Revista de Ciências Gerenciais
Ergonomia: Mitos, Verdades e
Controvérsias
André Luís Moreira
Especialista em Enfermagem do Trabalho - UNIP Coordenador do Curso de Enfermagem da Faculdade Comunitária de Limeira - FAC e-mail: [email protected]
Resumo
A ERGONOMIA é uma ciência multidisciplinar com a base formada por várias outras ciências. A Antropometria e a Biomecânica fornecem as informações sobre as dimensões e os movimentos do corpo humano. A Anatomia e a Fisiologia Aplicada fornecem os dados sobre a estrutura e o funcionamento do corpo humano. A Psicologia, os parâmetros do comportamento humano. A Medicina do Trabalho, os dados de condições de trabalho que podem ser prejudiciais ao organismo humano. Da mesma forma, a Higiene industrial, a Física, a Estatística e outras ciências fornecem informações a serem utilizadas pela ERGONOMIA, de forma a possibilitar o conhecimento e o estudo completo do sistema homem-máquina-ambiente de trabalho, visando a uma melhor adequação do trabalho ao homem. Adaptação dos instrumentos, condições e ambiente de trabalho às capacidades psicofisiológicas antropométricas e biomecânicas do homem.
Palavras-chave: Ergonomia; Saúde Ocupacional; Postura.
Abstract
The ERGONOMICS is a multidisciplinary science based on several other sciences. The Anthropometrics and the Biomechanics supply the information on the dimensions and the movements of the human body.The Anatomy and the Applied Physiology supply the data on the structure and the functioning of the human body. Psychology, the parameters of the human behavior. The Occupational Health, the data of working conditions that can be harmful to the human organism. In the same way, the industrial Hygiene, the Physics, the Statistics and other sciences supply information to be used by the ERGONOMICS, making possible the knowledge and the complete study of the system man-machine-environment work, aiming a better adequacy of the work to the man. The instruments adaptation, work conditions and its environment to the anthropometrics and man´s biomechanic psychophysiologic capacities.
Key-words: Ergonomics; Occupational health;
Posture.
Introdução
Todas as atividades humanas e principalmente o trabalho sofrem a influência de três aspectos: físico, cognitivo e o psíquico. A ordenação adequada destes fatores permite projetar ambientes seguros, confortáveis e eficientes, que promovam condições de trabalho compatíveis com as atividades desempenhadas neste ambiente (COUTO, 1995).
Baseado nessa premissa elaborou-se um conjunto de conhecimentos científicos relativos ao homem com a finalidade de melhorar as condições de trabalho e, de uma forma geral, a organização das atividades, denominada Ergonomia (WISNER, 1987).
“A Ergonomia como ciência trata de desenvolver conhecimentos sobre as capacidades, limites e outras características do desempenho humano e que se relacionam com
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o projeto de interfaces, entre indivíduos e outroscomponentes do sistema” (DINIZ, 1999) Essa ciência desenvolveu-se durante a II Guerra Mundial, quando foi avaliado conjuntamente, de forma sistemática, a tecnologia e as ciências humanas. Devido à complexidade dos equipamentos militares, fez-se necessário um trabalho conjunto entre fisiologistas, psicólogos, antropólogos, médicos e engenheiros, com a finalidade de desmistificar essa c o m p l e x i d a d e . ( A L E X A N D R E , RADOVANOVIC; 2002)
Do grego ergon = trabalho e namoi = leis naturais, ergonomia é a capacidade do ser humano em relação às demandas de trabalho, com o objetivo de reduzir os riscos, melhorando as condições e conseqüentemente a produtividade (PINHO et al, 2003).
A Ergonomia abrange o estudo das unidades de trabalho, onde se preocupa com o funcionamento global de uma equipe inserida na distribuição de tarefas entre o homem e máquinas, ou, tão somente, da mecanização das tarefas. A análise dos postos de trabalho estuda a essência da atuação do trabalhador, enfatizando a qualificação da tarefa, da postura e das exigências físicas e psicológicas, em uma abordagem ergonômica. (IIDA, 1990)
A ergonomia, no âmbito hospitalar, estuda a quantidade e a interação de fatores pessoais, tais como fadiga, idade, treinamento, e outros relacionados a circunstâncias, como organização, escalas, mobiliário, equipamentos, dentre outros, ambos que afetam o desempenho e a qualidade no trabalho. A identificação das atividades desempenhadas pelos trabalhadores de saúde requer observação ergonômica de dias inteiros de coleta de informações. Os requisitos laborativos são fatores de suma importância para a satisfação desta avaliação, estes são descritos como: movimentação, postura, desempenho cognitivo e controle emocional. Somente a partir do levantamento destes fatores, poderemos identificar se o trabalho é realmente eficaz, saudável, confortável e seguro. (ESTRYN-BEHAR, 1996)
O trabalhador exerce, na maioria das vezes, uma força de tração superior a sua capacidade, associado freqüentemente a uma
posição inadequada.
Consta que Arquimedes, o criador dos fundamentos da biomecânica, ao ser questionado quanto a capacidade do homem a levantar pesos, haveria respondido: “Depende, dêem-me uma boa alavanca e um bom ponto de apoio que eu levanto o mundo” (BRASIL, 1995).
A Consolidação das Leis do Trabalho, em seu Capítulo V, Seção XIV, artigo 198, estabelece como sendo de 60 Kg o peso máximo a ser removido por um trabalhador. Porém, existem controvérsias comprovadas no que diz respeito a esta determinação por ser incompatível com o organismo humano. (GRANDJEAN, 1998)
Bulhões (1998) enfoca a Norma Regulamentadora 17 resumidamente, destacando os itens de maior importância para enfermagem:
• Levantamento e transporte de cargas e materiais (limitação do peso; peso máximo permitido não deve comprometer a saúde e a segurança; facilitação por meios técnicos apropriados).
• Mobiliário dos postos de trabalho (altura e características compatíveis com a atividade; fácil alcance e visualização; dimensões que possibilitem posicionamento e movimentação adequados aos segmentos do corpo).
• Equipamentos (adequação às características psicofisiológicas dos trabalhadores e à natureza do trabalho). Quando as tarefas envolverem o ato da leitura, deve-se utilizar documentos de fácil legibilidade; vedada a utilização de papel brilhante ou capaz de provocar ofuscamento.
• Condições ambientais (iluminação geral ou suplementar projetada e instalada de forma a evitar ofuscamento, reflexos incômodos, sombra e contrastes excessivos; para os níveis de iluminamento, observar os valores de iluminâncias estabelecidos na Norma Brasileira 5.413). Nas atividades intelectuais com exigência de atenção constante (níveis de ruído não superior a 65 db (A); temperatura efetiva entre 20º e 23º C; umidade relativa do ar não inferior a 40%).
• Organização do trabalho como normas de produção, modo operatório, exigência de tempo, ritmo do trabalho e conteúdo das tarefas (todo e qualquer sistema de avaliação de
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desempenho deve considerar as repercussões sobre a saúde dos trabalhadores; inclusão de pausas para descanso).
Quando mulheres, a (NR) 17 descreve que: “Quando mulheres e trabalhadores jovens forem designados para o transporte de cargas, o peso máximo destas cargas deverá sr nitidamente inferior àquele admitido para os homens, para não comprometer a sua saúde ou sua segurança”. (Brasil, 1990)
As recomendações descritas acima, extraídas da (NR) 17, quando acatadas devidamente, podem evitar acidentes para os trabalhadores da área de saúde. Realizar uma análise ergonômica da situação de trabalho da enfermagem através da identificação dos riscos posturais pode minimizar a ocorrência dos problemas de doenças ocupacionais relacionadas, e a orientação e o treinamento de métodos adequados em relação aos procedimentos de manuseio de clientes pode ser uma estratégia a ser adaptada para esse fim.
Em outro ponto de vista, a ergonomia é estendida a várias outras formas de trabalho, em suma a qualquer atividade onde se realiza procedimentos dos mais diferentes campos de atuação. Toda a moderna pesquisa administrativa aponta a educação e o treinamento, quer dizer a melhoria da mão-de-obra, como investimento não menos importante que a máquina, a energia e a matéria-prima. Todos estes elementos estão acompanhando a evolução das empresas, principalmente nesta era em que um assunto muito comentado é a Qualidade Total. O treinamento, então, passa a ser considerado um dos pontos-chave para alcançá-la.
As empresas começam a investir cada vez mais na qualificação de seus trabalhadores, oferecendo-lhes diversos treinamentos e oportunidades para melhorarem suas performances. Porém, estes treinamentos nem sempre alcançam os objetivos esperados. Muitos são os motivos, mas poucos são conhecidos e/ ou considerados.
Sabe-se que o trabalho é realizado pelos trabalhadores, mas organizado, analisado, criticado, melhorado e, em geral, falado por outros: administradores, supervisores,
ergonomistas, psicólogos, sociólogos, engenheiros e diversos outros especialistas. O treinamento segue o mesmo padrão: ele não é organizado por aqueles que realizam o trabalho, e sim por aqueles que dizem o que outros fazem ou devem fazer. Esta divisão do trabalho tende a criar sérias conseqüências sobre as condições e as relações de trabalho.
Acreditamos que a ergonomia não é somente um mero componente do Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA) da Empresa, mas peça integrante da rotina dos profissionais das unidades de centro cirúrgico, achou-se necessário um estudo direto dos riscos posturais apresentados pela enfermagem na realização da técnica de transferência dos clientes, imediatamente após o procedimento cirúrgico, da mesa de operações para a maca de transporte (PARADA et al, 2002).
As Gerações da Ergonomia
A ergonomia, ao longo do tempo, tem evoluído, evidentemente, acompanhando a evolução da organização do trabalho e as inovações tecnológicas.
A ergonomia evoluiu dos esforços do homem em adaptar ferramentas, armas e utensílios às suas necessidades e características. Porém somente apresentou seu apogeu a partir da Revolução Industrial, pois, com o surgimento da fábrica e a intensificação do trabalho, esta encontra sua maior aplicação.
A Primeira Geração da Ergonomia: A Interface Homem-Máquina O primeiro estágio histórico da ergonomia estabeleceu-se à partir da II Guerra Mundial, principalmente com o projeto ergonômico de estações de trabalho industriais na Europa e no Japão ( reconstrução do pós guerra), e na indústria aeroespacial dos Estados Unidos.
Rapidamente, a ergonomia se expandiu até alcançar, também, os sistemas de transporte, os produtos de consumo, aspectos de segurança, dentre outros.
Esta primeira geração da ergonomia enfocou o projeto das interfaces
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MÁQUINA, que incluíram os comandos econtroles, displays, arranjos do espaço de trabalho e o ambiente físico do trabalho. A grande maioria das pesquisas enfocava as características físicas perceptuais do homem e a aplicação destes conhecimentos no projeto de máquinas e equipamentos. Por esta razão, este primeiro estágio foi considerado o estágio da ergonomia física e denominado “ tecnologia da interface HOMEM- MÁQUINA” .
Neste cenário, dois psicólogos americanos propõem um tratamento sistêmico para a Ergonomia onde todos podem se enxergar: a ergonomia seria a ciência de sistemas homens-máquinas. Sua idéia era de considerar tanto o ser humano quanto as máquinas industriais domínios de disciplinas distintas da ergonomia : as ciências do homem individual e a engenharia de máquinas.
Neste sentido eram problemas que não caberiam na episteme desta disciplina nascente. Esta teoria um domínio bem definido, a zona de relacionamento entre o ser humano e seus objetos e instrumentos de trabalho, não importando a forma ou instância desse relacionamento. Advogando por uma sociedade futurista e acreditando no mito da eliminação do trabalho dito manual, eles colocam....” os anos recentes e particularmente os da Segunda Grande Guerra produziram um crescimento bastante sensível do número de pesquisas aplicadas ao problema da concepção de máquinas visando uma melhor utilização pelo ser humano. O termo americano Engenharia de Fatores Humanos aparece para designar o estudo e a realização das máquinas, dos postos de trabalho e mesmo dos ambientes que possam corresponder às capacidades e limites do homem. A finalidade da Ergonomia[ neste paradigma] é, portanto, de conceber equipamentos, ritmos e ambientes de trabalho que possam facilitar ao processos de informação, de decisão e de execução para obter um rendimento máximo do conjunto do sistema HOMEM- MÄQUINA.
O modelo de sistema homem-máquina se aplica a um reduzido número de situações de trabalho onde o campo da atividade humana se resume a um conjunto de ações sobre as interfaces de um processo produtivo; no entanto
não se presta para descrever atividades onde o objeto de trabalho é parte essencial no desenvolver da atividade( VIDAL, 1993).
A Segunda Geração da Ergonomia: Interface Usuári-Sistema
Num segundo momento evolutivo da ergonomia ocorre uma mudança na preocupação central do aspecto do homem, deixa-se de ter como ponto principal os aspectos físicos e perceptuais do trabalho e passa-se para a sua natureza cognitiva, esta alteração se reflete em decorrência de uma presença mais intensiva de sistemas computacionais no meio de trabalho e, consequentemente, o uso de processamento de informação tornou-se uma preocupação central (COUTO, 1995)
As ciências cognitivas(inteligência natural) e a inteligência artificial começaram a ser estudadas, mais ou menos ao mesmo tempo, aos fins dos anos 50. Formalismos, ferramentas e programas são as três áreas de desenvolvimento em inteligência artificial. O casamento da Psicologia Cognitiva com a inteligência artificial permitiu que diversos desses formalismos relativos à representação do conhecimento em mecanismos inerentes ao processo relativo à aquisição desses conhecimentos fossem utilizados como Modelo Teórico para a psicologia (SANTOS,1997).
Este segundo estágio é considerado, então, o estágio da ergonomia de software e denominado estágio da “ tecnologia de interfaces usuário- sistema”. Importantes contribuições na melhoria e no desenvolvimento de produtos e sistemas tem sido alcançados com este enfoque, que como primeiro continua a ter grande aplicação atualmente (HENDRICK,1993a).
A Terceira Geração da Ergonomia: Interface Organização Homem - Máquina
A terceira geração da ergonomia, isto é, a macroergonomia surge devido às constantes mudanças decorrentes da organização do trabalho e pelo desenvolvimento tecnológico, e se caracteriza pela aplicação de conhecimentos sobre pessoas e organizações ao projeto,
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implementação e uso de tecnologia (COUTO, 1995).
Para HENDRICK (1993a), a tecnologia da ergonomia é a tecnologia da interface MOMEM-SISTEMA, isto é, enquanto ciência a ergonomia lida com as capacidades humanas e em como esses fatores se relacionam com o projeto das interfaces entre as pessoas e os demais componentes do sistema.
“Esta terceira geração vem em resposta a importantes mudanças que estão afetando o trabalho do homem, particularmente com relação a: 1) tecnologia (o rápido desenvolvimento de novas tecnologia nas indústrias de computadores e das telecomunicações afetará profundamente a organização do trabalho e as interfaces homem-máquina 2) mudanças demográficas (aumento da idade média da população e a extensão da vida produtiva dos trabalhadores levando a um contexto de trabalhadores mais experientes, melhor preparados e profissionalizados, exigindo organizações menos formalizadas e processos de tomada de tomada de decisão mais descentralizados 3) mudanças de valores (trabalhadores atualmente valorizam e esperam ter um maior controle sobre o planejamento e execução do seu trabalho, maior responsabilidade de tomada de decisão e tarefas mais largamente definidas, de forma a permitir maior senso de responsabilidade e realização e 4) aumento da competitividade mundial (a sobrevivência de qualquer grande empresa no futuro dependerá da eficiência de operação e a produção de produtos de qualidade (HENDRICK,1993b).
Macroergonomia entende as organizações como sistemas sócio-técnicos e incorpora conceitos e procedimentos da teoria dos sistemas sócio-técnicos ao campo da ergonomia”.
A macroergonomia, portanto, entendendo as organizações como sistemas abertos, em permanente interação com o ambiente e evidentemente, passando por processos de adaptação e, ao mesmo tempo, passíveis de apresentar disfunções organizacionais, que se refletem nas suas performances e muito particularmente, no subsistema social , através da metodologia própria da ergonomia - a análise ergonômica do trabalho - desenvolve a análise
do trabalho, e promove o tratamento da interface MÁQUINA - HOMEM - ORGANIZAÇÃO.
A Ergonomia Participativa
A ergonomia participativa propicia uma perspectiva na macroergonomia.
O termo foi originalmente proposto por pesquisadores, em 1994 e, desde então, tem se firmado como “a nova tecnologia para disseminação da ergonomia” .
Tem sido, também, considerada como a abordagem mais apropriada e mais aplicada dentro do contexto da macroergonomia.
O processo participativo inclui quatro áreas específicas: declaração de objetivos, tomada de decisões, solução de problemas e planejamento, e condução das mudanças organizacionais.
A participação do trabalhador tem tido uma grande diversidade de significados, formas e motivos no curso do século vinte. Muitos termos diferentes são usados para descrever -ou prescrever - o envolvimento ativo do trabalhador na tomada de decisão no trabalho : participação do trabalhador, democracia industrial, controle dos trabalhadores, auto-gerenciamento, democracia no local de trabalho, co-determinação, envolvimento dos empregados, qualidade de vida no trabalho. Esta diversidade reflete não somente períodos históricos, tradições nacionais ou teorias acadêmicas, mas a realidade do conflito e significado, discutidos sobre a natureza do trabalho, a distribuição do poder e, muito freqüentemente, o futuro da própria sociedade industrial.
Em sua evolução conceitual, verifica-se que a ergonomia, hoje, se constitui numa ferramenta de gestão empresarial. De nada adianta a certificação de processos e produtos, se não se consegue certificar sentimentos, crenças, hábitos, costumes, isto é, certificar o homem. Uma das formas de compatibilizar os sistemas técnico e social, é evidentemente, o que preceitua a ergonomia : a visão antropocêntrica. O centro das atenções no homem, isto é, a antropocentricidade da Ergonomia, favorece não só mudanças organizacionais, como também
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alavanca mudanças no conceito deprodutividade, este sendo visto à partir da qualidade de vida no trabalho, observando, dentre outros parâmetros: a participação do trabalhador, a liberdade para a criação e a valorização do saber fazer.
A importância da Avaliação Ergonomica Nossa postura pode ser definida como a posição que nosso corpo adota no espaço, bem como a relação direta de suas partes com a linha do centro de gravidade. Para que possamos estar em boa postura, é necessário uma harmonia/ equilíbrio do sistema neuromusculoesquelético. Cada indivíduo apresenta características individuais de postura que podem vir a ser influenciada por vários fatores: anomalias congênitas e/ou adquiridas, má postura, obesidade, alimentação inadequada, atividades físicas sem orientação e/ou inadequadas, distúrbios respiratórios, desequilíbrios musculares, frouxidão ligamentar e doenças psicossomáticas.
A boa postura é aquela que melhor ajusta nosso sistema musculoesquelético, equilibrando e distribuindo todo o esforço de nossas atividades diárias, favorecendo a menor sobrecarga em cada uma de suas partes.
A avaliação postural se faz importante para que possamos mensurar os desequilíbrios e adequarmos a melhor postura a cada indivíduo, possibilitando a reestruturação completa de nossas cadeias musculares e seus pocisionamentos no movimento e/ou na estática. A partir deste procedimento, estaremos com certeza promovendo a prevenção de muitos males causados inicialmente pela má postura, fruto de ausência de controle e informação (RADOVANOVIC, 2002).
Análise do Posto de Trabalho 1. Mantenha boa postura quando usar o teclado. Use uma cadeira que tenha suporte para as costas.
2. Mantenha seus pés apoiados no chão ou em um suporte apropriados para apoiar os pés. Isso ajuda a reduzir a pressão sobre as
costas.
3. Evite girar ou inclinar o tronco ou o pescoço ao trabalhar. Itens de uso freqüente devem ser posicionados diretamente a sua frente em um anteparo para cópias.
4. Mantenha seus ombros relaxados, com os cotovelos junto ao corpo.
5. Evite apoiar seus cotovelos em superfície dura ou na mesa. Use pequenas almofadas se necessário .
6. O antebraço deve ficar alinhado em angulo de 100 a 110 graus com o teclado de modo a ficar em posição relaxada. Isso requer que o teclado fique em posição inclinada (a parte de trás do teclado, que fica mais próxima a você deve ficar mais alta que a parte da frente, isto é, a que fica mais próxima ao monitor) durante o trabalho.
7. Os pulsos devem ficar em posição neutra ou reta ao digitar ou se usar algum dispositivo de apontamento ou calculadora. Movimente seus braços sobre o teclado e os apoios para os pulsos enquanto digita. Evite permanecer com os cotovelos sobre a mesa ou os apoios. Isso evita que os pulsos sejam forçados a assumir posições para cima, para baixo e para os lados.
•Ritmo de Trabalho
8. Trabalhe em ritmo razoável.
9. Faça pausas freqüentes durante o dia. Estas pausas podem ser breves e incluir
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alongamento para otimizar os resultados. Se possível, dê 1 ou 2 minutos de pausa a cada 15 ou 20 minutos e 5 minutos a cada hora. A cada duas ou três horas levante-se, de uma volta e faça uma atividade alternativa.
• Técnica de Trabalho
10. Diminua o número de movimentos repetitivos. Isto pode ser feito com auxilio de teclas de atalho e com o uso de programas especiais para esse fim. O uso de combinações de teclas também em muito contribui para reduzir o uso do mouse e de cliques.
11. Altere as tarefas a fim de não permanecer com o corpo na mesma posição, por tempos prolongados, durante o trabalho.
12. Mantenha seus dedos e articulações relaxadas enquanto digita.
13. Nunca segure caneta ou lápis nas mãos enquanto estiver digitando.
14. Evite bater no teclado com muita força. Suas mãos devem ficar relaxadas. Estudos mostram que a maioria dos usuários bate no teclado com força 4 vezes maior que o necessário
15. Descanse seus olhos olhando, de vez em quando, para objetos diferentes enquanto trabalha.
• Ambiente de Trabalho
17. Evite perder tempo procurando coisas enquanto digita. Seus apontamentos, arquivos e telefones devem estar em lugar de fácil acesso. 18. Use um apoio para o teclado e para o mouse de modo a posicioná-los corretamente.
19. Para facilitar a cópia de textos use um anteparo de prender folhas.
20. Quando você estiver escrevendo algo no computador, evite procurar coisas sobre o teclado ou outros materiais. Um anteparo para colocar o material a ser copiado ajudar bastante. 21. Ajuste e posicione o monitor de modo que ao olhar para ele seu pescoço fique em posição nutra ou reta. O monitor deve ficar diretamente a sua frente. A parte superior da tela deve estar diretamente à frente de seus olhos de modo que ao olhar para ela você olhe levemente
para baixo.
22. Regule o monitor de modo a evitar brilho excessivo. Evite também reflexos de janelas e outras fontes luminosas.
23. Personifique seu computador. O tipo de letra, o contraste, a velocidade e tamanho do ponteiro do mouse e as cores da tela podem ser configuradas para melhor conforto e eficiência.
• Estilo de Vida
24. Exercícios aeróbicos ajudam a manter a forma física, aumentar a resistência cardiovascular e diminuir a tensão dos usuários de computadores
25. Uso de medicamentos e ou munhequeiras para os pulsos sem receita e acompanhamento médico não são recomendados. Se você começar a apresentar sintomas, procure mais informações e ajuda de seu médico. Pequenas mudanças feitas logo que se notar os primeiros sintomas podem evitar complicações futuras em muitos casos.
Conclusão
Sendo a Ergonomia uma abrangência do estudo das unidades de trabalho, que se preocupa com o funcionamento global de uma equipe inserida na distribuição de tarefas entre o homem e máquinas, denota-se que não se restringe a avaliações empresariais, ou seja, de industrias, mas sim está inserida em nosso cotidiano sempre onde há a execução de uma tarefa, seja essa uma simples atividade doméstica até as mais complexas.
A análise dos postos de trabalho estuda a essência da atuação do trabalhador, enfatizando a qualificação da tarefa, da postura e das exigências físicas e psicológicas, em uma abordagem ergonômica, portanto, faz-se necessária uma avaliação e revisão de nosso modo de vida.
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