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Blogs no ensino de química: utilização e avaliação da aceitação em disciplina de comunicação científica

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Academic year: 2021

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Blogs no ensino de química: utilização e

avaliação da aceitação em disciplina de

comunicação científica

Title: Blogs in Chemistry Teaching: use and acceptance evaluation in a science communication course

Mario Roberto Barro

Departamento de Química/Universidade Federal de São Carlos, Rod. Washington Luís, Km 235; CP 676; CEP 13.565-905, São Carlos - SP

[email protected]

Salete Linhares Queiroz

Instituto de Química de São Carlos/Universidade de São Paulo, Av. Trab. São-carlense, 400; CP 780; CEP 13560- 970, São Carlos - SP

[email protected]

Resumo

Neste trabalho, temos como objetivo analisar a utilização e aceitação de blogs em uma

discipli-na de comunicação científica oferecida em um curso superior de química. Participaram, volun-tariamente, como sujeitos da pesquisa uma professora de química, um estagiário e 60 alunos de graduação em química. O processo de implementação e adaptação foi realizado em duas eta-pas, de acordo com as estratégias de ensino aplicadas na disciplina, que envolveram atividades com artigos científicos e atividades de resolução de casos investigativos. Durante o semestre letivo, os alunos publicaram nos blogs as suas atividades extraclasse, reflexões e comentários. A professora e o estagiário também publicaram seus comentários. Ao final do semestre, os alunos responderam a um questionário elaborado com base no Modelo de Aceitação de Tecnologia (MAT) para análise da aceitação em relação ao uso dos blogs. A utilização dos blogs foi avali-ada a partir da análise quantitativa das mensagens publicavali-adas. A análise quantitativa foi reali-zada por contagem e classificação das mensagens em relação à autoria, ao tipo de mensagem, e ao horário, dia e mês em que foram publicadas. A análise dos dados coletados no estudo aponta para a postura favorável dos estudantes frente à utilização dos blogs como ferramentas de a-poio ao processo de ensino e aprendizagem.

Palavras-Chave: Blog, Química, Ensino Superior.

Abstract

This work aims to analyze the use and acceptance of blogs in a scientific communication course

offered in an undergraduate chemistry course. The research population consisted of one chemis-try professor, one teaching assistant, and 60 undergraduate chemischemis-try students who voluntarily participated in this research. The process of implementing and adapting the blogs was conduct-ed in two stages according to the strategies appliconduct-ed in the course, which involvconduct-ed activities with scientific articles and case studies. Along the semester, students posted their activities, thoughts, and comments. The professor and the teacher assistant also posted their comments. At the end of the semester, students answered a questionnaire based on the Technology Acceptance Model (TAM), for the analysis of acceptance regarding the use of the blogs. The evaluation of the use of the blogs was based on the quantitative analyses of the posts. The quantitative analysis of the use of blogs was performed by counting and classifying the posts regarding the authorship, type of message, and the time, day and month they were posted on the blogs. The analysis of the data collected in the study shows the students to be highly in favor of the use of the blogs as an effec-tive tool to teaching and learning.

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1 . Introdução

Nos últimos anos, é crescente o número de trabalhos que investigam as potencialidades, nos processos educa-tivos, do uso de ferramentas empregadas para a comuni-cação por meio da Internet – entre elas as ferramentas de blog [1 - 8].

No entanto, ainda são escassas as aplicações de blogs em processos educativos seguidas de avaliações sobre a sua aceitação [9]. Nos casos em que isto ocorre, a avalia-ção é feita, usualmente, via aplicaavalia-ção de questionários ou entrevistas, monitoramento dos registros de acessos ou dos registros de navegação, ou ainda, contagem das men-sagens publicadas. Avaliações baseadas em referenciais teóricos consolidados são essenciais em se tratando da incorporação de novas tecnologias em ambientes de ensi-no, pois os resultados delas provenientes servem para pautar ações que visam o melhoramento da sua forma de aplicação.

Cabe destacar que blog é a abreviação de Weblog e significa registro eletrônico na Internet. Os blogs se estru-turam na forma de uma página Web atualizada frequen-temente, composta por blocos de textos apresentados de forma cronológica inversa, como uma página de notícias que segue uma linha de tempo, em que o fato mais recen-te fica sempre no topo da página. Esses blocos de recen-textos são chamados de posts e podem ser escritos apenas pelo autor do blog ou por uma lista de membros que ele con-vide e autorize a postar, ou seja, publicar mensagens.

Para Richardson [10], o uso de blogs é prática de in-teresse para a escola por ser um recurso que suporta ar-quivos feitos por alunos e professores, que suporta vários estilos de escrita e pode favorecer o desenvolvimento de competências em determinados tópicos quando estudan-tes estão centrados na leitura e/ou escrita.

Neste trabalho, temos como objetivo analisar a utili-zação e aceitação de blogs pelos estudantes matriculados em duas turmas de disciplina de comunicação científica, ministrada em um curso de Bacharelado em Química da Universidade de São Paulo (USP).

Para a análise da utilização dos blogs fizemos a classi-ficação e quanticlassi-ficação das mensagens publicadas pelos sujeitos da pesquisa, em relação à autoria, ao tipo de mensagem, ao horário, dia e mês em que foram publica-das nos blogs publica-das duas turmas, as quais serão denomina-das ao longo do presente manuscrito como Turma 1 e Turma 2.

Para a análise da aceitação em relação ao uso dos blogs foi aplicado aos alunos um questionário elaborado utilizando como guia as construções de indicadores reali-zadas por Ribeiro [11], sugeridos por Selim [12] em a-daptação ao Modelo de Aceitação de Tecnologia (MAT).

Entendemos a análise do uso e da aceitação dos blogs pelos sujeitos como de primordial importância para que possamos especular sobre a sua eficácia como facilitador do ensino e da aprendizagem, e para que possamos tam-bém vislumbrar suas limitações.

2. Referencial Teórico

2.1 Modelo de Aceitação de Tecnologia

(MAT)

O MAT busca auxiliar os responsáveis pela imple-mentação de sistemas de informação a avaliar sua aceita-ção [12].

Segundo Davis [13], as pessoas tendem a usar ou não uma aplicação ou tecnologia de acordo com a Utilidade Percebida, ou seja, de acordo com a possibilidade de melhorar seu desempenho no trabalho. No entanto, mes-mo que o usuário entenda que um determinado aplicativo é útil, sua efetiva utilização pode ser prejudicada se o uso for considerado muito complicado, de modo que os bene-fícios da nova tecnologia não compensem o esforço do uso. Esse conceito é chamado de Facilidade Percebida. Testes conduzidos por Davis [13] indicaram que a Utili-dade Percebida é fortemente influenciada pela FaciliUtili-dade Percebida, conforme mostra a Figura 1.

Figura 1 – Os rótulos indicam os construtos considerados pelo Modelo

de Aceitação de Tecnologia e as setas indicam a influência de um construto em outro (Adaptada de Selim [12]).

Tanto a Facilidade Percebida quanto a Utilidade Per-cebida influenciam a atitude que o usuário terá em rela-ção ao sistema, que é um fator determinante da forma como o sistema será aceito. Dentro do conceito do MAT, a atitude representa o desejo do usuário de utilizar o sis-tema. E, influenciada pela Utilidade Percebida e pela Atitude em relação ao Uso, está a Intenção de Uso. É a intenção que determinará o Uso Real do sistema.

Todos os construtos do MAT se referem a percepções e crenças de um indivíduo tomando decisões de adoção de tecnologia em um determinado tempo. Como o mode-lo é comportamental, pode referir-se somente a questões diretamente relacionadas com o usuário e suas

percep-Variáveis Externas Atitude em Relação ao Uso Intenção

de Uso Uso Real Utilidade

Percebida

Facilidade Percebida

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ções sobre o uso do sistema. Por isso, os construtos de-vem ser desenvolvidos de modo a captar opiniões pesso-ais.

Cabe destacar que o MAT tem sido amplamente tes-tado e validado. Os resultes-tados obtidos a partir da sua aplicação são frequentemente analisados utilizando técni-cas estatístitécni-cas [12]. No entanto, o modelo pode também ser utilizado como base para uma metodologia qualitati-va, conforme trabalho desenvolvido por Saleh [14].

Esse modelo foi usado para elaborar o questionário de avaliação dos alunos sobre o uso dos blogs. Dentro dos construtos apresentados no modelo, selecionamos apenas os indicadores relacionados aos construtos Utilidade Percebida e Facilidade Percebida porque acreditamos que o construto Uso Real poderia ter sido comprometido pela obrigatoriedade do uso dos blogs na disciplina, uma vez que as notas dos alunos estiveram condicionadas à utili-zação dos blogs. Os construtos Utilidade Percebida e Facilidade Percebida foram avaliados por meio da aplica-ção de um questionário. O Quadro 1 apresenta os indica-dores dos construtos utilizados no questionário de avalia-ção de uso dos blogs pelos alunos.

Utilidade Percebida (UP)

UP1 A utilização do blog nesta disciplina é relevante.

UP2 A utilização do blog deve ser mantida nas próximas edições da disciplina. UP3 As instruções contidas nos blogs foram úteis para a realiza-ção das atividades. Facilidade Percebida (FP)

FP1 Eu acho o blog fácil de usar.

FP2 É fácil para eu obter as informações sobre a disciplina pelo blog. FP3 É fácil interagir com meus colegas e com a professora por meio do blog. Quadro 1 – Indicadores dos construtos Utilidade Percebida e Facilidade

Percebida.

3. Metodologia

Os blogs foram implementados na disciplina Comuni-cação e Expressão em Linguagem Científica II, que pos-sui carga horária de dois créditos e é oferecida aos alunos matriculados no segundo semestre do curso de Bachare-lado em Química do Instituto de Química de São Carlos (IQSC/USP).

Esta disciplina teórica, que não trata de conteúdos es-pecíficos de química, tem entre os seus objetivos princi-pais o desenvolvimento das habilidades de leitura e de comunicação dos alunos em linguagem científica, assim

como o desenvolvimento da capacidade de busca nas diversas fontes de informação de interesse para os quími-cos. Além desses objetivos, a disciplina visa ainda conso-lidar o conhecimento de tópicos abordados na disciplina que a antecede – Comunicação e Expressão em Lingua-gem Científica I – cujos principais objetivos são discutir as diversas formas de divulgação da ciência e as caracte-rísticas peculiares de alguns documentos científicos, assim como apresentar diversas fontes de informação em ciência e, finalmente, propiciar discussões sobre a impor-tância da comunicação para o profissional da área de química, com ênfase no papel da linguagem escrita [15]. Para tanto, os alunos participam de aulas expositivas e de duas estratégias de ensino: uma baseada no uso de artigos científicos [16, 17] e a outra baseada em estudo de casos [18].

Descreveremos a seguir os sujeitos da pesquisa, o processo de implementação dos blogs e os instrumentos de coleta de dados empregados.

3.1 Caracterização dos Sujeitos da Pesquisa

Foram tomados como sujeitos da pesquisa, a profes-sora, o estagiário e os 60 alunos matriculados na discipli-na de Comunicação e Expressão em Linguagem Científi-ca II, distribuídos na Turma 1 e Turma 2.

Dentre os 60 alunos tomados como sujeitos desta pes-quisa, 28 (46,7%) são do sexo feminino e 32 (53,3%) do sexo masculino, com idade média de 19 anos; 26 são alunos da Turma 1 e 34 alunos da Turma 2. Sendo que 49 deles (81,6%) responderam a um questionário de caracte-rização. Apresentamos abaixo as principais informações obtidas por intermédio das respostas dos alunos ao ques-tionário.

Com relação ao acesso dos alunos a microcomputado-res e à Internet, podemos afirmar que todos os alunos possuem acesso garantido, pois na Instituição existe uma sala onde se encontram alocados computadores com conexão com a Internet, destinados aos alunos de gradua-ção.

A análise das respostas apresentadas à questão de múltipla escolha “Com que objetivos você utiliza a Inter-net?” aponta para um equilíbrio nas porcentagens das respostas, que correspondem a 29,4% no emprego da Internet para utilização de E-mail, 26,1% para entreteni-mento, 25,5% como ferramenta de auxílio para resolução de exercícios e trabalhos solicitados no curso e 19,0% para participação em comunidades virtuais. Cabe ressal-tar que alguns alunos assinalaram mais de uma opção, demonstrando que a Internet tem sido utilizada para di-versos tipos de tarefas, entre elas, as educacionais e as de

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participações em comunidades virtuais. Em comparação aos resultados obtidos por Ribeiro [19] na aplicação da mesma questão, para caracterização dos sujeitos de sua pesquisa, observamos uma diferença significativa na participação dos alunos em comunidades virtuais, pois, na ocasião, nenhum aluno afirmou utilizar a Internet com esse objetivo.

Com o intuito de conhecer as percepções dos alunos com relação ao uso da Internet, a seguinte pergunta tam-bém fez parte do questionário: “Qual das afirmativas poderia traduzir melhor sua relação com a Internet?”. Foram oferecidas as seguintes opções: Não me sinto confortável ao utilizar; Consigo apenas os resultados que necessito; Quase sempre consigo mais do que esperava; Sinto-me completamente confortável ao utilizar. As res-postas sugerem que apenas 6,0% dos alunos não se sen-tem confortáveis em utilizar a Internet, enquanto que 2,0% conseguem apenas os resultados que necessitam e os demais (92,0%) conseguem mais do que necessitam ou se sentem completamente confortáveis em utilizar a In-ternet. Conforme constatam Weaver [20] e Queiroz [21], o fato dos alunos se sentirem confortáveis no que diz respeito à utilização da Web é um requisito facilitador na implementação de uma ferramenta de apoio baseada na Web. Sendo que, sessões tutoriais sobre o uso da Web ou da ferramenta, podem vir a auxiliar os estudantes a de-senvolver o sentimento de conforto com o uso do meio.

3.2 Processo de Implementação dos Blogs

O processo de implementação dos blogs foi realizado em duas etapas de acordo com as estratégias de ensino utilizadas na disciplina.

Cabe esclarecer que a primeira estratégia envolveu, por parte dos alunos, atividades de busca, escolha, leitura e a discussão de artigos científicos, de preparação de uma apresentação oral, de um painel e de um texto sobre o seu conteúdo. A segunda estratégia envolveu atividades de resolução de casos investigativos, de preparação de uma apresentação oral sobre a resolução encontrada, de pro-dução de um texto sobre o assunto envolvido no caso, e de produção de um diário do caso, que deveria deixar claro ao leitor o processo que conduzira os alunos à reso-lução do caso, incluindo informações obtidas neste pro-cesso e reflexões sobre o seu andamento. Cabe ainda esclarecer que os casos são narrativas sobre indivíduos enfrentando decisões ou dilemas, sendo um método que oferece aos estudantes a oportunidade de direcionar sua própria aprendizagem, enquanto exploram a ciência en-volvida em situações relativamente complexas [18].

Na primeira etapa de implementação, os blogs servi-ram como ferservi-ramenta de auxílio para as buscas dos arti-gos científicos por meio de uma página estática, contida

nos blogs, com links para revistas eletrônicas. As ativida-des extraclasse, a apresentação oral, o painel e o texto foram entregues por meio de publicação nos blogs.

Na segunda etapa de implementação, os blogs servi-ram como o local para a publicação do diário do caso. A apresentação oral e o texto também foram entregues por meio de publicação nos blogs. A adaptação dos ambien-tes de blogs às características inerenambien-tes às estratégias aplicadas na disciplina fez-se necessária. Em ambas as etapas os blogs foram adaptados de forma a viabilizar a publicação das atividades extraclasse, de reflexões sobre o processo de ensino-aprendizagem e de comentários por parte da professora, do estagiário e dos alunos. Guias com instruções para realização das atividades, informa-ções sobre os horários de monitoria, acesso a links de sites de busca e links de revistas eletrônicas também foram disponibilizadas.

No primeiro dia de aula a professora fez a apresenta-ção do curso, os alunos foram informados sobre as estra-tégias de ensino que vinham sendo utilizadas na discipli-na e sobre a implementação do uso de blogs, que seria feita naquele semestre. A professora apresentou o crono-grama da disciplina e informou que as atividades do se-mestre seriam divididas em duas partes, nas quais os alunos trabalhariam com atividades relacionas às estraté-gias citadas anteriormente. Ainda no primeiro dia de aula a professora formou grupos de trabalho (3 a 5 membros por grupo), o estagiário entregou o endereço eletrônico do blog de cada grupo e as senhas de cada membro dos grupos e esclareceu a forma como o acesso ao blog seria efetuado para realização das atividades extraclasse que seriam solicitadas durante todo o semestre. O procedi-mento de postagem foi explicado por meio da apresenta-ção da área existente nos blogs para escrita, mais conhe-cida como editor de mensagens ou postagens e da simu-lação de publicação de uma atividade.

Durante o semestre letivo os alunos publicaram nos blogs as atividades extraclasse relativas às estratégias de ensino, as apresentações e os painéis elaborados, suas reflexões e comentários.

Ao final do semestre os alunos responderam a um questionário relacionado ao uso e à aceitação dos blogs.

3.3 Instrumentos de Coleta de Dados

A coleta de dados foi realizada por meio: • das publicações realizadas nos blogs;

• da aplicação de questionário de avaliação da aceita-ção do uso dos blogs pelos alunos.

O questionário de avaliação da aceitação do uso dos blogs pelos alunos foi aplicado no final do semestre

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leti-vo e visou obter informações acerca das suas percepções sobre a Utilidade Percebida e Facilidade Percebida dos blogs. Nele estavam contidas as seis afirmações, apresen-tadas no Quadro 1, que deveriam ser classificadas em uma escala tipo Likert com cinco pontos, variando entre “Concordo Fortemente” e “Discordo Fortemente”.

Fizemos a análise dos dados obtidos com o objetivo de tecer considerações sobre a aceitação dos blogs pelos alunos.

4. Resultados e Discussão

4.1 Análise da utilização dos blogs

Verificamos nos blogs das duas turmas um total de 1107 mensagens, sendo que 50,1% (555 mensagens) foram publicadas nos blogs da Turma 1 e 49,9% (552 mensagens) foram publicadas nos blogs da Turma 2. Vale lembrar que essas mensagens foram publicadas pelos alunos, pela professora e pelo estagiário, durante um semestre letivo.

A seguir apresentamos as classificações dessas men-sagens em relação à autoria, ao tipo de mensagem e ao horário, dia e mês em que foram publicadas nos blogs.

4.1.1 Mensagens publicadas de acordo com a autoria

As Figuras 2 e 3 mostram os gráficos da frequência de mensagens publicadas de acordo com a autoria (alunos em publicação individual, alunos em publicação coletiva, professora e estagiário) nos blogs das Turmas 1 e 2, res-pectivamente.

Autoria das mensagens - Turma 1

34 6% 413 74,4% 38 6,8% 70 12,6%

Alunos - Individualmente Alunos - Coletivamente Professora Estagiário

Figura 2 – Frequência das mensagens publicadas de acordo com a

autoria nos blogs da Turma 1.

Autoria das mensagens - Turma 2

56 10% 40 7,2% 64 11,6% 392 71,0%

Alunos - Individualmente Alunos - Coletivamente Professora Estagiário

Figura 3 – Frequência das mensagens publicadas de acordo com a

autoria nos blogs da Turma 2.

A comparação dos gráficos apresentados nas Figuras 2 e 3 revela que, em ambas as turmas, a maioria das men-sagens foi publicada pelos alunos individualmente, se-guidas pelas mensagens publicadas pelos alunos coleti-vamente – mensagens publicadas em nome dos grupos. Totalizando assim, 87% e 82,6% de publicações realiza-das pelos alunos – individualmente e coletivamente – nos blogs das Turmas 1 e 2, respectivamente.

As Tabelas 1 e 2 apresentam a estatística descritiva dos dados relativos às mensagens publicadas pelos alunos individualmente, pelos alunos coletivamente, pela profes-sora e pelo estagiário nos blogs das Turmas 1 e 2, respec-tivamente.

Tabela 1 – Estatística descritiva das mensagens publicadas nos blogs da

Turma 1, de acordo com a autoria.

Autores T1 Média Mediana Moda Mínimo Máximo Desvio Padrão

Alunos - Individualmente 15,88 16 16 6 28 4,82 Alunos - Coletivamente 10 10 10 4 19 4,90 Professora 5,43 6 6 2 9 2,58 Estagiário 4,86 5 6 3 6 1,34

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Tabela 2 – Estatística descritiva das mensagens publicadas nos blogs da

Turma 2, de acordo com a autoria.

Autores T2 Média Mediana Moda Mínimo Máximo Desvio Padrão

Alunos - Individualmente 11,53 11,5 15 2 19 4,49 Alunos - Coletivamente 9,14 7 6 4 16 4,49 Professora 5,71 6 6 4 8 1,25 Estagiário 8 8 8 7 10 1

Os dados apresentados nas Tabelas 1 e 2 mostram que na Turma 1, em relação às mensagens publicadas pelos alunos individualmente, a média de mensagens por aluno foi de aproximadamente 16, enquanto que na Turma 2, a média foi de aproximadamente 11 mensagens por aluno. Quanto aos desvios padrões, esses mostram que, tanto na Turma 1 quanto na Turma 2, os níveis de variabilidade foram semelhantes em termos de mensagens publicadas por alunos individualmente, indicando que a maioria (aproximadamente 70%) da quantidade de mensagens publicadas por esses autores, nas Turmas 1 e 2, variou respectivamente de 4,82 e 4,49 unidades acima ou abaixo da média. Um olhar sobre os valores de mínimo e máxi-mo, revela que a quantidade mínima de mensagens publi-cadas por alunos individualmente na Turma 1 foi de 6 mensagens e a máxima de 28 mensagens, enquanto que na Turma 2, foi de no mínimo 2 e no máximo 19 mensa-gens publicadas individualmente. Quanto aos valores das modas, esses revelam a quantidade mais repetida de men-sagens, sendo que, em ambas as turmas, a maior repetição se deu por 7 valores iguais. Portanto, 7 alunos publicaram 16 mensagens na Turma 1 e a mesma quantidade de alu-nos publicou 15 mensagens na Turma 2.

Embora as quantidades de mensagens publicadas por alunos individualmente nos blogs de ambas as turmas, apresentadas nos gráficos das Figuras 2 e 3, tenham sido muito próximas, os dados apresentados nas Tabelas 1 e 2 nos revelaram uma pequena diferença nas quantidades de publicações individuais dos alunos entre as turmas, sendo que na Turma 1 – que possuía menos alunos que a Turma 2 – cada aluno publicou em média uma quantidade um pouco maior de mensagens em comparação a quantidade de mensagens publicadas individualmente pelos alunos na Turma 2. Considerando que em ambas as turmas as condições de aplicação dos blogs foram semelhantes, esperávamos que, na turma com mais alunos ocorressem mais publicações, porém, a observação contrária à nossa hipótese sugere que a quantidade de publicação dos alu-nos alu-nos blogs depende também de alguns fatores subjeti-vos, tais como a motivação e o interesse dos alunos parti-cipantes.

Em relação às mensagens publicadas pelos alunos

co-letivamente, os dados mostram que a média de mensa-gens publicadas foi de aproximadamente 10 mensamensa-gens coletivas por blog na Turma 1 e de aproximadamente 9 mensagens coletivas por blog na Turma 2. Quanto aos desvios padrões, esses mostram que, tanto na Turma 1 quanto na Turma 2, os níveis de variabilidade foram semelhantes em termos de mensagens publicadas pelos alunos coletivamente, indicando que a maioria (aproxi-madamente 70%) da quantidade de mensagens publicadas por esses autores, nas Turmas 1 e 2, variou respectiva-mente de 4,90 e 4,49 unidades acima ou abaixo da média. Os valores de mínimo e máximo, revelam que a quanti-dade mínima de mensagens publicadas por alunos coleti-vamente na Turma 1 foi de 4 mensagens e a máxima de 19 mensagens, enquanto que na Turma 2, foi de no mí-nimo 4 e no máximo 16 mensagens publicadas coletiva-mente.

Em relação às mensagens publicadas pela professora, os dados mostram que a média de mensagens publicadas foi de aproximadamente 5 mensagens por blog na Turma 1 e de aproximadamente 6 mensagens por blog na Turma 2.

Em relação às mensagens publicadas pelo estagiário, os dados mostram que a média de mensagens publicadas foi de aproximadamente 5 mensagens por blog na Turma 1 e de aproximadamente 8 mensagens por blog na Turma 2.

A partir dos dados concernentes à publicação das mensagens em relação à autoria, observamos que os blogs foram mais utilizados pelos alunos, tanto individu-almente quanto coletivamente. Este fato corrobora a con-clusão do trabalho realizado por Xaviera, Kreutz e Lebe-deff [22] de que as ferramentas Web 2.0, entre elas as ferramentas de blogs [23], podem ser utilizadas com o fim educativo de desenvolver a autoria alicerçada em conceitos de colaboração e de autonomia, decorrentes da potencialização da participação ativa dos aprendizes no processo de ensino e aprendizagem [24].

4.1.2 Tipos de mensagens publicadas

Os blogs foram adaptados de forma a viabilizar a pu-blicação de atividades extraclasse, de reflexões sobre o processo de ensino-aprendizagem e de comentários por parte da professora, do estagiário e dos alunos.

Como forma de organização, as publicações de men-sagens nos blogs estavam condicionadas à escolha de categorias.

Para a realização desta análise, agrupamos algumas categorias utilizadas, em relação aos seguintes tipos de mensagens: Atividades, Reflexões e Comentários.

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mensagens, em cada turma, de acordo com essa tipifica-ção.

Tipos de mensagens - Turma 1

88 15,9% 270 48,6% 197 35,5%

Atividades Reflexões Comentários

Figura 4 – Frequência das mensagens em relação aos tipos de

mensa-gens publicadas nos blogs da Turma 1.

Tipos de mensagens - Turma 2

114 20,7% 154 27,9% 284 51,4%

Atividades Reflexões Comentários

Figura 5 – Frequência das mensagens em relação aos tipos de

mensa-gens publicadas nos blogs da Turma 2.

A comparação dos gráficos apresentados nas Figuras 4 e 5 revela uma quantidade maior de publicação de men-sagens do tipo de Atividades, tanto nos blogs da Turma 1 (48,6%) quanto nos blogs da Turma 2 (51,4%). A publi-cação de mensagens do tipo de Reflexões foi o segundo tipo de mensagem registrada em quantidade, em ambas as turmas, representando respectivamente 35,5% e 27,9% das mensagens publicadas nos blogs das Turmas 1 e 2. O tipo de mensagem de Comentários representou 15,9% e 20,7% das publicações feitas nos blogs das Turmas 1 e 2, respectivamente.

Na próxima seção encontram-se indicados os tipos de mensagens que foram publicadas pelos diferentes autores.

4.1.3 Relação entre a autoria e os tipos das mensagens

As Figuras 6 e 7 ilustram por meio gráfico a quanti-dade de mensagens em cada turma, relacionando a auto-ria ao tipo de mensagem.

Tipos de mensagens por autor - Turma 1

205 65 2 195 34 38 3 13 0 75 150 225 Alunos -Individualmente Alunos -Coletivamente Professora Estagiário Autores Q u a n ti d a d e d e m e n s a g e n s

Atividades Reflexões Comentários

Figura 6 – Quantidade de mensagens publicadas em relação aos tipos e

a autoria das mesmas, nos blogs da Turma 1.

Tipos de mensagens por autor - Turma 2

222 62 1 153 56 40 1 17 0 75 150 225 Alunos -Individualmente Alunos -Coletivamente Professora Estagiário Autores Q u a n ti d a d e d e m e n s a g e n s

Atividades Reflexões Comentários

Figura 7 – Quantidade de mensagens publicadas em relação aos tipos e

a autoria das mesmas, nos blogs da Turma 2.

A análise comparativa dos gráficos apresentados nas Figuras 6 e 7 revela que, tanto nos blogs da Turma 1 quanto nos blogs da Turma 2, a autoria das mensagens por parte dos alunos individualmente esteve relacionada aos três tipos de mensagens citados anteriormente, sendo que os tipos de mensagens de Atividades e Reflexões destacam-se em frequência de publicação por esses auto-res. A autoria por parte dos alunos coletivamente baseou-se quabaseou-se que totalmente no tipo de mensagem de

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Ativi-dades. Essas observações em relação às publicações dos alunos – individualmente ou coletivamente – caracteri-zam, em sua maior parte, o uso dos blogs para o registro das suas atividades. Quanto à autoria das mensagens por parte da professora e do estagiário, essas se deram em totalidade no tipo de mensagens de Comentários.

Estes dados, concernentes aos tipos de mensagens pu-blicadas em relação aos autores das mesmas, confirmam o uso dos blogs pelos alunos principalmente para publi-cação de atividades que envolveram pesquisa e escrita, indicando o seu uso de acordo com a modalidade de blog de Aprendizado definida por Brownstein e Klein [25].

A professora utilizou-se dessas mensagens para os pa-receres (feedbacks) das atividades dos alunos e o estagiá-rio utilizou-se para administrar os prazos das publicações das atividades por meio de avisos aos alunos, reforçando o uso do blog como um ambiente de participação de to-dos os sujeitos envolvito-dos no processo de ensino-aprendizagem [26].

A próxima seção indica a quantidade de mensagens publicadas por mês nas Turmas 1 e 2.

4.1.4 Mensagens publicadas por mês

As Figuras 8, 9, 10 e 11 mostram a quantidade de mensagens publicadas durante os meses de atividades nas Turmas 1 e 2, respectivamente.

Mensagens por mês - Turma 1

262 113 84 60 36 0 50 100 150 200 250 300

Agosto Setembro Outubro Novembro Dezembro

Q u a n ti d a d e d e m e n s a g e n s

Figura 8 – Gráfico da quantidade de mensagens publicadas por mês nos

blogs da Turma 1.

Tipos de mensagens por mês - Turma 1

57 1 14 11 5 114 42 35 48 31 91 70 35 0 1 0 20 40 60 80 100 120

Agosto Setembro Outubro Novembro Dezembro

Q u a n ti d a d e d e m e n s a g e n s

Comentários Atividades Reflexões

Figura 9 – Gráfico da quantidade de mensagens publicadas por mês nos

blogs da Turma 1, de acordo com a categoria.

Mensagens por mês - Turma 2

31 95 86 47 293 0 50 100 150 200 250 300 350

Agosto Setembro Outubro Novembro Dezembro

Q u a n ti d a d e d e m e n s a g e n s

Figura 10 – Gráfico da quantidade de mensagens publicadas por mês

nos blogs da Turma 2.

Tipos de mensagens por mês - Turma 2

69 1 23 14 7 107 33 39 81 24 117 13 24 0 0 0 20 40 60 80 100 120

Agosto Setembro Outubro Novembro Dezembro

Q u a n ti d a d e d e m e n s a g e n s

Comentários Atividades Reflexões

Figura 11 – Gráfico da quantidade de mensagens publicadas por mês

(9)

Os gráficos apresentados nas Figuras 8, 9, 10 e 11 in-dicam que a maior parte das mensagens de Comentários, Atividades e Reflexões foi publicada no primeiro mês da disciplina, sendo este o mês em que os blogs foram mais utilizados. Essas publicações se deram, em geral, em respostas dos alunos e em feedback de respostas por parte da professora em relação a uma atividade de escolha de artigos científicos concernente à estratégia de ensino utilizada na primeira parte do semestre. Na segunda parte do semestre foram realizadas atividades relacionadas à estratégia de ensino com estudo de casos. Provavelmente a quantidade maior de publicação é devido ao tipo de atividades realizadas na primeira parte do semestre que tiveram a característica mais prescritivas do que as ativi-dades realizadas na segunda metade do semestre com uso de estudos de casos. Fato que nos leva a acreditar que atividades mais prescritivas e que exigem feedback do professor para sua conclusão geram mais publicações e melhor uso dos recursos dos blogs.

A próxima seção indica a quantidade de mensagens publicadas por dia da semana nos blogs das Turmas 1 e 2.

4.1.5 Mensagens publicadas por dia da semana

As Figuras 12 e 13 mostram os gráficos da frequência de mensagens publicadas por dia da semana nos blogs das Turmas 1 e 2, respectivamente.

Mensagens por dia da semana - Turma 1

159 28% 115 21% 84 15% 55 10% 38 7% 50 9% 54 10%

Seg Ter Qua Qui Sex Sab Dom

Figura 12 – Gráfico da quantidade de mensagens publicadas por dia da

semana nos blogs da Turma 1.

Os gráficos apresentados nas Figuras 12 e 13 mostram que na Turma 1, em que as aulas presenciais aconteciam às quintas-feiras na parte da manhã, foi publicada uma quantidade maior de mensagens nas segundas-feiras (28%) e uma quantidade menor de publicação nas sextas-feiras (7%) e nos sábados (9%). Na Turma 2, em que as aulas presenciais aconteciam às segundas-feiras na parte da manhã, foi publicada uma quantidade maior de

men-sagens nas quintas-feiras (25%) e uma quantidade menor de publicação nos sábados (8%) e nos domingos (7%).

Mensagens por dia da semana - Turma 2

87 16% 82 15% 81 15% 141 25% 77 14% 45 8% 39 7%

Seg Ter Qua Qui Sex Sab Dom

Figura 13– Gráfico da quantidade de mensagens publicadas por dia da

semana nos blogs da Turma 2.

Estes dados nos relevam que os alunos tiveram opor-tunidade de publicar suas mensagens em qualquer dia, inclusive aos finais de semana. Segundo Schöninger e Sartori [27] o blog oferece muitas vantagens por ser um dispositivo de comunicação que não necessita de intera-ção síncrona, ou seja, o aluno o acessa quando tem opor-tunidade ou acha mais conveniente, não havendo necessi-dade de horário marcado, nem encontro presencial.

4.1.6 Mensagens publicadas por horário do dia

As Figuras 14 e 15 mostram a quantidade de mensa-gens publicadas por horário do dia nos blogs da Turma 1 e 2, respectivamente.

Mensagens por horário do dia - Turma 1

70 46 52 60 51 18 1 11 7 4 5 3 10 53 13 19 39 22 37 18 0 20 40 60 80 BG1 BG2 BG3 BG4 BG5 BG6 BG7 Blogs Q u a n ti d a d e d e M e n s a g e n s 8-18hs 18-24hs 0-8hs

Figura 14 – Gráfico da quantidade de mensagens publicadas por blog

de grupo de alunos (representados pelas abreviações BG1 a BG7) da Turma 1, de acordo com o horário do dia.

(10)

Mensagens por horário do dia - Turma 2 52 63 65 44 56 51 31 29 23 39 17 31 23 11 4 1 3 5 2 0 2 0 20 40 60 80 BG1 BG2 BG3 BG4 BG5 BG6 BG7 Blogs Q u a n ti d a d e d e M e n s a g e n s 8-18hs 18-24hs 0-8hs

Figura 15 – Gráfico da quantidade de mensagens publicadas por blog

de grupo de alunos (representados pelas abreviações BG1 a BG7) da Turma 2, de acordo com o horário do dia.

Os gráficos apresentados nas Figuras 14 e 15 mostram que tanto na Turma 1 quanto na Turma 2 o horário do dia em que houve uma quantidade maior de publicações foi das 8-18hs, sendo que em todos os grupos de alunos esta foi a faixa de horário mais utilizada para publicações. A faixa de horário das 18-24hs também apresentou uma quantidade significativa de publicações, sendo a segunda faixa de horário mais utilizado em todos os grupos. Estes dados nos relevam que os alunos tiveram oportunidade de publicar suas mensagens em qualquer horário do dia, inclusive no horário das 0 às 8 horas.

Concluímos, a partir dos dados relacionados aos dias e horários de publicação, que iniciativas implementadas pela Web, como esta de utilização de blogs, aumentam o tempo de contato entre o aluno e a disciplina, à medida que permitem interações a qualquer dia e horário ainda que os sujeitos (alunos, professores e estagiários) não se encontrem na Universidade.

4.2 Análise da aceitação dos blogs

4.2.1 Avaliação quantitativa da aceitação dos alunos quanto aos blogs

Conforme mencionado anteriormente, aplicamos um questionário para avaliação da aceitação dos alunos quan-to aos blogs. As afirmações que dizem respeiquan-to à aceita-ção dos blogs foram elaboradas tomando por base o tra-balho de Ribeiro [19] que utilizou o Modelo de Aceitação da Tecnologia (MAT) adaptado por Selim [12] para ava-liar a aceitação de websites como ferramenta de ensino.

Para a quantificação e a análise das respostas

apresen-tadas pelos alunos, utilizamos a escala Likert de 5 pontos com as alternativas: “Concordo Fortemente”, “Concor-do”, “Indeciso”, “Discor“Concor-do”, “Discordo Fortemente”.

Os dados resultantes da aplicação do questionário, de uma forma geral, foram distribuídos segundo a ocorrência das alternativas escolhidas nas questões. Esse tipo de tratamento tem como principal meta fornecer parâmetros genéricos de análise e indicar tendências gerais sobre a aceitação dos blogs.

O questionário de avaliação foi composto por 6 afir-mações relacionadas à utilidade e ao uso dos blogs. Abai-xo se encontram elencadas estas afirmações:

1) A utilização do blog nesta disciplina é relevante. 2) A utilização do blog deve ser mantida nas próximas edições da disciplina.

3) As instruções contidas nos blogs foram úteis para a realização das atividades.

4) Eu acho o blog fácil de usar.

5) É fácil para eu obter as informações sobre a disci-plina pelo blog.

6) É fácil interagir com meus colegas e com a profes-sora por meio do blog.

Cabe destacar que as três primeiras afirmações (1-3) se enquadram no construto Utilidade Percebida do MAT, enquanto as outras três afirmações (4-6) se enqua-dram no construto Facilidade Percebida do MAT.

A partir da análise das respostas dadas ao questionário foram destacados os aspectos da ferramenta de blog ava-liados positiva e negativamente pelos usuários. Desta forma, foram adquiridos indícios sobre a aceitação dos blogs pelos alunos da disciplina, e sua viabilidade de uso como ferramenta no ensino. Na Turma 1, dentre os 26 alunos participantes, 25 responderam ao questionário de avaliação.

Com relação às afirmações que versam sobre a utili-dade e o uso dos blogs na Turma 1, a análise das respos-tas dos alunos nos permitiu construir os gráficos ilustra-dos nas Figuras 16 e 17.

No gráfico ilustrado na Figura 16, para a afirmação de número 1, que trata da relevância da utilização do blog na disciplina, verificou-se que 56% dos alunos registraram respostas favoráveis, dentro das categorias “Concordo” (36%) e “Concordo Fortemente” (20%). Enquanto que 12% dos alunos se apresentaram indecisos e 32% regis-traram respostas desfavoráveis, dentro das categorias “Discordo” (20%) e “Discordo Fortemente” (12%).

Para a afirmação de número 2, que trata de manter o blog nas próximas edições da disciplina, verificou-se que 76% dos alunos registraram respostas favoráveis, dentro

(11)

das categorias “Concordo” (32%) e “Concordo Fortemen-te” (44%). Esta afirmação não gerou indecisão por parte dos alunos e dos 24% que registraram respostas desfavo-ráveis, 12% discordaram e os outros 12% discordaram fortemente. Analisando os dados das afirmações 1 e 2 da Turma 1, observamos que alguns dos alunos que não concordaram com a relevância da utilização dos blogs ou estavam indecisos na resposta à primeira afirmação, con-cordaram em mantê-lo na disciplina. Acreditamos que o fato de uma quantidade considerável dos alunos concor-dar em manter o uso dos blogs na disciplina sugere que a maioria deles considerou a utilização dos blogs importan-te, embora não a tenha considerado essencial para o bom andamento da disciplina.

Para a afirmação de número 3, que trata do auxílio das instruções contidas no blog para a realização das ativida-des propostas na disciplina, verificou-se que 84% dos alunos registraram respostas favoráveis, dentro das cate-gorias “Concordo” (40%) e “Concordo Fortemente” (44%), sugerindo que um número considerável de alunos acredita no auxílio das instruções contidas no blog para a realização das atividades. Cabe destacar que nenhum aluno discordou fortemente desta afirmação.

Utilidade Percebida (UP) - Turma 1

0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50 Discordo Fortemente

Discordo Indeciso Concordo Concordo Fortemente

1) A utilização do blog nesta disciplina é relevante. 2) A utilização do blog deve ser mantida nas próximas edições da disciplina. 3) As instruções contidas nos blogs f oram úteis para a realização das atividades. %

Figura 16 – Gráfico das respostas da avaliação quantitativa da

aceita-ção dos alunos quanto aos blogs da Turma 1 relativas às questões sobre o construto Utilidade Percebida.

Figura 17– Gráfico das respostas da avaliação quantitativa da aceitação

dos alunos quanto aos blogs da Turma 1 relativas às questões sobre o construto Facilidade Percebida.

No gráfico da Figura 17, para a afirmação de número 4, que trata da facilidade do uso do blog, verificou-se que 88% dos alunos registraram respostas favoráveis, dentro das categorias “Concordo” (24%) e “Concordo Fortemen-te” (64%), sugerindo que um número considerável de alunos acredita na facilidade de uso do blog.

Para a afirmação de número 5, que trata da facilidade em se obter as informações sobre a disciplina pelo blog, verificou-se 96% dos alunos registraram respostas favo-ráveis, dentro das categorias “Concordo” (48%) e “Con-cordo Fortemente” (48%), sugerindo que um número considerável de alunos obteve facilmente informações sobre a disciplina via blog.

Por fim, para a afirmação de número 6, que trata da facilidade de interação com os colegas e com a professora por meio do blog, verificou-se que 84% dos alunos regis-traram respostas favoráveis, dentro das categorias “Con-cordo” (52%) e “Concordo Fortemente” (32%), sugerin-do que um número considerável de alunos interagiu fa-cilmente com os colegas e com a professora por meio do blog.

Na Turma 2, dentre os 34 alunos participantes, 28 responderam ao questionário de avaliação.

Com relação às afirmações que versam sobre o uso do blog na Turma 2, a análise das respostas dos alunos nos permitiu construir os gráficos ilustrados nas Figuras 18 e 19.

(12)

Utilidade Percebida (UP) - Turma 2 0 10 20 30 40 50 60 Discordo Fortemente

Discordo Indeciso Concordo Concordo Fortemente

1) A utilização do blog nesta disciplina é relevante. 2) A utilização do blog deve ser mantida nas próximas edições da disciplina. 3) As instruções contidas nos blogs foram úteis para a realização das atividades. %

Figura 18 – Gráfico das respostas da avaliação quantitativa da

aceita-ção dos alunos quanto aos blogs da Turma 2 relativas às questões sobre o construto Utilidade Percebida.

No gráfico da Figura 18, para a afirmação de número 1, que trata da relevância da utilização do blog na disci-plina, verificou-se que aproximadamente 53,5% dos alu-nos registraram respostas favoráveis, dentro das categori-as “Concordo” (aproximadamente 21,4%) e “Concordo Fortemente” (aproximadamente 32,1%). Enquanto que aproximadamente 14,3% dos alunos se apresentaram indecisos e aproximadamente 32,1% registraram respos-tas desfavoráveis, dentro das categorias “Discordo” (25%) e “Discordo Fortemente” (7,1%). Em comparação com o gráfico da Figura 16 das respostas da Turma 1, percebemos que os alunos da Turma 2 tiveram uma por-centagem maior de respostas que concordam fortemente, sendo que aproximadamente 32,1% dos alunos concor-dam fortemente com essa afirmação e aproximaconcor-damente 21,4% dos alunos apenas concordam. Na Turma 1, apesar de 56% dos alunos apresentarem respostas favoráveis, aproximadamente 36% deles apenas concordaram e 20% deles concordaram fortemente com essa afirmação.

Para a afirmação de número 2, que trata de manter o blog nas próximas edições da disciplina, verificou-se que aproximadamente 60,7% dos alunos registraram respostas favoráveis, dentro das categorias “Concordo” (aproxima-damente 17,8%) e “Concordo Fortemente” (aproximada-mente 42,9%). Analisando os dados das afirmações 1 e 2 da Turma 2, observamos que, em geral, os alunos que concordaram com a relevância da utilização dos blogs concordaram em mantê-lo na disciplina.

Para a afirmação de número 3, que trata do auxílio das instruções contidas no blog para a realização das ativida-des propostas na disciplina, verificou-se que aproxima-damente 89,3% dos alunos registraram respostas favorá-veis, dentro das categorias “Concordo” (aproximadamen-te 39,3%) e “Concordo For(aproximadamen-temen(aproximadamen-te” (aproximadamen(aproximadamen-te 50%), sugerindo que um número considerável de alunos

acredita no auxílio das instruções contidas no blog para a realização das atividades.

Figura 19 – Gráfico das respostas da avaliação quantitativa da

aceita-ção dos alunos quanto aos blogs da Turma 2 relativas às questões sobre o construto Facilidade Percebida.

No gráfico da Figura 19, para a afirmação de número 4, que trata da facilidade do uso do blog, verificou-se que aproximadamente 96,4% dos alunos registraram respostas favoráveis, dentro das categorias “Concordo” (aproxima-damente 46,4%) e “Concordo Fortemente” (aproximada-mente 50%), sugerindo que quase todos os alunos que responderam ao questionário tiveram facilidade de uso do blog.

Para a afirmação de número 5, que trata da facilidade em se obter as informações sobre a disciplina pelo blog, verificou-se que mais de 78,6% dos alunos registraram respostas favoráveis, dentro das categorias “Concordo” (aproximadamente 35,7%) e “Concordo Fortemente” (aproximadamente 42,9%), sugerindo que um número considerável de alunos obteve facilmente informações sobre a disciplina pelo blog.

Por fim, para a afirmação de número 6, que trata da facilidade de interação com os colegas e com a professora por meio do blog, verificou-se que aproximadamente 78,6% dos alunos registraram respostas favoráveis, den-tro das categorias “Concordo” (aproximadamente 42,9%) e “Concordo Fortemente” (aproximadamente 35,7%). Vale ressaltar que aproximadamente 14,3% dos alunos responderam como indecisos, e, portanto, o fato de ape-nas dois alunos terem discordado, sugere que um número considerável de alunos teve facilidade de interação com os colegas e com a professora por meio do blog.

Os resultados da avaliação quantitativa em relação à utilidade dos blogs registraram uma quantidade conside-rável de respostas favoráveis em ambas as turmas, isso nos leva a concordar com Baltazar e Germano [28] quan-do concluem que os blogs podem ter uma dimensão

(13)

pe-dagógica, podendo ser uma ferramenta útil no ensino. A facilidade de uso dos blogs registrou respostas fa-voráveis de um número considerável de alunos em ambas as turmas. Este resultado está de acordo com vários ou-tros trabalhos da literatura que citam a facilidade de uso dessa ferramenta e pode ser comparado ao resultado obti-do no trabalho de Barbosa e Serrano [29], no qual, de 271 respostas aos questionários aplicados pelos autores aos alunos que já haviam utilizado blogs em suas disciplinas, 88,19% consideraram o uso da ferramenta de blog fácil.

A facilidade de interação com os colegas e com a pro-fessora por meio dos blogs também registrou respostas favoráveis de um número considerável de alunos em ambas as turmas. Este resultado corrobora as conclusões obtidas no trabalho de Baltazar e Germano [28], no qual se verificou que os blogs foram considerados uma ferra-menta de interação entre todos os componentes de uma turma, responsável por criar uma relação menos autoritá-ria entre professor e alunos no ambiente de ensino.

5. Considerações Finais

A análise da utilização e aceitação de blogs pelos es-tudantes matriculados nas turmas da disciplina nos permi-te permi-tecer as seguinpermi-tes considerações:

• a autoria nos blogs se deu em maior parte pelos alunos, os tornando mais ativos nos processo de ensino-aprendizagem;

• o tipo de mensagem de Atividades (relacionadas às tarefas exigidas na disciplina) destacou-se em frequência de publicação por parte dos alunos, revelando o uso dos blogs pelos alunos como ferramenta que pode contribuir para o aprendizado;

• a professora e o estagiário foram os sujeitos que mais publicaram mensagens de Comentários. A professora utilizou-se dessas mensagens para os pareceres (feed-backs) das atividades dos alunos e o estagiário utilizou-se para administrar os prazos das publicações das atividades por meio de avisos aos alunos, ambos contribuindo para a criação de um ambiente de colaboração no processo ensi-no-aprendizagem;

• a quantidade de mensagens publicadas por mês nos blogs variou com o tipo de atividades realizadas de acor-do com as estratégias de ensino utilizas na disciplina, mostrando que atividades mais prescritivas e que exigem feedback do professor para sua conclusão geram mais publicações e melhor uso dos recursos dos blogs;

• os blogs possibilitaram interação por meio de publica-ção de mensagens de Atividades, Reflexões e

Comentá-rios em qualquer dia da semana e horário do dia;

• os blogs foram bem aceitos pelos alunos, que os avalia-ram como úteis e fáceis de usar, podendo ser considera-dos como ferramentas ou interfaces de apoio ao ensino presencial de emprego simples;

• o referencial utilizado na elaboração da ferramenta de avaliação da aceitação dos blogs pelos alunos (MAT) permitiu que se levasse a cabo uma avaliação convenien-te, mostrando-se um caminho enriquecedor para aplica-ção em trabalhos com incorporaaplica-ção de novas tecnologias em ambientes de ensino.

___________

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Imagem

Figura 1 – Os rótulos indicam os construtos considerados pelo Modelo  de  Aceitação  de  Tecnologia  e  as  setas  indicam  a  influência  de  um  construto em outro (Adaptada de Selim [12])
Figura  3  –  Frequência  das  mensagens  publicadas  de  acordo  com  a  autoria nos blogs da Turma 2
Tabela 2 – Estatística descritiva das mensagens publicadas nos blogs da  Turma 2, de acordo com a autoria
Figura 6 – Quantidade de mensagens publicadas em relação aos tipos e  a autoria das mesmas, nos blogs da Turma 1
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