• Nenhum resultado encontrado

Educação e a lei dos três estados ou a do processo educativo

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2018

Share "Educação e a lei dos três estados ou a do processo educativo"

Copied!
8
0
0

Texto

(1)

Pontos de Vista

DUCAÇÃO E A LEI DOS TRÊS ESTADOS OU A

CIENTIFICIDADE

DO PROCESSOEDUCATIVO

zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

Lauro de Oliveira Lima

ZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

" O s c o n h e c im e n t o s c o m p r e e n d e m m o d o s d e

e s t r u t u r a ç ã o im p r e v í s iv e is , m ú lt ip lo s q u e

se

r e n o v a m s e m c e s s a r . S u a a n á lis e n ã o

se

p o d e

r e a liz a r , c o m p r o v e it o , s e n ã o d e p o is d e

sua

c o n s t it u iç ã o ( n o s u je it o ) o u n o c u r s o d e s u a

c r ia ç ã o . s e m p r e q u e p o s s í v e l d o in t e r io r

ZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

e c o m

u m

MINIMUM

d e p r e s s u p o s iç õ e s , p o is

estas

c o r r e m , s e m p r e , o r is c o d e s e r e m

aetormen-tes" -

Jean Piaget.

Logique et connaissance scientifique.

" O P r o b le m a

dos

" f u n d a m e n t o s " n ã o

é

m a is

r e s e r v a d o a u m a d is c ip lin a ( f ilo s o f ia ) e x t e r io r

à c iê n c ia c o m o t a l. c o m o p o d e r á t e r s id o

o

c a s o , n u m a é p o c a e m q u e a s u p o s t a p e r e n id a -d e d 0 3 p r in c í p io s le v a v a m a u m a d o c e q u ie t u -d e e t o r n a v a m in ú t il e s t e e s f o r ç o c o n s t a n t e d e

a n á lis e r e t r o a t iv a " . -

Jean Piaget.

Logique et connaissance scientifique.

Ministro da Educação da França, Jean-Pierre

Cheyêne-1 Cheyêne-1 Cheyêne-1 I I t ,

m nome de um governo

socialista

(slcl),

comanda,

1 1

I

momento, espetacular guinada direitista e

conservado-• / I

orientação do sistema educacional de seu país.

(2)

do Robert Balllon, autor .de

ZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

C o n s o m a t e u r s d 'é c o t e , o Ministro

conta com o apoio unânime da população francesa saudosa

de sua tradicional "escola risonha e franca", sem as

compli-cações da "matemática moderna" e sem as inovações da

"escola-nova": uma escola de LER, ESCREVER e CONTAR,

como sempre foi a escola, desde suas priscas origens. No

fundo, os pais desejam, apenas, que as escolas prossigam,

sem complicações, a tarefa que eles mesmos iniciaram,

en-sinando a seus f ilh o s as clássicas "habilidades" de ler,

es-crever e contar, admitindo. inclusive, se for necessário, o uso

moderado dos castigos que eles usam no lar ... Detestam ver

seus filhos lidando com assuntos que eles mesmo não

enten-dem (como "matemática moderna") e não consideram sérias

atividades que não levam a resultados práticos imediatos

(cálculos e memorização de fatos, explicações e definições),

resquícios "calvinistas" da classificação da alegria, da festa

e do prazer como pecados!.. Não acreditam que a escola

desenvolva "capacidades" intrínsecas (inteligência,

criativida-de, etc.)... limitando-se sua tarefa a mero adestramento e

disciplinação. Do ponto de vista destas "capacidades

cratl-vas", os pais (e a maioria dos mestres) permanecem in a t í s t a s

("psicologia dos dons" - como d.zern os franceses),

atribu-indo, contudo,

ZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

à escola o poder (behaviorismo) de treinar

(exercícios) as crianças, sem limites, na aquisição de

habili-dades e na recitação de textos: é a imagem que retiveram da

escola, modelo que o ministro francês resolveu devolver-Ihes,

algo parecido com o papel que as Forças Armadas exercem

sobre os recrutas... Pode-se, pois, dizer que se trata do

confronto entre uma "educação criativa" (inteligência) e uma

"educação formadora" (treinamento). A discussão pedagógica

suscitada pela reforma educacional francesa oscila entre

ve-'lhas crenças atávicas e as modernas descobertas

blcpscoló-gicas sistematizadas no "construtivismo seqüencial", que

afir-ma a possibilidade de desenvolvlrnento mental e a estreita

dependência que existe entre os níveis das estruturas de

comportamento e as possibilidades de "aprendizagem"

(trei-namento, automatização e rnernor.zação), fato inteiramente

novo em pedagogia. O Ministro, simplesmente: jogou fora do

sistema escolar todas as conquistas resultantes das

pesqui-sas feitas durante o último século, voltando a práticas

medle-va's e até pré-históricas, Sua ordem é: "acabou o recreio",

isto é, acabou "a pedagogia de eclosão das potencialidades"

("a pedagogie de I'éveil", como d.zern os franceses). Faz

rca de cem anos que as mais variadas experiências vêm

ndo feitas, no sistema escolar, sobretudo, no nível

elernen-I elernen-Ir, primário e pré-primário, onde os processos dissertativos

o, obviamente, ineficazes, fato que põe sob suspeita o

sis-I ma escolar inteiro (a tentativa de escolarizar crianças p r é

-I Icas chamou a atenção para a ineficácia dos métodos

ex-I'ositivos predominantes, no sistema escolar). A partir da

" cola-nova" (um vasto movimento internacional que

subver-I u o "adultismo" da escola tradicional), procura-se uma

so-l u ç o para a evidente ineficácia do sistema escolar, problema

qu , só agora, a psicologia genética começa a resolver (Jean

P get).

O movimento iniciado, na França, é portanto, puro

ana-m onlsana-mo, Gritam-se s lo g a n s reacionários para o magistério:

( f o r ç o ! m é r t t o l, d is c ip lin a ! , p a t r io t is m o ! A função da escola,

di m, é "transmitir o saber" (dar "conteúdos": instruir,

trei-I . r, memorizar, automatlzar), o mesmo grito repressor que

rios Lacerda usou, no Brasil, contra os movimentos

pollti-o estudantis: "estudante é para estudar". - "L'école vise

IIr nsmetre des ccnnalssances", - diz Jean Pierre

Cheyàne-I t Cheyàne-I ( nt, repetindo nosso frustrado líder direitista. O Ministro

r lista francês determinou a volta à escola da leitura

reei-I rd , da ortografia, da tabuada, da gramática, do cálculo

rnen-I 1i ... (me Hércules!) de instrução mora! e cívica! Mais de

1 1 1 1 1 dezena de ensaios retrógrados (ver bibliografia, no final)

foram publicados, antes, na França, preparando a reforma de

) i n Pierre Cheyênement, mas o guru do ministro é

Jean-(.tnude Milner, ex-maoísta, lingüista (sic!), autor de um

bre-vi rio de insanidades (sobre) (contra) a pedagogia ( D e t 'é c o t e i,

()li recentemente louvada no Caderno Especial oo J o r n a l

l / O D r a s il (RJ) por um dos nossos pedagogos, inimigo,

tarn-b rn, da pedagogia (pedagogia é, simplesmente, a

codifica-o das ncodifica-ormas que presidem o ato de ensinar, regras

serne-li.

u i t s às da agricultura, da pecuária, da medicina, da

culi-I . 1 1I , etc.). Em nenhuma (sic!) destas obras, nem nas

justifi-( ulv s do ministro, alegam-se fatos científicos. Simplesmente,

I' .

m -se, falsamente, que a escola tradicional era eficiente e

qu escola-nova (?) é uma brincadeira irresponsável

(real-1 (real-1 (real-1 1 1 1 , não existe, no sistema escolar atual, algo que se possa

, hnm r, honestamente, de "escola-nova", segundo o modelo

ti us criadores) Na Japão vigora, há séculos, o

"ter-IIII! mo r;edagógico" pregado pelo ministro francês,

prova-1 prova-1 prova-1

t ,

anualmente, centenas de suicídios de adolescentes,

(3)

um dos problemas mais agudos da sociedade japonesa, que

só conta para o êxito individual com a capacidade técnica

adquirida na escola. Ora, enquanto, no Japão, as lideranças

mais eslarecidas lutam por uma escola sem coação, na

França volta-se ao modelo jesuítico que dividia os alunos

em "decúrias", uma das quais era denominada "dos asnos"

("decurie des ânes"). cujcs membros portavam orelhas

arti-ficiais identificadoras de seu rendimento escolar (slcll, Aliás,

o ministro, apenas, radlcaliza ofcializando uma prática

"!ene-ralizada de punição através de "reprovação". Em todo

oci-íen-te e nos países asiáticos ocidentalizados vigora o sistema de

classificação (notas) que é o disfarce do terrorismo, nas

es-colas baseadas na eficiência. Veja-se bem que, no fundo, a

questão gira em torno de

ZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

r e n t a b ilid a d e , a qualquer preço,

criti-cando-se a "escola-nova" ou mesmo a pedagogia, em geral,

por tirar a "seriedade da escola". Não se indaga da

cientifi-cidade do processo escolar, do correto funcionamento dos

mecanismos mentais. dos efeitos emocionais do processo, da

compatibilidade do sistema escolar com os rítmos de

cresci-mento .. , O que se mede é a rentabilidade... como nas

"linhas de produção"! Toda a atividade pedagógica que não

leve, diretamente,

ZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

à aquisição de habilidades e à fixação de

informações (escola antiga), é considerada perda de tempo!

... Ora, como a rentabilidade desejada não decorre da

ade-quação do processo didático com o modelo de funcionamento

dos mecanismos mentais ... só resta, para obtê-Ia a coação:

o que se quer mesmo, pois ... é a " v o lt a d a v io lê n c ia " ! . . .

Ninguém de bom senso e com o mínimo de seriedade

intelec-tual arriscar-se-ia a afirmar que os "métodos ant'gos" (que

antiguidade? são mais compatíveis com a assimilação dos

conhecimentos: o que os reacionários franceses afirmam é

que "ant'gamente a escola era mais séria", isto é, mais

vio-lenta! .. , Segundo Alain Savary, ex-Ministro da Educação da

França. "sopra um vento conservador, na maioria dos países

oc'dentais, cabendo à França a liderança"... o que mostra

como esquerdistas (socialistas) podem ser terríveis

reacioná-rios, fora da área política.

!:

uma reação obscurantista e

me-dievalesca (o ministro da Educação da Grécia

cumprimen-tou Jean-Pierre Cheyenement por "sua reforma elitista"). Na

emulação escolar que se quer provocar, com estas

providên-cias, é evidente que as crianças das classes burguesas levarão

vantagem, como se constata, entre nós, na disputa do vestibular

(cursinhos). Na própria U. R. S. S. florescem "escolas

clan-98

E d u c a ç ã o e m D e b a t e , F o r t . ( 1 1 ) J a n e i r o / J u n h o : 1 9 8 6

d stinas" de reforço ao processo escolar oficial baseado em

xtrema competição (conteúdos) ...

O Brasil antecipou-se (pelo menos, teoricamente) ao

re-uo pedagógico do ministro francês, o que não é de

estra-nhar-se, pois, afinal, fomos o último país do mundo a abolir a

cravatura e a permitir o divórcio ... Um grupo de

educado-r acadêmicos pau listas. de tempos a esta parte, já vinha

r

r ,gando a "volta à p-edagogia tradicional"! Porque, logo- em

o Paulo, não se sabe explicar, pois foi lá de onde surgiram

"pioneiros da educação" e onde se realizou a "Semana de

Arte Moderna"! Em nome da "igualdade de oportunidades"

( Ic!), este grupo prega o "ensino dos conteúdos" ou a

"so-( . 1 lização do saber sistemat'zado" ou a "teoria da curvatura

dí vara" (Lênin), cantando loas à "pedagogia tradicional"

( n r ga? romana? medieval? herbatiana? - não se sabe).

( r , o que eles opõem "conteúdo"? Evidentemente, a

dldá-II ,a metodologia, a pedagogia. Na orquestração tupiniquim,

I movimento de retroação é feito em nome da

"cientificida-f da pedagogia tradicional"! Já para os franceses, a

peda-ioqla é que é a culpada (pedagogia é sinônimo de

relaxa-m nto) não ousando chamar de científicas as práticas

peda-l peda-lC]icas, que estão ressuscitando. São, portanto, dois

enfo-1 enfo-1 enfo-1 enfo-1 diferentes, podendo-se classificar de bizarra a a l e q a ç ã o

l 1 \ 1 f os nossos fazem de cientificidade!... Entre nós, do

I,onto de vista teórico, esta regressão pedagógica

apoiar-I num essencialismo aristotélico-tomista renovado por

mt (apriorlsrno), nas categorias mentais inatas que negam

( I rocesso evolutivo das operações do pensamento.

Confun-t m "método científico" de P E S Q U I S A com "método

cíentí-" .ocíentí-" de T R A N S M I T I R O C O N H E C I M E N T O (construção das

1 I f 1 r ções mer.tais). Negam, simplesmente, a psicogênese e a

I logênese (criança e homem primitivo seriam, segundo eles,

1 i los ignorantes) ... Negam os h a n d c a p s sócio-culturais das

"IIl as das classes populares que numa perspectiva

constru-nvl t exigem processos de compensação (atrasos do

desen-'fllvlm nto mental), optando pela mera lmposição de uma

"cul-1 "cul-1 "cul-1 I , padrão burguesa" ou capitalista que seria um pretenso

t

r sistematizado"! Criticando Jean-Pierre Cheyénement,

1 \ rnado pedagogo francês, Louis Legrand afirma: "uma

es-1 es-1 es-1 i d esquerda deve ser uma escola de educação total e

" () um lugar de seleção intelectual para o desenvolvimento

I H 1 mico e a produção das elites dirigentes: deve promover

(4)

a segurança afetiva, o diálogo com as crianças, o hábito de

autonomia nos comportamentos". Uma escola de "ensinar

conteúdo" é, de fato, uma arena de treinamento (memorização

e automatização), parecida com a arena de preparo de animais

para o circo (formação de mão-de-obra). Não está voltada para

o desenvolvimento do indivíduo, mas para seu engajamento,

no sistema de produção, apesar das turbulentas mutações

atuais (revolução tecnológica) deste setor. Freqüentemente,

entre nós, nestas dissertações regressionistas, alega-se,

preci-samente, a necessidade de fornecer ao proletariado

equipa-mento para engajamento no sistema de produção,

oportunida-de que a escola renovada não forneceria, vez que as crianças

burguesas dele não necessitam (a escola nova, pois, seria um

complô contra as classes desfavorecidas). .. Ora,

ZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

é

precisa-mente em nome deste

ZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

H A N D C A P que se torna premente

insis-tir na recuperação dos mecanismos de operacional"z-ção

(de-senvolvimento da inteligência), vez que sem esta capacitação

os "conhecimentos" impostcs não têm funcionalidade! A

dis-cussão, na França e entre nós, ignora dados fundamentais das

modernas pesquisas epistemológicas e psicoqenétlcas, tais

como: a) o mecanismo de construção do conhecimento,

filo-genética e ontogeneticamente; b) o funcionamento dos

proces-sos de assimilação dos "conteúdos": c) as características dos

estádios de desenvolvimento mental e, sobretudo, as

pré-con-dições de assimilação dos "conteúdos", a mais decisiva

con-tribuição da pesquisa psicológica moderna aos processos

pe-dagógicos. A aprendizagem dos "conteúdos" depende,

estrita-mente, dos mecanismos gerais da inteligência, mecanismos que,

provavelmente, foram afetados, no desenvolvimento das

crian-ças proletárias. O ponto de compensação a atacar, pois, como

diz Piaget, é a "forma" e não o "conteúdo": "a

experimenta-ção sobre os objetos não consiste, absolutamente, em

sim-ples registro de suas propriedades, no curso do qual o sujeito

se limitaria a constatar os fatos, supondo, ao contrário, um

conjunto de processos ativos de dissociações e de tentativas

de relacionamento que implicam o emprego constante d a s

o p e r a ç õ e s ló g ic o - m a t e m á t ic a s (retiradas da ação do sujeito e

de suas coordenações) usadas a título de instrumentos de

análise. Por estas razões conjuntas, as matemáticas e a

16-q'ca formaram-se bem antes de nossa era, enquanto que as

ciências experimentais não se desenvolveram senão a partir

dos tempos modernos". Mais Lima vez, tiram-se

conseqüên-cias pedagógicas de fatos sociológicos e políticos, para

apll-1 0 0 E d u c a ç ã o e m D e b a t e , F o r t . ( 1 1 ) J a n e i r o / J u n h o : 1 9 8

cá-Ias, inclusive, em escolas pré-primárlas e com

recém-nas-cidos ... sem levar em conta os fatos psicológicos!

Os partidários destas posições anacrônicas limitam, quase

empre, entre nós, nos cursos superiores, sobretudo, na

pós-raduação, ignorando quase tudo sobre o desenvolvimento

mental das crianças e dos adolescentes. A própr.a expressão

"conteúdo", que Paulo Freire denominaria de "enfoque

contá-bll" de educação, é um anacronismo frente às modernas

pes-quisas epistemológicas (marcos epistêmicos): a compreensão

o real, a explicação causal, a compreensão das

regularida-d s (legaliregularida-daregularida-de), as operações mentais, o sentimento de

ne-ssidade (tudo isto que de forma rebarbativa poder-se-ia

cha-m r de "conteúdc") não são "saberes" e muito menos

"siste-m tizados" (neopos'tivisrno), mas "aproximações sucessivas"

("o objeto é um limte matemático") que aparecem, tanto na

p ic o g ê n e s e , quanto na s o c io g ê n e s e (revoluções científicas).

I I get descreve, fielmente, como as pressões do s.sterna

esco-lnr (entre nós, os cursos de pós-graduação) podem frear o

"proqresso científico", impondo às novas gerações teorias

ot oletas que terminam transformando-se em prát.ca

adrninis-Ir Uva (Secretaria de Educação da Prefeitura de São Paulo).

ensino da filcsofia ministrado pela gerontocracia ( m a it r e s

" n s e u r s i se exerce com maior facilidade graças à

organiza-o de corganiza-oncursorganiza-os e de provas que, como a "agregação"

( 1 1 1 trado e doutorado), terminam numa seleção em função

d I capacidade de exposição (citações), jamais em função de

lnv nção: uma astuciosa elaboração de programas inspirados

1 1 t crenças das gerações anteriores canalisa, neste caso, o

II Ib lho das gerações montantes durante os anos que se

d v ria poder esboçar as novas tendências". Pg. 13 - Jean

I

I IJ t - L o g iq u e e t c o n n a is s a n c e s c ie n t if iq u e .

P ra dar cunho "pedagógico" à discussão da

absoles-f i I , referem-se, p. ex., aos cerebrinos, "passos formais"

di I t rbert que, se tivessem fundamento empírico, ainda

I IIT. nada teriam a ver com a educação, por descreverem o

//11/ u o n e m e n t o d a m e n t e a d u lt a , provavelmente, de um

filó-III! I. .. Desconhecem, assim, que a "criança não é adulto

1 1 1 miniatura" (J. J . Rousseau), constatação banal aceita,

1 1 1 I or gregos e troianos (crianças só concluem seu

dessn-vutvlm nto í ó q . c o , tard.arnente, no melhor dos casos, aos

1 1 Ir nos, não podendo "compreender", antes disso, a

r l l d I ri dos "conteúdos" que esta pedagogia terrorista tenta Ir 1 1 1 rnltlr, mediante pressão física ou psicológica).

(5)

cendo o lento desenvolvimento mental das crianças (bem

como as mudanças dos "marcos epistêmicos", na evolução

das explicações dos fatos), propõem uma pretensa

"pedago-gia das essências" (portanto, acima do construtivismo

dlalé-tico) que se fosse verdadeiro, mesmo assim seria impróprio

para criança, um ser em crescimento (até as mães mais

sim-plórias sabem que não podem dar

ZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

f e ijo a d a às crianças

recém-nascidas).

Aparentemente, os regressionistas defendem uma tese

válida: "de que servem as escolas, se não ensinam

conteú-do? Se não aumentam o conhecimento? S.e não tornam o

aluno mais capaz?" É esta evidência consensual (bom

sen-so) que torna os partidários do ministro francês tão

aceitá-veis, conquistando as simpatias das famílias e dos

lntelec-tuais das outras áreas (que desconhecem os resultados da

pesquisa psicológica atual). Não há quem não deseje a

efici-ência e a eficácia do sistema escolar, sobretudo para as

cri-anças das classes populares que nele iriam buscar os

ins-trumentos para sua sobrevivência (deixando-se de lado o

pro-blema das crianças burguesas que os regressionistas não

re-solvem). Ocorre, porém, que a rentabilidade do sistema

esco-lar não está, nem ·em "conteúdos", nem nos modelos

arcai-cos de escola, nem em c o a ç ã o (escola tradicional), nem em

m o t iv a ç õ e s (escola nova) ... Não vamos levantar aqui os

pro-blemas criados pela revolução tecnológica (terceira onda),

com a informática, a automação e a robotização, avanços

que questionam a a q u is iç ã o d e h a b ilid a d e s (cálculo: máquina

de calcular) e a m e m o r iz a ç ã o de dados (banco de dados),

precisamente, os mecanismos usados para "aquisição de

conteúdos"! Por surpreendente que seja, a instrumentação

das crianças das classes populares caminha mais na direção,

de "pedaqoqie de I'éveil" (operacionalização), que era dos

"conteúdos" e "habilidades" (cada vez mais o eng:jamento,

no sistema de produção, depende do nível mental para

ope-rar máquinas e compreender o funcionamento do sistema).

Es-queçamos estes fatos (que vão provocar a mais drástica

re-volução pedagógica da história da humanidade) e

argumen-temos com as perspectivas clássicas de "aquisição de

con-teúdos" . .. condição segundo estes pedagogos do

engaja-mento das crianças proletárias no sistema de pro ução.

Duas correntes disputam o privilégio de saber como se

ensinam "conteúdos": a) a escola tradicional afirma que

ZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

é

fazendo p r e s s ã o (castigo) e b) a escola-nova pretende que

seja pela m o t iv a ç ã o (prêmio): para fazer-se um burro

mo-ver-se ou lhe damos chibatadas, ou lhe oferecemos um feixe

de capim!... É o velho conflito entre escola tradicional e

escola-nova. " d'scussão (pedagogia da essência

&

pedago-gia da existência; escola-nova

&

escola antiga) que tem mais

de 1 0 0 anos ... No Brasil, alcançou seu ápice com Tristão de

Athayde (atitude de que ele muito se arrrependeu: ver seu

discurso, no primeiro Conqresso Braslleiro Piagetiano),

to-rnando-se como bode expiatório Anísio Telxelra (num

Congres-so, em R'beirão Preto, São Paulo, solicitou-se sua distituição

do INEP-MEC). Transformou-se em discussão entre católlcos,

tradicionalmente, essenclaltstas, tomistas, kantianos e ateus,

renovadores, rousseaunianos, empiristas, existencialistas

("pioneiros da educação nova"). Descendo destas grimpas

metafísicas, a discussão foi-se reduzindo ao dilema

behavio-rista "prêmio ou castigo" ou à disputa freudiana entre

inte-lectualismo e afetividade. O confronto, como se vê, assume os

rnaís variados aspectos, mas no fundo está a "violência

esco-lar" e a "concepção de criança". Em comum, todos buscam

a eficiência do processo escolar. Uns e outros afirmam que

possuem meios para tornar o processo escolar mais eficaz

(aumento da aprendizagem de "conteúdos"). Ambas as

cor-r ntes, contudo, fogem à verdade quando afirmam que

pos-uem instrumentos para aumentar a aprendizagem de

"con-t údos". Os tradicionalistas tripudiam frente à ineficiência

evi-dente da escola-nova (o que eles chamam de "escola-nova",

videntemente, coisa raríssima, entre nós). Pretendem

corri-gi-Ia, voltando ao passado. .. De fato, trata-se de uma

dlscus-o acadêmica, pois, ao contrário do que aconteceu na

rança, nunca implantamos, entre nós, sobretudo, no sistema

público, qualquer prática pedaqóqica inovadora, de tal forma

ue os regressionistas, simplesmente, lutam contra moinhos

d vento (justificam, teoricamente, nossa tradicional

íneficá-I e bagunça pedaqógica) O fracasso escolar ("a letra. entra

m sangue" - já diziam os antigos) vem de Roma e da G r é

-I Antiqa. O sistema escolar sempre contentou-se com a

pr ndizagem de, apenas, 5 0 % do programa (ver escala de

11 tas para promoção), verificando-se que mais de 9 0 % do

qu nela é ensinado é esquecido, dentro de pouco tempo,

I sem se falar na fraude que sempre acompanhou os

pro-1 ( , os de avaliação do rendimento escolar, em todos os

II mpos e lugares. As pesquisas pedagógicas que deram

ori-J m ao reformismo surgiram, precisamente, em vista do

(6)

sacre feito, nas escolas, tentando-se fazer as

ZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

c r l - n ç a s

apren-derem! Neste sentido, no mínimo, a "escola-nova" fJi um

mo-vimento humanístico que deu maravilhosas contribuições, na

maneira de tratar as crianças (reconhecimento de seus

ZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

h a n d

-c a p s , procedência social, afetividade, etc.), apesar de nada

ter feito para tornar mais eficaz o "aumento dos

conheci-mentos" (aprendizagem dos "conteúdos"). Nem a escola

an-tiga, nem a escola-nova, pois, atinaram que o problema são

os "mecanismos de assimilação dos conhecimentos"! A

so-lução do fracasso do ensino está, precisamente, em

desco-brir este funcionamento (tarefa a que se dedicou a equipe de

Piaget, durante mais de € lO anos). Este tipo de discussão é,

portanto, mero anacronismo, vez que não houve mudança de

p a r a d ig m a : os dados e enfoques são os mesmos de cem anos

atrás! O dilema não é prêmio & castigo, inteligência &

atetl-vidade, conteúdo & pedagogia (sic!)!. .. ~ desccbrir as

ra-zões intrínsecas do fracasso escolar, ao longo da história e

em nossos dias, fracasso que nenhum processo didático

con-seguiu, até hoje, superar! ...

O problema não é apenas adequar-se o processo

esco-lar aos mecanismos mentais (presença, por exemplo, de

es-quemas de assimilação, indispensáveis para que a

aprendi-zagem ocorra), Descobriu-se que os chamados "conteúdos"

(o pomo da discórdia) são, apenas, ações e/ou operações

aplicadas ao real, mecanismo que varia de acordo com o

es-tágio de desenvolvimento mental do aprendiz. O que está em

jogo não é a c u m u la ç ã o d e in t o r m = ç õ e s e o domínio de

cer-tas h a b ilid a d e s , mas a capacidade de manipular e operar o

real. As escolas tradic'onals reduziram o real a um elenco

de situações (programas) que deviam ser resolvidas mediante

certos algorítimos (fórmulas), elemento denominado de

"con-teúdo" ou "saber sistematizado", o que significa colocar o

educando em um beco sem saída (reduzir o real em um

for-mulário escolástico). Ora, as descobertas de Jean Piaget

pro-duzem tal mudança de p a r a d ig m a , na discussão do problema,

que equivale ao que aconteceu com Galileu ao propor a teoria

heliocêntrica! Os tais "conteúdos" dos reqressionistas n~o

são dados objetivos a interiorizar, mas resultados de

deter-minadas ações e/ou operações do sujeito sobre o objeto, não

se devendo esquecer que estas ações e ou operações do

su-jeito sobre o objeto vão se estruturando, lenta e

qradat.va-mente, em estádios sucessivos, o que relativiza a explicação

de causalidade (conteúdos). Por outro lado, os esquemas de

1 0 4 E d u c a ç ã o e m D e b a t e , F o r t . ( 1 1 ) J a n e i r o / J u n h o : 1 9 8 6

ação e as operações desde cedo assumem características

dialéticas de construção, numa curva e x p o n e n c ia l, em busca

de "todos os possíveis", o que mostra a extrema pobreza do

conceito usado r : · 9 1 0 S tradicionalistas ("saber s'sternatlz sdJ " ) .

As "artes tradicionais" de humanidade (medicina, educação,

agricultura, pecuária, culinária, arquitetura, etc.) passaram

por diversos estágios evolutivos, na medida que substituem o'

puro empirismo prático pelas formas de ação baseadas em

dados científicos. Para facilitar a compreensão dos fatos que

estão ocorrendo, em educação, usemos, como "esquema de

assimilação" (mecanismo indispensável à aquisição de um

"conteúdo", segundo Jean Plaqet), a metáfora comtiana da

"lei dos três estados" tão simpática a estes neopositivistas.

For-ando um pouco a ana!ogia, a educação vai passando por estes

três estadios ... a) um p r im e ir o e s t á d io "teológico", empírico,

mágico, pragmático sirnbol'zado pela pedagogia tradicional ou

antiga (teoria das faculdades mentais), modelo vindo da

Gré-cia e de Roma, chegando até a Renascença (a pedagogia

con-sistia na oratória e na dialética), a crença na eficácia da palavra,

convicção que tem sobrevivido a todas as revoluções

tecnológi-cas, agora ressuscitada pelos regressionistas: toda

"pedago-gia tradicional" é permeada pela palavra, mesmo quando

as-surne ares de metodologia; b) um s e g u n d o e s t á d io

"metafí-ico", doutrinário, pseudocientífico, baseado em "princípios"

com forte teor romântico, fase que tem dois subperíodos,

) o d e H e r b e r t que inventou pitoresca PEDAGOGIA

CIEN-TfFICA (depois reproduzida por Montessori), segundo a qual

c "ensino dos conteúdos" passaria por "cinco passos formais",

firmação sem nenhuma base experimental, modelo que alguns

t óricos caboclos confundem (sicl) com o método científico,

onfusão entre ensino e pesquisa (sendo cerebrinos, estes

"pas-os" foram sendo modificados por autores sucessivos,

che-C J ndo até nós, via Morison, na forma de "plano de aula" de

L. A. de Matos); b') o dos e s c o / a - n o v is t a s , no Bras.I,

sobretu-do com Lourenço Filho que, entre outros, descobriram o

1 1 1 ubstituível "princípio da atividade", hoje, fundamento de

xplicação dos processos mentais, pois a atividade do

orga-l 1 i mo é a origem dos comportamentos sensório-motor,

ver-I I e mental e, portanto, o mecanismo básico do processo

l l c l tlco. Sem bases científicas, os e s c o le - n o v is t e s derivaram

I Ir r a ortofrenia, o freudismo, a "pedagogia do amor" e

fi Ir outras atividades terapêuticas ef.cazes, nas perturbações

I tlvas, mas sem nenhum valor pedagógico, pois a

(7)

dade não constrói estruturas mentais, funcionando corno

fre-nadar ou ~celerador da construção dos conhecimentos: os

ZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

e s c o la - n o v ls t a s foram os "descobridores da criança"

(Rous-seau), d~nunciando o .u,~o, nas escolas elementares, de

pro-cessos ( ?,a~s~s formais , por exemplo), próprios para adultos,

~n.te .d~ violêncla escolar" vigente desde a idade clássica.

"" r-OIn.Cldlu o surt~ de escola-nova com a implantação da

demo-c, acra (Revolução Fran.cesa e Independência Americana) e

com os nnme.ros movimentos de descolonização, gerando-

ZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

S ? ,

de par com as ~odificações pedagógicas (otimismo

pedagó-g~co), grande entusiasmo pela educação, firmando-se o

prlncí-PiO :egundo o qual a educação seria a base da democracia e

da liberdade (escol~ universal, popular e gratuita). Finalmente,

temos; c) um. t e r c e ir o e s t á d io , "positivista", científico,

basea-do na p~sqUlsa dos mecanismos mentais, dos estágios do

~ese~volvlmento, da epistemologia do conhecimento

cientí-fico, IStO é, no estudo objetivo da criança ( p s ic o g ê n e s e ) e

d~s formas d~ progre.ssão científica (epistemologia genética).

Dispomos, hoje, de minuciosas explicações sobre as relações

dos ~ecanis_mos, mentais com a realidade (aprendizagem de

co.nteudo). nao so na o s í c o q ê n e s e (desenvolvimento mental da

cn~~ça), como na s o c io g ê n e s e (criação do pensamento

ci-e.l1tlfICO).

s

este "salto qualitativo" que o sistema escolar

re-siste a dar, - voltando a discutir "conteúdos"! ...

Para se ter noção de como se "constrói o

conhecimen-t~" (como se aprende "conteúdo"), o livro póstumo de Jean

Píaoet com R. Garcia (PSYCOG~NESE ET HISTOIRE DES

~<?I~NCES ( * ) é exemplar, completando a desmistificação já

iniciada por Kuhn (Revolução científica) sobre o saber

acu-~ulado, c ~ , "saber sistematizado". A apreensão do real (do

c?nteudo ) só se faz na medida em que a' criança constrói

açoes e ~peraçõe~ mentais correspondentes à complexidade

~a c~usa"dade, nao havendo p r e s s ã o (escola antiga) ou m o

-tiveçêo

(escol~-nova) que a faça "aprender" sem a presença

d.estes ~eca~~sm_os mentais, Verificou-se que o tal do "saber

sl~tematl~ado nao é senão a aplicação das opemcões m p . I ' l

-tais atuais sobre a realidade, de modo que cada um ". _

te t" f A m

!pre ~ . os enomenos, segundo seu nível operacional

nao ~XlstlndO um elenco de conhecimentos prontos (sis~

ternatizados), mas um processo de construçã indefinido.

Real~ente, o processo educativo, como quer o Ministro

frances e nossos regressionistas, tem por objetivo

"au-mentar os conhecimentos" (conteúdos), mas não se

con-E d u c a ç ã o e m D e b a t e , F o r t . ( 1 1 ) J a n e i r o / J u n h o : 1 9 8 6

segue isto empurrando "conteúdos de guela abaixo". A

compreensão da realidade (causalidade, explicação dos

fe-nômenos) ocorre através da construção de estruturas de

comportamento. Depois de séculos e séculos de "violência

escolar", descobriu-se que o problema é o "desenvolvimento

mental" e não a "aprendizagem"!... Toda aprendizagem

depende de determinado nível de desenvolvimento mental,

consistindo, basicamente, na organização dos dados da

reali-dade. A descoberta dos mecanismos mentais, contudo, não

invalida as conquistas humanistas da "escola-nova" que os

regressionistas caricaturam chamando-as de "festividades".

Se nada se aproveita da escola tradicional, enorme

contribui-ção prestou a "escola-nova" ao sistema escolar, centrando a

atividade no educando. A ccntrlbu'ção de "escola-nova" foi

humanística reconhecendo que a "criança não é um adulto em

miniatura" (não é que a "escola-nova" tente subestimar o

"conteúdo": simplesmente, recusa-se a conseguir

aprendiza-gem mediante violência, supondo que a afetividade resolveria

o problema).

O Ministro da França e seus seguidores tupiniquins, pois,

ouviram cantar o galo, mas não sabem onde: todos (eles e

nós) queremos que as crianças aprendam mais "conteúdos",

isto é, "aumentem seus conhecimentos", fiquem rna's sábios

e capazes de aplicar a sua capacidade mental aos problemas

que enfrentam. O desenvolvimento mental não é senão o

au-mento da capacidade de manipular e operar os elementos da

realidade, objetivo que se alcança, pedagogicamente,

median-te a atividade do aprendiz sobre os dados da realidade.

Falar em "conteúdos", como algo exterior que a mente

deve assimilar, é um barbarismo que admitimos para manter

a discussão, no plano dos regressionis as, embora com grave

"decalagem" epistemológica. Nossos objetivos são idênticos.

Mas, não é com a escola tradicional ou com escola-nova que

se consegue isto (esta d'scussão, pois, é um r e p la y ) . A

moder-na escola cem b a s e s c ie n t í f ic a s trabalha com "conteúdo" (é

óbvio), mas não acredita que recitação (verbalismo) ou

aíetl-vidade (terapia) cons'qarn aumentar a "aprend'zaqem" (já não

e usa esta expressão, na reflexão pedagógica atual).

Apren-dizagem é memorização e automatização, ao passo que a

"apreensão dos conteúdos" é uma construção original da

m nte (construção do real). A autcmatlzt.ção e a

memoriza-ç o estão sendo transferidos para os robôs e a gravadores

(uso programado dos computadores). Terminamos um longo

(8)

período em que o objetivo de escola era

ZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

" t r e in a r o e p r e n d i z " ,

chegando-se ao momento em que o papel da escola passa

a se favorecer do desenvolvimento mental. A mudança de

p a r a d ig m a é tão radical que é quase impossível usar uma

lin-guagem comum.

!:

o próprio termo em que se apóia a

discus-são (conhecimento - conteúdo) que mudou de significado ...

O mais lamentável em tudo isto, no plano íntemac'onal,

ZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

é que seja um governo socialista o autor desta regressão e

que, entre seus adeptos caboclos, existam muitos que se

con-sideram revolucionários (afinal, existem mil seitas

"protestan-tes"). Deve-se, contudo, reconhecer que há uma corrente

mar-xista (L. Konder), entre nós, que vem denunciando este

racio-nalismo esquerdista, em áreas que não são políticas. O

so-cialismo é a crença na inteligência e na pesquisa clentífica.

!:

o uso do conhecimento para tirar a humanidade da rn'sérla

e abolir a injustiça. A psicoqenét'ca. hoje, d'snõe de imensos

meios de conhecimentos sobre DESENVOLVIMENTO DA

CRI-ANÇA. Não usar esses conhecimentos, ressuscitando

passa-das etapas da pesquisa, é obscurantismo ideológico ou,

sim-plesmente, ignorância.

Para mostrar nossa flexibilidade, aceitaríamos a posicão

dos regressionistas (a título provisório) no ENSINO

SUPE-RIOR, onde, provavelmente, não há mais desenvolvimento

mental, reduzindo-se o processo escolar a t r e in a m e n t o p r o

-f is s io n a l (aquisição de habilidades). Se o protesto dos

regres-sionistas fosse contra a farsa do ensino sup.erior... talvez,'

nos engajássemos na passeata, pois todos sabem que nossa

rede universitária é um pequenique sem graça. Lá, sim, o

sis-tema é tíbio, frouxo, sem responsabllldade, sem apuração da

eficácia, lasso, pobre: um desperdício de investimento das

economias do povo (mais de 80% das verbas de educação:

na Escola Paulista de Medicina existe para cada três alunos

(sic!) um professor; cada aluno, nas universidades e

facul-dades federais, custa Cz$ 30 mil por ano, numerário que

da-ria para manter uma pequena escola). No nível superior, teria

sentido falar-se em treinamento, "conteúdo", s a b e r

sistemati-zado, pois o que se persegue é a protissionalização, mas

du-vidamos que os sistemas universitários venham, um dia, a

cumprir esta função. Não se pode brincar com os c u r s o s e t e

-m e n t a r e s , sobretudo, agora, que as crianças wão para a

es-cola, logo depois do nascimento. Claparêde aconselhava os

futuros mestres a criarem um cão para verem como é difícil

"ensinar"! Não vou tão longe: aconselho estes "pedaqoqos" a

1 0 8 E d u c a ç ã o e m D e b a t e , F o r t . ( 1 1 ) J a n e i r o / J u n h o : 1 9 8 6

observarem como pensam e agem seus próprios filhos,

ten-tando ensinar a ele algo com os "passos formais" de Herbert!

Em sua pesquisa Piaqet eliminava, sempre, as "crianças

3a-bidas", isto é, as crianças treinadas pelos adultos a darem

respostas decoradas (conteúdo), sem nzda entenderem.

Se-gundo ele, estas crianças ficam prejudicadas na elaboração

spontânea de suas estruturas mentais...

!:

o que desejam

o Ministro da Educação da França e nossos pedagogos, sem

vivência real de classe Quando superarmos estas oscil :ções

nlstemolóqlcas da explicação pedaqóqíca, a educação

passa-rá a ter como objetivo o "desenvolvimento mental" (educação

pela inteligência) e não a aquis'ção de informações e de

ha-bllidades (aprendizagem), não só para nos conformarmos cem

(1 natureza evolutiva dos mecanismos mentais, como por

ter-mos alcançado nível civilizatório em que os processos

auto-matizados e as informações serão tarefas dos robôs e

compu-tadores. Por acaso ( ? ) , os regressionistas ressuscitaram estas

teses, prec'sarnente no momento civilizatórlo em que se

dis-cute a implantação dos robôs, computadores e meios de

co-m u n 'c a ç ã o de massa, tecnologias que reduzem a processos

letrôniccs as habilidades e a memorização (as máquinas e

os qravadores superam, lnflnitarnente, o ser humano, nestas

tarefas a que se vinha ded'cando, há séculos e séculos, o

istema escolar). O problema já não é acumular dados e

au-tomatizar algo ritmos, mas operar, criativamente, a massa de

Informações disponíveis e aplicar a inteligência ao

desco-nhecido.

I : d l l c a ç ã o e m D e b a t e , F o r t . ( 1 1 ) I a n e i r o / I u n h o . 1 9 8 6

Referências

Documentos relacionados

•   O  material  a  seguir  consiste  de  adaptações  e  extensões  dos  originais  gentilmente  cedidos  pelo 

5º O Poder Concedente fixará as condições para o aproveitamento de minérios destinados à realização de obras de responsabilidade do poder público, podendo ser

O objetivo do presente estudo foi avaliar a influência da prática regular de exercício físico sobre a adequação da massa óssea, indicadores bioquímicos do

Distribuição das espécies do Clube Recreativo da SANEAGO (Iporá, Goiás, Brasil) nas categorias de estratificação vertical da vegetação.. 3

A autuada deverá ser informado de que a não interposição de recurso ocasionará o trânsito em julgado, sendo o processo remetido ao Núcleo Financeiro para cobrança da multa.. O

E mais: é possível a coexistência de mais de um estilo de época em um mesmo período de tempo, principal- mente quando há uma transição de valores, ou seja, há uma mistura de

O enfermeiro, como integrante da equipe multidisciplinar em saúde, possui respaldo ético legal e técnico cientifico para atuar junto ao paciente portador de feridas, da avaliação

Resultados de um trabalho de três anos de investigação da jornalista francesa Marie-Monique Robin, o livro Le Monde Selon Monsanto (O Mundo Segundo a,Monsanto) e o