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JORNAL HE NOTICIAS
ANO 1 SAO PAULO — Quarta-feira, 7 de Agosto de 1046 NUM. 97
KIUIACAO. At).vilNls||tA..Atl K OMl IN.\S;
UUA .«LORENCIO DE AISliKU. 164 - SAO PAULO DIRETOR—FERNANDO MARREY
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BYRNES E M0L0T0V TRAVAM ACALORADOS DEBATES NA CONFERÊNCIA DE PARIS
O general Scarcela Portela denuncia a exportação desenfreada da farinha de mandioca em prejuízo da população do pais
Rejeitado o processo de votação por maioria Simples na Conferência da Paz
A PRIMEIRA DERROTA DAS PEQUENAS NAÇÕES
PARIS, fl (R.) — Por 11 votos contra 0 o Conselho do Reglmcn- to rejeitou a emenda da Nova Zelândia, propondo maioria sim- pies nas votações sobre matérias do substancia.
PARIS, 0 (R.) — O sr. Paul Hcnrl Spaak abriu os trabalhos desta noite do Conselho de Real- mento da Conferência da Pn^, dizendo Que em primeiro lugtir era necessário chegar a uma con- elusão quanto no processo de vn- tüção naquele Conselho, tal como fora proposto pelo representante da Rússia, sr. .Vlitshclav Molotov.
Pediu ainda no sr. Molotov que formulasse sua proposta por es- cri to.
Entretanto o delegado soviético fez apenas a seguinte declaração verbal:
"A delegação da Rússia sugere
;ue as propostas apresentadas pe- Conselho de Ministros de Ex- dor só devem ser consideradas aprovadas se obtiverem maioria de dois terços nos debates deste Conselho".
O sr. Spaak interpretou essa de- tlaracüo como significando que se aceitas, todas as emendas às pro- postas dos ministros de Exterior das quatro potências necessitariam a maioria de dois terços.
Ameaça proibir a exportação de fia- rinha de mandioca
RIO, 6 (Asapresst — O ge- neral Scarcela Portela, declarou hoje que se continuar a expor- tação desenfreada da farinha de mandioca, com sacrifício do próprio povo, o governo toma- rá severas medidas, inclusive a suspens5o total das exporta- ções, até que o mercado interno esteja saturado de farinha. Dis- se o general que a exportação, como está sendo feita, é preju- dicial ao consumo do nosso po- vo. Os produtores preferem vender tudo que podem ao es- trangeiro, por preços elevados,
¦mesmo que os brasileiros fi- quem sem farinha. Além disso os importadores compram qual- quer qualidade da mais grossa e mais ordinária. Nessas condi- ções os '
produtores desinteres- sam-se pelo fabrico da farinha de qualidade fina usada no Brasil, Disse que JA os avisou o que devem produzir para o consumo Interno, do contrario tomará enérgicas providencias.
Sc o declaração do sr. Molotov for rejeitada, essas propoitas pre- cisarão apenas da maioria sim- pies;
O sr. Spnuk disse cntAo que po- ria o problema em votação. O sr. Molotov disse porém que sua delegação nao esperava a voto- ção. "Tudo o que posso úlzvr — uflr- mou õ sr. Molotov — é que a de- legaçflo soviética adere a esse ponto de vista c não pode de qual- quer maneira, adotar um ponto
«ie vista diferente".
A pouco c pouco, os debates pas- saram a se referir ao velho terre- no Já batido nas sessões anterlo- res.
O dr. Herbcrt Evatt, da Austra- lia, procurou repetidas vezes escla- recimentos da proposta do sr. Mo- lotov, e Indicou que ele mesmo proporia mais tarde uma emenda ao processo de votação quando se realizasse a sessão plenária.
O delegado da Inglaterra, sr. A.
V. Alexander, disse então que to- os Estados Unidos, a Inglaterra, a Rússia, a China, a França, a Tche- coslovaqula. à Iugoslávia, a Polo- nla, a Ucrânia, a Rússia Branca e Noruega. A Etiópia se absteve do votar.
A Bélgica retirou então sua emenda, dizendo que a emenda britânica satisfazia-lhe Inteira- mente.
O sr. Vlshinsky pediu que a emenda britânica fosse votada cm três partes, uma vez que sua de- legação podia concordar com nl- gumas. mas não com outras. Es- sas portes são: 1 — Uma propôs- ta de que a votação a respeito de questões de procedimento sela feita por simples maioria, o que sofre oposição da Rússia. 2 — Quu as recomendações aceitas pela maioria de dois terços sejam sub- metidas ao Conselho de Ministros dos os delegados Já deviam ter compreendido que a proposta do sr. Molotov devia ser retirada ou posta em votação.
O sr. Molotov pronunciou então um discurso de oito minutos, no qual repetiu não estar fazendo uma nova pi-oposta, e durante o qual acusou a Inglaterra o os Es- tados Unidos de tentarem anular e esturtlflcar todo o trabalho pre- paratorio da Conferência, voltando atrás na sua palavra.
O sr. Molotov Insistiu flnalmen- te cm que o precedente da Con- ferencia de São Francisco fosso aplicado.
Depois de uma hora de dlscus- soes, o sr. Paul Hcnrl Spaak pro- pôs a votação da emenda da No-
va Zcl.mdln. Mns ao acabar de fu«
lar. o delegado d i Ucrânia, tr. Mn- nullsky reabriu os debates.
Uns após outros, os diversos (k- legadas se ergueram paro recor- dor pontos Já debatidos, obrlgan- do o sr. Spaak a Intervir três »••••¦
zes, en» 20 minutos, num esforço para encerrar os debates.
O delegado da Inglaterra, sr Alexander, pediu então tios dele- gados que por melo do lcvnntar das mãos se decidissem a favor ou contra a votação da emenda da Nova Zelândia. Catorze vou., ram a favor da votnção da emen- da nco-zelnndcsa e sete se nbstl- veram.
O Conselho de Regimento procn- deu então á votação da emenda da Nova Zelândia, rejeitando-a por onze votos contra nove.
Foi assim rejeitada a emenda que teria estabelecido « maioria simples como reera de votação nas sessões plenárias da Conferência cm torno de assuntos de subs- tsncla.
Votaram a favor da emenda neo- zelandesa a A>ustralla, a África do Sul. a Nova Zelândia, o Canadá a Holanda, a Bélgica, o Brasil, a índia e a Grécia. Votaram contra de Exterior no que a Rússia con- corda. 3 — Que as propostas atlo- tados apenas por simples maioria sejam também submetidas aos mi- nlatros de Exterior porém como recomendação de menor Impor- tancla, e o quo tombem sofre opo- slçao da Rússia.
PARIS. 6 (R.) — O delegado da Iugoslávia na Conferência da Paz anunciou hoje que o seu país n&o so considerava obrigado a cumprir qualquer decisão que íos- se tomada naquela conferência por maioria inferior a dois terços.
PARIS, ã (R.) — Revela-se agora que foram os seguintes os países que votaram a favor da emenda da Checoslovaqula pro- pondo a criação de um sub-con- selho destinado a eliminar as ares- tas das emendas á regra da maio- ria de dois terços:
Fr.uiçn, Noruega. Polônia, Che- coslovnquln, Russiu, Ucruulit, União Soviética u Iugoslávia.
Votaram contra, os Estados Uni- dos. Austrália, Brasil, Inglaterra, Canada, índia, África do Sul, No- va Zelândia, Holund.t. Grcci.» o Belglci.
A China e a Etiópia se nbstlvc- rum de votar.
PARIS, fl (R.) — A mnls abso- luta confusão reinava hoje no Conselho do Regulamento dn Con- ferencia do Paris quando este sus- pendeu seus trabalhos por uma hora, 50 minutos depois de reinl- cindas ns discussões em que não so chegou a um acordo quanto ao problema da maioria.
A ameaça da Iugoslávia de re- pudlur qualquer decisão que não seja tomada pela Conferência, obo- deocndo á regra da maioria de dois terços, parece ter apresentado ao conclave o problema de uma re- belifio aberta,. Se situações seine- Ihantes nfio tivessem surgido na
Conferência du S. Francisco e nas reuniões dos ministros de Extc- rtor dfts quitro potências, os nD- servadores políticos e diplomáticos teriam todos o» motivos pnri pre- ver nli;o parecido com um impasse completo na Confcrwicla d» Paz.
O Chile reconheceu o governo provisório
da Bolivia
SANTIAGO DO CHILE, ü 'R)
— A chancelnrin chilena deu ft luz uma declaração, dizendo que o Chileno resolveu /jconhcccr o governo da Junta Provisória de La Paz, no dl# 6 de agosto, como homenagem à Bolívia, por oca-»
slão do aniversário de su> lnde pendência.
Kvjal B* jf í», f % ^\'* ''.'.' Èf Ã,Ti *r fi^Tw^Hf ' tÍ
MAIS PAIir.cr.:.; CORISTAS AMERICANAS. — O grupo de jovens que se tre a., "cltciii' uáo é o que à primeira vista parece — um conjunto de "glrls" em pose de publlc/dodc. Sdo oifo lindas imiurantes européias chegadas no primeiro navio que aportou Nova York após a guerra, iFoto ONA, para o JORNAL DE NOTICIAS)
Bvrnes atuou a União Soviética de procurar limitar o direito à participação das nades na elaboração da paz
Desafiou. Molotov a conseguir autorização para que suas declarações sejam publicadas na Rússia
PARIS, 6 <AFP) — Um duelo de palavras ásperas foi a nota culml- nante dos debates na sessão da manhã de hoje, da Comissão d'e Regulamento da Conferência de, Paz, sendo contendores os chefes das delegações dos Estados Unidos e da Rússia.
O sr. James Byrnes, tomando a palavra, proferiu o seguinte dds- curso:
"A cada passo encontramos a determinação dos Sovlets no sen- tido de limitar o direito ã parti- clpação, na elaboração da paz, de todas as Nações, pretendendo que tudo seja resolvido apenas pelas Quatro Grandes Potências.
O delegado soviético quis excluir a França e a China dos trabalhos de tratados de paz. Em Moscou, o governo soviético lutou bravlamen-
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Visitará a Inglaterra o chanceler João Neves
Conferenciará com Clement Attlee
PARIS, C (AFP) — Confirma- se que o chanceler do Brasil, sr.
¦João Neves da Fontoura, Visita- rá a Inglaterra, depois da Con- ferencia da Paz das 21 Ponten- CiflS
PARIS, 6 (AFP) — O chance- ler do Brasil, sr. João Neves da Fontoura, deliberou visitar a capital britânica, após a Confe- renda de Paz, presentemente en»
desenvolvimento nesta capital.
O ministro do Exterior do Bra-
sil passará, porem, poucos dias em Londres.
O programa de sua visita não foi fixado em definitivo, mas sabe-se, desde Já quo o sr. João Neves da Fontoura será oonsl- derado hospede oficial do gover- no inglês.
O fim principal da viagem a Londres será permitir ao sr.
João Neves da Fontoura confe- rendar com o sr, Clement At- tlee, primeiro ministro britanl-
Favorável o ministre Negrão de Lima à extinção da Comissão Central de Preços
ÍS
DIRIGENTES DA ALEMANHA. — Os quatro chefes do Conselho dô ontrole Aliado que dirige a Alemanha: da esquerda para a direita veem-se o tiarechal ia R.A.F., tir Sholt Douglas, general Joseph T. McNarneu (dos BE.UU.), general Plme Koenig ida França) e o marechal russo V. »-
Salcolovsky. (Foto ACME, para o JORNAL DE NOTICIAS).
D.
RIO, 6 (Asapress) — O minis- tro do Trabalho declarou Intcm aos Jornalistas que está sendo cia- borado um decreto-lei conceden- do anistia sindical.
Interrogado sobre a extinção dns autarquias, o sr. Negrão' de Lima declarou que o assunto estava sen- do estudado com a colaboração do Ministério da Fazenda. Pergunta- do sobre a extinção da Comissão Central de Preços, disse: "Não te- nho interesse na manutenção da O. O. P.. Tenho interesse apenas que seja equilibrado o cust» da vld-a, sem prejuízos para o povo".
Molotov aceita o desafio de Bvrnes e afirma que na U.R.S.S. existe uma imprensa livre
Fez a defesa das decisões tomadas pelo Conselho dos quatro grandes
PARIS, 6 (AFP) — Responden- do no discurso pronunciado hoje na Conferência de Paris pelo sr. Byr- nes, o representante da Rússia, Mo- totov, pronunciou uma oração, cujas primeiras palavras foram as seguintes:
"Aceito o desafio de Byrnes. Pu- blicaremos o seu discurso para que o povo soviético o leia. Há nesse discurso muitas coisas com as quais não estamos de acordo, mas, para provar que temos uma im- prensa livre, podemos publicá-lo na Integra".
Em seguida, o delegado russo ob- servou quo o jornal americano
"New York Herald Tribune", de hoje, critica abundantemente, o seu próprio discurso de ontem, mas tem publicar um só trecho textual do mesmo. Ai, o sr; Molotov apro- Veita a oportunidade para falar so- bre a imprensa americana, dizendo que ela está nas mãos dos trus- tes que a monopolizam e estandar- tUzam.
Voitando-se depois contra a In- glatcr*. o sr. Molotov declarou (jue o Partido Trabalhista, "reu- nindo dois terços de votos dispõe apenas de um jornal". A seguir, In- dica que. ao contrario, "a sua de- legaçáo concorda cm auxiliar a lm- prensa soviética a ser objetiva e bonesta".
Passando ao assunto cm debate,
• sr. Molotov constatou que as propostas relativas ao regimento foram aceitas unanimemente pela Conferência dos Quatro e que des- de o Inicio da conferência dos 21 to as delegações soviética e íran- ceia mantêm essa proposta". Por isso — declara em seguida — as
delegações americana e britânica não' estão sendo coerentes con- sigo mesmas, pois reservam-se ago- ra o direito de falar contra as propostas que elas mesmas adota- ram".
O sr. Molotov diz, em seguida, que a decisão de limitar o nume- ro de Estados participantes a Con- ferencia da Paz foi tomada pelo Conselho dos Quatro, conforme proposta americana.
"Ninguém sonha por exemplo — - acrescenta — em lembrar que en- tre os Estados que participaram da guerra estão também a Gua- temala, a Costa Rica, o Haiti e as Filipinas. Se esses Estados fos- sem convocados isto não tornaria mais fácil a auestão de maioria".
Molotov reconhece-também que
Extinto o sistema de "navicerts"
LONDRES, 6 (AFP) — O sistema de "navlcert" íoi com- pletamente extlntojmcom a no- tlflcação oficial feita ao gover- no espanhol de Madrld de que os navios espanhóis doravante não precisariam mais garantir seus carregamentos com certlfl- cados fornecidos por consulados britânicos.
A Espanha é o ultimo pais a ser dispensado da obrigação dos
"navicerts", Impostos no inicio da guerra, afim de controlar o comercio dos países neutros com o Eixo e dar eficácia ao blo- quelo marítimo britânico.
a delegação soviética propôs reu- nir o Conselho dos. Chanceleres pa- ra uma troca de pontos de vista sobre a questão do regimento. E pergunta, textualmente: "Que mal há nisso? Em que isto poderia atra- palhar o trabalho dessa comissão ou da Conferência?"
Sm seguida, o delegado sovieti- co declara:
• "Se a Conferência dos Quatro nfio houvesse estabelecido pre- vlamente o projeto de regulamen- to. falaríamos sem resultado. Não há "dlcktat" dos grandes poten- cias. Nós nos propusemos a esfor- çar e convencer as delegações. Se de tempos em tempos os "quatro"
trocassem pontos de vista sobre as questões do regimento, Isso só po- deria prestar serviço á Conferen- cia. A delegação soviética quer so- mente se opor à anulação pura e simples das decisões tomadas pe- los quatro, mas toda proposta útil para a adoção ou recomendação que não estiver em contradição com as decisões já tomadas, en- contrará o apoio soviético, seja qual for a delegação que tomar a iniciativa. A nossa delegação acha-se, assim, obrigada a defen- der, quase só, as decisões Já toma- das. Não o foz em seu próprio interesse nem no interesse parti- cular da União soviética, mas, sim, no da Conferência e no interesse dos Estados presentes e ausentes à mesma".
Ao concluir, e dirigindo-se enfa- tlcamente "àqueles que pretendem ser vãs as lições da guerra", o sr. Molotov declarou que não se trata de tal ou qual sistema de voto, mas de "nos habituarmos a trabalhar em comum, como é o de- sejo dos que nos delegaram aqui e como o deseja a opinião mundlsl".
O sj\ Negrão de Lima adiantou que Ia combinar com os técnicos do Ministério providencias para. a realização do Congresso Nacional Sindical e que a lei sindicai re- centemente publicada Já se en- contra em vigor.
RIO, 6 (Asapress) — Os vesper- Unos locais anunciaram ontem a deliberação governamental de. ex- tingulr as autarquias econômicas e o D. N. I-. Podemos, entretanto, Informar que o governo não to- mou ainda nenhuma resolução de- ílnitlva do assunto. A verdade é que constituiu apenas uma oomls- são composta dos ministros da Fazenda, Trabalho e Agricultura para estudar o caso e dar urgen- te parecer. Somente depois des- se estudo é que o governo adota- rá providencias definitivas, saben- do-se que o presidente da Repu- bllca solicitou urgência no caso.
RIO, 6 (Asapress) — A proposl- to da anunciada extinçio do De*
partamento Nacional de Informa- ções, o ministro da Justiça rece- beu o seguinte telegrama de São Paulo:
"Em face da propalada noticia da próxima extinçio do D. N. I„
a Associação dos Profissionais de Imprensa de São Paulo pede 11- cença para alvltrar a v. excla. a manutenção da Agencia Nacional, onde varias dezenas de Jornalistas prestam eficientes serviços."
co, sobre todos os assuntos de interesse geral c comum para a Inglaterra o o Brasil, sem ex- cluir as questões econômicas, li- gadas no infércnmblo comercial tradicionalmente mantido pelos dois paises. (a) Nobrega da Cunha, enviado especial da Agencia Franco Presse,
PARIS, 6 (AFP) — O diatice- ler Jo8o Neves da Fontoura tem aproveitado todo o tempo pos- slvel para tratar de muitos as- suntos de .Interesse brasileiro não ligados à Confci^cncin du Paz.
Agoru mesmo, está projetando uma rápida viagem a Berlim, que será realizada no próximo sabá- do porque, provavelmente, não haverá, domingo, nem reunião da Comissão de Regulamento, nem sessão plenária no palácio do Luxemburgo.
O .objetivo da vlslla ft capital, germânica é examinar "in lo- co" diversos problemas penden- tes ainda de solução, principal- mente os relativos ao nosso pe- dldo quanto a reparações, o qual será 'estudado pela delegação
"norte-americana.
Também o sr.
Noves da Fontoura deseja ob- servar as possibilidades de repa- trlamcnto de muitos cidadãos nascidos no Brasil, os quais, en>
tretanto, permanecem em tcrrl- torlo alemão, apesar do desejo de regresso à terra natal. Todos esses assuntos o chanceler exa- minará diretamente com o ge- neral Anor dos Santos, chefe da missão militar do Brasil em Bcr.
Jim.
i Devido às grandes dificulda- des de hospedagem, a comitiva do chanceler será multo reduzi-' da, seguindo em sua companhia O ministro Rubens Melo, secre- tarlo geral da delegação, o se- cretario Guimarães Rosa, chefe de gabinete do ministro do Ita- marati e o secretario Alfredo Bernardes, oficial de gabinete e membro da delegação, (a) No- brega da Cunha, enviado espe- ciai da "France Presse").
te para limitai- o numero de go- vemos convidados para a Confe- renda dai Paz. A seguir, esta luta passou para ns atribuições da Con- ferencia e agora para a Comissão de Regulamento. Assim, presente- mente, a Rússia chegai ao seu pon- to culminante, nesta tentativa sua de multiplicar as reuniões do Con- selho dos Chanceleres, para que este dite a nomeação das autorl- 4ades oficiais da Conferência'.
Moloiov permitiu-se chamar-me a atenção para a mudança da po- slção americana e, nn entanto, fez, na semanai que findou, uma alo- cução em favor das emendas nas sugestões de regimento e pediu que a Polônia fosse colocada entre os Estados que devem discutir o pro- jeto de tratado de paz com a Hun- gria.
Ontem, após ter censurado os representantes dai Grã-Bretanha e dos Estados Unidos, no que con- sidera uma mudança de posição, terminou as suas criticas propon- do, ele próprio, uma emenda. Sô Molotov poderia fazer isso.
Alias, Molotov não hesitaria em criticar a Gra-Brelanha quando esta propõe uma emenda, mas se mostraria multo surpreendido se alguém a criticasse, quando propõe (Conclue na S.» pagina)
0 Brasil ocupa o quinto lugar antro as Rações que contribuem para a U.N.R1A.
Já pagou 39 milhões de dólares
GENEBRA, fi (R.) — O Brasil ocupa o quinto lugar entre as.
nações que contribuem para a subsistência da UNRRA — foi hoju oficialmente revelado nesta capital, durante os trabalhos da Quinta Sessão do Conselho da UNRRA.
GENEBRA, 6 (R.) — As contribuições do Brasil para a subsis- tencla da UNRRA elevam-se a trinta e nove milhões de dólares, o que representa 10% das despesas orçamentarias brasileiras.
GENEBRA, 6 (R.) — Seis paises centro e sul-americanos terão papel importante nas discussões relativas ao futuro da UNRRA ti serem aqui realizadas, por ocasião, da Quinta Reunião do Con- selho daquela associação.
Entre esses países que contribuíram com mais de 59.000.000 de dólares em auxílios para a Europa e Extremo Oriente, conta-se o Brasil que ocupa o quinto lugar entre as nações contribuintes, com um total de mais de 39.000.000 de dólares. Essa soma repre- senta 10% das despesas orçamentarias brasileiras.
O diretor geral da UNRRA, sr. Fiorelo La Guardiã, declarou em seu relatório apresentado ao Conselho daquela UNRRA que a obtenção de artigos para aquela associação foi intensificada na America do Sul durante o segundo trimestre deste ano-
Uma missão especial da UNRRA visitou a Argentina, Chile, Equador, México e o Panamá. Na Argentina aquela missão foi o instrumento principal para que chegasse a um acordo com o governo, relativo à entrega à UNRRA de 150.000 toneladas de trigo;
já oferecidas ao Conselho Internacional do Trigo.
(Conclui na 3.a pagina)
Recusam-se a entregar a colheita ile trigo os trabalhadores agrícolas ao redor de Palerio
"Tanks" e carros blindados enviados àquela região
ROMA, 6 (AFP) — As forças po- liciais precisaram entrar numa ver- dadeira batalha para obrigar os camponeses a entregar a colheita de trigo em Caccami, perto de Pa- lermo. Neste combate, no qual to- maram parte dois carros pesados e 400 policiais, um oficial foi mor- to e dois gendarmes feridos. Igno- ram-se as perdas sofridas pelos camponeses.
ROMA, 6 (R) — Anuncia-se nes- ta capital que tropas de "carabl- nieri" e reforços policiais estão chegando aos campos ao redor da vila cercada da Caccami, a 40 quilômetros a sudeste'de Palermo, na Slcllla, para participarem . da esperada "ofensiva" contra os cam"
poneses, que se refugiaram por n&o quererem fazer entrega dos seus cereais.
Segundo as ultimas noticias re- cebldas nesta capital, tanques • carros blindados forçaram os cam- poneses que ainda resistem, a se retirarem para uma zona mais es- trelta, onde sua defesa se torna mais dificil.
As mulheres incumbiram-se de repicar os sinos das igrejas, como que para convocar os camponeses das regiões vizinhas para partici- parem da luta.
A "batalha" prolongou-se pelo espaço de 18 horas, • dois "cara- binlerl" foram mortos e 18 fica- ram feridos. '
Cerca de 100 membros do "exer- cito de camponeses", foram cerca.- dos.
ROMA, 6 (R) — Dois "carabl"
nieris" foram mortos e mais dezes- seis ficaram feridos, por motivo de choques com camponeses que deixaram de fazer sues entregas de cereais na cidade slcillana de Caccami.
Uma "verdadeira batalha" — segundo se informa — verificou-se durante 18 horas c as ultimas no- ticias dizem que ainda se verificam tiroteios em diversos lugares, ou- de .os desordeiros ainda resistem.
Mulheres da localidade fizeram soar os sinos da igreja, convocar»- do outros camponeses das zonas vizinhas para a luta. Informa-se que trinta "carablnierls" estão sendo mantidos pelos camponeses como prisioneiros.
ROMA, 8 (R) — Nove pessoas ficaram feridas em resultado de um choque que se verificou hoje em Barl, no sul da Itália, entre
"carablnierls" e cerca de três mil desempregados.
BARI, 6 (AFP) — Não obstan- te ter melhorado a situação em Barl, apôs os incidentes verificados ontem, durante os quais uma mui- tldão de desempregados assaltou a Prefeitura da cidade, os represen- tantes da administração e prlncl- pais partidos decidiram enviar ho-
Je a Roma uma comissão que apresentará às autoridades a gra- ve,situação criada pelo desempre- go e para reclamar a aplicação d*e um vasto plano de trabalho.
ROMA, 6 (R) — A ugencia no«
ticlosa italiana "Ansa" anunciou hoje que três policiais ficaram fe- ridos em Trieste quando a policia civil interveio para dispersar uma' demonstração não autorizada da elementos favoráveis a Iugoslávia, que realizaram manifestações dian- te de um quartel da policia. Qua- tro manifestantes foram presos.
TRIESTE, 8 (AFP) — Uma vas' ta operação policial e militar, que contou mesmo com o auxilio d*
civis e de dois aviões, foi efetuada na região de Montfalcone, onde diversos caminhões foram recente- mente atacados, redundando no morte de um oficial e muitos fe- ridos militares. Foram presas lí pessoas e descobertas em grutas grandes quantidades de armas, mu- nlções e viveres.
TRIESTE, 6 (R) — Informa-s*
oficialmente que 18 pessoas foram presas em conseqüência de uma operação combinada de elementos militares e da policia civil na área ao norte de Móníalcone, Foi pro- ximo a esta zona que recentemente um "Jeep" britânico foi alvejado o mesmo acontecendo com um veiculo semelhante norte-america- no, cujo motorista foi morto.
O FUTURO DA ITÁLIA Ricardo M.
(Exclusivo da A.P.L.A.
CARDENAS
para o JORNAL DE NOTICIAS) PARIS (via radio-telegraíica) —
A atitude do Brasil e de outras nações que compareceram à Con- ferencia da Faz com a intenção de pressionar os Quatro Grandes em favor da Itália, veio trazer no- vas esperanças aos delegados "ex- tra-oficiais" italianos que aguar- dam ansiosos o momento das dis- cussões sobre o tratado de paz com seu pais. Sobre a questão das re- parações, a única cifra concreta que se dispõe -até agora, são os cem milhões de dólares que o Ml- nlstro das Relações Exteriores Ua-, liano aceitou que deviam ser abo- nados à União Soviética. Esta so- ma seria paga, no entanto, na for- ma de artigos manufaturados, para os quais a União Soviética fome- ceria. as matérias primas. Estas serão transportadas para a Itália livre de custo, mas o seu valor se- rá deduzido do preço do artigo ter- minado. Esta soma será liquidada num período de cinco anos, que começará dois anos apôs a assi- natura do tratado de paz com a Itália, para evitar uma drenagem na produção atual
E' virtualmente certo qua os ee. UU., n&o pedirão mala repa»
rações & Itália e se espera que os britânicos não sejam demasiado duros com sua ex-lnlmlga, conver- tida agora em amiga. Nada se sabe sobre as reclamações france- sas, exceto ns exigências territo- riais, que já foram concedidas pe- los Quatro Grandes. Estas exigen- cias se referiam ás zonas de Ten- da e Briga e ã zona do Cenls.
Iucldentalmente os italianos in- sistiram em que os aliados tlves- sem contemplações, Indicando quo o auxilio que prestaram depois de setembro de 1943, chegou a 2.198 milhões de dólares. Este pedido foi favoravelmente acolhido na Grã- Bretanha e nos EE. UU.. Talvez o que os Italianos tenham conse- guldo até agora de melhor, seja a desistência russa dos transatlan- ticos "Saturnla" e "Vulconla", em troca de um acréscimo de 30 mi- lhões de dólares na conta dos re- parações. Os Italianos têm consl- deravel esperança nestes navios, dado que esperam convertê-los em fonte de bons dólares norte-ame- ricanos, quando se reinicie o tra- fego turístico entre a Itaha • o resto do mundo.
• Concordou-se .também que a
Rússia reclame todos os bens ita- lianos na Bulgária, Hungria e Ru- mama e na zona russa da Alemã- nha. Espera-se que isso alcance uma soma substancial e é duplamente trágico para a Itália, uma vez que implica a total liquidação dos bens italianos na Europa Oriental. As exigências gregas, albanesas e iu- goslavas não apresentam ainda uma forma definitiva, e os cifras mencionadas até agora, por estes paises, serão, provavelmente, redu- zidos,. Assim, no ultimo mês de outubro, os iugoslavos indicaram que a sua conta de reparações contra a Itália chegava a 9.000 milhões de dólares. Os funciona- rios admitiram mais tarde, que só Insistiriam sobre o pagamento pe- los danos causados nas zonas da Bosnla, Kordun e Llka. Menclo- naram então 1.500 milhões de dó- lares como reparações pelo des- truldo, pessoas mortas e maquina- rias roubadas. Tem-se por enten- dldo, entretanto, que a Rússia a- polará um pedido de reparações de 300.000.000 de dólares para ca- da uma, tonto para a Iugoslávia como para a Grécia.
Roma peU à Iugoslávia t à Gre-
cia que tomem certos fatos em consideração, ao redigir suas exl- gencias financeiras ã. Itália.
Pelo que se pode observar, esta soma representa uma drástica re- dução das exigências tanto de Bel- grado, como de Atenas. Acredita- se que a Iugoslávia admitiria a sugestão russa, mas a Grécia não.
Na realidade, a ultima palavra de Atenas fixa suas reparações con- tra a Itália na cifra de 2.676.000.060 de dólares pela destruição, ocupa- ção e saque, enquanto fixa 378 milhões para o pagamento de ou- tros prejuízos. Embora se admita que os desmandos dos fascistas tornam a Itália devedora destes paises, assim como da Albânia, Roma assinala que ambas recebe- ram abastecimentos italianos nos últimos anos da guerra. A Itália também pede que se retirem algu- mas das reclamações sobre entre- ga de maquinaria e instalações, para que o pais possa fabricar ar- tlgos que venham a pagar as re- parações. A situação a respeito das reclamações etlopes o albanesas ante a Itália 6 ainda mais com-
•plicada do que com a Grécia e a Iugoslávia. Roma assegura, que as
melhoras feitas nesses países sob o regime fascista pagam ampla- mente o que reclamam da Itália em reparações.
Os italianos sentem que Isto é particularmente certo no que con- cerne à Albânia, uma vez que per- deram os proveitosos poços petro- llferos daquele pais cuja conces- são a Itália obteve cm 1925, de pois de longas e custosas negocia- ções e investigações- Além disso, sabe-se que os próprios russos con- sideram esses poços como suflclen- te indenização, tanto para a Al- bania como para a Grécia.
A Etiópia insistiu em seu pedi- do de que se faça a Itália pagar por ter se apoderado do país, e não está de acordo de que as me- lhorlas materiais que foram feitas pelos conquistadores do pais, com- pensem suficientemente. Clamando que foi prejudicada devido a sua situação geográfica, a Etiópia pede que lhe sejam entregues as colo- nlas Italianas da Eritréia e Soma- lia, que lhe foram roubadas no fim do século passado. Também pede 530 milhões de dólares como reparações pelos cinco anos de o- cupação italiana. — (APLA).
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