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Academic year: 2022

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(1)

Ascenção Ananias Machel 1

Universidade Eduardo Mondlane

Faculdade de Letras e Ciências Sociais

Departamento de Ciência Política e Administração Pública

Trabalho de Licenciatura em Administração Pública

Capacidade Institucional do Conselho Consultivo do Distrito de Matutuine no processo de reembolso do Orçamento de

Investimento de Iniciativa Local (2006-2008)

Supervisando

Ascenção Ananias Machel

Supervisor

Nobre de Jesus Canhanga

Maputo, Maio de 2010

(2)

Ascenção Ananias Machel 2

Indice

Declaração de honra……….4

Agradecimentos………...5

Lista de tabelas, figura e gráfico………..6

Lista de siglas………...7

Resumo………....9

Capítulo I………...10

1. Introdução………..10

2. Quadro social e económico do OIIL………..11

3. Delimitação do estudo………13

3.1 Descrição do distrito de Matutuine………..13

3.1.1 Divisão administrativa………..14

3.1.2 Estabelecimentos de Ensino………..15

3.1.3 Postos de Saúde……….16

4. Justificação do estudo………16

5. Problema da pesquisa……….18

5.1 Objectivo geral……….20

5.1.1 Objectivos específicos………..20

Capítulo II………..21

6. Metodologia………...21

6.1 Técnicas de recolha de dados………...23

6.2 Tratamento de dados………24

Capítulo III……….25

7. Referencial Teórico e conceptual………...25

7.1 Revisão da literatura………25

7.2 Enquadramento Teórico………...27

7.3 Quadro conceptual………...29

(3)

Ascenção Ananias Machel 3

Capítulo IV……….32

8. Apresentação e discussão dos dados………..32

8.1 Caracterização do Conselho Consultivo Distrital………32

8.2 Orientações metodológicas de execução do OIIL………...33

8.3 Processo de desembolso do OIIL no distrito de Matutuine……….35

8.4 Execução do orçamento ao nível do distrito de Matutuine………..37

8.5 Níveis de reembolso do OIIL………...41

8.5.1 Demonstração dos valores reais desembolsados pela DPPF e reembolsados pelos proponentes………43

8.5.2 Representação media dos desembolsos e reembolsos………..44

9. Possíveis causas dos constrangimentos……….46

Capítulo V………..48

10. Conclusão……….48

11. Referências Bibliográficas………...51

12. Anexos e Apêndice………..58

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Ascenção Ananias Machel 4

Declaração de honra

Declaro por minha honra que este Trabalho do Fim do Curso nunca foi apresentado na sua essência para obtenção de qualquer grau e este constitui o resultado da minha investigação, estando citados no texto e na referência bibliográfica as fontes usadas.

O declarante

__________________________________

Ascenção Ananias Machel

(5)

Ascenção Ananias Machel 5

Agradecimentos

Ao longo dos quatro anos que estive a fazer o curso tive a oportunidade de contar com apoio de muitas pessoas que directa ou indirectamente, contribuíram para que eu o terminasse com sucesso e sem falhas.

Em primeiro lugar, os meus especiais agradecimentos a Deus pela luz no horizonte sempre presente, ao meu pai, minha mãe e meus pais. Meus irmãos, família em geral e amigos pelo acompanhamento e incentivo.

Desejo igualmente agradecer ao meu célebre e simples supervisor, dr Nobre de Jesus Canhanga pela inspiração e acompanhamento.

Ao encorajamento prestado pelo Dr Salim Cripton Valá, sugestões e chamadas de atenção do Dr Olegário Banze, abertura dos dr Henriques Mutou e Jaide Madeira. A todos funcionários do Ministério de Planificação de Desenvolvimento que se dispuseram a debater questões do OIIL, assunto que directamente estão envolvidas.

Aos Drs Zefanias Matsimbe, Alexandrino José, Padil Salimo, Egídio Guambe, Heródoto Fuel pelo estreitamento do tema e correções. A todos meus docentes e a secretária (Neide Macamo) do Departamento de Ciência Política e Administração Pública o meu muito obrigado pela paciência.

Aos técnicos do Governo Distrital e todos Serviços Distritais; meu especial apreço pela recepção, presente ajuda e explicação do trabalho. Aos amigos Nélio Sansão Manjate e Ana Cristina Sequeira pela revisão linguística

Dedico o presente trabalho a minha família, Ananias, Idalina, Gildo, Hebron, Soraya e Ruth sempre manifestaram interesse pelos meus estudos. Espero que este sirva de incentivo para realizarem os seus próximos trabalhos.

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Ascenção Ananias Machel 6

Lista de tabelas, figura e gráfico

Tabela n.º 01 - Divisão Administrativa.

Tabela n.º 02 - Estabelecimentos de ensino por Posto Administrativo.

Tabela n.º 03 - Postos de saúde por Posto Administrativo.

Tabela n.º 04 - Demonstração dos valores gerais desembolsados pelo Direcção Provincial de Plano e Finanças e reembolsados pelos proponentes.

Figura n.º 01 - Ciclo do Orçamento de Investimento de Iniciativa Local.

Gráfico n.º 01 - Representação média dos desembolsos e reembolsos.

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Ascenção Ananias Machel 7

Lista de siglas

BV - Bela-Vista.

CLP - Conselho Local de Povoação

CCPA - Conselho Consultivo do Posto Administrativo.

CCD - Conselho Consultivo Distrital.

DM - Distrito de Matutuine.

DPPF - Direcção Provincial de Plano e Finanças.

EDPD - Estratégia do Distrito como Pólo de Desenvolvimento.

ET - Equipa Técnica.

FAO - Food and Agriculture Organization.

GD - Governo Distrital.

GL - Governos Locais.

LOLE - Lei dos Órgãos Locais Estado.

MAE - Ministério de Administração Estatal.

MPD - Ministério de Planificação e Desenvolvimento.

NEPAD - Nova Parceria para o Desenvolvimento de África.

OIIL - Orçamento de Investimento de Iniciativa Local.

PA – Posto Administrativo.

PARPA - Plano de Acção para a Redução de Pobreza Absoluta.

PD - Ponta D'ouro.

PDR - Programa de Desenvolvimento Rural.

PES - Plano Económico e Social.

PEDD - Plano Económico de Desenvolvimento Distrital.

PESOD - Plano Económico e Social e Orçamento Distrital.

PPFD - Programa de Planificação e Finanças Descentralizadas.

PQG - Plano Quinquenal do Governo.

PROCADIS -Programa de Descentralização e Capacitação Distrital.

PSAA - Pequeno Sistema de Abastecimento de Água.

RBI-OIIL - Relatório Balanço de Implementação do Orçamento de Investimento de Iniciativa Local, 2006-2008.

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Ascenção Ananias Machel 8 SDAE - Serviços Distritais de Actividades Económicas.

SP - Secretário Permanente.

UNDP - United Nations Development Programme.

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Ascenção Ananias Machel 9

Resumo

A descentralização e desconcentração em curso no país desde a década de 90, traduz-se num processo de descongestionamento de competências, desde o nível central até ao local. Processo acompanhado pela passagem de testemunho dos governos centrais para os locais (GL) de modo que sejam estes a tomar decisões de investimento local, de forma autónoma e consequentemente aumentar as suas receitas.

O Orçamento de Investimento de Iniciativa Local (OIIL) surge neste contexto de aprofundamento do quadro de descentralização de instrumentos de planificação e orçamentação em curso no país, sob alçada da Lei dos Órgãos Locais do Estado (LOLE) de 19 de Maio de 2003. A efectivação deste orçamento surge a partir das decisões da 19ª sessão do Conselho de Ministros em 2006.

O presente trabalho faz uma análise do ciclo do OIIL no distrito de Matutuine no período compreendido entre 2006 à 2008. Esta análise parte desde a elaboração de projectos por financiar até ao reembolso do financiamento. Neste processo, para a operacionalização do mesmo, foi empregue como referencial teórico, o instituicionalismo combinado com o estruturalismo que nos permite perceber a clarificação institucional e estrutural de todo processo de gestão do OIIL. Para além do mencionado acima, analisa-se também a capacitação do Conselho Consultivo Distrital (CCD) em matérias de gestão de projectos e negócios.

Através da discussão e apresentação dos dados, podemos concluir que em 2006 no distrito, não se registou reembolso e o CCD não recebeu capacitação em matérias de gestão de projectos e negócios por falta de um quadro institucional legal previamente estabelecido.

De referir que anos seguintes se registaram reembolsos e no segundo semestre do último ano, houve capacitação em matérias retrocitadas. Desde o segundo semestre de 2006 até ao fim do período que a pesquisa abrange, verifica-se uma crescente institucionalização e capacitação do processo de gestão do OIIL.

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Ascenção Ananias Machel 10

Capítulo I

1. Introdução

O presente trabalho do fim do curso tem como título Capacidade Institucional do Conselho Consultivo do Distrito (CCD) de Matutuine no processo de reembolso do Orçamento de Investimento de Iniciativa Local (OIIL) de 2006-2008. Ele procura trazer um ponto de vista científico do processo de reembolso do OIIL em Moçambique, no distrito e período em destaque. O mesmo levanta pistas e hipóteses assim como conclui a reflexão sobre o processo de governação local e desconcentração do recurso (OIIL).

O seu objectivo, é fazer uma análise prático-empírica do processo de gestão do OIIL, sob o prisma da capacidade institucional do CCD de Matutuine. Tal análise será feita através da descrição do processo de desembolso e reembolso do OIIL, com base nos instrumentos legalmente aprovados e na verificação da capacidade do CCD em matéria de gestão de projectos e negócios.

Ele está divido em seis capítulos. O primeiro é composto pela introdução, apresentação do quadro social e económico do OIIL, delimitação do local de estudo, justificação, problema e os objectivos do estudo. O capítulo dois é dedicado às opções metodológicas que conduziram o estudo incluindo as técnicas de recolha e tratamento de dados.

No terceiro capítulo, é apresentado o referencial teórico-conceptual para o seguinte se referir a apresentação e discussão dos resultados, que resultam da pesquisa levada acabo no terreno em estudo. Já no quarto capítulo, são apresentados os níveis de reembolso em forma de tabela e gráfico, mostram-se os possíveis constrangimentos deste recurso. O quinto capítulo apresenta as conclusões gerais do trabalho e as respectivas recomendações para terminar com as referências bibliográficas, anexos e apêndice.

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Ascenção Ananias Machel 11

2. Quadro social e económico do OIIL

Na década de 90, Moçambique embarcou no processo de transição de um sistema mono partidário para um sistema multipartidário e de uma economia centralmente planificada para uma economia de mercado.

Neste contexto, o governo de Moçambique iniciou um processo gradual de descentralização da administração pública, visando agilizar os processos de planificação e gestão do desenvolvimento local vigentes no país, de modo a acompanhar a articulação entre a administração do Estado e as comunidades locais. Esta ideia tem vindo a ser promovida pelas instituições internacionais como factor preponderante no processo de redução da pobreza como referem Canhanga (2007 e 2009), Bilério (2007) e Forquilha (2009).

A participação das comunidades locais na vida sócio-económica do país é a forma ideal do processo de busca das melhores soluções para os problemas que estas enfrentam.

Assim, o Plano Quinquenal do Governo (PQG) de 2005-2009 assume que a descentralização e a desconcentração da administração pública, são pilares do processo de modernização do Estado.

A transferência de atribuições e competências específicas aos órgãos locais, legitimando- os e concedendo-lhes instrumentos para a execução dos serviços, constitui uma base importante para o processo de descentralização em curso no país desde o período retrocitado (MAE, 2003).

O relatório oficial da United Nations Development Programme de 2000, advoga que cerca de 64% dos cidadãos viviam com menos de US$ 2,00 por dia, e entre estes, cerca de metade nem chegava a atingir um rendimento diário de US$ 1,00. De acordo com o mesmo relatório, pelo menos 400 milhões de africanos encontram-se em situação de pobreza absoluta e por volta de 200 milhões são considerados indigentes.

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Ascenção Ananias Machel 12 Nos mesmos países, como continua referindo a fonte anteriormente aludida, a percentagem de população rural é de 61%, ou seja, os pobres e os indigentes encontram- se no campo, são famílias rurais que sobrevivem da terra e do que ela tem para lhes dar.

Em Moçambique, de acordo com o resultado do Inquérito sobre Agregados familiares de 2002/2003, realizado pelo Instituto Nacional de Estatística, 69% da população moçambicana vive nas zonas rurais, numa pobreza extrema. Como solução deste problema, o PARPA1 I e II e o PQG (2005-2009) colocam ênfase na promoção das finanças rurais e um ambiente legal que as estimule. Tanto o PARPA I e II assim como o PQG realçam que as finanças rurais e microfinanças estimulam o desenvolvimento rural.

Nesta ordem de ideias, com o pressuposto de impulsionar o desenvolvimento económico e social dos distritos de modo a torná-los unidades orçamentais e "pólos de desenvolvimento" do país, o governo toma uma decisão (política) de alocar o OIIL2 a partir de 2006, directamente para o distrito. Recomenda-se que este recurso seja gerido de forma descentralizada, participativa e inclusiva, com intuito de fortalecer as capacidades distritais, como unidade de planificação e orçamentação rumo ao desenvolvimento local, refere o MPD (2007).

Valá (2009) refere que esta decisão surge como resultado da Reunião da Cimeira Mundial dos Chefes de Estado e de governo em Setembro de 2005, nas Nações Unidas, em que se declara a necessidade de acesso aos serviços financeiros, em particular para pobres, por meio de microfinanças e microcrédito.

Desde 2006, o OIIL é concedido pelo governo, via Orçamento Geral do Estado, através das Direcções Provinciais de Plano e Finanças e dos governos distritais. A ideia deste recurso, traduz-se no princípio de "aprender fazendo" de pobres com iniciativa, de modo que estes possam viabilizar os seus empreendimentos culminando com a melhoria das suas condições de vida.

1 Plano de Acção para a Redução da Pobreza Absoluta em Moçambique.

2 Sete milhões de meticais, recentemente extensivos para nove milhões ou mais, de acordo com critérios previamente estabelecidos como número da população, receitais, etc.

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Ascenção Ananias Machel 13

3. Delimitação do estudo

O estudo tem em vista, a análise da Capacidade Institucional do CCD de Matutuine no processo de reembolso de OIIL, abrangendo três anos, 2006, 2007 e 2008.

3.1 Descrição do distrito de Matutuine

Segundo o PEDD3 (2009-2013) e MAE (2005), Matutuine está localizado no extremo Sul da Província de Maputo e do País. A Norte é limitado pela baía e pela cidade de Maputo, a Sul pela República da África do Sul, com a província de Kuazulo-Natal, a Este é banhado pelo Oceano Índico e a Oeste confina com os distritos de Namaacha, Boane e com o Reino da Suazilândia.

Tem uma superfície de 5.403 km² e uma população de 37,166 habitantes, segundo dados preliminares do Censo de População e Habitação de 2007, sendo 51.5% de mulheres. A densidade populacional é de 6.8 habitantes por km².

3 Plano Económico de Desenvolvimento do Distrito.

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Ascenção Ananias Machel 14 3.1.1 Divisão Administrativa

Postos Administrativos Localidades

Bela Vista (Sede do Distrito)

Madjuva

Missevene (Bela-Vista) Salamanga Tinonganine

Catuane Manhangane

Phazimene (Sede do Posto)

Catembe-Nsime Mungazine

Nsime (Sede do Posto)

Machangulo Ndelane

Nhonguane (Santa Maria- Sede do Posto)

Zitundo Manhoca

Zitundo (Sede do Posto)

Tabela n.º 01, adaptado com dados fornecidos pelo Governo distrital.

A rede de estradas4 no distrito é maioritariamente de terra batida. Estende-se por cerca de 734 Km, dos quais 60 Km, actualmente não são transitáveis. Consequentemente, as condições destas estradas, afectam negativamente os esforços de provisão de serviços básicos e infra-estruturas complementares às comunidades locais, destacando a comercialização de excedentes de produção e a aquisição de matéria-prima para projectos financiados pelo OIIL.

O distrito possui 10 (dez) pontes transitáveis, na sua maioria em betão, madeira e ferro, que reclamam por reabilitação. Faz também parte das vias de comunicação, uma linha- férrea, com uma extensão de 60 km. Existem dois aeródromos, o da Ponta D’ouro (PD) com pista asfaltada e Machangulo em terra batida, ambas em perfeitas condições.

No âmbito de abastecimento de água, os Postos Administrativos (PA) de Bela-Vista (BV), Catuane e Salamanga beneficiam de um Pequeno Sistema de Abastecimento de

4 Vinte estradas no seu todo que ligam o distrito interna e externamente.

(15)

Ascenção Ananias Machel 15 Água (PSAA) operacional. Os de Zitundo e PD encontram-se avariados, enquanto que em Catembe-Nsime e Machangulo não existe sistema de abastecimento de água.

O distrito conta com 89 (oitenta e nove) fontes equipadas com bombas manuais. Destas, 72 (setenta e dois) são furos, dos quais apenas 60 (sessenta) operacionais e 12 (doze) inoperacionais, sendo as restantes 17 (dezassete), poços também munidos de bombas manuais.

Desde o ano de 2003 o (distrito de Matutuine) DM vem beneficiando da energia da rede nacional da Cahora-Bassa, passando por alguns postos administrativos, nomeadamente BV, Salamanga e reserva especial de Maputo no PA de BV; Nhonguane (Santa Maria) no PA de Machangulo, Mamoli, PD e Zitundo, PA do mesmo nome, no âmbito do projecto electricidade II.

3.1.2 Estabelecimentos de ensino por Posto Administrativo

Posto Administrativo

Estabelecimentos de Ensino

EP1 EP2

ESG

2006 2007 2008 2006 2007 2008 2006 2007 2008

Bela-Vista-Sede 20 20 20 3 7 8 1 1 1

Catuane 8 8 9 1 2 2 0 0 0

Catembe Nsime 9 9 9 2 2 2 0 0 0

Machangulo 5 5 5 0 1 1 0 0 0

Zitundo 9 9 9 1 1 1 0 0 0

Total 51 51 52 7 13 14 1 1 1

Tabela n.º 02,Fonte: Serviço Distrital de Educação, Juventude e Tecnologia de Matutuine (2009)

(16)

Ascenção Ananias Machel 16 3.1.3 Postos de Saúde

Posto Administrativo

Unidade Sanitária

Tipo de Construção

Estado Físico Actual

Tipo de Serviço

Bela Vista

C.S5. Matutuine Convencional Razoável Rural Tipo I C.S. Hindane Convencional Bom Rural Tipo II C.S. Salamanga Convenciona. Razoável Rural Tipo II C.S. Mabilibili Convencional Bom Rural Tipo II Catembe-Nsime C.S. Nsime Convencional Bom Rural Tipo II

Catuane

C.S. Catuane Convencional Razoável Rural Tipo II C.S. Manhangane Convencional Razoável Rural Tipo II Machangulo C.S. Ndelane Convencional Razoável Rural Tipo II

Zitundo

C.S. Zitundo Convencional Razoável Rural Tipo II C.S. Ponta D’ouro Convencional Razoável Rural Tipo II

Tabela n.º 03, Fonte: Serviço Distrital de Saúde, Mulher e Acção Social (2009)

4. Justificação do estudo

O Governo de Moçambique preconiza que o processo de descentralização deve assegurar a participação permanente do cidadão, na concretização de actividades para a satisfação das suas necessidades. Neste âmbito, recorrendo a instrumentos internacionais e nacionais, o país ratifica os princípios dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio, Nova Parceria para o Desenvolvimento de África, da Agenda 2025, do PARPA, e o PQG.

Estes instrumentos enfatizam a necessidade do reforço da democracia, da economia liberal, da boa governação, do crescimento com equidade e da cultura da paz, tendo em vista a redução da pobreza. Não obstante, saliente-se a promoção do desenvolvimento

5 Centro de Saúde

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Ascenção Ananias Machel 17 humano e criação de um ambiente favorável para o crescimento rápido, inclusivo e abrangente (PROCADIS6 2007-2009, Forquilha, 2009).

Com a aprovação da Lei dos Órgãos Locais do Estado (LOLE), as reformas de descentralização administrativa e autonomia, ganham novos contornos. Os distritos tornam-se mais envolvidos no processo de tomada de decisão daquilo que são as suas prioridades.

Em contrapartida, as instituições locais, deparam-se com carência de quadros com capacidade técnico-humana e institucional. Para além da fraca capacidade em termos de meios. O que citamos acima limita a acção de todo um esforço de elevar o distrito como unidade orçamental e "pólo de desenvolvimento" do país (Idem).

Este cenário incentivou o aprofundamento da reflexão sobre a capacidade institucional dos CCD e capacitação em matérias de gestão de projectos e negócios, pois estes tomam dianteira no processo de gestão do OIIL no âmbito de finanças descentralizadas.

O Relatório Balanço de Implementação do OIIL, 2006-2008 (RBI-OIIL) afirma que os CCD constituem-se como um palco preponderante para a interacção entre as iniciativas do governo e as aspirações das comunidades locais no processo de implementação do OIIL, rumo à promoção do desenvolvimento rural.

Atrelado ao cenário exposto, outra preocupação reside na obtenção de informação do processo de gestão do OIIL, pois trata-se de um recurso que vem do erário público. Neste contexto, todo o moçambicano com idade para contribuir, sacrifica-se em pagar

6 Programa de Descentralização e Capacitação Distrital, é um Programa do Governo de Cabo Delgado, de apoio e capacitação humana dos distritos concebido como suporte aos programas de descentralização e iniciativas de reforço da capacidade das administrações Locais/autarquias, nomeadamente o Projecto de Reforma dos Órgãos Locais do Estado implementado pela Direcção Nacional de Administração Local/Ministério de Administração Estatal, da componente capacitação do Programa de Planificação e Finanças Descentralizadas (PPFD), da segunda fase do Programa de Reforma do Sector Público implementado através das Unidades Províncias de Reforma do Sector Público e de programas de desenvolvimento municipal. O Programa visa reforçar a capacidade técnico-humana e institucional dos distritos. Pretende-se que o mesmo complemente as acções do PPFD nos distritos da província de Cabo Delgado através da afectação de quadros e meios nos distritos/administrações bem como nos municípios.

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Ascenção Ananias Machel 18 diferentes obrigações fiscais. Sendo assim, há necessidade de se respeitar os princípios de accountability dentro de o processo de gestão do recurso.

Quanto à opção do período, deve-se ao facto do distrito de Matutuine assim como outros tantos, terem iniciado em 2006 a beneficiar do OIIL.

5. Problema da pesquisa

O governo de Moçambique em 2006 introduz em todo país o OIIL, como pressuposto de materializar a Estratégia do Distrito como Pólo de Desenvolvimento (EDPD), sendo esta a que se identifica com o princípio de "aprender fazendo" dos pequenos e médios empreendedores no distrito, de modo a viabilizar seus empreendimentos.

Sob o mesmo escopo, Guambe (2008) enfatiza que,

" (…) Potenciar o distrito através do processo da capacitação e formação, é uma das formas mais eficientes de o tornar um ponto territorial e administrativo essencial à programação da actividade económica e social, confirmando-o como pólo de desenvolvimento (… ) ".

Passados três anos da implementação do OIIL, nos órgãos que têm a tarefa de gerir o fundo a este nível, nomeadamente o governo distrital (GD), secretaria distrital, serviços distritais junto aos Conselho Local de Povoação, Conselho Consultivo de Localidade (CLP), Conselho Consultivo do Posto Administrativo (CCPA) e CCD, não se verificam avanços no processo de gestão do recurso.

Estas declarações foram proferidas por alguns analistas citados pelo Editorial do Jornal Noticias7 e País de 16 de Junho (Rafael, 2009), que consideram o recurso como o que ainda está por alcançar o nível desejado, sob ponto de vista de gestão e de produção de resultado ao nível dos distritos.

7 Do dia 29 de Dezembro de 2006, 18 e 26 de Abril de 2007 e 26 de Julho de 2008.

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Ascenção Ananias Machel 19 Esta complexidade é inerente à sua gestão por parte dos actores acima mencionados, bem como a dificuldade de concepção das orientações metodológicas formalmente instituídas, para garantir a gestão de todo o ciclo do OIIL, desde o desembolso até ao reembolso.

O fortalecimento da capacidade institucional e técnica de todos os actores envolvidos no ciclo do OIIL pode contribuir para melhor materialização da LOLE, um dos instrumentos legais do OIIL. Ora, a sua aplicação contribui para a redução dos índices de pobreza absoluta do país, mas pouca análise tem sido feita sobre o contexto em que este fundo tem vindo a ser implementado (Valá, 2009).

Com isto, entende-se que foi concebido o recurso sem clarificação de instituições formais8 e nem capacitação dos actores envolvidos em matérias de gestão de projectos e negócios.

As autoridades locais de quase todos distritos enfrentam dificuldades na promoção do reembolso do OIIL, para a implementação de projectos de produção de alimentos e geração de emprego. As associações solicitam o fundo junto ao GD, mas depois a capacidade de reembolso dos valores é irrisória o que pode comprometer o desenvolvimento sustentável da EDPD (Jornal Notícias, 2006/7 e 8).

Pode se admitir, que a falta de clareza nas instituições formais para a gestão do fundo aliado à carência de capacitação em matérias de gestão de projectos e negócios, limita o reembolso a toda a acção de elevar o distrito como "pólo de desenvolvimento".

Por outro lado, Valá (2009) considera que " (...) a taxa de reembolso ainda é baixa. Há factores que podem explicar esta situação: a inexistência de suporte documental claro e vinculativo na altura de concessão dos recursos incluindo a ausência de um plano de reembolso com cronograma acordado entre as partes; limitado conhecimento de gestão financeira de projectos (...)"

8 Como por exemplo Oficio n.º 101/GM/MF/06 de 12 de Maio e n.º 37/GM/MF/06 de 11 de Abril, fundamentados pela Lei 12/2005 de 23 de Dezembro, circular n.º 01/GAB-MF/2006 de 14 de Março, Oficio n.º 02/DPPF/GAB/2009 de 21 de Janeiro, circular n.º 002/PMD/GM/2009 de 16 de Abril, etc.

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Ascenção Ananias Machel 20 Diante deste cenário emerge o seguinte questionamento:

Em que medida a falta de uma antecedente clarificação de instituições formais aliada à carência de capacitação dos CCD em gestão de projectos e negócios no âmbito do OIIL, limita a capacidade de reembolso?

Ainda nesta ordem de ideias, prematuramente se levanta a seguinte hipótese:

A ausência de clarificação de instrumentos formais, assim como de um suporte documental vinculado de gestão de projectos e negócios, comprometem a efectivação do reembolso do OIIL.

5.1 Objectivo geral

Analisar os níveis e capacidade institucional do CCD de Matutuine e os desafios do reembolso do OIIL.

5.1.1 Objectivos específicos

 Identificar os documentos formais existentes para a gestão do OIIL.

 Descrever o processo de desembolso e reembolso do OIIL, com base nos instrumentos legais aprovados e dinâmicas locais.

 Verificar a capacidade do CCD no processo de gestão de projectos e negócios.

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Ascenção Ananias Machel 21

Capítulo II

6. Metodologia

Não existe nenhuma ciência que se escuse da utilização de qualquer tipo de método para que se legitime o seu argumento. Não só método mas também um objecto. O método e objecto são instrumentos que cientificam qualquer área de saber pois não existe ciência sem o emprego destes dois adjectivos.

Assim para a materialização do trabalho, realizou-se um conjunto de actividades sistematizadas e racionais, com maior segurança e economia de modo a alcançar os objectivos antecipadamente descritos, refutando ou glorificando as hipóteses avançadas (Marconi, 2006).

Usa-se a pesquisa descritiva, aquela que Segundo Dias (2000) observa, regista, analisa e correlaciona factos ou fenómenos sem manipulá-los. Procura entender e conhecer as diversas situações e relações do ciclo de gestão do OIIL desde o desembolso até ao reembolso. Outrossim olharemos para existência ou não de uma clara definição de instrumentos formais, bem como, de uma residente capacitação do CCD em matérias de gestão de projectos e negócios, daí a usar-se como método de abordagem, o indutivo.

O método indutivo segundo Dias (2000) e Gufhmann (2008) cria leis a partir da observação dos factos, mediante a generalização do comportamento observado. Na realidade, o que pressupõe uma espécie de generalização, sem que através da lógica possa conseguir uma demonstração do citado método ou conjunto de conclusões.

As referidas conclusões poderiam ser falsas e ao mesmo tempo a aplicação parcial da lógica poderia manter a sua validade. Por isso, podemos notar aqui uma fissura do método indutivo, uma vez que necessita uma condição adicional. A sua aplicação considera-se válida enquanto não se encontrar nenhum caso que não cumpra o modelo proposto.

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Ascenção Ananias Machel 22 Desta forma partimos de um dado particular, suficientemente constatado: Capacidade Institucional do CCD de Matutuine no processo de reembolso OIIL, de onde iremos inferir uma "verdade" ao nível do território nacional. O objectivo deste método é obter conclusões cujo conteúdo é muito mais amplo do que as hipóteses nas quais se baseiam.

A glória do método reside no facto das hipóteses nos conduzirem apenas a conclusões prováveis aliando-se a ideia de não trazer uma visão acabada acerca do problema (Idem)

Como método de procedimento, usamos o de estudo de caso definido por Gonçalves (2005) como processo específico para o desenvolvimento de uma investigação qualitativa de uma entidade bem definida. Neste caso, o CCD de Matutuine é o alvo; será estudada a sua capacidade no processo de promoção de reembolso do OIIL com o objectivo de compreender todo ciclo de gestão do mesmo, em seus termos próprios.

A ideia é realizar um estudo aprofundado, qualitativo, no qual se procura reunir maior número de informações, utilizando várias técnicas de recolha de dados expostos abaixo de modo a apreender as possíveis variáveis existentes dentro do CCD, neste ciclo do OIIL. Este método segundo Michel (2005) traz vantagem pelo facto de, penetrar na realidade social.

Segundo Gil (1999), esta penetração integra o pesquisador nas redes sociais da comunidade do DM, criando relações de proximidade, pertença comum e consequentemente as oportunidades de conhecer as dinâmicas locais. A interoperabilidade entre o pesquisador e a realidade social, facilita a tarefa de estar em contacto com conhecimentos anteriores, a um meio social único com regras e disciplinas uniformes, trazendo deste modo a percepção das dinâmicas do ciclo do OIIL.

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6.1 Técnicas de recolha de dados

Usaram-se dois tipos de recolha de dados para a concretização do presente trabalho; o primeiro foi a documentação directa que se resume na recolha de informação pertinente em volta do problema destacado. Trabalhou-se com documentos relativos à actualidade ou ao passado que culminam no aprofundamento do trabalho (Ludke, 1986).

O segundo meio para a obtenção de dados, foi a realização de entrevistas a docentes e investigadores com domínio da investigação, a quadros de Estado nos Ministérios de Planificação e Desenvolvimento (MPD), Direcção Provincial de Plano e Finanças, Técnicos do GD, Secretário Permanente (SP), membros do CCD e funcionários dos diferentes Serviços Distritais de Saúde, Educação, Agricultura e de Obras Públicas.

Sendo o CCD base do trabalho, constituído por uma população de 50 (cinquenta) membros, foram entrevistados aleatoriamente 15 (quinze), correspondentes a 30% desta população.

Foram entrevistas exploratórias feitas por conveniência e estratificadas com objectivo de revelar determinados aspectos do fenómeno problematizado e ainda descobrir outros aspectos a ter em conta e alargar ou rectificar o campo de investigação da revisão bibliográfica. Na sua maioria foram conduzidas entrevistas individuais e sugeria-se ao longo da realização destas que indicassem outros possíveis entrevistados.

As entrevistas comportam uma série de questões comuns e várias outras específicas, destinadas a cada um dos grupos inquiridos. Ás entrevistas, foi adicionada a observação participante a mesma que incluiu um estágio de um mês no GD de Matutuine nos quatro departamentos: Planificação e Desenvolvimento Local, Departamento de Finanças, Governação Local e no Departamento dos Recursos Humanos. O pressuposto desta observação participante é a participação activa na vida dos sujeitos observados.

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6.2 Tratamento de dados

Os dados colhidos a partir de fenómenos quantificados foram analisados com base na estatística descritiva, considerando a moda como indicador base para demonstrar a tendência do mesmo. Neste tratamento considerou-se a quantificação dos desembolsos do valor pelo GD e reembolsos por parte dos projectos financiados no período em estudo.

As entrevistas estão sempre associadas a uma análise de conteúdo. Esta técnica de análise de conteúdo permitiu um distanciamento em relação às interpretações espontâneas e, igualmente forneceu uma perspectiva de análise com sentido crítico da informação recolhida (Quivy e Campnhoudt, 1992).

Para a análise de conteúdo das entrevistas, obedeceram-se os seguintes passos (a) formulou-se um guião de entrevista, (b) sua realização no campo e posterior (c) transcrição. De seguida a (d) análise crítica e céptica para terminar com a (e) descrição (redacção).

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Capítulo III

7. Referencial Teórico e conceptual 7.1 Revisão da literatura

As políticas e programas de descentralização desenvolvidos na África Sub-sahariana nos últimos quinze anos, transformaram os GL em importantes níveis de uma boa governação. Estes, estão sendo conferidos mais poderes para que possam eleger o executivo e o legislativo, assim como tomar decisões de investimento de forma autónoma (MAE, 2003).

Em Moçambique, segundo PEDD (2009), o processo de descentralização emerge da necessidade de criar e manter um sistema governativo/administrativo eficiente, transparente e legítimo, que sirva da melhor maneira o cidadão moçambicano e a sua comunidade.

No passado, os planos de desenvolvimento eram elaborados centralmente sem ter em conta as necessidades e aspirações locais. Os actores da sociedade civil e as comunidades rurais eram envolvidos apenas na fase da implementação de projectos e outras actividades já definidas.

Assim, a partir dos anos 80-90 nos países africanos, aflora a ideia de descentralização associada à democratização. Este cenário, reflecte a ideia de poder mais próximo do cidadão, o que torna possível a sua participação na solução dos seus problemas. Assim, do ponto de vista teórico, o conceito de descentralização pode ser definido do seguinte modo: poder local, que por sua vez, implica autonomia que não se confunde com soberania na esteira de Cistac (2001), Canhanga (2007) e Forquilha (2009).

A partir do processo de descentralização acima descrito, criam-se os GL. Nesta conformidade segundo Cistac (2001), o poder de decisão tem limites pois (a) não tem nenhum poder de criação das receitas, excepto no caso de taxas ou tarifas de prestação de

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Ascenção Ananias Machel 26 serviços, (b) um poder limitado em matéria de fixação da matéria colectável, (c) um poder limitado em matéria de fixação do montante das receitas, (d) um poder juridicamente autónomo para arrecadar as receitas.

Os GL, neste caso particular o DM, antes de ser considerado unidade orçamental, recebia dos seus respectivos governos provinciais apenas transferência para o seu funcionamento.

Tal acção limitava as capacidades financeiras do mesmo, pois estas transferências serviam para o pagamento de salários de algumas despesas de funcionamento como água, energia e material de expediente, etc.

As despesas de investimento eram canalizadas via ex-Direcções Provinciais de Apoio e Controlo, servindo apenas para a realização de pequenas reabilitações e reposição de infra-estruturas da administração local. Por outro lado, existiam nos investimentos locais, as organizações não governamentais, mas muitas destes, não iam ao encontro do Programa de Desenvolvimento Rural (PDR), Plano Económico e Social e Orçamento Distrital (PESOD), PEDD e PPFD segundo o RBI-OIIL (2006-2008), HELVETAS9, (2007-2011) e Valá, (2009).

Este cenário foi revisto em 2003 aquando da aprovação da Lei nº 8/2003, Lei dos Órgãos Locais do Estado – LOLE de 19 de Maio, do seu Regulamento 11/2005 e ainda pela força das decisões da 19ª Sessão do Conselho de Ministros alargada aos Governos provinciais Administradores Distritais e outros membros do Estado, realizada nos dias 11,12 e 13 de Agosto de 2006, pela introdução do OIIL10.

Feito isto, a Circular 101/GM/MF/06, de 12 de Maio que versa sobre as orientações metodológicas para a execução dos fundos para o ano de 2006, emitida pelo Ministro das Finanças aos Governadores provinciais, sublinhava que os fundos destinavam-se às infra-

9Helvetas Swiss Association for International Cooperation/Schweizer Gesellschaft für internationale Zusammenarbeit/Association suisse pour la coopération internationale. Helvetas Moçambique Associação suíça para a cooperação internacional.

10Ideia iniciada pala FAO nos meados do anos 90, através do desenho de um "Plano Director para as Finanças Rurais". Esta ideia foi esquecida mas reencarnada através do Programa de Apoio às Finanças Rurais, lançado em 2005 (Vlatter, 2006)

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Ascenção Ananias Machel 27 estruturas sócio-económicas e actividades de promoção de desenvolvimento económico local. Além disso, a circular emanava orientações relativas aos procedimentos técnicos para a execução dos fundos.

O OIIL constituiu uma das primeiras medidas de descentralização financeira no âmbito da nova abordagem colocando o distrito como base de planificação e "pólo de desenvolvimento". O OIIL visa apoiar o distrito nas suas iniciativas de alívio à pobreza absoluta através da produção de alimentos e geração de emprego, o que, segundo os relatórios e balanços governamentais, é benéfico para os distritos.

7.2 Enquadramento Teórico

Norton (1995) define instituições como regras escritas que dão forma específica e única à interacção dentro de uma sociedade; seja esta interacção, política, social ou económica.

Toyoshima (1999) e Clearver (2001) reforçam a ideia anterior, acrescentando que a clarificação de instituições como uma ferramenta de desenvolvimento, oferece aos cidadãos locais, a oportunidade de serem eles o recurso humano e solução para seus próprios problemas.

Tanto Norton, quanto Toyoshima e Cleaver entendem que instituições formais não são necessariamente melhores que as informais (referenciadas por Norton como hábitos, cultura ou todo tipo de práticas não escritas), estas influenciam assaz para a definição de dinâmicas abrangidas. Não é por acaso que a escola de Relações Humanas, diz que um dos estudos mais importantes para a administração é aquela que diz respeito ao grupo informal (Motta, 1973)

A opção que se propõem dela decorrente a teoria institucionalista supra citado, pode-se considerar que qualquer actividade exercida pelos CCD carece de uma base legal clara, antecipadamente formulada de modo a promover o reembolso do OIIL. Continuando, a disposição de instituições devidamente clarificadas, condiciona o reembolso.

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Ascenção Ananias Machel 28 Por outro, o Estruturalismo dialéctico defendido por Karl Marx citado por Motta (1973) e Lefebvre (1966), concepção que consiste em conhecer o objecto situando-o em uma estrutura onde se encontra integrado e posteriormente as estruturas amplas. Entende-se como um conjunto formado de elementos dispostos de tal modo que cada um depende dos outros até ao ponto de só poderem ser o que são em função do seu relacionamento estreito com os outros.

A análise que legitima as partes, neste caso os distritos cuja a sua descentralização é legitimada pela Lei 8/2003, submete-os a se esforçarem para o desenvolvimento distrital, mas sempre tendo como horizonte, embora haja diferenciação, a integração para o desenvolvimento de um todo. Portanto, a totalidade recompõe-se desde que estas tenham adquirido "autonomia". A totalidade está harmonizada num país único e em desenvolvimento.

Desde os Conselhos Locais de Povoações (CLP), Conselhos Consultivos de Localidade (CCL), Conselhos Consultivos de Posto Administrativo (CCPA), CCD até à Administração do GD, notabiliza-se uma estrutura previamente estabelecida e harmonizada com objectivos claramente descriminados rumo à minimização do impacto da pobreza absoluta.

As duas teorias que apontamos como representantes do enquadramento teórico, de alguma forma, são complementares entre si na aquisição de uma visão razoavelmente aproximada do ciclo do OIIL. A articulação destas, tomando como ponto de partida o OIIL incluindo as linhas gerais do seu quadro legal pode surtir numa abordagem lúcida do problema levantado.

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7.3 Quadro conceptual

Este quadro é composto por quatro conceitos. Como ponto de partida, alude-se o conceito de capacidade institucional. Este refere-se à capacidade legal, ao quadro legal e legislativo claramente existente, que guia uma determinada acção de acordo com Macuane (2002).

O descompasso deste quadro, cria desafios desencorajadores na gestão do OIIL. Importa destacar que os mecanismos de capacitação institucional ligados à gestão do OIIL em Moçambique são recentes e em processo de consolidação, daí a necessidade de um constante aperfeiçoamento.

Guambe citado por Macuane (2002) defende que a questão da formação e capacitação institucional é necessária para a promoção do desenvolvimento local. Mazula (2005), compartilha a mesma ideia e mostra que para o desenvolvimento de uma sociedade é necessária a potenciação das capacidades dos seus cidadãos.

O segundo conceito é CCD, Instituição de Participação e Consulta Comunitária de mais alto nível, que serve de "espaço de diálogo e deliberação sobre as prioridades locais de desenvolvimento, entre o povo e as autoridades do governo local" (LOLE e o seu Decreto 11/2005)

Na mesma legislação, os membros do CCD são seleccionados através de um processo que envolve diferentes níveis inferiores, que escolhem seus representantes para os níveis acima, indo desde os Comités de Desenvolvimento Comunitários, passando pelos CLP, CCL, CCPA até ao CCD.

Para o RBI-OIIL, este tem a função de (a) divulgar em coordenação com as autoridades distritais e a existência do OIIL, (b) anunciar o limite orçamental para cada PA, (c) participar no processo de escolha dos projectos com impacto a nível local, (d) decidir com base numa avaliação genérica e analisar a idoneidade dos beneficiários deste

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Ascenção Ananias Machel 30 financiamento, (e) fazer a monitoria dos processos de utilização do fundo e (f) apreciar e aprovar o relatório da execução global do OIIL.

A gestão de projecto é o terceiro conceito, definido por Mata (2002) como um conjunto de actividades de planeamento, coordenação da execução e controlo que visa garantir o bom desenvolvimento do projecto e o cumprimento dos objectivos dos mesmos (“qualidade, prazos, custos”).

A Agência Sueca de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento-ASDI (2003) e a TEARFUND (2003) trazem uma definição mais abrangente ao inferir que gestão de projectos trata-se do seguimento de todo ciclo deste, desde a programação (planificação), identificação, análise e aprovação, financiamento, implementação até a avaliação11, associada ao (a) compromisso e o sentido de responsabilidade de todas as partes, (b) objectivos traçados de forma realística, (c) distribuição de responsabilidades, (d) participação e influência do grupo alvo na concepção do projecto, (e) a capacidade de gerir riscos e (f) a flexibilidade para adaptar os processos em termos de mudanças.

Por fim Dornelas (1991) afirma que todo processo de gestão de negócios tem origem no plano de negócio12 (que está automaticamente ligado à gestão de projecto; são conceitos que se completam) definido como um documento usado para descrever um empreendimento e o modelo de negócio.

É no plano de negócios em que se respondem questões como: (a) em que negócio você está? (b) o que você realmente vende? e (c) o seu mercado alvo? Só com um plano de negócio previamente elaborado aumenta em 60% a probabilidade de sucesso do mesmo;

os gestores de negócios devem estar cientes disto.

11 Esta classificação varia de acordo com a entidade que a usa; esta pertence a União Europeia.

12 Não existe uma estrutura rígida e especifica para se descrever um pleno de negocio, pois cada negócio tem suas particularidades e semelhanças, sendo impossível definir um modelo padrão de plano de negócio que seja universal e aplicado qualquer negócio. Porém qualquer negócio deve possuir mínimo de secções, as quais proporcionam um entendimento completo do projecto empresarial ou novo projecto (Dornelas, 1991, STRATEGOR, 2002,).

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Ascenção Ananias Machel 31 Estando num processo de descentralização, há necessidade de se focalizar a capacidade institucional assim como em matérias de gestão de projectos e negócios do CCD. O pressuposto é o fortalecimento da gestão do ciclo do OIIL com vista ao bom funcionamento da EDPD.

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Capítulo IV

8. Apresentação e discussão dos dados

8.1 Caracterização do Conselho Consultivo Distrital

O Mapa de dados do CCD de Matutuine (2009) refere que este é composto por 50 (cinquenta) membros presididos pelo Administrador distrital, assistido pelo Secretário Permanente (SP) e dois vogais. Dentro deste, 74% dos membros são do sexo masculino e 26% do sexo feminino, situação que contrasta com o Guião sobre Organização e Funcionamento dos Conselhos Consultivos Locais, no seu artigo 36, que prevê 30% da presença feminina no CCD.

Em conformidade com o princípio de constituição, existem neste CCD, grupos de interesse de natureza económica representado por 3 (três) agentes económicos e um líder religioso. Para além destes, temos directores de todos serviços distritais e indivíduos de diferentes proveniências sociais e cultural. As idades dos membros oscilam entre 26 (vinte e seis) e os 77 (setenta e sete) e anos.

Existem mesclados dentro do CCD, 3 (três) membros com nível de licenciatura, 1 (um) bacharel, 3 (três) médios, 1 (um) com nível médio profissional, outro com básico e os restantes membros com nível abaixo do anteriormente apresentado. São na sua maioria chefes tradicional e líderes comunitários. Nestas condições, revela-se que o distrito tem capacidades humanas para levar a bom porto a EDPD.

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8.2 Orientações metodológicas de execução do OIIL

O Gabinete do Ministro das Finanças através dos Oficio n.º 37/GM/MF/06 de 11 de Abril e n.º 101/GM/MF/06 de 12 de Maio, fundamentados pela Lei 12/200513 de 23 de Dezembro e com conhecimento do Director Provincial de Plano e Finanças assim como dos Administradores Distritais, fixa no Orçamento do Estado para o ano de 2006, 7 (sete) mil meticais para despesas de investimento de iniciativa local para cada GD.

Para se assegurar o desembolso do fundo por parte da Direcção Provincial de Planificação e Finanças (DPPF) para os distritos, sublinha-se como procedimentos: a (a) recepção da comunicação da DPPF acerca dos tectos orçamentais aprovados pela Assembleia da República através da Lei orçamental, (b) reajustamento dos projectos através de uma planificação participativa em função das prioridades e a (c) verificação da coerência dos volumes de financiamento para os diferentes sectores, priorizando as áreas de impacto directo na vida das populações. Além disto, as infra-estruturas sócio económicas e procedimentos administrativos devem estar consolidados.

Para execução deste fundo deve-se observar as instruções de execução orçamental que constam da Circular n.º 01/GAB-MF/2006 de 14 de Março iniciando-se deste modo o processo de institucionalização do processo de gestão do OIIL que citamos:

O valor de 7 ( sete) mil meticais destina-se a aplicação nas despesas de investimento de iniciativa local de cada Governo Distrital;

Os Governos Distritais devem solicitar às Direcções Provinciais do Plano e Finanças (DPPF) a locação dos respectivos fundos (...)

Concedido o fundo pela DPPF, o GD de Matutuine orientado pela Circular n.º 101/GM/MF/06 de 12 de Maio, assim como nos transparece o SP14, os projectos que merecem financiamento devem estar ligados ao desenvolvimento económico local no quadro de combate a pobreza.

13 Que aprova o Orçamento do Estado para o ano de 2006.

14 Numa entrevista concedida nos dias 22 e 27 de Outubro de 2009.

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Ascenção Ananias Machel 34 O Oficio n.º 02/DPPF/GAB/2009 de 21 de Janeiro, estipula que as taxas de juros são de 5% para projectos de agricultura e criação de gado, 8% para a pecuária de pequena espécie e 10% para comércio, indústria, turismo e outros.

Mais tarde em 2009, na Circular n.º 002/PMD/GM/2009 de 16 de Abril, notabiliza-se um aperfeiçoamento das orientações metodológicas do OIIL, introduzindo instrumentos legais do OIIL como o (a) contrato de empréstimo15, (b) ficha de identificação do projecto16, (c) ficha de análise do projecto, (d) ficha de acompanhamento do projecto17 e por fim a (e) ficha-resumo do progresso do projecto18 para além do mapa das amortizações que também podemos chamá-los de mapa de reembolso.

15 Vinculo jurídico entre o Governo Distrital e o beneficiário do projecto, definindo o objectivo do mesmo, as obrigações para ambos intervenientes, as formas de empréstimo e o reembolso.

16 Preenchida pelos SDAE, que permite conhecer em linhas gerais o projecto proposto e, contem a identificação do beneficiário, classificação do projecto por sector de actividades e duração do mesmo.

17 Preenchida pela ET durante as visitas periódicas ao projecto. Visa conhecer o ponto de situação do projecto financiado na data em que o mesmo é visitado. Esta ficha permite aferir o número de trabalhadores do projecto, situação gera do equipamento, do mercado para produtos, da dívida, resultados da ultima campanha, volume da produção e das vendas e o impacto do projecto.

18 Viabiliza o ponto de situação da implementação do OIIL por distrito num determinado período. Esta ficha permite fazer uma avaliação sobre o montante alocado a um determinado distrito, valor executado, o ponto de situação dos reembolsos e os resultados dos projectos financiados.

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8.3 Processo de desembolso do OIIL no distrito de Matutuine

As entrevistas realizadas aos membros dos CCD, funcionários do GD e dos serviços distritais, bem como aos proponentes, notabilizam uniformidade no processo de desembolso do recurso. Este processo compreende seis fases, de acordo com o ciclo do OIIL representado abaixo:

Figura 119 - Ciclo do OIIL

Na fase de elaboração, particularmente ao nível do PA de BV temos quatro localidades (Massevene, Madjuva, Tinonganine e Salamanga). A comunidade de Massevene por exemplo, é orientada a elaborar projectos com incidência para a produção de alimentos e geração de emprego. Caso encontrem dificuldades na redacção, aproximam-se à Equipa Técnica20 (ET) sedeada no GD, que apoia para o efeito.

19 Adaptada pelo autor.

20 Composta por 8 (oito) elementos dos quais 1 (um) é mulher, todos seleccionados e provenientes da Secretaria Distrital, dos Serviços Distritais de Actividades Económicas; Planeamento e Infra-estruturas;

Educação, Juventude e Tecnologia; Saúde, Mulher e Acção Social. Esta funciona com 7 (sete) subcomissões de trabalho a destacar: Secretariado, Formação, Infra-estruturas Sociais (Estradas, obras e água), produção de alimentos, comércio e turismo, área social e finanças, tendo como presidente o administrador distrital e o secretário permanente distrital como seu coordenador.

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Ascenção Ananias Machel 36 Elaborados os projectos passam pelos CLP, CCL e sobem para os CCPA para a sua aprovação. Depois destes estágios, espera-se pela realização da sessão do CCD21 onde o projecto é apresentado da seguinte forma: leitura deste na sua totalidade fazendo a identificação do proponente do projecto e das facturas proforma.

De seguida, passa-se a palavra para os membros do CCD de modo a analisarem a apresentação feita, tendo como base da aprovação a confiança22 (idoneidade) do proponente, credibilidade, rentabilidade e viabilidade do projecto. Depois, olha-se para a capacidade do proponente, no sentido de se perceber se alguma vez, fez algo apresentado no projecto.

Mais adiante, usando o critério da maioria, aprova-se (ou reprova-se) o projecto. Ora, no caso de pairarem dúvidas ligadas à identificação do proponente, manda-se a ET para se fazer ao terreno, de modo a avaliar a credibilidade, rentabilidade e viabilidade do local e das capacidades do proponente.

Por fim financia-se o projecto, via cheque, baseado nas facturas proforma que o proponente leva ao GD, este que paga directamente à loja proposta.

Feito isto, o proponente implementa o projecto ao mesmo tempo que vai recebendo visitas da ET. Nestas visitas informam-se das possíveis dificuldades e sucessos que o projecto for apresentado ao longo da sua implementação. Chegado o período acordado no plano do reembolso, elaborado na fase do financiamento, o proponente reembolsa o valor desembolsado.

Em todas as fases apresentadas, temos como actores envolvidos, os proponentes que elaboram os projectos, a ET que os auxilia nesta elaboração, os membros do CLP, CCL,

21 Três sessões ordinárias por ano.

22 Averiguações da possibilidade dos proponentes reembolsarem a quantia requerida. Este adjectivo e o orçamento do projecto tem sido o que mas se tem discutido nas sessões do CCD do que no potencial que o projecto pode apresentar para a geração de comida e renda

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Ascenção Ananias Machel 37 CCPA, CCD que os aprovam e técnicos de contabilidade que se encarregam de formalizar e desembolsar o financiamento do projecto.

8.4 Execução do OIIL ao nível do distrito de Matutuine

O balancete de execução do OIIL de 2006 mostra que o distrito recebeu 7 milhões de meticais. Montante que foi aplicado para a reabilitação do PSAA (de Bela-vista, Catuane e Salamanga), da residência do SP, do assistente técnico do governo, dos técnicos dos serviços distritais de actividades económicas, dos técnicos dos serviços de planificação e infra-estruturas e da residência do Chefe do Posto Administrativo de Catuane.

Outra parte do valor serviu para a compra de acessórios para a reabilitação de 12 (dose) motobombas, compra de uma motorizada, mobília de quarto e sala, equipamento de informática, monitoria e avaliação e comissões bancárias.

Como se depreende, o valor não foi aplicado em áreas de produção de alimentos e geração de emprego tal como emanam as orientações metodológicas de execução do OIIL, visto que, este foi para a reabilitação de infra-estruturas e bens duradouros. Esta situação remete-nos na nula possibilidade de reembolso do valor. Supomos que tal opção tendo como base os objectivos do trabalho, teria mais inconveniências do que vantagens.

Pode-se considerar um antecipado desembolso do recurso às comunidades, pois a execução do OIIL teve seus constrangimentos devido à não existência de orientações dos processos de implementação e gestão.

Em 2007 constatam-se lógicas de funcionamento com um mínimo de institucionalização, assim como pela existência de um conjunto de procedimentos de carácter legal-racional.

O propósito destas lógicas era de regulamentar as relações entre os actores envolvidos no ciclo do OIIL através da introdução de um quadro legal, que ajuda na gestão do mesmo.

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Ascenção Ananias Machel 38 Estas orientações clarificam que este recurso deve-se aplicar a projectos para a produção de alimentos e geração de emprego, localmente elaborados pela comunidade, discutidos e aprovados pelo CCD.

No ano em referência, segundo o plano de reembolso, o OIIL beneficiou 132 (cento e trinta e dois) projectos dos quais foram aprovados 60 (sessenta) que produziram cerca de 510 (quinhentos e dez) postos de trabalho.

Para além destes, encontramos 12 (doze) associações agrícolas e empresários agro- pecuários. Destas, 8 (oito) beneficiaram do fundo, num valor de 1,528,717.00 MT (um milhão e quinhentos e vinte oito mil e setecentos e dezassete meticais), o que corresponde a 20% do valor total do fundo, que foi de 7.341.027,25 MT (sete milhões, trezentos e um mil, vinte sete e vinte e cinco centavos).

Contudo constata-se que grande parte dos projectos apresentados e analisados, careciam de elegibilidade técnica. Portanto, ao seguimento do ciclo do projecto desde a sua identificação até à flexibilidade para adaptar-se em processos de mudanças ambientais diversas. Concepção de um plano de negócios que transparece conhecer o espaço negocial e uma apreciação básica das forças e fraquezas devia se ter em conta.

Este cenário permitiu a indicação da ET e Técnicos dos Serviços Distritais de Actividades Económicas, como responsáveis pela análise e avaliação dos projectos para posterior aprovação, assim como monitorar e avaliá-los a curto, médio e longo prazos.

Para o ano de 2008, Matutuine recebe em tranches, 7.070.779,57 MT (sete milhões e setenta mil setecentos e setenta e nove e cinquenta e sete centavos) para o financiamento de projectos. Na acta da I Sessão extraordinária do CCD de 2008, foram apresentados 106 (cento e seis) projectos e financiados 53 (cinquenta e três) projectos para os 5 (cinco) postos administrativos.

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Ascenção Ananias Machel 39 De entre estes, a maior parte dos projectos financiados, são dos PA de BV e Machangule liderando com cerca de 15 (quinze) e 19 (dezanove) projectos respectivamente. Catembe- Nsime com 4 (quatro), seguidos por fim Catuane e Zitundo com 3 (três) projectos. Estes projectos introduziram um incremento de mais 26 (vinte seis) postos de trabalho, dos criados em 2007, totalizando 1036 (mil e trinta e seis) na campanha de 2007/8.

Evidências empíricas mostram que a concentração de projectos aprovados e financiados em alguns PA em detrimento de outros, deve-se ao facto dos PA com maior projectos, estarem dotados de infra-instruturas básicas como escolas, hospitais, etc. O que permite maior concentração populacional com assimetrias não muito distanciadas em termos de nível de vida, tipo de pensamento, assim como nível de formação. Nestes PA com maior concentração de projectos aprovados e financiados, podemos verificar mais habilidades na concepção e redacção de projectos, diferentemente dos outros.

De acordo com o PEED-2009, cerca de 80% da população do distrito se dedica à actividade agrícola, sendo a agricultura de sequeiro a predominante. O que faz com que os projectos de produção de alimentos, sejam sempre prioridade. Os mesmos consomem quase 50% do valor do OIIL, embora sejam de alto risco e de reembolso tardio.

De seguida temos projectos de fomento pecuário, piscicultura, geração de emprego e comércio. Nos dois últimos, através dos planos de reembolso, verifica-se que têm sido flexíveis no reembolso em detrimento dos outros.

Alguns extencionistas assim como o SP, justificam que esta demora de reembolso deve- se à complexidade do ciclo de produção agrícola e o facto de estar sujeito a riscos consideráveis, especialmente as calamidades naturais como estiagem e cheias. Desta forma, como actividade agrícola é praticada numa zona baixa, se as chuvas forem longas ou coincidir com a abertura da barragem dos países vizinhos como Pongola Port na República da África do Sul, as culturas ficam inundadas, constrangido toda a campanha agrícola.

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Ascenção Ananias Machel 40 O fomento pecuário não foge a regra, o reembolso é por espécie e não por dinheiro. A família laureada recebe uma junta de bois que custa 24. 500, 00 Mt23 (vinte e quatro mil e quinhentos meticais) e paga 3.000, 00 Mt (três mil meticais). Depois de reproduzir, as duas primeiras juntas passam para uma outra família celebrando-se de novo um outro contrato e esta família volta a pagar os 3.000, 00 Mt (três mil meticais) e assim sucessivamente.

Entretanto, para completar o valor da aquisição das primeiras juntas, é necessário que estas passem por 08 (oito) famílias, cada uma com um período de 9 (nove) meses para a produção das juntas de reposição. De acordo com cálculos feitos, para a reposição completa do valor de aquisição das juntas, são necessários 6 (seis) anos.

Importa referir que o distrito tem estado a aplicar uma modalidade diferente na atribuição dos valores solicitados, embora alguns proponentes não estejam a favor da mesma. Esta modalidade consiste em adquirir os bens e equipamentos no montante solicitado pelos proponentes.

Fernando Licussa, proponente do OIIL e membro associado,

"(...) achávamos que iriamos receber em dinheiro, para nós próprios fazermos a compra do material necessário e implementar o projecto, mas não foi assim. Por exemplo, o governo pagou a lavoura do espaço a uma outra associação e o número das horas pagas não foram suficientes. Nós não tínhamos dinheiro para continuar com essa actividade, lavrou-se mas não conseguimos gradar e fazer os sulcos.

A semente que o governo pagou, chegou depois da época, já tinha iniciado a germinar e a outra parte em apodrecimento. Acho que se devia oferecer o dinheiro vivo aos proponentes para não se correr o risco de se comprar material sem qualidade. Por exemplo, nós pedimos cotações em três lojas de acordo com as instruções e o Governo foi comprar numa loja que não era a confiada por nós porque não tinham produtos de qualidade (...)"

23 O valor da compra das juntas tanto do gado bovino assim como caprino, depende da empresa que ganha o concurso para o fornecimento destes animais

Referências

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