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Agrotóxicos: manuseio e descarte de embalagens

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Academic year: 2021

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AGROTÓXICOS: MANUSEIO E DESCARTE DE EMBALAGENS

Tubarão 2019

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AGROTÓXICOS: MANUSEIO E DESCARTE DE EMBALAGENS

Trabalho de conclusão de curso apresentado ao Curso de Graduação em Química Licenciatura da Universidade do Sul de Santa Catarina como requisito parcial à obtenção do título de Licenciado em Química.

Prof. Gilson Rocha Reynaldo, Dr. (Orientador)

Tubarão 2019

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Gostaria de agradecer principalmente e incansavelmente a Deus, por me permitir chegar onde estou, como estou e cuidar para onde vou.

A universidade UNISUL, pela oportunidade de fazer parte da sua história.

Ao meu querido orientador Gilson por todo suporte, incentivo e auxilio para que este objetivo fosse alcançado, e sua força inesgotável para dizer que “tudo já deu certo”, assim como todos os outros professores que jamais esquecerei.

A minha mãe por nunca duvidar da minha capacidade e sempre comemorar comigo minhas vitórias ao longo desses anos, e por lutar ao meu lado em todas minhas batalhas.

As minhas amadas irmãs por depositarem em mim seus sonhos, por quererem um futuro melhor para mim, e por nunca deixarem que ninguém impedisse que eu alcançasse os meus. Vocês são minhas inspirações diárias.

Ao meu querido, amado, companheiro e namorado Diego, por me suportar em semanas de provas e principalmente nessa reta final, por nunca deixar que eu desistisse e por sempre acreditar em mim mesmo quando eu não o fazia.

As minhas amigas que a faculdade me proporcionou e que levarei eternamente comigo, vocês alegraram meus dias.

A minha amiga/irmã Karyna por além de sempre me apoiar, me aconselhar e ajudar, fez algo por mim que jamais agradecerei o suficiente, me reaproximou de Deus, o que mudou a minha vida para melhor.

A todos os que direta ou indiretamente fizerem parte da minha formação, o meu muito obrigada.

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RESUMO

O Brasil é um dos países que mais utiliza agrotóxicos, a partir deste fato vem a preocupação em relação ao manuseio dos mesmos e a forma como suas embalagens são descartadas. O presente trabalho buscou identificar o grau de conhecimento de estudantes e seus familiares a respeito do acondicionamento, manipulação e descarte das agrotóxicos em um município do interior do sul de Santa Catarina. A investigação foi realizada através de um estudo de abordagem qualitativa/indutiva, com procedimento do tipo estudo de caso fenomenológico sob nível exploratório. A coleta de dados foi realizada através de entrevistas e questionários semiestruturados aplicados a uma amostra selecionada intencionalmente além da observação direta da investigadora cuja função laboral reside em uma loja agropecuária (fornecedora varejista de defensivos agrícolas, entre outros). A partir da coleta e análise dos dados obtidos, realizou-se uma palestra baseada na instituição escolar (Educação Básica, Ensino Médio) para apresentação aos estudantes dos resultados obtidos. Verificou-se, com o estudo, a escassez e o desconhecimento da informação sobre o assunto para a população. Percebe-se também a ínfima relevância que é dada ao tema nas escolas, mesmo com a temática presente no contexto dos discentes e podendo ser abordado em diversas disciplinas, especialmente nas Ciências da Natureza. Observa-se a necessidade primordial da inserção destes conteúdos nas componentes curriculares da Educação Básica e o desenvolvimento de campanhas escolares, de Organizações Não Governamentais e de Organizações Governamentais, para que se consiga conscientizar a população, especialmente a do meio rural, para que tratem o descarte das embalagens de agrotóxicos utilizadas, com o máximo cuidado, observando as indicações legais para essa destinação.

Palavras-chave: Agrotóxicos; Embalagens de agrotóxicos; Descarte de embalagens de agrotóxicos.

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ABSTRACT

Brazil is one of the countries that most uses pesticides, from this fact comes the concern regarding their handling and the way their packaging is discarded. This study aimed to identify the knowledge of students and their families about the packaging, handling and disposal of pesticides in a municipality in the south of Santa Catarina. The investigation was carried out through a qualitative/inductive approach study, with phenomenological case study type procedure under exploratory level. Data collection was performed through interviews and semi-structured questionnaires applied to an intentionally selected sample in addition to direct observation by the researcher whose job function resides in an agricultural store (retailer of pesticides, among others). From the collection and analysis of the obtained data, a lecture based on the school institution (Basic Education, High School) was held for presentation to the students of the obtained results. The study verified the scarcity and lack of information about the subject for the population. It is also noted the slight relevance that is given to the theme in schools, even with the theme present in the context of students and can be approached in various subjects, especially in the Natural Sciences. There is a major need for the inclusion of these contents in the curriculum components of Basic Education and the development of school campaigns, non-governmental organizations and governmental organizations, so that the population, especially the rural ones, can be made aware of Dispose of used pesticide packaging with the utmost care, observing the legal indications for this destination.

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LISTA DE ILUSTRAÇÕ

Figura 1 - Estruturas químicas de agrotóxicos organoclorados...17

Figura 2 - Estruturas químicas de agrotóxicos organofosforados...18

Figura 3 - Estrutura dos piretróides...18

Figura 4 - Estrutura de alguns carbamatos...19

Figura 5: Palestra Aplicada aos estudantes...42

Figura 6: Palestra aplicada aos estudantes...43

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LISTA DE TABELASY

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LISTA DE GRÁFICOS

Gráfico 1: Utilização de agrotóxicos. (n=30)...31

Gráfico 2: Armazenamento na propriedade. (n=30)...31

Gráfico 3: KIT EPI. (n=30)...32

Gráfico 4: Utilização do KIT EPI . (n=15)...32

Gráfico 5: Cuidados na utilização. (n=30)...33

Gráfico 6: Agrotóxicos utilizados. (n=30)...34

Gráfico 7: Intoxicação. (n=30)...34

Gráfico 8: Interferência no meio ambiente. (n=30)...35

Gráfico 9: Contaminação dos lençóis freáticos. (n=30)...36

Gráfico 10: A forma da qual as embalagens vazias são guardadas. (n=30)...36

Gráfico 11: Descarte pelos alunos. (n=29)...37

Gráfico 12: Descarte. (n=14)...37

Gráfico 13: Informação sobre descarte. (n=15)...38

Gráfico 14: Perigo do descarte incorreto. (n=30)...39

Gráfico 15: Reutilização das embalagens para os alunos. (n=30)...39

Gráfico 16: Contaminação pluvial. (n=30)...40

Gráfico 17: Sala de aula. (n=30)...41

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SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO...13

1.1 JUSTIFICATIVA E PRO BLEMA...13

1.2 OBJETIVOS...14

1.2.1 Objetivo geral...14

1.2.1.1 Objetivos específicos...14

1.3 RELEVÂNCIA PARA O MEIO AMBIENTE, SOCIEDADE E CIÊNCIA...15

2 REVISÃO DE LITERATURA...16

2.1 AGROTÓXICOS...16

2.1.1 Conceitos históricos...16

2.1.2 Classificação dos agrotóxicos...17

2.1.2.1 Quanto a estrutura química...17

2.1.2.2 Quanto ao modo de ação...19

2.1.2.3 Quanto a toxicidade...20

2.1.2.4 Quanto aos organismos alvos...21

2.1.3 Principais agrotóxicos utilizados em São Martinho...21

2.1.3.1 Roundup/Glifosato...21

2.1.3.2 Tordon/Norton...22

2.2 IMPACTOS SOCIAIS E AMBIENTAIS...22

2.2.1 Contaminação de solos e da água...22

2.2.2 Efeitos a saúde humana...24

2.2.3 Utilização do kit de proteção individual (EPI)...25

2.2.4 Acondicionamento dos agrotóxicos na propriedade dos agricultores...25

2.2.4.1.1 Agrotóxicos liberados em 2019 pelo governo Jair Bolsonaro...26

3 METODOLOGIA DA PESQUISA...27

3.1 A INVESTIGAÇÃO...27

3.1.1 Instrumentos de coleta de dados...27

3.2 O PROCESSO...28

4 ANÁLISE DOS DADOS E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS...30

4.1 OS DADOS OBTIDOS...30

4.1.1 Categoria 1: Agrotóxicos/Manuseio de Embalagens...31

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4.1.3 Categoria 3: Educacional/Social...38

4.2 DEVOLUTIVA AOS ESTUDANTES...42

5 CONCLUSÃO...44

6 REFERÊNCIAS...45

7 REFERENCIAS DAS IMAGENS...48

8 APÊNDICES...49

APÊNDICE A – QUESTIONÁRIO APLICADO AOS ESTUDANTES...50

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1 INTRODUÇÃO

Com a crescente inclusão de novos agrotóxicos no comercio e com o aumento da utilização dos mesmos devido a demanda por alimentos, é necessário que a população esteja ciente dos cuidados a serem tomados.

A química está presente em todos os lugares e a todo momento e com a busca dos jovens pela agricultura no estado de Santa Catarina e em São Martinho é possível de forma contextualizada usar a disciplina de química como uma ferramenta de instruir futuros produtores rurais da melhor maneira possível.

Zappe (2011) destaca que “a preparação do indivíduo para o trabalho e o exercício da cidadania também são objetivos do Ensino Médio. O aluno deve ser visto como protagonista pois a participação é desenvolvida à medida que há uma identidade cultural dos alunos com as questões que a eles são colocadas em discussão. ” Visto isso percebe-se a importância de trabalhar temas como estes nas escolas.

A pesquisa buscou perceber como alunos e familiares veem a temática dos agrotóxicos bem como a importância que é dada por eles para o assunto.

1.1 JUSTIFICATIVA E PRO BLEMA

No mundo, hoje, existe uma grande preocupação quanto ao uso excessivo de agrotóxicos. Essa preocupação se dá, na maioria das vezes, pelo desrespeito que os usuários desses produtos têm para com as leis que regem a utilização dos mesmos.

Muitas vezes, por não existir uma intensiva fiscalização quanto a isso, muitos dos produtores rurais não respeitam o período de carência, que seria o intervalo necessário da aplicação de algum tipo de pesticida até o consumo do alimento, ou ainda não fazem a utilização do EPI e ainda pior, descartam incorretamente as embalagens residuais, tornando assim necessária a implantação de leis mais severas quanto ao uso de agrotóxicos dos mais variados tipos.

Na educação, o assunto agrotóxico, que faz parte da ementa do terceiro ano do ensino médio, é tratado superficialmente, quando ocorre, o que deveria ser revisto, principalmente nas escolas do interior, que possuem alunos que estão ou estarão diretamente

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ligados a agricultura. O Projeto Político Pedagógico (PPP) das escolas é um instrumento que pode permitir maior ênfase a este tema, de acordo com o interesse e a localização da instituição.

Tudo isso nos leva a pergunta: de que forma são acondicionadas/manuseadas no domicílio do adquirente e descartadas as embalagens de defensivos agrícolas no município de São Martinho, sul de Santa Catarina,em estudo realizado no ano de 2019.

Os resultados da investigação serão utilizados no estágio supervisionado de regência da educação básica, ensino médio, no terceiro ano da modalidade.

1.2 OBJETIVOS

1.2.1 Objetivo geral

Avaliar a forma como são acondicionadas no domicílio do adquirente e descartadas as embalagens de defensivos agrícolas no município de São Martinho visando proporcionar tanto aos consumidores quanto à população segurança na destinação e preservação do meio ambiente.

1.2.1.1 Objetivos específicos

a) Identificar os principais defensivos comercializados no município de São Martinho;

b) Descrever as consequências para o meio ambiente do descarte inadequado de embalagens de agrotóxicos;

c) Relatar a forma de acondicionamento/manuseio de embalagens de agrotóxicos no domicílio do consumidor;

d) Descrever a forma com que são descartadas as embalagens após utilização; e) Identificar o grau de conhecimentode pais e alunos sobre o assunto estudado; f) Analisar a interpretação dos alunos sobre a temática investigada;

g) Elaborar uma palestra, para abordagem do assunto em escola da Educação Básica, Ensino Médio.

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1.3 RELEVÂNCIA PARA O MEIO AMBIENTE, SOCIEDADE E CIÊNCIA

A profusão de novos produtos que surgem a cada dia na sociedade, aliada à ânsia por lucros cada vez maiores, o poder dos grandes cartéis produtores de defensivos agrícolas e o atual e inconsequente Governo Federal, que liberou para a comercialização, antes de completar um ano de mandato, mais de 200 novos agrotóxicos entre os quais cerca de 120 deles, de alta toxicidade e proibidos de utilização na maioria das nações do planeta, transforma o Brasil em uma “ameaça” flagrante à sustentabilidade ambiental.

Razões como as descritas creditam o estudo realizado em termos de relevância social e ambiental. Inobstante isso, os resultados poderão ser analisados por gestores e governantes sérios para, a partir daí, exercerem ações de correção em função da urgência requerida. É a Ciência à serviço da humanidade.

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2 REVISÃO DE LITERATURA

2.1 AGROTÓXICOS

2.1.1 Conceitos históricos

Desde a antiguidade agricultores vem desenvolvendo maneiras de lidar com as pragas que invadem as plantações, sejam elas plantas daninhas, insetos ou doenças que afetam sua produção.

Na metade do século XIX surgiram os primeiros estudos científicos a respeito do uso de compostos químicos com o intuito de controlar as pragas agrícolas, após o agravamento dos problemas com as pragas em decorrência ao desenvolvimento de novas práticas como a utilização de fertilizantes e maquinas para o plantio de sementes em larga escala. (BRAIBANTE; ZAPPE, 2012).

Anteriormente a estes estudos era comum o uso da nicotina como inseticida vegetal. As primeiras aplicações da nicotina como inseticida ocorreram no século XVII e depois mais, no século XIX é que se estabeleceu o uso das piretrinas como praguicida nas plantações. (PERES, 2000).

Em 1940 Paul Hermann Müller descobriu que o DDT (Dicloro-Difenil-Tricloroetano) poderia ser usado para combater epidemias. (FLORES, et al., 2004).

O DDT continuou sendo amplamente utilizado, porém, no início da década de 70, após alguns relatos de efeitos prejudiciais, começaram a suspeitar do poder residual do pesticida e de que ele poderia ser o responsável por uma série de efeitos danosos ao meio ambiente, aos animais e até mesmo para o homem. (LIMA A. et al., 2016).

O problema surgiu quando o DDT, por ser um organoclorado e ter grande estabilidade no ambiente e caráter acumulativo nos tecidos gordurosos, desenvolveu resistência e redução na eficácia, fazendo com que fossem necessárias dosagens cada vez maiores. Por este motivo fez-se necessário o desenvolvimento de outras fórmulas. (FLORES,

et al., 2004; SANTOS; DONNICI, 2006).

A instalação da indústria de agrotóxicos no Brasil está relacionada a evolução da agricultura do país no período de 1945 a 1975, que propagou a automatização e a utilização de

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insumos químicos e biológicos, como agrotóxicos, fertilizantes, e sementes na produção agrícola. (TERRA, 2008).

2.1.2 Classificação dos agrotóxicos

Um tópico relevante quanto aos agrotóxicos é sua classificação.

Algumas das informações mais importantes podem ser obtidas a partir das classificações dos agrotóxicos.

Os mesmos podem ser classificados de acordo com o grupo químico a que pertencem (organoclorados, organofosforados, piretróides e carbamatos), de acordo com seu modo de ação (Contato, Ingestão e Sistêmico), de acordo com sua toxicidade para humanos e ainda de acordo com os organismos alvo (herbicidas, inseticidas, fungicidas, desfolhantes entre outros) e todas essas classificações serão abordadas a seguir.

2.1.2.1 Quanto a estrutura química

Organoclorados: São compostos orgânicos com propriedades físico-química estáveis o que os torna persistentes no meio ambiente, além de não serem voláteis a temperatura ambiente, são também solúveis em gorduras e com tendência bioacumulativa. Em diversos países seu uso já foi restrito ou proibido. Um dos organoclorados mais conhecido é o DDT (Dicloro-Difenil-Tricloroetano). (SAVOY, 2011).

A figura a seguir representa a estrutura de alguns organoclorados. Figura 1 - Estruturas químicas de agrotóxicos organoclorados

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Como é possível observar na imagem, esse tipo de substância possui em sua cadeia o elemento cloro.

Organofosforados: São agrotóxicos que apresentam átomos de carbono e fosforo em sua estrutura, são derivados orgânicos do ácido fosfórico e tiofosfórico ou ditofosfórico. Utilizados como inseticidas, são na maioria das vezes altamente tóxicos. São utilizados com frequência por apresentarem fácil degradação. Afetam drasticamente a saúde podendo causar convulsões, paradas respiratórias e como. (SANCHES, 2003).

Na imagem a seguir é possível observar alguns exemplos de moléculas de organofosforados.

Figura 2 - Estruturas químicas de agrotóxicos organofosforados

Fonte: Santos et al., 2006, p. 164.

Diferente dos organoclorados, estes possuem em sua estrutura o elemento fósforo como é possível observar nas imagens.

Piretróides: Surgiram como alternativa aos agrotóxicos de maior potencial tóxico, e são, atualmente, os inseticidas mais utilizados. Por não apresentarem alta toxicidade aguda em mamíferos, incluindo o homem, também por não se acumularem nos tecidos gordurosos e por possuírem baixo impacto ambiental, por sua alta eficiência contra um largo espectro de insetos com a necessidade de uma pequena dosagem para seu efetivo funcionamento, os piretróides são hoje, utilizados como domissanitários. (SANTOS, et al., 2007).

Na Figura 3, são apresentadas estruturas químicas de agrotóxicos piretróides. Figura 3 - Estrutura dos piretróides

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Fonte: Educação.globo.com, 2019.

Nesta imagem é possível observar várias funções orgânicas, como por exemplo os álcoois.

Carbamatos: Assim como os organofosforados, os carbamatos inibem enzimas chamadas colinesterases, afetando neurotransmissores. Podem ser absorvidos por via oral, respiratória e cutânea. Estes compostos são responsáveis pelo maior número de intoxicações rurais. Também se depositam na gordura dos animais, ocasionando grande presença de resíduos nos alimentos como carnes e leite. (NERO, et al., 2007).

Na Figura 4, são apresentadas estruturas químicas de agrotóxicos carbamatos. Figura 4 - Estrutura de alguns carbamatos.

Fonte: Lima, et al. 2016 p. 16.

Nestas estruturas é possível observar a predominância do carbono.

2.1.2.2 Quanto ao modo de ação

Se faz necessária também a classificação de acordo com o modo de ação que o pesticida exerce sobre o organismo alvo, seja ele uma planta ou mesmo um inseto.

Os agrotóxicos são classificados segundo a forma de ação: de contato, quando o organismo alvo é atingido diretamente pelo mesmo; de ingestão, quando o

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agrotóxico atua após ser ingerido; ou sistêmico, quando o agrotóxico é absorvido por uma parte da planta e transportado para todos os tecidos vasculares, exercendo uma ação fitotóxica no vegetal indesejado ou agindo contra insetos quando estes se alimentam da seiva que contem quantidade suficiente de agrotóxico para uma ação tóxica. (MARASCHIN, 2003 p. 34).

Quando um agrotóxico é caracterizado por ser de contato, significa que ele só irá agir aonde ele tiver contato com a planta daninha ou com o inseto, o mesmo não será absorvido, permanecendo assim sobre a superfície e normalmente é eliminado através de lavagens, como no caso das frutas por exemplo. Os de ingestão são normalmente os inseticidas, como formicidas e mosquicidas por exemplo, que podem ficar mais tempo no local até serem ingeridos. Os sistêmicos por outro lado, são absorvidos pelos poros das plantas o que não permite que a lavagem os elimine sendo assim o mais prejudicial à saúde.

2.1.2.3 Quanto a toxicidade

A Anvisa é o órgão responsável pela classificação toxicológica dos agrotóxicos, isto é, compete a Anvisa analisar os efeitos de determinado agrotóxico para o homem e para o ambiente e os “catalogar”. (GOMES, 2015).

A classificação de acordo com a periculosidade para o ambiente é feita a partir de classes que vão de I a IV sendo a classe I a de produtos altamente perigoso e a classe IV à de produtos pouco perigosos para o ambiente. (PERES; MOREIRA; DUBOIS, 2003).

A partir de estudos realizados em laboratório para determinar a dosagem letal (DL), isto é, a dosagem necessária de certa substancia que seja letal para 50% dos animais utilizados para o experimento, é possível determinar a classe toxicológica para humanos.

Existe a necessidade de classificação dos defensivos agrícolas para que os consumidores possam estabelecer seus parâmetros de consumo. Gomes (2015, p. 43), nos diz que “os agrotóxicos são classificados pela sua toxicidade. A Anvisa, órgão de controle do Ministério da Saúde, divide o grau de toxicidade em quatro classes toxicológicas. Cada classe é representada por uma cor no rótulo e na bula do produto. ”

A tabela a seguir representa as classes toxicológicas para o homem e para o ambiente.

Tabela 1 - Classificação dos pesticidas de acordo com a toxicidade

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no rótulo da embalagem

Classe I Extremamente Tóxica Vermelha

Classe II Altamente Tóxica Amarela

Classe III Mediamente Tóxica Azul

Classe IV Pouco Tóxica Verde

Fonte: da autora, adaptado de EMBRAPA, 2019.

A classe deve estar bem visível nas embalagens dos agrotóxicos para que todos saibam com qual tipo de agrotóxico estão trabalhando, porém existe a grande falta de conhecimento da população para com todas as classes.

2.1.2.4 Quanto aos organismos alvos

Os agrotóxicos podem ser classificados, de acordo com a praga a que se destinam sendo alguns deles:

Inseticidas destinados ao controle de insetos em geral, larvicidas contra as larvas de insetos, formicidas para o controle das formigas, acaricidas contra os ácaros de plantas carrapaticidas contra carrapatos de animais, fungicidas usados no controle de fungos, herbicidas contra ervas daninhas e outros vegetais indesejáveis, mesmo do porte de arbustos ou árvores. Por extensão, incluem-se também na definição de agrotóxicos os agentes desfolhantes como por exemplo o 2, 4-D e 2, 4, 5-T, os antibrotantes por exemplo hidrazida malêica, (que tem como impureza a hidrazina, que é um produto cancerígeno) e os dessecantes como o paraquat. (ALMEIDA et al., 1985).

2.1.3 Principais agrotóxicos utilizados em São Martinho

De acordo com os resultados obtidos pelo questionário aplicado com os estudantes e seus familiares, é possível identificar que os agrotóxicos mais utilizados no município são o Roundup/Glifosato e o Tordon/Norton.

2.1.3.1 Roundup/Glifosato

O herbicida sistêmico, de nome comercial Roundup a base de glifosato é amplamente utilizado em setores agrícolas e não agrícolas, afim de eliminar plantas daninhas.

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Fabricados pela Monsanto esses produtos podem ser altamente tóxicos para humanos e animais, além de serem altamente persistentes. O glifosato age inibindo a sintetização de enzimas essenciais para as plantas. (COX, 1998).

O princípio ativo glifosato, presente no Roundup é alvo de estudos da Organização Mundial da saúde (OMS), juntamente com a Agência Internacional de Pesquisa Sobre Câncer (IARC) onde o mesmo é associado ao surgimento de câncer e de outras doenças genética, como o autismo. Mesmos sendo relacionado a vários casos de intoxicação e de doenças, o glifosato foi o ingrediente mais vendido em 2013. (ROSSI, 2015).

Como já mencionado anteriormente, o órgão responsável pela avaliação da toxicidade dos agrotóxicos é a ANVISA.

Normalmente não se faz necessária a reavaliação toxicológica de um produto depois de uma vez estabelecida. Porém, devido a suspeitas de efeitos à saúde, à sua larga utilização no Brasil a ANVISA decidiu reavaliar a toxicidade do princípio ativo glifosato e seus sais. Como descrito em sua nota técnica, o Roundup e outros produtos à base de glifosato devem ser enquadrados na classe I - Extremamente tóxico. (ANVISA, 2018).

2.1.3.2 Tordon/Norton

Tordon e Norton são herbicidas que levam em sua formulação dois princípios ativos, o 2,4-D e o picloram, pertencendo a classe dos organoclorado, é um agente desfolhante comumente utilizado na agricultura. (GIACOMITTI, 1995).

O Tordon atua sobre enzimas da cadeia respiratória, fornecendo assim, riscos à saúde de animais e humanos, além de estudos com ratos e camundongos demonstrarem seu índice carcinogênico, bem como a incidência de má formação fetal. (id ibid.).

De acordo com a ANVISA (2017) produtos à base de picloram e 2,4-D se enquadram na classe toxicológica I – Produtos extremamente tóxicos e deve-se evitar o esterco dos animais que consomem a pastagem pulverizada com o mesmo como adubo por até 4 (quatro) anos.

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2.2 IMPACTOS SOCIAIS E AMBIENTAIS

2.2.1 Contaminação de solos e da água

Os agrotóxicos têm sido alvo de muitos estudos pelos danos que provocam à saúde humana, mas também pelos danos ao meio ambiente, como por exemplo, o surgimento de resistência nos organismos alvos. (SILVA, et al., 2005).

Existem várias denominações usuais para os agrotóxicos, como por exemplo, defensivos agrícolas; pesticidas; agroquímicos, porém estas denominações não passam o real efeito que estes produtos podem estar tendo na saúde e principalmente no ambiente, essas nomenclaturas reforçam o caráter positivos e “camuflam” a realidade, por isso o termo mais adequado a ser usado é agrotóxico. (PERES, et al., 2003).

Um dos principais e mais indesejados impactos ambientais que os agrotóxicos oferecem é a contaminação das águas superficiais e subterrâneas, pois através das mesmas não só a população que reside próximo as áreas agrícolas que fazem a utilização dos agrotóxicos estão sujeitas a exposição aos agrotóxicos, mas todas as pessoas que são abastecidas por aquela água, bem como toda a vida aquática e que podem mais tarde, servir como alimento. (LOPES, et al., 2018).

Outro fator que se deve levar em consideração é o fator de volatização, muitos agrotóxicos possuem temperatura de volatização baixa, e no ar essas substancias podem ser levadas por quilômetros, afetando zonas distantes a sua área de aplicação. (SANCHES, et al., 2003).

A dispersão dos agrotóxicos no meio ambiente, de qualquer maneira, inclusive pela lixiviação, pode vir a causar um desequilíbrio ecológico na interação das espécies. Existem inúmeros relatos a respeito de animais e humanos afetados por ingerirem plantas e/ou alimentos contaminados pela presença de agrotóxicos, além da interferência que estas substancias podem causar em comunidades e ecossistemas próximos as áreas onde estes produtos são utilizados. (PERES, et al., 2003).

Muitos agrotóxicos são extremamente estáveis no meio ambiente persistindo longo tempo no meio, além de serem resistentes a hidrólise, porém podem sofrer reações fotoquímicas, formando derivados similares em relação a toxicidade ou até mais tóxicos do que os compostos originais. (SANCHES, et al., 2003).

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Um dos fatores que podem causar danos ao meio ambiente, isto inclui fauna, flora e humanos, é o descarte incorreto das embalagens de agrotóxicos, tendo em vista a quantidade de resíduo que permanece nas embalagens.

Segundo estudos realizados por (PEROSSO; VICENTE, 2007), de 100 milhões de litros vendidos, 300 mil permanecem nas embalagens, fornecendo assim riscos as pessoas que manipulam estas embalagens, como também ao meio ambiente, porém esse valor cairia significativamente com a prática da tríplice lavagem e o descarte correto das embalagens.

Para se realizar a tríplice lavagem é necessário seguir os seguintes passos (INPEV, 2013, [s. p.]):

a) esvaziar completamente a embalagem; b) Colocar água limpa na embalagem até ¼ do seu volume (25%); c) Tampar bem a embalagem e agitar vigorosamente em todos os sentidos o recipiente, por cerca de 30 segundos; d) Despejar a água de enxágue no tanque de equipamento de aplicação, para que essa água possa ser reutilizada nas áreas recém-tratadas, a embalagem deve ficar por cerca de 30 segundos sobre a abertura do tanque, para que todo conteúdo escorra; e) Repetir esse procedimento por mais duas vezes; f) Para deixar a embalagem inutilizada perfure o fundo com objeto pontiagudo.

Ainda segundo o INPEV (2013), para que a lavagem ocorra de forma correta, devem-se seguir algumas recomendações:

a) A lavagem deve ser feita logo após o esvaziamento da embalagem, para evitar que o produto resseque e fique aderido ao recipiente; b) utilizar água limpa para realizar a lavagem das embalagens; c) O procedimento de lavagem não se aplica às embalagens flexíveis; d) Usar sempre os equipamentos de proteção individual (Elis) quando for fazer a lavagem dos recipientes; e) Ter cuidado ao perfurar o fundo das embalagens para não danificar o rótulo, facilitando assim sua identificação.

Após a realização de todos estes passos deve-se encaminhar a embalagem a um ponto de coleta, como os postos de venda de agrotóxicos, tal informação deve estar contida nas notas fiscais emitidas pelos comerciantes.

2.2.2 Efeitos a saúde humana

Utilizados em grande escala por vários setores produtivos, principalmente pelo agropecuário os agrotóxicos são um importante fator de risco para a saúde humana. (SILVA,

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Um dos efeitos indesejáveis dos agrotóxicos é a contaminação de espécies não-alvo, isto é, as espécies que não atrapalham a produção, nestas espécies se inclui o homem. Os efeitos dos agrotóxicos sobre a saúde humana podem ser de dois tipos, sendo eles: efeito agudo e efeito crônico. (PERES, et al., 2003).

É importante ressaltar a relação dos agrotóxicos com diversos tipos de câncer.

Sabe-se, também, que a exposição aos agrotóxicos pode causar alterações celulares e, consequentemente, pode estar associada a alguns tipos de câncer, como neoplasia no cérebro, linfoma não-Hodgkin, melanoma cutâneo, câncer no sistema digestivo, sistemas genitais masculino e feminino, sistema urinário, sistema respiratório, câncer de mama e câncer de esôfago. (LOPES; ALBUQUERQUE, 2018 p. 524).

É visível os benefícios que os agrotóxicos nos trouxeram, como maior produtividade alimentícia e o controle de diversas pragas, porém não se pode esquecer das doenças que estes produtos podem nos trazer com a frequente exposição como descrito.

2.2.3 Utilização do kit de proteção individual (EPI)

Como descrito anteriormente os agrotóxicos podem nos trazer muitos malefícios e por isso é necessário adotarmos medidas preventivas como a utilização dos EPI’s, estes por sua vez tem o objetivo de minimizar intoxicações que o contato direto com os agrotóxicos podem causar.

Um EPI agrícola é composto basicamente pelos seguintes itens: bota de borracha; calça (75% impermeável; 25% permeável); camisa de algodão; camisa de manga longa; avental impermeável; boné de tecido com protetores para o pescoço e viseira de material plástico transparente; e luvas impermeáveis. (VEIGA; ALMEIDA; DUARTE, 2016 p. 86).

Mesmo sendo de suma importância os equipamentos de proteção individual raramente são utilizados.

Segundo Soares et al, 2005, os principais motivos para que os trabalhadores rurais não utilizem o KIT EPI são, o desconforto, a dificuldade na locomoção, e o calor excessivo, sendo que a não utilização aumenta em 535% as chances de intoxicação.

Um cuidado muito importante que se deve ter na utilização do kit EPI é na hora de sua lavagem. Lavar o kit no tanque de uso doméstico aumenta drasticamente o risco de alguma intoxicação. (SOARES, et al., 2005).

(26)

2.2.4 Acondicionamento dos agrotóxicos na propriedade dos agricultores

O deposito de agrotóxicos deve ser construído de alvenaria e em um local livre de inundações, preferencialmente em ponto alto do terreno para que não haja acumulo de agua das chuvas, além de ser obrigatoriamente afastado de alimentos, medicamentos ou instalações para animais. O código federal Brasileiro (Lei nº 12.651/2012), determina a distância dos depósitos de agrotóxicos dos cursos naturais d’água, como rios, riachos nascentes e lagos. Além do local ser ventilado e iluminado ele também deve ser exclusivo para agrotóxicos e produtos afins. O mesmo vale para as embalagens vazias. (EMBRAPA, 2017).

É imprescindível que instalações elétricas e demais estejam em bom estado para minimizar risco de incêndios.

2.2.4.1.1 Agrotóxicos liberados em 2019 pelo governo Jair Bolsonaro

Na década anterior a 2015 foram aprovados pelas autoridades brasileiras uma média de 136 novos pesticidas por ano. Essa média disparou com o presidente eleito em 2018 para o quadriênio 2019/2022. Até julho de 2019, foram 290 produtos liberados, destes, 41% de alta toxicidade. Na terça-feira dia 17 de setembro deste no foram aprovadas pelo governo mais 63 agrotóxicos no mercado nacional, destes apenas sete são inerentes novos, já os outros 56 são produtos genéricos de outros já existentes no mercado. No período de 1º de janeiro a 17 de setembro é o maior ritmo de liberação de agrotóxicos uma vez que foram liberados 325 pesticidas neste período. (NATIONAL GEOGRAPHIC, 2019).

(27)

3 METODOLOGIA DA PESQUISA

3.1 A INVESTIGAÇÃO

A investigação foi realizada sob método de abordagem qualitativo e procedimento tipo estudo de caso, de nível exploratório. Na posição de Lüdke e André (1986), o estudo de caso como estratégia de pesquisa pode ser realizado através de um caso, simples e específico ou complexo e abstrato e deve ser sempre bem delimitado. Pode ser semelhante a outros, mas é também distinto, pois tem um interesse próprio, único, particular e representa um potencial na educação. Destacam em seus estudos as características de casos naturalísticos, ricos em dados descritivos, com um plano aberto e flexível que focaliza a realidade de modo complexo e contextualizado.

Para Yin, (2005, p. 33) “em outras palavras, o estudo de caso como estratégia de pesquisa compreende um método que abrange todo o tratamento da lógica do planejamento, das técnicas de coleta de dados e das abordagens específicas à análise dos mesmos. “

As abordagens qualitativas são caracterizadas pela flexibilidade que apresentam no decorrer do processo, permitindo aos envolvidos, revisão parcial ou total dos procedimentos adotados.

De acordo com Demo (2012, p. 40), “a defesa correta de metodologias qualitativas não pode ser levada a efeito por via da rejeição do tratamento quantitativo. Ao contrário, é preciso saber integrar as dimensões que fazem parte de uma realidade única, tendo sempre em mente, criticamente, o que cada metodologia tem de forte e de fraco. ” Por isso, também serão utilizados resultados expressos quantitativamente na análise e discussão dos resultados obtidos.

3.1.1 Instrumentos de coleta de dados

As técnicas de coleta de dados utilizadas foram: entrevistas semiestruturadas, observação direta, questionários semiestruturados e imagens.

As entrevistas semiestruturadas permitem a coleta de dados relevantes que em um questionário fechado por exemplo não é possível de se obter, bem como a visão e percepção

(28)

pessoal do entrevistado a respeito do tema levantado. Tal instrumento de coleta foi utilizado com comerciantes da região, para determinar o quanto de informações eram passadas para os agricultores e compradores dos agrotóxicos em relação ao descarte das embalagens, a utilização de kit EPI e a forma como esses produtos são armazenados na residência dos consumidores.

Tendo em vista a necessidade de levantar o maior número de informações relevantes para a pesquisa e partindo da dificuldade de se levantar estas informações a partir de entrevistas, foi utilizado o questionário semiestruturado. Este diferentemente da entrevista, conta com perguntas fechadas, utilizando a escala de Lickert, caracterizando uma pesquisa tanto qualitativa como quantitativa.

Para a elaboração do questionário semiestruturado, foram elaboradas categorias referentes ao tema em questão, para cada categoria pré-determinada foram elaboradas algumas questões que se fazem importantes para a execução do projeto. Feito isto, estas questões são intercaladas, alternado as categorias para que as respostas não possam vir a serem influenciadas pelas questões, dando assim, maior legitimidade nas respostas dos respondentes.

A amostra intencional foi estabelecida, levando em conta a sua relação com o tema, por exemplo, foram escolhidos alunos do ensino médio de uma escola pública, do interior de Santa Catarina, pois estes juntamente com seus pais, pois estes fazem a utilização de agrotóxicos frequentemente.

A observação é um dos instrumentos de coleta mais importantes, pois permite a coleta de dados não previstos bem como a detecção de indícios significativos, a contraposição ou ratificação aos dados obtidos por outros instrumentos.

Imagens, fotografias auxiliam no registro das observações diretas realizadas, permitindo uma discussão a respeito da mesma.

3.2 O PROCESSO

São Martinho é uma pequena cidade do sul de Santa Catarina, contando com cerca de três mil habitantes, assim como seu estado tem a maior parte de sua renda proveniente da agricultura. E, onde se tem um perfil como este, a utilização de agrotóxicos sempre se faz efetiva.

(29)

Tendo em vista tal característica, se fez presente a preocupação de como eram utilizados, os cuidados que se tinha e de que forma ocorria o descarte dos agrotóxicos.

Após uma conversa com alguns agricultores do município e também pais de alguns alunos da Escola de Educação Básica Fridolino Hülse, notou-se a falta de informação que estes tinham.

O que teria a escola de relação com este assunto?

A preparação do indivíduo para o trabalho e o exercício da cidadania também são objetivos do Ensino Médio. Este objetivo vem ao encontro das principais funções do ensino de Ciências, a formação de cidadão cientificamente alfabetização. (ZAPPE, 2011).

A cidadania está diretamente ligada à participação do indivíduo na sociedade, e a escola deve fornecer mecanismos para que haja esta participação. O aluno deve ser visto como protagonista pois a participação é desenvolvida à medida que há uma identidade cultural dos alunos com as questões que a eles são colocadas em discussão. Portanto, é necessário considerar o contexto cultural no qual o aluno está inserido, a fim de que a sua participação possa ser desenvolvida. (id ibid.).

Para que o cidadão tenha efetiva participação na sociedade, é necessário que ele disponha de informações a respeito dos problemas sociais que o afetam, o que exige um posicionamento frente a suas soluções.

Por este motivo pensou-se em formas de trazer informações a respeito dos agrotóxicos para os alunos, já que estes por sua vez repassariam aos pais e ambos adotariam hábitos melhores para a população e também para o meio ambiente.

Foram feitas palestras com o propósito de conscientizar os pais, alunos e professores. De acordo com as pesquisas na escola, não busca enumerar ou medir eventos. Ela serve para obter dados descritivos que expressam os sentidos dos fenômenos. A pesquisa foi desenvolvida a partir de uma pesquisa bibliográfica, os conceitos analisados foram: Intoxicação e morte por agrotóxicos no Brasil e uso de agrotóxicos no Brasil: controle social e interesses corporativos. Os principais autores que contribuíram com o trabalho foram: Carvalho (2008); Foster (2006); Gonçalves (2001); Nogueira (2002); Alves Filho (2002); Veiga (2006); Beck (2013); Moises (2012).

A aplicação da entrevista aconteceu através de diálogo presencial, no dia 28 de novembro de 2018. Os entrevistados foram alunos de escola pública do primeiro ao terceiro ano do ensino médio escolhidos conforme o seu conhecimento sobre o assunto, respeitando as delimitações geográficas e pelo fato de sua cidade apresentar esse problema social. As entrevistas foram feitas na cidade de São Martinho, Santa Catarina. As perguntas foram

(30)

elaboradas pela pesquisadora. Foi considerado o conhecimento, dos entrevistados, obtido historicamente através da sua vida escolar e social, mas houve uma preocupação em testar novas possibilidades. A entrevista, composta por perguntas exploratórias, foi aplicada para os estudantes do ensino médio da escola EEB Fridolino Hulse e para os pais dos mesmos.

(31)

4 ANÁLISE DOS DADOS E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

Definidos os instrumentos de coleta de dados, buscou-se identificar as turmas, Educação Básica, Ensino Médio, para a aplicação. Em contato com a direção da escola a pesquisadora detectou duas turmas, uma do primeiro ano e outra do segundo ano onde os estudantes eram agricultores ou filhos de agricultores.

Em seguida os estudantes definidos responderam aos questionários semiestruturados e encaminharam aos seus pais o instrumento especifico para resposta dos mesmos. Para a aplicação com os alunos, a pesquisadora solicitou autorização da direção da instituição e do professor em sala de aula.

Cumpridos os tramites, os discentes foram convidados a responderem ao instrumento e, ao mesmo tempo, receberam todas as instruções para o preenchimento (vide APÊNDICE A). Em seguida a pesquisadora retirou-se da sala de aula para que houvesse imparcialidade e fidelidade nas respostas, deixando um estudante responsável pela coleta do material preenchido.

4.1 OS DADOS OBTIDOS

O somatório dos dados obtidos pelas respostas dos estudantes e familiares encontram-se em sua totalidade nos instrumentos dispostos nos APÊNDICES A e B.

A interpretação dos dados será realizada através das categorias de análise previamente estabelecidas.

Abaixo serão apresentadas as respostas mais relevantes dos instrumentos aplicados aos estudantes e seus familiares agricultores. Todas as questões que se apresentaram dúbias ou irrelevantes para o alcance dos objetivos específicos e consequente resposta ao problema central foram descartadas.

(32)

4.1.1 Categoria 1: Agrotóxicos/Manuseio de Embalagens

Gráfico 1: Utilização de agrotóxicos. (n=30)

18 60.00% 12

40.00%

Sua família utiliza agrotóxicos?

Senpre/Muitas Vezes

Raramente/Nunca

Fonte: da autora, 2019.

Observando o gráfico percebe-se que 60% dos respondentes disseram que sempre ou muitas vezes fazem a utilização de agrotóxicos. Como destaca Silva et al., (2005), os agrotóxicos são utilizados em grande escala por vários setores produtivos, principalmente pelo agropecuário, visto isto, é possível deduzir que os 40% que responderam raramente ou nunca não fazem parte do setor produtivo, podendo estes habitar zonas urbanas onde não é permitida a utilização de agrotóxicos, ou ainda, serem pessoas que fazem o uso dos agrotóxicos apenas para o controle de pragas em seu jardim.

Gráfico 2: Armazenamento na propriedade. (n=30)

Fonte: da autora, 2019.

A EMBRAPA (2017) destaca a importância de se ter um local adequado e destinado apenas para o armazenamento de agrotóxicos e produtos afins “O código federal Brasileiro (Lei nº 12.651/2012), determina a distância dos depósitos de agrotóxicos dos cursos

17 56.67%

13 43.33%

De que forma são armazenados os agrotóxicos em sua propriedade? Empilhadas Junto Ao

Chão/Em Armários Jun-tamente Com Outro Produtos/Em Qualquer Lugar Que Tenha Espaço Em Armários Destinados Apenas Para Agrotóxicos

(33)

naturais d’água, como rios, riachos nascentes e lagos. Além do local ser ventilado e iluminado ele também deve ser exclusivo para agrotóxicos e produtos afins” (grifo nosso), com a finalidade de proteger animais e humanos de possíveis contaminações, porém 57% dos respondentes alegaram não tomar este cuidado. É possível que esta seja a realidade por falta de informação e instruções aos agricultores, colocando em risco a vida de pessoas.

Gráfico 3: KIT EPI. (n=30)

Fonte: da autora, 2019.

Como descrito por Peres et al (2003) um dos efeitos indesejáveis na utilização dos agrotóxicos é o efeito causado a espécies não-alvo, incluindo o homem. Considerando os 53% dos respondentes que alegam não saberem o que é ou para que serve o KIT de proteção individual, se torna preocupante esta questão pois estes podem vir a serem expostos e sujeitos a intoxicações caso não tomem os devidos cuidados ao manipulares os agrotóxicos ou suas embalagens.

Gráfico 4: Utilização do KIT EPI . (n=15)

11 73.33% 4

26.67%

Em relação a utilização do KIT EPI você considera ele sendo: Extremamente Importante Relativamente Inportante Fonte: da autora, 2019. 14 46.67% 8 26.67% 4 13.33% 4 13.33%

Você sabe o que é e para que serve o KIT de Proteção Individual? Sei Perfeitamente

Sei O Que É Mas Não Para Que Serve Não Sei Mas Tenho Uma Ideia Não Tenho Nem Ideia

(34)

Vendo que 27% dos respondentes consideram a utilização do KIT EPI apenas relativamente importante, é provável que estes não tenham conhecimentos das informações a respeito do assunto, uma vez que Lopes e Albuquerque (2018) nos diz que “a exposição aos agrotóxicos pode causar alterações celulares e, consequentemente, pode estar associada a alguns tipos de câncer, como neoplasia no cérebro, linfoma não-Hodgkin, melanoma cutâneo, câncer no sistema digestivo, entre outros”, por este motivo deve-se sempre enfatizar aos produtores rurais a importância dos EPI’s.

Gráfico 5: Cuidados na utilização. (n=30)

19 63.33% 11

36.67%

Existem cuidados na utilização dos defensivos agrícolas?

Sempre/Muitas Vezes

Raramente/Nunca

Fonte: da autora, 2019.

Mais uma vez a resposta é preocupante, 37% dos respondentes afirmam não tomar cuidados ao utilizarem defensivos agrícolas, nestes cuidados estão inclusos os EPI’s, como nos descreve Soares et al., (2005) “os principais motivos para que os trabalhadores rurais não utilizem o KIT EPI são, o desconforto, a dificuldade na locomoção, e o calor excessivo, sendo que a não utilização aumenta em 535% as chances de intoxicação” por mais que haja todo esses desconforto é de suma importância a utilização dos equipamentos de proteção para além de evitar problemas a curto prazo evite-se também problemas que surgem depois de um longo período de exposição.

(35)

Gráfico 6: Agrotóxicos utilizados. (n=30)

Fonte: da autora, 2019.

23% dos alunos responderam utilizar com mais frequência em sua propriedade o herbicida Tordon/Norton, ambos a base de 2,4-D e picloram. De acordo com a classificação da ANVISA (2017) estes agrotóxicos se enquadram na classe toxicológica I, ou seja, são extremamente tóxicos para humanos o que nos preocupa ainda mais em relação aos devidos cuidados ao manusearem estes produtos, bem como se o período de carência para o esterco, que é de quatro anos, está sendo respeitado, caso estes cuidados não ocorram pode haver sérios danos a população.

Gráfico 7: Intoxicação. (n=30) 7 23.33% 7 23.33% 10 33.33% 6 20.00%

Qual o seu nível de preocupação quanto a sua intoxicação durante a aplicação dos agrotóxicos? Preocupação Ex-trema Muita Preocupação Preocupação Moderada Pouca Preocupação Fonte: da autora, 2019.

Preocupantemente 54% dos respondentes responderam que têm preocupação moderada ou pouca preocupação quando o assunto é intoxicação, porém é provável que isso se dê em virtude de nunca se sentirem mal após a utilização de algum agrotóxico ou erroneamente pensarem que por não ingerirem diretamente jamais se intoxicariam por

23 76.67% 7

23.33%

Os agrotóxicos utilizados com maior frequência são

Roundup/Glifosato Tordon/Norton

(36)

agrotóxicos. Como descrito por Peres, et al., (2003) “A dispersão dos agrotóxicos no meio ambiente, de qualquer maneira, inclusive pela lixiviação, pode vir a causar um desequilíbrio ecológico na interação das espécies. Existem inúmeros relatos a respeito de animais e

humanos afetados por ingerirem plantas e/ou alimentos contaminados pela presença de agrotóxicos, além da interferência que estas substancias podem causar em comunidades e ecossistemas próximos as áreas onde estes produtos são utilizados (grifo nosso). ” A

partir destas informações todos deveriam se preocupar com a intoxicação por agrotóxicos, incluindo quem não faz seu uso.

4.1.2 Categoria 2: Sustentabilidade/Descarte

Gráfico 8: Interferência no meio ambiente. (n=30)

19 63.33% 11

36.67%

O descarte incorreto das embalagens interfere no meio ambiente?

Interfere Total-mente/Interfere Moderadamente Interfere Pouco/Não Interfere Fonte: da autora, 2019.

Apesar de 37% dos estudantes afirmarem que o descarte incorreto das embalagens não tem interferência no meio ambiente Silva, et al., (2005) nos diz que “os agrotóxicos têm sido alvo de muitos estudos pelos danos que provocam à saúde humana, mas também pelos danos ao meio ambiente, como por exemplo, o surgimento de resistência nos organismos alvos”. Este dano poderia ser consideravelmente diminuído com a prática da tríplice lavagem, seguida do descarte correto tendo em vista os estudos realizados por Perosso e Vicente (2007) onde constataram que de 100 milhões de litros vendidos, 300 mil permanecem nas embalagens.

(37)

Gráfico 9: Contaminação dos lençóis freáticos. (n=30)

21 70.00% 9

30.00%

Lençóis freáticos podem ser contaminados pelo descarte inadequado das embalagens?

Sempre/Muitas Vezes Raramente/Nunca

Fonte: da autora, 2019.

Sabe-se, segundo Lopes, et al., (2018) “Um dos principais e mais indesejados impactos ambientais que os agrotóxicos oferecem é a contaminação das águas superficiais e subterrâneas”, porém a falta desta informação para estudantes fez com que 30% respondesse que lençóis freáticos não sofrem interferência dos agrotóxicos causando grande preocupação, uma vez que sem ter o conhecimento destas informações reduz os cuidados que são tomados na utilização dos agrotóxicos e no descarte de suas embalagens proporcionando um grande risco de intoxicação para a população.

Gráfico 10: A forma da qual as embalagens vazias são guardadas. (n=30)

20 66.67% 10

33.33%

As embalagens vazias são guardadas adequadamente?

Sempre/Muitas Vezes

Raramente/Nunca

Fonte: da autora, 2019.

Por falta de informação a respeito do assunto produtores rurais pensam que as embalagens vazias não necessitam de cuidados especiais do mesmo modo que embalagens

(38)

cheias, a EMBRAPA (2017) destaca: “além do local ser ventilado e iluminado ele também deve ser exclusivo para agrotóxicos e produtos afins. O mesmo vale para as embalagens

vazias” (grifo nosso) por isso o resultado de 33% afirmarem que não tomam esse cuidado é

preocupante, uma vez que não armazenadas adequadamente as embalagens vazias podem causar diversos danos à saúde e ao meio ambiente.

Gráfico 11: Descarte pelos alunos. (n=29)

20 68.97% 9

31.03%

As embalagens vazias são descartadas adequadamente?

Sempre/Muitas Vezes

Raramente/Nunca

Fonte: da autora, 2019.

Segundo o INPEV (2013) uma série de procedimentos como a tríplice lavagem, a perfuração para inutilizar as embalagens, devem ser tomados, após estes o INPEV recomenda que “deve-se encaminhar a embalagem a um ponto de coleta, como os postos de venda de agrotóxicos. ” 31% dos respondentes afirmam raramente ou nunca tomar estes cuidados o que é extremamente preocupante levando em consideração todos os riscos já mencionados como por exemplo a lixiviação que contamina solos e águas, além das embalagens ocasionarem o entupimento de bueiros e provocarem enchentes.

Gráfico 12: Descarte. (n=14) 4 28.57% 7 50.00% 2 14.29% 1 7.14%

De que formas as embalagens vazias são descartadas? No Lixo Comum Entregues ao Vendedor Alguma Empresa Vem Coletar Lavadas e Reaproveitadas Fonte: da autora, 2019.

(39)

Observa-se que 29% dos entrevistados depositam as embalagens utilizadas ao lixo comum que posteriormente, será destinado aos lixões, comuns na Região Sul do Brasil, e, com a ação das chuvas, produzem a lixiviação levando muitos dos resíduos, alguns altamente tóxicos, para os lençóis freáticos e, consequentemente, para as torneiras dos usuários das águas distribuídas nas cidades. Sabe-se que, contaminantes tóxicos não podem ser removidos através do convencional tratamento de água das ETAS, nos municípios brasileiros. Segundo estudos realizados por Perosso e Vicente (2007), de 100 milhões de litros vendidos, 300 mil

permanecem nas embalagens (grifo nosso), fornecendo assim riscos as pessoas que

manipulam estas embalagens, como também ao meio ambiente [...].

Percebe-se então que, milhares de pessoas no Brasil, correm o risco diário de contaminação por agrotóxicos pela própria ingestão das aguas fornecidas pelas concessionárias, sejam públicas ou privadas.

4.1.3 Categoria 3: Educacional/Social

Gráfico 13: Informação sobre descarte. (n=15)

Fonte: da autora, 2019.

Como mencionado anteriormente por INPEV (2013) os pontos de venda também são responsáveis por recolherem e direcionarem as embalagens vazias dos agrotóxicos, porém além disso também é responsabilidade dos mesmos informarem que são um ponto de coleta nas notas fiscais, porém 40% dos questionados responderam que os vendedores não informam

9 60.00% 6

40.00%

os vendedores informam sobre a necessidade de descarte correto de embalagens de agrotóxicos?

Sempre/Muitas Vezes Raramente/Nunca

(40)

a respeito do descarte correto isso nos faz indagar se são os vendedores que não estão informando ou se a população não se preocupa em ler tal informação.

Gráfico 14: Perigo do descarte incorreto. (n=30)

17 56.67% 13

43.33%

Você conhece os perigos do descarte incorreto de embalagens de agrotóxicos

Sempre/Muitas Vezes Raramente/Nunca

Fonte: da autora, 2019.

43% dos estudantes alegam não saberem os perigos do descarte incorreto das embalagens vazias, Lopes, et al., (2018) ressalta o perigo da contaminação das águas “um dos principais e mais indesejados impactos ambientais que os agrotóxicos oferecem é a contaminação das águas superficiais e subterrâneas”, Sanches, et al., (2003) relata o perigo da volatizacão juntamente com a contaminação do ar “outro fator que se deve levar em consideração é o fator de volatização, muitos agrotóxicos possuem temperatura de volatização baixa, e no ar essas substancias podem ser levadas por quilômetros, afetando zonas distantes a sua área de aplicação”, todos estes perigos devem ser conhecidos por jovens agricultores para que quanto antes comessem a tomar os devidos cuidados.

Gráfico 15: Reutilização das embalagens para os alunos. (n=30)

22 73.33% 8

26.67%

Você considera perigoso reutilizar embalagens de agrotóxicos? Sempre/Muitas

Vezes

Raramente/Nunca

(41)

Já foram mencionadas muitas vezes a quantidade de produto que fica contida nas embalagens de agrotóxicos por isso um erro muito grave é a reutilização destas embalagens. O órgão responsável pela coleta das embalagens o INPEV (2013) recomenda no item f) dos passos a serem seguidos para o descarte correto de embalagens que “f) Para deixar a embalagem inutilizada perfure o fundo com objeto pontiagudo” por isso é de suma importância que revendedores destes produtos informem do perigo de se reutilizar as embalagens vazias, mesmo que seja para armazenar água para utilizado no pulverizador, para evitar acidentes como alguém ingerir a água ou utilizar inapropriadamente, porém 27% dos respondentes não consideram perigoso a reutilização das embalagens, deduz-se que estes também não possuem informações suficientes sobre o assunto.

Gráfico 16: Contaminação pluvial. (n=30)

Fonte: da autora, 2019.

Mesmo não morando próximo a áreas de utilização de agrotóxicos, toda a população da cidade corre o risco de intoxicação por ingestão de agrotóxicos através da água consumida, não instantaneamente ou a curto prazo, mas a longo prazo em logo período de exposição todos estão sujeitos a desenvolverem sintomas ou doenças relacionadas aos agrotóxicos. Depois de destacar o risco de contaminação das aguas subterrâneas Lopes, et al., (2018) ressalta o risco que corremos “um dos principais e mais indesejados impactos ambientais que os agrotóxicos oferecem é a contaminação das águas superficiais e subterrâneas, pois através das mesmas não só a população que reside próximo as áreas agrícolas que fazem a utilização dos agrotóxicos estão sujeitas a exposição aos agrotóxicos, mas todas as pessoas que são abastecidas por aquela água”, com o conhecimento destas

20 66.67% 10

33.33%

Na sua opinião, o descarte incorreto de embalagens de agrotóxicos pode contaminar a água que você bebe?

Sempre/Muitas Vezes Raramente/Nunca

(42)

informações os 33% que responderam que a água por eles consumida não corre o risco de ser contaminada por agrotóxicos teriam um outro olhar a respeito do assunto.

Gráfico 17: Sala de aula. (n=30)

9 30.00%

21 70.00%

Discute-se, em sala de aula, sobre os efeitos dos agrotóxicos no meio ambiente?

Sempre/Muitas Vezes Raramente/Nunca

Fonte: da autora, 2019.

Como destacado com Zappe (2011) a escola e os professores têm um papel muito importante na formação doa estudantes como cidadãos cientificamente alfabetizados “A cidadania está diretamente ligada à participação do indivíduo na sociedade, e a escola deve fornecer mecanismos para que haja esta participação. O aluno deve ser visto como protagonista pois a participação é desenvolvida à medida que há uma identidade cultural dos alunos com as questões que a eles são colocadas em discussão. Portanto, é necessário considerar o contexto cultural no qual o aluno está inserido, a fim de que a sua participação possa ser desenvolvida”. Tendo em vista tais informações e o contexto cultural no qual os alunos de São Martinho estão inseridos o resultado de 70% dos estudantes alegarem não discutir em sala de aula a respeito dos efeitos dos agrotóxicos faz com que repensemos a forma que os conteúdos estão sendo trabalhados.

(43)

24 80.00% 6 20.00%

Na sua opinião, o descarte incorreto de embalagens de agrotóxicos afeta a saúde pública?

Sempre/Muitas Vezes Raramente/Nunca

Fonte: da autora, 2019.

Apesar de 20% dos estudantes responderem que o descarte incorreto não afeta a saúde pública diversos autores falam a respeito do assunto, Lopes, et al., (2018) fala sobre as águas e como elas afetam as pessoas “através das mesmas não só a população que reside próximo as áreas agrícolas que fazem a utilização dos agrotóxicos estão sujeitas a exposição aos agrotóxicos, mas todas as pessoas que são abastecidas por aquela água, bem como toda a vida aquática e que podem mais tarde, servir como alimento” Peres, et al., (2003) fala a respeito da contaminação das plantas “existem inúmeros relatos a respeito de animais e humanos afetados por ingerirem plantas e/ou alimentos contaminados pela presença de agrotóxicos” e Sanches, et al., (2003) em relação ao ar “no ar essas substancias podem ser levadas por quilômetros, afetando zonas distantes a sua área de aplicação” todos estes descrevem grandes impactos doa agrotóxicos para com a saúde pública.

4.2 DEVOLUTIVA AOS ESTUDANTES

A partir dos dados obtidos com o questionário determinou-se o conhecimento que os estudantes já possuíam, com estes dados elaborou-se uma palestra com o intuito de atribuir conhecimentos e auxiliar na formação dos alunos como cidadão críticos e ativos na sociedade, de modo que não pensem só em lucros financeiros e a curto prazo, mas que pensem além disso visando uma vida mais saudável e pensando também na herança ambiental que estamos deixando para as próximas gerações.

(44)

Fonte: da autora, 2019.

Figura 6: Palestra aplicada aos estudantes.

Fonte: da autora, 2019.

(45)
(46)

5 CONCLUSÃO

Com o auxílio do questionário semiestruturado foi possível levantar uma série de dados, incluindo os agrotóxicos mais utilizados na cidade de São Martinho. O resultado obtido foi do herbicida Roundup, um vilão da saúde e alvo de muitas pesquisas o relacionando ao desenvolvimento de câncer e outras doenças.

Por meio de uma pesquisa bibliográfica, encontrou-se na literatura alguns autores que ajudassem a descrever as consequências para o meio ambiente e para a população do descarte inadequado de embalagens vazias de agrotóxicos, tais informações contribuíram para alarmar os estudantes a respeito do assunto.

De acordo com o que se observou das respostas coletadas, percebe-se que muitos estudantes e familiares não tem conhecimento das leis e normas que regem o acondicionamento dos agrotóxicos nas propriedades e dos riscos que o não cumprimento das mesmas pode estar trazendo a saúde deles e para o meio ambiente.

Dado o exposto nas respostas obtidas dos familiares e alunos é visível que muitos não se preocupam e/ou não sabem dos malefícios que o descarte inadequado das embalagens vazias pode estar ocasionando para o homem, bem como para a fauna e flora. É imprescindível para o bem-estar da população em geral que todos se conscientizem e passem a tomar medidas mais cautelosas.

Levando-se em conta o que foi observado por meio do questionário entende-se que pouco conhecimento eles possuem com relação ao assunto estudado, mesmo tal assunto estar tão presente na sua realidade os respondentes demostraram-se carentes de muitas informações relevantes.

Pela observação dos aspectos analisados e das repostas coletadas, percebe-se que é de suma importância trabalhar cada vez mais temas como este nas escolas de modo a contribuir para com a formação educacional dos alunos, uma vez que os mesmos poucas vezes consideram a interferência dos agrotóxicos no seu dia-a-dia importante.

Por todos estes aspectos fez-se necessária a elaboração e a execução de uma palestra para os alunos do Ensino Médio de uma escola pública sobre o tema, visando contribuir e conscientizar os jovens da importância dos cuidados ao manusear ou descartar as embalagens de agrotóxicos.

(47)

6 REFERÊNCIAS

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