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(1)
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REVISTA DE DIREITO INTERNACIONAL

BRAZILIAN JOURNAL OF INTERNATIONAL LAW

Editores responsáveis por essa edição:

Editores gerais:

Marcelo Dias Varella, Nitish Monebhurrun Editores especiais

Márcia Dieguez Leuzinger e Solange Teles da Silva

Revista de Direito Internacional

Brazilian Journal of International Law Brasília v. 13 n. 2 p. 1 - 596 out 2016

ISSN 2237-1036

(3)

REVISTA DE DIREITO INTERNACIONAL BRASILIAN JOURNAL OF INTERNATIONAL LAW Programa de Mestrado e Doutorado em Direito Centro Universitário de Brasília

Reitor

Getúlio Américo Moreira Lopes

Presidente do Conselho Editorial do UniCEUB Elizabeth Regina Lopes Manzur

Diretor do ICPD

João Herculino de Souza Lopes Filho

Coordenador do Programa de Mestrado e Doutorado e Editor Marcelo Dias Varella

Linha editorial

A Revista de Direito Internacional (RDI) foi criada como instrumento de vinculação de trabalhos acadêmicos relacionados a temáticas tra- tadas pelo Direito Internacional Público e Privado. A revista é sucessora da Revista Prismas, que foi dividida em dois periódicos (junto com Revista Brasileira de Políticas Públicas), em virtude da quantidade de submissão de artigos e procura. Na busca pelo desenvolvimento e construção de visões críticas a respeito do Direito Internacional, a RDI possui sua linha editorial dividida em dois eixos:

1. Proteção internacional da pessoa humana: abrange questões referentes ao direito internacional ambiental, direito humanitário, inter- nacionalização do direito, além de pesquisas sobre a evolução do direito dos tratados como forma de expansão do direito internacional contemporâneo.

2. Direito Internacional Econômico: abrange questões referentes aos sistemas regionais de integração, direito internacional econômico e financeiro e solução de controvérsias comerciais e financeiras. A RDI busca incentivar a pesquisa e divulgação de trabalhos relacionados as disciplinas voltadas para o estudo do Direito Internacional publicando artigos, resenhas e ensaios inéditos. A revista está aberta às mais diversas abordagens teóricas e metodológicas impulsionando a divulgação, o estudo e a prática do Direito Internacional.

Comitê editorial

Alice Rocha da Silva, Centro Universitário de Brasília

Cláudia Lima Marques, Universidade Federal do Rio Grande do Sul José Augusto Fontoura Costa, Universidade de São Paulo Julia Motte Baumvol, Université d’Evry Val d’Essonne

Nádia de Araújo, Pontíficia Universidade Católica do Rio de Janeiro Nitish Monebhurrun, Centro Universitário de Brasília

Sandrine Maljean-Dubois, Universidade Aix-Marseille, França Carolina Olarte Bacares, Universidade Javeriana, Colômbia

Layout capa

Departamento de Comunicação / ACC UniCEUB Diagramação

S2 Books Disponível em:

www.rdi.uniceub.br Circulação

Acesso aberto e gratuito

Matérias assinadas são de exclusiva responsabilidade dos autores.

Citação parcial permitida com referência à fonte.

(4)

Revista de Direito Internacional / Centro Universitário de Brasília, Programa de Mestrado e Doutorado em Direito, volume 13, número 2 - . Brasília : UniCEUB, 2011- .

Quadrimestral.

ISSN 2237-1036

Disponível também on-line: http://www.rdi.uniceub.br/

Continuação de: Revista Prismas: Direito, Políticas Públicas e Mundialização. Programa de Mestrado em Direito do UniCEUB.

1. Direito Internacional. 2. Políticas Públicas. 3. Mundialização. I. Programa de Mestrado em Direito do UniCEUB. II. Centro Universitário de Brasília.

CDU 34(05)

Ficha catalográfica elaborada pela Biblioteca Reitor João Herculino

A partir desse volume a RDI passará a ter exemplares quadrimestrais

Endereço para Permuta Biblioteca Reitor João Herculino SEPN 707/907 Campus do UniCEUB Cep 70790-075 Brasília-DF Fone: 61 3966-1349

e-mail: [email protected]

(5)

Sumário

D

ossiê

T

emáTico

: D

ireiTo

i

nTernacional

e

conômico

...1

c

rônicas DeDireiToinTernacionalprivaDo

... 3

Gustavo Ferreira Ribeiro, Inez Lopes Matos Carneiro de Farias, Nadia de Araujo e Marcelo De Nardi Crônica 1: artigo 1(1)(b) sobre o escopo de aplicação da CISG - apreciação recente na jurisprudência brasileira ... 3

Crônica 2: o Brasil e o novo sistema de cobrança internacional de alimentos ... 7

Crônica 3: sentenças estrangeiras com circulação facilitada - notícias da 1ª reunião da comissão pela conferência da Haia de direito especial realizada internacional privado em junho de 2016 ...15

D

ossiê

T

emáTico

: D

ireiTo

i

nTernacional

e

conômico

...21

e

DiTorial

...22

Márcia Dieguez Leuzinger e Solange Teles da Silva

i

mprovingTheeffecTivenessoflegalarrangemenTsToproTecTbioDiversiTy

: a

usTra

-

liaanD

b

razil

...25

Paul Martin, Márcia Dieguez Leuzinger e Solange Teles da Silva 1. Introduction ... 25

2. Trajectories of biodiversity protection and restoration in both countries ... 26

2. Reported performance. ... 27

3. Australia’s performance ... 27

4. Overcoming habitat loss and fragmentation ... 29

5. The effectiveness of invasive species management ... 30

6. Brazil’s performance ...31

7. Conclusions across both jurisdictions ... 35

References ... 35

o

reconhecimenToDaDigniDaDeDoselemenTosDabioDiversiDaDecombasenoDiálo

-

goenTreoDireiToinTernacionaleoorDenamenTojuríDicobrasileiro

...39

Augusto César Leite de Resende 1. Introdução ... 40

2. A abertura do ordenamento jurídico brasileiro ao direito internacional ...41

(6)

3. A base antropocêntrica da crise ecológica e a necessidade de uma nova visão alicerçada na dignifi-

cação da natureza ... 42

4. A positivação da dignidade dos seres vivos na ordem jurídica brasileira ... 45

5. Considerações finais ... 49

Referências bibliográficas ... 50

o

regimeinTernacionalDoclimaeaproTeçãoaos

refugiaDosclimáTicos

”:

quaisDe

-

safiosDa

cop 21? ...53

Ana Carolina Barbosa Pereira Matos e Tarin Cristino Frota Mont’Alverne 1. Introdução ... 54

2. O regime internacional do clima: a proteção dos “refugiados climáticos” no contexto das conferen- cias das partes ... 57

2.1. O estabelecimento do regime internacional do clima: a Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima ... 57

2.2. A evolução do regime internacional do clima a partir das contribuições das Conferências das Partes ... 59

3. As negociações do texto-base da cop21: o que se esperava em matéria de “refugiados climáticos” ...62

3.1. “Refugiados climáticos” e o acordo de Paris: vantagens e desvantagens ... 62

3.2. As negociações do texto-base da COP21 ... 63

4. O acordo de paris e os deslocados em decorrência de condições climáticas severas: avanços ou re- trocessos? ... 65

4. Considerações finais ... 70

Referências bibliográficas ...71

a

análiseDomecanismo

r

eDD

+

comvisTasàmiTigaçãoDos efeiTosDasmuDançasclimá

-

TicaseàproTeçãoDaDiversiDaDebiológica floresTal

...76

Diogo Andreola Serraglio e Heline Sivini Ferreira 1. Introdução ... 77

2. Breve contextualização do regime climático internacional ... 77

3. Os remanescentes florestais e o regime climático internacional ... 79

4. Os remanescentes florestais e o mecanismo de desenvolvimento limpo ...81

5. O mecanismo de redução de emissões por desmatamento e degradação ... 82

6. A proteção da diversidade biológica florestal por meio do Reed+ ... 86

7. Considerações finais ... 89

Referências bibliográficas ... 90

(7)

e

colabelsDeeficiênciaenergéTicaesuaconsisTênciacomaDisciplina Dos

ppm’

se

provisõesDos

a

corDos

gaTT

e

TbT ...94

Cristiane Derani e Arthur Rodrigues Dalmarco 1. Introdução ... 95

2. Regime jurídico do sistema GATT e do Acordo TBT em face dos esquemas de ecolabelling volun- tários: o debate sobre restrições baseadas em PPM’s ... 96

3. Um panorama contemporâneo de ecolabels relativos a eficiência energética ...101

4. Acordo sobre Barreiras Técnicas ao Comércio (TBT) e o dimensionamento das ecolabels de efi- ciência energética em seu regime ...105

5. Considerações Finais ... 111

Referências bibliográficas ...112

a

nálisisDelorDenamienTojuríDicoinTernacionalsobreproTecciónDelos recursos genéTicos

:

DesafiosyperspecTivasenuruguayaparTirDelaimplemenTaciónDelpro

-

TocoloDe

n

agoya

... 115

Alina Celi 1. Introducción ... 116

2. Contexto del actual marco normativo internacional sobre la conservación y la utilización de los re- cursos genéticos ... 117

3. Otros instrumentos asociados al Convenio de Diversidad Biológica vinculados con la conservación y la utilización de los recursos genéticos ...118

4. Desafíos y perspectivas en el ordenamiento jurídico de Uruguay ...120

4.1. Aspectos institucionales ...120

4.2. Promoción y fomento de la biotecnología. ... 121

4.3. Ley de acceso y conservación a los recursos genéticos. ... 123

4.4. La cooperación transfronteriza ...124

4.5. Conservación y uso de recursos genéticos y bioseguridad ... 124

4.6. Conservación y uso de los recursos genéticos y protección de la propiedad intelectual ... 126

5. Consideraciones Finales ...127

Referencias bibliográficas...128

Agradecimento ...129

l

erégimeinTernaTionalDel

accèsaux ressourcesgénéTiquesauprisme Del

enTrée envigueurDu

p

roTocoleDe

n

agoya

... 131

Rodolpho Zahluth Bastos, Otávio Canto, Karine Galy e Isabelle Vestris 1. Introduction ...132

2. La relative réglementation de l’APA au sein de la CDB ...133

3. Le débat relatif au meilleur niveau de réglementation sur l’APA ...134

(8)

3.1. La mise en œuvre variable de l’APA à travers des réglementations nationales et régionales ... 136

3.2. L’inefficacité des réglementations nationales relatives au partage juste et équitable des avantages ... 139

4. L’esquisse d’une mise en œuvre satisfaisante de l’APA à travers le Protocole de Nagoya ...141

5. Conclusion ...143

Références ...143

K

illingThe

g

reengoose

:

legallimiTsToDevelopanDsellbioDiversiTygooDs

...146

José Augusto Fontoura Costa e Liziane Paixão Silva Oliveira 1. Introduction ...147

2. The objectives and principles of the CBD ...147

3. Biodiversity as a public good ...148

4. Economics of biodiversity ...148

5. Genetic resources as economic goods ...151

6. Two discourses: right to development and efficient conservation of biodiversity ...152

7. Exclusive control of access as a property right ...155

8. Final Conclusions ...157

References ...158

v

ínculosubsTancialeasbanDeirasDe conveniência

:

consequênciasambienTaisDecor

-

renTesDosnavioscomregisTrosaberTos

... 160

Marcos Edmar Ramos Alvares da Silva e André de Paiva Toledo 1. Introdução ... 161

2. Definições ad hoc de navio nas convenções internacionais ...163

3. Nacionalidade dos navios e o vínculo substancial ...166

4. Bandeiras de conveniência e as implicações ambientais decorrentes dos registros abertos ...168

5. Considerações Finais ...174

Referências bibliográficas ...175

a

náliseDeconTraTospúblicossocioambienTaisnocenárioporTuguêsDecriseeconô

-

mica

...179

Alice Rocha da Silva e Matheus Passos Silva 1. Introdução ...180

2. As diretivas europeias sobre a contratação pública e sua transposição para o direito português .181 2.1 As diretivas de 2004 e o surgimento dos critérios socioambientais nos contratos públicos ... 182

2.2. A transposição das diretivas europeias de 2004 para o direito português ... 183

2.3. As diretivas de 2014: a contratação pública em tempos de crise econômica ... 186

3. A contratação pública sustentável em contexto de crise ...190

(9)

3.1. A estratégia Europa 2020 ...190

3.2. O memorando de entendimento sobre as condicionalidades de política econômica de Portugal e as sub- sequentes alterações no ordenamento jurídico português ... 192

3.3. A contratação pública socioambiental em tempos de crise econômica ... 196

4. A realidade da contratação pública em tempos de crise ...201

4.1. Os contratos públicos em 2010...202

4.2. Os contratos públicos em 2013...203

4.3. Análise comparativa dos relatórios ...204

4.4. Análise de casos concretos ...208

5. Considerações finais ...210

Referências bibliográficas ...213

a

organizaçãoDoTraTaDoDe cooperaçãoamazônica

:

umaanálisecríTicaDasrazões porTrásDasuacriaçãoeevolução

... 219

Paulo Henrique Faria Nunes 1. Introdução ... 220

2. O Tratado de Cooperação Amazônica: antecedentes imediatos ... 220

3. Elementos fundamentais do Tratado de Cooperação Amazônica ... 222

4. Órgãos fundamentais e constituição da organização do Tratado de Cooperação Amazônica . 225 5. O Plano estratégico 2004-2012 ... 229

6. Evolução normativa da Cooperação Amazônica ... 230

7. Análise crítica da evolução normativa e institucional ... 234

8. Considerações finais ... 240

Referências bibliográficas ...241

o

usoDe experTsemconTrovérsiasambienTaisperanTea

c

orTe

i

nTernacionalDe

j

us

-

Tiça

...245

Lucas Carlos Lima 1. Introdução ... 246

2. O papel dos peritos no Estatuto e na práxis da CIJ. ... 246

3. Controvérsias envolvendo questões ambientais e o uso de experts ... 248

4. Considerações finais ... 256

Referências bibliográficas ... 257

o

sviesesDabioDiversiDaDeapresenTaDospelocasoDoparqueeólicoDe

b

alD

h

ills

...261

Natália Zampieri e Mariana Cabral 1. Introdução ... 262

(10)

2. Estudo de caso – The Bald Hills wind farm ... 264

3. Discussão ... 267

3.1. Relação entre os riscos do progresso tecnológico e os bens ambientais ... 267

3.2. Energia limpa vs. conservação da biodiversidade animal ... 269

4. Considerações finais ... 270

Referências bibliográficas ... 270

m

ining

cbD ...275

Claire Lajaunie e Pierre Mazzega 1. Introduction ... 276

2. Textual corpus and term extraction ... 278

3. Mining for climate change, ecosystem approach and biodiversity in the CBD ... 279

4. Discussion on biodiversity as a cross-cutting issue ... 283

5. Conclusion ... 285

References ... 286

1. Appendix A ... 290

b

ioTecnologiamoDerna

,

DireiToeopensamenTo

a

bissal

...292

Reichardt, F.V., Garavello, M. E. P. E., Molina, S.M.G. e Ballester, M. V. R. 1. Introdução ... 293

2. A teoria de Boaventura de Sousa Santos: das Linhas Abissais ... 296

3. A Biotecnologia Moderna e o pensamento abissal ... 298

3.1. A Biotecnologia Moderna: o lado de cá da linha abissal ... 298

3.2. Sociobiodiversidade: o lado de lá da linha abissal ... 300

4. Propriedade Intelectual, Biotecnologia Moderna e o lado de cá da linha abissal ... 304

5. Considerações finais ... 308

Referências bibliográficas ... 309

c

ommuniTy

c

ore

v

aluescomoparâmeTro DeefeTivaçãoDos

p

rincípiosDa

p

recaução eDa

p

arTicipação

p

opulareminsTrumenTosDe conTroleDeprojeToaTiviDaDeDealTa complexiDaDeambienTal

... 314

Michelle Lucas Cardoso Balbino 1. Introdução ...315

2. Community Core Values e a efetivação do princípio da Precaução em instrumentos de controle de atividades de alta complexidade ambiental ...316

2.1. Os limites do Princípio da Precaução ... 317

2.2. Community Core Values e a aplicabilidade do Princípio da Precaução no caso n.º 2009-04 - Permanent Court of Arbitration (PCA): posicionamentos e interpretações ... 322

(11)

2.3. A efetivação do princípio da precaução em instrumentos de controle de atividades de alta complexidade

ambiental: A significação do conceito de Community Core Values ... 326

3. Community Core Values e a participação da comunidade no processo de decisão ambiental: a efetivação do Princípio da Participação Popular em instrumentos de controle de atividades de alta complexidade ambiental... 330

3.1. Os limites do Princípio da Princípio da Participação Popular ... 331

3.2. Community Core Values e a participação da comunidade no processo de decisão ambiental: Estudo de Caso 2009-04 - Permanent Court of Arbitration (PCA) ... 334

3.3. A efetivação do princípio da Participação Popular em instrumentos de controle de atividades de alta com- plexidade ambiental: A significação do conceito de Community Core Values ... 338

4. Considerações Finais ... 340

Referências bibliográficas ...341

D

iscussões bioTecnológicasquanTo aosorganismosgeneTicamenTemoDificaDosnoâm

-

biToDa

omc:

DoconTencioso aoacorDoDevonTaDesenTre

a

rgenTina e

u

nião

e

uro

-

peia

...345

Gustavo Paschoal Oliveira 1. Introdução ... 346

2. Moratória e restrição de importações ... 347

2.1. Descumprimento de tratado celebrado entre o Estado Argentino e a União Europeia ... 347

2.1.1. Riscos e tomada de decisões: medidas que afetam a aprovação da circulação de produtos biotecnoló- gicos ...349

2.1.2. Medidas de salvaguarda no tocante à proibição de importação e comercialização de produtos biotec- nológicos ...351

2.2. Constatações do painel estabelecido pelo órgão de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio ...357

3. Acordo bilateral entre as partes ... 363

3.1. Atuação do orgão de solução de controvérsias por meio dos pareceres conclusivos do painel ... 364

3.2. Solução do litígio por meio do diálogo entre os interessados ... 365

3.2.1. Acompanhamento e cumprimento dos dados acordados ... 366

3.2.2. Cooperação científica: necessidade de uma convergência de entendimentos em relação à biotecnolo- gia ...368

4. Considerações Finais ... 369

Referências bibliográficas ... 370

o T

rans

-p

acific

p

arTnership

a

greemenTeseuspoTenciais impacTosparaaregulação DabioDiversiDaDenoâmbiToTransnacional

...375

Mariana Yante Barrêto Pereira 1. Introdução ... 376

2. A concatenação das agendas econômica e ambiental: avanço ou retrocesso? ... 377

(12)

3. Meio ambiente e biodiversidade no TPP ... 379

4. Resolução de controvérsias ... 383

5. TPP e governança ambiental ... 385

6. Considerações Finais ... 387

Referências bibliográficas ... 388

a

sáreasproTegiDasTransfronTeiriças

:

reflexõescríTicasacercaDeumusogeopolíTi

-

coDoDireiToDabioDiversiDaDe

... 391

Rabah Belaidi 1. Introdução ... 392

2. O regime jurídico das aptf: entre diversidade de atores e heteogeneidade normativa ... 393

2.1. O campo da biodiversidade : abordagem teórica ... 393

2.2. Uma profusão de atores e uma heterogeneidade normativa ... 395

2.2.1. A União Internacional de Conservação da Natureza (UICN) ... 395

2.2.2. A “Peace Parks Foundation” (Fundação dos Parques da Paz). ... 397

2.2.3. As reservas de Biosferas da UNESCO ... 397

2.2.4 As Redes Europeias e Comunitárias ... 398

3. O uso geopolítico do regime das aptf: entre conservação e paz ... 399

3.1. Um objetivo de gestão e de cooperação ... 399

3.2. Um objetivo de paz? ...401

4. Considerações finais ... 404

Referências bibliográficas ... 405

o

uTros

a

rTigos

...407

o

queocaso

e

sTaDos

u

niDosvs

. T

exasnos DirásobreoDireiToDeimigraçãonos

e

s

-

TaDos

u

niDos

? ...409

Danielle Anne Pamplona 1. Introdução ...410

2. Entendendo o que está em jogo ...411

3. O que está nas mãos da Suprema Corte ...413

3.1. A discricionariedade do Poder Executivo e a “Cláusula do cuidado” ... 414

3.2. Da Lei de Procedimentos Administrativos ... 418

4. Considerações Finais ...418

Referências bibliográficas ...419

(13)

c

lóvis

b

eviláquaeajusTiça inTernacional

:

enTreosimeonãoa

r

ui

b

arbosa

...422

Paulo Emílio Vauthier Borges de Macedo 1. Introdução ... 423

2. Contexto político e cultural das concepções internacionalistas de Clóvis Beviláqua ... 424

3. Os princípios da diplomacia brasileira do início do século XX ... 425

4. Um projeto feito contra Rui Barbosa ... 429

5. O Judiciário Internacional de Beviláqua ... 432

6. A jurisdição internacional, segundo Clóvis Beviláqua ... 437

7. Considerações finais ... 440

Referências bibliográficas ...441

p

ossibiliDaDeDeDelegaçãoDeaTribuiçãoparaacelebraçãoDe

T

raTaDospela

r

epúbli

-

ca

f

eDeraTivaDo

b

rasil

:

análiseDoarTigo

84, viii

c

/

cparágrafoúnico Da

c

onsTiTui

-

ção

f

eDeral

...444

Luciano Monti Favaro e Héctor Valverde Santana 1. Introdução ... 445

2. Tratados ... 446

2.1. Definição de tratados ...446

2.2. Competência negocial ...447

3. ITER de incorporação dos Tratados no ordenamento jurídico brasileiro ... 448

4. Competência para celebrar tratados pela República Federativa do Brasil ... 453

5. Considerações finais ... 456

Referências bibliográfcas ... 457

D

igniTy

,

ubunTu

,

humaniTyanDauTonomousweaponsysTems

(aws)

DebaTe

:

an

a

fri

-

canperspecTive

...460

Thompson Chengeta The relevance of the notion of ubuntu/humanity to the autonomous weapon systems debate: an Afri- can perspective. ... 460

1. Introduction ...461

2. Background ...461

3. Status of the technology ... 462

4. The response to AWS technology so far – an absence of African scholarship ... 462

5. African ubuntuism/humanism and AWS ... 464

6. Ubuntu/humanity in international law ... 466

6.1. Humanity and International humanitarian law ... 467

6.2. Humanity and human rights law ...470

(14)

6.3. Humanity and international criminal law ... 470

6.4. NGOs, international organisations and humanity ... 471

6.5. Definition of humanity ...472

6.6. Literal definition of humanity ...472

6.7. Defining humanity as a normative standard ... 472

6.8. Defining humanity terms of other disciplines other than law ... 474

6.9. Human dignity ...476

6.10. Human dignity as a social value ...476

6.11. Human dignity as a constitutional value and right ... 479

6.12. Are AWS in line with human dignity? ... 482

7. Conclusions ... 484

References ... 484

D

ireiToinTernacionalprivaDoeoDireiToTransnacional

:

enTreaunificaçãoea anarquia

...503

André De Carvalho Ramos 1. Introdução ... 504

2. Os objetivos e valores do Direito Internacional Privado: acesso à justiça, igualdade e tolerância 504 3. O Direito Transnacional e os dois modos de interação com o Direito Internacional Privado ... 505

4. A nova lex mercatoria e a autonomia da vontade ... 508

4.1. A ascensão da nova lex mercatória ...508

4.2. Os limites: a autonomia da vontade e os demais direitos envolvidos em um fato transnacional ... 510

5. A lex digitalis, a proteção de direitos humanos e os limites da jurisdição do Estado ...512

5.1. Aspectos gerais da regulação da internet ... 512

5.2. Internet, jurisdição e a obtenção de dados armazenados no exterior na era dos direitos humanos ... 514

6. Considerações finais ...517

Referencias bibliográficas...518

a

ilusóriaausênciaDo Termo

D

épeçagenajurispruDênciabrasileiraDeconTraTos in

-

Ternacionais

...522

Gustavo Ferreira Ribeiro 1. Introdução ... 523

2. Observação empírica: ausência do termo DÉPEÇAGE ... 524

3. A problemática conceitual ... 525

3.1. Doutrina Francesa e Alemã ...525

3.2. Doutrina Norte-Americana ...527

3.3. Doutrina Doméstica ...528

(15)

4. Agrupando os entendimentos sobre o DÉPEÇAGE ... 530

5. Considerações finais ... 532

Referências bibliográficas ... 532

o

efeiToDireToDasDireTivas eosDireiTosfunDamenTais

...535

Lucas Fonseca e Melo e José Levi Mello do Amaral Júnior 1. Introdução ... 535

2. Fontes da União Europeia ... 536

2.1. Fontes Primárias ...536

2.1.1. Os direitos fundamentais como fonte primária ... 537

2.2. Fontes secundárias ...540

2.2.1. Os regulamentos ...541

2.2.2. A decisão ...541

2.2.3. Recomendações e Pareceres ...542

2.2.4 Diretivas ...542

2.2.4.1Transposição e efeitos jurídicos das diretivas ...544

3. Conflito entre o direito comunitário e o direito nacional ... 546

3.1. O princípio do primado ...547

3.2. O efeito direto ...548

3.2.1. O efeito direto das disposições do direito derivado ... 550

3.2.2. Evolução jurisprudencial do efeito direto das diretivas ... 551

3.2.2.1 Efeito direto triangular ...555

3.2.2.2 Efeito direto da diretiva que concretiza direitos fundamentais e princípios gerais do direito ...556

4. Considerações finais ... 558

Referências bibliográficas ... 560

D

aaplicabiliDaDeDobulKfacToringaosgruposDe socieDaDes

...565

Daniel Amin Ferraz e Leonardo Arêba Pinto 1. Aproximação da matéria ...566

2. O bulk factoring como espécie do contrato de factoring ...571

2.1. A relevância do crédito para a atividade empresária e os benefícios decorrentes do Bulk Factoring .... 572

2.2. O aumento da confiança e a diminuição de riscos como fatores inerentes ao Bulk Factoring ... 572

3. Os benefícios derivados da celebração do contrato de bulk factoring para os grupos de sociedades 573 3.1. Os conceitos jurídicos aplicáveis aos grupos de sociedades ... 573

3.2. O Bulk Factoring como instrumento fortalecedor dos grupos de sociedades ... 576

4. Considerações finais ... 577

Referências ... 577

(16)

a

quesTãohermenêuTicanoDireiToDasgenTes

...580

Inocêncio Mártires Coelho 1. Introdução ... 580

2. A universalidade do problema hermenêutico ...581

3. A doutrina tradicional da interpretação do direito ... 582

4. A nova hermenêutica jurídica sob o paradigma da interpretação constitucional ... 583

• A doutrina da interpretação no direito das gentes ... 585

• Os juristas especializados e as regras de interpretação dos tratados internacionais ... 589

5. Considerações finais ... 592

Referências Bibliográficas ... 592

n

ormas

e

DiToriais

...594

(17)

Dossiê Temático: Direito

Internacional Econômico

(18)

Crônicas de direito internacional privado

Gustavo Ferreira Ribeiro Inez Lopes Matos Carneiro de Farias Nadia de Araujo e Marcelo De Nardi

(19)

doi: 10.5102/rdi.v13i2.4243

Crônicas de direito internacional privado

Gustavo Ferreira Ribeiro*

Inez Lopes Matos Carneiro de Farias**

Nadia de Araujo e Marcelo De Nardi***

C

rôniCa

1:

artigo

1(1)(

b

)

sobreoesCopodeapliCaçãoda

Cisg -

apreCiaçãoreCentenajurisprudênCiabrasileira

1. i

ntrodução

A Convenção das Nações Unidas sobre Contratos de Compra e Venda Internacional de Mercadorias (CISG ou Convenção, nesta crônica) foi inter- nalizada em outubro de 2014 pelo Brasil1. O feito, ainda que tardio, é visto como um dos mais importantes marcos para a inserção brasileira rumo a regras modernas de direito do comércio internacional.

São inúmeras as razões alçadas nesse sentido. A maior parte da pauta comercial brasileira é realizada com partes estabelecidas em países que já in- ternalizaram a CISG. Nessas transações, a CISG reduziria importante custo (informacional) entre partes privadas ao oferecer um direito uniformizado sobre formação do contrato e obrigação das partes. E, mesmo quando uma parte do contrato se localiza em um Estado não-Contratante da Convenção, existe a possibilidade da CISG ser aplicada.

Sobre essa última hipótese de escopo de aplicação, a jurisprudência das cortes brasileiras ainda é tímida. Contudo, em Voges v. Imetal, julgado em se- tembro de 2015, pela Décima Segunda Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul2, revela-se relevante questão acerca de seu escopo. Trata-se justamente do artigo 1(1)(b) da Convenção que determina sua aplicação:

Aos contratos de compra e venda de mercadorias entre partes que te- nham seus estabelecimentos em Estados distintos: [...] quando as regras de direito internacional privado levarem à aplicação da lei de um Estado Con- tratante.

Lida em conjunto ao artigo 1(1)(a) da própria CISG, aplicável quando os Estados distintos são Estados Contratantes da CISG, percebe-se que o art. 1(1)(b) diz respeito a outra situação. Ou seja, apenas uma das partes do

1 BRASIL. Decreto n. 8.327, 16 de outubro de 2014. Promulga a Convenção das Nações Unidas sobre Contratos de Compra e Venda Internacional de Mercadorias - Uncitral, firmada pela República Federativa do Brasil, em Viena, em 11 de abril de 1980. Disponível em: <http://

www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2014/Decreto/D8327.htm>. Acesso em:

01 maio 2016.

2 BRASIL. Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul. Agravo de Instrumento.

AI-AgR 70065345423. 12° Câmara Cível. Agravante: Voges Metalurgia Ltda. Agravado: In- versiones Metalmecánicas I, C.A. (IMETAL, C. A). Relator: Desembargador Umberto Guas- pari Sudbrack. Brasília, 10 de setembro de 2015. Disponível em: <http://www.tjrs.jus.br/

site/jurisprudencia/pesquisa_jurisprudencia/ >. Acesso em: 01 maio 2016.

* É professor de Direito Internacional Pri- vado, na graduação, do UniCEUB, e Direito e Economia, no Programa de Mestrado e Douto- rado em Direito da mesma instituição. Doutor em Direito (Indiana University Bloomington, EUA). Mestre em Direito (UFSC). Bacharel em Direito e Computação (UFMG). Advogado.

** Professora Adjunta da Faculdade de Di- reito da Universidade de Brasília (UnB). Co- ordenadora do Grupo de Estudos em Direito Internacional Privado, do Comércio Internac- ional e Direitos Humanos (CNPq). Graduada em Pedagogia e em Direito pela Universidade Católica de Santos, com mestrados em Labour Policies and Globalization, pela Universitat Kassel, com estágio na OIT, e, em Direito, pela USP, e doutorado em Direito, pela USP.

*** Nadia de Araujo é Advogada e Profes- sora de Direito Internacional Privado da PUC- Rio, e Doutora em Direito Internacional pela USP; Marcelo De Nardi é Juiz Federal e Pro- fessor de Direito Internacional do Comércio da UNISINOS, e Doutor em Direito Privado pela UFRGS. Ambos compareceram à primeira reunião da Comissão Especial como membros da delegação brasileira. Nadia de Araujo tam- bém representou a Associação Americana de Direito Internacional Privado – ASADIP, na oportunidade.

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RIBEIRO, Gustavo Ferreira; FARIAS, Inez Lopes Matos Carneiro de; ARAUJO, Nadia de; NARDI, Marcelo De. Crônicas de direito internacional privado. Revista de Direito Internacional, Brasília, v. 13, n. 2, 2016 p. 2-20 4

contrato está estabelecida em um Estado Contratante, ou Parte, da CISG, como referido.

O dispositivo, inclusive, chega a ser contra intuitivo em uma primeira leitura. Como poderia uma convenção ser aplicada quando uma das partes está estabelecida em Estado Não-Contratante da Convenção?

No caso ora analisado, uma das partes do contra- to possuía estabelecimento na Venezuela (não-Parte); a outra no Brasil (Parte). A discussão do caso nessa crô- nica oferece, portanto, oportunidade para esclarecimen- to da referida hipótese. Igualmente, ao compararmo-lo com caso anterior (Atecs v. Rodrimar)3, quando o Brasil não era parte da CISG, permite-se melhor compreender algumas nuances e questões envolvendo seu escopo de aplicação.

2. e

studodeCasos

No caso Voges v. Imetal, narra-se ação de cobrança de empresário venezuelano (autor) contra empresário brasileiro (réu). A dívida seria oriunda de alegado con- trato internacional de compra e venda de mercadorias envolvendo as referidas partes, pertencentes à área de metalurgia.

Em sede de agravo de instrumento impetrado pelo réu, o Relator salientou as matérias suscitadas naquele recurso. Uma questão de jurisdição e outra sobre a obri- gatoriedade de tradução de documentação em língua es- trangeira. Contudo, por razões processuais e de mérito – nesta crônica não discutidas - solicitou providências ao réu. Este devia esclarecer o local de celebração do contrato. Ademais, a maneira pela qual havia se firmado o contrato, se entre presentes ou ausentes4.

Na discussão que segue, perfila o Relator do Acor- dão as maneiras de se determinar o direito aplicável àquele contrato internacional, uma vez que o local e a forma de contratação tenham sido definidos. Haveria três hipóteses5. A primeira, com base no caput do art. 9

3 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Sentença Estrangeira Con- testada. Requerente: Atecs Mannesmann GmBH. Requerido: Rodri- mar S/A Transportes Equipamentos Industriais e Armazéns Ge- rais. Relator: Ministro Fernando Gonçalves. Brasília, 19 de agosto de 2009. Disponível em: <http://www.stj.jus.br/SCON/ >. Acesso em: 01 maio 2016.

4 Voges v. Imetal, p. 4-5.

5 Voges v. Imetal, p. 19-20.

da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (LINDB), dar-se-ia por meio da conhecida lex loci cele- brationis. Em decorrência dela, tendo sido celebrado o contrato na Venezuela, o direito material venezuelano seria aplicável; se no Brasil, direito material brasileiro.

A segunda foi depreendida do §2º do art. 9º da LIN- DB. Trata-se da hipótese de contratos firmados entre ausentes. Se fosse este o caso, o local da constituição da celebração é considerado como o da residência do pro- ponente. Restaria determinar quem foi o proponente e qual a sua residência. A terceira, por fim, com base em ensinamentos doutrinários6, aludiu à possibilidade de se aplicar o direito material brasileiro, ainda que tenha sido o contrato celebrado na Venezuela. Conjectura-se a aplicação dessa solução caso a celebração em solo es- trangeiro tenha se dado de forma fortuita. Ou seja, sem vinculação efetiva do negócio com o Estado em que foi firmado.

A partir deste ponto, desenrola-se breve, mas rele- vante diálogo com o âmbito de aplicação da CISG. Ex- plica-se. Atento à contradição entre os status de inter- nalização entre Brasil (parte) e Venezuela (não-parte), nota o Relator que:

[o] eventual recurso às normas da Convenção de Viena de 1980, no caso presente, pode ter lugar ainda que a Venezuela não a tenha ratificado. Como dito, dar-se-á na qualidade de norma componente do Direito brasileiro, com fundamento no art.

1º, alínea “b”, da Convenção, segundo o qual as suas regras aplicam-se aos contratos de compra e venda de mercadorias entre partes que tenham seus estabelecimentos em Estados distintos ‘quando as regras de direito internacional privado levarem à aplicação da lei de um Estado contratante’7.

Ou seja, por operação das regras de direito inter- nacional privado de um determinado foro, ou regras colisionais, existe a possibilidade de que a CISG seja aplicada como resultado da referida remissão. No caso, se o resultado das regras do foro brasileiro conduzisse à aplicação das leis brasileiras8.

Discussão semelhante, referenciada por remissão em nota de rodapé do Acórdão9, merece ser trazida à baila.

6 São feitas menções a obras de Luiz Olavo Baptista, Guilherme Pederneiras Jaeger e Maristela Basso, nesse âmbito. Veja-se Voges v.

Imetal, p. 20, notas de rodapé 18-19.

7 Voges v. Imetal, p. 21.

8 Não se considerou, entretanto, qualquer discussão temporal po- tencialmente aplicável ao caso, com base, por exemplo, no art. 100 da CISG - nesta crônica não desenvolvido.

9 Voges v. Imetal, p. 21, nota de rodapé 21.

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RIBEIRO, Gustavo Ferreira; FARIAS, Inez Lopes Matos Carneiro de; ARAUJO, Nadia de; NARDI, Marcelo De. Crônicas de direito internacional privado. Revista de Direito Internacional, Brasília, v. 13, n. 2, 2016 p. 2-20 5

Trata-se do caso Atecs v. Rodrimar, julgado pelo Superior Tribunal de Justiça, em 2009. Curiosamente, a situação é inversa em relação ao status de internalização da CISG.

O Brasil, onde se localizava o réu, não era parte da Con- venção, à época; a Alemanha, local do estabelecimento de um dos autores, sim.

O caso envolvia um pedido de homologação de sen- tença arbitral estrangeira. A decisão havia sido prolata- da por um tribunal de arbitragem na Suíça, em 2003.

Na sentença arbitral, condenava-se a requerida ao pa- gamento de determinado montante, a título de indeni- zação por inadimplemento em contrato de compra e venda internacional (guindaste móvel). O contrato con- tinha cláusula na qual as partes teriam elegido as “leis materiais suíças” (Swiss material law) como aplicáveis10.

Na contestação da homologação, entre outros pon- tos, sustentava-se ofensa à ordem pública. Não teria sido aplicado o direito substantivo expressamente de- terminado no contrato, mas a CISG. Alegava-se, assim, que a sentença arbitral estava fora dos limites da con- venção de arbitragem, podendo conduzir, como se ale- gou, à violação da ordem pública.

Para efeito desta crônica, sem adentraremos nos pormenores da Lei de Arbitragem brasileira e da siste- mática do juízo de delibação, é suficiente notar o debati- do sobre o escopo de aplicação da Convenção de Viena.

Primeiramente, analisa-se a alegação do réu de que as “leis materiais suíças” ou o “direito material suíço”

abarcaria apenas a legislação interna daquele país e não a CISG. Relembra-se, no voto-vista da Ministra Nancy Andrighi, que a própria sentença arbitral se pronunciou que a decisão seguia o contrato e a legislação material suíça.

Reconhecia-se igualmente que a Suíça já havia ratifica- do a CISG. Assim, reproduziu-se o trecho da sentença arbitral de que:

[u]ma referência à legislação material suíça em uma arbitragem ou um artigo de lei aplicável, contida em um contrato de compra e venda internacional de mercadorias, resulta no fato de que a CISG se torna aplicável como parte da legislação material suíça, a menos que seja excluída pelas partes11.

Ou, no arrazoado e nas palavras contidas no referi- do voto-vista, o entendimento de que:

[o] mero juízo de delibação que é possível fazer, em sede de homologação de sentença estrangeira, não

10 Atecs v. Rodrimar, p. 14-15.

11 Atecs v. Rodrimar, p. 15.

permite que o julgador brasileiro decida, em lugar do árbitro estrangeiro, como deve ser interpretado [o] termo direito material suíço. A inclusão de uma convenção recepcionada pelo direito suíço nesse conceito não implica ofensa aos limites da convenção de arbitragem ou mesmo à ordem pública brasileira, para fins de homologação. Ao menos em princípio, analisando a questão à luz do direito brasileiro, é cediço que um tratado ou uma convenção, ao serem recepcionados por um país contratante, passam a ter o mesmo status de lei interna desse país (grifos originais)12.

Por fim, reforçou-se o entendimento da irrelevância da Convenção de Viena não ter sido recepcionada por um dos Estados, cuja uma das partes do contrato tinha seu estabelecimento. No caso o Brasil, à época do con- trato. Entendeu-se que eleito o direito material suíço, operava-se a renúncia à aplicação da lei interna de deu respectivo país, em prol da regulação da matéria por um sistema normativo estrangeiro, não havendo restrição na Lei de Arbitragem a isso.

3. a

náliseCrítiCa

Ao compararmos os casos, é nítido que, em ambos, o debate sobre o escopo de aplicação da CISG vem à tona. Além disso, em comum, pelo menos uma das partes do contrato, à época da celebração do instru- mento, tinha estabelecimento em um Estado não-parte da CISG. No caso Voges v. Imetal, tratava-se de autor com estabelecimento na Venezuela (não-signatária, em 2015). No caso Atecs v. Rodrimar, de réu no Brasil (não- -signatário, em 2009). Seriam então os casos, do ponto de vista de um padrão de problema sobre o escopo de aplicação do artigo 1(1)(b) da CISG, não apenas seme- lhantes, mas idênticos?

Sugerimos algumas distinções. Não apenas por se- rem casos julgados em diferentes categorias de ações (cobrança e homologação de sentença estrangeira). As diferenças são mais sutis. O ponto de partida é que a reflexão acerca do âmbito de aplicação da CISG leva em conta um conjunto de dispositivos e possibilidades.

Entre eles, há que se considerar a conjugação do artigo 1(1)(b) da CISG com o princípio de autonomia da von- tade dos contratantes, insculpido no artigo 6 da CISG, ao dispor que:

[a]s partes podem excluir a aplicação desta Convenção, derrogar qualquer de suas disposições 12 Atecs v. Rodrimar, p. 15.

(22)

RIBEIRO, Gustavo Ferreira; FARIAS, Inez Lopes Matos Carneiro de; ARAUJO, Nadia de; NARDI, Marcelo De. Crônicas de direito internacional privado. Revista de Direito Internacional, Brasília, v. 13, n. 2, 2016 p. 2-20 6 ou modificar-lhes os efeitos, observando-se o

disposto no Artigo 12.

Vastamente debatido na doutrina, o entendimento predominante é a de que a CISG adota uma abordagem de exclusão ou opt-out, de acordo com o referido dis- positivo. Assim, regra geral, é a CISG aplicável, a não ser que seja excluída. Como sugerem Schlechtriem e Schwenzer, a exclusão

Não é apenas possível, mas necessária se as partes não desejarem que suas disposições sejam aplicadas caso as exigências para sua aplicação sejam cumpridas (arts. 1-5, 100)13.

Retornando-se aos casos estudados, em Voges v. Ime- tal, as especulações em torno da potencial aplicação da CISG, por força do artigo 1(1)(b), foram feitas com o uso das regras de colisão do foro brasileiro (direito in- ternacional privado brasileiro). Isso poderia ter ocorri- do pela ausência de uma cláusula de escolha de leis apli- cável ao contrato. Ainda, como parece ter sido o caso, pelo entendimento da corte que a presença ou ausência de uma cláusula desse tipo é descartável. O direito apli- cável decorre das regras da LINDB e não expressamen- te da autonomia da vontade.

Já em Atecs v. Rodrimar, existia uma “eleição po- sitiva de regência” ex ante no contrato. Isto é, as par- tes haviam escolhido o direito material suíço para sua regência. Entra em operação justamente a conjugação da interpretação entre o artigo 1(1)(b) e o artigo 6 da CISG.

Neste caso, entendemos que as complexidades para a análise podem se elevar. A primeira problematização cabível seria mesmo a extensão com que cada foro per- mite plena autonomia da vontade em relação ao direito aplicável ao contrato internacional. Em segundo lugar, é necessário se atentar ao maior ou menor grau de es- pecificidade da lei eleita. Em Atecs v. Rodrimar foi so- bre este segundo ponto que, tanto a corte arbitral de origem quanto o STJ, por ocasião da homologação da sentença estrangeira, se ativeram e convergiram. Isto é, o entendimento de que a CISG, sendo a Suíça Estado Contratante da Convenção, estaria compreendida como parte do direito material suíço. Embora não expressado nessas palavras, esse entendimento se coaduna com a

13 SCHLECHTRIEM, Peter; SCHWENZER, Ingeborg. Comen- tários à convenção da nações unidas sobre contratos de compra e venda internac- ional de mercadorias: artigo 6. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2014.

p. 232.

escolha da lei de regência por uma cláusula mais aberta, genérica, sem maiores especificidades. Por si só, uma es- colha dessa natureza não seria indicação suficiente para as partes terem excluído a CISG, ou um opt-out, como prevê o artigo 6 da Convenção.

Seja em um ou outro caso, sugere-se que o artigo 1(1)(b) da CISG foi elemento fundamental para a aná- lise. Em Voges v. Imetal, a partir das regras de colisão do direito internacional privado brasileiro. Em Atecs v.

Rodrimar, na justaposição entre a regras e a autonomia da vontade.

4. C

onsideraçõesfinais

Recentemente internalizada no Brasil, a jurisprudên- cia sobre a CISG é escassa. Além disso, litígios envol- vendo contratos internacionais são, muitas vezes, resol- vidos em instâncias arbitrais. Nelas, o acesso às decisões pode ser limitado. Sendo um ou outro o foro litigado, o diálogo entre as decisões estatais e arbitrais continuarão a cumprir relevante papel na construção de uma juris- prudência em torno da CISG.

Quando disponibilizadas decisões envolvendo a Convenção, abre-se, assim, oportunidade para que, a partir da análise, construa-se um entendimento sobre suas diversas particularidades. Não são poucas, como se viu em torno de seu escopo de aplicação.

Interessantemente, em ambos os casos analisados, o artigo 1(1)(b) da Convenção surge como possível ponto de partida para a reflexão. Afinal, pelo menos uma das partes do contrato estava estabelecida em Estado não- -Contratante ao tempo da análise dos casos pelos respec- tivos tribunais. O status brasileiro, inclusive, havia se alte- rado entre o primeiro (2009) e o segundo caso (2015)14.

Ao analisarmos Voges v. Imetal, e recuperarmos a discussão em Atecs v. Rodrimar, procedeu-se ao argu- mento de que, apesar do ponto comum, o escrutínio do artigo 1(1)(b) da Convenção merece ser desdobrado à luz da autonomia da vontade. Se em Voges v. Imetal este não foi um ponto de maior destaque, a eleição de regência positiva contida em Atecs v. Rodrimar suscita a referida discussão.

14 Veja-se, ademais, a ressalva feita sobre o artigo 100 da CISG, em nota de rodapé anterior.

(23)

RIBEIRO, Gustavo Ferreira; FARIAS, Inez Lopes Matos Carneiro de; ARAUJO, Nadia de; NARDI, Marcelo De. Crônicas de direito internacional privado. Revista de Direito Internacional, Brasília, v. 13, n. 2, 2016 p. 2-20 7

O escrutínio foi apenas parcial. Pelo menos cinco outros dispositivos da CISG dizem respeito ao escopo de aplicação da CISG: artigos 2-5 e 100. Devem merecer igualmente acompanhamento pela doutrina e Cortes.

C

rôniCa

2:

o

b

rasileonovosistemade

CobrançainternaCionaldealimentos

1. i

ntrodução

A cobrança de alimentos no exterior não é uma no- vidade no direito internacional privado. As consequên- cias da Primeira Guerra Mundial levaram a Sociedade das Nações a estudar o assunto a partir de 192915. O Instituto Internacional para a Unificação do Direito In- ternacional Privado (UNIDROIT) junto com a Socie- dade das Nações elaboraram o primeiro anteprojeto de convenção sobre a execução no estrangeiro de medidas relativas a obrigações alimentares, em 1938. Entretan- to, os trabalhos foram interrompidos com a Segunda Guerra Mundial e, após o fim do conflito, retomados pela Organização das Nações Unidas. Em 20 de junho de 1956, foi adotada a Convenção de Nova York para Prestação de Alimentos no Estrangeiro. Destacam-se, também, os trabalhos da Conferência da Haia de Direi- to Internacional Privado, que foi responsável pela ela- boração e adoção de quatro convenções sobre lei aplicá- vel e reconhecimento e execução de decisões relativas a obrigações alimentares em 1956 e 1958 e duas em 1973.

Entretanto, apesar de sua importância, esses instru- mentos foram, por vários motivos, considerados insufi- cientes para garantir uma efetiva cobrança internacional de alimentos transfronteiriços – dentre eles o número de participantes e o papel das autoridades centrais. Nes- se contexto, a Conferência da Haia iniciou a revisão das convenções existentes, por intermédio dos trabalhos realizados por duas comissões especiais: uma em no- vembro de 1995 e outra em abril de 1999. Esta últi- ma sinalizou pela necessidade de se elaborar uma nova convenção internacional mais abrangente em matéria de obrigações alimentares, incluindo regras sobre coope- ração jurídica e administrativa internacional e sobre lei

15 SdN. UDP 1929- Étude II - Dettes alimentaires – Doc 1.

aplicável. Os trabalhos tiveram início em 2003.

Em 23 de novembro de 2007, 71 Estados-partes da conferência adotaram, por consenso, a Convenção sobre a Cobrança Internacional de Alimentos em be- nefício dos Filhos e de outros Membros da Família e, também, o Protocolo sobre a Lei Aplicável às Obriga- ções de Alimentos. O Brasil participou ativamente do processo de elaboração das normas internacionais e, atualmente, caminha para aprovação do decreto legis- lativo nos próximos meses, aprovando os dois instru- mentos internacionais ao ordenamento jurídico interno e autorizando o Poder Executivo a depositar o instru- mento de ratificação16. A presente crônica objetiva rea- lizar algumas reflexões sobre a cobrança internacional de alimentos no novo sistema da Conferência da Haia.

2. a

Convençãoda

H

aiade

2007

sobre

alimentos

A Convenção sobre a Cobrança Internacional de Alimentos em benefício dos Filhos e de outros Mem- bros da Família (Convenção de 2007 sobre Alimentos) busca assegurar uma efetiva cobrança internacional, facilitan- do a circulação de decisões que determinam o paga- mento de pensão alimentícia. Porém, o foco principal é a proteção da criança, conforme explicita o próprio título da convenção17. Por isso, o escopo obrigatório do artigo 2º tem como fundamento precípuo assegurar às crianças o direito aos alimentos, independentemente do estado civil dos pais.

Além disso, o tratado regulamenta uma obrigação geral limitada às relações familiares entre pais e filhos e, também, entre cônjuges, quando o pedido é realizado conjuntamente com o pedido de alimentos aos filhos, conforme dispõe o artigo 2º, § 1º, alíneas ‘a’ e ‘b’, que estabelece um sistema global de cooperação e assistên- cia administrativa previstas nos capítulos II e III da con- venção. A extensão dessa cooperação para os pedidos de alimentos entre ex-cônjuges, porém, é facultada ao Estado e condicionada a uma declaração expressa de

16 A entrada em vigor ocorrerá no primeiro dia do mês seguinte ao termo do período de três meses subsequente ao depósito do seg- undo instrumento de ratificação, aceitação ou aprovação, conforme dispõe o artigo 60 do texto.

17 DUNCAN, William. The New hague child support conven- tion: goals and outcomes of the negotiations. Family Law Quarterly, v.

43, n. 1, Spring, 2009. p. 9.

Referências

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