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UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ FACULDADE DE DIREITO WLÁDYA MARIA DIAS MAGALHÃES

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UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ

FACULDADE DE DIREITO

WLÁDYA MARIA DIAS MAGALHÃES

CLÁUSULA DE BARREIRA : CONSEQÜÊNCIAS DE SUA

APLICAÇÃO PARA OS PARTIDOS POLÍTICOS BRASILEIROS

(2)

UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ

FACULDADE DE DIREITO

WLÁDYA MARIA DIAS MAGALHÃES

CLÁUSULA DE BARREIRA : CONSEQÜÊNCIAS DE SUA

APLICAÇÃO PARA OS PARTIDOS POLÍTICOS BRASILEIROS

Monografia apresentada ao Curso de Graduação de Direito, da Universidade Federal do Ceará, como requisito parcial para obtenção do diploma de Bacharel em Direito.

Orientadora: Profª. Isabel Cristina Silvestre da Mota

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AGRADECIMENTOS

Agradeço a Deus, por ter iluminado os caminhos para que eu concretizasse esse sonho.

À minha família, base de sustentação para minha formação moral e profissional. Ao meu amor, Samuel, por ter estado comigo, em todos os momentos, dessa longa jornada.

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RESUMO

A proliferação excessiva de Partidos Políticos, no Brasil, ocorreu com maior intensidade após a redemocratização, com a promulgação da Constituição Federal de 1988. Foi dentro deste contexto que foi inserida a Cláusula de Desempenho no bojo da Lei dos Partidos Políticos (9.096/95). Tal Cláusula se tornou objeto de controvérsias, tendo em vista que possuía reflexos sobre o funcionamento parlamentar dos Partidos, sobre o tempo para propaganda partidária no rádio e na televisão e sobre a distribuição do fundo partidário. Alguns Partidos a taxaram de inconstitucional, tendo, inclusive, ajuizado Ações Diretas de Inconstitucionalidade. Outros passaram a defendê-la como instrumento ideal para evitar a criação e o crescimento de “legendas de aluguel”. O presente trabalho analisa as conseqüências de uma possível aplicação da Cláusula de Barreira no âmbito do Direito Eleitoral Brasileiro. Foi feito um delineamento teórico dos Partidos, em geral, e , mais especificamente, deles no Brasil para se compreender os reflexos advindos da incidência da Cláusula sobre eles. Realizou-se pesquisa bibliográfica em artigos, livros, notícias em revistas, em jornais, legislação, material disponível na internet e dissertações de mestrado para a consecução do presente trabalho. Ao final, foi constatado que a Cláusula de Barreira é inconstitucional, por violar o pluralismo político, que se constitui preceito fundamental da República Federativa do Brasil.

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ABSTRACT

The extreme proliferation of Political Parties in Brazil occurred with bigger intensity with the reintroduction of democracy, through the promulgation of the Federal Constitution of 1988. It was inside of this context that was inserted the Performance Clause in the bulge of the Law of the Political Parties (9.096/95). Such Clause became object of controversies in view of that caused consequences on the parliamentary functioning of the Parties on the time for partisan propaganda in the radio and the television and on the distribution of the deep partisan. Some Parties had taxed it of unconstitutional having also filed a suit Direct Actions of Unconstitutionality. Others had started to defend it as ideal instrument to prevent the creation and the growth of "rent legends". The present work analyzes the consequences of a possible application of the Barrier Clause in the scope of the Brazilian Electoral law. A theoretical delineation of the Parties was made in general and, more specifically, of them in Brazil to understand the happened consequences of the incidence of the Clause on them. Bibliographical research in articles, books, notice in magazines, periodicals, legislation, available material in the internet and dissertations was become fulfilled for the achievement of the present work. To the end, it was evidenced that the Barrier Clause is unconstitutional by violating pluralism politician, who if constitutes basic rule of the Federative Republic of Brazil.

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SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO...8

2 SINOPSE TEÓRICA DE ORGANIZAÇÃO PARTIDÁRIA...11

2.1 ORIGEM...11

2.2 TIPOLOGIA...16

2.3 NO ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO...20

3 PARTIDOS POLÍTICOS NO BRASIL...27

3.1 EVOLUÇÃO HISTÓRICA ...27

3.1.1 Período Imperial...27

3.1.2 Período Republicano...30

3.1.3 Conjuntura Atual...36

3.2 PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS...38

3.2.1 Princípio da Liberdade Partidária...38

3.2.2 Princípio da Soberania Nacional...39

3.2.3 Princípio do Respeito ao Regime Democrático...41

3.2.4 Princípio do Pluripartidarismo...41

3.2.5 Princípio do Caráter Nacional...43

3.2.6 Princípio da Não Subordinação a Governos Estrangeiros...44

3.2.7 Princípio da Autonomia Partidária...45

3.3 CONTROLES DA LIBERDADE PARTIDÁRIA...46

4 CLÁUSULA DE BARREIRA...50

4.1 NOS DIVERSOS ORDENAMENTOS JURÍDICOS...50

4.2 CONSEQÜÊNCIAS DE SUA APLICAÇÃO PARA OS PARTIDOS POLÍTICOS BRASILEIROS...56

4.3 DA INCONSTITUCIONALIDADE ...65

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS...72

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1 INTRODUÇÃO

Tendo em vista a crise de credibilidade por qual vêm atravessando os Partidos Políticos Brasileiros, os legisladores vêm repensando meios que promovam o fortalecimento de tais Partidos coibindo, entre outras más práticas, a formação de legendas de aluguel, que são instrumentos de proliferação da promiscuidade eleitoral.

É dentro de tal contexto que a Cláusula de Barreira ou Cláusula de Exclusão ou Cláusula de Desempenho foi introduzida pela Lei dos Partidos Políticos (lei 9.096/95) para vigorar a partir das eleições gerais de 2006.

A Cláusula de Barreira é disposição legal que se destina ora a garantir a própria representação parlamentar ora a preservar o funcionamento parlamentar aos Partidos que tenham alcançado certo número ou percentual de votos nas eleições para a Câmara dos Deputados.

Observando-se que tal Cláusula deveria vigorar a partir do corrente ano, veio à tona a problemática sobre as conseqüências de sua aplicação, tendo inclusive gerado uma dualidade de posições: vários Partidos Políticos de menor porte, insurgiram-se contra esta medida; outras agremiações, em geral, as grandes legendas, tornaram-se fervorosas defensoras dela.

É oportuno salientar que a Cláusula de Barreira, tal qual estava disposta na lei 9.096/95, não só possuía incidência sobre o funcionamento parlamentar como tinha reflexos sobre o tempo de propaganda e o fundo partidário distribuídos entre os Partidos.

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Já, na óptica dos pequenos Partidos, a Cláusula de Barreira tem se revelado o seu algoz, pois como foi visto privilegia e muito as grandes legendas ao passo que, praticamente, despreza as pequenas, deixando-as órfãs.

Ressalte-se que os dispositivos referentes à Cláusula de Barreira da lei n° 9.096/95 foram proclamados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal em dezembro de 2006. No entanto, a importância de sua análise permanece, dado que a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado já aprovou o retorno da Cláusula via Emenda Constitucional.

Dessa forma, é crucial que seja analisado tal instituto e suas conseqüências para os Partidos Políticos Brasileiros para adotarmos uma posição crítica diante desse assunto, já que ele vem gerando inúmeras controvérsias em nosso ordenamento, além de poder assumir uma posição bastante decisiva dentro da tão aclamada Reforma Política.

O trabalho está delimitado por três capítulos, quais sejam: Sinopse teórica dos Partidos Políticos; Partidos políticos no Brasil; Cláusula de Barreira.

Os objetivos buscados com a consecução desse trabalho desdobram-se em geral e em específicos. O Geral é: analisar, criticamente, o instituto da Cláusula de Barreira e as conseqüências de sua aplicação para os Partidos políticos brasileiros . Os específicos são: apresentar a repercussão entre os Partidos políticos da possível aplicação da Cláusula de Barreira; apresentar a evolução histórica dos Partidos Políticos Brasileiros e os seus princípios norteadores; indicar quais as razões que fundamentaram a proclamação como inconstitucional da Cláusula pelo Supremo Tribunal Federal; mostrar as possíveis conseqüências da aplicação da Cláusula de Barreira para os Partidos Políticos Brasileiros.

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2 SINOPSE TEÓRICA DE ORGANIZAÇÃO PARTIDÁRIA

2.1 ORIGEM

Atualmente, a idéia de Partido é que ele se constitua um agrupamento de pessoas, unidas por ideais comuns e que almejam conquistar o poder.

Benjamin Constant, em mil oitocentos e dezesseis (1816), já dizia que “um partido é uma reunião de homens que professam a mesma doutrina política.” 1 Outra abalizada definição é a de Kelsen, que escreve: “Os Partidos políticos são organizações que congregam homens da mesma opinião para afiançar-lhes verdadeira influência na realização dos negócios públicos.”2 Percebe-se nas referidas definições, a presença do elemento ideológico como essencial aos Partidos, além de sua função intermediadora.

Retornando ao Brasil, tem-se o conceito de Bonavides, que diz:

O partido político, a nosso ver é uma organização de pessoas que inspiradas por idéias ou movidas por interesses, buscam tomar o poder, normalmente pelo emprego de meios legais, e nele conservar-se para realização dos fins propugnados.3

Vislumbrando alguns desses conceitos de partido, pode-se inferir quão seja fácil defini-lo, que qualquer ser humano poderia assim fazê-lo, porém tão poucas obras existentes a respeito dele já justifica que tal tarefa é um tanto árdua. No entanto,

...vários dados entram de maneira indispensável na composição dos ordenamentos partidários: a) um grupo social; b) um princípio de organização; c) um acervo de idéias e princípios, que inspiram a ação do partido; d) um interesse básico em vista: a tomada do poder; e) e um sentimento de conservação desse mesmo poder ou de domínio do aparelho governativo quando este lhe chega às mãos.4

1 CONSTANT, Benjamin.(1816 apud DUVERGER, 1970.p. 14) 2 KELSEN, Hans ( apud BONAVIDES, 1976, p. 428)

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Sabe-se que antecederam os Partidos Políticos concebidos, atualmente, outras espécies de agrupamentos políticos, tais como facções, grupos de pressão, entre outros.

Hobbes5 considerava a facção relacionada à idéia de ruptura da ordem social pelo fato de ela ser focada nos interesses particulares de seus membros.

Por sua vez, Mezzaroba6 relacionava a origem facciosa “ quando determinado grupo se separa, por alguma razão, de um grupo maior.” Esse mesmo autor defendia que as facções deviam ser desaprovadas pelos demais membros do grupo, pois, punham de lado os interesses coletivos e colocavam seus interesses pessoais em primeiro lugar. Nesse mesmo sentido, Bluntschli7, afirma serem os fins das facções egoísticos.

A identificação de facção ou partido, como sinônimos, permaneceu até a vigência do Estado Liberal, quando vários teóricos deste adotaram uma posição antifacção e anti partido, desferindo severas críticas a esses institutos.

Rousseau, por exemplo, só acreditava na democracia exercida diretamente, repudiando pois qualquer forma de união de pessoas em torno de questões políticas com o fito de intermediar os interesses do povo. Dessa forma, afirmou: “seja como for, no momento em que um povo elege representantes, cessa de ser livre, cessa de existir.”8

Tal autor acreditava que o povo se torna escravo quando fica refém de representantes no Legislativo, pois só ele pode redigir leis, não o podem os Senadores ou Deputados pelo fato de não traduzirem, genuinamente, os interesses do povo.

5 HOBBES, Thomas ( apud OLIVEIRA, 2006, p. 207-208) 6 MEZZAROBA, Orides (apud NASPOLINI, 2006, p. 90) 7 BLUNTSCHLI ( apud BONAVIDES, 1976, p. 433)

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Do conceito de James Madison, importante escritor federalista norte-americano, também é extraída semelhante concepção, depreendendo-se, de plano, três elementos, pelos quais a facção é: 1) uma reunião de indivíduos 2) voltada primordialmente para obtenção ou satisfação de interesses particulares e que, como tal, 3) opõe-se sempre ao interesse coletivo ou, no mínimo, restringe os direitos básicos dos não facciosos.”9

Talvez pelo fato de os Partidos terem sua origem relacionada ao das facções, foi que a realidade partidária foi negligenciada por muito tempo por autores de grande renome. Bluntschli foi um exemplo desses, ao afirmar que “o direito público com seu sistema de competências e obrigações nada sabe a respeito de Partidos.”10

Assim, “o fenômeno partidário não ultrapassou, por muito tempo, à realidade sociológica, desprovida de conteúdo ou significação jurídica, tendo os Estados Modernos rejeitado o quanto puderam a própria existência dos Partidos”11.

Em 1850, nenhum país do mundo (salvo os Estados Unidos) conhecia Partidos políticos no sentido moderno do termo: encontravam-se tendências de opiniões, clubes populares, associações de pensamento, grupos parlamentares, mas nenhum partido propriamente dito.12

Klein chamaria essas classes de agrupamentos políticos de protoPartidos, identificando sua origem da seguinte forma:

Os protopartidos existem desde os tempos remotos, quando as sociedades eram pequenas e nelas predominava uma solidariedade tipo mecânica, isto é, para usarmos a linguagem durkheiminiana onde o primitivismo das relações sociais, em seus laços estritos, a carência de especialização e a falta de uma divisão social do trabalho em estágio avançado infectava, por via de conseqüência, o grau de resolução de tudo, inclusive o da organização política.13

9 MADISON, James (apud NASPOLINI, 2006, p. 91) 10 BLUNTSCHLI ( apud BONAVIDES, 1976, p. 439)

11 BONAVIDES, Paulo. Ciência Política. 3ª ed. Rio de Janeiro:: Forense, 1976. p. 439.

12 DUVERGER, Maurice. Os Partidos políticos. Tradução por: Cristiano Monteiro Oiticica. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1970.p.19.

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Duverger associa o desenvolvimento dos Partidos ao da Democracia e aos seus institutos embasadores. Quanto mais pessoas alcançassem o direito de votar, maior seria a necessidade de existirem Partidos que fizessem serem conhecidos os seus candidatos e direcionarem os votos dos eleitores para esses.

Mais especificamente, o autor francês acreditava que os Partidos eram resultado da ligação permanente entre os grupos parlamentares e os comitês eleitorais. Em certos países, os primeiros grupos parlamentares foram a causa de grupos locais que se transformaram, ulteriormente, em grupos ideológicos. Por seu turno, o advento dos comitês eleitorais estaria diretamente ligado à extensão do sufrágio popular, que tornava necessário o enquadramento de novos eleitores, além do desenvolvimento de sentimentos igualitários e a vontade de eliminação das elites sociais tradicionais por esses, além das especificidades de cada local onde deram sua criação.14

Conforme o sufrágio ia sendo ampliado, os comitês eleitorais tornaram-se instrumentos canalizadores desses novos votos , ou seja, eram eles que faziam com que os eleitores escolhessem novos candidatos, os quais não pertencessem às elites tradicionais.

Em suma, os Partidos, conforme teoria de Duverger, podem se originar de dentro de instituto já participante do poder como os dos parlamentares e, também, podem advir de forma externa, isto é , de numerosos e variados agrupamentos e associações como, sociedades de pensamento, jornais, sindicatos, entre outros.

Organismos externos que, normalmente, evoluem para Partidos Políticos, de cunho extremista, são as ligas15. Elas podem ser conceituadas como entidades que são totalmente contrárias à participação do jogo democrático, sendo, reconhecidamente, composta por filiados agitadores e anti-parlamentares.

14 DUVERGER, Maurice. Os Partidos políticos. Tradução por: Cristiano Monteiro Oiticica. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1970.p.20.

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Algumas diferenças devem ser feitas entre os Partidos de criação externa e os de criação interna. Os primeiros são, geralmente, mais centralizados que os segundos. Originam-se da cúpula, sendo que os segundos vêm da base. Os primeiros criam os comitês eleitorais e os outros tem esses como preexistentes à formação de um órgão central que os coordene.

Os de criação interna possuem maior coerência e disciplina que os de criação eleitoral e parlamentar. A influência do grupo parlamentar é mais intensa nos primeiros ao passo que os de criação externa são mais autônomos em relação a esses grupos e possuem menor influência sobre sua atuação, não tendo tanto interesse em relação aos parlamentos e às eleições16.

Os Partidos criados de fora manifestam a seu respeito um desapego muito maior que os nutridos no serralho e nascidos à sua sombra. Para estes últimos, conquistar assentos na assembléia políticas é o essencial da vida do partido, sua razão de ser e objeto supremo de sua existência.17

Portanto, onde não houvesse um sistema de Partidos organizados , a criação desses se daria de forma interna, já quando existisse tal sistema, a segunda modalidade de geração se imporia.

Outra relevante teoria sobre a origem dos Partidos é a de Stein Rokkan, que defende que a aglutinação de interesses em torno de Partidos Políticos é motivada pelos antagonismos sociais, como entre Centro X periferia, entre Estado X Igreja, entre Campo X Cidade, entre Capitalistas X Trabalhadores.18

Os Partidos e sua realidade jurídica só viriam a ser reconhecidos com o advento do Estado Social. A partir daí, as Constituições tratariam deles, reconhecendo-lhes seu devido papel.

16 DUVERGER, Maurice. Os Partidos políticos. Tradução por: Cristiano Monteiro Oiticica. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1970.p.31-32.

17 Ibid,. p.32

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Passou-se, portanto, da fase de indiferença aos Partidos à sua consagração como realidade constitucional, isto é, houve a inclusão dos Partidos no corpo das constituições, atribuindo-lhes, por vezes, caráter de instituição oficial do governo.19 “A postura de franca antipatia ao fenômeno partidário encontra-se superada. Reconhece-se que a garantia de liberdade política leva ao pluralismo de opinião e, em conseqüência, à liberdade de associação e ao multipartidarismo.20

No Brasil, a primeira Constituição a disciplinar as organizações partidárias, dando-lhes importância no ambiente democrático e representativo foi a de 1946. Até mesmo na Constituição ditatorial, foi dado tratamento constitucional aos Partidos.

A Constituição “cidadã” conferiu aos Partidos Políticos Brasileiros maior prestígio que, outrora, Constituição nenhuma tinha lhes outorgado, dando-lhes autonomia, a própria exclusiva titularidade de representar os interesses do povo, tendo inclusive princípios regendo a sua organização, princípios estes que serão vistos no próximo capítulo.

2.2 TIPOLOGIA

Interessante avaliar-se como os Partidos podem ser classificados, de acordo com vários teóricos, até para pudermos avaliar onde se enquadram os atuais Partidos Brasileiros.

Quando se pensa em classificar Partidos, é quase inevitável não se pensar em Partidos de direita, de esquerda, de centro. No entanto, vários autores debruçaram-se e criaram várias tipologias para as agremiações partidárias, as quais serão vistas a seguir.

19 BONAVIDES, Paulo. Ciência Política. 3ª ed. Rio de Janeiro:: Forense, 1976. p. 441-442.

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Quanto à estrutura dos Partidos pode-se falar a cerca da classificação feita por Max Weber e por Maurice Duverger.

Weber os classificou em orientados de forma tradicional, orientados sob o carisma do líder e os de organização racional-legal. Pode-se até citar como exemplos atuais de Partidos Carismáticos os Partidos Brasileiros, na medida em que gravitam em torno de líderes ou lideranças21.

Duverger classificou os Partidos nas seguintes categorias: Partidos de Quadros, Partidos de Massas e Partidos Indiretos ou Intermediários22. Os primeiros tem suas eleições preparadas por membros influentes na sociedade. Os de Massas “caracterizam-se pela atração que exercem sobre o público: um público pagante, que permite à campanha eleitoral escapar às servidões capitalistas, junto a um público que ouve e que age, que recebe uma educação política e apreende o meio de intervir na vida do Estado”23. Do contrário, nos Indiretos não há a presença de adeptos pessoais, embora seu financiamento seja dos próprios membros.

Para Neuman24, os Partidos de Representação Individual são os que restringem o seu funcionamento ao período das eleições ficando, praticamente, inativos, inertes, durante a época inter-eleições. Os candidatos eleitos por essa espécie partidária não se vinculam ao exercer o mandato com as orientações dessa, estando livres para agir de acordo com as suas consciências.

Os outros tipos de Partidos, identificados pelo mesmo autor, que se opõem ao anterior, são os de Integração Nacional, que se subdividem em: de Integração Democrática e de Integração Total. Os primeiros tem responsabilidades maiores nas democracias de massas, enquanto os últimos são totalitários, isto é, seus partidários devem aceitar sem restrição alguma a linha adotada pelo partido e

21 ALVES, Ricardo Luiz. Os Partidos políticos na visão sócio-histórica de Max Weber. Algumas reflexões aplicáveis à realidade partidária brasileira atual. Jus Navigandi, Teresina, ano 9, n. 748, 22 jul. 2005. Disponível em: <http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=7043>. Acesso em: 09 maio 2007.p. 5. 22 DUVERGER, Maurice. Os Partidos políticos. Tradução por: Cristiano Monteiro Oiticica. Rio de Janeiro:

Zahar Editores, 1970.p.100. 23 Ibid.

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sua hegemonia sobre os demais.

Nawiaski propunha a divisão dos Partidos, conforme se caracterizassem como ideológicos ou como fisiológicos em, respectivamente, Partidos de Princípios e Partidos de Interesses. Sua outra classificação era em Partidos de Movimento, que objetivam modificações no sistema e os de Conservação, que são os resistentes às mudanças.25

Quanto aos fins visados pelos Partidos, ressalta-se as classificações feitas por Weber, que se inspirou na pioneira tipologia de David Hume.

Hume26 identificou duas categorias principais: Partidos de pessoas e Partidos reais. Os primeiros são fruto da união das pessoas com base em sentimentos de amizade ou aversão. Os reais fundar-se-iam em diferenças reais de sentimentos ou interesses.

Por sua vez, Weber enquadrou-os em Partidos de Patronagem e Partidos Ideológicos. Dessa forma, os de Patronato têm suas ações orientadas para alcançar o poder, além de buscar adquirir cargos públicos e vantagens materiais para a sua clientela. Os Ideológicos objetivam realizar ideais de conteúdo político, propondo-se, por vezes, a reformar e transformar toda a ordem existente, inspirados por princípios filosóficos que implicam uma nova concepção da sociedade e do Estado27. Quando os Partidos buscam promover ideais de certas camadas sociais são denominados de Estamentais ou de Classe.

Em relação aos componentes dos Partidos, é conhecida a classificação de Burdeau28 em: Partidos de Massas e Partidos de Opinião. Os de massas são marcados por uma maior participação de consideráveis parcelas do povo, que adquiriram o direito de votar com a extensão do sufrágio universal. Essa categoria partidária caracteriza-se por um alto teor reivindicatório, pois seus adeptos são

25 NAWIASKI(apud KLEIN, 2002, p. 46)

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pessoas inconformadas com a ordem existente.

Os Partidos de Opinião, também, admitem em seus quadros pessoas de diversas origens sociais, no entanto, aderem à ordem social existente, não a contestando. Suas exigências não levam em consideração a origem social dos seus partidários e suas reformas preconizadas jamais atingem a base.

Duverger ainda identifica duas formas de Partidos: os Totalitários e os Especializados. Os primeiros exigem de seus adeptos uma atividade política mais intensa que os segundos, tanto que a vida privada do partidário confunde-se com sua vida pública, não havendo vida fora do partido29.Exemplos desses são os Partidos comunistas e fascistas.

Os Especializados não possuem membros que possuam idéias e posições absolutamente idênticas, como há nos Totalitários. Logo, nele, são admitidos pontos de vistas pessoais diferentes. Nos Totalitários isso é totalmente inadmissível, pois o partido deve possuir homogeneidade, tem um caráter fechado, mais centralizado, possui uma articulação mais forte, ao passo que os especializados são organizados a base de comitês, são descentralizados e possuem fraca articulação. São exemplos destes os Partidos Liberais e os Conservadores.

As Agremiações Partidárias refletem o pluralismo social presente em cada sociedade, seja esta democrática ou não. Essa pluralidade não deve ser combatida, pois é ela que dá maior riqueza à sociedade, dando-se opções para o povo em todos os sentidos. Uma sociedade que o repudia traduz uma sociedade que impõe uma só doutrina, uma só visão de mundo. Assim,“o convívio com as minorias dá a maioria força, respeito e legitimidade. O combate há de ser travado no campo das idéias. O país torna-se uma unidade por decantação não por decreto.”30

29 DUVERGER, Maurice. Os Partidos políticos. Tradução por: Cristiano Monteiro Oiticica. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1970.p.153.

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2.3 NO ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO

O Estado Democrático de Direito não é, como se poderia imaginar a simples junção dos conceitos de Democracia e do Estado de Direito, mas é, conforme Afonso da Silva, “...um conceito novo que os supera, na medida em que incorpora um componente revolucionário de transformação do status quo31.”

Deve-se recordar que a noção de Estado Moderno data do período monárquico, durante o século XVIII.

Com relação ao conceito de democracia, Aristóteles a considerava uma das formas impuras de governo, ao lado da tirania e da oligarquia. Ele acreditava que a impureza da democracia advinha de seu sentido egoístico, isto é, que seria o governo de muitos que só objetivariam os seus próprios interesses.

O regime democrático teve, portanto, sua idéia bastante alterada ao longo dos anos, pois não cabe mais, entre nós, o sentido da democracia ateniense, famosa por ser um regime elitista, da qual só participavam uma pequena parcela da população, os ditos cidadãos.

A democracia ateniense era, portanto, elitista, patriarcal e escravista. Elitista porque só os eupátridas tinham direitos políticos. Patriarcal, porque excluía as mulheres. Escravista, porque eram os escravos que a sustentavam à glória dos senhores.32

A Democracia concebida, atualmente, constitui-se o regime que expressa a própria soberania popular, que, ao contrário da de Atenas, significa a extensão dos votos a quase toda a totalidade da população de um país. Não se fazem mais restrições quanto ao fato de só poder exercer o sufrágio homens, ou quem pertença à elite, como ocorreu em muitos países, inclusive, no Brasil, durante muito tempo. É vista, agora, como regime político por excelência , imprescindível aos países que prezam pelo ser humano e por sua dignidade.

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A noção de Estado de Direito remonta ao Estado Liberal, que é caracterizado pela limitação dos poderes do ente estatal e de suas funções , tendo ficado, por isso, conhecido como Estado Mínimo.

Esse Estado veio como resposta ao absolutismo do século XIX, quando a soberania era exercida pelo monarca, livremente, sem quaisquer limitações. O fim colimado pelo Estado de Direito era a proteção de direitos individuais através de limitar o poder pelo direito. “O Estado de Direito, de cunho liberal, portanto, é caracterizado, em suma pela presença de dois elementos: a limitação do poder estatal e o respeito aos direitos fundamentais do homem.”33 Notável marco da luta contra o regime absolutista foi a Revolução Francesa, datada de mil setecentos e oitenta e nove (1789), quando foram apregoados os ideais de liberdade, igualdade e fraternidade.

O Estado Mínimo não conseguiu atender aos anseios dos seus súditos, que requeriam que ele fosse mais atuante, mais presente dentro da sociedade.

Necessitava-se de que não fossem apenas garantidos os direitos às pessoas, o que já era um avanço significativo na evolução do Estado. Era imprescindível que fossem disponibilizadas ferramentas para que tais direitos viessem a ser concretizados.

Dessa maneira, não bastava que a lei conferisse tratamento isonômico às pessoas, dizendo-lhes serem iguais perante a lei, quando, na realidade, essas tinham suas peculiaridades. Assim, algumas demandavam por algo que interviesse em suas vidas, a fim de lhes garantirem seus direitos básicos, em suma, suas próprias dignidades.

A materialização da Isonomia veio com o Estado Social, que, também, foi marcado por outras preocupações como, por exemplo, a conquista de direitos sociais.

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Observa-se, assim, uma mudança profunda na função do Estado Liberal para o Estado Social. Do abstencionismo, passa-se para a intervenção pública em prol do social, visando a extirpar desigualdades no seio da sociedade e oferecer oportunidades para uma igualação daqueles que se encontram em condições desfavoráveis, reconhecendo que a própria sociedade não teria condições de assumir esse papel.34

O Estado Social, denominado de Welfare State, teve alguns de seus princípios insculpidos na Constituição Francesa de 1848, na Constituição Mexicana de 1917 e na Constituição Alemã de Weimar (de 1919).

Embora o Estado Social tenha como fito a promoção da justiça social ao lado da conquista de direitos econômicos da sociedade, ele não necessita que seja pautado, impreterivelmente, na vontade da maioria, podendo conviver com regimes totalitários, o que o torna uma forma de Estado um tanto contraditória.

Por sua vez, o Estado Democrático repousa no princípio da soberania popular, onde o que deve prevalecer é o interesse do coletivo, do povo, sendo que este é quem exerce o poder, seja de forma direta ou de forma indireta, por meio de representantes.

Logo, tem-se Democracia direta, indireta e a semidireta, conforme seja o modo pelo qual é exercida a soberania pelo povo.

Como o próprio nome denota, quando o povo exerce diretamente as funções do Estado, tomando as decisões cabíveis, tem-se a Democracia Direta. Essa foi a modalidade democrática que vigorou na Grécia, quando “ as decisões fundamentais eram tomadas pelos cidadãos que se reuniam em praça pública para deliberar, reuniam-se no Ágora, os cidadãos determinavam as decisões políticas fundamentais, sem haver nenhum intermediário.”35

34 Ibid. p.223

35 SÁ, Fabiana Costa Lima de. O Sistema de Partidos Políticos na ordem jurídica Constitucional

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Já quando há eleições periódicas, em que são eleitos pelo povo os seus representantes, isto é, quem tome as decisões governamentais em seu lugar, tem-se a Democracia Representativa ou Indireta. Esta modalidade apresenta-se mais viável, nos tempos em que vivemos, pelo fato de os Estados possuírem grande extensão territorial e população muito elevada , além da alta complexidade dos problemas, o que torna incompatível a Democracia ser exercida de forma direta.

Montesquieu defendeu a Democracia Representativa com base em que o povo como um todo não teria capacidade para tomar decisões fundamentais ao governo, devendo haver a escolha daqueles mais capazes de a tomarem.

Rousseau pensava de forma contrária a Montesquieu e ficou conhecido como árduo crítico da Democracia Representativa. Na verdade, considerava-a uma farsa.

“...na democracia semidireta repousa um sistema mais bem sucedido, pois contempla equilíbrio pela operação, por um lado, da representação política e, de outro, da soberania popular direta.”36 Os países que a adotam prevêem mecanismos de interferência direta na gestão estatal, mas permanece existindo a figura da representação política.

Nessa modalidade de Democracia, “O povo, além de eleger seus representantes e escolher a política de governo que estes deveriam defender, participa diretamente das decisões e do controle do Estado.”37 Os institutos de democracia semidireta, postos à disposição do povo brasileiro pela Constituição de 1988 são: referendo, plebiscito e iniciativa popular. Logo, o Brasil a adota como forma de democracia.

36 GARCIA, Alexandre Navarro. Democracia Semi-direta. Disponível

em:http://www.senado.gov.br/sf/senado/unilegis/pdf/UL_TF_DL_2004_ALEXANDRE_NAVARRO_GARCIA.pdf . Acesso em:12 abril 2007. p. 10

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Vive-se a era do Estado Democrático de Direito, que além de se fundamentar na soberania popular, por ser ínsito a ele o princípio democrático, também resguarda os direitos e garantias fundamentais do homem e possui como o basilar dos princípios o da Dignidade da Pessoa Humana.

Logo, de acordo com Afonso da Silva, “a tarefa fundamental do Estado Democrático de Direito consiste em superar as desigualdades sociais e regionais e instaurar um regime democrático que realize a justiça social.”38

O mesmo autor enumera como princípios do Estado Democrático de Direito: Princípio Democrático; Princípio da Constitucionalidade; Sistema de Direitos Fundamentais; Princípio da Justiça Social; Princípio da Igualdade; Princípio da Divisão de Poderes; Princípio da Legalidade; Princípio da Segurança Jurídica. Como não há hierarquia entre princípios, os princípios enumerados devem ser sobepesados quando de sua aplicação ao caso concreto.

A Constituição de 1988 foi expressa, ao afirmar, ser a República Federativa do Brasil um Estado Democrático de Direito. O Princípio Democrático, inserto, na Carta Magna Brasileira, consagra a participação do povo, de forma representativa, e, também, diretamente, por meio do plebiscito, do referendo e da iniciativa popular. Os Partidos Políticos constituem-se, dentro do Estado Democrático de Direito os porta-vozes do povo, pois são eles que fazem a intermediação entreeste e o Estado.

A Constituição reconhece os Partidos como essência da Democracia Brasileira. Isso se evidencia quando vislumbra-se que uma das condições de elegibilidade é estar filiado partidariamente. Assim, no ordenamento jurídico brasileiro, é completamente vedado a existência de candidatos avulsos, ou melhor, que candidatos sem vínculo partidário sejam eleitos a cargos públicos.

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Atente-se, ademais, para a legitimação que os Partidos com representantes no Congresso possuem para intentar Ação Direta de Inconstitucionalidade.

Os Partidos apresentam-se com programas que mostram o modo pelo qual virão a governar caso, eventualmente, venham a ser eleitos, além de apresentarem seus princípios norteadores. Tais ideais programáticos devem manter o respeito aos direitos e garantias fundamentais do homem, à própria democracia, que é o seu fundamento de existência. O ideal seria que os cidadãos optassem por seus representantes pelos ideais que estes representam e não, meramente, por razões pessoais, como, por exemplo, beleza, carisma, como ocorre mais comumente no Brasil.

Muitos autores, como José Afonso da Silva, defendem que o candidato, ao se eleger, fica plenamente vinculado ao programa de partido do qual seja filiado, tendo o mandato natureza imperativa. Portanto, não é assim que ocorre, pois, na realidade pouco importa para a maioria dos políticos essa lealdade ao seu Partido, tanto que muitos trocam de agremiação sem qualquer justificativa, não havendo no direito pátrio mecanismo que confirme essa natureza do mandato defendida por Silva.

A natureza do mandato é, na realidade brasileira, geral, pois o representante deve representar a nação como um todo e não só uma fração de eleitores. Também é livre, porque o mandatário não está adstrito às instruções dadas, não precisa prestar contas de seus atos.

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Partidos mais fortes implicam o engrandecimento da democracia, além de também se relacionar, de acordo com Klein39, com a melhoria dos serviços públicos.

O nível de excelência partidária (excelência traduzida em representatividade democrática verdadeira com qualificação de seus recursos humanos para o desempenho do poder político) relaciona-se, pois com o nível de excelência da administração pública( regida pelos agentes políticos oriundos dos Partidos políticos).

Assim, em uma democracia representativa ideal existem Partidos políticos atuantes, direcionados para o atendimento do interesse público, possibilitando uma administração pública de qualidade.

(27)

3 PARTIDOS POLÍTICOS NO BRASIL

3.1 EVOLUÇÃO HISTÓRICA

3.1.1 Período Imperial

Antes mesmo da independência, existiam os grupos políticos ou facções pré-partidárias, identificadas, conforme Chacon40, como constitucionais, republicanos e corcundas, sendo, respectivamente, centro, esquerda e direita daquela época. Tais facções pronunciavam-se através dos diversos jornais que existiam na época, como o “Revérbero Constitucional” e “O Tamoio”.

Conforme Cáceres41, durante o Primeiro Reinado e no ínterim regencial não havia ainda Partidos Políticos no sentido estrito. “Eram mais clubes políticos, formados por pessoas que gravitavam em torno de jornais que defendiam veementemente suas posições.”

Vê-se que, na opinião do escritor de história, até a regência os Partidos ainda eram agrupamentos políticos embrionários, sem a presença dos elementos essenciais pelos quais, hoje, identificamos os Partidos políticos.

No início do Primeiro Reinado, nota-se o recrudescer de grupos que se opunham: uns favoráveis à orientação do monarca e outros, adversários deste, centrando-se os primeiros, principalmente, na figura de José Bonifácio de Andrada e Silva. Em 1823, o Ministério dos Andradas foi derrubado e eles viraram opositores , na Constituinte, sendo punidos com o exílio.42

40 CHACON, Vamireh. História dos Partidos brasileiros : discurso e praxis dos seus programas. 2ª ed. Brasília: Universidade de Brasília, 1985.p.23

41 CÁCERES, Florival. História do Brasil. São Paulo: Moderna: 1997.p.174.

42 SOARES, Carlos Dalmiro da Silva. Evolução histórico-sociológica dos Partidos políticos no Brasil Imperial . Jus Navigandi, Teresina, ano 2, n. 26, set. 1998. Disponível em: <http://jus2.uol.com.br/doutrina

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Nota-se, claramente, que no Primeiro Reinado só havia oposição e situação ( governo), verificando-se, em 1826, o surgimento de uma corrente política oposicionista que viria a se destacar depois de 1831, denominada de Exaltados ou Farroupilhas.

Quando Dom Pedro I abdica de seu trono, o país passa a ser governado por Regências, o que ocorreu de 1832 à 1840.

No Período Regencial, destacam-se os seguintes grupos políticos: os Liberais Moderados (Chimangos), que eram apoiadores do governo; Liberais Exaltados ou Farroupilhas, que pregavam a república e a federação absoluta; Restauradores (Monarquistas ou Caramurus), que defendiam o retorno de Dom Pedro I ao poder.

Com a Reforma Constitucional de 1834, promovida pelo Grupo Moderador são apaziguados os ânimos dos Farroupilhas. Isso devido à Reforma ter trazido as seguintes modificações constitucionais, já ansiadas por este último grupo: ampla autonomia para as províncias; transformação da regência trina permanente em regência una temporária; o regente era escolhido por eleições gerais; criação do município neutro.43. Tendo falecido Dom Pedro I, no mesmo ano, ficam sem razão de existir os Caramurus.

O Brasil passou a ser governado por uma Regência até que Dom Pedro II pudesse assumir o seu trono. É eleito como Primeiro Regente o Padre Feijó. Com o fito de combater a forte oposição, que havia a seu governo e, também, para defender este, alguns simpatizantes de Feijó criam o Partido Progressista.

Como reação a esse movimento, a oposição criou o Partido da Ordem, que condenava o liberalismo excessivo de Feijó, sendo que este partido unido a outros grupos independentes formaram o Partido Conservador, de tão grande destaque durante o Período Imperial.

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Foram dos antigos partidários de Feijó que se originou o Partido Liberal, que se revezou no poder com o Partido Conservador durante o Período Imperial. “Quando um dos Partidos dirigia os negócios públicos, o outro, na oposição, tratava de injuriar os governantes, até que o Imperador os derrubasse e os substituísse pelos descontentes, que eram, depois, novamente substituídos” 44..

É famosa a frase: nada mais conservador que um liberal no poder e nada mais liberal que um conservador no poder. Isso se tornou uma máxima na época, pois tais Partidos não possuíam uma filosofia própria e suas lutas restringiam-se à tomada do poder e a sua perpetuação neste.

O Partido Conservador tinha como bases sociais os grandes proprietários da lavoura de exportação, os grandes comerciantes e a burocracia estatal. O Partido Liberal era formado por profissionais liberais urbanos e grandes proprietários rurais ligados ao mercado interno e às áreas mais recentes de colonização.45

Verifica-se que além dos Partidos não possuírem ideologias próprias, seus componentes eram da elite brasileira e defendiam os seus interesses particulares. “Em virtude da origem eminentemente parlamentar e da qualidade aristocrática de seus membros, tanto o Partido Liberal quanto o Partido Conservador são Partidos de quadros ou notáveis, de formação nitidamente interna.”46

Por volta de 1868, quando os conservadores da velha guarda estavam no poder, foi fundado o Centro Liberal por meio de Manifesto que pede por Reforma ou por Revolução.

Em 1870, há o pronunciamento do Manifesto Republicano, que mostrou a ideologia do Partido Republicano, centrada, principalmente, na defesa da República como regime representativo, tendo em vista que as instituições representativas do Império estavam em crise.

44 KLEIN, Antonio Carlos. A importância dos Partidos políticos no funcionamento do Estado. Brasília: Brasília Jurídica, 2002.p.88

45 CÁCERES, Florival. História do Brasil. São Paulo: Moderna: 1997.p.174.

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É fundado um Clube Republicano a partir da união entre liberais radicais e republicanos e é criado, também, o jornal “A República”, constituindo-se ambos meios propagadores da ideologia republicana.

Foi, ainda, durante o Segundo Reinado, que foi fundado o Partido Republicano Paulista, que reunia fazendeiros e pessoas pertencentes ao Clube Republicano. Figuras tão antagônicas como escravocratas e abolicionistas, com o fechamento do jornal “A República”, ficaram mais unidos em prol de um objetivo comum, que era a defesa do regime republicano, o qual achavam que seria a solução para a crise pela qual o país estava passando.

Próximo à fundação do Partido Republicano Paulista, são fundados os Partido Republicano Mineiro, em Ouro Preto, e o Partido Rio Grandense, no Rio Grande do Sul. Ressalta-se que o Partido Republicano não conseguiu se organizar, na época, em âmbito nacional.

3.1.2 Período Republicano

Com a proclamação da República, em 1889, e a derrubada dos liberais do poder, dá-se início a uma nova era e são, conseqüentemente, extintos os Partidos Imperiais, que tanto tiveram o domínio do poder no Período Monárquico Brasileiro.

A instauração da República não foi objeto de clamor pelo povo brasileiro. “A proclamação foi um movimento militar, uma parada inesperada que seguia pela cidade, sem que os populares soubessem o verdadeiro motivo.”47

Com as eleições para a Constituinte, venceu o princípio federativo norte-americano, defendido pelos republicanos históricos, embora estes pouco tivessem influência sobre a República da Espada instaurada.

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Durante a República Velha, destacam-se os Partidos Políticos de caráter regional. Isso porque “O federalismo, traduzido pelo mandonismo local com sua consagração, impedia a reestruturação de Partidos nacionais.”48

Assim, os Partidos de âmbito nacional que surgiam, tinham vida efêmera, já que, normalmente, só subsistiam até a morte de seus fundadores.

Só podiam resultar vagos e improvisados seus programas partidários, meras legendas para legitimarem, psicologicamente, e legalizarem, formalmente as escolhas, oligárquicas como sempre, dos presidente da República e daí os governadores, quando estes últimos não dispensavam a cerimônia e assumiam cruamente o poder. Os rituais programáticos apareciam ao nível federal, dadas as numerosas e crescentes contradições estaduais.49

A República Velha, tão fortemente marcada pelo domínio das oligarquias, pelo coronelismo, teve as famosas eleições de cartas marcadas, sem qualquer legitimação por parte dos eleitores, tendo pertencido o cargo de presidente , prevalentemente, aos políticos dos estados de São Paulo e Minas Gerais, na denominada política do Café com Leite.

Importante manifestação da crise da República Velha foi o surgimento do Partido Comunista Brasileiro (PCB), em 1922, a partir da reunião de associações de orientação socialista. Essa agremiação fazia apologia ao centralismo democrático e à disciplina partidária, corolários da Terceira Internacional Comunista. Seus partidários defendiam o bolchevismo e criticavam o anarquismo.

Outro Partido defensor, na época, da ideologia comunista, em especial, da anarquia foi o Partido Comunista do Brasil (PC do B), que pregava a abolição do Estado, a criação de sindicatos comunais, entre outros. Ele desapareceu em 1920.

O Partido Comunista Brasileiro passou a existir sob o manto da clandestinidade quando houve a decretação do estado de sítio pelo presidente Epitácio Pessoa e, conseqüentemente, a proibição do PCB, situação pela qual permaneceria o partido até 1927.

48 CHACON, Vamireh. História dos Partidos brasileiros : discurso e praxis dos seus programas. 2ª ed. Brasília: Universidade de Brasília, 1985.p. 69.

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O referido Partido teve como principal bandeira a luta sindical aliada à ação partidária. Em 1928, o partido tinha mais de dez mil componentes. O Partido tentava eleger seus componentes, participando de frentes únicas com grupos políticos dissidentes ou com o apoio nos operários, porém não obteve resultado expressivo, dado que se vivia numa época em que a política era dominada oligarquicamente e o povo não representava muito para os governantes.

Há uma cisão na Política Café com Leite, na sucessão de Washington Luís, pois este tinha indicado como sucessor Júlio Prestes, político paulista, assim como ele, quando deveria indicar, naturalmente, pelo conluio entre os dois estados, Minas Gerais e São Paulo, um candidato mineiro.

Esse fato provocou a formação de uma aliança entre Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Paraíba, denominada de Aliança Liberal, que apresentou como candidato à presidência da República o político gaúcho Getúlio Vargas. Tal Aliança era formada por políticos pertencentes à elite brasileira. Na verdade, era formada por velhas oligarquias que queriam retornar ao poder, embora se apresentassem com propósitos diferentes.

O programa da Aliança lido na Esplanada do Castelo, no Rio de Janeiro, prometia anistia aos presos políticos, revogação das leis de exceção, nova legislação eleitoral com a introdução do voto secreto e leis sociais para os trabalhadores.50

O resultado das eleições foi a derrota da Aliança Liberal que, prontamente, após a disputa eleitoral, aproximou-se do governo, constituindo-se esse episódio como mais uma demonstração da falta de ideologia inerente aos Partidos Brasileiros, que poderiam ser classificados, nesse tempo, como Partidos de quadros. Isso pelo objetivo maior desses ser a conquista do poder e a perpetuação nele se possível.

Com a crise mundial de 1929, aliada ao descontentamento dos chamados tenentes, houve a eclosão da Revolução de 1930 no Brasil, que culminou com a deposição de Washington Luís e a tomada do poder por Getúlio Vargas.

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Descontentes com as intervenções tenentistas em seus estados, as oligarquias vitoriosas com a Revolução de 30 aliaram-se aos grupos agrários vencidos e deram início a manifestações pela constitucionalização do país, com o fito de frear as pressões reformistas dos tenentes.

Esse movimento foi mais intenso em São Paulo, tendo ficado conhecido como Revolução Constitucionalista de 1932. Isso porque o Partido Democrático, que havia apoiado a revolução, esperava obter o poder. Não foi o que ocorreu, pois foi nomeado um interventor para São Paulo. Logo, tal partido aliou-se ao Partido Republicano Paulista, seu conhecido opositor, formando-se a Frente Unida, que tentou derrubar Vargas, não obtendo êxito ao final.

Com a edição da Constituição de 1934 e sendo eleito, indiretamente, Vargas, houve a criação de dois Partidos. Um tinha orientação fascista e o outro era seu opositor. Eram, respectivamente, a Ação Integralista Brasileira (AIB) e a Aliança Nacional Libertadora (ANL).

A AIB fora fundada por Plínio Salgado. Seu programa era contrário à democracia, ao imperialismo norte-americano e inglês, e, principalmente, contra o comunismo. Defendiam o Estado Totalitário. Foi visto com simpatia por certo tempo por Vargas, pois era uma espécie de freio às manifestações esquerdistas.

A ANL era uma Frente, reconhecidamente, contra o Fascismo. Reunia, em seus quadros, democratas, socialistas e comunistas brasileiros. Teve como presidente de honra Luís Carlos Prestes, que tinha entrado no PCB em 1934. O seu programa era a luta contra o latifúndio, o imperialismo e o fascismo. Foi colocada na clandestinidade por Vargas em 1935.

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Usando-se o subterfúgio de defender o país de uma intervenção comunista, Getúlio Vargas deu um golpe de Estado .Iniciou-se a era do Estado Novo, período ditatorial sob sua ingerência.

O Estado Novo foi caracterizado pela ilegalidade dos Partidos políticos, até mesmo a AIB, que apoiou Vargas em seu golpe de Estado.

Foi muito fácil a Getúlio Vargas responsabilizar impunemente os Partidos, para justificar seu golpismo. Eles não tinham estrutura, organização, nem contatos permanentes com suas bases, dispersas sem uma rede de comunicações e transportes, então ainda a aparecer no Brasil.51

Em 1943, começou a ser formada a UDN ,que seria a oposição ao regime, a partir da idéia de opositores ao regime getulista de reunirem-se em torno de um candidato militar para suceder Vargas.

Outro partido fundado em torno da candidatura militar de Eurico Gaspar Dutra foi o Partido Social Democrático (PSD). Esse Partido Getulista de Centro não possuía ideologia e seus membros estavam unidos pelas conveniências do poder. Era o grande Partido Conservador Brasileiro.

Em 1945, a liberdade partidária foi restabelecida e foi dada anistia por Getúlio que, anseando controlar os que o apoiavam, criou o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), que viria a ser usado como instrumento de controle das massas urbanas sindicalizadas, lembrando que os mais conservadores já eram manipulados pelo outro partido getulista, o PSD.

Com o retorno à legalidade do PCB, Prestes que era o secretário-geral do partido, passou a ser um dos defensores de Vargas, inclusive, pregava a união nacional em torno da candidatura deste. “O PC, agora, queria a paz no mundo, a consolidação da democracia capitalista para melhor defender os interesses dos trabalhadores”.52

51 CHACON, Vamireh. História dos Partidos brasileiros : discurso e praxis dos seus programas. 2ª ed. Brasília: Universidade de Brasília, 1985.p. 135.

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O PTB organiza a campanha do “Queremismo”, que defendia o retorno de Getúlio, agora pela via democrática. Esse movimento não alcançou sucesso, pois Vargas foi deposto em 1945 e foi eleito seu sucessor, o General Dutra.

Fato interessante ocorrido, durante o Governo Dutra, mais alinhado aos norte-americanos, foi a cassação do PCB pelo Supremo Tribunal Eleitoral, devido à acusação por Partidos, como a UDN e PSD, de o Partido Comunista participar de organização internacional, o que era vedado pela legislação brasileira. O resultado disso foi, também, a cassação dos mandatos dos parlamentares eleitos, que pertenciam ao PCB.

Alguns filiados mais à esquerda da UDN, em virtude de estarem descontentes com a aproximação entre UDN e PSD, formaram o Partido Socialista Brasileiro ( PSB).

Durante o segundo governo de Vargas, é criado por seu aliado, o político populista Adhemar de Barros, em São Paulo, de projeção mais local, o Partido Social Progressista.

No governo de João Goulart, ocorre o golpe militar e o Governo, então, permite que os até então existentes Partidos sobrevivessem até 1965, quando então são extintos pelo Ato institucional n° 2.

Esse ato, publicado em 1965, além de extinguir os Partidos políticos existentes, instituiu, de forma artificial, o bipartidarismo no Brasil, representado pelos dois Partidos: o do governo, a Aliança Renovadora nacional – ARENA – e o de oposição consentida, o Movimento Democrático Brasileiro – MDB.

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A partir dessa Emenda, surgiram como resultantes do antigo MDB: Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) e o Partido Democrático Trabalhista (PDT). Os componentes do MDB, mais conservadores, fundaram o Partido Progressista (PP). Os governistas (antigos udenistas) passaram a se intitular como Partido Democrático Social (PDS). Os dissidentes do PDS formaram o Partido da Frente Liberal (PFL). Surgiu, ainda, à esquerda de todos esses Partidos, o Partido dos Trabalhadores (PT).

3.1.3 Conjuntura Atual

Com a reabertura política do Brasil, tendo sua consagração com a Constituição de 1988, houve, ao longo dos anos, uma multiplicação dos Partidos Políticos, o que vem sendo objeto de críticas, pois alguns deles são considerados, simplesmente, fontes de angariar recursos financeiros para certos políticos que os utilizam para fins não tão lícitos. É no intento de frear a proliferação de agremiações partidárias como essas que se clama, no Brasil, por uma Reforma Política, que preveja mecanismos de fortalecimento para os reais Partidos.

Para apreciar a atual situação do cenário partidário brasileiro, verificaremos a quantidade desses no momento atual, além de aferirmos as mudanças em relação às últimas eleições.

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Renovador Trabalhista Brasileiro – PRTB, nº. 28; Partido da Causa Operária – PCO, nº. 29; Partido Humanista da Solidariedade – PHS, nº. 31; Partido da Mobilização Nacional – PMN, nº. 33; Partido Trabalhista Cristão – PTC, nº. 36; Partido Socialista Brasileiro – PSB, nº. 40; Partido Verde – PV, nº. 43; Partido Republicano Progressista – PRP, nº. 44; Partido da Social Democracia Brasileira – PSDB, nº. 45; Partido Socialismo e Liberdade - PSOL, nº. 50; Partido de Reedificação da Ordem Nacional – PRONA, nº. 56; Partido Comunista do Brasil – PC do B, nº. 65, e, por fim, Partido Trabalhista do Brasil - PT do B, nº. 70.

Atualmente, em abril de 2007, houve a redução para vinte e oito Partidos registrados no TSE, tendo o PRONA retirado-se do cenário político eleitoral.

Mesmo assim, verifica-se o quanto este cenário encontra-se multifacetado devido ao grande número de Partidos ainda existentes, sendo que alguns deles sequer possuem representante no Legislativo, tal é a sua inexpressividade perante o eleitorado.

Um aspecto notado é que mais de cinqüenta por cento dos Partidos existentes hoje foram criados na década de noventa, sendo esta, portanto, considerada como a época de maior nascimento dos Partidos no Brasil. Desde essa época até hoje, o número de Partidos vem sendo superior a vinte e cinco. Isso vem ocorrendo devido à posição adotada pelo Constituinte Originário, que foi a de ressalvar a Liberdade Partidária, até mesmo como um dos corolários da Democracia Brasileira. Por essa, o direito de representatividade é deferido a todas as correntes de pensamentos políticos, sendo concretizado pela confirmação popular através do voto, legitimador da soberania popular.

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Verifica-se que alguns dos Partidos existentes foram frutos da redemocratização brasileira e seus princípios norteadores são fortemente inspirados na valorização da Democracia como regime político, no respeito às liberdades, já que seus fundadores viveram sob o Regime Ditatorial, marcado pelo cerceamento às diferentes manifestações de liberdade.

No entanto, merecem críticas os programas partidários dos atuais Partidos Brasileiros pelo fato de tentarem abranger a quase totalidade da população brasileira, chegando ao ponto de não possuírem uma identidade própria. Ademais, pelo fato de terem como princípios norteadores toda a sorte desses, sendo que, na prática, poucos deles são concretizados via ação partidária.

3.2 PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS

3.2.1 Princípio da Liberdade Partidária

Apresenta-se como princípio fundamental da organização partidária brasileira, insculpido no art. 17 da Constituição e, também, repetido na Lei Orgânica dos Partidos Políticos (lei 9.096/95), no art. 2°, onde se afirma a liberdade de criação, fusão, incorporação e extinção dos Partidos Políticos.

É importante que se frise que essa liberdade não é incondicional, pois se submete, conforme tônica constitucional, ao respeito à soberania nacional, ao pluripartidarismo, ao regime democrático e aos direitos fundamentais da pessoa humana.

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história política traçada pelos Partidos Brasileiros, como viu-se anteriormente.

Percebe-se, conforme, Oliveira53, que “houve um consenso nos trabalhos da Constituinte de que a nova Constituição não deveria delimitar a existência de um número mínimo de Partidos, tampouco estabelecer condições para sua criação”.

Logo, houve, na Constituição vigente, uma preocupação com o controle qualitativo (ideológico) dos Partidos, seguindo-se, portanto, uma concepção minimalista, significando que a criação dos Partidos fica sujeita, tão somente, que seus programas respeitem os valores consagrados pelo Estado Democrático de Direito no qual vivemos, embora a Constituição tenha possibilitado que viesse haver um controle quantitativo (formal ou instrumental) via lei ordinária.54

É o que se tem, na Lei Orgânica dos Partidos Políticos, quando há a exigência para que o registro do Partido venha a ser admitido, apenas se ele comprovar apoio de, no mínimo, meio por cento dos votos na última eleição geral para a Câmara dos Deputados, não sendo computados os votos brancos e nulos, distribuídos, por um terço dos estados ( art. 7°, § 1°).

3.2.2 Princípio da Soberania Nacional

“A soberania que exprime o mais alto poder do Estado, a qualidade de poder supremo (suprema potestas), apresenta duas faces distintas: a interna e a externa.”55

A interna, no dizer do mesmo autor, diz respeito ao poder superior que o Estado tem sobre os demais poderes sociais, que, inclusive, lhe ficam sujeitos.

53 OLIVEIRA, Bruno Queiroz. O Sistema Partidário Brasileiro: aspectos controvertidos e perspectivas de mudanças. 2005. Dissertação ( Mestrado em Direito) – Universidade Federal do Ceará, 2005.176 pgs.p. 123. 54 SILVA, José Afonso da. Curso de Direito Constitucional. 22ª ed. São Paulo: Malheiros, 2003.p.399.

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Por sua vez, a externa representa a independência que o Estado possui frente aos outros Estados. Assim, outros Estados não podem interferir nas decisões tomadas por um que possua o atributo da soberania.

Por isso, existem várias críticas a respeito dessa forma de soberania, pois que existem muitos Estados, aparentemente, independentes, que têm seus rumos totalmente atrelados aos interesses de grandes nações, em especial, dos Estados Unidos da América. Isso acontece com muitos países da América latina, predominantemente, os da América Central.

Como foi visto, os programas dos Partidos Políticos devem ser pautados pelo respeito à Soberania Nacional. Assim, “os Partidos estão delimitados e submetidos à supremacia interna da nação na qual se inserem. As suas nascentes e o seu campo de expansão coincidem e não transbordam o território nacional”56

Dessa forma, os Partidos não podem pregar uma doutrina que desafie o poder supremo do Estado, sob pena de incorrer na defesa da anarquia e, conseqüentemente, deixar de pautar-se pelo princípio básico inerente ao ordenamento jurídico brasileiro, que é a valorização da Democracia como regime político.

Assim, embora exerçam relevante papel como influenciadores e intermediadores dos interesses populares, os Partidos não podem se sobrepor ao poder estatal, porque este possui a árdua missão de conciliar o interesse coletivo com os interesses particulares, privatísticos das pessoas, sejam elas físicas ou jurídicas. Podem, sim, fiscalizar o Estado para que este não se desvie de sua missão.

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3.2.3 Princípio do Respeito ao Regime Democrático

Ora, é de tal forma inconcebível que o nosso ordenamento não consagrasse o Respeito ao Regime Democrático como norteador da organização partidária, pelo fato de ser, por meio dos Partidos, que o povo exerce sua cidadania, isto é, que manifesta sua opção por seus representantes e por ser a soberania popular o fundamento maior da democracia, que é o regime adotado pelo Brasil.

Ademais, “é indispensável a observância de preceitos que confirmem sua autêntica e leal vocação a esse regime, caso contrário, algum partido poderá subir legitimamente ao poder e, depois, golpear o regime que permitiu sua própria ascensão, visando eternizar-se.”57

3.2.4 Princípio do Pluripartidarismo

O Pluralismo Político é fundamento básico do Estado Democrático de Direito brasileiro, conforme dicção do art. 1°, V, da nossa Constituição Federal. Ele “indica uma diversificação do poder e, mais precisamente, a existência de uma pluralidade de grupos que são ao mesmo tempo independentes e não-inclusivos.”58

O pluralismo é, por conseguinte, “indispensável tanto para a democracia quanto para o ideal de contenção do poder, à medida que fornece tanto os meios de participação democrática quanto os mecanismos de resistência ao poder arbitrário”59. Nesse sentido, pode a sociedade organizar-se em associações, conforme faculta a Constituição, assim como pode atuar como grupo de pressão a fim de que o poder estatal não seja exacerbado em algumas situações e, também, para fazer prevalecer a vontade popular.

57 KLEIN, Antonio Carlos. A importância dos Partidos políticos no funcionamento do Estado. Brasília: Brasília Jurídica, 2002.p.96.

58 SARTORI, Giovanni (1982 apud NASPOLINI, p. 33)

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A doutrina pluralista reconhece a multiplicidade de centros de poder e de ideologias de vida no país, o que, implica que não há, no Brasil, uma verdade absoluta oriunda de um determinado centro de poder. Há, sim, a garantia que diversos grupos sociais expressem suas verdades e, por meio do debate dessas, há o posterior engrandecimento e riqueza da nossa Democracia. Daí a relevância de que quaisquer correntes de pensamento, por mais minoritárias que sejam, tenham o direito de expressar suas doutrinas.

O Pluripartidarismo é o Pluralismo Político em sentido estrito, ou seja, é a possibilidade que diferentes correntes de pensamento político se façam presentes na disputa pelo poder no regime democrático através dos diversos Partidos que as representam.

Se os Partidos políticos são os principais entes pluralistas da atualidade, o processo eleitoral representa o mecanismo próprio pelo qual as diversas alternativas políticas e sociais são apresentadas ao conjunto de eleitores, concorrendo, pois, à aglutinação máxima de preferências individuais que são logo traduzidas em poder político.60

Tal sistema partidário apresenta o inconveniente de a governabilidade depender da formação de maioria parlamentar, que só é possível, por meio das coligações entre os Partidos. “De outra parte, estas coligações vêm muitas vezes acompanhadas de uma indesejável instabilidade, já que formadas pela vontade dos próprios Partidos, podem também por eles serem desfeitas a qualquer momento”61. Isso pode ensejar malefícios para a coletividade, pois um governo sem uma base de sustentação para que sejam efetivados seus planos, acaba por deixar o povo ao marasmo, sem perspectivas de melhoria de suas vidas e do próprio país como um todo.

“Ao se adotar o pluralismo partidário, além de se rejeitar o unipartidarismo, ou seja, o sistema político-partidário não competitivo, recusa-se, igualmente, a se admitir um número de Partidos compulsoriamente predeterminado”62. Para esse autor, ao consagrar-se o Pluripartidarismo, não se 60 Ibid.,p.74.

61 BASTOS, Celso Ribeiro. Teoria do Estado e Ciência Política. 6ª ed. São Paulo: Celso Bastos Editora,2004. p. 271.

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pode admitir que sejam instituídos meios que venham impor a existência de um certo número de Partidos, pois do contrário haveria grave afronta às diretrizes adotadas constitucionalmente.

O Sistema Pluripartidarista contrapõe-se ao Unipartidarismo, próprio de regimes totalitaristas, onde só há um Partido, que serve como sustentáculo da máquina governamental, dando-lhe legitimidade. Também é antagônico do Bipartidarismo, sistema onde se tem uma polarização entre dois Partidos, sendo que o mais numeroso em eleitos cabe-lhe exercitar políticas governamentais, agindo o partido minoritário como de oposição. Nesse sentido, muitos autores consideram este último como o sistema democrático por excelência concernente à organização partidária, pois ele conforma em seu seio a estabilidade, já que o partido majoritário não fica pendente em realizar composições com outros Partidos com o fim de exercer seguramente o poder.

3.2.5 Princípio do Caráter Nacional

É expressa a nossa Constituição, no art. 17, II, ao afirmar que os Partidos políticos deverão ter caráter nacional e, também, assim o faz a Lei Orgânica dos Partidos Políticos. Isso implica na impossibilidade de ser criado partido de natureza local como, outrora, foi muito comum no Brasil, além de os programas partidários deverem ser direcionados aos problemas nacionais, não se deixando de lado os problemas peculiares a cada localidade.

Referências

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