, podendo
levantá-lo o depositante. (Incluído pela Lei nº 8.951,
de 13.12.1994)
BANCO CENTRAL
RESOLUCAO 2.814
de 24 de janeiro de 2001
Art. 3º Acolhido o depósito de consignação em
pagamento, este fica à exclusiva disposição:
I - do credor, caso não seja recebida, pela instituição
financeira, a recusa formal referida no art. 4º, parágrafo único,
inciso II, alínea "a";
II - do depositante, após recebida, pela instituição
financeira, a recusa formal referida no inciso anterior;
III - do juízo competente, após proposta a ação de
consignação em pagamento referida no art. 6º, prevista pela
legislação em vigor.
4 – DA AÇÃO DE CONSIGNAÇÃO EM
PAGAMENTO
PROCEDIMENTOS JUDICIAIS:
Recusa ou obstáculo para
efetivação do pagamento;
dúvida sobre quem deva receber;
depósito dos alugueres – Lei
8.245/91.
LEGITIMIDADE
Ativa: devedor ou terceiro
Passiva: credor ou credores em
litisconsórcio
(ou seus herdeiros ou sucessores) CC art. 308
Consignatória fundada em dúvida:
todos aqueles que disputam o
COMPETÊNCIA
Foro do lugar do pagamento
CPC art. 891
CC art. 337
Foro do lugar da coisa imóvel ou corpo
certo que deva ser entregue no lugar em
que está
CPC art. 891 parágrafo único
CC art. 341
Locação: foro de eleição ou do lugar do
imóvel – art. 58, II, Lei 8.245/91
PRESTAÇÕES PERIÓDICAS
depósito das prestações que se forem
vencendo no mesmo processo.
Prazo para o depósito:
Locação: no vencimento.
CPC: até 5 dias após o vencimento.
Locação: até a sentença.
CPC: não estabelece termo final
.
PETIÇÃO INICIAL
Requisitos:
CPC arts. 282 e 893
LOCAÇÃO art. 67 - I
Prazo para o depósito:
Locação: 24 horas
CPC: 5 dias
Coisa indeterminada e escolha do
credor – art 894 CPC
Em caso de dúvida quem deva receber
– art. 895 CPC
OPÇÕES DO RÉU
no prazo de quinze dias
aceitar
o
depósito,
levantando-o
permanecer inerte
oferecer resposta:
contestação
reconvenção
exceções
impugnação ao valor da
causa
Nos dois primeiros casos - aceitação e
inércia:
RECONHECIMENTO JURÍDICO
DO PEDIDO E REVELIA
-
julgamento antecipado
-
procedência do pedido
-
declarada extinta a
obrigação
-
condenação do réu nas
verbas da sucumbência
-
na locação: honorários
de advogado de 20% do valor dos
depósitos
MATÉRIA DE DEFESA
CPC art. 896
Não houve recusa ou mora em
receber a quantia ou coisa
devida.
Foi justa a recusa.
O depósito não se efetuou no
prazo ou no lugar do pagamento.
O depósito não é integral. O réu
deverá indicar o montante que
entende devido.
DÚVIDA A QUEM PAGAR
CPC art. 898
Citados todos aqueles que postulam o
crédito,
três hipóteses se abrem:
1ª - Nenhum dos réus comparece
Julgamento antecipado
A sentença declarará extinta a obrigação
Efeito liberatório para o devedor
O depósito será convertido em
arrecadação de bens de ausentes (arts.
1.159/1.169 CPC)
O juiz decidirá de plano
Provado o direito do credor: deferimento
do levantamento
Não provado o direito: arrecadação de
bens de ausentes
Efeito liberatório para o devedor
3ª - Mais de um réu comparece
Sentença de procedência
Extinta a obrigação
Efeito liberatório para o devedor
Prossegue o processo apenas entre os
credores em procedimento ordinário
Na hipótese de impugnação, por parte
dos réus, do próprio depósito, não
complementado, serão mantidas as
mesmas partes, inclusive, portanto, o
autor.
CONTESTAÇÃO LASTREADA NA
INSUFICIÊNCIA DO DEPÓSITO
CONSIGNATÓRIO
o autor poderá complementar o valor
devido
excetuado o caso de inutilidade ou
impossibilidade da prestação a ensejar
rescisão do contrato
prazo para complementação:
CPC dez dias
LOCAÇÃO cinco dias com
acréscimo de 10% sobre o valor da
diferença
Prazo preclusivo e contado da data da
intimação a respeito da contestação
Levantamento da parte incontroversa
Acarreta a liberação parcial do autor
DA SENTENÇA
A sentença que reconhecer a
insuficiência do depósito determinará,
sempre que possível, o montante
devido, valendo como título executivo
judicial, a ser satisfeito nos próprios
autos da consignatória
Natureza jurídica da sentença:
declaratória de extinção da
obrigação
condenatória se determinar o
montante devido
Recurso: apelação
CPC – duplo efeito
LOCAÇÃO – apenas efeito
devolutivo
5 – RESGATE DO AFORAMENTO
Conceito: aforamento ou enfiteuse é
direito real sobre coisa alheia.
É arrendamento perpétuo de terras
não cultivadas ou terrenos destinados à
edificação, mediante o pagamento de uma
pensão ou foro anual, certo ou invariável.
CC / 1916 arts. 678 a 694
CC / 2002 art. 2.038 proíbe a sua
constituição.
O proprietário atribui a outrem o domínio
útil do imóvel.
Proprietário: senhorio direto
Titular do domínio útil: enfiteuta ou foreiro
Resgate do aforamento
Após 10 anos da constituição da enfiteuse,
mediante o pagamento ao senhorio direto
de um laudêmio de 2,5% sobre o valor
atual da propriedade plena e de 10
pensões anuais, o foreiro poderá resgatar o
aforamento, isto é, liberar o terreno – CC /
1916 art. 693.
Caso o senhorio direto se recuse a receber
tal quantia em dinheiro, denominada
laudêmio, poderá o enfiteuta promover a
ação consignatória para resgatar o
aforamento
AÇÃO DE RESGATE DE AFORAMENTO
Seguirá o procedimento da consignatória
SENTENÇA SERVIRÁ DE TÍTULO
LIBERATÓRIO – Lei 6.015/73 – art. 250, I
Obras consultadas
GAGLIANO, Pablo Stolze. PAMPLONA FILHO, Rodolfo. Novo Curso de Direito Civil. Saraiva, São Paulo, 2002, vol. II
GONÇALVES, Marcus Vinícius Rios. Sinopses Jurídicas Procedimentos Especiais. São Paulo: Saraiva, 1999, v. 13.
Grande Dicionário Larousse Cultural da Língua Portuguesa, Nova Cultural, São Paulo, 1999.
GRECO FILHO, Vicente. Direito Processual Civil Brasileiro. 15ª ed., São Paulo: Saraiva, 2002, v. 3.
MARCATO, Antonio Carlos. Procedimentos Especiais. 7ª ed., São Paulo: Malheiros, 1995.
SANTOS, Ernane Fidélis dos. Manual de Direito Processual Civil. 9ª ed., São Paulo: Saraiva, 2003, v. 3.
SILVA, Ovídio A. Baptista da. Curso de Processo Civil. 3ª ed., São Paulo: Revista dos Tribunais, 2000, v. 3.
SILVA, De Plácido e. Vocabulário Jurídico. Forense, 1963, Rio de Janeiro, vol. I WAMBIER, Luiz Rodrigues. Curso Avançado de Processo Civil. 4ª ed., São Paulo: Revista dos Tribunais, 2002, v. 3.
LIVRO IV
DOS PROCEDIMENTOS ESPECIAIS TÍTULO I
DOS PROCEDIMENTOS ESPECIAIS DE JURISDIÇÃO CONTENCIOSA CAPÍTULO I
Art. 890. Nos casos previstos em lei, poderá o
devedor ou terceiro requerer, com efeito de
pagamento, a consignação da quantia ou da coisa
devida.
§ 1o Tratando-se de obrigação em dinheiro, poderá
o devedor ou terceiro optar pelo depósito da quantia
devida, em estabelecimento bancário, oficial onde
houver, situado no lugar do pagamento, em conta
com correção monetária, cientificando-se o credor
por carta com aviso de recepção, assinado o prazo
de 10 (dez) dias para a manifestação de recusa.
(Incluído pela Lei nº 8.951, de 13.12.1994)
§ 2o Decorrido o prazo referido no parágrafo
anterior, sem a manifestação de recusa,
reputar-se-á o devedor liberado da obrigação, ficando à
disposição do credor a quantia depositada. (Incluído
pela Lei nº 8.951, de 13.12.1994)
§ 3o Ocorrendo a recusa, manifestada por escrito
ao estabelecimento bancário, o devedor ou terceiro
poderá propor, dentro de 30 (trinta) dias, a ação de
consignação, instruindo a inicial com a prova do
depósito e da recusa. (Incluído pela Lei nº 8.951, de
13.12.1994)
§ 4o Não proposta a ação no prazo do parágrafo
anterior, ficará sem efeito o depósito, podendo
levantá-lo o depositante. (Incluído pela Lei nº 8.951,
de 13.12.1994)
Art. 891. Requerer-se-á a consignação no lugar do
pagamento, cessando para o devedor, tanto que se
efetue o depósito, os juros e os riscos, salvo se
for julgada improcedente.
Parágrafo único. Quando a coisa devida for corpo
que deva ser entregue no lugar em que está, poderá
o devedor requerer a consignação no foro em que
ela se encontra.
Art. 892. Tratando-se de prestações periódicas, uma
vez consignada a primeira, pode o devedor
continuar a consignar, no mesmo processo e sem
mais formalidades, as que se forem vencendo,
desde que os depósitos sejam efetuados até 5
(cinco) dias, contados da data do vencimento.
Art. 893. Na petição inicial o autor requererá a
citação do réu para em lugar, dia e hora
determinados, vir ou mandar receber a quantia ou a
coisa devida, sob pena de ser feito o respectivo
depósito.
Art. 893. O autor, na petição inicial, requererá:
(Redação dada pela Lei nº 8.951, de 13.12.1994)
I - o depósito da quantia ou da coisa devida, a ser
efetivado no prazo de 5 (cinco) dias contados do
deferimento, ressalvada a hipótese do § 3o do art.
890; (Incluído pela Lei nº 8.951, de 13.12.1994)
II - a citação do réu para levantar o depósito ou
oferecer resposta. (Incluído pela Lei nº 8.951, de
13.12.1994)
Art. 894. Se o objeto da prestação for coisa
indeterminada e a escolha couber ao credor, será
este citado para exercer o direito dentro de 5 (cinco)
dias, se outro prazo não constar de lei ou do
contrato, ou para aceitar que o devedor o faça,
devendo o juiz, ao despachar a petição inicial, fixar
lugar, dia e hora em que se fará a entrega, sob pena
de depósito.
Art. 895. Se ocorrer dúvida sobre quem deva
legitimamente receber o pagamento, o autor
requererá o depósito e a citação dos que o disputam
para provarem o seu direito.
Art. 896. A contestação será oferecida no prazo de
dez (10) dias, contados da data designada para o
recebimento, podendo o réu alegar que:
Art. 896. Na contestação, o réu poderá alegar que:
(Redação dada pela Lei nº 8.951, de 13.12.1994)
I - não houve recusa ou mora em receber a quantia
ou coisa devida;
II - foi justa a recusa;
III - o depósito não se efetuou no prazo ou no lugar
do pagamento;
IV - o depósito não é integral.
Parágrafo único. No caso do inciso IV, a alegação
será admissível se o réu indicar o montante que
entende devido. (Incluído pela Lei nº 8.951, de
13.12.1994)
Art. 897. Não sendo oferecida contestação dentro
do prazo, o juiz julgará procedente o pedido,
declarará extinta a obrigação e condenará o réu no
pagamento das custas e honorários advocatícios.
Art. 897. Não oferecida a contestação, e ocorrentes
os efeitos da revelia, o juiz julgará procedente o
pedido, declarará extinta a obrigação e condenará o
réu nas custas e honorários advocatícios. (Redação
dada pela Lei nº 8.951, de 13.12.1994)
Parágrafo único. Proceder-se-á do mesmo modo se
o credor receber e der quitação.
Art. 898. Quando a consignação se fundar em
dúvida sobre quem deva legitimamente receber, não
comparecendo nenhum pretendente, converter-se-á
o depósito em arrecadação de bens de ausentes;
comparecendo apenas um, o juiz decidirá de plano;
comparecendo mais de um, o juiz declarará
efetuado o depósito e extinta a obrigação,
continuando o processo a correr unicamente entre
os credores; caso em que se observará o
procedimento ordinário.
Art. 899. Quando na contestação o réu alegar que o
depósito não é integral, é lícito ao autor completá-lo,
dentro em 10 (dez) dias, salvo se corresponder a
prestação, cujo inadimplemento acarrete a rescisão
do contrato.
§ 1o Alegada a insuficiência do depósito, poderá o
réu levantar, desde logo, a quantia ou a coisa
depositada, com a conseqüente liberação parcial do
autor, prosseguindo o processo quanto à parcela
controvertida. (Incluído pela Lei nº 8.951, de
13.12.1994)
§ 2o A sentença que concluir pela insuficiência do
depósito determinará, sempre que possível, o
montante devido, e, neste caso, valerá como título
executivo, facultado ao credor promover-lhe a
execução nos mesmos autos. (Incluído pela Lei nº
8.951, de 13.12.1994)
Art. 900. Aplica-se o procedimento
estabelecido neste Capítulo, no que
couber, ao resgate do aforamento.
(Redação dada pela Lei nº 5.925, de
1º.10.1973)
CÓDIGO CIVIL
CAPÍTULO II
Do Pagamento em Consignação
Art. 334. Considera-se pagamento, e extingue a obrigação, o depósito judicial ou em estabelecimento bancário da coisa devida, nos casos e forma legais.
Art. 335. A consignação tem lugar:
I - se o credor não puder, ou, sem justa causa, recusar receber o pagamento, ou dar quitação na devida forma;
II - se o credor não for, nem mandar receber a coisa no lugar, tempo e condição devidos; III - se o credor for incapaz de receber, for desconhecido, declarado ausente, ou residir em lugar incerto ou de acesso perigoso ou difícil;
IV - se ocorrer dúvida sobre quem deva legitimamente receber o objeto do pagamento; V - se pender litígio sobre o objeto do pagamento.
Art. 336. Para que a consignação tenha força de pagamento, será mister concorram, em relação às pessoas, ao objeto, modo e tempo, todos os requisitos sem os quais não é válido o pagamento.
Art. 337. O depósito requerer-se-á no lugar do pagamento, cessando, tanto que se efetue, para o depositante, os juros da dívida e os riscos, salvo se for julgado improcedente.
Art. 338. Enquanto o credor não declarar que aceita o depósito, ou não o impugnar, poderá o devedor requerer o levantamento, pagando as respectivas despesas, e subsistindo a obrigação para todas as conseqüências de direito.
Art. 339. Julgado procedente o depósito, o devedor já não poderá levantá-lo, embora o credor consinta, senão de acordo com os outros devedores e fiadores.
Art. 340. O credor que, depois de contestar a lide ou aceitar o depósito, aquiescer no levantamento, perderá a preferência e a garantia que lhe competiam com respeito à coisa consignada, ficando para logo desobrigados os co-devedores e fiadores que não tenham anuído.
Art. 341. Se a coisa devida for imóvel ou corpo certo que deva ser entregue no mesmo lugar onde está, poderá o devedor citar o credor para vir ou mandar recebê-la, sob pena de ser depositada.
Art. 342. Se a escolha da coisa indeterminada competir ao credor, será ele citado para esse fim, sob cominação de perder o direito e de ser depositada a coisa que o devedor escolher; feita a escolha pelo devedor, proceder-se-á como no artigo antecedente.
Art. 343. As despesas com o depósito, quando julgado procedente, correrão à conta do credor, e, no caso contrário, à conta do devedor.
Art. 344. O devedor de obrigação litigiosa exonerar-se-á mediante consignação, mas, se pagar a qualquer dos pretendidos credores, tendo conhecimento do litígio, assumirá o risco do pagamento.
Art. 345. Se a dívida se vencer, pendendo litígio entre credores que se pretendem mutuamente excluir, poderá qualquer deles requerer a consignação.
BANCO CENTRAL RESOLUCAO 2.814 de 24 de janeiro de 2001
PROGRAMA NACIONAL DE DESBUROCRATIZAÇÃO - Dispõe sobre procedimentos a serem observados pelas instituições financeiras no acolhimento de depósitos de consignação em pagamento de que trata a Lei nº 8.951, de 1994. O BANCO CENTRAL DO BRASIL na forma do art. 9º da Lei nº4.595, de 31 de dezembro de 1964, torna público que o CONSELHO MONE-TÁRIO NACIONAL, em sessão realizada em 24 de janeiro de 2001, combase no art. 4º, incisos VIII e IX, da referida lei, e tendo em vistao disposto no art. 1º da Lei nº 8.951, de 13 de dezembro de 1994, quealterou o art. 890 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973,
R E S O L V E U:
Art. 1º Estabelecer que é obrigatório o acolhimento de depósitos de consignação em pagamento de que trata a Lei nº 8.951, de 13de dezembro de 1994, por parte de instituições financeiras públicas.
Parágrafo 1º Para os efeitos da Lei nº 8.951, de 1994, as instituições financeiras públicas definidas como estabelecimentos bancários oficiais são os
bancos múltiplos com carteira comercial e os bancos comerciais, federais e estaduais, e a Caixa Econômica Federal.
Parágrafo 2º Em se tratando de município desassistido de dependência das instituições referidas no parágrafo anterior, o acolhimento de depósitos de consignação em pagamento caberá aos bancos múltiplos com carteira comercial e bancos comerciais, privados, bem como às cooperativas de crédito que recebam depósitos à vista, no caso de a dívida relativa ao depósito em consignação envolver depositante e credor associados, instalados na localidade.
Parágrafo 3º Na hipótese de inexistência, na localidade onde é devido o pagamento da dívida, de instituição financeira autorizada a receber os depósitos de que trata esta Resolução, o acolhimento caberá às instituições localizadas em municípios próximos, observando-se as demais condições estabelecidas neste artigo.
Parágrafo 4º À instituição financeira é vedado o acolhimento de depósitos de consignação em pagamento relativos a obrigações em que ela mesma seja credora.
Art. 2º As instituições financeiras devem exigir do depositante, no ato de abertura da respectiva conta de depósitos de consignação em pagamento, e do credor, quando este efetuar a retirada dos depósitos, as informações cadastrais previstas na Resolução nº 2.025,de 24 de novembro de 1993, e regulamentação posterior.
Parágrafo 1º No caso de depósitos realizados por mandatário sou prepostos, a instituição financeira deve exigir a apresentação de procuração ou carta de preposição, além das identificações do representante e da pessoa representada, nos termos da regulamentação citada no caput.
Parágrafo 2º No caso de depósitos realizados por terceiros,interessados ou não, a instituição financeira deve realizar os procedimentos estabelecidos pela regulamentação citada no caput em relação ao depositante, cabendo a este último o fornecimento dos dados de identificação do devedor, bem como a responsabilidade pela veracidade desses dados.
Parágrafo 3º A conta de depósitos de consignação em pagamento somente pode acolher recursos com essa finalidade, devendo o depositante declarar, no termo de abertura da conta, o objeto da dívida a que se refere e o credor da mesma, identificando esse último mediante fornecimento, no mínimo, de nome completo, número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) e endereço para envio da notificação a que se refere o art. 4º.
Parágrafo 4º O acolhimento de sucessivos depósitos de consignação em pagamento, referentes a dívidas de prestações periódicas relativas a um mesmo contrato entre credor e devedor, pode ser realizado mediante um único procedimento de identificação das partes interessadas, devendo cada um dos referidos depósitos ser objeto de identificação clara da prestação a que se refere e de tratamento específico para os fins desta Resolução e dos correspondentes efeitos legais.
Art. 3º Acolhido o depósito de consignação em pagamento, este fica à exclusiva disposição:
I - do credor, caso não seja recebida, pela instituição financeira, a recusa formal referida no art. 4º, parágrafo único,inciso II, alínea "a";
II - do depositante, após recebida, pela instituição financeira, a recusa formal referida no inciso anterior;
III - do juízo competente, após proposta a ação de consignação em pagamento referida no art. 6º, prevista pela legislação em vigor.
Parágrafo único. As retiradas de depósitos de consignação em pagamento devem ser realizadas pelo valor integral, em espécie, cheque administrativo ou transferência para outra conta de depósitos, registrando-se a operação e o destino dos recursos no caso de transferência, no histórico da conta-origem, vedado o fornecimento de talonários de cheques.
Art. 4º A instituição financeira, quando do recebimento de depósitos de consignação em pagamento, deve expedir, dentro de dois dias úteis, a correspondente notificação ao credor, cujo aviso de recepção deve ser assinado pessoalmente pelo destinatário e conservado pela instituição para os fins previstos em lei.
Parágrafo único. A notificação a que se refere o caput deve ser efetuada em formulário apropriado, a ser confeccionado e fornecido pela instituição financeira, do qual constem, no mínimo:
I - identificação da finalidade da notificação, da pessoa do devedor e da dívida objeto do depósito;
II - informação em destaque, de que, nos termos do art. 890,Parágrafo 2º, da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, o devedor será considerado liberado da obrigação objeto da dívida indicada, na ocorrência de uma das seguintes hipóteses:
a) o credor não apresentar à instituição financeira depositária, no prazo de dez dias contados da data de recebimento da notificação, manifestação de recusa formal da totalidade do valor depositado, permanecendo referidos recursos, nesse caso, à sua disposição,para retirada a qualquer tempo;
b) o credor proceder à retirada dos recursos antes do término do prazo mencionado na alínea anterior;
III - espaço destinado à eventual manifestação de recusa por parte do credor, onde este poderá incluir as razões para tanto, que deve ser efetuada por escrito no próprio formulário;
IV - instruções para o envio da formalização de recusa à instituição financeira, por via postal ou entrega direta, respeitado o prazo mencionado no inciso II, alínea "a", com aviso de recebimento a ser autenticado e assinado por funcionário da instituição;
V - advertência de que o depósito refere-se ao valor total da dívida indicada, não se admitindo aceitação e conseqüente recebimento realizados com ressalvas;
VI - outras informações que esclareçam o credor quanto aos direitos, obrigações, procedimentos, providências a serem tomadas e respectivas conseqüências jurídicas e administrativas, conforme estabelecido na legislação e regulamentação em vigor, e advertência de que a assinatura do aviso de recebimento implica ciência das informações constantes da notificação.
Art. 5º Após o decurso do prazo legal estabelecido para a formalização de recusa por parte do credor, sem que a mesma tenha sido realizada, ou na hipótese de esse último vir a retirar o valor depositado, a instituição financeira deve fornecer declaração, a pedido do depositante, onde constem o objeto e a data da consignação, a data da juntada do aviso de recepção assinado pelo credor e a ausência de recusa formal desse último até a data da declaração, ou, na hipótese da retirada dos recursos por parte do credor, a data dessa retirada
Art. 6º Ocorrendo a formalização de recusa por parte do credor, a instituição financeira deve expedir notificação ao depositante, no prazo de um dia útil, com aviso de recepção, para que o mesmo possa, nos termos da lei, fazer uso da prerrogativa de proposição de ação de consignação em pagamento prevista na legislação em vigor.
Parágrafo único. Os depósitos de que trata esta Resolução passam a ser tratados pela instituição financeira como depósitos judiciais, uma vez proposta a ação
de consignação em pagamento referida no caput, cabendo ao depositante comprovar o fato perante a instituição depositária.
Art. 7º Os depósitos de consignação em pagamento devem ser atualizados, no mínimo, nas mesmas condições da remuneração básica dos depósitos de poupança, observando-se, após a eventual instauração da ação referida no art. 6º, a legislação em vigor referente aos depósitos judiciais.
Art. 8º É facultado à instituição financeira ressarcir-se, perante o depositante, de despesas de postagem, elaboração de documentos e outras incorridas na realização dos procedimentos determinados nos termos desta Resolução.
Parágrafo 1º A instituição financeira poderá cobrar tarifa relativa à manutenção de conta de depósitos, não superior à estabelecida para contas de depósitos à vista, debitando-a diretamente à conta que acolheu o depósito de consignação em pagamento e até o limite dos recursos nela existentes, decorridos, no mínimo, sessenta dias após o prazo referido no art. 4º, parágrafo único, inciso II, alínea"a", desde que não tenha sido proposta a ação de consignação em pagamento referida no art. 6º e de que os recursos não tenham sido retirados por quem de direito.
Parágrafo 2º Cabe à instituição financeira esclarecer às partes interessadas sobre as condições relativas à cobrança de ressarcimentos e tarifas tratadas neste artigo, conforme praticados pela instituição, exigindo ciência formal do devedor e do credor sobre o assunto.
Parágrafo 3º No caso de depósitos de consignação em pagamento referentes a dívidas de prestações periódicas relativas a um mesmo contrato entre credor e devedor, a instituição financeira somente poderá cobrar do titular dos recursos, observadas as condições estabelecidas neste artigo, uma única tarifa mensal referente a manutenção de conta de depósitos, independentemente do número de prestações depositadas e eventualmente não retiradas.
Parágrafo 4º Nos extratos mensais a serem enviados pela instituição financeira à pessoa habilitada a realizar a correspondente retirada, devem constar, quando for o caso, informação sobre o débito de tarifa periódica e recomendação de retirada dos recursos visando o encerramento da conta.
Art. 9º As instituições mencionadas no art. 1º terão prazo,até 2 de abril de 2001, para o atendimento do disposto nesta Resolução.
Art. 10. Fica o Banco Central do Brasil autorizado a baixaras normas e a adotar as medidas julgadas necessárias à execução do disposto nesta Resolução.
Art. 11. Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação. Brasília, 24 de janeiro de 2001
Arminio Fraga Neto Presidente