V EVENTO INSTITUCIONAL DO PIBID
“Em defesa do PIBID e da valorização docente”
07-11-2017 – campus Jacarezinho - PR
ATIVIDADE PRÁTICA NO ENSINO DE BIOLOGIA: UMA PROPOSTA ALTERNATIVA PARA O ENSINO DA TIPAGEM SANGUÍNEA SEM A
UTILIZAÇÃO DE SANGUE HUMANO
Jamille Mariana de Oliveira Marques1, Priscila Frazato da Silva2, Harley Lucas dos Santos3, Lilian Roseane Pires4, Lucken Bueno Lucas5, Lindalva Pereira6,
Rodrigo de Souza Poletto7. 1,3,4Bolsistas de Iniciação à Docência
(PIBID/UENP), 2Voluntária de Iniciação à Docência (PIBID/UENP), 5,6,7Coordenadores de Área (PIBID/UENP).
Universidade Estadual do Norte do Paraná/ Campus Cornélio Procópio/ Centro de Ciências Humanas e da Educação.
Ensino: Subprojeto de Ciências/Biologia – UENP Campus Cornélio Procópio.
Palavras-chave: ensino de Biologia, atividades práticas, sistema ABO.
Introdução
O Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID) abrange Instituições de Ensino Superior de todo o país, oferecendo bolsas de iniciação à docência a estudantes de cursos de licenciatura, de modo a inseri-los na realidade das escolas públicas brasileiras para vivenciar o cotidiano da prática docente, por meio da elaboração e da realização de diferentes atividades pedagógicas. O PIBID está vinculado a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) (BRASIL, 2008).
A partir disso, o PIBID promove uma interação direta entre o Ensino Superior e a Educação Básica. Os bolsistas de iniciação são orientados por coordenadores de área, que são docentes das licenciaturas, e por supervisores, que são docentes das escolas públicas onde as atividades de cada subprojeto serão realizadas.
O programa incentiva a articulação entre secretarias estaduais e municipais com as universidades, propiciando um aperfeiçoamento do ensino nas escolas da rede pública, principalmente naquelas em que o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) encontra-se abaixo da média nacional.
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O PIBID Ciências/Biologia tem como objetivo refletir sobre o processo de formação de professores de Ciências e Biologia, a partir de considerações elencadas por Gauthier et. al., (2006), Tardif (2002) e Arruda, Lima e Passos (2011) que ajudam a compreender de maneira mais clara as atribuições e ações dos docentes em sala de aula. A partir dessas reflexões, práticas pedagógicas são desenvolvidas e aplicadas em aulas de Ciências e Biologia, juntamente com os docentes supervisores e sob a orientação dos coordenadores de área.
No âmbito do ensino de ciências naturais, é considerável a procura por estratégias metodológicas que possibilitem uma melhor compreensão dos conteúdos trabalhados em sala de aula. Nesse sentido, a experimentação tem um papel importante no ensino de Biologia, uma vez que nesse tipo de atividade o estudante é estimulado a pensar e observar o fenômeno, aproximando a teoria de sua realidade (ARAÚJO, 2011).
Segundo Krasilchik (2004) o ensino de Biologia pode contribuir para a formação de alunos e professores. As aulas práticas são amplamente reconhecidas, embora atualmente representem uma pequena porcentagem das atividades desenvolvidas nessa disciplina. A falta de formação, tempo e materiais adequados são variantes que dificultam a tarefa dos professores para a realização de aulas práticas. Entretanto, isso não pode justificar a ausência de trabalhos desse tipo no ensino da Biologia, uma ciência empírica.
São inúmeras as práticas experimentais de baixo custo e complexidade, carregadas de conteúdo desafiador, que podem contribuir satisfatoriamente para o ensino de Biologia, possibilitando aos escolares participar ativamente dos processos de investigação, elaboração de hipóteses, organização e interpretação de dados. Assim, as atividades práticas (experimentais) nas aulas de Biologia podem favorecer a compreensão dos fenômenos de uma forma mais acessível aos alunos, fazendo-os participar de todo o processo de abordagem do conteúdo trabalhado.
Portanto, considerando o escopo do programa PIBID no cenário nacional, as ações do subprojeto Ciências/Biologia da UENP (campus Cornélio Procópio) e o papel das atividades práticas (experimentais) no ensino de Biologia, também discutidas no referido subprojeto, este trabalho tem o objetivo de apresentar o relato de uma prática desenvolvida em sala de aula, tendo como conteúdo temático os grupos sanguíneos do sistema ABO, com ênfase na determinação dos grupos sanguíneos.
Materiais e Métodos
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docência. Como diferencial, a referida atividade propôs retratar a tipagem sanguínea humana de forma alternativa, sem o uso de sangue. A atividade foi elaborada a partir de exemplos encontrados em diversos livros didáticos de Biologia voltados ao Ensino Médio.
Para o desenvolvimento da prática foram utilizados os seguintes materiais (de fácil acesso aos docentes): recipiente de plástico (podendo ser uma placa de Petri ou recipientes recicláveis); recipiente para o soro; palito para a mistura da solução; cola escolar; água; água boricada (3%) e corante vermelho (para representar a cor do sangue).
A mistura para representar o sangue foi feita da seguinte forma: dois terços de cola para um terço de água, acrescentando uma gota de corante vermelho para dar cor ao sangue simulado.
Todas as placas foram etiquetadas, cada duas com um mesmo grupo sanguíneo e suas variações alélicas. Ex: as duas placas do grupo um, estavam etiquetadas com o grupo sanguíneo A (IaIa) (Figura 1) e as duas placas do grupo dois estavam etiquetadas com o grupo sanguíneo A (Iai) (Figura 2), e assim respectivamente para os grupos B (IbIb e Ibi), AB (IaIb) e O (ii). Também foram produzidos soros anti-A e anti-B (Figuras 1 e 2).
Nos grupos em que o sangue deveria coagular, os recipientes com sangue falso recebiam água boricada, já nos outros em que não deveria acontecer a coagulação, era acrescentada somente água. Ex: Grupo sanguíneo A (IaIa), o recipiente representando o soro anti-A continha água boricada e o representando o anti-B, água normal. Assim, quando o aluno adiciona água boricada ela reagiria com a mistura de cola, representando uma coagulação do sangue.
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Figura 2– Placas do grupo dois etiquetadas com o grupo sanguíneo A (Iªi) e recipientes contendo o falso soro anti-A e falso soro anti-B. Fonte: Marques, 2017
A atividade prática acima detalhada foi implementada em uma turma, dividindo os alunos em seis grupos, cada um direcionado para uma bancada, onde encontraram duas placas, já etiquetadas, contendo uma gota do sangue artificial. Os alunos também receberam os falsos soros anti-A e anti-B.
Em seguida foi feita uma breve explicação sobre o que cada objeto da bancada representava, sem entrar no conteúdo em si. Posteriormente, os alunos aplicaram o soro sobre a gota de sangue falso e misturaram com o auxílio de um palito. Depois de observarem o resultado (Figura 3), eles foram estimulados a responderam uma questão sobre o que havia acontecido (sempre levando em consideração que a cola é o sangue e a água, o soro).
Na sequência, o conteúdo foi explicado, com aporte do livro didático, socializando e discutindo as respostas dos alunos. Também foi evidenciado o porquê de o experimento não ter sido realizado com sangue humano.
Figura 3– Um dos resultados da aplicação do falso soro anti-A e falso soro anit-B.
Fonte: Marques, 2017.
Resultados e Discussão
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questões para posteriormente serem respondidas nas aulas teóricas subsequentes, do mesmo assunto.
Inicialmente os alunos reagiram à atividade como algo comum, porém, quando perceberam que não se tratava de um conteúdo já trabalhado e que seria uma aula prática, demonstraram interesse e curiosidade, gerando uma maior participação, com diversos questionamentos. Eles também foram estimulados pelos bolsistas de iniciação e pelo docente supervisor ao longo de toda a aula, por meio de perguntas e comentários que evidenciavam detalhes importantes da atividade.
O fato da atividade de tipagem sanguínea não utilizar sangue humano não implicou em limitações de qualquer natureza, visto que o objetivo principal da prática foi atingido: levar os alunos a participar ativamente dos processos de investigação, elaboração de hipóteses, organização e interpretação de dados.
Na visão dos pesquisadores, o uso da cola e da água boricada para simular a coagulação sanguínea em contato com o antígeno (soros), ajudou os alunos a entender como funcionaria se fosse realizado com sangue humano verdadeiro. A atividade gerou um relatório em que o professor supervisor atribuiu nota, considerando-o como uma avaliação formativa.
Considerações Finais
No presente trabalho foi apresentada uma síntese do Programa PIBID no escopo nacional, a evidenciação de algumas ações desenvolvidas no subprojeto de Ciências/Biologia da UENP (campus Cornélio Procópio) e o relato de uma atividade prática desenvolvida por um grupo de bolsistas de iniciação à docência com alunos de uma turma de terceiro ano do Ensino Médio de uma escola parceira do PIBID, em uma aula de Biologia.
A atividade teve como diferencial a realização de uma prática de tipagem sanguinea sem a utilização de sangue humano, lançando mão de materiais alternativos e acessíveis aos professores.
Foi possível concluir que a referida prática contribuiu para o envolvimento dos alunos na aula, possibilitando que eles investigassem, elaborassem hipóteses, organizassem e interpretassem o fenômeno (simulado), evidenciando o importante papel da prática no ensino de Biologia como estratégia promotora da aprendizagem científica.
Agradecimentos
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Referências (utilizadas e consultadas)
ARAÚJO, D. H. S. A importância da experimentação no ensino de biologia.
2011. IX, 150 f. Monografia (Licenciatura em Ciências Biológicas) –
Universidade de Brasília, Brasília, 2011.
ARRUDA, S. M.; LIMA, J. P. C.; PASSOS, M. M. Um novo Instrumento para a análise da ação do professor em sala de aula. Revista Brasileira de pesquisa em Educação em Ciências. São Paulo, v. 11, n. 2, p. 139-160, 2011.
Brasil. Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - CAPES. 2008. Ministério da Educação. Pibid – Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência. Disponível em:
<http://www.capes.gov.br/educacao-basica/capespibid>;. Acesso em: 07 out. 2017.
GAUTHIER, C.; MARTINEAU, S.; DESBIENS, J. F.; MALO, A.; SIMARD, D.
Por uma Teoria da Pedagogia: pesquisas contemporâneas sobre o saber docente. Ijuí: Unijuí, 2006.
KRASILCHIK, M. Prática de ensino de biologia. Edusp, 2004.