Imposto sobre a renda do trabalho
Prof. Renata Del Tedesco Narita
1/2017
Introdução
I Incidem sobre a remuneração do trabalho
I Tipicamente: imposto sobre a renda e contribuições para a seguridade social
Pontos principais
I Impostos sobre a folha salarial criam uma cunha fiscal, qual seja, a diferença entre o custo do trabalho para a firma e o salário liquido recebido pelo trabalhador.
I A incidência é relevante para a avaliação dos efeitos sobre o mercado de trabalho
I por ex. pode ser que firma repasse todo aumento de imposto para o salário do trabalhador. Nesse caso, pode reduzir a oferta de trabalho apesar do imposto ter incidido sobre o custo da folha salarial da firma
I Nem todo imposto é percebido como imposto
I por ex. seguridade social.
I Muitas instituições do mercado de trabalho são financiadas por esses impostos: por ex. seguro-desemprego, PAMTs,
educação, jornada reduzida)
I Por fim, políticas de transferencias são analisadas como um imposto negativo sobre folha
Comparação internacional
I Imposto de renda e contribuições para a SS variam muito entre países
I Na OCDE (2012)
I a taxa media do imposto é 29,5% nos EU e 50% na Franca
I a taxa marginal (mais elevada) do imposto de renda é 40% no US e 52% na Franca
I Taxa media é o quanto é pago de imposto sobre o custo do trabalho (para um indivíduo solteiro que recebe o salário médio)
I As taxas marginais variam pois o imposto é progressivo
I taxa marginal mais elevada > taxa media
Teoria: Oferta de Trabalho
Considere um mercado de trabalho perfeitamente competitivo:
I Indivíduos são maximizadores de utilidade:U =U(C,`)
I Restrição ornamentaria com imposto progressivo:
Restrição ornamentaria com imposto progressivo
Imposto progressivo x proporcional
Imposto progressivo x proporcional
I O imposto sempre reduz bem-estar: restringe o conjunto orcamentario
I Um imposto proporcional não tem “no-tax” region => afeta a margem extensiva de participação
I Um imposto progressivo é zero para os que trabalham menos
=> afeta mais a margem intensiva (horas)
Renda mínima
I Benefícios de renda mínima (assistencial: garanteyminpara todos os indivíduos)
I Um indivíduo que prefere mais lazer que consumo
I escolhe trabalhar pouco sem a transferencia
I escolhe trabalhar zero com a transferencia
Efeitos renda e substituição
I A oferta reduz com um imposto maior se o efeito substituição superar o efeito renda
I Efeito substituição: aumenta o lazer
I Efeito renda: reduz o lazer (lazer é um bem normal)
Teoria: A demanda por trabalho
I O imposto sobre folha salarial afeta o custo do empregador
I Considere que todo o imposto pago pela firma é percebido como beneficio pelo trabalhador:
Ld =Ld(w(1+tf))
Ls =Ls(w(1+tf)) Em equilíbrio:Ls =Ld implica a função implicita
H(w,tf) =Ld(w(1+tf)) Ls(w(1+tf))⌘0
Teoria: A demanda por trabalho
Usando o T.F.I.
dw
dtf = ∂H/∂tf
∂H/∂w = 1 1+tfw A elasticidade salário-imposto é portanto:
dww
dtf = 1 1+tf
I Suponha um taxa inicial de imposto de zero, então, aumentar o imposto por 1% reduz o salário em 1%
I Nesse caso, todo o efeito do imposto recai sobre salário e não haverá efeitos sobre emprego
Teoria: A demanda por trabalho
I Considere agora um modelo mais geral com impostos pagos pelas duas partes e uma valorização imperfeita do imposto pago pela firma:
onde#é o inverso da elasticidade da oferta de trabalho eho inverso da elasticidade da demanda por trabalho,reé a valorização do imposto pelo trabalhador pago pela firma, erw é a valorização dos impostos pagos pelos próprios trabalhadores
Teoria: A demanda por trabalho
Nos demais casos, o repasse não é completo (menor que 100%) sobre os salários e portanto afeta emprego
Teoria: mercado de trabalho imperfeito (search frictions)
I Ferramenta util para entender desemprego em equilíbrio
I Considere um modelo de search simples com taxas de chegadas de emprego aleatórias, destruição exogena e que somente o desempregado busca emprego
I A renda do trabalho incorre no impostot.
I O valor de fluxo do emprego é:
rW =w(1 t) +d(U W)
I O valor de fluxo do desemprego é:
rU =b+l ˆ
max(W U,0)dF(w)
I Sebnão incorre em imposto, então o imposto aumenta o salário de reserva e portanto aumento o desemprego
I Sebincorre em imposto (seguro-desemprego totalmente indexado), então o imposto não afeta emprego
Efeitos sobre os salários: Quem paga?
I Competitivo:
I Quanto mais inclinada for a oferta (inelastica): trabalhador paga relativamente mais
I Quanto mais inclinada a demanda (inelastica): firma paga relativamente mais
Efeitos sobre os salários: Quem paga?
I Mercado imperfeito:
I depende da função de determinação salarial (“oferta no modelo monopsonista”)
I Se a função for mais elástica (horizontal): haverá menos impacto sobre salários e mais sobre emprego
I Se a função for mais inelastica: haverá mais impacto sobre salários e menos sobre emprego
I Um aumento do imposto sobre a firma desloca a demanda para baixo:
Evidencia empírica
I A oferta de trabalho dos homens não é muito afetada por variações nos impostos
I A oferta das mulheres aumenta se o salário liquido aumenta
I Grupos geralmente afetados:
I trabalhadores com salários altos
I trabalhadores com salários baixos que recebem benefícios
I trabalhadores próximo da aposentadoria
I indivíduos considerando entrar na forca de trabalho
Gruber (1997)
I Desoneração da folha no Chile em 1981: de 29% para 5,5%
I A maior parte do efeito é repassado para os salários, portanto, ha menos efeito sobre o emprego
Brasil e America Latina
I Referencias na dissertação do Erick