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Integração de avaliações ergonômicas quantitativas e qualitativas para o diagnóstico da sobrecarga física e incidência de lesões osteomioarticulares

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Academic year: 2021

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INTEGRAÇÃO DE AVALIAÇÕES ERGONÔMICAS QUANTITATIVAS E QUALITATIVAS

PARA O DIAGNÓSTICO DA SOBRECARGA FÍSICA E INCIDÊNCIA DE LESÕES OSTEOMIOARTICULARES

Tese submetida ao Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção da Universidade Federal de Santa Catarina para a obtenção do Grau de Doutor em Ergonomia.

Orientador: Prof. Dr. Eugenio Andrés Díaz Merino.

Florianópolis 2018

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Este trabalho é dedicado primeiramente a Deus, o princípio criador em sua infinita sabedoria. Aos meus queridos e amados pais, Aldo

Mannrich e Arlete das Graças Pereira Mannrich, por terem me proporcionado crescer, ensinando-me, por meio de seus exemplos de luta, honestidade e, sobretudo, de bondade, a ser quem eu sou hoje. À minha esposa, Cristiane de Souza Koerich Mannrich, por seu amor e paciência, e por me incentivar sempre, sendo o porto seguro de todas as minhas conquistas. Aos meus filhos, Giulia Koerich Mannrich e

Matheus Koerich Mannrich, minhas vidas, meus orgulhos, razão de minha constante busca por querer ser melhor do que sou hoje: amo vocês!

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AGRADECIMENTOS

Agradeço a Deus, em sua luz, por iluminar meus caminhos e por toda a sabedoria e bondade com que acalma meu coração quando tudo parece intransponível e impossível de ser realizado e aprendido.

Agradeço especialmente ao Mestre, no sentido mais respeitoso e pleno que esta palavra possa representar, Professor Doutor Eugenio Andrés Díaz Merino. Agradeço inicialmente pela oportunidade em proporcionar-me o que parecia incerto e distante, mas agradeço principalmente por sua justiça e bondade, confiando e depositando uma fé inabalável em meu conhecimento e na minha vontade, pois mesmo ao perceber minhas falhas e limitações, não perdeu a esperança e continuou a fazer o que faz magistralmente. Agradeço por me ter ensinado com afinco, carinho, rigor, esperança e, sobretudo, com dedicação e muita fé em seu trabalho, que executa a duras penas, muitas vezes sem ter o mérito reconhecido, mas que não desiste de continuar sua missão, a missão de mudar o mundo para melhor, oportunizando, ensinando e fazendo crescer cada um de nós, os orientandos e, sobretudo, os seus alunos. Muito obrigado meu Mestre e amigo! Conte comigo sempre, e tenha certeza de minha eterna gratidão, pois com o exemplo de sua dedicação, tornei-me melhor, cresci; todos que cruzam nossos caminhos, nos ensinam algo e nos transformam, tenha certeza que cresci muito nestes anos de meu doutoramento. Obrigado!

Agradeço à minha família, por acreditar em meu esforço, por apoiar minhas ausências, por ter paciência com meu humor cansado e, sobretudo, pelo amor incondicional, que me dá força todos os dias para não desanimar e continuar a busca pelo crescimento e pelo conhecimento. Agradeço imensamente ao Diretor do Instituto de Psiquiatria do estado de Santa Catarina, Dr. Paulo Março de Souza, pelo apoio incondicional à minha vontade de realizar esta capacitação, tendo compreendido a importância que esta formação representa em minha carreira profissional e acreditado que esta oportunidade traria benefícios (como trouxe) ao atendimento fisioterapêutico aos pacientes, aos funcionários e ao próprio Hospital; acreditando, mesmo que num gesto de fé e confiança, que este doutoramento se somasse à sua vontade, em ver a prosperidade e o crescimento do Instituto de Psiquiatria do Estado de Santa Catarina como instituição, com profissionais dedicados e capacitados. Muito brigado por permitir que o estudo se realizasse dentro do Hospital, permitindo o desenvolvimento de projetos voltados ao paciente no decorrer destes anos de parceria com o Núcleo de Gestão em

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Design/Laboratório de Design e Usabilidade (NGD/LDU) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

Agradeço a todos os meus colegas de doutoramento, pela parceria e pela colaboração no desenvolvimento e estudos conjuntos que muito contribuíram para o meu crescimento e para o desenvolvimento desta tese. Em especial, às amigas Giselle Mari Speck e Rosimeri Pitchler, que me acompanharam em muitos trabalhos; obrigado por toda ajuda, dicas, ensinamentos, principalmente durante a coleta de dados! Obrigado! Contem comigo sempre!

Agradeço especialmente a todos os técnicos de enfermagem, que voluntariamente aceitaram participar deste estudo, que mais do que voluntariamente, concordaram em interromper suas atividades rotineiras e submeterem-se ao novo, ao incerto; àqueles que com amizade e coragem ajudaram a mostrar o que sofrem no seu dia a dia no atendimento ao paciente e, imbuídos de motivação, lançaram-se na contribuição da busca pelo melhor, na busca pelo aumento de qualidade do que fazem, na busca oferecida pelo desenvolvimento científico. A todos, minha eterna gratidão.

Agradeço também aos meus colegas de profissão, que mantiveram a qualidade do setor de fisioterapia do IPq, tornando minha ausência parcial e menos sentida pelos pacientes e pelo próprio serviço.

Finalmente, gostaria de agradecer a todos os que estiveram ao meu lado, em presença ou em pensamentos positivos, ao longo desta caminhada. Muito obrigado!

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“Jamais considere seus estudos como uma obrigação, mas como uma oportunidade invejável para aprender a conhecer a influência libertadora da beleza do reino do espírito, para seu próprio prazer pessoal e para proveito da comunidade à qual seu futuro trabalho pertencer.”

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RESUMO

A preocupação com o bem-estar, saúde e segurança do ser humano no trabalho é algo cada vez mais realizado pelas empresas nos últimos anos. No Brasil, em 2016, observa-se que ocorreram 578,9 mil acidentes de trabalho, dos quais, 77% acabaram em invalidez permanente ou em afastamento temporário do emprego. Para os profissionais da saúde, a realidade não é diferente. As características do trabalho com as rotinas diárias do cuidado ao paciente são apontadas como causadoras de Lesões por Esforço Repetitivo (LER) e de Distúrbios Ocupacionais Relacionados ao Trabalho (DORT) que acometem o trabalhador. Este estudo tem como objetivo uma integração de avaliações ergonômicas para obtenção de medidas quantitativas e qualitativas para tratar desta sobrecarga física que acomete o trabalhador em seu ambiente de trabalho, por meio de tecnologias de instrumentação biomecânica e fisiológica, medidas quantitativas, e utilizando entrevista, questionário e escala de dor, medidas subjetivas, com o intuito de identificar os limites físicos e o impacto do esforço laboral nas regiões corporais de técnicos de enfermagem de um hospital público psiquiátrico, durante a realização da rotina diária de trabalho. A incidência de lesões que acometem os profissionais é alta, presente em 100% dos entrevistados. A maior incidência de dor está localizada na região lombar (80%), com intensidade média de 8 na escala (interpretada como dor intensa); seguida pela região cervical (50%), que apresenta dor 7 (classificada como dor intensa); e, por fim, dorsal e ombros (ambos com 40%), que apresentam respectivamente 7,5 e 7 de intensidade de dor, representando também quadro de dor intensa para estes segmentos. Para avaliações biomecânicas, utilizou-se o sistema de captura de movimentos por centrais inerciais MVN Biomech – Xsens, que, nos dados captados e analisados, apontou uma frequência de erros posturais e de posturas inadequadas, como a média de ângulo de flexão anterior de tronco, postura mais frequente realizada pelos técnicos de enfermagem de 43° (ângulo min. 12° - ângulo máx. 74°), representando grande risco para lombalgias. Na avaliação com a termografia corporal da região mais acometida, a lombar, constatou-se um aumento médio de temperatura de + 0,95º (p≤0,04), após duas horas de trabalho. Na eletromiografia de superfície foram constatados os tempos de limiar de fadiga dos músculos paravertebrais para as posições de 20° e 60° de ângulos de flexão de tronco dos técnicos de enfermagem, obtendo tempos médios de 6min. 48s e 3min. 10s, respectivamente, como limite de resistência dos músculos paravertebrais avaliados. Apresentou-se para essa população picos de

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amplitude de sinal de 155,9 µV para 20° de flexão anterior de tronco e 273,5 µV para 60°. Com a integração dos dados obtidos pelas avaliações objetivas e subjetivas, pôde-se constatar, de forma mais específica, que o esforço realizado pelos técnicos de enfermagem em sua demanda de trabalho gera uma sobrecarga física significativa, resultando em um progressivo quadro de incapacidade e dor, principalmente no segmento lombar. Esta constatação, evidenciando as principais causas físicas de LER e DORT, é possível por meio deste modelo de integração de avaliações propostos neste estudo, caracterizando os momentos de risco físico à saúde dos técnicos de enfermagem, que progressivamente levam ao absenteísmo, comprometendo a qualidade dos serviços prestados ao paciente e causando danos à saúde.

Palavras-chave: Sobrecarga física. LER e DORT. Xsens. Eletromiografia. Termografia.

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ABSTRACT

Concern about the well-being, health and safety of the human being at work has been increasingly achieved by companies in recent years. In Brazil it is observed that in 2016 occurred 578,900 work accidents, of which 77% ended up in permanent disability or temporary absence from employment. For health professionals the reality is no different. The characteristic of working daily with patient care routines is identified as causing the Repetitive Strain Injury (RSI) and Occupational Related Diseases (DORS) that affect the worker. This study aims at integrating ergonomic evaluations to obtain quantitative and qualitative measures of this physical overload, which affect the workers in their work environment using biomechanical and physiological instrumentation technologies, quantitative measures, and using interview, questionnaire and pain scale, subjective measures, in order to identify the physical limits and the impact of the work effort in the body regions of nursing technicians of a public psychiatric hospital, during the accomplishment of its daily patient care routine. The incidence of injuries that affect the professionals is high, present in 100% of the interviewees. The highest incidence of pain is located in the lumbar region (80%), with an average intensity of 8 on the scale (interpreted as severe pain), followed by the cervical region (50%) presenting pain 7 (classified as severe pain), dorsal and shoulders (both with 40%) that respectively show 7,5 and 7 pain intensity, also representing intense pain for these segments. In the assessment with body thermography of the most affected region, the lumbar region, a significant mean increase (p≤0.001) in temperature of + 0.95ºC was observed after two hours of work. The MVN Biomech-Xsens motion capture system was used to evaluate the postures, which pointed to postural errors and inadequate postures adopted at work, with the mean trunk anterior flexion angle, a more frequent posture performed by the nursing technicians of 43° (angle min. 12° - angle max. 74°) representing great risk for low back pain. In the surface electromyography, the fatigue threshold time of the paravertebral muscles were observed in the positions of 20° and 60° of trunk anterior flexion of the nursing technicians, obtaining average times of 6min48s and 3min10s respectively, as limit of resistance of the paravertebrae muscles evaluated. Signal amplitude peaks of 155.9 μV for 20° of trunk anterior flexion and 273.5 μV for 60° were recorded for this population, registering a significant variation (p≤0.031) of peak signal increase, caused by the increase of the lumbar angle adopted by the nursing technicians at work. With the integration of the data obtained by the objective and subjective evaluations, it can be stated

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in a more specific way, that the effort made by the nursing technicians in their work demand generates a significant physical overload, resulting in progressive disability and pain, especially in the lumbar segment. This finding, evidencing the main physical causes of LER and DORT, is possible through this integration model of assessments proposed in this study, characterizing the moments of physical risk to the health of nursing technicians, who progressively cause absenteeism, compromising quality of services provided to the patients and causing health damage.

Keywords: Ergonomics. Physical overload. LER and DORT. Nursing technicians.

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RESUMEN

La preocupación por el bienestar, la salud y la seguridad del ser humano en el trabajo es algo cada vez más realizado por las empresas en los últimos años. En Brasil se observa que en 2016 ocurrieron 578,9 mil accidentes de trabajo, de los cuales el 77% terminó en invalidez permanente o entonces, alejamiento temporal del empleo. Para los profesionales de la salud la realidad no es diferente. La característica del trabajo con las rutinas diarias del cuidado con el paciente, son apuntadas como causantes de las Lesiones de Esfuerzo Repetitivo (LER) y las Enfermedades Ocupacionales Relacionadas al Trabajo (DORT) que acomete al trabajador. Este estudio tiene como objetivo una integración de evaluaciones ergonómicas para la obtención de medidas cuantitativas y cualitativas de esta sobrecarga física, que acomete al trabajador en su ambiente de trabajo, utilizando las tecnologías de instrumentación biomecánica y fisiológica, medidas cuantitativas, y utilizando entrevista, cuestionario y escala de dolor, medidas subjetivas, con el fin de identificar los límites físicos y el impacto del esfuerzo laboral en las regiones corporales de técnicos de enfermería de un hospital público psiquiátrico, durante la realización de la rutina diaria de trabajo. La incidencia de lesiones que afectan a los profesionales es alta, presente en el 100% de los entrevistados. La mayor incidencia de dolor se encuentra en la región lumbar (80%), con una intensidad media de 8 en la escala (interpretada como dolor intenso), seguida por la región cervical (50%) que presenta dolor 7 (clasificada como dolor intenso), dorsal, (ambos con 40%) que presentan respectivamente 7,5 y 7 de intensidad de dolor, representando también cuadro de dolor intenso para estos segmentos. En la evaluación con la termografía corporal de la región más acometida, la región lumbar, se constató un aumento promedio significativo (p≤0,001) de temperatura de + 0,95ºC, después de dos horas de trabajo. Para evaluar las posturas, se utilizó el sistema de captura de movimientos por centrales inerciales MVN Biomech - Xsens, que apuntó errores posturales y posturas inadecuadas adoptadas en el trabajo, con el promedio de ángulo de flexión anterior de tronco, postura más frecuente realizada por los técnicos de enfermería de 43 ° (ángulo min.12 ° - ángulo máx.74 °) representando un gran riesgo para las lumbalgias. En la electromiografía de superficie se constataron los tiempos de umbral de fatiga de los músculos paravertebrales para las posiciones de 20 ° y 60 ° de ángulos de flexión de tronco de los técnicos de enfermería, obteniendo tiempos medios de 6min48s y 3min10s respectivamente, como límite de resistencia de los músculos paravertebrales evaluados. Se presentó para esa población,

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picos de amplitud de señal de 155,9 μV a 20 ° de flexión anterior de tronco y 273,5 μV a 60 °, registrando variación significativa (p≤0,031) de aumento de pico de señal, ocasionado por el aumento del ángulo lumbar adoptado por los técnicos de enfermería en el trabajo. Con la integración de los datos obtenidos por las evaluaciones objetivas y subjetivas, se puede constatar de forma más específica, que el esfuerzo realizado por los técnicos de enfermería en su demanda de trabajo, genera una sobrecarga física significativa, que resulta en un progresivo cuadro de incapacidad y dolor, principalmente en el segmento lumbar. Esta constatación, evidenciando las principales causas físicas de la LER y de la DORT, es posible por medio de este modelo de integración de evaluaciones propuestos en este estudio, caracterizando los momentos de riesgo físico a la salud de los técnicos de enfermería, que progresivamente causan el absentismo, comprometiendo la calidad de los servicios prestados al paciente y causando daños a la salud.

Palabras clave: Ergonomía. Sobrecarga física. LER y DORT. Técnicos de enfermería.

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LISTA DE FIGURAS

Figura 1 - Princípios doutrinários e organizativos do Sistema Único de

Saúde ... 53

Figura 2 - LER e DORT nos segmentos corporais ... 66

Figura 3 - Elementos que compõem uma avaliação dos fatores humanos .. 83

Figura 4 - Orientação e validação para escolha da ferramenta de avaliação no processo de intervenção ergonômica ... 88

Figura 5 - Ilustração do equipamento Xsens - avaliação do movimento ... 92

Figura 6 - Equipamento EMG - registro de sinal elétrico muscular ... 97

Figura 7 - Termovisor série E40 - registro termográfico ... 101

Figura 8 - Esquema corporal ilustrativo dos resultados obtidos por meio do Questionário Nórdico de Sintomas Osteomusculares - QNSO ... 106

Figura 9 - Escala visual analógica, escala numérica de dor e escala de faces de dor ... 110

Figura 10 - Etapas da pesquisa, conforme proposto por Köche (2012) .... 117

Figura 11 - Sequência do estudo piloto para as coletas de dados nos técnicos de enfermagem ... 119

Figura 12 - Descrição da sequência de coleta de dados realizada com os técnicos de enfermagem voluntários do estudo ... 124

Figura 13 - Protocolo de Avaliação Termográfica adotado no estudo ... 128

Figura 14 - Avaliação com captura de movimentos pelo Xsens (MVN) ... 129

Figura 15 - Colocação dos eletrodos nos paravertebrais para avaliação eletromiográfica ... 130

Figura 16 - Mensuração dos ângulos adotados para a avaliação EMG nas posturas isométricas ... 131

Figura 17 - Instituto de Psiquiatria do Estado de Santa Catarina ... 135

Figura 18 - Fluxograma dos serviços do IPq/SC ... 136

Figura 19 - Postura de risco para lesões lombares realizadas pelos técnicos de enfermagem durante o atendimento ao paciente ... 143

Figura 20 - Esquema corporal caracterizando a incidência de lesões que acometem os segmentos corporais dos técnicos de enfermagem, segundo o QNSO ... 145

Figura 21 - Características de sobrecargas físicas comuns aos técnicos de enfermagem ... 147

Figura 22 - Incidência e média da intensidade de dor nos segmentos corporais, segundo a Escala Visual Analógica de dor ... 149

Figura 23 - Registros da avaliação termográfica e distribuição de temperatura ... 156

Figura 24 - Técnico de enfermagem no início do turno de trabalho após a colocação do Xsens (MVN) para a coleta dos ângulos realizados durante o atendimento dos pacientes ... 158

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Figura 25 - Modelo de tela do software mostrando o avatar (diagrama de corpo) - registro gráfico dos ângulos de flexão anterior de tronco durante a realização do trabalho com o paciente da enfermaria ... 159 Figura 26 - Exemplo de queixa de dor e de intensidade da dor por segmento

corporal acometido ... 160 Figura 27 - Ângulos realizados pela coluna lombar dos técnicos de

enfermagem durante o atendimento de pacientes; registro da postura, na atividade de secar o paciente após o banho ... 161 Figura 28 - Posturas de flexão anterior de tronco classificadas pelo

protocolo RULA ... 163 Figura 29 - Comparação da característica de sinal EMG dos técnicos de

enfermagem saudáveis com o padrão encontrado nos técnicos de enfermagem com lombalgia crônica ... 170 Figura 30 - Avaliação dos 7 técnicos de enfermagem avaliados pela EMG,

evidenciando as alterações de amplitude de sinal encontradas ... 171 Figura 31 - Integração das avaliações ergonômicas e diagnóstico de LER e

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LISTA DE QUADROS

Quadro 1 - Localização das dores no corpo provocadas por posturas inadequadas ... 78 Quadro 2 - Rotina de trabalho dos técnicos de enfermagem nas

enfermarias do IPq ... 139 Quadro 3 - Síntese dos resultados obtidos nas avaliações ergonômicas

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LISTA DE TABELAS

Tabela 1 - Avaliação termográfica em °C do segmento lombar e dos segmentos cervicais e pescoço, antes e depois de 2h de trabalho ... 154 Tabela 2 - Avaliação utilizando o Xsens (MVN) do segmento lombar,

antes e depois de 2h de trabalho ... 163 Tabela 3 - Tempo de resistência à fadiga dos paravertebrais lombares,

nas posturas de 20° e 60° de flexão anterior de tronco,

avaliados pela eletromiografia ... 166 Tabela 4 - Pico e média de sinal elétrico dos paravertebrais lombares,

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SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO ... 27 1.1 APRESENTAÇÃO DO TEMA E DO PROBLEMA DE

PESQUISA ... 27 1.2 OBJETIVOS ... 32 1.2.1 Objetivo geral ... 32 1.2.2 Objetivos específicos ... 33 1.3 JUSTIFICATIVA E MOTIVAÇÃO ... 33 1.4 ORIGINALIDADE E INEDITISMO ... 39 1.5 DELIMITAÇÃO ... 44 1.6 CARACTERIZAÇÃO GERAL DA PESQUISA ... 45 1.7 ADERÊNCIA AO PROGRAMA E RELEVÂNCIA ... 46 1.8 ESTRUTURA DA TESE ... 47 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA ... 49 2.1 O DESENVOLVIMENTO DA SAÚDE NO BRASIL ... 49 2.2 O DESENVOLVIMENTO DA SAÚDE MENTAL NO

BRASIL ... 57 2.3 POLÍTICAS DE SAÚDE AO TRABALHADOR ... 62 2.4 LESÕES POR ESFORÇO REPETITIVO (LER) E

DISTÚRBIOS OCUPACIONAIS RELACIONADOS AO TRABALHO (DORT) ... 65 2.5 SOBRECARGA FÍSICA, FADIGA E LESÕES

OSTEOMUSCULARES ... 70 2.6 ALTERAÇÕES POSTURAIS NO TRABALHO E

ERGONOMIA ... 77 2.6.1 Ergonomia ... 80 2.7 AVALIAÇÃO FÍSICA LABORAL, MEDIDAS OBJETIVAS

E SUBJETIVAS ... 86 2.7.1 Métodos quantitativos de avaliação biomecânica e

fisiológica aplicados à ergonomia ... 90 2.7.1.1 Sistema de Captura de Movimentos por Sensores Inerciais

MVN Biomech - Xsens ... 91 2.7.1.2 Eletromiografia de superfície - EMG ... 96 2.7.1.3 Equipamento de avaliação eletromiográfica ... 97 2.7.1.4 Avaliação termográfica infravermelha - termografia superficial .

... 100 2.7.2 Métodos subjetivos de avaliação ergonômica ... 105

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2.7.2.1 Questionário Nórdico de Sintomas Osteomusculares (QNSO) ... ... 105 2.7.2.2 Escalas analógicas de dor (EVA/Dor) ... 109 2.7.2.3 Síntese da fundamentação teórica ... 111 3 METODOLOGIA ... 115 3.1 CARACTERIZAÇÃO GERAL DA PESQUISA ... 115 3.2 ETAPAS DO ESTUDO... 117 3.2.1 Etapa 1 - Preparação ... 117 3.2.2 Etapa 2 - Construção da Pesquisa ... 118 3.2.3 Etapa 3 - Execução ... 121 3.3 MATERIAIS E MÉTODOS ... 125 3.3.1 A aplicação da entrevista sociodemográfica ... 125 3.3.2 A aplicação do Questionário Nórdico de Sintomas

Osteomusculares – QNSO ... 125 3.3.3 A aplicação da Escala Visual Analógica de Dor – EVA/Dor .

... 126 3.3.4 A aplicação da Avaliação Termográfica ... 127 3.3.5 A avaliação utilizando o Xsens (MVN) para a captura de

movimentos ... 128 3.3.6 A avaliação Eletromiográfica de Superfície (EMG) ... 130 3.4 TRATAMENTO ESTATÍSTICO DOS DADOS ... 132 3.5 ASPECTOS ÉTICOS DO ESTUDO ... 133 4 RESULTADOS E DISCUSSÃO ... 135 4.1 CARACTERIZAÇÃO DO LOCAL DO ESTUDO ... 135 4.2 CARACTERIZAÇÃO DOS TÉCNICOS DE ENFERMAGEM

... 137 4.3 DESCRIÇÃO DA ROTINA DE TRABALHO NAS

ENFERMARIAS ... 137 4.4 INCIDÊNCIA DE LESÕES SEGUNDO O QNSO ... 144 4.5 INCIDÊNCIA DE DOR SEGUNDO A EVA ... 148 4.6 AVALIAÇÃO TERMOGRÁFICA DOS TÉCNICOS DE

ENFERMAGEM ... 153 4.7 AVALIAÇÃO DAS POSTURAS DE TRABALHO PELA

CAPTURA DE MOVIMENTO UTILIZANDO O Xsens (MVN) ... 157 4.8 AVALIAÇÃO ELETROMIOGRÁFICA DA COLUNA

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5 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES ... 179 5.1 CONCLUSÕES ... 179 REFERÊNCIAS ... 187 APÊNDICE A – ENTREVISTA COM OS TÉCNICOS DE

ENFERMAGEM DO IPQ/SC ... 215 APÊNDICE B – DISTÚRBIOS

MUSCULOESQUELÉTICOS ... 216 ANEXO A – TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E

ESCLARECIDO ... 217 ANEXO B – PARECER CONSUBSTANCIADO DO CEP

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1 INTRODUÇÃO

1.1 APRESENTAÇÃO DO TEMA E DO PROBLEMA DE PESQUISA

O entendimento das interações entre os seres humanos e outros elementos ou sistemas, e a aplicação de teorias, princípios, dados e métodos a projetos, a fim de aperfeiçoar o bem-estar humano, é condição atual e necessária para que se possa melhorar o desempenho global do sistema de trabalho ao qual o homem está incutido. A ergonomia, neste contexto, contribui para o planejamento, projeto e avaliação de tarefas, postos de trabalho, produtos, ambientes e sistemas, de modo a torná-los compatíveis com as necessidades, habilidades e limitações das pessoas (ABERGO, 2016).

A preocupação com o bem-estar, a saúde e a segurança do ser humano no trabalho, seja este leve ou pesado, vem aumentando nos últimos anos, já que, quando o trabalho representa risco iminente à saúde do trabalhador, a situação passa a ser desfavorável, inadequada à saúde e, consequentemente, à qualidade de vida destes profissionais, afetando tanto o empregado quanto para a empresa (RIBEIRO; TOMAZ; FERREIRA, 2013).

Quando se estuda a realidade da rotina laboral no Brasil, observa-se que durante o ano de 2016, ano do último grande relatório epidemiológico, foram registrados no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) cerca de 578,9 mil acidentes do trabalho. Se comparado com 2015, o número de acidentes de trabalho em 2016 teve um decréscimo de 6,98%. O total de acidentes registrados com Comunicação de Acidentes de Trabalho (CAT) diminuiu em 6,5% de 2015 para 2016. Do total de acidentes registrados com CAT, aqueles típicos representaram 74,59%; os de trajeto 22,78%; e as doenças do trabalho 2,63%. As pessoas do sexo masculino sofreram 69,49% e as do sexo feminino 30,50% dos acidentes típicos; 59,64% e 40,36% nos de trajeto; e 56,99% e 42,99% nas doenças do trabalho. Nos acidentes típicos e nos de trajeto, a faixa etária decenal com maior incidência de acidentes foi a constituída por pessoas de 25 a 34 anos com, respectivamente, 33,58% e 36,29% do total de acidentes registrados. Nas doenças de trabalho, a faixa de maior incidência foi a de 30 a 39 anos, com 34,23% do total de acidentes registrados (AEPS, 2016).1

1 Os dados contidos no texto, referentes ao Anuário Estatístico da Previdência Social (AEPS) do ano de 2016, são os dados estatísticos e epidemiológicos

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Essas lesões invariavelmente provocam invalidez permanente, ou então afastamento temporário do emprego. Para os profissionais da saúde institucionalizados em hospitais públicos e em outros serviços privados, a realidade não é diferente e, de uma forma geral, verifica-se que a incidência de lesões e afastamento do trabalho é algo constante e representa risco a saúde (FERNANDES; MARZIALE, 2014).

Assim, especificando as informações referentes aos profissionais de saúde que atuam em hospitais psiquiátricos, tema deste estudo, buscando resposta à indagação acerca do que adoecem estes trabalhadores, foram analisadas as licenças saúde de 163 trabalhadores, sendo que 105 (64,42%) deles tiveram, no período estudado, 297 licenças saúde, e 58 (35,58%) deles não registraram licença-saúde no período (FERNANDES; MARZIALE, 2014).

Os riscos ocupacionais identificados foram principalmente: exposição a bactérias e vírus (87,12%); tabaco (82,82%); ruídos (81,60%); indução à adoção de postura corporal inadequada devido a riscos ergonômicos2 (72,39%); e estresse (71,17%). Cerca de 64,42% dos trabalhadores adoeceram no período de estudo, sendo registrados 270 diagnósticos. Foi concluído, portanto, que mais da metade dos trabalhadores da área da saúde apresentam problemas de saúde, no entanto, pequena parte dos diagnósticos registrados consta da lista de doenças ocupacionais (FERNANDES; MARZIALE, 2014).

Segundo o último Anuário da Previdência (2016), as partes do corpo com maior incidência de doenças do trabalho foram o ombro, o dorso (inclusive músculos dorsais, coluna e medula espinhal) e o sistema nervoso, com 18,84%, 11,75% e 9,78% respectivamente (AEPS, 2016).

A etiologia dessas lesões do tipo LER e DORT3 aponta como principais causas os erros posturais, as longas jornadas de trabalho, os

mais atuais encontrados. Disponível em:

http://www.previdencia.gov.br/2018/01/institucional-previdencia-lanca-anuario-estatistico-da-previdencia-social-2016/. Acesso em: 20 ago. 2018. 2 Riscos ergonômicos são todos os fatores que possam interferir nas

características psicológicas e fisiológicas do trabalhador, causando desconforto ou afetando sua saúde. São exemplos de risco ergonômicos: o levantamento de peso, o ritmo excessivo de trabalho, a monotonia, a repetitividade e a postura inadequada de trabalho (IIDA, 2016).

3 LER são as Lesões por Esforço Repetitivo relacionadas ao trabalho; DORT são os Distúrbios Ocupacionais Relacionados ao Trabalho (AEPS, 2016). Disponível em:

http://www.previdencia.gov.br/2018/01/institucional-previdencia-lanca-anuario-estatistico-da-previdencia-social-2016. Acesso em: 20 ago. 2018.

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problemas na distribuição de tarefas e as causas psicossociais. Essas condições são causadas por sobrecarga física do trabalho e possíveis lesões osteomusculares que, consequentemente, afetam a saúde do trabalhador, sendo causas crescentes de preocupação mundial relativa às Lesões por Esforço Repetitivo e aos Distúrbios Osteomuscular Relacionados ao Trabalho (LER e DORT), desencadeadas por questões laborais (MENEGHINI; APARECIDA, 2011).

Desse modo, existindo a sobrecarga física no trabalho, surgem as disfunções e lesões osteomusculares, como LER e DORT, causando o consequente adoecimento do trabalhador e refletindo diretamente na capacidade dele de realizar seu trabalho. A saúde osteomuscular pode e deve ser preservada, ou até mesmo melhorada. Um dos métodos preventivos mais utilizados para manutenção da saúde é a prática regular de atividade física, que, por sua vez, poderá manter e desenvolver o condicionamento físico musculoesquelético e cardiorrespiratório deste indivíduo (CARVALHO et al., 1996; ARAÚJO, 2009; STIES et al., 2013).

Os riscos de natureza ergonômica são gerados principalmente pela sobrecarga musculoesquelética somada às posturas irregulares que o trabalhador adota durante a jornada de trabalho, pois, na realização de sua tarefa, muitas vezes ele acaba assumindo e mantendo por tempo determinado as posturas corporais inadequadas ao melhor desenvolvimento de sua atividade (VIEGAS; ALMEIDA, 2016).

A adoção de posturas não favoráveis à saúde do trabalhador e que produzem a sobrecarga muscular são consequência da constante imposição de cargas físicas intensas ou, muito frequentemente, por não serem adotados padrões fundamentais que previnam os riscos ergonômicos nos postos de trabalho (VIEGAS; ALMEIDA, 2016).

Diante dessas afirmações, verifica-se que os técnicos de enfermagem, enquanto profissionais da saúde, assim como outros trabalhadores suscetíveis à sobrecarga física no trabalho, vêm sofrendo constantemente com LER e DORT, provocadas por sobrecargas musculares e pela adoção de posturas não favoráveis à saúde, mantidas por longos períodos em suas atividades de cuidado ao paciente durante a realização das atividades propostas em seu turno de trabalho (FERNANDES et al., 2010). Esta constante exigência física causa, nos técnicos de enfermagem, dores e limitações enfrentadas no dia a dia de atendimento ao paciente, levando à diminuição progressiva de sua capacidade laboral (FERNANDES et al., 2010; AEPS, 2014).

O afastamento por lesões osteomusculares é um dos problemas prevalentes no ambiente de trabalho. As doenças laborais refletem-se em

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custos elevados e envolvem diferentes setores da sociedade. Dados apresentados pela Agência Nacional de Saúde (2016) apontam gastos de até R$ 43 bilhões por ano com assistência médica aos trabalhadores brasileiros e, de forma geral, são problemas enfrentados pelas empresas, quando seus trabalhadores apresentam episódios de absenteísmo ou presenteísmo, o que, por seguinte, acaba comprometendo a qualidade do trabalho e interferindo negativamente na produtividade do trabalhador em seu desempenho ocupacional.

O aumento de lesões provocadas no ambiente de trabalho é crescente, levando a uma constante preocupação, principalmente relacionada aos distúrbios osteomusculares, pois 26,1% dos 12,5 mil afastamentos foram causados por doenças que se enquadram como doenças laborais dos tipos: desordens osteomusculares e doenças psicossociais4 (FIESC, 2013).

Os profissionais de saúde que trabalham diretamente com os cuidados de pacientes acometidos com algum transtorno mental em hospitais psiquiátricos estão expostos ao acometimento de doenças laborais. Isso se deve à própria característica do trabalho e por eles estarem incluídos em rotinas específicas no cuidado destes pacientes (FERNANDES; MARZIALE, 2014).

O trato a pacientes semi-dependentes5 e dependentes6 de cuidados de higiene e alimentação, principalmente os acamados, são causas frequentes de LER e DORT, predominantemente provocadas por sobrecargas físicas e adoção de posturas irregulares à saúde, levando às dores nos segmentos corporais envolvidos com o gesto laboral no cuidado ao paciente (COSTA, 2013; FERNANDES; MARZIALE, 2014).

O tratamento dos pacientes com o transtorno mental exige do técnico de enfermagem esforço físico, e o modelo de cuidado de enfermagem a essa população segue com poucas atualizações ou renovações; inclusive o paciente não colaborativo, semi-dependente,

4 As doenças psicossociais são aquelas provocadas pela influência do contexto social e que afetam diretamente o psicológico do indivíduo, refletindo no funcionamento do seu organismo biológico (MORAES et al., 2015). 5 Pacientes semi-dependentes são pacientes estáveis, sob o ponto de vista de

cuidados clínicos e de enfermagem, mas fisicamente autossuficientes quanto ao atendimento das necessidades humanas básicas (MOTA, 2007).

6 Pacientes dependentes são pacientes crônicos, estáveis sob o ponto de vista clínico e de enfermagem, porém, com total dependência das ações de enfermagem quanto ao atendimento das necessidades humanas básicas (MOTA, 2007).

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dependente e até resistente à assistência exige um esforço físico maior do profissional durante o processo de atendimento e cuidado (COSTA, 2013).

A área da enfermagem, incluindo os técnicos de enfermagem, agrupa os profissionais da saúde mais afetados pelas lesões osteomusculares, pois tais trabalhadores desenvolvem as atividades em diversos locais, dentre eles nas instituições hospitalares, realizando atividades de forma contínua, que exigem atenção constante e esforço físico. É um trabalho repetitivo, que demanda esforço físico, levantamento de peso (pacientes com sobrepeso ou obesidade), posturas inadequadas exigidas durante a prestação de cuidados e a falta de adequação ergonômica dos locais de trabalho, e isso tudo, associado aos estressores mentais, são fatores de risco para ocorrência de distúrbios laborais (OLIVEIRA; ALMEIDA, 2016).

O técnico de enfermagem é um profissional que participa como integrante da equipe de saúde nas ações que visam satisfazer as necessidades de saúde da população, integralidade da assistência, resolutividade, preservação da autonomia das pessoas, participação da comunidade e descentralização dos serviços de saúde (OLIVEIRA; ALMEIDA, 2016).

No caso específico dos técnicos de enfermagem que cuidam de pacientes com transtorno mental, considera-se necessário avaliar melhor as situações de trabalho vivenciadas, visto que eles executam atividades assistenciais a pacientes com transtorno mental, que muitas vezes são semi-dependentes ou dependentes, além de pouco colaborativos ou até mesmo resistentes aos cuidados diários da enfermagem. Além dos riscos físicos ocupacionais comuns aos quais estão expostos, esses trabalhadores das instituições de saúde em geral desenvolvem suas tarefas em ambientes que oferecem riscos, envoltos pela elevada tensão emocional devido à imprevisibilidade do comportamento dos pacientes assistidos (TAVARES et al., 2012; COSTA, 2013).

Os técnicos de enfermagem do Instituto de Psiquiatria, assim como grande parte dos profissionais de saúde, estão expostos ao atendimento de pacientes dependentes e semi-dependentes para realizarem os cuidados de saúde, e recebem demandas de trabalho junto aos atendimentos prestados que produzem diariamente sobrecargas físicas corporais, superiores à sua capacidade de adaptação física, produzindo fadiga muscular e dores nos segmentos corporais, causando progressivamente as LER ou DORT, levando à limitação funcional, incapacidade e afastamentos para tratamentos de saúde, causando perda da qualidade dos atendimentos e o absenteísmo.

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Frente a isso, surge a necessidade de um diagnóstico preciso das causas destes afastamentos, por meio de uma integração de medidas subjetivas referidas por esses trabalhadores e medidas quantitativas, avaliadas por meio do uso da tecnologia biomecânica e fisiológica, buscando entender, de forma mais precisa, o comportamento do corpo frente a estas sobrecargas físicas sofridas no desempenho laboral, para a obtenção do nexo causal destas lesões que acometem os técnicos de enfermagem no atendimento ao paciente.

Isso se faz necessário por existir um grande número de profissionais de saúde acometidos por lesões laborais e, em contrapartida, por haver poucos estudos que integrem medidas subjetivas e objetivas para a obtenção das causas e estratificação do risco de lesões a que estão expostos os técnicos de enfermagem.

Neste contexto, pergunta-se: Qual a característica das lesões osteomusculares LER e DORT que acometem os técnicos de enfermagem do IPq/SC em suas práticas diárias, causando o absenteísmo transitório ou definitivo; diagnosticando as sobrecargas físicas corporais destes trabalhadores, por meio da integração e correlação de medidas qualitativas e quantitativas para maior qualidade dos dados ergonômicos avaliados, para a identificação da etiologia (nexo causal) dos fatores de riscos físicos ergonômicos?

1.2 OBJETIVOS 1.2.1 Objetivo geral

O objetivo do estudo é a integração de avaliações quantitativas e avaliações qualitativas para obtenção do diagnóstico das sobrecargas físicas (nexo causal) sofridas no atendimento aos pacientes, causadoras da LER e a DORT nos técnicos de enfermagem durante as rotinas diárias em seu ambiente de trabalho, e que afetam a qualidade do serviço prestado por eles, provocando o absenteísmo; buscando realizar, por meio desta integração de avaliações ergonômicas, a caracterização da incidência de lesões e dos riscos sofridos por esses trabalhadores que estão diariamente expostos aos erros ergonômicos em um hospital público do estado de Santa Catarina – IPq/SC.

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1.2.2 Objetivos específicos

a) Identificar e caracterizar, por meio da literatura, os riscos físicos e reflexos à saúde do trabalhador produzidos por LER e DORT oriundas do esforço laboral, além de apresentar a incidência de LER e DORT;

b) Aplicar uma entrevista com o objetivo de traçar o perfil sócioantropométrico dos técnicos de enfermagem, bem como para obter a descrição da rotina de trabalho e o momento mais intenso fisicamente referido por esses profissionais;

c) Avaliar os técnicos de enfermagem em seu ambiente de trabalho, caracterizando o trabalho e diagnosticando LER e DORT, por meio de avaliações qualitativas e quantitativas da ergonomia;

d) Relacionar a incidência de lesões por segmento corporal, a incidência de dores sofridas nos segmentos corporais acometidos, bem como as alterações térmicas e eletromiográficas dos músculos envolvidos com o gesto laboral, levantando os dados por meio dos relatos subjetivos obtidos pelos instrumentos qualitativos e por meio da coleta realizada nas avaliações quantitativas;

e) Integrar as medidas obtidas pelas avaliações subjetivas e quantitativas, para que, por meio da integração destas medidas, sejam diagnosticados e caracterizados os erros ergonômicos e os nexos causais da LER e da DORT que acometem estes trabalhadores.

1.3 JUSTIFICATIVA E MOTIVAÇÃO

Uma das atividades mais importantes desempenhadas pelo ser humano é o trabalho, tendo em vista seus efeitos positivos no que se refere à satisfação das necessidades básicas de sobrevivência, criação de vínculos e colaboração entre os indivíduos. Entretanto, ao exercer este papel, o homem acaba por se expor constantemente aos riscos presentes no ambiente organizacional, o que pode interferir diretamente na saúde física e psicológica. Dentre os agravos à saúde humana no ambiente de trabalho, encontram-se as doenças osteomusculares (OLIVEIRA; ALMEIDA, 2016).

As condições de trabalho são representadas por um conjunto de fatores interdependentes que atuam direta ou indiretamente na qualidade de vida de quem trabalha e nos resultados obtidos (SILVA et al., 2011).

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Segundo o Anuário Estatístico da Previdência Social de 2016 (AEPS, 2016), define-se como acidente do trabalho aquele que ocorre pelo exercício do trabalho a serviço da empresa ou pelo exercício do trabalho dos segurados especiais, provocando lesão corporal ou perturbação funcional, permanente ou temporária, que cause a morte, a perda ou a redução da capacidade para o trabalho. Assim, consideram-se acidentes do trabalho a doença profissional e a doença do trabalho.

Nota-se, com base nos dados do AEPS 2016, que a incidência de lesões musculoesqueléticas é muito prevalente nos trabalhadores de forma geral, com cerca de 77,22% de acometimento, quando somamos os acidentes típicos e as doenças do trabalho.

O AEPS 2016 estabelece também as regras de caracterização e concessão dos benefícios previdenciários; e, a partir da identificação das fortes associações entre agravo e atividade laboral, foi possível construir uma matriz, com pares de associação de códigos da Classificação Nacional da Atividade Econômica (CNAE) e do Código Internacional da Doença (CID-10) que subsidia a análise da incapacidade laborativa pela medicina pericial do INSS: o Nexo Técnico Epidemiológico Previdenciário – NTEP. O NTEP surge, então, como mais um instrumento auxiliar na análise e conclusão acerca da incapacidade laborativa pela perícia médica do INSS (BRASIL, 2016).

A partir da implementação do NTEP, a perícia médica passa a adotar três etapas sequenciais e hierarquizadas para a identificação e caracterização da natureza da incapacidade - acidentária ou não acidentaria (previdenciária) (BRASIL, 2016). Essas três etapas são:

1) Identificação de ocorrência de Nexo Técnico Profissional ou do Trabalho – NTP/T – verificação da existência da relação “agravo – exposição” ou “exposição – agravo” (Listas A e B do Anexo II do Decreto n. 3.048/1999);

2) Identificação de ocorrência de Nexo Técnico Epidemiológico Previdenciário – NTEP – averiguação do cruzamento do código da CNAE com o código da CID-10 e a presença na matriz do NTEP;

3) Identificação de ocorrência de Nexo Técnico por Doença Equiparada a Acidente do Trabalho – NTDEAT – que implica a análise individual do caso, mediante o cruzamento de todos os elementos levados ao conhecimento do médico-perito da situação geradora da incapacidade e a anamnese.

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A ocorrência de qualquer um dos três nexos implicará na concessão de um benefício de natureza acidentária. Se não houver nenhum dos nexos, o benefício será́ classificado como previdenciário. Desse modo, com a revisão e evolução dos critérios para o estabelecimento e concessão de benefício previdenciário, de acordo com o AEPS 2016 (BRASIL, 2016), torna-se muito importante a constante evolução dos métodos de avaliação ergonômica para o estabelecimento da etiologia (nexo causal) e para a caracterização dos riscos de lesão das doenças do trabalho.

As ferramentas de avaliação física em ergonomia são caracterizadas como componentes para identificação, intervenção e gerenciamento de riscos dos LER/DORT. As consequências do desconhecimento das condições de carga física no ambiente de trabalho podem ser preocupantes e causadoras de lesões e doenças do trabalho, provocando o aparecimento de sintomas, tais como desconforto corporal, processos inflamatórios e disfunções do movimento, que provocam consequências biomecânicas que cronicamente são relacionadas à perda de saúde do trabalhador (CARVALHO, 2016).

No caso da empresa com um trabalhador afastado e acometido por LER e/ou DORT, este cenário do absenteísmo causado pela doença é visualizado principalmente no comprometimento da demanda produtiva, ocasionado pelo afastamento do trabalhador de sua rotina laboral (VANÍCOLA et al., 2010).

Segundo Nunes et al. (2010), o homem, a atividade e o ambiente laboral são os elementos componentes da situação de trabalho, e a ergonomia, dentro deste contexto, utiliza-se do conhecimento científico para avaliar e propor modificações que sejam ideais para a adaptação do homem a seus meios, métodos e locais onde se realizam as atividades profissionais, com o objetivo de elaborar uma base de conhecimentos multidisciplinares que, sob a perspectiva de aplicação, deve resultar em melhor adaptação dos meios tecnológicos e do ambiente de trabalho ao homem e à sua vida (SILVA et al., 2011).

O trabalho de enfermeiros e técnicos de enfermagem de hospitais gerais ocorre em um ambiente que envolve múltiplos riscos à saúde dos trabalhadores, pois geralmente, além do esforço físico realizado no atendimento do paciente, é um ambiente caracterizado como de tensão elevada. Esta tensão surge tanto pela própria cobrança de eficiência no atendimento, quanto pelos resultados obtidos em relação à saúde do paciente. Se este ambiente já é o dia a dia dos enfermeiros e técnicos de enfermagem em um hospital geral, o risco ocupacional aumenta em muito quando se trata de um hospital psiquiátrico, onde estes profissionais

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desenvolvem suas tarefas em locais onde há elevada tensão emocional devido à imprevisibilidade do comportamento dos pacientes, que não são colaborativos e, por vezes, podem se tornar agressivos devido ao próprio surto desencadeado pela doença psiquiátrica (FERNANDES; MARZIALE, 2014).

Ainda conforme o estudo de Fernandes e Marziale (2014), quando se observa as principais causas de adoecimento dos enfermeiros e técnicos de enfermagem nos hospitais psiquiátricos, dentre os riscos os mais frequentes estão o ergonômico (postura inadequada 65%), o psicossocial (estresse 78,05%) e a violência do paciente (agressão física 43,48%).

Como agravante desses casos de doenças do trabalho, as instituições de saúde apresentam um ambiente laboral que é permeado por uma diversidade de inter-relações tensas, das quais participam diferentes sujeitos, entre eles os gestores, trabalhadores e usuários, com interesses e necessidades diferenciadas, heterogêneas e conflitantes, o que, além do estresse físico típico da própria atividade do técnico de enfermagem, soma-se a uma carga psicológica muito grande, levando ao aumento dos afastamentos para tratamento de saúde, causa frequente de absenteísmo nos hospitais e serviços de saúde (RIBEIRO et al., 2010; OLIVEIRA; ALMEIDA, 2016).

Esse ambiente de trabalho dos profissionais da saúde, bem como a falta de motivação pelo trabalho realizado pelos técnicos de enfermagem, são geradores de desconforto e tensão, que, somados ao estado de cansaço ou fadiga, tornam-se importantes fatores causadores de lesões e doenças do trabalho para os profissionais de enfermagem de instituições psiquiátricas. A satisfação pelo trabalho é um fator protetor importante, que ajuda a prevenir o adoecimento relacionado ao trabalho. Desse modo, quando a situação é desfavorável e desmotivadora, ocorre o aparecimento das doenças do trabalho (FERNANDES; MARZIALE, 2014).

Este estudo, portanto, justifica-se pela busca do aprimoramento das avaliações ergonômicas dos trabalhadores da saúde nos hospitais, visando aumentar a qualidade dos dados obtidos nas avaliações, por meio da integração de medidas qualitativas com medidas quantitativas, com auxílio da tecnologia, além do entendimento dos riscos de lesões e doenças do trabalho (LER e DORT) que acometem esses trabalhadores (técnicos de enfermagem), alinhando as diretrizes das políticas previdenciárias e o estabelecimento dos riscos de lesões osteomusculares, uma das causas do absenteísmo nos hospitais.

O presente estudo justifica-se também pela alta incidência e prevalência de LER e DORT nesses trabalhadores da saúde, que diariamente estão expostos aos riscos ergonômicos oferecidos pelo

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ambiente de trabalho e pela relação com o paciente, sendo esse profissional cobrado e se cobrando, para a prestação de um serviço de qualidade que seja eficiente e eficaz às necessidades diárias do paciente.

Além de a cobrança existente a estes técnicos de enfermagem, existe ainda toda a demanda de pacientes a serem atendidos, o que gera diariamente uma sobrecarga física aos segmentos corporais destes profissionais, no cuidado diário ao paciente. Sobrecarga física esta, causadora de LER e DORT, que produzem dores e levam a incapacidades funcionais que, por sua vez, provocam o absenteísmo para que esses trabalhadores possam procurar e realizar o tratamento adequado à saúde. Por fim, este estudo justifica-se por apresentar uma nova proposta de integração de medidas qualitativas e quantitativas, sendo que as medidas qualitativas obtidas por questionários e relatos subjetivos dos técnicos de enfermagem sobre suas limitações e dores, são relacionadas com avaliações biomecânicas e fisiológicas desses técnicos de enfermagem, levando a dados quantitativos do impacto e da repercussão osteomuscular das sobrecargas físicas sofridas por eles, obtendo um diagnóstico mais preciso dos riscos e das causas de LER e DORT.

A escolha do tema deste estudo está relacionada à prática do autor, como profissional da saúde de um hospital, observando as atividades desenvolvidas pelos colegas do ambiente de trabalho, sentindo diretamente o impacto do esforço físico e as suas consequências no atendimento aos pacientes; e questionando-se diariamente acerca de quais medidas ergonômicas poderiam ser desenvolvidas como prevenção do risco à saúde dos profissionais de saúde do hospital, podendo evitar, assim, o acometimento de LER e DORT, e, consequentemente, o absenteísmo vivenciado no dia a dia.

A motivação para uma pesquisa que abranja a integração de medidas ergonômicas qualitativas e quantitativas a partir da avaliação de técnicos de enfermagem de um hospital, caracterizando os riscos de lesões e doenças do trabalho que acometem esta população de trabalhadores em apoio à prevenção à saúde do trabalhador, fundamentou-se em aspectos principais, tais como:

a) A verificação da incidência das lesões nos técnicos de enfermagem avaliados pelo estudo, lesões estas que ocorrem durante o atendimento aos pacientes no hospital e acometem os técnicos de enfermagem ao longo de suas carreiras;

b) O interesse do autor em melhorar o diagnóstico ergonômico, estratificando os riscos que acometem os técnicos de enfermagem e caracterizando as causas da LER e DORT que

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acometem eles; profissionais que atendem diariamente o paciente, visando que eles sejam menos acometidos pelas sobrecargas físicas impostas pelo trabalho, diminuindo assim o absenteísmo por problemas osteomusculares, por meio da integração das medidas qualitativas e quantitativas da ergonomia, utilizando o suporte da tecnologia, estabelecendo um melhor nexo técnico à doença do trabalho e reduzindo as estatísticas apresentadas pelo AEPS (BRASIL, 2016);

c) A pretensão de melhorar a qualidade dos serviços prestados por estes profissionais, por meio de ajustes e modificações ergonômicas, como a adoção de EPIs e equipamentos automatizados que auxiliem a suspensão de cargas (pacientes) e que minimizem os riscos físicos (repetitividade) durante o atendimento dos pacientes nas enfermarias, levando a uma melhora no sistema produtivo (escala de funcionários e reorganização das rotinas de atendimento ao paciente realizadas nas enfermarias do IPq/SC), uma vez que, com a integração das medidas ergonômicas qualitativas e quantitativas, o diagnóstico de risco torna-se mais preciso; d) A possibilidade futura de, a partir dos resultados obtidos neste

estudo, criar a possibilidade de realizar intervenções ergonômicas mais precisas, principalmente para a região lombar, segmento corporal mais acometido por lesões e dor, orientando as posturas adequadas e informando, por meio de orientações e programas de ensino, acerca das posturas de maior risco que devem ser evitadas, dos hábitos saudáveis e da modificação dos hábitos ruins e desfavoráveis à saúde, para prevenção a acidentes e doenças do trabalho para estes técnicos de enfermagem; produzindo informações e orientações ergonômicas, como programas de exercícios que estimulem a prática da prevenção à saúde dos trabalhadores da saúde de hospitais.

e) A participação do pesquisador na equipe do Núcleo de Gestão de Design e do Laboratório de Design e Usabilidade da Universidade Federal de Santa Catarina (NGD/LDU-UFSC), com vínculo junto a projetos que relacionam as áreas da Ergonomia, Saúde e Design, que visam a identificação e desenvolvimento de produtos que venham a reduzir riscos e danos aos trabalhadores, melhorando as rotinas e aumentando a qualidade dos serviços prestados.

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1.4 ORIGINALIDADE E INEDITISMO

A originalidade desta tese está na necessidade de diminuir as incidências de LER e DORT nos técnicos de enfermagem do IPq/SC, melhorando a prevenção de lesões por meio do aumento do conhecimento acerca das causas de LER e DORT; fazendo uso da integração de medidas qualitativas, com entrevista, questionário e escalas de dor; e quantitativas, utilizando avaliações dos técnicos de enfermagem no seu local de trabalho, com apoio da tecnologia biomecânica e fisiológica, utilizando a avaliação postural dinâmica com a captura de movimentos do gestos laborais, estimativa do impacto do trabalho em MET, termografia infravermelha e eletromiografia.

Essa integração de medidas subjetivas e dados quantitativos objetivos podem diminuir a incidência de LER e DORT, bem como o absenteísmo por motivos de saúde nestes técnicos de enfermagem, tendo como benefícios um sistema de trabalho mais produtivo e com mais qualidade dos serviços prestados ao paciente.

Portanto, a integração destas medidas e os resultados obtidos por esta relação servem para melhorar a qualidade das avaliações ergonômicas, obtendo um diagnóstico mais preciso das causas de LER e DORT, buscando ser esta integração a construção de um novo caminho de avaliação das causas de lesões relacionadas ao esforço físico laboral que acomete o trabalhador e provoca a diminuição da qualidade dos serviços prestados por estes trabalhadores, provocando o absenteísmo nas instituições, buscando, neste modelo de avaliação e integração destas medidas, a constante evolução para a correta identificação dos fatores de risco físico que acometem o homem no desempenho de seu trabalho.

A necessidade apresentada é reforçada pela não identificação de pesquisas que abordem especificamente a integração de questionários de incidência e distribuição corporal de LER e DORT, bem como a intensidade da dor que provoca a limitação e/ou incapacidade funcional nos trabalhadores, com as técnicas de avaliação biomecânica e fisiológicas, apoiadas nas tecnologias atuais de avaliação do gesto laboral executado pelos trabalhadores, quantificando o impacto físico do trabalho na saúde dos trabalhadores.

Essa integração de instrumentos e meios ergonômicos qualitativos e quantitativos busca a evolução e aperfeiçoamento do diagnóstico ergonômico para obtenção das causas e repercussões funcionais ocasionadas pelas LER e DORT produzidas pelo esforço laboral, principalmente, no caso deste estudo, para os técnicos de enfermagem que

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atendem diariamente pacientes com transtorno mental institucionalizados em um hospital psiquiátrico.

Também não foram identificados estudos específicos que integrem, na avaliação ergonômica, as medidas subjetivas obtidas por meio de entrevista sociodemográfica; do Questionário Nórdico de Sintomas Osteomusculares utilizado pela ergonomia; da Escala Visual Analógica de Dor, com as medidas quantitativas; de Avaliações Termográficas Infravermelhas; de Avaliações Posturais Dinâmicas realizadas pela captura de movimentos dos trabalhadores pelo Xsens (MVN) e da eletromiografia de superfície (EMG), utilizando a integração destas tecnologias biomecânicas e fisiológicas para avaliação do impacto do trabalho para estabelecer um nexo causal mais preciso para o diagnóstico das LER e DORT.

O trabalho dos técnicos de enfermagem se caracteriza pelo contato diário com o paciente, exigindo destes profissionais, nos cuidados e tratamento oferecido aos pacientes, uma gama de habilidades, como habilidades técnicas, físicas e intelectuais. Logo, faz-se necessário para o preciso levantamento do risco de LER e DORT a que estão expostos estes profissionais da saúde, a avaliação das sobrecargas físicas sofridas no atendimento de seus pacientes.

Diante dos modelos utilizados pela ergonomia, como o método RULA, o Questionário Nórdico de Sintomas Osteomusculares (QNSO), o Protocolo NIOSH, método REBAS, entre outras proposições de avaliações ergonômicas subjetivas (qualitativas), busca-se obter informações sobre a percepção do ser humano sobre o esforço realizado no trabalho, bem como relatos de quanto este esforço ultrapassa a capacidade de adaptação do trabalhador, causando dores e limitações funcionais, podendo comprometer a saúde.

Neste contexto, as avaliações fisiológicas e biomecânicas, como ferramentas de avaliação ergonômica, ainda são menos utilizadas, devido à dificuldade de se obter estes equipamentos, que são caros e oneram muito a avaliação ergonômica; outro obstáculo enfrentado é a capacitação para a correta avaliação e interpretação destes dados obtidos na avaliação, onde se faz necessário a especialização dos ergonomistas para estes equipamentos. Outro fator que faz com que as avaliações biomecânicas e fisiológicas sejam pouco utilizadas, é que estas tecnologias ficam restritas aos laboratórios das universidades, não sendo levadas a campo, devido a impossibilidades técnicas.

Explorar o uso das avaliações propostas neste estudo, utilizando os instrumentos apoiados nas tecnologias biomecânicas e fisiológicas disponíveis, faz destas avaliações biomecânicas e fisiológicas realizadas

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no ambiente de trabalho oferecido pelo IPq e suas enfermarias, aplicada nos técnicos de enfermagem participantes deste estudo, uma oportunidade única da aplicação e integração destas metodologias de avaliação ergonômica, para o entendimento das causas de LER e DORT nestes profissionais da saúde.

Segundo Iida (2016), quando se observa o impacto físico do esforço do trabalhador, a avaliação da carga física de trabalho deve ser considerada como um problema a ser tratado pela fisiologia do trabalho, sendo uma questão central abordada pelas metodologias de avaliação e programas de prevenção à saúde dos trabalhadores, inclusive para aqueles que atuam em setores com maior nível tecnológico e com menores esforços físicos.

Para obtenção dos pressupostos teóricos que norteiam estas questões abordadas pela tese, foi realizada uma revisão de literatura narrativa, que teve como objetivo localizar estudos com temas relacionados a saúde do trabalhador (técnico de enfermagem) e aos instrumentos e metodologias qualitativas e quantitativas de avaliação com abordagem ergonômica. Porém, não foram encontrados estudos que abordassem especificamente a integração das metodologias qualitativas (questionários validados na literatura e usados pela ergonomia) e métodos quantitativos de avaliação das medidas do impacto do trabalho no ser humano, no ponto de vista ergonômico, de forma simultânea e interdisciplinar. Portanto, foram localizados artigos que abordaram somente os métodos qualitativos de forma individual e a aplicação dos métodos quantitativos, sem a devida especificidade dos temas para a população avaliada neste estudo, os técnicos de enfermagem.

Foram selecionados artigos completos a partir dos unitermos: ergonomia, sistema único de saúde, políticas de saúde mental, enfermeiros, sobrecarga física, postura, lesões laborais, Xsens, eletromiografia, termografia, questionário nórdico de sintomas osteomusculares, escala visual analógica, escala numérica, bem como seus correspondentes na língua inglesa. Dessa forma, os artigos que foram coletados e analisados para a confecção dos seguintes tópicos de revisão: a) A saúde; b) O desenvolvimento da saúde mental no Brasil; c) A saúde do trabalhador (LER/DORT); d) Lesões por esforço repetitivo; e) Sobrecarga física, fadiga e lesões osteomusculares; f) Ergonomia e saúde do trabalhador; e g) Avaliação da sobrecarga laboral - tecnologias de Avaliação. Também serão analisados e selecionados livros, revistas e publicações de congressos brasileiros das áreas de saúde e ergonomia relevantes ao tema da pesquisa.

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Na busca dos unitermos sobre o tema deste estudo, realizada nas bases de dados indexados, foram considerados, preferencialmente, os últimos cinco anos e a língua inglesa, porém foram utilizados livros e estudos importantes que abrangem os últimos 10 anos. Foram relacionados os termos ergonomia, enfermeiros, postura, Xsens, Eletromiografia EMG, Termografia, Questionário Nórdico de Sintomas Osteomusculares QNSO e escala visual analógica, para a verificação do uso integrado destas tecnologias e das abordagens subjetivas obtidas pela aplicação do Questionário Nórdico de Sintomas Osteomusculares e pela EVA na avaliação de distúrbios osteomusculares dos enfermeiros no cuidado do paciente. Com base nisso, foi encontrado o seguinte:

a) 16.300 estudos que relacionam os termos ‘enfermeiro’ e ‘postura’: 2.970 estudos que relacionam postura e o uso do Xsens; e 149 estudos quando se integra as palavras ‘postura’, ‘enfermeiros’ e o ‘Xsens’;

b) 17.200 estudos que relacionam postura e Eletromiografia (EMG): 5.630 estudos que relacionam os termos ‘EMG’ e ‘enfermeiros’; e 6.620 estudos relacionam os termos ‘postura’, ‘enfermeiros’ e ‘EMG’;

c) 385 estudos relacionam o Xsens ao EMG;

d) 486 estudos são relatados relacionando os termos ‘enfermeiros’ e ‘termografia’;

e) 1290 estudos relacionam os termos ‘termografia’ e ‘postura’; f) 571 estudos relacionam os termos ‘termografia’ e ‘EMG’; g) 15 estudos relacionam os termos ‘termografia’ e ‘Xsens’. Nenhum estudo foi encontrado quando se relacionam os termos ‘postura’, ‘enfermeiros’, ‘Xsens’, ‘EMG’ e ‘termografia’.

Na relação das medidas subjetivas do QNSO e EVA e sua relação com a postura e enfermeiros foram obtidos:

a) 48 estudos relacionam o QNSO e a EMG; b) 399 estudos relacionam o QNSO e a postura;

c) Apenas dois estudos relacionam termografia e QNSO; d) Nenhum estudo relaciona o Xsens e o QNSO.

e) 17.200 estudos relacionam a postura com a Escala Visual Analógica (EVA);

f) 15.600 estudos relacionam a EVA com enfermeiros; g) 766 estudos relacionam a EVA com a termografia; h) 59 estudos relacionam a EVA com o Xsens.

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i) 65 estudos relacionam e EVA com o QNSO.

Nenhum desses estudos citados integra todos os termos, ou relaciona especificamente a ergonomia com os termos, nem integra as medidas objetivas e subjetivas obtidas nas avaliações.

O interesse pela temática é devido ao autor vivenciar o dia a dia de trabalho como profissional da saúde e trabalhar, entre outros lugares, em um hospital psiquiátrico, onde a sobrecarga física é constante, devido à própria característica do trabalho realizado.

A sobrecarga física que os profissionais da saúde de uma forma geral enfrentam diariamente na realização dos cuidados ao paciente é uma atividade intensa e fisicamente fatigante. Logo, estudar as estas sobrecargas nas rotinas de trabalho e as lesões provocadas pelo impacto do trabalho nestes profissionais, é uma forma de entender melhor a etiologia e as características das disfunções de movimento que causam as lesões laborais.

Assim, com o entendimento de aspectos relevantes observados pelas avaliações biomecânicas, fisiológicas e de questionários e escalas propostos pela ergonomia para avaliação da sobrecarga física do trabalho, avaliados no próprio local de trabalho dos técnicos de enfermagem, será possível, por meio da integração dos dados coletados, caracterizar as causas e a incidência de LER e DORT que acometem estes profissionais, caracterizar a rotina de trabalho na enfermaria, identificar os riscos envolvidos no atendimento do paciente e no cumprimento da rotina de trabalho, e identificar os mecanismos de lesão que estabelecem a causa das lesões.

Desse modo, com contexto caracterizado de forma mais precisa pela integração das medidas qualitativas e quantitativas, pode-se, complementarmente, identificar de forma mais precisa quais são os riscos ergonômicos que causam as LER e DORT, bem como tratar da prevenção e do tratamento adequados à saúde dos técnicos de enfermagem do IPq/SC.

Esta proposição, de integração das medidas qualitativas e quantitativas, possibilita visualizar as causas das LER e DORT, bem como os riscos de sobrecarga física sofridos pelos técnicos de enfermagem, possibilitando ações de ajustes ergonômicos, propondo mais proteção à saúde do trabalhador, por meio de equipamentos e ajustes que aumentam a prevenção no contexto da saúde e da segurança do trabalhador, tema de muito interesse da área de Engenharia de Produção, ergonomia e da segurança do trabalho, voltando sua abordagem aos

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