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Texto

(1)

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MRJC1.0RA fi RED ACTOR A- tosephima alvares de azbvedo

ANNO III

"Ri_o.de

Janeiro, 21 de Maio de 1891

NUM. 104

Bittencourt da Silva

E' sempre justo render-se preito ao indivíduo que por si se eleva. K, n'este sentido A F amilia, infatigavel factora do progresso, não pode dei-xarno olvido a saliente personalidade do Commendador Bittencourt da Sil-va, cavalheiro assâz conhecido na so-ciedade fluminense não somente pelos seus méritos

artis-ticos como tambem pela sua dispretenciosa philantro-pia, requesitos que tornam a qualquer digno de nota.

Seria um longo enume- M rar de benefícios o que Jj[ a sua modéstia encobre. Jj§j Aquella nobre fronte or- JBISI nando uma bonita e res- lllllll peitavel figura, eom o rosto

bondoso a transparecer-lhe a alma no olhar vivo escintil-lante, provam as irradiações da sua vasta intelligencia.

Trabalhador activo, ar- f. \ chitecto distineto, derra- 111111 mando a largos traços V ". seiva de sua benevolência, V-.-.-' fundou a custa de mil sa- '%j, crificios hoje tornados em m louros, o Lycêo de Artes *

Oflicios do qual é o actual director. Na amplidão de suas forças colhe presen-temente o frueto dos seus

exforços garantindo ao artista que sahe desta instituação, um pouco da luz emanada do estudo, e o pão d'alma—a escola e o livro, riqueza essa que não morre porque se nào dis-perdiça. E que diga o labor nocturno das aulas e das officinas.

Tivemos o prazer de percorrer o

edifício oiíüc funecionao Lycêo, seu-donos gratas ver um sem numero dc crianças de ambos os sexos a escutar a voz dos professores, todos satisfeitos, risonhos, mas dizendo claramente ao visitante pelo aspecto de pobreza dos freqüentados:—«nós somos os filhos do povo, e viemos aqui buscar íu-turo e paz. >,

Com effeito, lá ha aulas de

por-SSrSféfe&sí - o

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tuguez, francez, inglez, geographia, geometria, álgebra, architectura, ex-culptura, desenho de figura e de or-nato, tudo presedido por professores abalisados, e tendo ainda inspecto-res como vigilantes.

Agora que escrevemos estas linhas simplesquãolimitada é a nossa

intelli-gencia, cabe-nos agradecer a honra que nos fizeram na noss 1 primeira vi-sita ao edifício acima fallado, augu-rando ao Sr. Commendador que em pagadaluetaque tem sustentado, terá como coroa a benção do filho da plebe que alcatifará de rosas a senda brilhante daquelle que em nossa pátria tem se tornado tão util.

I(íxi_z„Saih\'o.

Mulheres celebres

v

MlSS NlGHTINGALE

(Traducção) Semanas e mezes passou assim, sempre á cabeceira dViquelles pobres enfer-mos, desprezando as dis-tracções c prazeres que o mundo offerece as pesoas | tão altamente eollocadas, Ij ate que, nào podendo 'mais supportar seu corpo o peso de tal fodiga, teve de re-gressarao seio dos seus, procurando no ar de sua terra natal a saúde perdida no exercício da caridade.

Pouco depois, correu em Inglaterra, a noticia, de que o exercito aluado em Criméa, soffria fome e que faltávamos objectos necessários para cabal assistência dos enfermos.

Commovido o paiz, nào deu lugar a que o governo tomasse a iniciativa. Em poucos dias as officinas do Times (jornal;, haviam recebido por uma subscripção voluntária a somma de um milhão oitocentos e setenta e

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mil pesos, com destino a cobrir! foi respeitosa e sympathicamenteaeo as mais urgentes necessidades dos

exércitos de Criméa, bem como grande quantidade de viveres, bar-raças e utensílios necessários para enfermarias.

A direcção d'aquelle jornal, cum-prindo deltgentemente seu volunta-rio encargo, pouco tardou em expe-dir uma grande provisão de taes objectos, e com elles um commissio-nado especial, ( Mr. Macdonald;, pata sua distribuição.

Faltava um corpo de enfermeiras hábeis, capazes de cuidar dos enfer-mos e feridos. Zelo sem experiência e capacidade, serveria de novo em-baraço ao exercito ; como a capaci-dade sem zelo, nunca chegaria aos fins á que áfe aspirava.

Taes circumstancias, naturalmente, offereciam ao philantropico espirito de Miss Nightingale, um vasto campo para applicar suas bondades e virtudes.

Criméa [a chamava, e ella, por sua vez, suspirava por Criméa, de forma que, immediatamente, lançou mão da penna e escreveu ao respeitável Sydney-Herbert,

propondo por-se a frente do estabelecimento formado ali para tratar dos enfermos e feridos.

Realmente, tanto o aceitar como o solicitai* tão grave quanto delicada missão, era tomar sobre si uma im-mensa responsabilidade e expôr-se á todos os contratempos.

Porém,nem responsabilidades, nem rogos, nem a dôr de separar-se a tão grande distancia e por tempo indefi-nido, de sua familia e amigas, nem a atterradora prespectiva de obstáculos e trabalhos de todo o gênero, fizeram que desfallecesse em seu coração um valor digno da mais alta consideração! e respeito.

Miss Nightingale, acompanhada do reverendo Mr. Bambridge com sua esposa, e de trinta e sete enfermeiras

[hida, embarcou com toda a sua co-mitivaem Marselha,abordo doVechis. Em 5 de Novembro, depois de uma pie-nosa viagem, arribaram áScutari, pre-eisamente no momento em que come-cavam atransportaros feridos á Bala-klava.

Com a chegada de Miss. Nightin-gale e suas piedosas companheiras, subitamente mudou-se o aspecto do vasto hospital de sangue, suecedendo á confusão a ordem, ao descuido a mais esmerada vigilância.

Antes os feridos tinham que espe-rar horas esquecidas pelos cuidados que a sua triste situação reclamava, desde a chegada de Miss Nightingale, porém, mal proferiam um lamento, sentiam uma piedosa e sollicita mão em seu allivio.

Longe de realizarem-se os vatici-nios do alguns empregados da admis-tração, que auguraram um mal da in-tervençào do sexo feminino no hos-pitai, aconteceu, como já disse, que Miss Nightingale e suas companhhei-ras estabeleceram uma ordem admi-ravel e prestaram innumeros servi-ços, não só na assistência e na appli-cação dos medicamentos, como pro-vendo os pacientes dos objectos ne-cessarios para o seu bem estar, para o que recorriam ao commissionado do Times, Mr. Macdonald, o qual sabia a procurar e comprava a pezo de dinheiro nos bazares de Constam tinopla.

Diga-se, em honrada verdade, que o zelo de Mr. Macdonald, em seceun-dar os esforços de Miss Nightingale, è digno de grandes elogios e contri-buio grandemente para quea nossa he-roina vencesse e chegasse aos seus I fins caritativos multiplicados de gra-ves difficuldades.

pedido á Inglaterra era preciso a con-cessão do commissario de guerra, e alguns dias depois de chegados os artigos, era necessária a autorização de um conselho estabelecido adhoc, alim de poder retiral-os.

« Nào sei ( escrevia uma das [enfer-meiras ) que mais nos compunge o coração, se ver os jovens cheios de saúde morrerem de fome, ou curar aos infelizes que nos trazem destro-çados por horríveis feridas.

«Hoje, empregamos o dia em cozer colchões e ajudar os cirugiões nas suas curas, servindo-nosde gran-de consolo o contribuir para o alli-vio daquellas pobres almas. Porém, ai de mim ! sem contar os quatro desgraçados de que me encarreguei, morreram de fome, durante a noite, onze soldados, o que é mais triste; todavia, estou certa de que os outros se salvarão se forem subministrados os alimentos de que com urgência ne-cessitam. »

Nào eram menores osabusos em ma-teria de distribuição de roupas ecober-ias, sendo que, a primeira remessa enviada foi tão diminuta que se Miss Nightingale, não se valesse do espe-diente de lançar mão do dinheiro da subscripção, para compral-as, a maio-ria desses infelizes ficamaio-ria impossibi-litada de tirar os sangrentos uni-formes.

Vendo que havia necessidade de uma lavanderia próxima ao hospital, Miss Nightingale, sollicitou e obteve uma provisão de água.

( Continua. )

Destas a maior 'parte procediam, triste é confessar, da viciosa organi-sação do serviço da entrega das en-commendas, de cujo defeituoso

sys-MÃES E MESTRAS

CAPITULO XXVtlI

JOIZO

partiu de Inglaterra em 24 de Outubro tema bastará para dar idéia uma de de 1854; e atravessando a França onde 'suas disposições : antes de fazer-se o

( Continuação )

Estes são os títulos e documentos que devem acompanhar a alumna na sua educação para fazer com que o juizo delia seja recto, são eactivo,

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Pelo contrario vendo eomo é des-presada esta espécie de instrucção, sou inclinada a comparar a facul-dade do juizo a essas pessoas de me-rito distincto a quem no mundo se consagra muita estima e respeito, e das quaes, todavia, se esquecem, para tratarem com favor sujeitos de me-rito muitas vezes equivoco, por cauza de suas apparencias seduetoras.

Porque a memória, imaginação e engenho offerecem certo engodo ao amor próprio, porque são capazes dc lisongear a vaidade, e de produzir promptos e brilhantes resultados, dão-lhes apressada cultura e as con-servam sempre como cm estufa, afer-vorados por lhes colherem os mimos e as flores; e apezar d'isso que im-porta engenho ornado? que vale reu-nir todos os talentos, se houver talta de juizo ?

Então só se possuem ricos dons para se abusar cfelles ; pois a falta de juizo é peior do que a ignorância; este defeito corrompe até a mesma sciencia.

Para fazer justiça a muitas mães convenho que n'isto ellas peccam muito menos por intenção do que por falta de methodo.

Julgarão "que,

por exemplo, for-mam as tilhas na razão á força de discorrerem diante d'ellas, á força de pregar-lhes que sejam graves, dc-centes, discretas e reservadas, e de obrigal-as a procedimento tal que é não meio, mas fim ou effeito do tempo, esforços e perseverança, alvo a que ellas devem mirar. Resulta muitas vezes, por esse erro, que o juizo se não forme e que esta facul-dade fique muitas vezes atrasada a todas as mais.

Assim praticando, assemelham-se estas mães a algumas professoras que para darem estylo ás discípulas, para as penetrar dos princípios da lingua ou d'alguma arte, e do modo de tra-tar qualquer assumpto, refundem to-talmente o trabalho que as discipu-las lhes apresentam, em vez

deapon-tarem a estas os erros e defeitos em que cahiram para sobre elles chama-rem a attençao.

Elias só querem ser um todo com-pleto, e não attendem a miudezas e individuações, ao mesmo passo que cada uma destas examinada e corre-gida aparte acaba dando á alumna intelligencia para qualquer eomposi-ção.

Se bem que as applicações da mo-ral sejam utilissimas, deve entretanto a mãe em lugar de discorrer e dis-seriar com afilha ( o que muitas ve-zesa faz aborrecer ), aproveitar as oc-casiõesde a fazerdiscorrer. Ella con-segue este fim, quando a exercita a en-trar em si antes de operar, para per-guntar a si mesmaoquc vae fazer, por-que e como o fará, depois de haver operado para conhecer se faz bem ou mal,

Porque é natural suppõr que na educação il lustrada se forme a cri-anca a sentir-se responsável para com sua consciência c em saber fazer uso de seu livre arbítrio.

Principio geral, nào devemos es-perar influir no juizo de quem quer que seja, grande ou pequeno, se nos sentirmos eommovidas e pertuba-das.

O raciocínio para ser cerlo e justo pede actividade de espirito tal que abranja as cousas por todas as suas faces, que as compare, examine suas relações, e de tudo tire uma conse-queneia lógica.

Todos os movimentos que nos per-turbam no interior são próprios para desgarrarem o juizo por isso que o privam de ver bem.

( Continua. )

Arte e

Commociona-bilidacle

(Continuação)

Seguiram-se a estes escriptores mais alguns pelo decurso do século IX,

permanecendo não alteradas as no-ções sobre harmonia até o meio do século XIV, quando acharam-n'a em estado de barbaria alguns escri-ptores francezes eitalianos que come-çaram a dar-lhe forma mais suave.

O musico mais dislineto que a corregiu foi Francisco Landrino, por cog-nome—o cego.

Depois foi aperfeiçoada por Gil-bert, por Guilherme Dupuy, por Gil Binchois, c pelo inglez Denstaple que viverão no fim já do século acima e que existiam ainda no começo do século XV.

No entretanto, acerca das escalas, já entre os Gregos haviam os phylo-sophos da escola de Pythagoras cs-tabelecido que entre os sons mi, fd, si, dó havia um intervallo cujos pro-porções representavam elles pelos números 253, e 255, que era portanto mais do que o semi-tom maior que as theorias modernas suppoem existir entre essas notas.

Concordando com os Gregos, Beccio, escriptor latino do século Vda éra christã expoz igualmente esta doutrina no seu tractado de mu-sica.

Pelo meiado do século XVI, Zar-lino, mestre da capella da Cathedral de S. Marcos de Veneza, separou-se da doutrina dos antigos para adoptar uma hypotheee de Plotomeu sábio astromo e phylosopho da escola de Alexandria que escreveu pelo anno 140 da nossa éra.

E' muito difficil o saber escrever musica, só o fazendo correctamente quem á mesma se dedica com apuro, muito especialmente para orchestra, onde, por exemplo, em um quarteto ou tercêto, cada um dos instrumentos e das- vozes tem o seu andamento particular, sendo que da reunião d'estes movimentos é que forma-se a harmonia que compõe o trecho.

Felizmente hoje a musica é um apanágio commun a todas as socie-dades, e a todas as raças.

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fa-zem a deliciados amadores e dos ar-tistas, sendo o Piano, o favorito das salas. Os instrumentos antigos porem, isto é, os que se conheceram desde tempos irmnemoriaveis sào nu de corda que tiveram origem na compo-sicão do Sonometro cuja invenção attribue-se a Pytagoras, no anno de 500 antes de Jesus Christo. Filtre elles conhece-se o de cordas dedilha-dos eomo a Lyra a Cythara, e a Harpa.

As duas primeiras são peculiares aos Gregos, aos habitantes da A/.ia Menor e aos Romanos lambem.

A harpa porem só era conhecida da alta Ásia, do Egypto, e do norte da Europa.

Nos annaes da Biblia vemos, lei-tora, David apasiguando as iras de Saul com o influxo dos sons d'esse instrumento.

Os Hebreus concluiram-n'a, como sabemos, sendo inventado crê-se por um homem do povo antigo, chamado Harpe, que deu-lhe o nome. Na Csandinavia e na antiga Inglaterra era conhecido todos gualmente.

Um douto commendor das poesias de Callinoco provou que os insira-mentes de cordas oblíquas taes como o Nabio, Berbilon,Majadeo, o Psals-terio e o Sambuca de que se faz mensão nas Escripturas Sagradas eram espécies de Farpas, de origem Phenicia, Chadaica, e Syriaca.

IGNEZ S.-VDJNO.

Chamas materialismo oqueé sim-plesmente ser eu tio meu tempo, ver as cousas eomo são fataes, inunuta-\*eis, sem os mil atavios da imagi-nação doente ! listas atrasada cem annos. Se ainda crês na eternidade do amor!

Do meu apenas.,. '. .reança sempre !

— F sempre em luta com a lua de-sencanlada experiência !

Vejamos o teu conto. Tem ap-plieação ?

Dií-o-has. Pódc sur que le re-conheeào...

f.' comungo a lição ?

Lição ?...não...espelho talvez... Estou curiosa.

fecha os olhos e imagina o quadro :

Terreno aecidentado, pedregoso, árido; uma grande barranca dc barro e areia formando um despenhadeiro, ao fundo do qual o rio escuro, pro-lundu, em constante redemoinho: ao meio da barranca um ingaseiro enor-me, esgalhado.c antigo, eom as rai-zes quasi inteiramente descobertas, como serpentes negras que se espre-guiçam ao sol, todo pendido para o abysmo ; em baixo, do outro lado do rio, um cercado de horta, coberto de pequeninas rosas trepadeiras,

í) céu immenso, calmo, c a perder

Avô captiva

A COTINI-IA

¦—Queres ouvir a historia singe-lissima o tocante de unia avesinha captiva ?

Se te dou prazer 11'isso... Dás. Depois, quero ver se

de vista a solidão completa. Nem borboletas sequer, larvas apenas no musgo que veste o tronco do ingaseiro.

Passam quatro pequenos, tinuTelles traz oceulta uma avesita que apanhara no quintal da escola em traiçoeira arapuca. Temendo que os outros Ufa tirem (une pôde um só con-tra tres ?), deixa-os adiantar-se, e su-bindo agilmente á solitária arvore prende o pé da indefeza patativa, na ponta de um novello de linha crua que lhe devia servir para soltar a tar-por de o papagaio multicor, e, deixando entre a espessa ramaria de matéria- bastante longo o fio, amarra a outra lismo que te fecha o coração, faço extremidade ao'mais alto dos ramos penetrar um raio do sol do ideal. | do ingaseiro.

—Então, vai reunir-se aos compa-nheiros, pensando :

-Amanhãvirei, sósinho, buscal-a. ¦Mas, ou porque adoecesse ou por-que espor-quecesse o caminho agreste d'aquelle deserto, não volta.

I'. ella, a doce patativa, alli fica, longe para sempre, do ninho cm que nascera, isolada de todas as "alegrias. (MitÇdeíxa subir, descer, procu-rar nasgottas de orvalho, nos inseetos e grãos de areia com que se ali-mente, mas nao pode voar, voar pelo infinito azul !

Oue tortura !

Passam-se os dias tristemente, a captiva desanima de lodo...

Ruge a tempestade infrene e a avesinha "esconde-se, a tremer, em ninho que improvisara no concavo de um ramo apodrecido, da arvore-pri-sao. E pensa:— Onde estarão meus pais ?

A ventania iudomita torce e faz es-hir o ingaseiro, como o quizesse ar-rançar de todo se precipitar no abysmo.

A patativa diz: Quem sabe se o lio que me prende se quebrará na queda ?

Talvez me espere a morte, mas vivo eu por acaso ?

Uma raiada mais violenta arroja exhausto, transido sobre a fronte do ingaseiro um gaturamo, que tempes-lade trouxera a voar, tonto, pela fio-resta.

A desventurada prisioneira com-padecida, encontra então em sualma notas dtilcissimas, repassadas de mc-lancolia c piedade, que attraem o pássaro errante.

Reparte com elle o agasalhado ni-nho o... nessa primeira noite de amor, ella a'captiva, sente-se larga-mente compensada dos séculos de abandono em que viveu.

Que amor o d'ella 1 Que ventura em ouvir a voz do amado ! cm sentir a caricia suavíssima das suas pennas ! em morrer de goso com os seus beijos!

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Vem, dissera-lhe elle na primeira arvorada.

—Não

posso quebrar o fio que me prenderam no pé.

Ah ! sc eu pudesse ! Como deve ser bom pousar e adormecer a teu lado, entre aquellas rosas, além ! Perder-me comtigo pelo espaço in-finito !

Náo posso, vês ?

— toco comtigo, eu prasenteiro, deixo, que me escravise, aos teus gri-Ihões me entrego por vontade! Amo-te ! repilo, c de hoje em diante começa a minha doce escravidão,

eram cada vez mais curtas, as ausen-cias mais prolongadas,

Pobre, desgraçada captiva ! Não tem se quer a dolorosa con-solação dc ir espreitar-lhe a passagem pelos jardins, onde elle sc enleva em outros cantos eamores !

Infeliz permanece presa pelo lio tão rijo, como o seu inexorável destino !

Pstá a morrer a patativa, mas.., subitamente um grito de amor que a mísera bem conhece, echôa-lhe no coração reanimado e tremulo de es-perança... é elle ! volta !

Amou, deixou de amar; é a lei fatal da vida.

A lei da ingratidão... Da humanidade, creança !

Adelina Lopes Vieira

SECÇÃO ALEGRE

No final dc um exame.

O professor.—- Se o senhor esti-vesse longe de seu pai e quizesse di-zer-lhe que fez exame e que ficou re-provado, de que raejose servia?

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o GIGANTE que dorme ENTRADA da barra do rio de janeiro —Bem hajas ! o meu futuro, a

mi-nha vida cs tu !

Talvez fosse sincero, rfesse instante o gaturamo, mas era pássaro, tinha azas, o vôo altíssimo, o canto harmo-nioso e attrahente.

Uma manhã luminosa partiu, di-zendo a companheira embevecida a contem plal-o ;

—-Espera-me

pacientemente, vol-tarei a ti ? pois sou teu só.

E só dias depois sc recordou da grande dôr da amante, que o chamava soltando notas humidas de pranto.

Volta e torna a partir... e as visitas

O' dor! é elle, mas jnão está só... alem, entre as rosas em que ella de-sejara pousar e adormecer eom elle, o ingrato, do seu amante, beija so-ffrego outra menos bella, menos me-lodiosa e sobre tudo menos amante, mais .. livre ! livre !

Escravidão mesquinha !

EV lyrica a tua historia, mais affirma o que penso, que é como dizes o que ha de menos lyrico.

Não conseguio então..* Julgas perverso o gaturamo ?

Examinando. — Escrevia-lha uma carta.

O professor. — Pois então trate disso.

Quer então casar-se com uma das minhas filhas ?

Sim senhor é esse o meu maior desejo.

Pois muito bem ; a mais moça tem 20 contos de dote, a segunda 40 contos e a mais velha 60.

O senhor nào terá por acaso uma de mais idade ?

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Um medico subia [apressadamente as escadas para visitar um seu doente, e de repente diz o porteiro:

— E' imitei subir, doutor, o seu doente desce já.

¦— Como ? ¦— No caixão.

Na policia :

O delegado a um sujeito preso po,. embriaguez habitual:

Não

quer enlão tomar juizo ? Tambem tomo, sim, meu se-nhor.eutomode tudo, é só haver quem pague.

Em utn dos Estados da America do Sul, está se formando uma associação de mulheres, para proteger os mi-neiros e dispensar-lhe os seus au xilios.

Hf

J.

Um marialvasegue no Chiado uma costureira. Esta pára de repente e pergunta á queima roupa:

O Snr. deseja alguma cousa? Desejava dizer-lhe, volveu o mari-alva, impassível, que a achava bonita; mas vejo que me enganei, e só me resta pedir-lhe desculpa.

NOVIDADES

O Courrier de Ia Bourse, deBorlim, louva o zelo delicado dos learders dó movimento de emancipação feminina. Dia a dia, sem se deixarem inti-midar, os defensores dos direitos das mulheres, vão ganhando innumeras sympathias e muitos adherentes.

Aqui, no Brazil, que é costume adherirema todos os movimentos, é que o sexo, que se diz forte, ainda nào quiz adherir.

As mulheres Progressistas, de Dinamarca, celebraram com uma grande festa o quinto anniversario de sua associação.

1

Uma filha da celebre italiana D. Anna Maria Mozzoni, está estudando direito, na Itália.

i

Na Inglaterra, realizou-se um mee-ting, afim de exigirem a volta das mulheres como conselheiras do con-dado.

Treze de Maio

A não ser a manifestação feita ao denodado abolicionista José do Pa-trocinio, esse grande dia, o mais glorioso do Brazil, passou quasi

des-apercebido.

E tudo é assim nesta terra! A Família, associando-se ás ho-menagens dispensadas ao

grande tribuno brazileiro, não pôde deixar de saudar á Princeza Izabel, a re. demptora! aquella que atirou para um canto o throno e que hoje vive no exílio, mas a quem não se poderá negar o titulo de Benemérita.

A Família, saúda pois a Princeza Izabel, cujo nome jamais se apagará do coração dos brazileiros.

*

Mme Ellen S. |Richards. professora de Chimica no instituto de Techusetís pede para os collegios de mulheres,a creação de aulas de economia domes-tica.

COMO NOS TRATAM

Linhas por baixo

Mme. Coignet foi encarregada Pelo ministro da instrucção, em França, d'uma missão pedagógica em Constantinopla e na Grécia, para es-tudar os estabelecimentos de educa-ção.

Mme. Mille, professora de lettras da Escola Normal de Milianah acompanha-a na qualidade de ad junta.. ii». . Mme*ClaraC.Locke,deLinwood, e a primeira mulher da Pensylvania a quem é conferido o titulo de capitão'

O examinado,-declarou

que nunca encontrou um homem qUe reSp0„-desse tão satisfatoriamente.

Tenho á vista um prospecto da Companhia Imprensa Familiar, cuja instalação se fará em poucos dias, visto que o seu capital, que é dê 30.*ooo$ooo, se acha quasi todo subs-cripto particularmente.

Os fins da companhia eil-os em transcripção fiel do mesmo prospecto: "- i" Adquirir c manter a publi-cação semanal da revista de pro-paganda A Família, dando-lhe todo o desenvolvimento de um jornal illus-trado, de modas,figurinos, retratos e paysagens.

2.° Montar um estabelecimento ty-pographico com as dependências re-lativas para a impressão da revista e exploração de todos os trabalhos con-gêneros.

3.° Manter um salão para exposição de todos os trabalhos artísticos e in-dustriaes de confecção feminina, cre-ando prêmios

aquelles que sejam postos em concurso.

4-" Crear uma officina onde as se-nhoras possam exercitar-se na arte

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typographica, lithographica, encader-nação, etc./.

Vê o leitor que não podia ser mais sympathica a idéa, cuja realização tão auspiciosamente seannuncia.

Realmente, admira-me que na febre espantosa de emprezas que tem ha-vido, de um anno para cá, na praça do Rio de Janeiro, só agora apparecesse uma companhia para o fim de propa-gar e engrandecer a imprensa das famílias, servindo ao progresso lit-terario e artístico das mulheres.

Admira-me tanto mais quanto sup-ponho que ninguém duvidaria do bom êxito de uma empreza seme-lhante.

Entre os directores d' esta compa-nhia vejo dois nomes muito ditinctos no nosso pequeno mundo litterario feminino: os das Sras. DD. Josephina de Azevedo e Ignez Sabino; a pri-meira, redactora e proprietária d' esse mesmo periódico A Família, que tão bem tem sabido cumprir a sua civili-zadora missão ; a segunda, uma das suas melhores e mais assíduas collabo-radoras.

Outros nomesdistinetos recommen-dam muito valiosamente a nova em-preza, cujos serviços é supérfluo en-carecer .

Esse bello semanário, a que se trata de dar o maior desenvolvimento com-pativel com a nosso meio social, re-presenta o esforço corajoso de uma senhora que, apaixonada cultora das lettras, onde bem poucos são os que as estimam, tem feito para a susten-tação de sua revista immensos sacri-ficios. Graças a estes, A Familia alcançou agora certa prosperidade, crescendo sensivelmente tanto «o valor intellectual como no material. Este grande triumpho é de certo um dos maiores que se tem obtido na imprensa periódica fluminense.

Contribuir para elevar ainda mais esta formosa creaçao, e para o êxito completo da empreza que se vae ins-tallar, é concorrer para a definitiva

justificação dos nossos foros de povo civilizado.

Gil. Do Diário de Noticias

Vai em breve instalar-se uma com-panhia denominada Imprensa Fa-miliar,que terá por fim principal ad-querir e mantsr publicação da revista A Familia, orgào dos interesses da mulher.

E' incorporadora a Sra. D. José-phina Alvares de Azevedo, a intre-pida con batente dos direitos da mu-lher.

O eeu capital é de 3o:ooo$ooo. /)' O PaA

O nosso collega A Familia, que tantas (sympathias tem sabido gran-gear, vae passar a ser propriedade de uma companhia com o capital de 30:ooo$ooo, continuando sob a intel-ligente direção da Sra. D. Josephina Alvares de Azevedo e tendo como se-cretaria de redacção a Sra. D. Ignez Sabino.

Comesta transformação muitos me-lhoramentos serão 'introduzidos no interessante jornal da mulher bra-zileira.

Da Gaveta de Noticias.

Presidente—D, Ignez Sabino. Secretario— F. de Assis Vieira. Director-Gerente e Thesoureiro —J. de Araújo Couto.

Redactora-chefe—Josephina Alva-res de Azevedo.

CONSELHO FISCAL Tenente José Augusto Vinhaes. Commendador

José Manoel Tei-xeira.

Dr. Victor M. deS. Monteiro.

Foi nomeado,

pela directoria, para o lugar de sub-gerente desta Compa-nhia, o Sr. Finnino Júlio Ribeiro.

Veneremos a mulher! Santifl-quemol-a e glorífiSantifl-quemol-a!

Victor Hugo.

EXPEDIENTE

A FAMÍLIA

Na qualidade de presidente da Com-panhia Imprensa Familiar, faço pu-blico que os compromissos contra-hidos pela Exma. Sra. D. Josephina Alvares de Azevedo para com os Srs. assignantes do jornal de propa-ganda /i Familia serão desempe-nhados pela mesma Companhia.

Declaro mais que a direcçâo mental do referido jornal continua a cargo da Exma. Sra. D. Josephina Alvares de Azevedo, a qual permanece no seu posto de valorosa combatente em favor da causa feminina.

Rio, 25 de Abril de 1891. Ignez Sabiko.

O NOSSO FIM

Companhia Imprensa

Familiar

Foi installada a Companhia Im-prensa Familiar, ficando a sua di-rectoriacomposta das seguintes se-nhoras e senhores ;

A Familia continuará oecupar a posição que ha longo tempo tem na imprensa desta Capital, isto é, continuará a ser o orgam de propa-ganda da emancipação feminina.

SECÇÃO LITTERARIA A FamiliateA sua secção litte-raria,naqual sairão a lume todas as novidades que nas lettras forem

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ap-parecendo. Além d'isso, possue uma numerosa Redacção litteraria, com-posta de mulheres de lettras de todo o modo habilitadas, que fornecerão ás paginas do nosso periódico os fruetos de seus trabalhos, com os quaes brindaremos as nossas leito-ras.

CRITICA

Abalizadas litteratas exercerão uma severa critica que, com imparciali-dade e delicadeza, externarão estudos sobre todas as composições em prosa e verso, que forem enviadas á redac-ção d' A Familia.

COLLABOEAÇÃO

Franqueia A Familia as suas co-lumnas a todas as senhoras que a queira honrar com a sua collabo-ração.

Fazem parte da collaboraçào de nossa folha, as illustres escriptoras : D. D. Analia Franco, Ignez Sabino, Octavia Mullulo, Julia Cortines, Ma-ria Clara, Presciliana Duarte, MaMa-ria Zalina Rolim, Perpetua do Valle, Maria Jorandes e Maria Amélia de Queiroz.

E' nossa collaboradora em Pariz, Mme. Potonié Pierre.

A Correspondência, desta folha deve ser dirigida para a rua da Qui-danda n- i.

INDICADOR

Médicos

Dr. Acacio de Araújo. — Medico homoepatha.—- Especialista das mo-lestias desenhorase crianças, cousul-torio, rua da Quitanda 'ti. 59> das io ás 12 horas.

Dr. Carlos Tourinho, medico e parteiro. Consultório c residência rua da Assumpcão 37, Botafogo.

Dr. Sebastião Barroso— Partos e moléstias da mulher ; applicação de hvpnotismo. Res. e cons. Largo deS. Francisco de Paula n, (1; telephone

357-Dr. Daniel de Almeida, parteiro Consultório, rua 7 de Setembro 11. 119, das 2 ás 4 horas da tarde ; resi-dencia, Villa Izabel— Rua do Boule-vard.—Chamados a qualquer hora.

Dr. A. Freitas de Sá. medico ope-rador e parteiro; consultadas 12 ás 3 horas, rua da Ajuda, ióo.

Dr, Prudêncio de B. Cotegipe, medico operador e parteiro, estabe-leceu sua residência na rua da Alfan-dega n. 118, onde poderá ser procu-rado a qualquer hora. Especialidades ; Syphilis e moléstias do pulmões. Con-sulta de I ás 3 horas.

Dentistas

Dr. Villarraza—Cirurgião dentis-ta hispano-americano — Iniciador di-rector, proprietário cathedratico da Academia Dental de Havana.

Pós dentrificos de martim vegetal do Dr. Villarraza, os melhores conhecidos até agora. Fabrica. — Gabinete do Dr, Villarraza.

Consultas e operações de 1 ás 4 horas da tarde—Rua S. Francisco cie Assis n. n (antiga da Carioca).

LUIZ DE CARVALHO í C,

COMMISSARIOS DE CAFÉ

R. Visconde de Inhaúma

Grande Pechincha

Só na casa do Barra-Mansa

Ti A RUA DA URUGUAYANA 77 A Sapatos inglezes para senhora, a i$ a 48500 ; ditos fechados a 28 ; ditos com laço, a 1S500 ; sandálias dc bozorrinho para senhora a 28500 ; ditas do castor, a 2$; borzeguins com collarinhos, para menino, a 58; botas de pela lica para meninas, a 48; sapatos do bezer rinho branco, ultima novidade para menino a 38500; ehinellas de marroquina o castor para senhora a i§; botinas de verniz para homems a 5$000; botinas de chagrin para meninos, a 28500 o 28; sapatos amarellos, salto a Luiz XV, para senhora, a 4$; ditos para meninas, a3$; botinas ponteadas para homem, a 5?, grande sortimento de calçados finos dos prin-cipaes fabricantes estrangeiros e nacionaes, para homem, senhoras e creanças, Pedo-se ás Exnias. famílias para fazerem uma visita a este estabecimento para ver a realidade que acima declaramos.

Teixeira de Carvalho & C.

COMPANHIA

AR

N. I

MPRENSA F,

PAPELARIA E TYPOGRAPHIA

RUA DA QUITANDA

N. I

Encarrega-se de todos os trabalhos typographicos

como sejam : notas, facturas, cartões

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Referências

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