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Academic year: 2021

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TÍTULO: INVESTIGAÇÃO DA VARIAÇÃO DA PA E FC EM PACIENTES SUBMETIDOS A TRATAMENTO HIDROTERAPÊUTICO

TÍTULO:

CATEGORIA: CONCLUÍDO CATEGORIA:

ÁREA: CIÊNCIAS BIOLÓGICAS E SAÚDE ÁREA:

SUBÁREA: Fisioterapia SUBÁREA:

INSTITUIÇÃO(ÕES): UNIÃO DAS FACULDADES DOS GRANDES LAGOS - UNILAGO INSTITUIÇÃO(ÕES):

AUTOR(ES): PÂMELA CRISTINA DE SOUZA GIATTI, ANA ELISA LUIZ MARQUES AUTOR(ES):

ORIENTADOR(ES): MAIRA REGINA DE SOUZA ORIENTADOR(ES):

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Resumo

Introdução: A hipertensão arterial (HA) é uma condição clínica multifatorial que afeta a população mundial, caracterizada pela persistência da elevação dos valores pressóricos iguais ou superiores a 140 mmHg de pressão sistólica e/ou 90 mmHg de diastólica. A hidroterapia realizada em piscina aquecida gera respostas fisiológicas causadas apenas pela imersão na água e diminuição da resistência periférica. Objetivo: O objetivo deste trabalho foi analisar os valores da pressão arterial e frequência cardíaca inicial e final a cada sessão de hidroterapia e seu comportamento por pelo menos dez sessões de hidroterapia em piscina termoneutra. Metodologia: Foi realizada a aferição da Pressão Arterial (PA) e Frequência Cardíaca (FC) inicial e final dos pacientes submetidos a tratamento no setor de Hidroterapia da Clínica Escola de uma IES obedecendo as VII Diretrizes Brasileiras da Hipertensão Arterial. Posteriormente foram considerados e analisados os dados dos pacientes que realizaram ao menos dez sessões. Resultados: Foram avaliados 59 pacientes inicialmente, porém somente 39 pacientes realizaram dez sessões mínimas para o acompanhamento necessário. Os dados foram analisados estatisticamente com nível de significância a p<0,05. Da primeira sessão de base para a última (10ª), foram observadas quedas significantes de 9,5 mmHg na média da PA sistólica e de 11 mmHg na média da PA diastólica, tendo a classificação do nível da PA das participantes passado de normal-limítrofe para normal; e uma diminuição, não estatisticamente significativa, de 8 bpm na média da frequência cardíaca final quando comparada com a inicial.

Conclusão: Os resultados observados demonstraram que os exercícios aquáticos reduziram a pressão arterial pós-atendimento, apesar de ligeiramente mais baixas do que quando comparadas as pressões pré-tratamento. Os exercícios aquáticos são descritos como uma alternativa segura e eficiente no auxílio da redução dos níveis pressóricos, porém são necessários mais estudos no meio aquático, para fortalecer os resultados, a fim de confirmar a eficiência dos exercícios aquáticos para a redução da PA.

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INTRODUÇÃO

A hipertensão arterial (HA) é uma condição clínica multifatorial que afeta quase 20% da população mundial, sendo caracterizada pela persistência da elevação dos valores pressóricos iguais ou superiores a 140 mmHg de pressão sistólica e/ou 90 mmHg de diastólica, estabelecidos pela OMS, por no mínimo duas aferições seguidas em dias diferentes, em repouso e ambiente tranquilo. Além disso, a HA é a doença crônica não transmissível mais predominante entre os idosos e representa um dos principais problemas de saúde pública tanto em países desenvolvidos como também nos de terceiro mundo, sendo um dos principais fatores de risco para as doenças cardiovasculares (COSTA et al, 2017).

Após a confirmação diagnóstica, esta síndrome pode ser classificada em dois tipos: a primária que possui fator etiológico desconhecido e a secundária tendo o componente orgânico visivelmente desencadeador dos aumentos pressóricos (OLIVEIRA et al, 2013).

O manejo da HAS é constituído da intervenção medicamentosa e não medicamentosa sempre acompanhada por mudanças no estilo de vida. Assim, o sucesso do controle da pressão arterial depende da educação e da promoção da saúde do indivíduo, da adesão adequada ao tratamento e de práticas de saúde que estimulem ou facilitem as mudanças no cotidiano da pessoa (BRAZ, SANTOS e PIVETTA, 2014).

O exercício físico regular vem sendo considerado um importante coadjuvante na prevenção e no tratamento da hipertensão arterial, contribuindo para melhoria de outros fatores de risco cardiovascular. Estudos têm mostrado que a realização de uma única sessão de exercício físico reduz a pressão arterial no período pós-exercício e que sua duração influencia a resposta hipotensora. Entretanto, raros estudos têm investigado os efeitos de exercícios realizados em ambiente aquático sobre a pressão arterial pós-exercício (PIAZZA, 2008).

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A imersão em água aquecida produz alterações hemodinâmicas, renais e hormonais em indivíduos hígidos. O mesmo fato ocorre em pessoas hipertensas, essas alterações são influenciadas por tempo de imersão, profundidade, temperatura da água, dosagem e classificação dos medicamentos anti-hipertensivos, como também, intensidade do exercício aquático eventualmente realizado (ARCA et al, 2012).

A hidroterapia em água aquecida é um método alternativo no desenvolvimento de exercícios devido às propriedades físicas da água e às respostas fisiológicas desencadeadas pela imersão. Enquanto a flutuabilidade produz redução de impactos sobre as articulações, a viscosidade oferece resistência aos movimentos. Nesse contexto, a hidroterapia pode ser considerada favorável à prática de exercícios físicos sem sobrecarga articular (PIAZZA, et al, 2008).

Na prática de exercícios em imersão, as respostas produzidas pela atividade física se somam às respostas desencadeadas pela imersão, uma das quais é um aumento da pressão arterial (PA) e da frequência cardíaca (FC) em menor intensidade do que em exercícios realizados em solo, para o mesmo nível de consumo de oxigênio (VO2) (CANDELORO, CAROMANO, 2008).

Imediatamente após a imersão, como consequência da ação da pressão hidrostática, 700 ml de sangue são deslocados dos membros inferiores para região do tórax, causado um aumento no retorno venolinfático, e ocasionando um aumento de 60,0 % do volume central. A pressão intratorácica aumenta de 0,4 mmHg para 3,4 mmHg e a pressão no átrio direito aumenta de 14,0 mmHg para 18,0 mmHg. A pressão venosa central aumenta de 2,0 a 4,0 mmHg para 3,0 a 16,0 mmHg, sendo que a pressão arterial pulmonar aumenta de 5,0 mmHg no solo para 22,0 mmHg em imersão. O débito cardíaco (volume sanguíneo x a frequência cardíaca) aumenta de 30,0 % a 32,0% associados a uma diminuição de aproximadamente 10 batimentos por minuto ou de 4,0 % a 5,0 % da frequência cardíaca em bipedestação no solo (CAROMANO, et al, 2003)

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Analisar os resultados da Pressão Arterial e Frequência Cardíaca inicial e final de cada sessão, de todos os pacientes submetidos a tratamento no setor de Hidroterapia da Clínica Escola de uma Instituição de Ensino Superior no ano de 2017, desde que tenham realizado mais de dez sessões de hidroterapia.

METODOLOGIA

Foram analisados os resultados da Pressão Arterial e Frequência Cardíaca inicial e final de pacientes submetidos a tratamento no setor de Hidroterapia da Clínica Escola da Unilago no ano de 2017.

Foi obtida a média das pressões iniciais e finais e analisado sua variação durante o tratamento realizado. Foi realizada estatística descritiva e os dados foram apresentados em valores de média, desvio-padrão, percentuais e números absolutos. Foi aplicada estatística inferencial para analisar a normalidade de distribuição dos dados, teste t de Student para comparar os valores pressóricos entre o início e o fim das sessões. As análises estatísticas foram realizadas no programa Graph Pad Instat 3.0 para Windows®. Foram considerados estatisticamente significativos valores de p

< 0,05.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Foram inicialmente avaliados 59 paciente que participaram do atendimento em hidroterapia na clínica escola, porem os dados de somente 39 pacientes foram analisados, partindo do princípio que foram excluídos participantes que realizaram menos de 10 sessões.

O protocolo de exercícios realizado na piscina para tratamento hidroterapeutico seguiu a seguinte sequência: aquecimento, fortalecimento de membros superiores e membros inferiores, flexibilidade, resistência e alongamentos. A duração das intervenções foi de 10 sessões, e o estudo aplicou o protocolo na frequência de 2 vezes por semana, com duração 55 minutos, onde a temperatura da piscina era de 33,5°C, a profundidade utilizada foi processo xifóide.

As variáveis da variação da pressão arterial diastólica (VPAD), variação da pressão arterial sistólica (VPAS) e variação da frequência cardíaca (VFC) foram

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analisadas em duas dimensões: primeiro entre as sessões, comparando a média dos resultados iniciais e a média dos resultados final do tratamento. No segundo momento dentro de cada sessão, comparando os resultados no momento início e no final de cada sessão.

A Tabela 1 mostra a variação dos valores pressóricos e frequência cardíaca (média) de 39 pacientes submetidos a hidroterapia em 10 sessões.

Tabela 1: Médias da pressão arterial inicial e final, e frequência cardíaca inicial e final durantes as sessões de hidroterapia (n=10 sessões).

Antes da intervenção Grupo (n=39) Valor de p* PAS (mmHg) 139±15mmHg < 0,0001 PAD (mmHg) 79±4mmHg 0,08 FC (bpm) 88±10bpm 0,65 Depois da intervenção Grupo (n=39) Valor de p* PAS (mmHg) 124±15mmHg < 0,0001 PAD (mmHg) 68±3mmHg 0,02 FC (bpm) 83±10bpm 0,52

A Tabela 2 demonstra o comportamento da pressão arterial e da frequência cardíaca antes e depois da intervenção hidroterapeutica com base no número final das dez sessões total realizadas. É possível observar que a pressão arterial sistólica, assim como a diastólica e a frequência cardíaca tiveram diminuição concordando com os estudos realizados por Luza (2013), que demonstraram que os protocolos de intervenção hidroterapeutico são eficazes na diminuição da pressão arterial sistólica (PAS) e pressão arterial diastólica (PAD).

Tabela 2: Comparação da pressão arterial e frequência cardíaca antes e depois da intervenção hidroterapeutica

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Antes da intervenção Grupo (n=39) Valor de p* PAS (mmHg) 136±16mmHg < 0,0001 PAD (mmHg) 73±3mmHg 0,09 FC (bpm) 83±10bpm 0,55 Depois da intervenção Grupo (n=39) Valor de p* PAS (mmHg) 127,52±11,38 < 0,0001 PAD (mmHg) 80,8±10,21 0,02 FC (bpm) 82,9±12,17 0,52

Embora neste estudo não se tenha discutido a intensidade do exercício consideramos que a imersão promova a diminuição da pressão arterial por redução do débito cardíaco, que está associado à queda da frequência cardíaca e do tônus simpático no coração. Algumas pesquisas de Oliveira (2013) constataram que uma sessão de exercício aeróbico no meio aquático com duração de 45 minutos e intensidade submáxima entre 50% e 80% do pico do consumo de oxigênio é considerada importante para o tratamento não-farmacológico de hipertensos. A razão disso é que há um controle dos níveis pressóricos, gerando um efeito hipotensor e cardioprotetor, o que comprova sua importância na saúde cardiovascular.

Além disso, a hipervolemia torácica desencadeada pela imersão, estimula o mecanismo de Frank-Starling, onde ocorre elevação do volume sistólico com redução da frequência cardíaca, a pressão hidrostática leva a um maior enchimento cardíaco e alterações hemodinâmicas do volume sanguíneo e do tônus venoso, fazendo com que ocorra a redução da frequência cardíaca e pressão arterial.

Costa et al (2017) afirmaram que a ocorrência de queda da frequência cardíaca parece ser bastante comum, e em um estudo apresentou queda de aproximadamente 13 batimentos por minutos, assim como uma queda na pressão arterial. Neste estudo citado houve a comparação dos valores da Pressão Arterial e da Frequência Cardíaca antes e depois das sessões de hidroterapia, e verificou-se que os pacientes apresentaram pressão arterial sistólica significativamente menor (p<0,0001) e pressão arterial diastólica significativamente menor (p=0,02) depois das intervenções hidroterapêuticas. Outros estudos ainda de Costa et al (2017), concluíram que os

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exercícios aquáticos são eficientes na diminuição da pressão arterial diastólica, no entanto não parecem ser eficientes na redução da pressão arterial diastólica, pois ao final de suas intervenções a pressão arterial diastólica se manteve, não apresentando alteração, e esse fato aconteceu principalmente em estudos que realizaram um curto período de intervenção, porém não concorda com os resultados obtidos neste estudo. Estudos como de Arca (2012) mostrou a redução máxima da PAS de 4 mmHg a 35 mmHg e da PAD de 5 mmHg a 17 mmHg. Deve-se considerar também que o aumento da temperatura corporal e as mudanças hemodinâmicas que ocorrem logo após a saída da piscina, como aumento da frequência cardíaca, diminuição do volume sanguíneo e do retorno venoso, que eram facilitados pelas propriedades físicas da água.

Entre os estudos que apresentaram redução tanto para PAS quanto para PAD, cabe destacar o realizado por Guimarães et al.(2015) que analisou a resposta ao treinamento de pacientes com hipertensão arterial resistente, cuja característica é a baixa responsividade ao tratamento medicamentoso, demonstrando ser esta uma alternativa viável para o tratamento destes pacientes. Independente de falhas, limitações ou pequena redução da pressão arterial, os resultados se mostraram encorajadores na utilização de exercícios físicos, em especial aqueles realizados no meio aquático, como tratamento não-farmocológico de sujeitos hipertensos, principalmente com moderada intensidade e maior volume, visto que a diminuição de 5 mmHg na pressão arterial sistólica já é capaz de diminuir em 14% a mortalidade por acidente vascular encefálico, 9% por doença arterial coronariana e 7% por outras causas.

CONCLUSÃO

Os resultados observados demonstraram que, de modo geral, os exercícios aquáticos reduziram a pressão arterial. As pressões arteriais pós-atendimento, apesar de manterem-se ligeiramente mais baixas do que quando comparadas as pressões pré-tratamento, mostram que a fisioterapia aquática, realizada duas vezes por semana, em uma população de idosos, contribuiu ou influenciou para o controle ou diminuição da pressão, confirmando que a mesma pode ser utilizada como modalidade no auxílio da terapêutica anti-hipertensiva. Os exercícios aquáticos são

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descritos como uma alternativa segura e eficiente no auxílio da redução dos níveis pressóricos, porem são necessários mais estudos no meio aquático, para fortalecer os resultados, a fim de confirmar a eficiência dos exercícios aquáticos para a redução da pressão arterial.

REFERÊNCIAS

1-Costa, J.A, Santos, G.A, Carvalho, M.L.O, Borges, G.L. Efeito dos exercícios aquáticos na pressão arterial em hipertensas: uma revisão sistemática. Revista ConsSaude.v16n1.6938, 2017

2-Oliveira, L.B, Cabral, A.C.A, Holanda, L.J, Neves, M.D, Rolim, M.M, Silva, R.G.R. Efeitos da hidroterapia na hipertensão arterial sistêmica (has): uma revisão bibliográfica. Revista Científica escola da saúde. Ano 2, n° 2, abr. / set. 2013

3- Piazza, L, Menta, M.R, Castoldi, C, Reolão, J.B.C, Schmidt, R, Calegari, L.

Efeitos de exercícios aquáticos sobre a aptidão cardiorrespiratória e a pressão arterial em hipertensas. Revista CientificaFisioterapia e Pesquisa, São Paulo, v.15, n.3, p.285-91, jul./set. 2008

4- Arca, E.A, Martin, L.C, Martinelli, B, Barrile, S.R, Franco, R.J.S. Potencial da imersão parcial em piscina aquecida como tratamento integrante do controle da hipertensão arterial.RevBrasClin Med. São Paulo, 2012 set-out;10(5):427-30

5-Candeloro, J.M, Caromano, F.A. Efeitos de um programa de hidroterapia na pressão arterial e frequência cardíaca de mulheres idosas sedentárias. Fisioterapia e Pesquisa 2008,15(1): 26-32

6-Caromano, F.A, Filho, M.R.F.T, Candeloro, J.M.Efeitos fisiológicos da imersão e do exercício na água. Revista Fisioterapia Brasil - ano 4 - nº 1 - jan/2003

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7-Luza, M, Siqueira, L.O, Paqualoti, A, Reolão, J.B.C, Schimidt, R, Calegari, L. Efeitos do repouso e do exercício no solo e na água em hipertensos e normotensos. Fisioter. Pesqui. vol.18 no.4 São Paulo Oct./Dec. 2011

8-Guimaraes GV, Ciolac EG, Carvalho VO, D’Avila VM, Bortolotto LA, Bocchi EA. Effects of continuous vs. interval exercise training on blood pressure and arterial stiffness in treated hypertension. Hypertens Res. 2010;33(6):627-32

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