ESTA
O,
REFORMA
DO
ESTADO
E
REFORMA
ADMINISTRATNA:
breves comenthrios
João
Paulo M.
Peixoto*
u pais, como no seu, h~mens pbbiim são orgulhosos de serem servidores do Estado, e se envergonha- serem os seus senhores.''
. . - - Churchill (&seu- p e m t e o Congresso Americano) ' , , h~:;i+.a-
camente;
nos 'Estados
Unidos como na Europa, o desenvolvimento do governo e da administração pública se deram em consequên- ovariaram ao longo de
uma oscilante cia de alteraçoes ocorridas na macroestmtura política. Ademais, na mudança do Estado ab- solutista para o democrático surgiram novas formas de vida governamental e adrninistrati-os.
Sustenta Harold Laski que "todo va, que vierâm viabilizar um novo modelo pa- ão do mundo moderno está sujeito a um lítirro-institucional,O dilema entre a que prega a Cumti- tuiçk e o que vicejou na prática,
no
que diz respeito aos poderes e a organização do go- vamo federal, não é um problma afeto unica- mente aos Estados Unidos.ESTADO, GOVERNO
E
A D ~ S T R A Ç Ã O PUBLICAque, na verdade, vem
um
pouco antes ( 1600)com a organização do Conselho de Estado, por Joachim Frederick. Em tempos mais se- centes (1 870), a Alemanha inspirou
n
agani- zação dos exércitos, os metodos de eduoaçao e o planejamento dos serviços sociais.Além da tradição hist~rica, dois fato- res devem ser levados em consideraçigci
na
moldagem de um sistema administrativo. O primeiro - de natureza geográfica - éa confi-
guração internado país,
que pode facilitar ou dificultar as comunicaç0es,e as
questoes da fronteira, Neste sentido, a administração in- glesa @e., a de um pequeno país, de dificíl acesso) é simples, se comparada com a da Fran- ça ou da Alemanha. O outra fhtor é o social - a natureza do sistema de classes, no qual aa t h i n i m tem que
atuar;
a alasse de onde o a d d - rp m & q
suei. posiçãee
h i q -
qaria s o d . S d o este úl'tmeum
fatorde
pri- m h g r a n d q qus pode dZerenck substan- , cialmmic m país cie outro.Barker chamava a atent$io para a
ne-
cessidade de
se
distinguir "administraçao" de"governo'"
principalmente
se forIbada
em
eonsiderqiio a relação destesdois
termos para com um tmefro, "Estado".Governo, do latim "gube~um", é
o
que controla oleme
da nau.
Consiste na c w junto dos hrgãos a que se acha entregue adi-
r q á o de um pais e, de modo especial,
no
6r-
gão supremo ao qual todos os outros se acham subordinados, e que pode ser uma pessoa ou Um gnipo de pessoas.Para
Bobbio (1993),as
atividdesad-
ministrativas podemser
&pe&nfes
aiusu-
bordinadasa
outras e controladas por estas(abstraindo-se
o
exame daquelas de Governo),as quis
d&ermimm
ou espe&cm
osfins
aatingir (políticas de
Governo), e
as exemti-I
' w,no
duplowntido
de
que matm uma es-11
colha
cru noma anterior, e de qw &oconti-
1I
nuidade a w~m8, ifi-trxvhio prn a amaem-I
,I I I
m
q
w
etawuw
pr6pria.s e e&ive&e ainda
pesmal
t-ecnitruiopmfi9i6malmerite
e temi-
m e n t e
qdificado. É a partir daqui quenas-
çem formas de orgstnizaçãh, autoincmas, regidas pormmas
própriase
uitérios iatemosde
aq& (especialmente no campo &i cantabiidade edas fbmtps), predispostas a atingir detemi- nados objetivos de caráter produtivo:
as
em-
presas.
Entade-se
que a M a s m oPíi-
b%aa
6 a parte da Cihcia da Administnqãoap@&
ELOsetor
públicoe ao
conjuntode ár-
L#os m m e g d o sda
realimçb dosbins es-
jks%ms
de
cada
esfera ~ s t d v a :fede-
conMdeid~
de
por
d o
de
todasas
mudanp
que orehg9me
demowBtico
deve re-;tllzar
pwiodimenm,
na &Irapolítica.
kAd-
mbistrm$oPúbli~a
pode ser:ol) cenfraiizacla, isto
e,
apresenta umahierarquizaflo orghíca,
na
qualo
poder lxmd se
h m b e d ' í m - te:dos
serviçospúblicos
eu do seu controle; em tal sistema admlnit~tm- tivo, caracterlstico dos E~tadosunitários, como a República da
França,
tantoa
administraçáo na- cional como asadministrações
lo-cais obedecem
$s;mesmas
diretri- zes, dentro dos mesmos padr6esadministrratfvos;
b)
&se8Hi&,quando ela
see&@ura
em
planos
-f e d d ,
esta--
dud
k
kudd$-
a r t i d d o s entre si, n wgozando
da autonomia
ne-cwisltfIa
paraadaptar-se B
natureza especificade
seus
problemas;
é o sistemacaracterístico
dos Estadosfederativo&
como
oBrasil,
O twmr, ''Est~o''
refere-se
fúndmm- tafmente à organizzqfio poííticada sociedade,
podedoser
usaido deduas
maneiras díferen-
tes:uma mais
geral,signincando
todoh
con-
junto de. pessoas que vivem de maneirapoliti-
camente
organizada; eoutra
mais específica, signific~u~doas
instituiq6esgovemamds.
Os1,
que as
precedeu, se-como "baas e m&~?', eiria
ama~~m
+mmm
quias (principados) er q f i b ~ ~ ~ L -
manifestou sua p~efe&ciapelst @tia
$irnb-ra admitindo que a liberd~tde
n u m
repUM,icft somente poderia serrnantida
pelopovo
que
tivesse "virtude"', isto é,
vitalidade,
coragem
e independência - qualidades queos
antigos romanas possuíam. Defensor ardoroso do Es- tado,Maquiavel
sustenta que a agir virtuoso é um agir corno homem e como animal. Re- s u l t ~ de uma astuciosa combin;ilçãoda virili-
dztde
e
da
natureza m i d . Quer comohomem,
quer como lego (para amedrontar os lobos),quer como
raposa @ara conheçer os lobos), o que conta 6 o "triunfo das diwldàdese
a rnanutençiio doEstado.
Osmeios
para issonunca deixarão
de
ser juígados honrosos, e todos os aplaudirãov'.Bodin preocupou-se
com
os limitesde
soberania
do Estado, tendo sido apri-
meiro
teórica a isolar a conçelto e v&focornu
@@ria
ser
avida
m
afil-,
jh que ob,-
de
mmp@tU:@om
autrns
p m
&i*
k
"a ç d ç ã on a u ' "
da
erra de todos
Ç O ~ & B ts&sM".&da
segundaHubbes,
a únicafama
ds
witar tJ fen8mt:no seriamanter
cr E&& g6~eniad0 parum
sobermo
(homem ou
m-
sembGia)
comautoridade absoluta
E w i o - so, no entãnto o b s e m que smncelto de
w =
berania
absolutada Estado
Moc o r r ~ ? s p &
ne~esswimnte
amonarquia
a$lsolutistn. Opr6prio
Hobbmdefendia
a mberania mais aoplana individual do
qtrenas mBus de
u m
&-wrnbléia.
Afímaque
"ante a tmmrndã e sangrenta aaarquia do estada de namza, a9 homens tiveram que ~dbdicat m prowito de um homem ou de m a m&l&ia os a9ws direitas Ilimitadas, fm ch-h m h rr %&h, o L1.viatB, o &us mor-
r@ls qw gvg gmb- B onipotência da tirania ele& pdpios ~riãram."
J o h
Lçk~kq psq @aW ,
amstmiusua
fil~aofia
potít$cãLacko
entende eae'Wleit~'~
wmopravz:d-
ente
da t r d c i
o d
interpr&a$%~
da
'ld
naturd
enquanto leimoral
imposta aohomem
por
Deus. AI)estabelecer
os t r b direitosnaturais
mais importantes
-
Direito
A
Vida,
aLiberdra-
de e à Propriedade -, estavade
certa forma
lançando asbases
do
Estadoliberal
demoerá- fico+ (Locke q u dWeffort,
1 993).Noderto
Bebtsio (1 995, p. 4 11, resu-mindo
os aspectosmais
relevantes do pensa-mento
focbnano,
dma:
511 1 i I15
de
Hb$@;+lLocke
@&P
0a-4
$C? @&Oonde
n&oh i a
senso
qg - - , gE&a$d& . rErasina ainda Ladw ,que
m
BMwF*
4*&
o
governo b~tde-mm V eo p v e m B imbd& icikie pr~d@r pafa
qm
:pw@
proteger ã vid& a 1Caso
fdhe
na
mutengifo d
sicus, B Estada perdeo
oferacendo
aas
~ i W o s ,
m&e c m , a W t ode
whstitd-la, Fment-AmmtqP-
&a&&&
p@@&
h
am
existir
ao
tBesm;B t&mpo.f
wdmWm-
ta, Rousmudisthgi'u
urna vu&aBe gm1de
uma
vontade
in&Mdd,No Estada
tdui-al,
asleis devem
G X ~ T ~ W Ua
vnníada @ r , smtm- tavade.
g silo a piI3mritir a explora@ de
poda simplesmente %ar
abc@iaQ'
I > - L! hp d s o
que hajapfimeiru um
períodod&"&tsd~r8
do
pro-letariado",
isto4
a imposiqão coer4~vae con-tinua de uma
nova"ardem
pdíti~ap:~tas
e advogava a n~essidade de uma revalu- ção, mas argumentava que o Estado poderiaser abolida imediatamente. Lean Tolstoi, por sua vez, defendiameramte a resistência pas- ãiva ii autoridade õstaI. Kmpotkin foi Geria- mente o mais importante pensador ligada ao anarquisma -
doutrina
que
esmo~lmmte
colocao
governacoma
indeimjiwel
edesne
cessário. Deacordo
com
oa n a q ~ i l ~ ~ ~
M, ,&a- verno éprejudicial porque
o piedaaqueles
que governam, divide os ge
toma-sedesnecesírsltl.~
porque étn&Mmae,
gumentci deinutilidade d&
uma
quest%o crudalda ripaso tempo,
L -, " , .;71
w
3 REFORRrLh:
DO
ESTADOE
REFORnaB AiXM.IMIB~TIVA "A 'burocm~ia' é a n&a@ ..
ila democracia." Hkio Beltrão, 1983Seja
com
a apoio dos tanques doGe-
n e d MacArthwI como aconteceu no proces- so de rdiormsis esitruturais do Japllo
no
p6s-
guerra, sej a sustentada pelo ímpeto do regime revolucionário de 1964 no Brasil, seja
pelo
direito hforqa como na ditadura do General Pinochet, seja no contextoda
crise econriimica aguda como na Argentina ou via o procrirBo de Fecjimorização peruano, o fato é que a his- tórianos
lembra que processos de mudangiinstitucianal n h pertencem
ao
reinodas
coi- sas que acontecem pl>lacihente.É preciso, p~rtimto, ter pacihcia
com
as
reformas noBmsil, pois
elas acontecem -mesmo que
de
maneira lenta e não com a grs- fundidade des~jadrn -em
Jguns setores, em- bora pela via dernocrtitica e pela estabifidade econdmica. As mudangas do capítulo da Or- dem Econbmica inseririas na Constituição bra- sileira de 1988foram
çonsqpidas no embala da vitória do Presidente F m a n d s HenriqueCardoso, Iãto
em
que i&b decisivamentena postura favorkvel
h$
mwdm~~ts,
asaumidas pelo Cmgwsa neprimeiro
sme@riy
de 19%.
Sftuaqãa que n b se pm1aqpupw&o
tem-
po,
a
que%
cam
que etsi demJ$&omapra-
postas pelo pclenis Mmem Btw
um ritmobem
mais
l e n t ~ dw$rr.t~ ap m @ ~ ~ l & @ h t ~ ~ o .
~e;ntando d& A~Z!$~RZ~X ~ h i m ' m -kjva! que
se
colocano COntedo
das mudanças ùistitucionais, 6inevitável
quea
expressaia surja quase comosuibnimo
de buroaracia e do pro-um
prwwso politico destinado a ajustar o ~ k d i ~ f ' i m e n t a entre a buroçracia e outros & dedade, ou entre alenientos &,gr&ria b o r &...
tanto os propósitos da#@ma Gamo as, pJes éi serem elimina- b~~knpVes dela variam de a c d o com as çircwisthcias polftica. De uma maneira geral a reforma administrativa pode servista Gomo o poder político em ação: contendo racionalimes ídea1hgcas. dis-
puta por mtrole de deteminados setrrres, servipos e pessoas, atores políticos, institui- ções e outros instnurientos & a950 política e administrativa,
Além de lembrar o conceito deste tema, outra questão preliminar a respeito do assun- to, e que parece esquecida, é exatamente a di- ferenciação entre Reforma do Estado e Re- forma Administrativa, talvez pela própria inexistência de uma definição universalmente aceita para a segunda. A primeira, insere-se no plano politico superior, pois na medida em que redefine as fung6es e a abrangzncia da in- tervenção estatal na economia, por exemplo, aiteia o perfil da entidade política maior e as suas rdaç6es
com
a sociedade civil. A segun- da, coloca-se como mero reflexo da primeira,por
necessidade de ajustamento do aparato ' estatalAS
sua5 novas atribuições.Uma
refere- se ao todo, a outraa
uma parte dele. A Refor- ma Administrativa é partee da agenda da Re- forma do Estado e não um Fim em si mesma, como as vezes se insinua.cesso
de
raciondizzição, que haviam se inicia- A história do Brasil não é a história do do com a revalugb burocrática nas monar- liberalismo ecanômico ou político. Ao ccintrá- guias absolutistas da Europa durantea
Guerra rio, é o relato do estatismo e da cultura esta- dos Trinta Anos. Reforma emudmga sã9com-
tal, pois o Estado no Brasil sempre foi o guia panheimsins~pmhvds
da
resistencia e da tur- da sociedade e não uma emanaçiio da mesma. bulênçia.Reforma
Administrativa foi definida Esta dependência das instituições, dos agen- par Mantgornery como tes econômicos privados e até da própria so-I
onipnesenb,
m drio
quepemmtit
ministratiw
p~líti~át B por si sbse
constitui emI
a ser removido $0 m r h h o&@-&,h
r@formasestnituracia.
A atud
crise do
Estado brmd&ra ti& L:~rneçaraa
ser
resolvida se atendidas &umas cundições básicas9incluindo
uma
reformadrninistrativa que
contemple
a reduçãodas
qtsibuiições do
Governo
Federal; umampla
programa de privatizaçlies; vigorosa des-No
campo
econ.tirniea,trata-se
do
msianmento
da
&tado~3rnpne&o*
queda cidadania alicerçada na neva forga
As importantes mudanças no texto
tuciond, aprovadas pelo Congresso Ma-
e a desteguIamenta@o da
econo-
conjunta: de bom idejiás que se somam
a
tenta- tiva derwBate da
modelos vigentes anterior-m
m
h
Comtituiçih
de 1 938, alguns deles atk rq&ms, e tmdo arna objetivo Eundamen-td
de$reguImmtare
modernizar a ãdmws- trr;rç&pi.ibllç*~,
c m o
formade enfrentar os
nams~ m p ~ ,
adequando
o
tamanho da ma- quina a - m t kB
no=
realidade imposta pela r&ow daEada
brwi1eù.O.
Estanão
é, obviammtq ap
l
h
tiersta&v&~
n&e senti- do. No Bmidi,desde
a&a&
da 1990,com
u
surgimento
da
Era Vargase
seu ímpeto modernizante, O S & ~ Dpública fai objttto
de
reformas visando eliminar 0 s resquícios
oligárquicos do nepotismo e do elienteiismo,
visando
a
substituí-10s pela profissionalizaçCio e dignificação da função pública. SegundoBeatriz M. de Souza Wahrlich, (1 983), "a pre- ocupação com a reforma administrativa sur- ge, no Brasil, atravbs do problema do funcio-
nalismo, focalizado na plataforma da Aliança Liberal." Além do problema do fiincionalismo, no entanto, Getulio chamava a atenção para outros temas de igual relevância para o setor, como os que se referiam ao modelo das UN- versidades autonomas e a necessidade de li- berdade didática e administrativa para o ensi- no superior e o ensino secundário. A tentativa de implantação, na Administraçib Pública Fe-
deral, do modelo racional burocrático weberia~zo foi o instrumento utilizado para
atingir aquelas metas.
Posteriormente, a Reforma Adddtt- trativa prevista no Decreto-Lei 2434 a0 hJ
do Governo Castelo Branco, intraduziu QU-
tros tantos elment0s
de
rn~demizagiia
e
tor público, umri vez qrie
m
p$n&6~
b-
damentais
eram a
desopn-Firo
&,gahpE- ficaçilo dsm & $ i
tdqbhnarti-f&rd.
A
r e f m a
condida
@lia Beltrh tinhac o m
aBj&vaVmuim
m@
do
que
kut$mgs
nos orgp r m d ~ n 8 r
ma
'l@n.& ema AbrninisMva
cb
1967 contém muito mais do que naves meeaLiismos administrativos;6
forte
rn
prh~ípios políticos e fdosáficos. Para B d W (1 984), a reforma depcndia da "cora- josa adogãode
importantes opções de nature- z a políti~fi e filosófica'', ccolnsigindo aquela na firme decisão d e encaria-la como assunto prioritário, e esta na coragem de romper " G Q ~ uma série de hábitos, preconceitos, rotinas e vícios consaliddos", introduzindo-se na Ad- ministração alguns princípios simples, pratica- dos na vida particular. Entre estes, contava-sea presunção de codsança (confiar nas pes- soas e no seu critério de julgamento); a pre-
sunção da vera~idade (acreditar que as pes- soas dizem a verdade); o desapego ao feíticismo
de
dowmento (acreditar mais nas pesseasdo
quenas
documentos); a decisãode pagar
um
prqo pela simplificaçãoe
pelo dinamismo, eliminando-se os custosos con-trastes. Idéias que ele resumia dizendo que
"quem decide tem direito
a
uma certa margemde
erro; é melhor correr os riscos da des- centraIizaçk do que os da estagnagão". Para Beltrão (1 983), tratava-se da reforma das re-formas.
Ao conferir prioridade
ats
questões das Reformas Administrativase
de Estado
rio
seu projeto de governo3 o Presidente Fernando Henrique, de certa forma, segue a trilha rdarmadora, nestarnarSria,
percorridapor
outros govmos, Para vários presidentes, re- formaro Estado
brasileiro, embora movidos por sentimentos e conjunturas diversas, foi econtinua sendo uma questão medular.
Reformar a administraçno pública foi empreendimento de vários governos em diver- sos momentos da hist6ria política e adrninis- trativa do Brasil, como demonstram os esfor- ços de Getúlio Vargas em 193 0
e
193 7, de João Goulart em 1963, de Castelo Brancoem
1967, de João Figueiredo em 1979, com o Progra-naat
N i Q d
de Desburocratiza~ão-
uma es-de
segundo tempodo
Decreto-Lei 200-
oom
Emando
Collorem
1990e,
fmahen-t, na administmqiic~ do Presidente Fernando
Henriqu~
Cardoso,
A atual proposta de Reforma Admi- niçitrath
tem
corno
objetivo prinoipd devol-ver
m & t d 8 ama
capmidade de decidir so-bt6 (0% ga$t&s p d b l i ~ a s , permitindo-lhe gem~dar mi m s sespandidiades bhsicas, e
mn6c)Nda
.a preompaqiiogmd
em redefinirc l i a r ~ ~ f ~ o papel do semiça
e
dos sewido-reg públicas. Pbis, tanto o Gowerno Federal corno os estaduais, têm as suas capacidades
de investimentos seriamente tolhidas por im- perativos constitucionais claramente eontra-
producentes.
Uma
das questões findamentaisneste processo 6 rever a natureza e o sfadtls dos contratos de trabalho dos servidores pú- blicos, em todos os niveis. Atualmente, os con-
tratos são identicos para praticamente todos
estes trabalhadores, não se levando em conta as respectiva especificidades profissionais. Por outro lado, as regras incluídas na Constitui- ção de 1988 estabeleceram
um Regime
Juridi-co Único para todos os servidores públicos, independente do tipo de trabalho; determina-
ram
que
as contrataçcjes para B governo só podem ser feitas por concursos públicos e, sobretudo, estenderam o regime de estabilida- de ia toda w classe.O objetivo da estabilidade era o de impedir pressões políticas no processo de contmtação e de reduzir
a
insegurança no de- sempenho de funçoes, daqueles que ocupam postos-chaves do aparato governamental, como juizes, policiais e fiscais de renda, entre outros. Tal objetivo foi, no entanto, subverti- do pela realidade, que estendeu, a todo e qual-quer funcionário público, a impossibilidade de
vir a ser demitido e, ate mesmo, a de ser trans- ferido para outro cargo.
I
mente, tanto
o
G o v m a Fderd quanww
~istaduaisestão
com a sua capacidade d@ iyr-I
vestimeato
severamente
prejudicada
por
mandatos
csrnstitucionãis referentes
àPre-
vidbcia Social, &transfersncia
depwsod
ede
rerrursas
para
os
estados
e
municipali-
dada,
impedindo
oGoverno
Federal,
por
conseguinte, de
levar
adiante as
suasprbprias
prioridades.pua
devolver
ao
governoa
"àpmzdadede re-
dmemte administrar
seu
h c í o n ~ s m o ,
con-
tr;t"buinda
dessa
fama para que osrecursos
ptiblicos sejam gastosde
maneira
rnrris racío-nate
e
em
outrossetores.
Além
de
propostas
claramente liga-
&s
i?definição
do papel do serviço publi- S, O governo se de-icos
corno a
sestri-
da criaçIo
irrdíwrirninadit de
novasmu-
proniisso de mudança da cultura burocrktica,
pois a p&ist&ncia
doestatismo e da cultura
e dtmIrh nãa permitirá a renovação pu-
riflcadom
da
mkquha pública.Nuna 6 demais lembrar que o
servi-
dor
d w
omais
importmte
aliado
da
re-toma
.é&o
a
sua
.iriíima.
Profissionalizar,&e;3hor
mmunww
e
&pdfioar
a
fUnçãe publi-oss
smidores
pilblicos
não é favor, e simos gom-e~.
&a
&
na-
,@ar*
muneda,
M f 5 ~
ggawabtímdo
aahsi*
fica$& da
' " w ~ a t a s * ,
"&~prepa&as";
'3ar5tsitas5' quedevolweremos
ao setor pú-blico
e aorseus integrantw.
o respeito dasociedade.
Con~luindo, vala lmbw que a
de'xa-
da
de 1980simbolizcru
paraa
maio ri^das
pa-ises
latino-americanos, a trmsiç& p a O de-mocracia.
A décadade
19913,ao
que p a r e ~ ~ ,será a
das
reformas
estnrtur~is, Aprspddto,
convém ressalras
que aOrgmbaqtcy
ck~
ç6es
Unidas constata
que
mmas
ds
1%c
k
pessoas
pmtíciparn
das
hst:ituie~i
qm..mas
s
m
s
vidas.
Di.:
dncrs
prolpast;asdir
m;m
sanar estep m M m ~
dum
se
da
respandadtd;e
rinda
mais
ãutaribde msgavwnos
locaifk;b) rwt'ientqâo
d ~ s
mercados
para que
siruairi íis
pessoas,
e não
as
pessoas
aosmercados,
O
Brasil, que; já nãa prestou adevida
atenção
ao
re$rmr@mentei do liberalismo eco- nômico,pelos mãm de
Mãrgareth Tatcherem
1979, ainda permitiu quea
Constituição de I 988 - que, paradoxalmente, consagroua
re-
gime da plena liberdade política e da intole- &ciae
fechamento econômicos, numa espé- cie de avesso de rn~delo chinês de fechamen- to político e abdura econ0mica - se colocas- se como obstáculo gigantesco à absorçã;.o,n a -
sas bandas, dos novos tempos, iniciado no he- misferio norte e adotado em vários quadrantes do globo e que, finalmente, parecehaver
che-
gado para ficar, nos ptimordios da decada de1990.
E preciso saber, porem, se o Brasil
conseguirá romper dde vez com
o
seupassado
estatizante e interventor para ingressar na ad- mirável mundo novo da democracia, daeco-
nomia de mercado eda
'descentralização ad- ministrativa, de maneira geral e definitiva.Convém lembrar, por último, que tan- to a Reforma do Estado como a Reforma Ad-
"
'
'
nwmd$re& &&&srmi8Administra-
em
k ~ q h e
t t p n t ~m t e
emtexttbde
moder-do
set;~t@bfieb mnEona
neas~idade
d k % d a h e m o
8éi çid&a.Esta
reforma
nzSopoda
wx
rnii:r&
coad-
juvante
no
pronimss
de
rek1i"zagiiadas
m a s
sori6micw
de cont8nqQu
do
d&utpribiica,
mas,
acima
de
tuda,
passo
vitd
doBrasil
no
sentidada
tifo sbnhãdsilvíqpn
aomundo
de;senvaIvidu,
quepasw
tzmibCm,pela
moder-
niaa,g%ioda
Estado.
MkfElUJA,
Ciarcy-
[ M M ~ &
â Cs'&cI4PoEi&aa PiiQ
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