Faculdade Salesiana Dom Bosco de Piracicaba Curso de Administração
DISCIPLINA: INTRODUÇÃO À EDUCAÇÃO FINANCEIRA PROF. ELISSON DE ANDRADE
TEXTO 2:
ETAPA DO CONHECIMENTO FINANCEIRO
Estrutura do texto
1 Introdução ... 1
2 Balanço Patrimonial e Fluxo de Caixa ... 1
3 Ativo bom e ativo ruim ... 1
4 Construindo o Balanço Patrimonial ... 1
5 Relação entre fluxo de caixa e balanço ... 1
1 Introdução
Do meu ponto de vista, todas as pessoas deveriam ter noções básicas sobre finanças pessoais. Notem que escrevi BÁSICAS, significando que o grau de aprofundamento não necessita ser tão grande para que os resultados sejam significativos. Até mais relevante do que dominar uma planilha no Excel, por exemplo, é entender alguns conceitos importantes. A clara compreensão desses conceitos diferencia uma pessoa que terá sucesso financeiro de outra que passará a vida inteira apenas trabalhando para pagar contas.
Na etapa do CONVENTIMENTO PESSOAL, o importante foi reconhecer que é possível mudar a situação financeira com força de vontade e conhecimento técnico. Foram feitas reflexões sobre riqueza, como o dinheiro é tratado na família, como as emoções podem atrapalhar as finanças, mas a principal lição é: como você se relaciona com o dinheiro? Ao olhar uma nota de R$50,00 vem a vontade de comprar uma roupa nova ou investi-lo para alcançar mais rapidamente seus objetivos?
Todavia, neste capítulo do CONHECIMENTO FINANCEIRO, a lição é aprender como a dinâmica do dinheiro funciona e quais são as regras básicas para acumulação de riqueza, essenciais para o planejamento rumo à independência financeira. Aqui não trataremos de convencimento por argumentações reflexivas e não há emoções envolvidas. As questões são puramente técnicas, mas de suma importância para uma boa educação financeira.
Primeiramente, trataremos de diferenciar Balanço Patrimonial e Fluxo de Caixa. Em seguida, será discutida a importância da compreensão do que é um Ativo Bom e um Ativo Ruim. E, por fim, o conceito de Renda Passiva será apresentado.
2 Balanço Patrimonial e Fluxo de Caixa
Como já mencionado na ETAPA DO CONVENCIMENTO PESSOAL, para que uma pessoa possa sair de uma situação financeira difícil, são necessárias duas coisas: mudança de comportamento e conhecimentos técnicos básicos de finanças. Espera-se que, chegando-se até aqui, a pessoa já esteja convencida da importância de se compreender como lidar de maneira mais correta com suas finanças pessoais. Neste momento, serão apresentados dois termos técnicos de grande importância para a compreensão da saúde financeira de qualquer indivíduo.
Balanço Patrimonial: numa conceituação bem pouco formal, mostra tudo o que você possui e tudo o que você deve, em uma determinada data. Numa linguagem mais técnica, mostra seus ativos (bens e direitos) e seus passivos (dívidas e obrigações a cumprir).
Para um melhor entendimento, segue um exemplo simples de balanço patrimonial. No dia 02/07 um casal levantou que seus principais bens são sua casa, seu carro e os móveis da casa. Somando-se o valor de cada um desses ativos, chegou-se a um valor aproximado de R$80.000,00. Pelo lado do passivo, as dívidas que ainda faltam ser pagas dão um valor total de R$10.000,00. A diferença entre esses dois valores resulta no que se chama de Patrimônio Líquido, num total de R$70.000,00 (diferença entre valor dos bens e valor das dívidas). Logo, o balanço mostra, numa certa data, tudo o que possui e o que deve, sendo que pelo valor do patrimônio líquido tem-se a noção de qual é a verdadeira riqueza do indivíduo, caso vendesse todos seus bens e pagasse todas as suas dívidas.
O segundo conceito importante é o de Fluxo de Caixa. Este mostra as entradas e saídas de dinheiro ao longo do tempo. Assim, o balanço é como uma fotografia, algo estático. Já o fluxo de caixa é dinâmico e mostra como está sua vida financeira ao longo do tempo. Algo como, nos últimos 30 dias: recebi R$2.000,00 de salário; gastei R$360,00 com alimentação; paguei R$345,00 de aluguel; as contas de água e luz somaram R$55,00; foram gastos R$130,00 com gasolina do carro; e por aí vai.
Para entender melhor tais conceitos, pense no exemplo de uma caixa d’água, como na figura abaixo. Ela está totalmente cheia. Aí, a pergunta que se faz é: essa família vai passar sede?
A resposta é: DEPENDE de como se dará o fluxo de água ao longo do tempo. Se constantemente sair mais água do que entra, vai faltar água no futuro. Fazendo a analogia com os conceitos financeiros, a foto da figura acima mostra o Balanço Patrimonial, ou seja, a quantidade de água num dado momento. O fluxo de caixa, que é uma variável dinâmica, seria uma análise do quanto está entrando de água e o quanto está saindo ao longo do tempo.
Assim, o Balanço é uma medida importante para se verificar a riqueza de um indivíduo (através do patrimônio líquido) numa certa data. Porém, o sucesso ou fracasso das suas finanças está diretamente relacionado ao conceito de Fluxo de Caixa, que verifica as saídas e entradas de dinheiro ao longo do tempo. Isso é simples, porém, muito importante. Se todo mês sair mais dinheiro do que entra, sua riqueza certamente irá diminuir ou, como no exemplo, sua caixa d’água vai secar.
É impressionante como o conceito de riqueza da maioria das pessoas está relacionada ao Balanço, sem se preocupar com Fluxo. O que isso quer dizer? Significa que se uma pessoa olha outra entrando numa imensa casa, com um carro importado e motorista particular, já é vista como rica. Entretanto, seria interessantíssimo saber se mesmo com todo esse luxo, essa pessoa consegue pagar todas as contas e ainda sobra dinheiro todo mês. Se a resposta for positiva, a pessoa está tendo luxo, mas vivendo dentro de seus limites. Mas se a resposta for negativa, essa riqueza é apenas momentânea, pois constantes fluxos de caixa negativos diminuem a riqueza com o tempo.
3 Ativo bom e ativo ruim
Compreendido os conceitos de Balanço Patrimonial e de Fluxo de Caixa, chega-se num dos pontos mais importantes de toda essa discussão. Do claro entendimento do que será exposto adiante, dependem todos os capítulos posteriores. Portanto, não avance se sobrar alguma dúvida.
Recordando, para a maioria das pessoas, o conceito de riqueza e sucesso financeiro limita-se a uma análise, apenas, do Balanço Patrimonial. Ao ver uma pessoa morando em uma grande mansão, com um carro importado, usando das melhores roupas e freqüentando
os melhores restaurantes, associamos esse estilo de vida a uma pessoa bem sucedida financeiramente. Chega-se a essa conclusão analisando o Balanço Patrimonial dessa pessoa (na verdade, estamos olhando apenas os ativos que ela possui). Porém, olhar somente para a parte do Balanço que corresponde à quantidade de ativos, pode levar a alguns equívocos, pois esse esbanjamento só se sustenta, ao longo do tempo, se continuar entrando mais dinheiro do que sai (Fluxo de Caixa Positivo).
Para exemplificar, imagine um executivo que ganha R$20.000,00 por mês, tem uma casa em um condomínio fechado, casa na praia, dois carros importados, filhos em escola particular, três empregados em seu domicílio, além de todos outros luxos como jóias, obras de arte, TVs, dois cachorros tratados como parte da família etc. Imagine ainda que todos esses bens foram comprados à vista, ou seja, não está precisando quitar dívida de nenhum desses luxos adquirido ao longo do tempo. Aos olhos de muitos e até dele mesmo, esse é um caso perfeito de sucesso financeiro. Porém, não é assim que se deve olhar para as finanças pessoais, pois não se está considerando aqui uma análise do seu fluxo de caixa. Mas vamos continuar.
O que se deve atentar é para o fato de que os ativos comprados ao longo do tempo só o fazem gastar cada vez mais. O nível de dinheiro que sai, todo mês, só faz aumentar a cada ativo que se compra. Rapidamente, vamos para a lista desses dispêndios: gastos com dois carros (IPVA, gasolina, manutenção, seguro), com a casa (IPTU, luz, água, telefone, empregados), casa de praia (IPTU, manutenção), cachorros (veterinário, vacina, ração, roupinhas, banho) e vamos parar por aí. O que se verifica é que os R$20.000,00 estão ficando insuficientes frente ao volume de gastos que esse executivo tem para sustentar todo esse luxo (isso porque nem quis citar gastos como viagens, escola dos filhos, roupas de grife e restaurantes).
Vamos um pouco mais longe. Imagine que essa pessoa venha a falecer, deixando a esposa e filhos, sem nenhum seguro de vida ou algo que o valha. Apenas um imenso patrimônio. A receita da família vai cair drasticamente, enquanto os gastos permanecerão os mesmos. Para que as coisas se sustentem, vão ter que vender muito do que compraram para diminuir os gastos e fazer um caixa para o futuro. Ou seja, o patrimônio obtido pelo executivo, ao longo da vida, não trouxe segurança para a família depois de sua morte.
E por que isso ocorreu? Qual o erro de estratégia desse bem sucedido executivo? Antes de responder à pergunta, é necessário entender que existem dois tipos de ativos: ATIVO BOM e ATIVO RUIM. Em um Balanço Patrimonial, ambos aparecem
como ATIVOS, sem distinção. Então o que diferencia um do outro? Resposta: suas influências no Fluxo de Caixa.
Um ativo bom, coloca dinheiro no seu bolso ao longo do tempo, enquanto um ativo ruim, tira. Como um primeiro exemplo, pense na diferença entre uma casa de praia para passar os finais de semana e uma casa que se coloque para alugar. Ambos imóveis são ativos. A diferença é que a casa de praia, todo mês, tira dinheiro do seu bolso (ativo ruim); enquanto a casa alugada, todo mês, coloca dinheiro no seu bolso (ativo bom). Agora analise os ativos do nosso amigo executivo e veja que ele só compra bens que trazem consigo dívidas (passivos). Quanto mais patrimônio tem, maiores seus gastos mensais no fluxo de caixa.
Assim, uma pessoa que deseja construir uma riqueza sólida ao longo do tempo, busca preencher seu balanço patrimonial de ATIVOS BONS, como uma casa alugada, negócio próprio, aplicação em renda fixa, sociedade em empresas etc. São coisas que lhe pertencem e que, ao longo do tempo, oferecem uma expectativa de deixá-lo com cada vez mais dinheiro. Digo expectativa porque todos investimentos possuem riscos.
Muitas pessoas sentem prazer em se encher de ativos ruins, e ficam pagando essas despesas por toda a vida. É o consumismo, o imediatismo e um viés emocional que nos faz jogar contra nós mesmos. O grande problema está em não compreendermos os conceitos de balanço e fluxo de caixa, de ativo bom e ruim. Boa parte da população dá muito valor apenas para Balanço e na quantidade de Ativos ruins que se tem (casa luxuosa, carros, roupas, aparelhos eletrônicos etc). Porém, não é assim que as coisas funcionam, para ser bem sucedido no longo prazo. Não importa a caixa d’água estar cheia somente neste momento, a intenção é que ao longo do tempo, sempre entre mais dinheiro do que sai. Como conseguir isso? Comprando muitos ativos bons. Entender esse aspecto é crucial para o sucesso financeiro.
Destas explicações tiramos algumas conclusões:
- nem todas as pessoas que julgamos ser bem sucedidas, realmente são, pois se estiverem gastando mais do que ganham, consistentemente, um dia a casa cai. Não há milagre
- não se está propondo que se deve apenas poupar, ficar rico e não aproveitar do dinheiro, mas fazer o dinheiro trabalhar para você. Os luxos devem ser pagos com os juros que seus ativos bons lhe dão de presente todo mês, não com o suor do seu trabalho e infindáveis horas extras, para pagar as contas de cartão de crédito
- como nunca sabemos quando passaremos dessa para melhor, um bom planejamento supõe que você não gastará todos seus ativos bons antes de morrer e não se terá a oportunidade de gastá-los; se existirem pessoas que dependem de você, são seus ativos bons que darão segurança às pessoas amadas; não dá pra descobrir o momento da morte, mas é interessante pensar que você tem grandes chances de viver bastante e, ficar sem dinheiro numa fase avançada da vida, é uma situação que devemos evitar ao máximo
- a distinção entre o que é ativo bom e ruim depende muito de cada situação. Um carro, a princípio, é um ativo ruim, pois só faz tirar dinheiro do seu bolso. Por outro lado, se o carro é seu instrumento de trabalho, poderá ser considerado como um ativo bom se, depois de excluídas todas as despesas, ainda colocar dinheiro no seu bolso. Mesma coisa para um microcomputador com Internet. Se for para diversão, é ativo ruim, pois apenas tira dinheiro do bolso; por outro lado, se usá-lo para o trabalho e isso colocar dinheiro no seu bolso, será um ativo bom, ou seja, um investimento
Compreendido o conceito de Balanço e Fluxo de Caixa, e também de ativos bons e ruins, precisamos agora saber como construir e interpretar o Balanço e o Fluxo de Caixa das SUAS FINANÇAS PESSOAIS. Qual seu patrimônio líquido hoje? E, principalmente, para onde está indo seu dinheiro? Só depois de feito esse diagnóstico, é que será possível entender porque do insucesso financeiro até então e, assim, tomar medidas para sanar o problema.
4 Construindo o Balanço Patrimonial
Fazer o Balanço Patrimonial, periodicamente, é uma medida interessante para verificar o modo que seu patrimônio líquido está se comportando ao longo do tempo. Esse exercício dará uma boa noção de como suas atitudes estão interferindo na sua riqueza.
O que se propõe nesta apostila é a elaboração de um Balanço Patrimonial extremamente simplificado, em que destacaremos apenas os ativos principais e, na coluna do passivo, apenas as obrigações advindas dos ativos (ou outros empréstimos de grande monta). O objetivo é criar uma maneira fácil de acompanhar seu patrimônio ao longo do
tempo e verificar a qualidade de seus ativos. Vamos dar um exemplo, pois ajuda a esclarecer o assunto.
Uma família começou a elaborar, num certo dia, seu balanço patrimonial simplificado. Veja o que foi levantado
- Casa própria financiada, no valor de R$40.000,00. Ainda se está na metade do financiamento
- Carro financiado no valor de R$15.000,00. Falta pagar ainda metade do valor
- TV financiada no cartão de crédito, no valor de R$1.000,00, mas que ainda não começou a ser paga
Relembrando que Ativos são os bens e direitos, e que Passivos são dívidas e obrigações, nosso Balanço Simplificado fica da seguinte maneira
ATIVO PASSIVO Casa própria ... R$40.000,00 Carro ... R$15.000,00 TV ... R$ 1.000,00 TOTAL ... R$ 56.000,00 Financiamento casa ... R$ 20.000,00 Financiamento carro ... R$7.500,00 Financiamento TV ... R$ 1.000,00 Patrimônio Líquido... R$ 27.500,00 TOTAL ... R$ 56.000,00
Um primeiro esclarecimento é que no campo do Passivo, estão discriminadas apenas as dívidas atreladas aos ativos possuídos. Um segundo ponto a ser exposto é que, por uma questão contábil, o total na coluna de ativos deve ser igual ao total da coluna de passivos. Para que isso seja possível, a diferença entre R$ 56.000,00 e R$ 28.500,00, que é igual a R$27.500,00, é denominada PATRIMÔNIO LÍQUIDO. Esta é uma medida de riqueza, mostrando o capital que uma pessoa possuiria se vendesse tudo o que tem e pagasse todas as dívidas.
Agora, vamos para considerações importantes:
- Note que nesse caso o patrimônio líquido é menos da metade do valor dos ativos; ou seja, não se tem nem a metade do todos acham que você possui, pois tudo é financiado
- Observe a coluna dos Ativos. Esses são ativos Bons ou Ruins? Lembre, ativo bom coloca dinheiro no bolso e ativo ruim tira. Logo, nota-se que essa pessoa está repleta de ativos ruins. Dessa forma, fica mais fácil entender a seguinte frase: ativo bom faz aumentar o próprio valor do Ativo ao longo do tempo, enquanto ativo ruim só tira dinheiro da conta e
diminui a receita líquida (isso vai impactar no fluxo de caixa). Aqui está um dos maiores segredos das finanças pessoais
- Outra característica comum em Ativos Ruins é a depreciação; quando se compra um carro ou uma TV, o seu valor cai muito ao longo do tempo, pois vai envelhecendo e tornando-se obsoleto; quanto maior o avanço tecnológico, maior a rapidez da depreciação (veja o caso de computadores, por exemplo); isso faz com que o valor de grande parte dos seus ativos ruins caiam ao longo do tempo, sendo que podem dar cada vez mais gastos devido às constantes manutenções que um produto antigo acaba necessitando. Conseqüência: muitos ativos ruins só fazem diminuir ativo ao longo do tempo (depreciação) e aumentar passivo (gastos com manutenção)
Seguindo ainda o exemplo exposto, imagine que essa pessoa faça o seguinte: venda o carro por R$15.000,00, quite a dívida da TV a vista (R$1.000,00), pague o financiamento correspondente à metade do valor do carro (R$7.500,00) e o restante coloque em um fundo de renda fixa (R$6.500,00). Note como ficará seu novo balanço patrimonial simplificado.
ATIVO PASSIVO Casa própria ... R$40.000,00 Renda fixa ... R$6.500,00 TV ... R$1.000,00 TOTAL ... R$ 47.500,00 Financiamento casa ... R$ 20.000,00 Patrimônio Líquido... R$ 27.500,00 TOTAL ... R$ 47.500,00
As conseqüências dessa simples alteração de ativos e passivos resultaram em:
- O patrimônio líquido (valor dos bens, menos valor das dívidas) permaneceu em R$27.500,00
- Todavia, diminuiu sua quantidade de passivos, ou seja, diminuiu suas dívidas
- Agora possui, dentro de seus ativos, um Ativo Bom. A aplicação em renda fixa só alimenta seus ativos. Ao longo do tempo, com o recebimento de juros dessa aplicação, a coluna de ativos vai aumentar cada vez mais, em vez de alimentar a coluna de passivos - A pessoa está andando a pé, mas por opção. O objetivo: aumentar sua exposição a ativos bons para que, depois de alguns anos, coloque o dinheiro para trabalhar para ela, mesmo que isso cause algum desconforto no presente. Lembre: a vida é feita de escolhas
Fazendo um balanço patrimonial periodicamente, vai ser possível monitorar se o patrimônio líquido está aumentando ao longo do tempo, e também a “qualidade” dos ativos adquiridos (bons ou ruins).
5 Relação entre fluxo de caixa e balanço
Tomemos o caso de uma pessoa que, ao final do mês, fechou com um saldo negativo de R$100,00. Isso, por exemplo, pode ser coberto entrando-se num cheque especial ou pagando o valor mínimo da fatura do cartão de crédito. Logo, se isso se tornou uma dívida, vai alimentar a coluna de passivos, diminuindo o valor do patrimônio líquido da pessoa. Se isso ocorrer por diversos meses, em algum momento vai ser necessário vender alguns ativos para cobrir essas dívidas. Logo, um fluxo de caixa constantemente negativo afeta a riqueza do indivíduo, dando reflexos no balanço.
Por outro lado, uma pessoa que tem sobras de caixa todo mês, pode investir essa sobra em ativos bons. Essa atitude, além de alimentar a coluna de ativos, faz com que a remuneração recebida pelo investimento feito aumente a riqueza do indivíduo. A fórmula é simples, porém tais atitudes podem não ser tão fáceis de colocar em prática (lembrem que aqui estamos tratando apenas de conhecimentos técnicos, deixando de lado o caráter emocional da situação).
Se tem fluxo de caixa negativo, isso é financiado por alguém, o que aumenta o passivo. Com fluxo positivo, compra-se mais ativo bom, aumentando cada vez mais ativo
6 Rendimento passivo
Saber conceituar em que ponto, exatamente, uma pessoa se torna rica, é um pouco complicado, cientificamente falando. O conceito de riqueza financeira pode depender muito de pessoa para pessoa, conforme seus anseios na vida, com relação à aquisição de bens e serviços. Mas alguns autores têm o seguinte argumento: uma pessoa se torna rica quando seu rendimento passivo é maior que seus gastos.
Vamos compreender isso? Entenda como rendimento ativo aquele que você precisa suar a camisa, como por exemplo, os ganhos advindos do seu salário. Por outro lado, rendimentos passivos podem ser: aluguel que se recebe por uma casa alugada, juros de
uma aplicação financeira, lucros recebidos por ser sócio de um negócio qualquer, e até direitos autorais de uma música ou um livro.
Todavia, apesar de um rendimento passivo não requerer esforços, dificilmente você o terá se não trabalhar duro para isso. Tirando pessoas que já nasceram abastadas, em que os pais já tinham aplicações que geravam renda, a maioria de nós tem que trabalhar bastante para conseguir aumentar a renda passiva. Isso significa guardar dinheiro, durante um bom tempo, em boas aplicações, para conseguir gerar mais riqueza.
Portanto, segundo a idéia apresentada, se o dinheiro que você ganha dos seus investimentos for maior que seus gastos, num dado mês, você é rico. Isso significa que para viver bem, não é mais necessário trabalhar duro. É um conceito de riqueza interessante, que acaba nos dando um norte do que buscar para o longo prazo.