N-Cham TCC UFSC ENF 0205 Au or: Meurer, José Da tr ._. ¢.» I' _. ‹..› den ifca ‹_› de es ag 0 ‹_› u 0: Proje 0 ¿.› CCSM Tcc UFSC T ENF 0205 Ex. 24 036 Ac. 97252 855 .- UFSC BSCCSM CCSM Ex /' PROJETO DE ESTÁGIO
”IDENTIFICAR A SITUAÇÃO DE SAUDE DOS
TRABALHADORES DA
COMCAP""
fJosé Daltro Meurer
Edson Luiz de Oliveira
Universidade Federal de Santa Catarina
Orientador: Prof. Eliana Marilia Faria
Unidade Curricular VIII - INT1108
FLORIANÓPOLIS 1991.
"O POVO"
Há no mundo uma raca de homens com instintos sagrados e lu-
minosos, com divinas bondades do coracão, com uma inteligência sere-
na e lucida, com dedicação profunda, cheia de amor pelo trabalho e
de adoração pelo bem, que sofrem, que se lamentam em vão. Estes ho-
mens são “o povo".
Estes homens vivem nas fábricas, pálidos, doentes, sem fami-
lia, sem doces noites, sem um olhar amigo que os console, sem ter o
repouso do corpo e a expansão da alma, e fabricam linho, o pano, a
seda, OB Gstôfos. Estes homens são "o povo", são os que nos vestem.
Estes homens são, sob o peso de calor e de sol, trazidos pe-
las chuvas, roidos de frio, descalços, mal nutridos; lavram a terra,
revolvem-na gastam a sua vida, a sua forca, para criar o pão, o
ali-~ Ji
mento de todos. Estes sao "o povo" e são os que nos alimentam.
Estes Homens vivem debaixo das minas, sem sol e as docuras
consoladoras da natureza, respiram mal, comendo pouco, sempre véspe-
ra da morte, rostos sujos, curvados, e extraem o metal, o minério,
Cobre, o Ferro, e todas as matérias das industrias. Estes homens são
~
"o povo" e sao os que nos enriquecem.
Esses homens, nos tempos de lutas e crises, tomam as velhas
-armas da pátria, e vão, dormindo mal, com marchas terríveis, a neve,
a chuva, ao frio, nos calores, pesados combatem e morrem longe dos
filhos _e das mães, sem ventura, esquecidos, para que nós observemos
Estes homens formam as equipes dos navios, são lenhadores,
guardadores de gado, servos mal retribuídos e desprezados. estes ho-
mens são os que nos servem.
E o mundo oficial, opulento, soberano, o que faz a estes ho-
mens que os vestem, que os alimentam , que os enriquecem, que os
servem?
Primeiro, desprezam-os; não pensa neles, não vela por eles,
tratam como se tratam os bois; deixa-lhes apenas uma pequena porção
dos seus trabalhos dolorosos; não lhe melhora a sorte, cerca-os de
obstáculos e de dificuldades; forma-lhes em redor uma servidão que
os prende e uma miséria que os esmaga; não lhes dão proteção; e,
terrivel coisa, não os instrui: Deixa-lhes morrer a alma.
INDICE ~ Apresentacao . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. O4 Agradecimentos . . . . . . . . ._ O5 I - Introducão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. O7 A Ideologia e Saude . . . . . .. 15 II - Objetivos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. 27 1 ~ Geral . . . . . . . .. 27 2 ~ Específicos . . . . . . . .. 27 III - Metodologia . . . . . . . . . . . . . . . . . ._ 27 IV - Resultados e Discussão . . . . . . . . . . .. 30 1 - Objetivo Específico n. I . . . . .. 31 Material e Métodos . . . . . . . . . .. 31
Resultados das Visitas . . . . . . . . _. 31 2 - Objetivo Específico n. II . . . . . . . . .. 43
Material e Método . . . . . . . . . . .. 43
Condícõies de Higiene dos Garis . . . . .. 49
3 ~ Objetivo Específico n. III . . . . ._ 54 Material e Método . . . . . . . . . . .. 54 Cronograma . . . . . ._ 55 4 - Objetivo Especifíco n. IV . . . . . . . . . . .. 55 Material e Método . . . . . . . . . . . .. 56 Cronograma . . . . . . . . . . . . . . .. 56 Resultados . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. 57 Estrutura Organizacional . . . . . . . . . .. 70 Saude Ocupacional . . . . .. 75 Questionário . . . . . . . . . . . . .. 77 Discussão . . . . . . . . _. 81 V - Considerações Finais . . . . .. 91 Objetivo Específico n. I . . . . . . . . . .. 91 Objetivo Específico n. II . . . . . . . . .. 91
Objetivo Específico n. III . . . . . . . . . . . . .. 92
Objetivo Específico n. IV . . . . . . . . .. 93
Análise dos CID's mais incidentes em 1990 ... 94
VI - Sugestões a COMCAP . . . . . . . . . . . . . . .. 95
VII - Bibliografia . . . . . . . ._ 96 VIII - Anexos . . . . . . . . . . . . . . . . .. 100
Este trabalho foi elaborado sob
a orientacão da Professora Enfer-
meira Eliana M. Faria e contou
AGRADECIMENTOS
Agradeceremos, principalmente a Deus, por nos ter escolhido
para a tarefa de dedicar nossas vidas a servico do próximo, dentro
da profissão que abracamos.
Procuramos adotar a filosofia, mencionada no projeto desen-
volvido na mesma área no periodo 91/1, orientado e supervisionado
pela professora Eliane M. Farias, a qual agradecemos pelo apoio
profissional e humano recebido e por ter ajudado na transformação da
semente que havia em nós em uma planta que a partir de agora tentara
dar seus frutos.
Agradecemos a todos os funcionários da empresa COMCAP que
nos ajudaram direta ou indiretamente a cumprir nosso plano de esta-
gio e , principalmente a técnica de seguranca de trabalho Estela
Ma-~
ris, que nos dedicou especial atencao.
A nossas famílias, pois o apoio foi de grande valia para a
I - INTRODUÇÃO
Este projeto trata-se de mais uma etapa da disciplina da
VIII. Unidade Curricular do Curso de Graduação em Enfermagem da Uni-
versidade Federal de Santa Catarina, que tera como campo de estágio
a empresa Companhia de Melhoramento da Grande Florianópolis, tendo
uma carga horária de 5 horas, diárias no periodo matutino entre os
dias 26 de fevereiro até O2 de junho, totalizando 360 horas.
O grupo de estágio é composto por dois acadêmicos da referi-
da fase, que desenvolverão o estágio no posto de saude da referida
empresa.
Este estágio da condições aos acadêmicos de atuarem já como
profissionais de saude e dá autonomia para execução de atividades
que deseja. Tem como objetivo proporcionar aos alunos um estágio
pratico que visa aplicar os conhecimentos teóricos adquiridos duran-
te o curso.
Estamos diante de uma realidade muito séria em relação ao
crescimento da população brasileira. O setor sócio-econômico tem de-
monstrado claramente que a população está empobrecendo como um todo
e os desequilíbrios tendem a se agravar.
"As condições gerais de vida precisam, no entanto, ser com-
preendidas em dimensões distintas: As propiciadas pelo patrão e vo-
lume dos bens de consumo coletivo oferecido pelo Estado, e as que
incidem sobre o consumo individualizado, e que é obtido pelo salá-
~
Nao é dificil associar as doencas que afetam as classes tra-
balhadoras à oferta de bens de consumo coletivo tais como transpor-
te, saneamento, urbanização, educação, assistência técnica preventi-
va, atenção médica e medicamentos, e segurança social (aposentado-
LI. QM
rias, seguros, etc). Por aqui se pode comecar a discutir hiper-
tensão, fadiga, stress, doencas mentais, equistossomose e doencas
transmissíveis através da água.
4»
Mais fácil ainda é relacionar o quanto de saude-doença com
os bens que o trabalhador pode adquirir para si e sua família, quer
seja com seu salário que seja com a “renda familiar".
IU I
IV
A alimentacao, habitação, vest ¡...|. flh "$ |..a.O lazer e padrao de vida
em geral que o trabalhador e sua familia desfrutam, contribuem de
forma inquestionável para os indices de doencas carenciais, mentais,
mortandade infantil, etc.
Outras variáveis relativas às relações de trabalho remetem à
questão mais facilmente perceptíveis. Neste sentido à jornada de
trabalho (n. de horas trabalhadas, obrigatoriedade de cumprir horas
extras, anotações destas horas extras para efeito de 13. salário,
etc); O tipo de contrato (carteira assinada, prestação de servicos,
"bóia fria", etc). O horário (diurno, noturno, por turnos, etc);
exigências de conhecimentos técnicos; sistema de ascenção previsto;
forma de controle sobre os trabalhadores (no horário de trabalho,
nos intervalos, na utilização dos banheiros, na hora das refeições,
etc); tempo de folga (cumprimento ou não da legislação); local para
refeições e condições ambientais; existência de banheiros (quantida-
determi-nantes da qualidade de vida e condições de saude do trabalhador.
Ao confronto das situações citadas, que ocasionam o desgaste
da saude - condições gerais de vida e relação de trabalho - soma-se
o processo mesmo de trabalho, isto é, as formas laboral de ativida-
des" (PICALUNGA, 1983). Em todas as atividades empresariais capita-
listas existem classes sociais menos favorecidas - a classe traba-
lhadora. O nosso trabalho vai abordar uma classe social - "os traba-
lhadores" de uma empresa mista, que presta serviços para fundações e
autarquias fornecendo mão de obra especializada. O grupo social a
ser apresentado à sociedade faz parte da Companhia de Melhoramento
da Grande Florianópolis - COMCAP, que são os trabalhadores que cole-
tam o lixo urbano na grande Florianópolis, "os garis", onde aborda-
remos as condições saude-doença e trabalho.
“Entendemos que o processo saude-doença não pode ser inter-
pretado somente sob o ponto de vista biológico, pois esta diretamen-
te relacionado com as condições de vida e trabalho da população,
mais do que com os serviços médicos, além de estar determinado pelo
~
modo de inserçao do homem no processo produtivo.
As péssimas condições de vida a que a maioria da classe tra-
balhadora esta submetida, associada às condições de trabalho muitas
vezes deficientes, repercutem, diferentemente na saude do trabalha-
dor. "O desgaste do corpo durante o processo produtivo gera patolo-
gias especificas para cada tipo de atividade ocupacional, além das
diferentes modalidades de acidentes de trabalho, cujas caracteristi-
cas encontram-se também relacionadas com o tipo de trabalho executa-
Segundo (GARRAFA, 1983), "são as condições de trabalho que
emanam das relações sociais de produção que determinam em grande
parte, a forma e as condições de adoecer e morrer dos individuos de
uma dada sociedade. Sabe-se, no entanto, que em uma sociedade de
classe ocorre usualmente a legitimação das ideias da classe dominan-
te, nestes casos, a saude de toda a população bem como as formas de
prevenção e controle das doencas por parte dos governos esta deter-
minada por estas circunstâncias".
Segundo PEGO et al.,"a saude de uma população é o resultado
do conjunto de condições em que esta população vive. Assim sendo, é
de se supor que quem mora mal, se alimenta mal, dispende suas ener-
gias num trabalho cuja remuneração é insuficiente para dar conta
desses e dos demais gastos para a sobrevivência, tenha seu processo
de saude/doença diferenciado em relação aos demais setores de socie-
dade."
Para COSTA et al.,"ê comum definir-se saude como a simples
ausência de doença. Geralmente as pessoas se consideram doentes
quando um estado de mal estar física e emocional as impede de traba-
lhar ou levar adiante as tarefas do dia a dia. Estes momentos são
frequentemente entendidos apenas como um problema de natureza estri-
tamente individual. Além disso, o sofrimento fisico, a dor e muitas
vezes a própria morte são considerados como mera fatalidade, frutos
da sorte ou do azar. Sem duvida, essas maneiras de ver doença e so-
frimento não levam em conta que uma determinada situação de ausên-
cia de saude de uma pessoa - seja criança, trabalhador, morador da
periferia urbana - muitas vezes costuma ocorrer, de modo muito seme-
ou lugar de moradia."
As agressões à vida que ameaçam, em certa época e socieda-
' N ~
des, alguns individuos, se prestarmos bem atençao, veremos que sao
agressões que atingem coletividades inteiras. Igualmente essas si-
tuações que levam ao sofrimento e à dor só são alteradas quando se
desenvolve a uma constante politica que impõe mudanças nas condições
de vida.
Vamos a um exemplo: em torno de 1800, na Inglaterra, a tu-
berculose chegou a ser uma doença de massa entre os trabalhadores
enquanto nos tempos atuais ela praticamente desapareceu como causa
de adoecimento e morte.
Na mesma Inglaterra, no século XVII, apenas 20% dos indivi-
duos chegaram a viver sessenta anos, a maioria morria antes dos
trinta. Hoje 80% dos cidadãos ingleses ultrapassam os sessenta anos
de idade. As mudanças no padrão de vida fizeram com que os riscos de
sofrimento fisico, de doença e de morte tenham diminuído acentuada-
mente naquele pais.
Mas essas mudanças não ocorrem por acaso: foram resultados
de uma árdua luta da classe trabalhadora por melhores condições de
vida e trabalho. A medida que se ampliou o acesso dos trabalhadores
a condições de trabalhos adequados, a condições ambientais saudá-
veis, melhorou a situação de saude de todo o povo trabalhador.
Todas as diferenças existentes em determinado lugar e pais,
sejam elas salariais ou no numero de pessoas com água e esgoto nas
A maneira como vivem e trabalham crianças, trabalhadores e
velhos; a vida cotidiana de homens e mulheres; o padrão de consumo
de operários e proprietários de fabricas e terras; a quantidade de
dinheiro aplicada em água e esgoto para as cidades das diferentes
regiões, determinam sempre as condições das populações diante da
doença e da morte.
Vejamos o caso do Brasil: as pequenas conquistas sociais da
população brasileira levaram a que nas ultimas décadas tenham sido
registrado um aumento do tempo de vida da população. Esse aumento da
esperança de vida ao nascer é consequência da diminuição do numero
de falecimentos que ocorrem no pais durante o ano.
~ ~
No entanto, essa simples observação de informaçoes nao nos
deixa à vontade para afirmar que essas melhoras foram iguais para
toda a população. E sabido que os trabalhadores que ganham até um
salário minimo tem uma vida média quinze anos menor da que desfrutam
os que ganham mais de cinco salários.
CJ. QM
Também é de conhecimento de todos que a incidência de
doenças relacionadas à subnutricão atinge quarenta milhões de pes-
soas; que se seis milhões são portadores de doença de chagas; que a
malária registra anualmente trezentos e oitenta mil casos novos; que
a esquistossomose atinge quinhentos mil doentes. Além disso, ocorrem
cem mil casos por ano de doenças evitáveis por simples vacinaçao.
Doenças como a "dengue", cujo mosquito transmissor na década de cin-
CJ. fl)\
quenta não existia no Rio de Janeiro. Desde 1986 fez até agora
Cabe saber ainda mais: Que diferenças existem entre uma
criança que nasce no sudeste ou no nordeste em termos de saude?
Existem algumas vantagens em viver no município do Rio de
Janeiro ou na Baixada Fluminense? Viver em Florianópolis ou nas pe-
riferias dos morros? Como a violência urbana repercute sobre a saude
da população? E fácil sobreviver como velho nesta terra?
A violência em questão de saude, na medida em que o padrão
de vida é deteriorado, a classe trabalhadora passa a enfrentar difi-
culdades que vão desde o agravamento de suas condições de moradia
até os riscos decorrentes do trajeto entre a casa e o local de tra-
balho. No Brasil, o salário mínimo desde a sua criação vem sofrendo
quedas clinicas. Em março de 1986, seu valor real equivale à metade
do valor de 1940. Ao mesmo tempo, no decorrer desses 45 anos, a pro-
dutividade nacional triplicou. Este fato evidencia a concentração de
renda para uma pequena parcela da população e a perda substancial do
poder de compra dos assalariados, principalmente das camadas de bai-
xa renda. Como consequência dessa perda, a sexta básica de alimentos
necessários ao sustento de uma pequena familia de quatro pessoas e
definida por Decreto Federal, custava ao trabalhador em 1940 o equi-
valente a 27% da sua jornada mensal de trabalho, o que em março de
1986 passou o equivalente a 73%.
O alto custo de vida levou a classe trabalhadora a se fixar
na periferia das cidades, onde não apenas os serviços publicos como
os empregos são escassos. Desta forma, a jornada de trabalho é ne-
cessariamente superior às oito horas determinadas pela lei traba-
estende até tarde da noite, após o trabalhador enfrentar as tensões
provocadas pelo sistema de transporte deficiente, o ambiente de tra-
balho insalubre e o medo do desemprego.
Outras consequências dos baixos salários é a utilização da
forca de trabalho do menor, necessária ã complementação da renda fa-
miliar. Este tipo de mão de obra esta mais sujeito ao subemprego,
com uma remuneração ainda pior e condições de trabalho muitas vezes
desumanas.
Além disso, a lógica da economia brasileira tende a excluir
uma quantidade enorme de pessoas de quaisquer oportunidades de em-
prego, escola, lazer, moradia, etc. Cria-se então uma situação muito
grave de marginalização, como é o caso dos menores que circulam pe-
las cidades ou do numero considerável de desempregados e subemprega-
dos que vegetam nas periferias.Desta forma, não é por acaso que as
mortes por causas violentas aumentaram progressivamente nos ultimos
61105.
No Rio de Janeiro, em 1980, cento e cincoenta em cada cem
mil pessoas entre vinte e vinte e nove anos morreram devido a todos
os tipos de violências. Este tipo de causa é predominante desde os
cinco até os trinta e nove anos de idade. Os acidentes de transporte
e os homicídios são as principais causas de altos indices.
O modo de morrer por violência se mostra diferenciado ao
analisarmos os sexos, o que certamente se deve à maior inserção do
homem no mercado de trabalho. A distribuição das pessoas de dez anos
ou mais que trabalham ou pretendiam trabalhar no ano de 1980 (popu-
mas-culino. Ao atingir a idade adulta, os homens passam a ter um risco
maior de morrer de causas violentas. Cabe destacar que praticamente
metade dos óbitos entre homens de quinze e quarenta e nove anos esta
vinculada a este grupo de causas, ou seja, decorre do processo de
trabalho e de modo de vida urbana.
Na medida em que as pessoas vão envelhecendo, surgem outros
~
problemas de saude. As doencas do coracao, juntamente com o câncer,
aparecem nas estatísticas como principais causas de óbitos após os
quarenta anos. Apesar de serem consideradas doenças inerentes à ida-
de, na verdade são determinadas pela qualidade de vida e pela dispo-
nibilidade de assistência médica adequada. O descaso da sociedade
com a velhice leva a que morrer após uma certa idade por câncer ou
uma doença do coração seja visto como uma mera fatalidade, e não co-
mo um processo decorrente de toda uma história de vida".
A IDEOLOGIA E SAUDE:
Em um sistema social onde a grande maioria da população dis-
pôe de apenas da sua própria força de trabalho para garantir sua
subsistência, o corpo é visto fundamentalmente como instrumento de
trabalho. E a doença representa então uma dura ameaça. Tanto no sen-
tido de afetar sua saude como sua capacidade produtiva. pode-se pen-
sar a questão da doença incluindo três dimensões:
1) Estar doente: A instauração de um processo patológico,
considerado como um fato médico, que, normalmente, pode ser consta-
tado clinicamente. apesar de todas as limitações do saber médico é
2) Pode ficar doente: Possibilidade de obter tratamento ade-
quado, através de recursos próprios ou não, o que normalmente impli-
ca também em afastamento - total ou parcial do trabalho. E o “poder
ficar doente".
3) Sentir-se doente: Percepção da doença pelo próprio doen-
te, que reconhece os sintomas patológicos, "se sente doente", porém
não considera ser necessário ir ao médico.
Assim, entre os setores populares, na maioria das vezes, a
pessoa pode estar doente, mas não "pode ficar doente" por falta de
recursos, ou seja, ser obrigada a continuar trabalhando, mesmo doen-
te. Desta forma, a situação sócio-econômica afeta a própria percep-
ção da doença, fazendo com que ela seja negada enquanto isto for
possivel. Assim, entre os setores populares, o próprio conceito da
doença se restringe até os setores populares, o próprio conceito da
doença se restringe até os ultimos limites da capacidade de manter-
se trabalhando, o que faz com que seus sintomas não sejam percebidos
como tais. A doença é vista, então, como algo que “acontece de re-
pente", que faz com que, em muitos casos, se recorra à assistência
médica tardiamente. Isto não significa que não se percebam certas
carências, que são decorrentes da própria precariedade das condiçoes
de vida e de trabalho, que se caracterizam em categorias como:
- FRAQUEZA -
Que se percebe como um estado de desgaste e can-
saço excessivo, vinculado especialmente ao peso do trabalho e à in-
"...Cansar é humano, claro, se a gente faz um trabalho a
gente cansa, eu deixo de trabalhar no domingo, mas isso nao compensa
o cansaço da semana inteira, eu vivo extenuado..."
- FOME -
Reconhecida como um regime alimentar não só
quantitativa mas também qualitativamente deficiente.
“...vou trabalhar mas não me alimento muito bem, comeco a
passar mal, o chefe chama e pergunta: o que você tem, esta doente?
claro que eu não vou dizer que estou com fome..."
- NERVOSO-
Percebido como um estado de tensão permanente a
preocupação com a insuficiência do salário, as condições de traba-
lho, de transporte e de moradia.
"...eu fico nervoso, vivo preocupado porque o salário não
da..."
rv
Estas carências muitas vezes não sao reconhecidas como doen
ça, mas na medida em que não impedem de levar uma vida "normal“, nem
levam a um tratamento especifico. Um parêntese interessante é que as
categorias "fraqueza, fome e nervoso", quando atingem um grau que as
tornam reconhecidas como um fato médico, são na maioria das vezes
catalogadas como disturbios emocionais, e como tal, são tratados pe-
lo médico especialista em doença mental. O fato é que, no Brasil, a
mesma maioria da população não chega a ter, na realidade, uma expe-
A ideologia e prática médica, o saber sobre o organismo, o
reconhecimento de patologias, a capacidade de interferir no corpo do
homem e de restabelecer a saude ou restaurar a vida, confere ao mé-
dico, numa sociedade de classe competitiva como a nossa, um poder
extremamente vasto. A legitimação social do saber do médico, por
exemplo, é de tal ordem, que leva muitas vezes à obstrução da anato-
mia dos individuos de enfrentar situações adversas e a de cuidar de
seu corpo. Tais condições são transformadas em desvios, em doencas,
e, portanto, passíveis de intervenção do especialista, do médico.
~
Face a essas características, que sao vistas por alguns como
inerentes a atividade médica, e de outros aspectos não abordados
nesta analise, o fato é que efetivamente a sociedade confere a este
profissional um grau de qualidade e de diferenciação, em relação a
várias outros atividades.
vv
Neste sentido, a prática médica deve ser considerada nao
apenas como pratica técnico-cientifica, mas sobretudo como pratica
social. Ela se vincula a outras práticas sociais, cumprindo funções
específicas:
1) a nivel econômico;
- de reparação e manutenção e da força de trabalho;
~ de consumo de uma industria farmacêutica e de equipa-
mentos;
- do consumo do ato médico; devido as especificações que
obrigam um doente passar pelas mãos de vários médicos.
- através da prática médica, realiza-se um tipo de con-
trole das diversas classes sociais, em relação a di-
ferentes aspectos da vida das pessoas (alimentacao,
trabalho, reprodução, lazer, prazer, etc.)
- Trata-se também de chegar a uma suavização dos conflitos
sociais seja enfatizando uma aparente unidade social, através do au-
mento do consumo de serviços médicos, seja incorporado às politicas
sociais alguns interesses efetivos das classes dominadas - sem que
isto chegue a ameaçar o sistema estabelecido. Ao cumprir estas di-
versas funções, a prática médica é informada por varias correntes
ideológicas. Não se trata aqui de classifica-las numa tipografia ri-
gida, estabelecendo comportamentos estanques: Na realidade, estas
correntes vão se formando e se superando ao longo de todo um proces-
so histórico. Tentaremos simplesmente estabelecer algumas distinções
entre diferentes correntes do pensamento e da prática médica.
1) Corrente privatizante liberal.
a - tradicional - Corresponde a uma prática médica, baseada
no profissional liberal autônomo, que vende seus serviços no merca-
do. estes são comprados pelos que dispõem de rendas para fazê-lo,
dentro de uma respectiva individualista, considera cada um responsá-
vel pelos cuidados da sua saude. Consequentemente, um dos valores
que se incorpora a esta corrente é a livre escolha do médico, jus-
tificada pela importância dada à relação médico/paciente, não se
elimina totalmente 0 papel do Estado, no que se refere à saude: ele
se responsabilizara pela saude publica e pelos setores mais carentes
da população, que não podem pagar pelos serviços de saude. Esta cor-
serviços de saude, mas alguns de seus valores ainda são defendidos
em certos meios;
b - Empresarial - Corresponde a um novo tipo de comunicação
dos servicos de saude relativo a uma etapa mais avançada do processo
de desenvolvimento capitalista. Nesta linha, enfatiza a racionalida-
de, a eficiência e a produtividade, através da organização de um
complexo médico empresarial, onde o médico deixa de ser profissional
autônomo e se transforma em assalariado. Nesta concepção os serviços
de saude deixam de ser um serviço publico para se transformar em re-
lação de mercado entre paciente e empresa médica.
2) Correntes Estatizantes:
Afirmam a responsabilidade do Estado na organização dos ser-
viços de saude é considerado como um serviço publico, afirmando a
responsabilidade do Estado na organização dos serviços para o con-
junto da população.
3) Corrente Democrática:
"E uma corrente emergente, que transparece através do movi-
mento popular, de algumas práticas médicas para esta corrente, a
saude representa um problema que deve ser assumido coletivamente,
através da participação popular em todos os niveis; desde a democra-
tização do conhecimento médico até a participação da população na
gestão dos serviços médicos e na definição das politicas de saude."
(VERA et al., 1983)
Pretendemos contribuir fazendo um amostragem sobre a políti-
ca na área de saude, sistematizando experiências e levantando algu-
O assunto será analisado em três partes: o sistema de saude,
a politica de saude e a saude do trabalhador. O enfoque das politi-
cas sociais na área da saude se dará à luz da preocupação com a so-
brevivência do trabalhador e sua familia. Partamos de uma visão im-
pressionista da realidade. Não passa um dia sem que a imprenssa, o
rádio ou a televisão notifiquem um fato novo na área da saude publi-
fv
ca brasileira. E verdade que os problemas sao antigos.
A crise no setor saude desenha-se com bastante nitidêz no
final da década de 70. Toma proporções mais graves a partir de 1981,
quando o enorme déficit da previdência social exige medidas urgentes
do Governo Federal. Mas é a partir de 1986, sobretudo de abril em
diante, que as proporções da crise se tornam dramáticas e visíveis
para toda a sociedade brasileira, chegando nos dias de hoje ser no-
ticia internacional e prioridade do Governo Federal em encontrar os
responsáveis por tamanha fraude nos cofres da previdência.
g Podemos resumir a crise da saude de modo esquemático em dois
diagnósticos distintos.
- A crise do setor saude tem raízes estruturais no modelo de
desenvolvimento econômico, que privilegia os interesses do capital
em detrimento dos interêsses do trabalhador. As politicas e o siste-
ma publico de saude refletem esse modelo ao enfatizar uma assistên-
cia médica de caráter curativo e individual e que é benéfica aos in-
terêsses privados na rede hospitalar contratada, à industria farma-
cêutica e de equipamentos médico-sirurgico, sacrificando a atencão
para uma politica preventiva na área de saude, voltada para a massa
- A crise do setor de saude tem raizes no “agigantamento do
Estado", que gasta excessivamente e acumula enormes déficts ao longo
dos anos. A previdência social é a expressão desse surpreendimento
da intervenção do Estado, que entra em área cuja exploração poderia
ser entregue à iniciativa privada (a exemplo da assintência médica)
e que tem despesas superiores às receitas.
Como sabemos, as propostas de mudanças são igualmente diver-
sas. Não queremos entrar em discuções em torno de soluções, pegamos
uma proposta que achamos equilibrada, que seria uma unificação do
sistema e universalização do direito de saude, garantido pelo Esta-
do. A democratização do sistema acompanha, enquanto princípios, a
estatização do setor. Por outro lado, temos a proposta de racionali-
zar o sistema de saude, saneando-o financeiramente e de privatizar
certas atribuições e serviços, a exemplo da assistência médica.
Vamos abordar as condições da previdência social e do salá-
rio do trabalhador. Todo o trabalhador brasileiro sabe perfeitamente
o que significa ter ou não carteira profissional, sobretudo na hora
de reclamar os seus direitos por conta do contrato assumido com o
seu empregador. Na carteira profissional anota-se o salário do con-
trato, os reajustes e os aumentos efetuados, as férias, os aciden-
tes, etc. A carteira é, assim, o documento que registra o tempo em
que o trabalhador coloca a sua capacidade de trabalho a serviço do
patrão.
Essa capacidade de trabalho, que pode ser mais ou menos qua-
lificada, é o que chamamos de força de trabalho. Em troca do salá-
ou da loja comercial a sua capacidade de trabalho. O salário dos
trabalhadores condiciona diretamente as condições de sua sobrevivên-
cia, isto é, a reprodução da sua força de trabalho. A reprodução da
força de trabalho, isto é, capacidade de trabalho de um individuo
depende, dessa forma:
- Da renovação de seu organismo, e seu psiquismo, o que se
faz através do atendimento às necessidades de alimentação, vestuá-
rio, moradia, saude, recreação, repouso, cultura, etc.;
- Da reposição do trabalhador quando este se retira do mer-
cado de trabalho em virtude de velhice, invalidez ou falecimento.
Para que essa reposição seja possivel, o trabalhador deve ter meios
de manter sua familia, sua mulher (quando ela não é cabeça do casal)
e seus filhos. Desta forma será possivel educar os filhos e prepara-
los para a futura entrada no mercado de trabalho, de acordo com as
exigências das empresas capitalistas. Em certo sentido, a vida do
trabalhador está a serviço do capital. Ele deve sobreviver para con-
tinuar sendo produtivo e deve ter família para oferecer no futuro
novos braços indispensáveis às empresas capitalistas. E isso que
significa quando as pessoas dizem: "Eu vivo para trabalhar".
Os bens de serviço de que precisa o trabalhador para repro-
duzir a força de trabalho, como os alimentos, moradia, roupa, trans-
porte, são reproduzidos por empresas e acompanhados com o salário.
Esses bens de serviço fazem parte do consumo individual do trabalha-
dor.
Outros bens de serviço - a exemplo da assistência médica, da
aposentadoria, e das pensões - fazem parte do consumo coletivo. As
explorar a produção de tais serviços; é o Estado que se encarrega de
produzi-los. Assim, a reprodução da força de trabalho é em parte uma
responsabilidade do próprio trabalhador e em parte do Estado. No que
diz respeito ao Estado, as tarefas e encargos quanto a produção da
força de trabalho constituem o que chamamos de política social.
O que significa isso?
As políticas sociais, entre outras coisas, são aquelas medi-
das governamentais destinadas a garantir a reprodução da força de
trabalho.
~
Vamos esclarecer esse novo conceito. A "reproduçao da força
de trabalho" é um conceito que engloba a sobrevivência do trabalha-
dor e de sua familia. Vamos acrescentar que os recursos utilizados
para manter as politicas sociais dependem tanto dos empregados quan-
to dos empregadores.
No caso da previdência - um dos melhores exemplos de politi-
ca social - os serviços de assistência médica, aposentadoria, pen-
sões, auxílio para acidentes, assistência ao menor desamparado, etc.
, são custeados com recursos das contribuições recolhidas dos traba-
lhadores e patrões, mensalmente dos cofres publicos. A previdência
social é um serviço publico financiado com base na folha de salário.
Vem do desconto de 8% (oito por cento) em folha de pagamento das em-
presas para 0 INAMPS e do desconto em folha de 8,5% (oito e meio por
cento) a 10% (dez por cento) dos salários dos empregados, correspon-
dendo a sua faixa salarial. Havia oito milhões e setecentos mil
contribuintes do INAMPS em 1970, representando 9,3% (nove, três por
qua-tro vezes, passando a vinte e três milhões, setecentos e oitenta e
dois mil e duzentas e dezesseis pessoas, apresentando 15,69% (quin-
ze, sessenta e nove por cento) da população total do país.
A população economicamente ativa - pessoas de mais de dez
anos de idade excercendo algum tipo de atividade econômica - recen-
seada pelo IBGE em 1980 foi de 43.796.763 indivíduos. Como um numero
de contribuintes do INAMPS no m,esmo ano alcancava 23.782.216 indi-
viduos, a diferença resultante de vinte milhões representa o grupo
de desempregados e subempregados no país. Em 1983, segundo dados da
pesquisa nacional por amostra de domicílios - (PNADS)- do IBGE,
52,31% (cincoenta, trinta e um por cento) da população economicamen-
te da recessão e do desemprego. Atualmente a política previdenciária
tem se dirigido no sentido de incluir os desempregados e subemprega-
dos entre aqueles com alguns direitos às politicas sociais. Assim,
duas tendências marcam o desenvolvimento decente do capitalismo bra-
sileiro frente a população trabalhista e o direito previdenciário.
- Um numero crescente de pessoas tem sido coberto pelo sis-
tema de previdência social.
- O desenvolvimento tecnológico nas médias e grandes empre-
sas capitalistas tem acarretado menor contribuição para o financia-
mento da previdência social.
A partir da implantação do FUNRURAL e sobretudo desde 1974,
simultaneamente a criação do Ministério da Previdência social, (des-
membrou-se do Ministério do Trabalho), os trabalhadores rurais, em-
pregadas domésticas e outras categorias de trabalhadores foram in-
O plano de pronta ação, lançado neste mesmo ano, permitiu o
acesso à assistência médica em situaçoes de emergência de qualquer
pessoa, independente de seu vínculo previdenciário.
As politicas sociais, como educação publica é gratuita, ser-
vico de saude e saneamento básico também dependem de fontes diversas
das contribuições deduzidas dos salários. Nesse caso inclui-se o Mi-
nistério da saude, cujos recursos são orçamentados baseando-se nos
impostos cobrados pelo Governo tanto dos trabalhadores como dos ca-
pitalistas. A medida, porém, que o desenvolvimento industrial aumen-
ta, os capitalistas diminuem proporcionalmente o numero de trabalha-
dores empregados, utilizando mais máquinas e equipamentos, automati-
zando mais e mais as linhas de produção. Esse processo acontece nas
médias e grandes empresas industriais e financeiras, onde se concen-
tram os trabalhadores que estão formalmente empregados. Entretanto,
a contribuição ao INAMPS não é feita sobre o valor da produção, que
cresce constantemente, mas dos salários pagos, que diminuem relati-
vamente ao menor numero de trabalhadores empregados. O resultado é
fácil de se entender: Um numero cada vez menor de trabalhadores está
sustentando a previdência social no Brasil, ao mesmo tempo que au-
menta cada vez mais o numero de pessoas abrangidas pelo regime pre-
videnciário.
A tendência das empresas capitalistas diante dos custos
crescentes da politica social do Estado tem se orientado em dois
sentidos: de um lado, os capitalistas pressionam para reduzir as
despesas governamentais ao minimo; por outro lado, buscam transferir
para si a exploração de certos serviços que geram bons lucros, a
Pelo exposto nesta introdução e a revisão da literatura, fi-
ca claro a importância da atuação profissional na área da saude do
trabalhador.
Para nós, será vital tal conhecimento pois entendemos que o
papel do Enfermeiro deve estar estritamente articulada com a maioria
da população trabalhadora.
Neste sentido justifica-se tal projeto.
II - OBJETIVOS:
Geral - Identificar a Situação de Saude dos trabalhadores da
Companhia de Melhoramentos da Grande Florianópolis - COMCAP.
2 - Específicos
N. l - Identificar as Condições de Trabalho dos Servidores
da COMCAP
N. 2 - Conhecer a Trabalho Realizado pelos Trabalhadores da
COMCAP, especificamente os Garis.
N. 3 -Identificar os Problemas de Saude dos Trabalhadores da
COMCAP durante o ano de 1990.
N. - Prestar Assistência de Enfermagem aos Trabalhadores da
COMCAP.
Por entendermos que a teoria ajuda na busca da sistematiza-
ção e organização das observações realizadas na prática, e na estru-
turação das ações visando alcançar os objetivos determinados optamos
pela utilização de teoria do auto-cuidado de Dorotéia Orim.
Os conceitos da teoria do auto-cuidado são três:
- Competência dos individuos para auto-cuidado - Que simbo-
liza o poder dos individuos de se engajarem em auto-cuidado de forma
a atender as suas necessidades individuais. esta competência inicia-
se na infância e desenvolve-se durante todo o ciclo vital, ao qual
sofrerá influência do ambiente, sociedade, representando desse modo
suas crenças, valores, atitudes e capacidades cognitivas.
- Demanda terapêutica para o auto-cuidado - Simboliza todas
as necessidades dos indivíduos em relação a manutenção da vida, sau-
de e bom estar, esses três requisitos originam a demanda de auto-
cuidado universal, demanda de auto-cuidado relativa ao desenvolvi-
mento dos individuos e a demanda do auto-cuidado relativo às
altera-~
çoes de saude
- Competência do enfermeiro para o auto-cuidado - E a capa-
cidade ou potencial do enfermeiro para identificar deficiências na
execução das ações do auto-cuidado, requeridas pelos individuos em
implantar medidas de ajuda dirigidas a atender as necessidades de
saude.
Em sua competência para agenciar o auto-cuidado, o enfermei-
ro deve ter claro a palavra adequação que significa que para cada
auto-cuida-do, pois cada indivíduo é unico em suas condições de cuidado, adap-
tações e comportamento alterantivo de vida. O sistema de enfermagem
deve ser flexível à novas situações, podendo mudar ao longo do tem-
po.
~
Para Orem o processo de enfermagem, é uma sequência de açoes
que devem estar voltadas para objetivos determinados, objetivos es-
tes que devem ser desempenhados conforme planejamento e que deverão
ser revistos de acordo com a evolução das ações de saude.
O processo divide-se em:
- Diagnóstico: é a fase de identificação dos déficits de au-
HD Q.- |..|.< |-ls
~ ó ú â
to cuidado através da relaçao existente entre capacidades do -
duo e a demanda terapêutica.
- Avaliação: consiste em identificar se houve ou não dimi-
nuição dos déficits com implementação das ações ensinadas ou apreen-
didas.
Concordamos com Orem quando ressalta que existem fatores que
afetam a qualidade da participação do paciente no auto-cuidado, fa-
tores referentes ã idade, bio-tipo, estágio no desenvolvimento no
ciclo vital, condições de vida, grau de maturidade da personalidade,
auto-imagens, experiências de vida, sistema familiar, inscrições
culturais, estado de saude-doença, modo de pensar, a realidade so-
cial e a manutenção para tomar decisões _
Desta forma, ao tentarmos inserir o paciente no seu auto-
cuidado através de orientações de enfermagem, levamos em considera-
O método para atender os objetivos estão relacionados como
segue no capitulo "Resultados e Discussões" para melhor entendimen-
to.
IV - RESULTADOS E DISCUSSÃO
O projeto de estágio a ser realizado na COMCAP, teve um pe-
queno mal entendido no que se refere aos objetivos especificos, que
segundo a direcão, nosso estágio poderia desnudar a empresa, pois
pensavam os diretores, que P. *S gnu H? m aparecer nomes de funcionários e
outras formas de diminuição da COMCAP. Após termos marcado "audiên-
cia" com a diretoria, lemos os nossos planos, houve uma pequena dis-
cussão informal em cada objetivo especificos, expusemos ã ela que
nós estávamos seguindo o nosso código de Etica Profissional.
Além de que nós ficaríamos com os dados dos arquivos para
examinarmos todos os prontuários lá existentes, cujas informações
seriam do menos graduado (humilde) ao mais alto escalão da COMCAP.
A dificuldade de conseguirmos hora para expormos nossas
in-~
tencoes.
No final desse ponto polêmico, fomos aceitos de bracos aber-
tos por todo o pessoal da COMCAP.
Os resultados mostraremos, segundo cada objetivo especifico,
1- OBETIVO ESPECÍFICO N. I MAT i RES Vis Ves esses sere aberto, su tos e barat
Identificar as Condições de Trabalho dos Servidores da
Companhia de Melhoramentos da Grande Florianópolis -
COMCAP
ERIAL E METODOS
Fazer uma visita à todos os setores de trabalho da COMCAP,
dentificar as condições de trabalho que se referem a:
Ambiente de trabalho;
Jornada de trabalho;
~
Salários (mais protecao em caso de doença)
Vestiários;
Instalações sanitárias;
~
Satisfaçao no trabalho;
Servico de assistência médica;
ULTADOS DAS VISITAS
ita: LIMPV
tiário dos Garis: Não podemos chamar de vestiários onde
s humanos trocam as roupas, pois fica uma parte a céu
jo, os armário são velhos e enferrujados, presenca de ra-
Os Banheiros: pequenos, em numero de três, dois chuveiros e
um mictório, o mesmo é na forma antiga; sem vasos sanitários, apenas
dois e um buraco, dos chuveiros, um funciona e o outro é apenas um
C&nO, aS 00HdiGões de higiene são péssimas.
Lavatório: onde os funcionários lavam as mãos e os talheres
para irem comer, é simples, apenas um cano com várias torneiras, com
um muro de tijolos na frente para evitar que os garis tomem banho
no lavábulo, condições de higiene precárias.
Refeitório: Pequeno, higiene razoável, pouco arejado e uti-
lizado para realizar reuniões e administrar cursos. A comida é acon-
dicionada em recipientes térmicos mantidos em banho maria para serem
servidas, o cardápio é variado entretanto, há uma reclamação quanto
ao paladar, relatam que as cozinheiras foram demitidas e a comida
perdeu o sabor.
Garagem: a garagem é pequena para suportar a frota de car-
ros de empresa, ficando lotada de serviço; a pintura é mal estrutu-
rada, o exaustor foi colocado muito em cima, não sugando a tinta,
asfixiando os funcionários, a máscara que é oferecida é de boa qua-
lidade mas o filtro é muito caro e ele é pouco substituido, prejudi-
cando assim os funcionários que inalam a tinta.
Edificações em andamento: fomos informados que a edificação
ó N
em fase de acabamento será um centro de treinamento e reunioes dos
funcionários. Há outra edificação em andamento, 50% da obra já foi
concluída, relatam que será o vestiário dos garis.
›
No LIMPV existe uma rede social pertencente aos funcioná-
fu-tebol suico.
O prédio onde fica o setor administrativo, tem certos seto-
res aglomerados com mesas e funcionários, e outros setores com bas-
tante espaco e poucos funcionários. A arquitetura do prédio é
anti-~
ga, embora aparente estar em bom estado de conservacao.
Visita DPEN
A visita ao Departamento de Engenharia nos causou bastante
surpresa, pois o que vimos não foi de nosso agrado e compreensão
pois ficamos abismados com o abuso e desperdício do dinheiro publi-
CO.
O DPEN fica localizado no trevo de Itacorubi, na antiga fá-
brica de lajotas da prefeitura.
~
Fomos visitar primeiro um galpao onde encontramos vários
ônibus em completo abandono, ao se perguntar, fomos informados que
os mesmos pertenciam à COMCAP e foram comprados na administração mu-
nicipal, por uma fortuna da Empresa Estrela. Ao andarmos mais um
pouco avistamos alguns maquinários agrícolas, tobatas, microtratores
e outros equipamentos, ao indagarmos fomos informados que eram para
ser aplicados junto a pequenos agricultores, e facilitariam a compra
de produtos agrícolas para a prefeitura, e também foi gasta uma for-
tuna que não foi posta em prática.
~
Depois passamos a visitar outros galpoes onde a empresa era
cada vez maior; máquinas e equipamentos caros, tudo ao relento e ao
equipamento foi-nos dito que eram deixados ali para estragar, para
poderem ser vendidos como sucata, como já foram vendidos outros
equipamentos.
Depois fomos visitar os galpões onde-o pessoal trabalha e
notamos um descuido da COMCAP com a seguranca dos trabalhadores,
pois os galpões estavam em precárias condicões de sustentação, po-
dendo vir a desabar e ferir/matar algum funcionário, ao perguntarmos
o que eles achavam da segurança do trabalho, nos responderam, "que
seguranca, vocês estão vendo". E mais, “o que nos faz compania aqui
são os ratos, que não deixam a gente trabalhar sossegado".(SIC)
VISITA A COZINHA INDUSTRIAL
Tão- grande foi a surpresa que nos tomou por termos visto
tanto e tanto fora da realidade saude e trabalho, que ficamos abis-
mados com a cozinha industrial da COMCAP.
Organização excelente, limpeza, uniforme e higiêne dos fun-
cionários muito boa; os locais de guarda dos alimentos bem arejados,
limpos; as dependências nos deixaram surpresos, batendo até algumas
cozinhas de certos hospitais pelo tamanho e higiêne, a cozinha pode-
riamos atribuir nota oito que ainda não estava boa.
Os vestiários limpos, organizados, os banheiros também, a
limpeza fora do prédio muito boa.
A cozinha possui três frigoríficos grandes, grades próprias,
Está localizada na rua geral de Campinas, próximo a sinalei-
ra de Capoeiras.
VISITA AO PREDIO DA ADMINISTRACAO CENTRAL
O prédio fica na rua do Detran em Capoeiras. O prédio é de
alvenaria e aloja os departamentos administrativo, juridico e dire-
toria. O ambiente de trabalho encontrado foi o melhor possível, sa-
las espacosas, arejadas e limpas.
Todos o atos administrativos e técnicos devem partir do pré-
dio da adminstracão.
VISITA AO ITACORUBI-LIXÃO
A visita ao Itacorubi-lixão nos mostrou outra realidade do
~
que a que nós nao conheciamos.
O lixo chega com os caminhões, é pesado numa balanca, vai
até a rampa de descarga e é colocado e depois levado para Paulo Lo-
pes para ser enterrado.
O mal cheiro já é suportável, os urubus que existiam em
grande quantidade já não são tantos.
Há dois tipos de coletas de lixo: as que vão para o destino
final, Paulo Lopes; e as que são separadas pelos garis Beija-Flor,
que sao recolhidos nas comunidades e vendidos. Essa verba é repassa
da para a comunidade.
O que notamos é que o lixo dos garis Beija-Flor deveria vir
Beija-flor.
VISITA AO HORTO FLORESTAL
O horto florestal localiza-se em uma parte do lixão do Ita-
corubi e é bem estruturado, servindo para arborizar a cidade. As
condições do barracão onde ficam os funcionários são péssimas, não
dá nem para descrevê-las direito, mas vamos tentar.
~ ~
E um estábulo sem animais, os animais sao as pessoas que sao
sujeitas a trabalhar num ambiente destes.
JORNADA DE TRABALHO
A COMCAP apresenta uma jornada de trabalho representada pe-
las normas da CLT, onde os funcinários cumprem horários de oito ho-
ras diárias, sendo que existem equipes especiais dos garis, que cum-
prem os roteiros e podem sair mais cedo ou mais tarde, fazendo hora
extra.
SALARIOS
A questão do piso salarial dos funcionários da COMCAP nos
foi negada pela direção da empresa, mas através de dados coletados
pelas consultas de enfermagem, conseguimos nos aproximar da faixa
salarial das equipes de: garis, macânicos, serventes, margaridas,
37
salarial de aproximadamente dois salários minimos e meio, sendo que
os que possuem mais anos na empresa ganham um pouco a mais.
As outras classes salariais chegam em média de seis a oito
salários minimos a mais, sendo que depende muito do cargo e função
que ocupa dentro da empresa.
Há também a questão da insalubridade que certas classes so-
ciais dentro da empresa tem o direito perante a Lei, são elas: Capi-
na quimica, garis, oficina em geral e outras que trabalham direta-
mente com meios insalubres e não a recebam por mera questão de che-
fia.
Há também um numero de funcionários que exercem outros tipos
de atividades, como os serventes, garis, capina quimica, operador de
máquina, margarida, bombeiro, mecânico, motorista e outros, que re-
presentam uma menor porcentagem em relação aos anteriores descritos.
AMBIENTE DE TRABALHO
A estrutura formal da empresa é representada por várias edi-
ficações, onde algumas apresentam condições satisfatórias e outras
apresentam condições de riscos de vida para quem nela trabalha.
O ambiente de trabalho quem faz é o próprio funcionário,
apesar das condições adversas, adapta-se da melhor forma.
Torna-se importante saber que a visita realizada por nós
evidenciamos várias linhas de mando e subordinação, onde é represen-
Todas as categorias funcionam integrantes do quadro de pes-
soal da COMCAP, são contratados ou indicados e são classificados em
vários ganhos de acordo com o grau de escolaridade e a natureza do
trabalho.
INSTALAÇÃO PARA ALIMENTAÇÃO
A estrutura da empresa é representada por várias edifica-
ções, sendo que cada uma delas apresenta um ambiente para
alimenta-~
çao de seus funcionários.
As instalações para alimentação dependem muito da edificação
que ela ocupa, sendo que, quanto mais novo o prédio melhor a insta-
lação.
A empresa apresenta uma cozinha industrial no bairro de Cam-
pinas em Florianópolis, muito boa, equipada com três câmaras frigo-
rificas, fogão industrial, central de gás, gerador próprio, prédio
em alvenaria em boas condições de higiene e conservação, os funcio-
nários uniformizados e bom aspecto de higiene.
A cozinha industrial fornece alimentos para toda a empresa,
isto é, a través de Kombi furgão, leva para as cozinhas nos respec-
tivos prédios e lá são mantidas em banho-maria até a hora de servi-
las.
As instalações de refeitório como já citamos antes, dependem
muito do local onde está instalada, isto é, em certos locais não há
quaisquer condições de higiene e conforto para que se possa fazer
~
Vamos citar exemplos de acomodaçoes, onde fomos fazer visi
tas: Ao chegarmos no posto de Engenharia que se localiza em Itacoru-
bi, no trevo do cemitério das três pontes, o refeitório é de madei-
ra, conservação razoável, aspecto de higiene satisfatório, mas ao
conversarmos com alguns funcionários nos foi dito que, os ratões to-
mam conta do local, chegam a passar por cima dos pés, e a comida é
servida fria e sem gosto, apesar da ser de boa qualidade.
Outro local que nos deixou chocados foi o horto florestal,
onde o funcionário estava preparando o fogão para preparar o almoço.
As condições do local mais parecia uma estrebaria, as condi-
ções de higiene nem vamos comentar.
~
As condicoes de higienização nos refeitóríos dependem muito
das classes sociais que deles usufruem.
VESTIARIO
¡..:.O
Como já citamos anteriormente, as condições de vestiár de-
pendem muito das edificações a que eles pertencem. Há locais em que
as condições dos vest ¡..¡. QM são excelentes, isto é, aquelas equipes
'Í |..|. O Q
que os conservam, o que podemos notar é que: nos vestiários que per-
tencem às mulheres a conservação e a higiene eram boas, embora o lo-
|..|. QJ\ *S |__|.O
cal as vezes é pequeno; ao contrário, nos vest s masculino em
locais de boas acomodações podemos notar uma desordem e higiene mui-
to precária.
De todo o levantamento realizado o que mais nos chamou a
80% do nosso estágio.
A estrutura do prédio foi adaptada para acomodar um numero
muito grande de funcionários, sendo que a edificação é antiga e so-
freu várias reformas.
Com isto queremos citar que, os vestiários dos garis, se for
possivel chamá-lo assim, fica localizado num vão central da edifica-
ção, onde a metade deste vão desabou, veio ao chão num horário que
não havia ninguém. Nenhuma providência foi tomada para muda-los des-
ta edificacão, isto é, o vest |.J. QM "$ ›_|. O sofreu outra modificacão, metade
é aberto e outra metade coberta, os armários estavam 40% amassados e
enferrujados, a higiene péssima, rato e barata nos foi dito que tem
aos montes.
Agora vamos falar dos banheiros, que são em numero de três,
dois com chuveiro, sendo um quente e o outro só no cano, o que so-
bra, eles fizeram um mictório, isto é, um buraco no chão e dois ti-
jolos para apoiar os pés, sobre a questão de higiene péssima, as pa-
redes sem azulejos, todas sujas engorduradas e o que mais nos chocou
foi que isto tudo fica ao lado do refeitório, um acesso direto liga
a ele.
INSTALACOES SANITARIAS
~
As instalacoes sanitárias dependem muito do ambiente e a
classe social que as usufruem. De certa forma podemos citar também
que depende das edificações a que elas pertencem, as edificações
mais antigas possuem instalações sanitárias precárias, mas a higiene
SATISFAÇÃO NO TRABALHO
Torna-se importante salientar que a visita realizada por nós
nas outras dependências da empresa, fora do LIMPV, foi para reconhe-
cimento, sendo assim, não foi possivel avaliar a satisfação no tra-
balho fora do LIMPV. Todavia o que pudemos perceber no decorrer do
estágio foi que, apesar das acomodações precárias, a satisfação no
trabalho nos parece muito boa, que no nosso entender, são contradi-
ções que mereceriam estudos.
SERVICO DE ASSISTENCIA MEDICA
Os servidores da COMCAP contribuem para o INAMPS, recebendo
assim deste os benefícios previdenciários.
A COMCAP oferece um ambulatório com atendimento simplifica-
do a seus funcionários, isto é, realiza apenas atendimento de roti-
na, que são, os pequenos curativos e realiza os exames periódicos.
Cabe neste tópico falarmos que a equipe do ambulatório de
saude possui um amplo conhecimento de saude e prevenção do trabalho,
e não podem estender seus_conhecimentos e passa-los para o campo de
trabalho porque são podados pela empresa.
A equipe de saude é composta por: um médico do trabalho; um
técnico de enfermagem; um assistente de enfermagem; dois técnicos
de assistência à segurança do trabalho; dois assistentes sociais e o
chefe que não pertence a área de saude e tem pouco conhecimento so-
Cabe também neste tópico falarmos também sobre a seguranca
do trabalho. Em entrevista com o chefe da divisão de Recursos Huma-
nos, tomamos conhecimento da CIPA, que nos informou que esta comis-
são é operante, mas perde seu objetivo, pois não vê seus esforços
recompensados.
SERVIÇO DE SAUDE DA COMCAP
A COMCAP contava no ano passado com dois médicos clínicos e
um médico do trabalho. Hoje a realidade é outra, pois os médicos
clínicos saíram e a COMCAP conta apenas com o médico do trabalho,
uma técnico de enfermagem no trabalho e uma auxiliar de enfermagem.
A COMCAP tem um esquema que está em anexo, que engloba todas
os trabalhadores para realizarem exames periódicos feitos num labo-
ratório que faz convênios e ainda um servico de radiologia também
credenciado. J
O médico do trabalho, além de solicitar os exames periódicos
realiza exames admissionais, demissionais, trata dos atestados médi-
cos advindos de outros locais em que o trabalhador procura, remane-
jamento interno de trabalhadores, avalia o individuo para a função
adequada, controle de atividades insalubres, avaliação dos riscos em
acidentes de trabalho e em alguns casos realiza clínica.
O setor de saude da COMCAP é um setor ligado diretamente à
diretoria executiva e financeira sendo um setor independente, onde
suas acões são feitas diariamente em boletim e enviados ao servico
O que se poderia esperar é que o servico de saude estivesse
preocupado em primeiro lugar com a higiene e seguranca no trabalho,
e em segundo lugar, se a empresa faz a clinica, esta deveria partir
sempre da clínica em si. No entanto, acreditamos que cabe aos servi-
cos de saude a responsabilidade em conjunto com a empresa num
siste-~
ma de cooperacao.
Ainda tratando dos exames periódicos, o servico de saude da
COMCAP avalia os resultados, quando ocorre alguma irregularidade ou
alterações mais sérias, o trabalhador é avaliado ou encaminhado para
especialistas. Se o problema detectado é proveniente de seu traba-
lho, ele é afastado de sua função, sendo remanejado para outra que
~
nao traga risco à sua saude.
O servico de saude da COMCAP participa ativamente da parte
de seguranca no trabalho juntamente com engenheiro e técnico de se-
guranca no trabalho.
2- OBJETIVO ESPECIFICO N. II
- Conhecer o trabalho realizado pelos trabalhadores da
COMCAP, especificamente os garis
MATERIAL E METODO
Acompanhar os garis durante três jornadas de trabalho, iden-
tificando principalmente as condições de trabalho no que se refere
- instrumentos de trabalho;
- material de proteção como: máscara, luvas, botas ou boti-
nas, etc;
u
- uso adequado do material de proteção;
- horário de descanso e
- itinerário.
a) Acompanhar os trabalhadores que recolhem lixo durante
três jornadas de trabalho:
Sabemos da importância de seguir o itinerário dos trabalha-
dores, e acompanhá-los durante o seu trabalho, para observação de
seu desempenho profissional.
Realizamos durante o periodo de estágio um metodologia para
acompanharmos os garis sem interferir no seu modo de agir, procuran-
do deixá-los ã vontade para realizar seu trabalho de forma rotinei-
ra, nem subterfugios, por estar alguém observando-os.
O objetivo seria acompanha-los durante três jornadas de tra-
balho e identificando suas condições. Procuramos nestes acompanha-
mentos verificar os equipamentos de segurança, postura, desgaste fi-
sico, mal cheiro, tempo do itinerário, periodo de descanso, veloci-
dade do caminhão, harmonia entre a equipe, população como as vê,
acondicionamento do lixo, respeito ao horário das coletas, perigo no
trânsito e o meio de transporte.
Procuramos realizar este objetivo buscando roteiros diferen-
ga-ris.
Durante as observações realizadas notamos que as equipes de
garis usam sem precedentes os materiais de proteção. A respeito da
postura deixam muito a desejar, levantando latões e sacos de lixo
incorretamente, o mal cheiro e o barulho são insuportáveis, o tempo
do itinerário dá-se conforme a quantidade de lixo para recolher,
acabado o roteiro estão liberados, não há um periodo de descanso du-
rante a coleta, se durar dez horas é dez horas no pique, há uma har-
monia entre o motorista do caminhão e os garis, isto é, com uma ve-
locidade constante e que facilita o trabalho, há um relacionamento
bom entre 90% da população e, os outros 10% alguns mostram nojo e
debocham com a equipe, o acondicionamento do lixo é satisfatório,
mas a população precisa ser orientada quanto aos sacos plásticos,
caixas de papelão e materiais cortantes, o horário das coletas é
respeitado por alguns e desrespeitados por outros que, chegam a cor-
rer atrás do caminhão com seus sacos de lixo, provocando assim atra-
|,,.\. B |.¿. C5
so no itinerário, o trânsito é um perigo ente para o gari, isto
é, ele coleta o lixo dos dois lados da rua, e sendo assim a atraves-
sa constantemente, e o meio de transporte é seguro para quem faz
treinamento e conhece o roteiro, mas os garis, eles são trocados de
roteiro constantemente facilitando assim quedas com traumatismos,
entorses e outros tipos de acidentes.
Procuramos também anotar anormalidades que ocorreram durante
estas observações. No roteiro do lixo Hospitalar o caminhão deixa
uma poça ou um pequeno córrego de liquido fétido que escorre da car-
roceria para o chão nas ruas. Os locais onde acondicionam o lixo