• Nenhum resultado encontrado

Rev. bras.oftalmol. vol.75 número2

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2018

Share "Rev. bras.oftalmol. vol.75 número2"

Copied!
1
0
0

Texto

(1)

83

E

DITORIAL

Rev Bras Oftalmol. 2016; 75 (2): 83

E

m Portugal, do ponto de vista clínico, a oftalmologia atingiu níveis de qualidade e excelência que rivalizam com os melhores centros de referência no mundo, contando com profissionais muito diferenciados.

No que diz respeito à investigação e ao desenvolvimento científico, embora o percurso tenha sido enorme, parece claro que os indicadores de produção científica ficam ainda aquém do potencial e infraestrutura existentes no país.

O objetivo fundamental do médico oftalmologista é o melhor tratamento possível do doente. No entanto, a investiga-ção científica constitui um motor essencial ao progresso da sociedade e ao bem estar das populações e ao tratamento dos doentes. A investigação científica não deve estar, por essa e outras razões, dissociada da prática clínica e uma deve alimentar a outra.

A melhor forma de assegurar que os oftalmologistas dispõem e usam a cada momento, a melhor informação disponí-vel, consiste em criar uma cultura científica que permita compreender e integrar rapidamente na prática clínica, novos conhecimentos e novas descobertas publicadas nas revistas científicas da especialidade. Por outro lado, essa mesma cultura não pode deixar de criar no oftalmologista uma outra: a de colaboração e de abertura em relação à ciência.

Se é verdade que alguns ensaios são um dos componentes mais visíveis da investigação clínica em Portugal, não podemos deixar de notar que muitos dos desenvolvimentos científicos mais significativos se fazem na fronteira e no cruzamento de áreas disciplinares diversas.

É nessas áreas que surgem as questões mais relevantes e é esse o terreno mais fértil para as respostas mais criativas que vamos encontrando. Frequentemente, as respostas às questões complexas com que nos deparamos convocam conhecimentos que vão da biologia à física e a meios e recursos que envolvem tecnologias e soluções de engenharia diversas. A resposta à algumas das nossas questões clínicas diárias não seriam possíveis sem o apoio dos engenheiros e das suas soluções tecnológicas que nos permitem medir indicadores.

A ambição de um oftalmologista que quer fazer parte do mundo e da sociedade contemporânea não estará completa se ele não quiser conhecer e saber mais sobre as doenças que afetam a visão. Além disso, esse desejo não será realizado se, na medida dos meios que tiver ao seu dispor, não for possível o processo de criação de novo conhecimento que possa vir a beneficiar os seus doentes.

Partilho da ideia de que as sociedades científicas podem desempenhar um papel chave nesse processo, não apenas veiculando informação aos seus membros e associados, mas constituindo-se como atores ativos na promoção do conheci-mento e da investigação, seja em ações de formação avançada, seja na divulgação e participação ativa em projetos de investigação. Incluo nessa fórmula não apenas a participação em projetos de investigação competitivos, mas também ações de angariação de financiamentos que possam ser dirigidos para atividades científicas. O papel de uma sociedade científica moderna passa por uma participação ativa em muitas dessas atividades. Veja-se, a título de exemplo, o desafio associado ao envelhecimento ativo e saudável das populações. Trata-se de responder a um desafio em que certa-mente a investigação clínica e, em particular, as ciências da visão, têm um papel preponderante, bem ilustrado pelo número e gravidade das doenças oculares associadas ao envelhecimento.

Como sociedade científica, a Sociedade Portuguesa de Oftalmologia não fica indiferente à esses desafios e, mais do que federar os oftalmologistas portugueses, contribui para a internacionalização e diferenciação destes médicos, manten-do-os informados e, sempre que possível, envolvidos no que de mais importante se faz e descobre na Europa e no mundo. Essa é a informação que, de uma forma ou de outra, mais cedo ou mais tarde, pode melhorar a visão dos nossos doentes.

Maria João Quadrado Presidente da Sociedade Portuguesa de Oftalmologia

Research, science and ophthalmology in Portugal

Investigação, ciência e oftalmologia em Portugal

Referências

Documentos relacionados

Primei- ros pacientes do Estado do Rio de Janeiro tratados com a enzima recombinante Agalsidase Beta (Fabrazime). Rev Bras Oftalmol.. Arq Bras Oftalmol. 70, nº 5, páginas 809-813) li

A declaração CONSORT (Consolidated Standards of Reporting Trials), originalmente publicada em 1996 e atualizada em 2001 e 2010, fornece uma lista de checagem composta de 25 itens

It provides guidance for reporting all randomised controlled trials, but focuses on the most common design type-individually randomised, two group, parallel trials, which accounts

Through this method, we did not observe the presence of inhi- bition halos around the paper filter discs soaked with silicon oil in any of the plates containing the

Under the three conditions, the vertical coma aberration appears the most frequently within the dominant aberrations without signiicant efect by pupil size variance, and

After these observations, we reviewed the medical records of a sample of 284 patients (482 orbits) who had had orbital decompression at our Institution from 1992 to 2010, with

A 53 year-old woman presented with a slowly progressive, painless proptosis OS. Computed tomography disclosed a round, homogeneous, well-delimited lesion in the

Rev Bras Oftalmol.2016; 75 (1): 67-9 Lacrimal Pathways Sector of the Department of Ophthalmology and Visual Sciences of the Universidade Federal de São Paulo and Escola Paulista