EFEITOS DA GINÁSTICA LABORAL NAS VARIÁVEIS MORFOLÓGICAS, FUNCIONAIS, ESTILO DE VIDA E ABSENTEÍSMO DOS TRABALHADORES
DA INDÚSTRIA FARMACÊUTICA DE MONTES CLAROS - MG.
MESTRADO
Avaliação nas Actividades Físicas e Desportivas
Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro
Vila Real, 2008
Dissertação submetida ao Programa de Pós-
Graduação
Stricto Sensu em EducaçãoFísica da Universidade de Trás-os Montes e
Alto Douro (UTAD), como parte dos
requisitos para obtenção do título de Mestre
em Educação Física.
A Deus, por me proteger e iluminar todo meu caminho.
A meus pais, David e Lourdes, que sempre me estimularam todo o tempo, dando apoio e força.
Ao professor, Dr. Jefferson S. Novaes, mestre e amigo pela orientação e incentivo no desenvolvimento desta pesquisa.
Ao amigo Jaime Tolentino que não mediu esforços para que se concretizasse a parceria entre as instituições UTAD e FUNORTE.
Aos amigos, Ricardo Rodrigues, Marcelo, Marta e demais colegas do mestrado, que compartilharam as experiências da vida acadêmica.
Ao amigo e parceiro, Igor José da Silveira, pela força e dedicação no Programa de Ginástica, na coleta de dados e nas horas difíceis.
À minha esposa, Kátia, pelo auxílio e companheirismo, pela ajuda nas correções ortográficas. Obrigado por caminhar comigo.
Às minhas filhas, Vitória e Marcella, meus amores, que souberam compreender minhas necessidades e ausências.
Aos acadêmicos da Unimontes e Funorte: Maria Clara, Nelita Neta, Jaqueline Miranda, Gabriela Sizílio, Priscilla, Valéria Brito, Edinardo e Judith Pinheiro que colaboraram de uma forma ou de outra, muito obrigado.
Aos amigos e colegas da Unimontes, professores: Rogério Othon, Jean Claude pelas valiosas sugestões e aprimoramento desta dissertação. Rodrigo Pereira com a estatística. Aos colegas de mestrado, Wagner, Jomar e Beré, que disponibilizaram referências bibliográficas indispensáveis.
Aos funcionários da Novo Nordisk que colaboraram participando deste estudo, em especial, a Gustavo Barbosa, que possibilitou a coleta de dados na empresa.
A todas as pessoas, familiares e amigos que estiveram presentes
fisicamente ou espiritualmente nesta minha jornada.
ÍNDICE GERAL ... IV LISTA DE TABELAS ... VII RESUMO ... IX
1 – INTRODUÇÃO 2
1.1 O PROBLEMA ... 2
1.2 OBJETIVO GERAL ... 4
1.3 OBJETIVOS ESPECÍFICOS ... 4
1.4 – HIPÓTESES ... 5
1.5 – IDENTIFICAÇÃO DAS VARIÁVEIS ... 5
1.5.1 – Variáveis Independentes: ... 5
1.5.2 – Variáveis dependentes: ... 5
1.5.3 – Variáveis Intervenientes: ... 6
1.6 – JUSTIFICATIVA E RELEVÂNCIA ... 6
1.7 – DELIMITAÇÃO DO ESTUDO... 6
2 - REVISÃO DE LITERATURA 8 2.1 - O TRABALHO ... 8
2.1.1 – Conceito de Trabalho ... 8
2.1.2 - Trabalho e a Evolução Tecnológica: ... 9
2.2 - GINÁSTICA LABORAL ... 11
2.2.1 - Conceito: ... 11
2.2.2 - Histórico ... 12
2.2.3 - Tipos de Ginástica Laboral ... 13
2.3 - FORÇA MUSCULAR ... 16
2.3.1 – Conceito de Força ... 16
2.3.2 – Classificação da Força ... 17
2.3.3 – Fatores Determinantes da Força ... 18
2.4 - FLEXIBILIDADE ... 20
2.4.1 – Conceito de Flexibilidade ... 20
2.4.2 – Componentes da Flexibilidade ... 21
2.4.3 – Fatores Influenciadores da Flexibilidade ... 21
2.4.4 – Classificação da Flexibilidade ... 22
2.4.4.1 – Quanto ao tipo: ... 22
2.4.4.2 – Quanto à Abrangência: ... 24
2.4.4.3 – Quanto ao Referencial: ... 24
2.4.4.4 – Quanto às Articulações Envolvidas ... 24
2.4.5 – Importância da Flexibilidade ... 25
2.4.5.1 – Aperfeiçoamento Motor: ... 25
2.4.5.2 – Profilaxia de Lesões: ... 25
2.4.5.3 – Expressividade e Consciência corporal ... 25
2.5 - RESISTÊNCIA MUSCULAR LOCALIZADA (RML) ... 27
2.5.1 – Conceito de Resistência ... 27
2.6 - ESTILO DE VIDA ... 29
2.6.1 – Definição de Estilo de vida ... 29
2.6.2 – Estilo de vida na sociedade contemporânea ... 30
2.6.3 – Estilo de vida e trabalho... 31
2.7.3 – Causas do Absenteísmo ... 33
2.7.4 – Índice de Absenteísmo ... 34
2.7.5 – Custos de Absenteísmo ... 35
3 - METODOLOGIA 38 3.1 - DELINEAMENTO DA PESQUISA ... 38
3.1.1 – Delineamento ... 38
3.2 – UNIVERSO, AMOSTRAGEM, AMOSTRA ... 38
3.2.1 – Universo ... 38
3.2.2 – Amostragem ... 39
3.2.2.1 – Critérios de Inclusão ... 39
3.2.2.2 – Critérios de Exclusão ... 39
3.2.3 – Amostra ... 40
3.3 – ÉTICA DA PESQUISA ... 40
3.4 – PROCEDIMENTOS UTILIZADOS PARA A COLETA DE DADOS ... 41
3.4.1 - Procedimentos preliminares ... 41
3.4.2 - Protocolos utilizados para a coleta de dados ... 41
3.4.2.1 – Avaliação morfológica... 41
3.4.2.1.1 - Determinação do peso ... 41
3.4.2.1.2 - Determinação da altura ... 42
3.4.2.1.3 - Determinação da porcentagem de gordura ... 42
3.4.2.2.1 - Força Muscular ... 43
3.4.2.2.1.1 – Força de membros superiores: ... 43
3.4.2.2.1.2 – Força de membros inferiores: ... 43
3.4.2.2.2 – Resistência Muscular Localizada (RML) ... 44
3.4.2.2.2.1 - Teste de RML para abdômen... 44
3.4.2.2.3 - Flexibilidade ... 45
3.4.2.2.3.1 - Flexão da Articulação do Ombro ... 45
3.4.2.2.3.2 - Flexão da Coluna Lombar ... 46
3.4.2.2.3.3 - Flexão da Articulação do Cotovelo ... 47
3.4.2.2.3.4 - Flexão da Articulação do Punho ... 48
3.4.2.2.3.5 – Extensão da Articulação do Joelho. ... 49
3.4.2.4 - Estilo de Vida ... 50
3.4.2.5 - Absenteísmo ... 51
3.5 – INSTRUMENTOS ... 52
3.5.1 – Instrumentos para determinação do Peso ... 52
3.5.2 – Instrumentos para determinação da Altura ... 52
3.5.3 – Instrumentos para determinação da % de Gordura corporal ... 52
3.5.4 – Instrumentos para determinação da Força ... 53
3.5.5 - Instrumentos para determinação dos níveis de Flexibilidade ... 53
3.5.6 - Instrumentos para determinação do Estilo de Vida ... 53
3.6 – Procedimento de Analise dos Dados ... 54
3.6.1 – Estatística Descritiva ... 54
3.6.2 – Estatística Inferencial ... 54
3.6.3 – Nível de Significância e Potência do Experimento ... 54
3.7 – Limitação do método ... 54
4 - RESULTADOS 57
5.2.1 – Preensão Manual ... 62
5.2.2 - Força de membros inferiores. ... 63
5.2.3 – Resistência Abdominal ... 64
5.3 – Flexibilidade ... 65
5.3.1 – Flexibilidade da articulação do ombro (Flexão de ombros) ... 66
5.3.2 – Flexibilidade da coluna lombar ... 67
5.3.3 – Flexibilidade do cotovelo... 68
5.3.4 – Flexibilidade do punho ... 69
5.3.5 – Flexibilidade do joelho ... 70
5.4 – Estilo de Vida ... 71
5.5 – Absenteísmo ... 72
6 - CONCLUSÃO E RECOMENDAÇÕES 75
7 - REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 79
8 - ANEXOS 79
Tabela 1 - Agente X Velocidade de movimento ... ... 23
Tabela 2 - Características físicas da amostra ... ... 57
Tabela 3 - Resultados das variáveis – Masculino... 58
Tabela 4 - Resultados das variáveis – Feminino ... ... 59
Anexo 1 - Ofício à empresa:.. ... 88
Anexo 2 - Termo de Compromisso ... ... 89
Anexo 3 - Termo de consentimento livre e esclarecido (TCLE) ... ... 90
Anexo 4 - Consentimento pós-informado ... ... 91
Anexo 5 - Perfil do estilo de vida individual ... ... 92
Anexo 6 - Ficha de coleta de dados ... ... 93
O objetivo desta pesquisa foi comparar os efeitos da ginástica laboral (GL) nas variáveis (peso, estatura e porcentagem de gordura corporal), funcionais (força, resistência muscular localizada e flexibilidade), estilo de vida e absenteísmo entre trabalhadores praticantes e não praticantes do programa de ginástica laboral (PGL) de uma indústria farmacêutica de Montes Claros - MG.
Participaram 100 pessoas, que foram divididas em dois grupos: 50 homens (idade= 33,129,36 anos, massa corporal= 80,0313,97 kg, estatura= 172,876,83 cm, IMC= 27,604,31 kg/m2 e
%gordura corporal= 21,434,99 %G) e 50 mulheres (idade= 286,57 anos, massa corporal=
58,967,66 kg, estatura= 163,786,56 cm, IMC= 22,043,12 kg/m2 e %gordura corporal=
27,483,67 %G). O grupo masculino foi subdivido em dois, o primeiro (GML: n=25) participava do PGL; o segundo (GMC: n=25) não participava. O grupo feminino foi subdividido da mesma forma, o que participava do PGL (GFL: n=25) e o que não participava (GFC: n=25). Foi realizado teste de normalidade Shapiro-Wilk para verificar a homogeneidade da amostra.
Através da análise estatística constatou-se que: o GML obteve índices significativamente melhores (p<0,05) que GMC nas variáveis: %G, flexibilidade da coluna lombar, resistência abdominal e estilo de vida. O GML obteve resultados melhores também na força de membros superiores (direita e esquerda), força de membros inferiores, flexibilidade de ombro, punho e joelho, mas a diferença não foi significativa. O GFL obteve resultados significativamente melhores (p<0,05) que GFC nas variáveis: %G, flexibilidade de ombro e joelho. O GFL obteve resultados melhores também na força de membro superior esquerda, flexibilidade da coluna lombar, cotovelo e punho, na resistência abdominal e estilo de vida, porém essas diferenças não foram estatisticamente significativas. Os resultados deste trabalho apontam que a ginástica laboral é uma ferramenta importante na melhoria da saúde do trabalhador da indústria, contudo, devem ser adotados outros programas que estimulem um estilo de vida mais ativo, de acordo com as necessidades dos funcionários e realidade de cada empresa.
PALAVRAS-CHAVE: Ginástica laboral; Estilo de vida; Qualidade de vida.
The aim of this research was to compare the effects of the practice of the labor gymnastics, on the variants (weight, height and rate of bodily fat), functional (strength, located muscular endurance/resistance and flexibility), lifestyle and absenteeism among participant and non- participant workers of the PLG (Program of Labor Gymnastics) at a pharmaceutical industry in Montes Claros – MG. One hundred participants were separated into two groups: 50 men (age=
33,12±9,36 years old, body mass= 80,03±13,97 kg, height= 172,87±6,83 cm, IMC= 27,60±4,31 kg/m² and body fat %= 21,43±4,99%) and 50 women (age= 28±6,57 years old, body mass 58,96±7,66 kg, height= 163,78±6,56 cm, IMC= 22,04±3,12kg/m² and body fat %= 27,48±
3,67%). The male group was subdivided into two groups, the first (GML n=25) was formed by PLG participants and the second group (GMC: n=25) was formed by non-participants. The female group was divided in the same way, the first was formed by PLG participants (GFL:
n=25) and the second group (GFC: n=25) was formed by non-participants. A normality Shapiro- Wilk test was made, in order to verify the homogeneity of the sample. Through the statistical analysis, it was verified that the GML achieved significantly better indices (p<0,05), than the GMC in the variants: Body fat%, flexibility of the lumbar column, abdominal resistance and lifestyle. The GML also achieved better results in the strength of the upper limbs (right and left), lower limbs, flexibility of the shoulder, wrist and knee, but the difference was not significant. The GFL obtained significantly better results (p<0,05), than the GFC, in the variants: body fat %, flexibility of the shoulder and knee. The GFL also achieved better results in the strength of the lower limb, flexibility of the lumbar column, elbow and wrist, in the abdominal resistance and lifestyle; however, these differences were not statistically important. The outcome of this research shows that the labor gymnastics is an important tool in the improvement of industrial workers health; however, other programs, which encourage a more active lifestyle, in agreement with the employees’ needs and the reality of each company, should be implemented.
KEY WORDS: Labor gymnastic; lifestyle; Quality of life.
1. INTRODUÇÃO
1 – INTRODUÇÃO
1.1 O PROBLEMA
A sociedade contemporânea e o ímpeto do consumismo exagerado provocam uma deterioração do significado da vida humana. Nesta conjuntura, as pessoas acabam se tornando meras produtoras ou consumidoras, alimentando assim, um círculo vicioso. Esse cenário acaba por acarretar uma “supervalorização” do sistema capitalista em que estamos inseridos - utilitarismo e imediatismo (Nakamura, 2001).
O mundo globalizado desperta as empresas para novas tecnologias e sistemas gerenciais, o volume de informações é cada vez mais crescente, e as organizações devem estar atentas às novas exigências do mercado, tentando melhorar a sua produtividade e qualidades de seus produtos (Militão, 2001;
Santos, 2003).
A combinação urbanização X industrialização junto com a crescente tecnologia tem ocasionado ao trabalhador uma sobrecarga física, mental e psicológica, levando a um conseqüente aumento da tensão, ansiedade e posturas incorretas. Esses fatores colaboram para a manifestação de doenças crônico- degenerativas e afastamentos (Cañete, 2001).
Devido às grandes facilidades que a tecnologia e o conhecimento têm criado, a comodidade e o sedentarismo das pessoas aumentaram. As junções dos fatores estressores do trabalho e inatividade física estão relacionadas a baixos níveis de qualidade de vida e ao desenvolvimento de doenças crônico- degenerativas (Santos, 2001).
A crescente industrialização determinou novas formas de sobrevivência,
alterando assim a forma de vida do homem contemporâneo. À medida que a
evolução da humanidade prossegue, as condições de trabalho, sua
organização e seu ambiente mudam, novas exigências, novas agressões
surgem, levando assim a seqüelas que conseqüentemente podem vir a afastar
o trabalhador de suas atividades (Couto, 1995).
Estudos de Nahas (2003) apontam que os exercícios físicos estão associados à boa saúde, prevenindo diversas doenças e melhorando dessa forma a qualidade de vida de quem os pratica. Portanto, a prática de atividades físicas durante o trabalho poderia aliviar sua jornada diária, fazendo com que ele não venha a desenvolver nenhum problema de saúde típica dos dias atuais. As pessoas que têm uma boa aptidão física estão mais aptas a realizarem tarefas do dia-a-dia, com melhor desempenho, sem apresentar sinais de cansaço.
Várias alternativas e caminhos são sugeridos para minimizar o sofrimento do trabalhador: avaliação dos aspectos psicossociais, organizacionais, ambientais e as características individuais e a ergonomia. Paralelamente a essas melhorias, surgem medidas como a Ginástica Laboral, que consiste em um conjunto de exercícios de curta duração realizados no local de trabalho, que ainda não tem seus benefícios e limitações bem definidas, enquanto mecanismo de prevenção de doenças crônico-degenerativas e promotora de saúde dentro da empresa ( Longen, 2003).
A atividade física, como parte do tempo destinado ao trabalho, pode trazer vários benefícios: melhoria das relações interpessoais, motivação, redução dos riscos das doenças crônico-degenerativas e desenvolvimento da aptidão física, promovendo a saúde. Em virtude dessas melhorias, empresas, em todo o mundo, vêm implantando programas de atividades físicas durante a jornada de trabalho (Devide, 1998; Santos, 2003). Como exemplo, a empresa industrial Novo Nordisk Produção Farmacêutica do Brasil S/A demonstra profissionalismo e preocupação com a saúde de seu trabalhador. Essa empresa implantou, desde setembro de 1999, um programa de Ginástica Laboral na unidade localizada em Montes Claros – MG, com o objetivo de melhorar a qualidade de vida de seus funcionários.
Muito se tem debatido a respeito dos objetivos da Ginástica Laboral. A
literatura específica dispõe de poucos indicadores sobre os benefícios desta
alternativa. São raros os estudos científicos no Brasil que demonstram a
eficiência de um programa de Ginástica Laboral em relação aos componentes
da aptidão física para a saúde e mudança do estilo de vida.
Buscando preencher essa lacuna do conhecimento científico, este estudo descritivo de corte transversal teve a finalidade verificar os efeitos da Ginástica Laboral em trabalhadores, subsidiando profissionais da área e empresários na implantação de programas de GL, promovendo melhoria na qualidade de vida dos trabalhadores da indústria.
Diante deste contexto e partindo do pressuposto de que a atividade física é importante na qualidade de vida do trabalhador, propõe-se uma pesquisa para resolver a seguinte pergunta: A ginástica laboral estará melhorará os níveis de força muscular, flexibilidade, RML, estilo de vida e absenteísmo dos trabalhadores da indústria farmacêutica de Montes Claros / MG?
1.2 OBJETIVO GERAL
Comparar os efeitos da ginástica laboral nas variáveis morfológicas (peso, estatura e porcentagem de gordura corporal), funcionais (força, resistência muscular localizada e flexibilidade), estilo de vida e absenteísmo entre trabalhadores praticantes e não praticantes do programa de ginástica laboral (PGL) da indústria farmacêutica de Montes Claros - MG.
1.3 OBJETIVOS ESPECÍFICOS
1 - Verificar o peso, estatura, IMC e porcentagem de gordura dos trabalhadores praticantes e não praticantes, de ambos os sexos, do PGL da indústria farmacêutica de Montes Claros - MG.
2 - Verificar os níveis de força de membros superiores e inferiores dos trabalhadores praticantes e não praticantes, de ambos os sexos, do PGL da indústria farmacêutica de Montes Claros – MG.
3 - Verificar os níveis de flexibilidade dos trabalhadores praticantes e não
praticantes, de ambos os sexos, do PGL da indústria farmacêutica de Montes
Claros - MG.
4 - Verificar os nível de Resistência Muscular Localizada (RML) abdominal dos trabalhadores praticantes e não praticantes do PGL da indústria farmacêutica de Montes Claros - MG.
5 - Verificar nível do estilo de vida dos trabalhadores praticantes e não praticantes do PGL da indústria farmacêutica de Montes Claros - MG.
6 - Verificar os índices de absenteísmo dos trabalhadores praticantes e não praticantes do PGL da indústria farmacêutica de Montes Claros - MG.
7 – Comparar os resultados encontrados do grupo praticantes e não praticantes do PGL.
1.4 – HIPÓTESES
Haverá melhoria significativa nas variáveis morfológicas, funcionais, estilo de vida e absenteísmo do praticante de ginástica laboral quando comparado ao grupo controle de trabalhadores da indústria farmacêutica de Montes Claros – MG.
1.5 – IDENTIFICAÇÃO DAS VARIÁVEIS 1.5.1 – Variáveis Independentes:
1 - Ginástica Laboral
1.5.2 – Variáveis dependentes:
1-Variáveis morfológicas: peso, altura e porcentagem de gordura corporal.
2-Variáveis funcionais: força, resistência muscular localizada e flexibilidade.
3 - Estilo de vida.
4 - Absenteísmo.
1.5.3 – Variáveis Intervenientes:
Freqüência às sessões de GL, atividade física sistematizada fora da jornada de trabalho, faltas ao trabalho.
1.6 – JUSTIFICATIVA E RELEVÂNCIA
Espera-se, com este estudo, contribuir no acréscimo de informações a respeito dos efeitos da Ginástica Laboral nas variáveis morfológicas (peso, altura e porcentagem de gordura corporal), funcionais (força, resistência muscular localizada e flexibilidade), estilo de vida e absenteísmo de trabalhadores da indústria.
Os resultados contribuirão na orientação dos empresários, especialistas em recursos humanos e dos educadores físicos envolvidos com programas de melhoria de qualidade de vida de trabalhadores da indústria.
Pretende-se, também, delinear parâmetros, objetivando futuros estudos na atividade em questão, a partir dos conhecimentos aqui obtidos.
A importância do estudo está vinculada à possibilidade de ampliação do conhecimento científico na área, da saúde e qualidade de vida, tendo em vista a ausência, no Brasil, de publicações científicas que demonstram a eficiência de um programa de Ginástica Laboral em relação aos componentes da aptidão física para a saúde e mudança do estilo de vida.
1.7 – DELIMITAÇÃO DO ESTUDO
A pesquisa delimitou-se aos funcionários contratados da empresa Novo
Nordisk Produção Farmacêutica do Brasil S/A, respeitando-se os critérios de
inclusão e exclusão, especificados no Capítulo 3. Os funcionários serão
divididos em dois grupos: um participa de um programa de ginástica laboral
(GL) e outro que não participa, grupo controle (GC). A amostra será composta
de 100 funcionários de 18 a 55 anos do sexo masculino e feminino,
aparentemente saudáveis.
2. REVISÃO DA LITERATURA
2 - REVISÃO DE LITERATURA
2.1 - O TRABALHO
Etimologicamente, a palavra trabalho possui uma conotação de sofrimento, desprezo. Este sentido vem do latim popular tripalium, que era um instrumento destinado à tortura e constrangimento. Por causa desta origem, o trabalho assumiu esta conotação de coisa difícil, penosa, dolorosa. Daí a associação do trabalho com tortura, sofrimento, pena e labuta (Mendes, 2000).
O conceito de que trabalho é uma penalidade é decorrente das civilizações antigas, medievais e modernas onde exclusivamente os servos e escravos trabalhavam para sobreviver, sob ameaça de morte ou de não poder permanecer nas terras dos reinos, se não aceitassem a jornada de trabalho (Bueno, 2005).
2.1.1 – CONCEITO DE TRABALHO
O trabalho é o esforço do homem empregado na produção. No sentido econômico, não é mero dispêndio de energia, mas a atividade humana, capaz de criar, refazer ou de transformar produtos, com o objetivo de proveito ou de lucro (Ruguê, 2001).
O trabalho é a linha mestra da atividade humana, da dinâmica produtiva, fundamental na geração de recursos e desenvolvimento das sociedades.
Através dele surgem as tecnologias, produções, sistemas de trocas e permutas dos mercados. Item central da possibilidade de satisfação de necessidades humanas, das básicas às mais sofisticadas (Langoski, 2001).
O homem por sua habilidade de pensar e falar, difere-se dos outros animais,
ele transforma, interage, muda e recria a natureza. Pode-se dizer que o
trabalho tenha sido o indicador mais importante para a evolução humana (Maia,
2002).
Para Alves (2001), as relações do homem com o trabalho são de extrema afinidade, é por meio dele que o homem consegue o seu sustento e suprimento de necessidades mais elevadas como, crescimento, desenvolvimento de habilidades e utilização mais ampla de suas capacidades.
2.1.2 - TRABALHO E A EVOLUÇÃO TECNOLÓGICA:
O trabalho humano surgiu da necessidade de o homem retirar da natureza alimentos para sobreviver e utensílios para sua comodidade. Durante a sua evolução, o homem resolveu extrair da natureza, mais do que necessitava. Ele então começou a modificá-la, ampliá-la, adaptá-la e corrigi-la de acordo com seus interesses, aperfeiçoando a sua forma de exploração (Bueno, 2005).
A história referente à evolução humana conta que, em um de seus estágios evolutivos, o homem abandona sua vida nômade e começa a fixar-se em um local e produzir. Surge então o paradigma da acumulação, do ter. Os primeiros trabalhos realizados eram manuais; com o desenvolvimento o homem criou instrumentos que possibilitaram executar outros tipos de atividades (Pereira, 2002).
Com o desenvolvimento e evolução do homem, e conseqüente do trabalho, as necessidades iniciais de sustento alteraram-se para o fator lucro. Inicialmente, no processo de manufatura, o trabalhador era dono do produto. Atualmente, o capital impõe exigências que alteraram esta situação, o operário agora só faz o trabalho compartimentado, fracionado e repetitivo, recebendo um salário ao final do mês (Cañete, 2001).
No século XX, houve grandes avanços tecnológicos e, conseqüentemente, a expansão da industrialização. O mundo deu um grande salto na mecanização dos processos de produção. O progresso conquistado desta forma foi batizado como desenvolvimento e o conceito de desenvolvimento significa industrialização (Sherafat, 2002).
O mentor da eficiência industrial foi Frederick Winslow Taylor (1856 – 1915),
“Organizador Científico do Trabalho”. Contribuiu decisivamente com teorias
para o desenvolvimento da indústria do século XX. Basicamente, ele implantou o treinamento e aperfeiçoamento do trabalhador, de modo que os homens pudessem executar rapidamente e com maior eficiência os diversos tipos de trabalhos (Sherafat, 2002).
Esses princípios foram responsáveis por um crescimento rápido das empresas, especialmente das indústrias e também geraram uma mudança radical no conceito de trabalho e de desenvolvimento. Após, essas mudanças, o trabalho passou a ser conhecido, como uma atividade de múltipla programação, mecanizado e segmentado (Alves, 2001; Sherafat, 2002).
Com o advento da revolução industrial, o trabalho deixou de ser uma atividade isolada. Atualmente, a maioria das pessoas desempenha suas atividades dentro das empresas; que agrupam diversas pessoas em um local, onde as mesmas são remuneradas por um salário muitas vezes injusto, obedecendo a normas e regras que, na maioria das situações, favorecem somente aos empresários (Alves, 2001).
A incremetação tecnológica associada ao aumento considerável da produtividade e qualidade vem impondo condições extremamente prejudiciais à saúde do trabalhador. É de consenso que as más condições dos fatores ambientais e da organização do trabalho contribuem para o aparecimento de doenças e acidentes de trabalho, acometendo muitos trabalhadores.
Na indústria, essa relação ficou ainda mais evidente. Esse sistema introduz determinantes como disciplina, controle de processo de redução de custos e produtividade. Tais parâmetros podem significar, para muitos trabalhadores, rotina, monotonia, repetitividade, estresse e doenças ocupacionais.
A tendência destes “tempos modernos” é exigir cada vez mais da máquina
humana, durante as sua jornada de trabalho, podendo comprometer cada vez
mais sua higidez. Como é necessário um ritmo de produção alto para que as
empresas sobrevivam, seria mister uma reformulação na jornada de trabalho a
fim de que o ser humano tenha um tempo maior de descanso para recompor-
se do desgaste e conseguir ter uma carreira profissional com a preservação da
saúde.
2.2 - GINÁSTICA LABORAL
2.2.1 - Conceito:
Ginástica laboral é um conjunto de atividades físicas e recreativas, com exercícios físicos pré-definidos, de intensidade leve a moderada, e aplicados dentro da empresa, com pausas programadas e supervisionadas por profissionais, com objetivos de promover a saúde do trabalhador (Longen, 2003).
Ginástica laboral é a prática de atividades físicas realizada pelos trabalhadores de forma coletiva e voluntária, no horário e no local de trabalho, durante sua jornada diária. É executada por meio de exercícios de alongamento, que podem apresentar características preparatórias, compensatórias e relaxantes, promovendo a melhoria da qualidade de vida do trabalhador (Polito e Bergamsaschi, 2002).
Segundo o programa SESI Ginástica na Empresa (FIEMG, 2005), a ginástica laboral implementa a prática de atividades físicas coletivas durante a jornada de trabalho e se adapta às condições e local de cada empresa, sem interferir na sua organização. Tem por objetivo promover a adoção de um estilo de vida mais saudável do trabalhador dentro e fora da empresa.
Ginástica laboral é conhecida também como atividade física na empresa e pode ser classificada em ginástica laboral compensatória, ginástica do trabalho ou ginástica de pausa. Ela pode ser aplicada no ambiente de trabalho, como pausa ativa e serve para quebrar o ritmo da tarefa que o trabalhador desempenha, interrompendo a monotonia e melhorando as relações interpessoais (Mendes e Leite, 2004).
A ginástica laboral consiste em exercícios específicos realizados no próprio
local de trabalho, atuando de forma preventiva e terapêutica. Leve e de curta
duração, a ginástica laboral visa: diminuir o número de acidentes de trabalho,
reduzir doenças ocupacionais, prevenir a fadiga muscular, corrigir vícios
posturais, aumentar a disposição do funcionário ao iniciar e retornar ao
trabalho, promover maior integração no ambiente da empresa (Alvarez, 2002;
Oliveira, 2003).
2.2.2 - Histórico
Os primeiros registros da prática de Ginástica Laboral são de 1925, na Polônia, onde os operários, durante uma pausa, realizavam exercícios adaptados a cada ocupação. Alguns anos depois essa ginástica foi introduzida na Holanda e na Rússia. No início da década de 60, ela começou a ser praticada na Alemanha, Suécia, Bélgica e Japão, quando então era chamada de ginástica de pausa (Cañete, 2001).
Na mesma época (1928), impulsionada pela cultura e tradição oriental, a Ginástica Laboral teve a sua consolidação no Japão. Inicialmente, era destinada a algumas atividades ocupacionais, mas após a Segunda Guerra Mundial foi difundida por todo o país tornando-se obrigatória em todas as indústrias e serviços (Longen, 2003).
No Brasil, as primeiras manifestações de atividades físicas no trabalho foram registradas em 1901, mas a Ginástica Laboral teve sua proposta inicial publicada em 1973. Algumas empresas investiram em empreendimentos com opções de lazer e esporte para os funcionários, como a Fábrica de Tecido Bangu, a pioneira, e o Banco do Brasil (Polito e Bergamsaschi, 2004).
Para Cañete (2001), no Brasil, a Ginástica Laboral preparatória (japonesa) foi introduzida por executivos nipônicos, em 1969, nos estaleiros Ishikavajima, no Rio de Janeiro, onde é praticada até hoje por diretores e operários que realizam exercícios objetivando prevenir acidentes de trabalho.
Em 1973, a Federação de Ensino Superior (FEEVALE) e sua Escola de
Educação Física (Novo Hamburgo), publicaram diretrizes que, basicamente
eram uma proposta de exercícios com base em análises biomecânicas,
Educação Física Compensatória e recreação (Cañete, 2001).
2.2.3 - Tipos de Ginástica Laboral
A Ginástica laboral pode ser classificada de cinco formas diferentes, conforme o horário e objetivo de execução (Mendes e Leite, 2004):
a) - Ginástica Laboral preparatória (GLP):
Realizada próximo ao posto de trabalho, no início do turno, ou seja, antes de o funcionário realizar qualquer atividade. Consiste em uma série de exercícios físicos preparatórios, que visam ao aquecimento da musculatura e articulações que serão utilizadas no trabalho, prevenindo acidentes, distensões musculares e Dorts.
b) - Ginástica Laboral Compensatória (GLC) ou Ginástica de Pausa
Também denominada Ginástica de Pausa ou Ginástica Laboral Compensatória é realizada independente do horário ou de seu objetivo. É relacionada à ginástica que interrompe a tarefa que está sendo executada; é ministrada na metade do turno de trabalho ou no horário de pico da fadiga.
Seu objetivo é impedir os vícios posturais relativos ao ambiente e as tarefas do trabalho, além de prevenir a fadiga. As séries de exercícios são elaboradas de acordo com as tarefas executadas, principalmente as que envolvem movimentos repetitivos, e com as queixas de maior prevalência do trabalhador.
c) - Ginástica Laboral Relaxante (GLR)
A ginástica laboral relaxante é classificada somente conforme o horário de execução, pois é realizada dentro do turno do trabalhador e deve ser iniciada 10 a 15 minutos antes do término do expediente de trabalho. Indicada para trabalhadores que atendem ao público e clientes em geral, onde a função não pode ser interrompida.
Esses trabalhadores necessitam relaxar todo o corpo e extravasar as tensões
acumuladas durante a jornada. As séries de exercícios são compostas
basicamente de massagens e alongamentos passivos e ativos, com duração mínima de 15 segundos, que promovem um relaxamento muscular das regiões envolvidas.
d) - Ginástica Corretiva (GC)
A Ginástica corretiva é classificada segundo o objetivo da execução, e propõe restabelecer o equilíbrio muscular e articular, através de exercícios físicos específicos, alongando os músculos encurtados e fortalecendo os que estão enfraquecidos. Os participantes, de 10 a 12 pessoas no máximo, devem apresentar a mesma característica postural, e a sessão é realizada fora do horário de expediente de trabalho.
e) - Ginástica Laboral de Manutenção (GLM) ou de Conservação
A Ginástica Laboral de manutenção busca o equilíbrio fisio-morfológico do indivíduo. Caracterizada por ser um programa de condicionamento físico que visa prevenir e/ou reabilitar doenças crônico-degenerativas como diabetes, cardiopatias, obesidade e sedentarismo.
Essa ginástica laboral pode ser realizada antes do início o expediente de trabalho, durante o intervalo do almoço, após o expediente ou outro intervalo equivalente fora da jornada, pois a sessão exige um tempo maior (30 a 60 minutos). As atividades basicamente são exercícios aeróbicos e/ou resistidos, que deverão ser realizadas no mínimo três vezes por semana.
Para Mendes e Leite (2004), existem dois tipos de Ginástica Laboral:
Preparatória e a Compensatória.
a - Ginástica Preparatória:
É realizada antes ou nas primeiras horas de trabalho. Constituída de
aquecimentos e/ou alongamentos específicos para determinadas musculaturas
envolvidas na realização das tarefas. O objetivo é aumentar a circulação
sangüínea, lubrificar e aumentar a viscosidade das articulações e tendões e tem duração entre 5 e 10 minutos.
b - Ginástica Compensatória:
É realizada na metade da jornada de trabalho, como uma pausa ativa para executar exercícios específicos de compensação. Ministrada junto às máquinas, mesas do escritório, próximo ao posto de trabalho ou em outro espaço livre. A sessão é composta de exercícios de descontração muscular e relaxamento, visando diminuir a fadiga e prevenir as enfermidades profissionais crônicas.
De maneira geral, a literatura aponta para a existência de três tipos de Ginástica Laboral e os classificam da seguinte forma: Ginástica Preparatória (GP), Compensatória (GC) e de Relaxamento (GR) (Cañete, 2001; Oliveira, 2003; Militâo, 2001).
De acordo com Zilli (2002), a ginástica laboral pode ser classificada segundo seu horário de aplicação, em:
Preparatória ou de aquecimento (antes da jornada de trabalho): realizada
no início do expediente, antes de começarem as atividades no trabalho. Esse tipo de ginástica laboral ativa fisiologicamente o organismo para as tarefas laborativas, prepara-o para o trabalho físico, melhora o nível de concentração, disposição, oxigenação dos tecidos, e aumenta a freqüência cardíaca. Tem uma duração de aproximadamente 10 a 12 minutos.
Compensatória ou de distensionamento:
é realizada durante a jornada de
trabalho, em pausas de 5 a 8 minutos ou micropausas de 30 segundos a 1
minuto. Sua principal finalidade é distensionar e compensar todo e qualquer
tipo de tensão muscular adquirido pelo uso excessivo ou inadequado das
estruturas músculo-ligamentares, preparando o trabalhador para melhor
cumprir e executar seu trabalho com conseqüente aumento de seu rendimento
profissional. Essa modalidade de ginástica laboral tem por objetivos: melhorar a
circulação, com a retirada de resíduos metabólicos; modificar a postura no trabalho; alongar e distensionar os músculos sobrecarregados, prevenindo a fadiga muscular.
Relaxamento: a ginástica laboral de relaxamento é uma ginástica utilizada
após a jornada de trabalho, com uma duração de aproximadamente 10 a 12 minutos, em que o trabalhador poderá descansar, acalmar-se e relaxar antes de ir para casa. Seu objetivo é a redução do estresse, alívio das tensões, redução dos índices de desavenças no trabalho e em casa, com conseqüente melhora da função social.
2.3 - FORÇA MUSCULAR
2.3.1 – Conceito de Força
De acordo com a Física, força é a capacidade da musculatura de produzir a aceleração ou a deformação de um corpo, alterar o seu estado de movimento ou de repouso, criando uma aceleração, deformação do mesmo ou frear seu deslocamento (Badillo e Ayestarán, 2001; Marques, 2002).
O Termo força muscular é com freqüência usado para significar habilidade de um músculo de produzir ou resistir a uma força. Esse conceito pode ser relacionado com a habilidade de um músculo em vencer, manter e não manter uma carga (Manole et al., 2000).
Força muscular é a capacidade proveniente da contração muscular, que nos permite mover o corpo, levantar objetos empurrar, puxar, resistir a pressões ou sustentar cargas. Se a musculatura é estimulada corretamente, os músculos se tornam mais resistentes, fortes e flexíveis, permitindo que nos movamos mais eficientemente no trabalho ou no lazer (Nahas, 2003).
Do ponto de vista fisiológico, a maior ou menor capacidade de produção de
força está relacionada diretamente com o número de pontes cruzadas de
miosinas, que inter-relacionam com os filamentos de actínia e com o número
de sarcómeros, com o comprimento e o tipo de fibras musculares (Marques, 2002).
2.3.2 – Classificação da Força
As manifestações de força podem ser classificadas da seguinte forma:
Força Absoluta:
Capacidade potencial teórica de força que depende da constituição do músculo: secção transversal e tipo de fibra. Esse tipo de força não se manifesta de forma voluntária, somente sob condições psicológicas extremas (risco de vida) ou eletroestimulação (Weineck, 1999; Badillo e Ayestarán, 2001):
Força Isométrica Máxima:
É produzida quando ocorre uma contração voluntária máxima contra uma resistência invencível. Também conhecida como força máxima estática.
Representa a maior força disponível, que o sistema neuromuscular pode mobilizar através de uma contração voluntária (Weineck, 1999; Baechle e Groves, 2000; Badillo e Ayestarán, 2001).
Força Excêntrica Máxima:
Ocorre quando a capacidade máxima de contração muscular é vencida por uma resistência que se desloca em sentido oposto ao desejado (Badillo e Ayestarán, 2001).
Força Dinâmica Máxima:
Também chamada de Força Isotônica. É a expressão máxima de força quando a resistência só pode ser deslocada uma vez. Exemplo: teste de uma repetição com o máximo de peso possível (Sharkey, 1998; Badillo e Ayestarán, 2001).
Força Dinâmica Máxima Relativa
Acontece quando a resistência é inferior à força dinâmica máxima. Também pode ser definida como a capacidade muscular de imprimir velocidade a uma resistência inferior àquela com quem se manifesta à força dinâmica máxima. É a principal e mais freqüente manifestação de força (Badillo e Ayestarán, 2001).
Força Explosiva:
Também conhecida de Força Rápida. É a manifestação de força em que se produz o maior incremento da tensão muscular por unidade de tempo. É a capacidade do sistema neuromuscular de movimentar o corpo ou parte do corpo com uma velocidade máxima (Weineck, 1999; Badillo e Ayestarán, 2001).
Nahas (2003) classifica os exercícios que desenvolvem a força da seguinte maneira:
Isotônicos ou dinâmicos: são os exercícios em que o músculo se encurta e
se alonga, enquanto a força é aplicada (arremessos de Basquete e Handebol, corridas e saltos).
Isométricos ou estáticos: são exercícios em que os músculos se contraem
contra uma força estática. Não há movimento, mas o indivíduo faz força (tentar empurrar uma parede).
Isocinéticos: são exercícios realizados em equipamento especiais que são
capazes de proporcionar uma resistência variável conforme o ângulo e a velocidade de movimento. O princípio é manter a aceleração constante, estimulando o músculo de forma ideal e constante em todos os ângulos do movimento.
2.3.3 – Fatores Determinantes da Força
Vários fatores são determinantes da força, entre eles temos (Costa, 1998):
Área de secção transversa do músculo;
Fosfatos ricos em energia (ATP-CP);
Fatores biomecânicos (eficiência mecânica do gesto treinado);
Capacidade coordenativa (número de unidades motoras ativadas);
Fatores emocionais;
Sexo e idade;
Alongamento prévio do músculo e a Flexibilidade;
Grau de fadiga muscular;
Outras.
O Potencial de Força, seu desenvolvimento e suas manifestações dependem de uma série de fatores que são (Badillo e Ayestarán, 2001):
a) Composição do Músculo:
Aérea muscular: número e espessura de fibras;
Tipo de fibras: proporção de fibras de contração rápida e lenta;
Ângulo de inserção do músculo.
b) utilização das Unidades Motoras:
Recrutamento;
Freqüência de impulso;
Sincronização;
Coordenação intermuscular.
c) Fatores que contribuem para a contração
Reflexo de alongamento;
Elasticidade muscular;
Redução da atividade de células inibidoras (Golgi).
d) Fatores mecânicos:
Número de pontes cruzadas ativas, conforme o estado de alongamento do
músculo com relação à sua longitude de repouso.
Uma boa condição muscular proporciona maior capacidade para realizar as atividades da vida diária, com mais eficiência e menos fadiga, além de ajudar a manter uma boa postura. Músculos fortes também protegem as articulações, diminuindo os risco de lesões ligamentares e problemas com dores nas costas (Nahas, 2003).
A maioria das atividades da vida diária envolve os membros superiores. Na indústria farmacêutica não é diferente, os postos de trabalhos exigem movimentos repetitivos durante toda a jornada, por isso é importante a manutenção de bom tônus muscular, pois uma musculatura debilitada pode trazer lesões musculares freqüentes ao trabalhador.
2.4 - FLEXIBILIDADE
2.4.1 – Conceito de Flexibilidade
Flexibilidade é uma característica física relacionada à amplitude dos movimentos, disponível em articulações ou grupos de articulações. Ela é específica para cada articulação e depende da estrutura anatômica e da elasticidade de músculos, tendões e ligamentos (Alter, 1999; Nahas, 2003).
Qualidade física responsável pela realização de um movimento voluntário, de
amplitude angular máxima, de uma articulação ou conjunto de articulações,
dentro dos limites morfológicos, sem o risco de provocar lesões (Dantas, 2003).
2.4.2 – Componentes da Flexibilidade
Diversos fatores estão concorrendo para o grau de Flexibilidade de uma articulação (Dantas, 2003):
Mobilidade: refere-se ao grau de liberdade de movimento da articulação;
Elasticidade: relacionada ao estiramento elástico de componentes
musculares;
Plasticidade: grau de deformação temporária que estruturas musculares e
articulações necessitam sofrer para permitir o movimento;
Maleabilidade: modificações das tensões parciais da pele, fruto das
acomodações necessárias no segmento considerado.
2.4.3 – Fatores Influenciadores da Flexibilidade
A Flexibilidade e, especialmente, os itens maleabilidade da pele e elasticidade muscular são intensamente influenciados por alguns fatores (Dantas, 2003):
Idade: quanto mais velha a pessoa, menor sua Flexibilidade, sendo que os
tendões e as fáscias musculares são particularmente influenciados pela idade e falta de exercício.
Sexo: geralmente a mulher é mais flexível que o homem.
Hora do dia: a Flexibilidade melhora com o passar das horas do dia,
alcançando os níveis máximos por volta das 13 horas.
Temperatura ambiente: o frio reduz e o calor aumenta a elasticidade
muscular com evidentes reflexos sobre a Flexibilidade.
Estado de treinamento: por atuar diretamente sobre os componentes
plásticos e elásticos do músculo, modificando o potencial de Flexibilidade do indivíduo.
Situação do atleta: após uma sessão de aquecimento, a Flexibilidade
melhora, ao passo que diminui após uma sessão de treinamento no qual o reflexo miotático de estiramento seja executado repetidamente.
2.4.4 – Classificação da Flexibilidade
A flexibilidade pode ser classificada sob quatro diferentes perspectivas (Dantas, 2005):
2.4.4.1 – Quanto ao tipo:
Quanto ao agente:
a) Movimento induzido: assistido por outra pessoa ou outro grupo muscular da mesma pessoa.
b) Movimento autônomo: efetivado pelos grupos musculares agonistas.
Quanto à velocidade de execução:
a) Movimento rápido: realizado com alta aceleração inicial e utilização posterior da inércia.
b) Movimento lento: desenvolvido sem velocidade durante todo arco articular.
A combinação dessas duas formas de enfocar os movimentos obtém quatro
tipos de flexibilidade (Dantas, 2005):
Tabela 1: Agente X Velocidade de movimento
Agente Velocidade
Rápido Lento
Induzido Flexibilidade Balística Flexibilidade Estática
Autônomo Flexibilidade Dinâmica Flexibilidade Controlada
a) - Flexibilidade Balística:
Esse tipo de Flexibilidade só possui interesse teórico, pois raramente é constatada no dia-a-dia. Observada quando à musculatura circundante, a articulação do movimento estaria relaxada, e o mesmo seria realizado por um agente externo ou outro grupo muscular de forma rápida e explosiva.
Esse gesto possui intensa influência sobre o fuso muscular, ativando o reflexo miotático com grandes possibilidades de causar lesões musculares, devido ao desequilíbrio provocado no mecanismo de propriocepção.
b) – Flexibilidade Estática:
É a flexibilidade mais fácil de ser mensurada. Realizada através do relaxamento de toda a musculatura da articulação envolvida, inicia-se no movimento de forma lenta e gradual por agente externo, buscando alcançar o limite máximo.
c) – Flexibilidade Dinâmica:
Expressa pela máxima amplitude de movimento obtida pelos músculos motores
dos envolvidos, realizada voluntariamente, de forma rápida. É a mais utilizada e
observável durante a atividade física, porém, devido ao curto período de tempo que a máxima amplitude de movimento é mantida, é difícil de ser avaliada.
d) – Flexibilidade Controlada:
Realizada em um movimento sob ação de músculo agonista de forma lenta, até chegar à maior amplitude na qual se possível realizar uma contração isométrica. Bastante utilizada por ginastas e dançarinos.
2.4.4.2 – Quanto à Abrangência:
Dependendo dos movimentos, a flexibilidade pode ser analisada de duas formas:
Flexibilidade Geral: É a observada em todos os movimentos de uma
pessoa, englobando todas suas articulações. Pode ser avaliada somando-se as notas ou conceitos de todos os movimentos (flexiteste).
Flexibilidade Específica: É a Flexibilidade relativa a um ou vários
movimentos executados em determinadas articulações. Ex: Flexibilidade da cintura escapular.
2.4.4.3 – Quanto ao Referencial:
Sob essa perspectiva, a Flexibilidades pode ser relativa ou absoluta.
Flexibilidade Relativa: Confronta o grau de Flexibilidade alcançado com os
comprimentos e dimensões corporais.
Flexibilidade Absoluta: Na avaliação de um movimento especifico, leva em
conta apenas o arco articular máximo obtido, desconsiderando as medidas
antropométricas.
2.4.4.4 – Quanto às Articulações Envolvidas
Flexibilidade Simples: verificada durante um determinado movimento em
uma única articulação.
Flexibilidade Composta: Quando o movimento exige mais de uma
articulação ou mais de um tipo de ação articular, em uma articulação simples.
2.4.5 – Importância da Flexibilidade
Por ter um papel importante e fundamental na capacidade motora, a flexibilidade influencia decisivamente, vários aspectos da motricidade humana, podendo-se destacar os seguintes (Dantas, 2005):
2.4.5.1 – Aperfeiçoamento Motor:
Bons níveis de Flexibilidade possibilitam a realização de arcos articulares mais amplos, permitindo a execução de movimentos e gestos desportivos que, de outra forma, seriam impossíveis.
Para os sedentários, esse item possibilita a execução, sem ajuda, de gestos cotidianos e movimentos da atividade da vida diária, como vestir um paletó apertado, cortar a unha do pé ou subir em uma moto.
2.4.5.2 – Profilaxia de Lesões:
Esse aspecto é um tema controvertido, pois a articulação possui ao mesmo tempo, duas qualidades opostas: mobilidade e estabilidade. Várias pessoas envolvidas com atividade física afirmam que o aumento da Flexibilidade reduz o risco de lesões músculo-articulares (Sharkey, 1998), porém, isso ainda não foi confirmado em estudo experimental.
Assim, é imperativo verificar em cada articulação e/ou movimento, a
necessidade de uma melhor estabilidade (que impõe uma menor flexibilidade)
ou com a mobilidade. Desta forma, o treino da flexibilidade não pode ser
realizado de forma global em todo o corpo, mas sim, avaliando criteriosamente a conveniência ou não, de aumentar a amplitude de cada um dos movimentos considerados.
2.4.5.3 – Expressividade e Consciência corporal
Através de exercícios de alongamento e flexionamento, podemos desenvolver a consciência corporal. Esse aspecto pode ser obtido através de qualquer atividade física, de maneira mais lenta, sendo mais efetiva por meio da flexibilidade.
O ato de flexionar e estender uma determinada articulação, com atenção centrada nos gestos e nas sensações, o indivíduo que trabalha a flexibilidade aprenderá como o movimento ocorre e as alterações sistêmicas geradas nas musculaturas adjacentes. Realizando esse trabalho nas demais articulações, ele progressivamente aprenderá como seu corpo reage à atividade e aos extremos de sua utilização.
De maneira geral, pessoas pouco ativas e com a idade avançada são menos flexíveis, aumentando as chances de lesões nos movimentos da vida diária, embora essa perda pareça ser mínima naqueles indivíduos que permanecem ativos (Nahas, 2003).
A manutenção de uma boa Flexibilidade permite maior amplitude de movimento nas articulações exercitadas, de tal modo que fiquem menos vulneráveis a lesões dos tecidos que compõem músculos, tendões e ligamentos articulares (Sharkey, 1998; Nahas, 2003). Além desses aspectos vários autores relacionam outros benefícios da Flexibilidade (Alter, 1999; Dantas, 2005):
União do corpo, mente e espírito;
Relaxamento do estresse e da tensão;
Relaxamento muscular;
Aptidão, postura e simetria corporais;
Alívio da dor lombar;
Alívio das câimbras musculares;
Aperfeiçoamento motor;
Eficiência mecânica;
Expressividade e consciência corporal;
Evita lesões musculares.
A flexibilidade contribui para o sucesso no trabalho e no esporte. Sua ausência está relacionada ao desenvolvimento de lesões agudas e crônicas e dores lombares. Essa capacidade muscular deve ser treinada por todas as pessoas, principalmente as idosas, que têm uma necessidade especial, visto que o tecido conjuntivo fica menos elástico com a idade (Sharkey, 1998).
Em termos gerais, existem duas formas básicas para o trabalho de Flexibilidade: o flexionamento e o alongamento. No primeiro caso há uma viabilização de amplitudes de arcos de movimentos articulares superiores às originais, caracterizando um trabalho máximo; no segundo caso, é realizado um trabalho sub-máximo dentro da faixa da normalidade da amplitude do movimento (Dantas, 2005).
Se a Flexibilidade é tão importante, constituindo-se numa das qualidades físicas que compõe a aptidão física tão necessária para o desenvolvimento das diversas atividades diárias, inclusive no trabalho, não pode ser relegada a um segundo plano nos estudos (Dantas, 2005).
2.5 - RESISTÊNCIA MUSCULAR LOCALIZADA (RML)
2.5.1 – Conceito de Resistência
Não existe conceito de Resistência que pode ser generalizado. Resistência é a
capacidade de manter um determinado desempenho motor por maior tempo
possível. Ou seja, é a capacidade de resistir à fadiga, durante um dado
período. Pode ser um ginasta mantendo-se em equilíbrio ou um corredor de
maratona desenvolvendo uma velocidade constante (Villiger, B. et al, 1995).
O termo Resistência Muscular significa a capacidade de persistir. É definida como a repetição de contrações submáximas ou tempo de suspensão submáximo (resistência isométrica). A resistência muscular é importante para o sucesso em atividades profissionais e atléticas (Sharkey, 1998).
Andrade (2001) conceitua que a Resistência muscular (resistência de força): é a capacidade de um grupo muscular realizar diversas contrações sem diminuir significativamente a eficiência do movimento ou trabalho que está sendo realizado.
Resistência Muscular Localizada (RML) é também definida como a qualidade física que um músculo possui, para realizar um elevado número de contrações sem diminuir a amplitude do movimento, a freqüência, a velocidade e a força de execução (Dantas, 2003).
Existem várias formas de resistência que podem ser classificadas de acordo com suas características: resistência estática e dinâmica, a de velocidade e de força, local, regional, global; cardiovascular e muscular; geral e especial;
emocional e psíquica; de jogo, de distância e resistência aos esforços explosivos (Verkhoshanski, 2001).
Resistência Muscular Localizada (RML) é a capacidade de resistir ao surgimento da fadiga muscular localizada. Através do conhecimento das causas da fadiga muscular, pode-se compreender melhor esse mecanismo. A fadiga muscular pode ocorrer (Dantas, 2003):
Na junção neuromuscular: acontece com mais freqüência nas unidades
motoras glicolíticas rápidas; devido a uma menor liberação da acetilcolina.
No mecanismo contrátil devido à (ao):
a) Acúmulo de ácido lático.
b) Depleção das reservas de ATP-PC.
c) Fluxo sangüíneo inadequado e conseqüentemente: falta de oxigênio, intoxicação do músculo por CO2 e H2O.
d) Redução das reservas de glicogênio muscular.
e) A outros fatores.
No sistema nervoso central: devido aos fenômenos da fadiga, o cérebro