RANKING DAS UNIVERSIDADES CATARINENSES EM INOVAÇÃO
José Claudio Amante Universidade Federal de Santa Catarina [email protected] Juliana Duarte Fraga Universidade do Estado de Santa Catarina [email protected] Aline Pacheco Primão Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia [email protected] RESUMO
O Ranking Universitário Folha (RUF) é uma avaliação anual do ensino superior do Brasil feita pela Folha de São Paulo desde o ano de 2012. No RUF, há dois produtos principais: o ranking de universidades e os rankings de cursos. No ranking de universidades estão classificadas as 196 universidades brasileiras, públicas e privadas, a partir de cinco indicadores: pesquisa, internacionalização, inovação, ensino e mercado. Neste sentido, o propósito deste estudo é avaliar o desempenho das Universidades Catarinenses (públicas e privadas) no indicador inovação em 2018. foi definida a metodologia da presente pesquisa como pesquisa documental. A busca foi feita por meio do portal do Ranking Universitário da Folha (RUF). A pesquisa buscou o indicador de inovação do RUF no ano de 2018. A pesquisa limitou-se às Universidades de Santa Catarina. Na pesquisa, constatou-se que as notas máximas no critério inovação são das Universidades Federais, seguidas das Municipais e Estaduais.
1. INTRODUÇÃO
A inovação é um amplo conceito que representa a ciência, tecnologia e a pesquisa científica, mas as universidades brasileiras são por si só ambientes inovadores. Dessa forma, as universidades devem desenvolver estratégias para a inovação, buscando subsidiar a evolução de seus acadêmicos, comunidades e nações para responder às novas necessidades do mercado: competitividade, desenvolvimento econômico e responsabilidade socioambiental.
A eficiência na universidade, a partir do modo de administração, deve ser usada para garantir a qualidade, com a finalidade de saída de mão de obra adequada e eficiente, em termos de desenvolvimento de recursos humanos, capazes de gerar inovação.
O Ranking Universitário Folha (RUF) é uma avaliação anual do ensino superior do Brasil feita pela Folha de São Paulo desde 2012. No RUF, há dois produtos principais: o ranking de universidades e os rankings de cursos.
No ranking de universidades, estão classificadas as 196 universidades brasileiras, públicas e privadas, a partir de cinco indicadores: pesquisa, internacionalização, inovação, ensino e mercado.
Neste sentido, o propósito deste estudo é avaliar o desempenho das Universidades Catarinenses (públicas e privadas) no indicador inovação em 2018, apontando qual a Universidade que apresentou melhores resultados.
2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 2.1. UNIVERSIDADES
De acordo com Viana (1998), a Lei 9.394/96 e o Decreto 2.306/97 classificam as instituições de ensino superior quanto à natureza jurídica de suas mantenedoras e quanto a sua organização acadêmica, conforme pode ser visualizado na Figura 1:
Figura 1- Classificação das instituições de ensino superior
3.
Fonte: Adaptado de Viana, 2018; Brasil, 1996, 2017.
De acordo com o parágrafo 4º do Art. 15 do Decreto 9.325/2017 (Brasil, 2017), “As instituições da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica são equiparadas às universidades federais para efeito de regulação, supervisão e avaliação, nos termos da Lei nº11.892, de 29 de dezembro de 2008.”.
Desafios sociais, culturais e econômicos têm levado as universidades à promoção de práticas que vão além da produção do conhecimento e formação profissional. Para tanto, tais instituições consideram, como pressupostos de sua gestão, o impacto de suas atividades em sua comunidade interna e em seus grupos de interesse (RIBEIRO, 2014).
Esses fatores instigam a reflexão sobre como administrar este novo formato de universidade que, além de requerer um processo de reformulação de estratégias e planos, considerando-se os aspectos mercadológicos e operacionais, demanda também alterações na postura de seus gestores, alunos e professores (LAUX; LAUX, 2004).
As universidades precisam, então, estar aptas a reagir às oportunidades com rapidez e serem prontamente adaptáveis às mudanças advindas de pressões nacionais, industriais e acadêmicas, devendo ter uma visão externa e realista (KERR, 2005). Assim, inseridas em um
contexto marcado por novas demandas, sejam estas vindas do setor produtivo ou de seu próprio corpo discente, e por frequentes alterações na política educacional, as universidades são convocadas a instituir uma gestão mais eficiente e eficaz, desenvolvendo práticas administrativas que resultem em um melhor desempenho da organização e que incrementem a qualidade da educação superior (MEYER JUNIOR; PASCUCCI; MANGOLIN, 2012;MEYER; MEYER JUNIOR, 2013).
Logo, de acordo com Santiago (2017, p. 31), a gestão universitária tem como dever “desenvolver um planejamento com estratégias e práticas administrativas gerenciais para a execução e tomadas de decisão que possibilitem ao cidadão a formação competente para o mercado de trabalho”. Nesse sentido, cabe aos gestores universitários impulsionar a capacidade de expandir e fortalecer o ensino nestas instituições (SANTOS, 2009).
Segundo Kerr (2005), essa transformação gerencial estaria baseada na busca pela excelência, por meio de um modelo de organização proporcional e alinhado ao atual paradigma socioeconômico, pautado pela efetividade sem deixar de preservar os padrões de liberdade e autonomia acadêmica, fundamentais para a manutenção do verdadeiro espírito universitário.
Para o alcance do nível de excelência, Vega (2009) defende o desenvolvimento de uma política universitária fundamentada não apenas na promoção do conhecimento e na sua autonomia, mas na equidade, democracia e no retorno que esta instituição deve dar à sociedade. Desta forma, as universidades precisam revisar suas estruturas para torná-las mais adaptáveis às circunstâncias atuais, com o intuito de garantir sua representatividade, eficiência e eficácia, a serviço do desenvolvimento social e econômico (VEGA, 2009).
Para Meyer Junior (2014, p. 1), contudo:
[...] é impossível ignorar a complexidade das organizações educacionais caso se queira melhor compreender a sua realidade, comportamento e desempenho. Administrar uma organização acadêmica, cuja missão é educar seres humanos, requer visão, intuição, sensibilidade e o uso de ferramentas administrativas adequadas às especificidades deste tipo de organização.
Segundo Trigueiro (1999), a complexidade da gestão universitária está atrelada à sua estrutura organizacional, pois esta compreende docentes, pesquisadores, discentes e técnico administrativos, com uma ordem normativa, escalas de autoridade e sistemas de comunicação. A administração universitária tem, portanto, uma forma diferente de ser gerenciada, pois possui regimentos, estatutos e métodos distintos que a diferenciam das demais organizações (RIZZATTI; RIZZATTI JUNIOR, 2004). Em se tratando de universidades públicas, esta complexidade se potencializa, uma vez que estas estão também sujeitas às premissas da administração pública (MAGIONI; PASCUCI; MEYER JUNIOR, 2014).
Diante destas peculiaridades, Wanderley (2003, p. 62) afirma que “administrar uma instituição que cresce, cada vez mais complexa e especializada, exige a tomada de medidas administrativas novas e imaginativas”. Dessa forma, o principal desafio dos gestores universitários é a adoção de um modelo de administração que integre as variáveis presentes na complexidade das instituições acadêmicas (MEYER JUNIOR; LOPES, 2015).
Nesta linha, Kerr (2005) sugere que as diferentes culturas, as idiossincrasias, as concepções discordantes e até mesmo os interesses contraditórios acerca da instituição universitária sejam consonantes, ou seja, unidos e orientados para o desenvolvimento institucional, social, científico, tecnológico e, consequentemente, para o fortalecimento econômico regional e nacional. A universidade deve deixar de ser uma instituição alheia à
realidade e passar a ser moderna, representativa e proativa diante das expectativas da sociedade (KERR, 2005).
Rizzatti e Rizzatti Junior (2004), por sua vez, apontam que:
A administração universitária tem como ação conduzir a instituição pelo melhor caminho à realização de seus objetivos, sem comprometer o futuro, sem assumir riscos desnecessários. Como detentora da autoridade deliberativa, a direção universitária representa o poder de mando definido nos contratos, estatutos e regimentos da instituição, qualquer que seja a sua natureza. Em síntese, a direção universitária é a capacidade de usar a instituição e a administração como atividades meio para obter, eficiente e eficazmente, os resultados das atividades-fim com a melhor qualidade (RIZZATTI; RIZZATTI JUNIOR, 2004, p. 5).
A universidade tem sido, também, pressionada a adaptar-se à mudanças fundamentadas em dispositivos legais nacionais ou locais. As universidades federais brasileiras são submetidas a rígidos e sistemáticos processos avaliativos por parte do Governo Federal, cujos resultados determinam a sua manutenção e existência (RIBEIRO, 2014; MEDEIROS, 2016). Um desses instrumentos é o Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI). Estabelecido pelo Ministério da Educação por meio do Decreto nº 5.773 de 09 de maio de 2006, o PDI representa uma ferramenta para planejar as ações da gestão universitária em todas as suas dimensões. Esse instrumento deve contemplar a missão da instituição de ensino superior e as estratégias para atingir suas metas e objetivos, abrangendo um período de cinco anos (SANTIAGO, 2017). Assim, o PDI possibilita que “a gestão enxergue a instituição dentro de um horizonte, e para isso, acabe traçando metas, objetivos e ações estratégicas, dando um rumo às universidades” (SILVA, 2013, p. 135).
Em paralelo ao PDI, “o Estatuto é o documento legal da universidade para delinear sua estrutura e seu funcionamento e, assim, definir a sua política universitária em suas múltiplas áreas: ensino, pesquisa, extensão e gestão” (RIBEIRO, 2014, p. 2).
Portanto, a gestão universitária é delineada nos Estatutos a partir da missão, dos objetivos e das finalidades da instituição, e precisa considerar as rápidas mudanças ocorridas no campo político, social, econômico e cultural (RIBEIRO, 2014).
Ante o exposto, a universidade deve ser entendida como uma instituição social e complexa, cujo compromisso perante sua comunidade interna é igualmente relevante à sua responsabilidade em relação à sociedade. Por isso, requer uma gestão acadêmica dinâmica para cumprir sua missão e responder aos anseios da sociedade. Para tanto, torna-se essencial sua modernização, especialmente em relação ao ensino e aprendizagem para a formação de profissionais (SANTIAGO, 2017).
Após contextualizar as universidades, cabe adentrar nas características da Inovação na Universidade.
2.2. INOVAÇÃO NAS UNIVERSIDADES
A inovação é um amplo conceito que representa a ciência, tecnologia e a pesquisa científica; mas as universidades brasileiras são por si só um ambiente inovador. Dessa forma, as universidades devem desenvolver estratégias para a inovação, buscando subsidiar a
evolução de seus acadêmicos, comunidades e nações para responder as novas necessidades do mercado: competitividade, desenvolvimento econômico e responsabilidade socioambiental.
Cunha, Rego, Cunha e Cabral-Cardoso (2006) acreditam que a inovação é algo bom para a sobrevivência de uma empresa, mas de difícil gestão. Mendonça (2005) comenta que a inovação é sempre uma atividade incerta e a certeza irá depender de quanto o ambiente organizacional é propício.
Considerando as múltiplas definições de inovação, com vertentes das áreas de economia, gestão e educação, agregando uma visão mais prática, pode-se definir inovação como a efetiva implementação, com sucesso (valor agregado), de novas ideias, em um determinado contexto. Uma ideia pode ser inteiramente nova ou envolver a aplicação de ideias já existentes, mas que são novas para um determinado contexto, bem como uma combinação entre as duas formas. A efetiva implementação envolve a ação de realizar, a exploração da ideia inicial, ou seja, associa a noção de realização, de colocar em prática, no mundo real, a ideia. Gerando resultado efetivo, agregando valor no contexto de seu uso.
Para Bolwijin e Kumpe (1990, p. 52) “a firma inovativa é caracterizada por sua habilidade de coordenar desenvolvimento tecnológico, aplicável em unidades de negócios separáveis”. Os autores denotam que uma empresa pode ser inovadora não se restringindo com a introdução de novas tecnologias, mas também quando desenvolve novos mercados e mudanças organizacionais.
Nesse sentido, se desenvolve uma reflexão sobre a inovação enquanto derivada de pesquisa, conceito e tipologia, bem como uma análise das implicações de potenciais inovações disruptivas na área de educação superior, chegando à emergência da terceira missão e o papel esperado da Universidade na sociedade atual, sob essa perspectiva da terceira missão, onde a Universidade passa a ter um papel protagonista no processo de desenvolvimento econômico e social, tendo a inovação e os ambientes de inovação como fundamento.
2.3. INDICADOR INOVAÇÃO DO RUF
O indicador do RUF corresponde a 4% do total da nota atribuída às Universidades no ranking. Possui dois componentes: Patentes e parcerias com empresas.
As patentes correspondem a 2% da nota total. É considerado o número de patentes pedidas pela universidade em dez anos (2007-2016).
As parcerias com empresas também corresponde a 2% da nota total. É considerada a quantidade de estudos publicados pela universidade em parceria com o setor produtivo, de 2011 a 2015, nos periódicos da Web of Science.
4. METODOLOGIA
Em busca do atendimento do objetivo proposto, foi definida a metodologia da presente pesquisa como pesquisa documental. A busca foi feita por meio do portal do Ranking Universitário da Folha (RUF). A pesquisa buscou o indicador de inovação do RUF no ano de 2018. A pesquisa limitou-se às Universidades de Santa Catarina.
5. RESULTADOS
O estado de Santa Catarina possui 13 Universidades, incluindo públicas e privadas (Quadro 1).
Quadro 1- Universidades de Santa Catarina
UNIVERSIDADE NATUREZA JURÍDICA
Universidade Federal de Santa Catarina Federal Universidade de Santa Catarina Estadual Universidade do Vale do Itajaí Privada Universidade Regional de Blumenau Municipal Universidade do Sul de Santa Catarina Privada Universidade do Extremo Sul de Santa
Catarina
Privada
Universidade da Região de Joinville Privada Universidade Federal da Fronteira Sul Federal Universidade do Oeste de Santa Catarina Privada Universidade Comunitária da Região de
Chapecó
Privada
Universidade do Contestado Municipal Universidade Alto Vale do Rio do Peixe Municipal Universidade do Planalto Catarinense Privada
Neste estudo, optou-se em estudar o critério de inovação do RU apenas nas Universidades do Estado de Santa Catarina. O gráfico 1 apresenta a Universidades do Estado de Santa Catarina divididas em Federais, Estaduais, Municipais e Privadas.
Gráfico 1- Natureza jurídica das Universidades Catarinenses
Fonte: Elaborado pelos autores baseado na Folha de São Paulo, 2018.
Observa-se que 54% das Universidades do Estado são privadas, 10% municipais, 7,7% estaduais e 15,4% federais. O Gráfico 2 apresenta a média, o mínimo e o máximo do quesito inovação nas Universidades Catarinenses.
Gráfico 2 - Notas em inovação das Universidades Catarinenses no RUF.
As médias em inovação são maiores nas universidades estaduais, seguidas das federais, municipais e privadas. As notas mínimas seguem a mesma lógica, sendo que, as privadas apresentam um valor bem abaixo das demais. Quando se trata das notas máximas as federais possuem maior valor, seguidas das municipais e estaduais. As privadas apresentam valor bem abaixo. Cabe também apresentar a posição de cada Universidade Catarinense no Ranking geral das Universidades, a posição no ranking em inovação e a nota.
Quadro 2 - Posição no ranking, posição em inovação e nota
Ranking das Universida des Nome Naturez a Jurídica Posição em Inovação Nota em Inovação
6 Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)
Federal 13 3,27
40 Fundação Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC)
Estadual 50 2,33
75 Universidade do Vale do ItajaÍ (UNIVALI) Privada 128 1,09 77 Universidade Regional de Blumenau (FURB) Municip al 45 2,43
83 Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL)
Privada 100 1,55
87 Universidade do Extremo Sul Catarinense (UNESC)
Privada 108 1,33
94 Universidade da Região de Joinville (UNIVILLE)
Privada 144 0,81
112 Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS)
Federal 105 1,37
Catarina (UNOESC)
163 Universidade Comunitária da Região de Chapecó
(UNOCHAPECO)
Privada 132 1,01
171 Universidade do Contestado (UNC) Municip al
122 1,17
180 Universidade Alto Vale do Rio do Peixe (UNIARP) Municip al 187 Universidade do Planalto Catarinense (UNIPLAC) Privada
Fonte: Folha de São Paulo, 2018.
Observa-se que a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) ocupa o 6° lugar no ranking das universidades brasileiras. A com melhor posição em inovação é a Universidade do Oeste de Santa Catarina (UNOESC) e a com melhor nota em inovação em 2018 foi a UFSC.
6. CONCLUSÃO
Mensurar a inovação é uma importante base para a gestão da inovação e essencial dentro de qualquer organização que tenha em seus objetivos estratégicos o desenvolvimento constante de novos produtos e processos e efetivam a cultura da inovação. Nas Universidades isso não se difere.
Nesta pesquisa constatou-se que as notas máximas no critério inovação são das Universidades Federais, seguidas das Municipais e Estaduais.
Tendo em vista que um dos componentes do indicador inovação são as patentes, considera-se lógico este resultado.
Sendo que a inovação é um amplo conceito que representa a ciência, tecnologia e a pesquisa, a autora considera que o indicador “inovação” do RUF deveria considerar outros critérios em sua composição.
REFERÊNCIAS
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