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Rev. Saúde Pública vol.28 número5

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Academic year: 2018

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Universidade e Tecnologia

The University and Technology

Nos países assim ditos do primeiro mundo, verifica-se diferenciação bastante inédita de atribuições, ou seja, aquelas atividades destinadas à pesquisa básica e as das que têm por finalidade o desenvolvimento de produtos comercializáveis. Em editorial precedente, teve-se a oportunidade de considerar a primeira como atribuição precipua da Universidade (Forattini, 1994). No entanto, desde que a segunda propicia o desenvolvimento, surge a questão de considerar se a tecnologia necessária deve ou não medrar no âmbito universitário. O assunto é muito complexo para ser tratado de maneira global, em que pese a orientação geral que foi explanada na supracitada ocasião. Assim sendo, as considerações expostas a seguir serão dedicadas ao campo da saúde pública.

Se bem que a referida distinção tenha sido esmaecida, entre outras causas, pela revolução da biotecnologia, pela ascenção da iniciativa privada invadindo a área acadêmica e pela contínua desvalorização da atividade universitária, ainda persiste divisão de responsabilidades. Dessa maneira, ao menos no campo da saúde, a pesquisa básica seria de atribuição pública enquanto a tecnológica seria predominantemente privada (Godal, 1994). E isso, nos países ricos constitui-se ciclo contínuo no qual a pesquisa resulta em desenvolvimento, este em produção de riqueza e esta em mais pesquisa. Contudo, nos países pobres, ou, como se costuma denominar, nos em desenvolvimento, a pesquisa é insuficiente e, em conseqüência, a produção de riqueza também. Neles haveria de se instalar o supracitado processo, mas, para tanto, ele deveria cobrir, de início, todas as etapas, desde a básica até a identificação das características biossociais próprias da comunidade focalizada. Ocorre que as universidades não têm a função precipua de desenvolver tecnologia e, por sua vez, "desenvolver esta sem se preocupar com a sua produção industrial é perda de tempo" (Raw, 1994).

E então, como fazer em países, como o nosso, nos quais ainda não está em prática, de fato, o binômio universidade-empresa?

Pelo menos no que concerne à área de saúde, até agora tem prevalecido o pessimismo. Para muitos, deve-se deixar agir o livre mercardo. Isso porém não trará solução a curto prazo pois, em grande parte dos casos, as doenças infecciosas do terceiro mundo, por exemplo, afetam populações de baixo poder aquisitivo e, portanto, a produção de medicamentos, ainda que testados e aprovados como eficientes, dificilmente poderá competir com outros setores do mercardo farmacêutico. E isto pode ser aplicado, na sua essência, a outros casos cuja enumeração não caberia fazer aqui.

O que o setor público, como o das universidades oficiais, poderia fazer é desempenhar o seu papel de garantia da compra do produto logo após ser inicialmente produzido. Não se trata de a universidade competir na qualidade, e muito menos, nos custos da produção, mas sim de estabelecer meios de atrair a iniciativa privada para o desenvolvimento tecnológico. Seja mediante a instituição de fundos, públicos e privados, seja através do estabeleci-mento de incentivos fiscais, seja mediante a participação das entidades oficiais de financiaestabeleci-mento da pesquisa.

Dessa maneira, pode-se esperar que a sociedade, graças ao esforço conjunto de seus setores público e privado, assuma o compromisso de pesquisa e o desenvolvimento que levem à solução dos problemas de saúde que a afligem. Há razões para esperar que tal venha a acontecer. E isso porque já se observa a aplicação de novas tecnologias, bem como registraram-se exemplos dessa colaboração nos últimos decênios e, finalmente, porque o Banco Mundial tem recomendado a procura ativa de convênios para a saúde. Assim, pois, como o diz Godal (1994), ao que tudo indica há razões de otimismo e tempos propícios estão por vir na área do desenvolvimento científico para a saúde.

Oswaldo Paulo Forattini Editor

Referências Bibliográficas

- FORATTINI, O.P. A Universidade e a pesquisa. Re1. Saúde Pública, 28:175 1994.

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