ALTERAÇÕES FISIOLÓGICAS EM GESTANTES E GRAVIDEZ NA
ADOLESCÊNCIA
Eliane Oliveira do Nascimento Universidade Estadual do Ceará.
Amanda Diogo Matos Universidade Estadual do Ceará.
Lediana Aguiar da Silva Universidade Estadual do Ceará.
Marcelo Campêlo Dantas Universidade Estadual do Ceará.
RESUMO
Durante a gestação o organismo materno sofre modificações anatomofisiológicas com intuito de favorecer o período gestatório, decorrem principalmente de alterações hormonais e fatores mecânicos. A gravidez na adolescência é vista como um problema de saúde pública especialmente pelo fato de propiciar riscos ao desenvolvimento da criança gerada e da própria adolescente gestante. Desta forma, este trabalho vem destacar as principais alterações fisiológicas que ocorrem com maior frequência no período da gravidez, como também como está o atendimento de gestantes no Sistema Único de Saúde e uma abordagem de gravidez na adolescência na escola. O trabalho foi realizado no município de Novo Oriente – CE, com dois grupos de estudo: gestantes que realizam o pré-natal em uma Unidade Básica de Saúde (UBS), e um grupo de adolescentes na escola. O estudo surgiu da necessidade de gerar novas perspectivas para o bem estar das mulheres grávidas do município estudado. A análise das respostas permitiu compreender a importância de fazer um pré-natal com qualidade, e se trabalhar ainda mais a educação sexual na escola. A pesquisa possibilitou o acompanhamento das gestantes em diversas etapas. E que, a maioria faz pré-natal nos serviços de saúde pública, nas UBS com profissionais da área.
Palavras-chave: Desenvolvimento da criança. Pré-natal. Educação sexual.
2 A gravidez é vista como um processo fisiológico compreendido pela sequência de adaptações ocorridas no corpo da mulher a partir da fertilização (ASSIS & TIBÚRCIO, 2004). A gestação produz profundas alterações no organismo materno, com o objetivo fundamental de adequá-lo às necessidades orgânicas próprias do complexo materno-fetal e do parto (REIS, 1993).
As alterações no organismo materno são decorrentes de modificações gerais e locais, que induzem uma série de adaptações fisiológicas, atribuídas aos hormônios da gravidez e à pressão mecânica, devido ao aumento do útero e outros tecidos. As adaptações a estas alterações são necessárias para que inicialmente, o embrião e, depois o feto tenham um desenvolvimento dentro dos padrões de normalidade e para que a mulher se adapte ao evento da gravidez (SOUZA; et al, 2009). A adaptação da mulher a esta fase pode ser difícil, necessitando de atenções contínuas e profissionais treinados. (SCHICOVSKI, et al., 2009).
Segundo Correia e Alves (2000) estas alterações gradualmente se vão dando no corpo, acrescidas do aumento de peso que se verifica, condicionam na grávida, alterações marcadas na postura e no andar. A grande distensão abdominal que a empurra para frente, a diminuição do tónus muscular abdominal e o aumento de peso que se verificam exigem um realinhamento das curvaturas da coluna vertebral.
A gravidez na adolescência constitui-se um problema de relevância social que precisa ser realmente tratado no âmbito escolar de modo que, através da informação e de uma educação sexual correta, se possa minimizar os altos índices de sua ocorrência. No entanto, se a gravidez precoce acontece, é preciso que se ofereça à adolescentes subsídios para que possa enfrentar a gravidez e compreender as mudanças que acontecem durante esse período (GOMES, 2012).
Dados sobre a gravidez na adolescência mostram um aumento na taxa de fecundidade para esta população, quando comparada a mulheres adultas, especialmente nos países mais pobres, como é o caso dos latino-americanos. Segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente, Lei n.º 8069/90, adolescente é todo indivíduo com idade entre 12 e 18 anos. Para a Organização Mundial de Saúde (OMS), esse período envolve indivíduos com idades entre 10 a 19 anos. (GONTIJO & MEDEIROS2004, citado por KOLLER et al., 2010). Em 2006, 500
3 mil crianças e adolescentes entre 10 e 19 anos deram à luz no Brasil. Pesquisa do Departamento de Pediatria do Hospital Universitário de Brasília indica que 63% das garotas que engravidam, param de estudar e, delas, 60% abandonam de vez a escola ao parir.
Terceira causa de morte de jovens nessa faixa etária e principal motivo de evasão escolar entre as meninas. A maternidade precoce não preocupa apenas agentes de saúde em todo o país, mas também os educadores (MOÇO, 2008).
Nos últimos dez anos, é inegável que o Sistema Único de Saúde (SUS) passou por transformações importantes comparáveis aos vários momentos de modernização dos setores produtivos no Brasil. Se quisermos utilizar apenas uma palavra para caracterizar estas mudanças, poderíamos apontar a palavra inclusão. Ela permite definir a ampliação do acesso da população aos serviços de saúde quando, a partir da reformulação do arcabouço constitucional em 1988, ficam inscritos os princípios de universalidade, equidade e integralidade das ações. (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2003).
Ao longo dos anos, diversas pesquisas indicaram que unidades básicas de saúde, funcionando adequadamente, de forma resolutiva, oportuna e humanizada, são capazes de resolver, com qualidade, cerca de 85% dos problemas de saúde da população. O restante das pessoas precisará, em parte, de atendimentos em ambulatórios de especialidades e apenas um pequeno número necessitará de atendimento hospitalar (SECRETARIA DE POLÍTICAS DE SAÚDE, 2000).
Todas as Unidades Básicas de Saúde do SUS devem oferecer atendimento adequado com uma assistência frequente. Para isso, visa-se suprir as necessidades de atenção específica à gestante, ao recém-nascido e à mulher no período pós-parto buscando concentrar esforços no sentido de reduzir as altas taxas de morbimortalidade materna e perinatal; adotar medidas que assegurem a melhoria do acesso, da cobertura e da qualidade do acompanhamento pré-natal, da assistência ao parto, puerpério e neonatal (GOMES, et, al., 2009).
Neste contexto, a instituição escolar também pode contribuir muito para prevenção e conscientização dos jovens na sociedade. A educação é o
4 cerne do desenvolvimento da pessoa humana e da sua vivência na sociedade. Nesse processo, o ser humano aprende os modelos vigentes na sociedade, que perpassam todas as instâncias da vida, como hábitos, costumes, crenças e valores. Contudo, como a sociedade não é homogênea, os modelos transmitidos traduzirão os conflitos existentes no interior dessa mesma sociedade (SANTOS, 2011).
Assim, objetivo deste estudo foi procurar novas perspectivas para o bem estar das mulheres grávidas do município estudado. A análise das respostas permitiu compreender a importância de fazer um pré-natal com qualidade, e se trabalhar ainda mais a educação sexual na escola.
METODOLOGIA ou DESCRIÇÃO DA EXPERIÊNCIA
A pesquisa foi desenvolvida na Unidade Básica de Saúde onde atende o Programa Saúde da Família (PSF), e na Escola de Ensino Médio Coelho Mascarenhas, localizadas no município de Novo Oriente (CE). A população de estudo da UBS compreendeu 20 mulheres grávidas na faixa etária de 20 a 35 anos, que realizavam seu pré-natal. A pesquisa na escola compreendeu 10 alunas adolescentes na faixa etária de 15 a 17 anos, que frequentam a escola.
Trata-se de um estudo com abordagem quantitativa e qualitativa. Para o levantamento dos dados foram utilizados dois questionários com questões semiestruturadas. A análise dos dados foi realizada de forma descritiva que consistiu em analisar as questões objetivas e subjetivas, agrupando-as no sentido de acordo coma as respostas dos entrevistados, onde as mesmas são advindas do conhecimento teórico, popular e também da prática do dia-a-dia.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
A princípio foi analisado o perfil das gestantes, e constatou-se que a
maioria exercia a profissão de doméstica (67,0%) e estudante (33,0%), com renda mensal de até um salário mínimo. Das entrevistadas, 40,0% eram casadas, 27,0% moravam juntas com companheiro e 33,0% eram solteiras. A
5 primeira abordagem realizada na pesquisa foi em relação ao conhecimento repassado às gestantes sobre as modificações ocorridas em seus corpos. Cerca de 70,0% afirmaram que haviam sido informadas a respeito disso. Embora uma pequena parcela relatou que as consultas de pré-natal não eram bem realizadas, não havendo explicação em relação às dores, à alimentação equilibrada nem dos cuidados à saúde.
Em relação à qualidade de vida, cerca de 50,0% costumavam realizar exercícios físicos, como a caminhada. A atividade física na gestação tem sido recomendada, na total ausência de qualquer anormalidade, mediante avaliação médica especializada e prescrição realizada por um profissional de Educação Física. Além disso, a prática de exercícios físicos pode ter impactos positivos no sentimento de autoestima, na convivência com outras gestantes e os sentimentos de segurança e de felicidade (COSTA, et al., 2010). Quanto à alimentação, 90,0% afirmaram que a alimentação estava de acordo com as orientações do profissional ao qual faziam o pré-natal.
Foi perguntado às gestantes que já eram multigestas, se já tinham vivenciado alguma gravidez de risco. Cerca de 55,0% afirmaram que sim e 15,0% delas haviam tido outros partos prematuros. Segundo relatos feitos por algumas dessas gestantes, o profissional que as acompanhavam durante suas gestações não era o mesmo que realizava os partos, o que dificultava bastante, devido ao médico não conhecer o histórico delas.
Já em relação às adolescentes entrevistadas, o percentual de alunas grávidas com faixa etária entre 15 a 17 anos foi de 10.0% (10 gestantes). De acordo com os dados da pesquisa, 85,0% realizavam o pré-natal em unidades públicas de saúde. Por isso que são necessários mais investimentos nos serviços de saúde pública, já que boa parte da população brasileira se beneficia destes serviços.
Foi questionado com as adolescentes grávidas se seus pais conversavam a respeito de sexualidade com elas. A maioria (80,0%) afirmou que não. Isso evidencia que a prevenção não vem da base, e às vezes a orientação da escola não é suficiente. A escola trabalha orientação sexual com intuito de prevenir os jovens de gravidez indesejada, Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs) e disseminar esse conhecimento não repassado pelos pais. Na Escola Coelhos Mascarenhas, o trabalho de conscientização é
6 realizado em quase todas as turmas, podendo contribuir muito para o aprendizado dos adolescentes, em relação à vivência da sexualidade.
Com relação ao abandono escolar, 80,0% disseram que não pretendiam abandonar os estudos após ganharem a criança. Esse dado é importante, pois mostra um avanço na história da educação em relação ao apoio a estas meninas na escola e na sala de aula, além do fortalecimento dos vínculos familiares, onde já se vê os pais aceitando tal realidade, diminuindo os casos de evasão escolar.
CONCLUSÃO
Tendo em vista os objetivos do estudo, percebeu-se que, sob a ótica das gestantes, as informações oferecidas pelos profissionais durante a assistência pré-natal sobre as modificações fisiológicas advindas da gestação, são parcialmente suficientes para que suas dúvidas sejam esclarecidas. Mas percebe-se ainda um déficit no compartilhamento de informações sobre as alterações da gravidez durante as consultas de pré-natal. Faz-se necessário sensibilizar os profissionais que realizam as consultas de pré-natal sobre a importância de esclarecer e orientar as gestantes sobre as alterações gravídicas, a fim de que estas sejam vivenciadas da forma mais tênue possível, objetivando a diminuição dos níveis de ansiedade e temor que geralmente ocorrem nesses momentos.
Quanto à vivência da gravidez na adolescência na escola percebeu-se que a escola está trabalhando, ou seja, está fazendo sua parte, e que as famílias estão mais abertas e mais disponíveis para conversar com os filhos. As adolescentes grávidas não têm mais receio de não continuar na escola, e ainda, após o nascimento da criança dão continuidade aos estudos, evitando assim, que haja casos de evasão escolar. Sugere-se que as adolescentes participem mais de programas voltados a orientação sexual, para que sejam evitadas tantas ocorrências, e que seja também trabalhada a família.
REFERÊNCIAS
ASSIS, Rafaela Guimarães de, TIBÚRCIO, Roberta Espírito Santo. Prevalência e característica da lombalgia na gestação: um estudo entre gestantes
7 assistidas no programa de pré-natal da maternidade dona íris em Goiânia. Trabalho apresentado para fins de avaliação na disciplina Trabalho de Conclusão de Curso II do curso de Fisioterapia da Universidade Católica de Goiás, 2004. Disponível em:www.ucg.br/ucg/ monografia_13.pdf. Acesso em: 06/04/2013.
CORREIA, Maria, ALVES, Maria. Análise psicológica – psicologia da gravidez e da maternidade: Instituto Superior de Psicologia Aplicada. Odivelas - Portugal: 2000. ISBN 0870-823.
GOMES, Silvia Janaina Silveira. A gravidez na adolescência e o contexto escolar, 2012. Disponível em: www.cmdca-sl.org.br. Acesso em: 18/04/2013. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Programa Saúde da Família: ampliando a cobertura para consolidar a mudança do modelo de Atenção Básica. Recife:Revista Brasileira Saúde Materno Infantil, vol. 3 n.1 Jan./Mar. 2003.
MOÇO, Anderson. Gravidez precoce, 2008. Disponível em: http://educarparacrescer.abril.com.br/gestao-escolar/materias_295787.shtml. Acesso em: 21/04/2013.
REZENDE, Jorge de. Obstetrícia. 5ª edição. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan S. A, 1987.
REIS, Guilherme. Alterações fisiológicas maternas da gestação. Campinas – SP: Revista Brasileira de Anestegiologia, vol. 43, n. 1, Janeiro – Fevereiro, 1993.
SANTOS, Marília Manfrin dos, GALLO, Ana Paula. Lombalgia gestacional: prevalência e características de um programa pré-natal. Santo André – SP: Arquivo Brasileiro Ciência Saúde, vol. 35, n. 3, p. 174-9, Set/Dez, 2010.
SECRETARIA DE POLÍTICAS DE SAÚDE. Departamento de atenção Básica. Programa
Saúde da Família. São Paulo: Revista Saúde Pública, vol. 34, n. 3, p. 316-119 jun, 2000.
AGRADECIMENTOS
Universidade Estadual do Ceará- UECE. Faculdade de Educação de Crateús- FAEC. Às gestantes que participaram da pesquisa. Ao colégio E.M. Coelho Mascarenhas. À Unidade Básica de Saúde estudada.