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UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS FACULDADE DE EDUCAÇÃO
TESE DE DOUTORADO ROSELY JUNG PISICCHIO
O TRABALHO DAS INCUBADORAS DE EMPREENDIMENTOS SOLIDÁRIOS DO PARANÁ
CAMPINAS 2014
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Ao meu marido Luis Carlos e aos meus filhos Antonio e Ana que cercam minha vida de amor e alegria, levando-me a ter esperança em uma nova sociedade sem medo e sem preconceitos.
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AGRADECIMENTOS
Não há como não agradecer, foram tanto “encontros”, tantas idas e vindas e me sinto agraciada por contar com o apoio e o auxilio de tantas pessoas.
Em primeiro lugar agradeço a Deus, por ter me dado esta oportunidade de me aprimorar a responsabilidade de “multiplicar” e disseminar os conhecimentos.
Ao Prof. Dr. José Roberto Heloani, orientador e amigo de todas as horas. Agradeço o apoio, a paciência e o carinho com que me conduzia, principalmente nos momentos de grande aflição.
Ao meu companheiro inseparável Luiz Carlos, meu filho Antonio e minha filha Ana, que eles possam se espelhar com o meu esforço, mas que saibam que eles são os amores de minha vida.
Ao apoio incondicional de minha família: meu pai Agenor, que sempre quis que eu fosse uma professora, a minha mãe Terezinha, aos meus irmãos, cunhados, sobrinhos e agregados que sempre torceram por mim.
A UEL, ao Departamento de Psicologia e aos colegas da área de Psicologia do trabalho, que permitiram minha dedicação exclusiva ao doutorado.
As incubadoras Paranaenses minha gratidão pelo acolhimento, aos trabalhadores(as) da Economia Solidaria, por me ajudarem a entender um pouco mais sobre a complexidade da relação no campo de Economia Solidaria.
Aos funcionários da Pós Graduação da Faculdade de Educação, não cito nenhum nome, mas todos sempre me atenderam prontamente, com amabilidade e competência.
A querida Marcia Campos, pela paciência, pelas leituras, pelos livros emprestados, mas principalmente pelas discussões que dividimos juntas e ainda faremos muito juntas pela Economia Solidária de nossas Universidades.
A Priscila e Rafaela, como não falar dessas “encantadoras meninas”, com jeito de gente grande, que foram meu abrigo, e na qual compartilhamos o cotidiano da UNICAMP.
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A todos que diretamente ou indiretamente contribuíram para a realização desta tese, meu muito obrigado.
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“Não Sei (Cora Coralina) Não sei... se a vida é curta ou longa demais pra nós, Mas sei que nada do que vivemos tem sentido, se não tocamos o coração das pessoas. Muitas vezes basta ser: Colo que acolhe, braço que envolve, Palavra que conforta, silêncio que respeita, Alegria que contagia, lágrima que corre, Olhar que acaricia, desejo que sacia, Amor que promove. E isso não é coisa de outro mundo, é o que dá sentido à vida. É o que faz com que ela não seja nem curta, nem longa demais, Mas que seja intensa, verdadeira, pura... Enquanto durar"
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PISICCHIO, Roseli Jung. O Trabalho das Incubadoras de Empreendimentos Solidários do Paraná. 348 fls. Tese (Doutorado em Educação)-Faculdade de Educação. Universidade Estadual de Campinas. São Paulo. 2014.
RESUMO
Nas últimas décadas a Economia Solidária vem crescendo e se desenvolvendo como forma alternativa de geração trabalho e renda, principalmente para os que estão excluídos do mercado formal de trabalho. A Economia Solidária destaca-se como um movimento que possui princípios amparados nos valores de cooperação, de democracia participativa, de autogestão visando o bem estar individual, comunitário, social e ambiental. Para o desenvolvimento da Economia Solidária, alguns atores foram sendo envolvidos. Em 1998 foi criado o PRONINC – Programa Nacional de Incubadoras e Cooperativas Populares que concebeu a idéia de que as Universidades podem criar espaços pedagógicos/projetos com uma equipe de docentes e discentes com o intuito de assessorar e de disseminar a Economia Solidária. O processo de acompanhamento prestado por meio das incubadoras para os grupos de trabalhadores é fundamental, pois é através dessa assessoria que se quer instrumentalizar e auxiliar na organização do trabalho, na formação e capacitação dos interessados com base na Economia Solidária. Trata-se de uma pesquisa qualitativa que aproximou-se das cinco principais universidades do Paraná – localizadas em Londrina, Maringá, Ponta Grossa, Curitiba e Foz do Iguaçu, com o objetivo de analisar o trabalho das incubadoras de empreendimentos solidários. Através das entrevistas junto aos coordenadores das incubadoras, Pró-reitor de Extensão, técnico, Agente de desenvolvimento da SENAES e dos trabalhadores assessorados foi-se percebendo as visões do Estado, da Universidade e dos envolvidos em relação a esse tipo de trabalho. Quais as características, as dificuldades e os principais significados identitários relacionados ao trabalho das incubadoras. As entrevistas foram analisadas e categorizadas em: O sentido do Trabalho e o Papel das Incubadoras Paranaenses; Estado e Universidade: a relação com as incubadoras e a terceira categoria; Desafios, Limites e Futuro das
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Incubadoras. Os relatos mostraram dificuldades, antagonismo e objetivos comuns que demarcam um tema ainda em construção. As incubadoras ressaltaram os problemas políticos e estruturais que perpassam por este tipo de projeto, da burocracia que impede uma maior mobilidade e rapidez de atendimento e que a Economia Solidária e as Incubadoras ainda necessitam de clareza junto aos envolvidos em relação a sua forma de trabalho. Conclui-se ainda que as incubadoras são um espaço de discussão, de múltiplas visões, negociação e de práticas coletivas. O conhecimento das relações entre incubadoras e os seus principais envolvidos é fundamental para poder consolidar essa proposta.
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PISICCHIO, Roseli Jung. O Trabalho das Incubadoras de Empreendimentos Solidários do Paraná. 348 fls. Tese (Doutorado em Educação)-Faculdade de Educação. Universidade Estadual de Campinas. São Paulo. 2014.
ABSTRACT
In the last decades solidarity economy is growing as an alternative way of work and wealth generation, especially for those who are excluded from the formal market. The
solidarity economy highlights itself as a movement that has its principles based on values, such as cooperation, participative democracy and self-administration looking forward to the individual, community and environmental well being. To the development of solidarity economy diverse agents become involved. In 1988 was create PRONINC – National program of popular cooperatives and incubators, that created the idea that universities could create spaces/projects with a team of professors and students with the intention to spread solidarity economy. The process of advisement given by the incubators to the workers groups is fundamental, because trough this advisement is that the groups can get tools to organize its work and improve their capacity and interest in the solidarity economy. This work is a qualitative research in the five main universities in the state of Paraná located in the cities of Londrina, Maringá, Foz do Iguaçu, Curitiba and Ponta Grossa, with the objective to analyze the work of the solidarity work incubators of those universities. Through interviews with the coordinators of the incubators, pro-rectors of extension, technicians, SENAES development agents and the workers involved this research started to realize what is the vision of the State, Universities and the others involved of this kind of work. This work also discovered what were the main characteristics, difficulties and the identitary significations related to the work of the incubators. The reports show the difficulties, antagonism and common objectives that demark and theme that is still in construction. The incubators points the structural and political problems that pervades this kind of project, the bureaucracy that prevents a better mobility and a better treatment and that solidarity economy and the incubators still need more clarity with the invloveds with its work relations. This work
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concludes that the incubators are spaces for the discussion, with multiple visions, negotiations and collective practices. The knowledge of the relation between incubators and the main involveds its fundamental to consolidate this proposal.
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LISTA DE FIGURAS E QUADROS FIGURA
Fig 1 – O papel das redes na interação Incubadoras e Comitê.
QUADROS
Quadro 1 – Características principais dos empreendimentos pesquisados.
Quadros 2 – Dados gerais dos trabalhadores dos empreendimentos pesquisados. Quadro 3 – Características dos outros participantes da pesquisa.
Quadro 4 – Comitê Gestor do PRONINC.
Quadro 5 – Número de incubadoras financiadas pelo PRONINC-2003-2010. Quadro 6 – Inserção das Incubadoras nas IES.
Quadro 7 – Dados gerais sobre as Incubadoras Paranaenses Pesquisadas. Quadro 8 – Principais dificuldades apontadas pelas Incubadoras Paranaenses.
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LISTA DE SIGLAS
ADS/CUT – Agência de Desenvolvimento Solidário / Central Única dos Trabalhadores ANTEAG - Associação Nacional dos Trabalhadores de Empresas Autogeridas.
BB - Banco do Brasil.
CBO – Classificação Brasileira de Ocupação.
CNPQ – Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico. CODEFAT - Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador. COEP - Comitê de Entidades no Combate à Fome e pela Vida.
CONAES – Conferencia Nacional de Economia Solidária.
COTRAM – Cooperativas de trabalhadores Autônomo do Complexo de Manguinhos. CUT – Central Única dos Trabalhadores.
DIEESE – Departamento Interestadual de Estatística e Estudos Socioeconômico. EAFs – Entidades de Apoio e Fomento à Economia Solidária.
ECOSOL – Sistema Nacional de Cooperativa de Economia e Credito Solidário. EES – Empreendimento de Economia Solidarias.
FAT – Fundo de Amparo ao Trabalhador. FBB – Fundação do Banco do Brasil.
FBES – Fórum Brasileiro de Economia Solidária. FBEs – Fórum Brasileiro de Economia Solidária. FGTS – Fundo de Garantia por Tempo de Serviço.
FINEP – Financiadora de Estudos e Projetos – Agencia Brasileira de Inovação. FSM – Fórum Social Mundial.
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IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. IES – Instituição de Ensino Superior.
IESOL – Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares – UEPG.
INDIOS – Incubadora de Direitos e Organização Solidária da UNIOESTE - Campus Foz do Iguaçu.
INTES – Incubadora Tecnológica de empreendimentos Solidários-UEL. IPEA – Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada.
ITCP-PR – Incubadora Tecnológica de Cooperativa do UFPR. ITCPs – Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares. LATTES – Plataforma de Currículo.
MEC – Ministério da Educação. MinC – Ministério da Cultura. MJ – Ministério da Justiça. MS – Ministério da Saúde.
MDS – Ministério do Desenvolvimento Social. MPA – Ministério da Pesca e da Agricultura.
MST - Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra. MNCR – Movimento Nacional dos Catadores de Reciclados. MTE – Ministério do Trabalho e Emprego.
NESOL – Núcleo de Economia Solidária – USP. ONGs – Organização não Governamentais. PAC – Projeto de Ação Comunitária.
PASEP – Abono Salarial do Servidor Publico. PEQ – Plano Estadual de Qualificação.
xxi PIS – Programa de Integração Social
PLANFOR – Plano Nacional de Formação Profissional. PLANSEQ – Plano Setoriais de Qualificação.
PNQ – Plano Nacional de Qualificação.
PNUD – Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. PPA – Plano Plurianual do Governo Federal.
PROEXT – Pró Reitoria de Extensão.
PROGER – Programa de Geração e Emprego do Governo Federal.
PRONINC – Programa Nacional de Incubadoras de Cooperativas Populares. SEBRAE - Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas. SENAES – Secretaria Nacional de Economia Solidária.
SETI –Secretaria da Ciência e Tecnologia do Paraná.
SIES – Sistema Nacional de Informação em Economia Solidária. SINE – Sistema Nacional de Empregos.
STETR – Sistema Público de Emprego Trabalho e Renda Brasileira. UEL – Universidade Estadual de Londrina.
UEM – Universidade Estadual de Maringá.
UEPG – Universidade Estadual de Ponta Grossa. UFPR – Universidade Federal do Paraná.
UNESCO – Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura. UNIOESTE – Universidade do Oeste do Paraná.
UNISOL – União e Solidariedade das Cooperativas e Empreendimentos de Economia Social do Brasil.
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UNITRABALHO - Fundação Interuniversitária de Estudos e Pesquisas sobre o Trabalho.
xxiii SUMÁRIO
INTRODUÇÃO
... 1CAPITULO 1
1 OBJETIVOS ... 10
1.1 Objetivo Geral ... 10 1.2 Objetivos Específicos ... 10 1.3 Delimitação do Objeto ... 101.4 Procedimentos Metodológicos de Pesquisa ... 11
1.4.1 A técnica de entrevista ... 14
1.4.2 Análise de conteúdo ... 16
1.5 A Coleta e a Análise dos Dados ... 18
1.6 O Cenário da Pesquisa: Incubadoras de Empreendimentos Solidários Paranaenses ... 20
1.6.1 Incubadora Tecnológica de Empreendimentos Solidários – INTES – Universidade Estadual de Londrina ... 21
1.6.2 Núcleo Incubadora Unitrabalho – Universidade Estadual de Maringá ... 21
1.6.3 Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares – IESOL da Universidade Estadual de Ponta Grossa ... 23
1.6.4 Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares da UFPr ... 24
1.6.5 Incubadora de Direitos e Organizações Solidárias - INDIOS – UNIOESTE - Campus Foz do Iguaçu ... 25
1.6.6 Características dos Empreendimentos Solidários participantes da Pesquisa ... 26
CAPÍTULO 2
2 ECONOMIA SOLIDÁRIA: SEUS SENTIDOS E SUA HISTÓRIA ... 32
xxiv
2.2 A Economia Solidária de Paul Singer ... 45
2.3 A Economia Social e a Economia Popular Solidária ... 51
2.4 Essa outra Economia acontece? Limites e Desafios ... 61
CAPÍTULO 3
3 A POLÍTICA DE GERAÇÃO TRABALHO E RENDA E O PROGRAMA
DE INCUBADORAS DE EMPREENDIMENTOS SOLIDÁRIOS ... 72
3.1 A Política de Geração Trabalho e Renda ... 73
3.2 O Programa Nacional de Incubadoras e Cooperativas Populares-PRONINC ... 85
3.3 Universidade e o Projeto Incubadora... 90
3.4 Processo de Incubação de Empreendimentos Solidários ... 96
CAPÍTULO 4
4 IDENTIDADE: UMA FORMA DE SER E DE VER O MUNDO ... 104
4.1 A Constituição da Identidade ... 105
4.2 Identidade Organizacional, Grupos e Coletividade ... 117
4.3 Contradições na Relação Identitária entre Incubadoras e Trabalhadores da Economia Solidária ... 126
CAPITULO 5
5. RESULTADOS E ANÁLISES ... 136
5.1 Introdução aos Resultados e Análises... 136
5.2 Sentido do Trabalho e o Papel das Incubadoras Paranaenses ... 139
5.3 O Papel das Incubadoras e a Relação com os Trabalhadores em seus Empreendimentos ... 153
5.4 O Papel das Incubadoras e as Questões Administrativas ... 160
5.5 O Sentido do Trabalho e o Papel das Incubadoras Paranaenses: a visão dos trabalhadores da reciclagem entrevistados ... 166
xxv
5.6.1 O Estado ... 176
5.6.2 A Universidade ... 190
5.7 Desafios, Limites e Futuro das Incubadoras ... 204
5.7.1 O futuro das incubadoras ... 219
CAPITULO 6
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS ... 238
REFERÊNCIAS ... 246
APENDICES ... 257
Apêndice A - Roteiro das Entrevistas ... 258
Apêndice B - Aprovação do Comitê de Ética... 260
Apêndice C – Carta de Autorização para Pesquisa ... 261
Apêndice D - Termo de Consentimento Livre e Esclarecido ... 262
ANEXOS ... 263
Anexo A – Entrevista com os Coordenadores das Incubadoras ... 264
Anexo B – Entrevista com a Pró Reitora de Extensão da UEL ... 304
Anexo C – Entrevista com Técnico da Incubadora da UEL ... 307
Anexo D – Entrevista com Agente de Acompanhamento da SENAES ... 309
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INTRODUÇÃO
O ser humano se relaciona de diversas formas com o mundo por intermédio da ação. Essa ação pressupõe trabalho, que é, portanto, o instrumento da interação e da apropriação do mundo pelo homem.
É por meio do trabalho que diferentes valores, afetos e relações de poder são postos em circulação. Além disso, cada trabalhador é capaz de construir sentidos para aquilo que produz e realiza. A construção desses depende dos diferentes conhecimentos, recursos materiais, econômicos e tecnológicos, sociais e políticos que se fazem presentes em dado momento histórico.
Ao longo da história da sociedade, o trabalho foi se modificando e passou a ocupar um lugar central na vida da população. As críticas ao regime capitalista, o agravamento das condições de emprego e a falta de perspectiva de geração de trabalho e renda a partir dos modelos tradicionais de crescimento da economia têm inspirado diversos movimentos sociais a construir alternativas. Nesse contexto, ganham vulto duas alternativas de organização do trabalho, trazidas pelas classes populares: o associativismo e o cooperativismo. Como aponta Tiriba (2004, p.23-24):
A grande quantidade de iniciativas espontâneas e projetos de geração trabalho e renda de cunho associativista, em geral, acompanhados de projetos de qualificação profissional, tem sido um elemento inspirador e convidativo para educadores e pesquisadores, passem a enveredar-se por caminhos que favoreçam a construção de uma pedagogia comprometida com a organização dos trabalhadores livremente associados na produção, em torno de um projeto político-econômico, hoje denominado de economia solidária e, algumas vezes de economia popular solidária.
Assim, inicia-se essa tese ressaltando a importância do trabalho na vida das pessoas e também da busca por alternativas de geração trabalho e renda. As novas formas de organização do trabalho e essas alternativas surgiram num cenário que demarca condições específicas. Sabe-se que, a partir da década de 90, houve uma aceleração das transformações tecnológicas e econômicas, acionadas pela globalização. Na questão macroeconômica, citam-se as reconfigurações dos mercados, as cadeias e estruturas produtivas. Isso acabou gerando uma crise no sistema de
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trabalho assalariado, cujo reflexo é o desemprego e a exclusão social. Além disso, somam-se outros elementos, como cadeias de subcontratações e terceirizações, levando à redução do número de assalariados e o aumento de exigências em relação as qualificações, dificultando assim a entrada para o mercado formal de trabalho. Em decorrência dessa realidade, alternativas vão sendo estruturadas, com o apoio de políticas governamentais, organismos internacionais, organizações não governamentais (ONGs), igrejas, universidades, todas com o intuito de apoiar e auxiliar projetos de geração trabalho e renda.
Para este estudo abordam-se dois temas importantes: Economia Solidária e Incubadoras de Empreendimentos Solidários.
A Economia Solidária tem se disseminado cada vez mais como uma possibilidade de sobrevivência para aquelas camadas da população que estão excluídas do mercado formal de trabalho. Ela é organizada por meio de princípios gerais que se fundamentam na prática da autogestão, ou seja, na tomada de decisão mais democrática, nas relações sociais de cooperação e, por fim, na horizontalidade das relações de produção.
Matrizes teóricas importantes para a Economia Solidária veem, portanto, da tradição marxista, que se debruçou sobre a autogestão, das teorias em torno dos movimentos sociais e da análise entre o social, o econômico e o político, bem como a
sociologia econômica dos trabalhos de Karl Polanyi1. Essas contribuições mostram com
convicção a realidade plural da economia e sua profunda relação com o social e o político.
Para Singer (2002, p.112), a economia solidária é uma alternativa que a sociedade civil tem para se organizar e estabelecer processos emancipatórios, isto é, possibilitar ¨a promoção da comunidade que por sua própria iniciativa e empenho melhora suas condições de vida¨.
Campo teórico e político que ainda pode ser considerado em construção, a Economia Solidária se tornou alternativa de inserção produtiva para muitos trabalhadores (tanto aqueles que estão há muito tempo fora do setor formal, quanto
1 Sociólogo Pioneiro em destacar as relações entre economia, sociedade e cultura. Para Polanyi o
sistema de ¨livre mercado¨ seria a causa da alienação dos seres humanos e de sua natureza externa, da subordinação a uma racionalidade individualista (POLANYI, 2000, p.4).
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aqueles que jamais estiveram nele). Sua expansão tem contado com o apoio de movimentos e organizações sociais diversas. Mais recente tem sido o apoio de agentes governamentais que localmente realizam projetos na área de geração trabalho e renda, tentando assim articular e institucionalizar espaços de interlocução Estado – Sociedade.
Os trabalhadores da Economia Solidária alinham-se em uma gama ampla e heterogênea de iniciativas, que variam em diversas modalidades. Entre os anos de
2003 e 2007 foi realizado um mapeamento2 investigativo para caracterizar esses
empreendimentos. Segundo Gaiger (2012, p.319):
[...] 51,8% deles são associações; 36,5% grupos informais; 9,7% cooperativas. As atividades coletivas mais frequentes são a produção (63,3%), a comercialização (59,6%) e o uso de equipamentos produtivos (49,9%). Dedicam-se à agricultura, pecuária, pesca ou extrativismo, 54,9% dos empreendimentos, os demais se dividindo entre a produção e a prestação de serviços em setores de alimentação, confecção e calçados, artesanato, indústria de transformação, coleta e reciclagem e, ainda, crédito e finanças. Quanto ao porte, 24% possuem até 30 sócios, enquanto no extremo oposto registram 370 casos (1,7%) com mais de 500 associados. Ao redor de 19,7% possuem menos de seis sócios trabalhando regularmente no empreendimento e 59,3% possuem até 30 trabalhadores dentro do quadro social [...].
Esses números mostram um pouco do que é a Economia Solidária. No entanto ela não se explica só pelas questões estruturais e objetivas: ela tem um modelo diferenciado de sociabilidade, de valores, de experiências. O seu trabalho baseia-se em princípios diferenciados, na autogestão, na solidariedade e tem um grande significado social entre os trabalhadores de alta exclusão.
As incubadoras universitárias compõem um espaço de interlocução. Em 1998 foi criado o Programa Nacional de Incubadoras e Cooperativas Populares, o PRONINC. Esse programa baseou-se na experiência bem sucedida que a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) vinha realizando e contou com a assistência de professores do Rio Grande do Sul, onde o cooperativismo já constituía matéria curricular em alguns cursos de graduação. Através do PRONINC, as relações entre as universidades e os
grupos populares foram estreitadas e passaram a trocar conhecimentos e a contar com
2 O mapeamento teve como objetivo conhecer e detalhar como se constitui o empreendimento econômico
solidário e foi realizado pela Secretaria Nacional de Economia Solidária, o Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (IPEA) e a Universidade do Vale dos Sinos (GAIGER, 2012, p.319).
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pesquisadores no acompanhamento a grupos incubados, oferecendo-lhes apoio técnico e auxílio na geração trabalho e renda.
A primeira incubadora universitária de cooperativas populares surgiu na Universidade Federal do Rio de Janeiro, com o apoio do Comitê de Entidades de Combate à fome pela Vida (COEP) e da Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP).
Atualmente há mais de 80 incubadoras3 espalhadas pelo Brasil, que realizam diferentes
tipos de trabalho. O trabalho das incubadoras paulatinamente vem sendo reconhecido e divulgado. Ferreira (2010, p.35) constata:
Mais de 300 empreendimentos solidários apoiados, 79 incubadoras e 24,5 milhões concedidos em 4 anos em forma de financiamentos. Esses são alguns números da atuação da FINEP no apoio a projetos ligados à Economia Solidária, uma alternativa inovadora para gerar trabalho e renda com inclusão social.
Embora a criação do PRONINC tenha ocorrido em 1998, somente a partir de 2003, com a criação da Secretaria Nacional de Economia Solidária - SENAES – e de um comitê gestor que auxilia no acompanhamento e avaliação, que sua ação se ampliou e passou a ocorrer um aumento de implementação de editais que tornaram o programa mais abrangente. A atuação junto às Instituições de ensino superior também tem contribuído para a construção de uma aproximação e de uma nova relação ensino-aprendizagem em comunidades carentes.
No último Encontro Nacional de Incubadoras, realizado em Luziânia (GO) de 10 a 13 de junho de 2013, participaram mais de 100 universidades. No entanto, no último relatório do PRONINC foram analisadas 54 incubadoras universitárias, sendo que 35,1% tinha sido criadas nos últimos quatro anos; 34,1% têm entre 5 à 8 anos e 40,8% têm 9 anos ou mais. Afirma-se ainda que o PRONINC teve um papel decisivo, visto que 74,1% das incubadoras receberam apoio do referido programa (IADH, 2011, p.34). Esses dados demonstram a importância desse projeto no meio acadêmico, como também a importância do PRONINC na materialização do apoio e na organização do programa dentro das universidades.
3 A rede ITCP possui 41 incubadoras em todo o Brasil, enquanto que a Rede Unitrabalho possui 57
universidades filiadas, no entanto nem todas possuem incubadoras. (www.redeitcp.com.br e www.unitrabalho.com.br).
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Como principais objetivos das incubadoras de empreendimentos solidários constam a discussão e a abordagem de temas como: condições e processos de formação dos empreendimentos, práticas de trabalho, desempenho econômico, discussão sobre a vida material, social e política dos integrantes dos empreendimentos. As incubadoras visam ainda estudar as condições necessárias à formação dessas experiências e as vias mais propícias de sua preservação e seu desenvolvimento.
A incubadora mostra-se como um espaço de discussão junto aos profissionais envolvidos e seu processo passa a ser fundamental aos empreendimentos, não só em relação aos aspectos produtivos, mas apontam para a busca de cidadania e realização humana. Novamente recorra-se ao relatório de avaliação do PRONINC (IADH, 2011, p.103), que aponta alguns assuntos essenciais ao trabalho das incubadoras:
[...] os conteúdos mais presentes nos programas das incubadoras são: a formação social e política, análise de conjuntura, mudanças no mundo do trabalho, Economia Solidária e seus princípios, desenvolvimento local e integração grupal, princípios de gerenciamento, legalização, comercialização e participação direta, qualidade de produto, autogestão e sustentabilidade. Além disso, as incubadoras promovem discussões sobre desigualdades, direitos e oportunidades sociais.
Assim observa-se que as incubadoras são um local onde perpassam muitas discussões e análises sobre como auxiliar trabalhadores a se inserirem numa forma alternativa de trabalho. Como professora supervisora desse projeto nos anos de 2008 a 2010 pela Universidade Estadual de Londrina, notou-se que é neste local em que ocorre intenso ¨brainstorming¨, apoio e ação para os que participam do projeto. É comum, nas idas e vindas dos processos de assessoria e nas visitas aos empreendimentos, uma análise dos pontos positivos e negativos daquele momento, e uma análise e ou avaliação das informações e conhecimentos repassados aos grupos.
Esse processo vai além da geração de trabalho e renda. A incubadora é um espaço pedagógico capaz de desenvolver uma prática diferenciada pela via do trabalho com base na Economia Solidária. Com isto, fica claro o grande desafio que está colocado para as incubadoras universitárias, principalmente em relação à aproximação dos trabalhadores com a realidade capitalista em que estão inseridos, ou seja, há uma exigência de elaboração de uma nova cultura de trabalho.
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Tem-me surgido uma inquietação com o trabalho que é realizado e oferecido por meio do processo de assessoria aos trabalhadores da Economia Solidária. As contradições a que estão expostos os trabalhadores, a visão de trabalho dos coordenadores e dos principais interlocutores das incubadoras são do interesse desse estudo.
Levanta-se a hipótese de que as incubadoras fazem parte desse modelo alternativo e como tal podem auxiliar na criação de mecanismos que intervenham nos processos de reprodução da desigualdade, com vistas a combatê-los.
Assim a pesquisa quer responder alguns questionamentos como: Qual é o trabalho executado nas incubadoras paranaenses? Qual a visão deste trabalhador em relação às incubadoras? Quais negociações e diálogos são promovidos com o público (coletivo de trabalhadores) e o setor econômico (a inserção e a geração de renda)? Qual o papel do Estado? Qual o papel da Universidade?
Essas são as questões norteadoras que a pesquisa tenta entender. Certamente existem muitas outras questões pois o mundo da Economia Solidária se mostra bastante complexo. A política de geração de trabalho e renda com base na Economia Solidária é recente em nosso país; no entanto, ela deve ter uma seriedade e um compromisso com o enraizamento e desenvolvimento desses trabalhadores. As incubadoras, além do trabalho de incubação, podem ampliar o universo de atuação formativa e pedagógica dos empreendimentos e auxiliar em atividades junto às redes produtivas e em ações que atinjam a sociedade como um todo.
Portanto, delineia-se como objetivos desta tese analisar o trabalho das Incubadoras de Empreendimentos Solidários do Paraná por meio de seus principais interlocutores: Estado, Universidade e trabalhadores da Economia Solidária.
Como objetivos específicos apresentam-se:
- Identificar as funções das Incubadoras de empreendimentos solidários do Paraná;
- Verificar qual a percepção desse trabalho por parte do Estado; da Universidade e dos trabalhadores da Economia Solidária;
- Analisar as principais características desse trabalho, pontos positivos e negativos na visão dos entrevistados;
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- Entender o significado das relações identitárias dos envolvidos no trabalho das incubadoras.
Essa tese está dividida em duas partes. A primeira parte é composta pelos quatros capítulos iniciais congregando a metodologia e a revisão teórica. Na segunda parte, apresentam-se a análise dos resultados e as considerações finais.
No capítulo 1 apresentam-se os objetivos gerais e específicos de forma mais aprofundada, a metodologia aplicada e alguns esclarecimentos sobre as características das incubadoras paranaenses pesquisadas.
O capítulo 2 é destinado a situar o leitor nos principais sentidos e a história da base teórica principal da tese: a Economia Solidaria. Aqui são elencados os seus principais autores, seus princípios de funcionamento e seus limites e desafios.
Já no capítulo 3 aborda-se como se formou a política de geração de trabalho e renda em nosso país, até evidenciar a política de Economia Solidária e o Programa Nacional de Incubadoras Tecnológicas de Cooperativas Populares, como essas políticas vêm se consolidando na sociedade. Também é neste capítulo que se apresenta a universidade e o processo de incubação de empreendimentos solidários.
No capítulo 4 aborda-se a importância do tema Identidade para as Incubadoras de Empreendimentos Solidários. Quem são, suas orientações simbólicas, sua forma de se relacionar e quais os efeitos de suas ações frente aos seus principais atores. As principais contradições na relação identitária entre incubadoras e trabalhadores da Economia Solidária são relatadas neste capítulo.
A segunda e última parte se compõe do Capítulo 5 e das Considerações finais. No capítulo 5 apresentam-se as análises e os principais resultados encontrados em relação ao trabalho das incubadoras e sua forma de se organizar, sua atuação frente à Economia Solidaria. As questões administrativas e a visão dos trabalhadores da reciclagem também foram destacadas. Aparecem ainda, a visão do Estado e da Universidade. Na última parte desse capítulo abordam-se os desafios, limites e a visão de futuro que os envolvidos na pesquisa apontaram.
Por fim, Capitulo 6 as Considerações Finais, em que se quer resumidamente evidenciar todos os dados levantados e mostrar que este projeto está em construção, que tem diferentes significados, mas que se mostra essencial principalmente para os
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trabalhadores da Economia Solidária, tentando entender como que este projeto é vivenciado e também algumas propositivas são colocadas neste item final.
A pesquisa mostra contradições importantes, que podem auxiliar trabalhos futuros junto às incubadoras de empreendimentos solidários, pois se trata de uma área importante para o desenvolvimento de programas com formas organizacionais inovadoras.
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OBJETIVOS
1.1 Objetivo Geral:Analisar o trabalho das Incubadoras de Empreendimentos Solidários do Paraná através do relato de seus principais interlocutores: Estado, Universidade e trabalhadores da Economia Solidária.
1.2 Objetivos Específicos:
Conhecer as funções das Incubadoras de Empreendimentos Solidários do Paraná.
Verificar qual a percepção deste trabalho frente aos seus principais interlocutores: Estado, Universidade e trabalhadores da Economia Solidária.
Analisar as características deste trabalho, participação e dificuldades dos principais envolvidos nas incubadoras.
Entender os significados das relações identitárias dos envolvidos no trabalho das incubadoras.
1.3 Delimitação do Objeto:
A delimitação do objeto desta pesquisa considera as
especificidades dos estudos de identidade e teve como diretriz os significados atribuídos pelos principais participantes das Incubadoras de Empreendimentos Solidários à saber:
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Universidade: 05 Coordenadores das Incubadoras Paranaense e 01 técnico
01 Pró-Reitor de Extensão
Empreendimento: 20 Trabalhadores da Economia
Solidária/Reciclagem
1.4 Procedimentos Metodológicos de Pesquisa:
Quando se quer fazer pesquisa é preciso compreender a realidade, e que esta é mediada por teorias e métodos.
Minayo (2002, p.17) comenta esta afirmação:
Uma teoria é, pois uma construção científica, por meio do qual o pesquisador se aproxima de um objeto, mesmo que depois o refute e construa outro que considere mais adequado para compreender ou explicar o assunto que investiga. As teorias sobre determinado assunto se apresentam como correntes de pensamento, sendo que, em cada tempo histórico, algumas têm predomínio sobre outras.
Portanto, antes de me aprofundar nos procedimentos metodológicos quero expor sobre o campo científico, que é algo fascinante e auxilia no entendimento das questões centrais de uma pesquisa. Afinal, as pesquisas se inserem no mundo e as transformações socioeconômicas e culturais influenciam decisivamente nas condições e possibilidades de desenvolvimento da ciência.
A teoria, é um conhecimento que serve e ajuda na investigação, se apresenta nas correntes de pensamento que serão abordadas no decorrer da pesquisa. Minayo (1994, p.21) ainda sobre isto coloca:
Lembremo-nos do fato de que os conceitos teóricos não são simples jogo de palavras. Como qualquer linguagem, devem ser construídos recuperando as dimensões históricas e até ideológicas de sua elaboração. Cada corrente teórica tem seu próprio acervo de conceitos. Para entendê-los temos que nos apropriar do contexto em que foram gerados e das posições dos outros com quem o pesquisador dialoga ou a quem se opõe.
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Já o método são os caminhos escolhidos para desvelar estas teorias; isto é, segundo a mesma autora, Minayo (2002, p.19-20);
A metodologia se expressa nos métodos, nos experimentos, nos surveys, nas histórias de vida, em todas as modalidades de abordagem, buscando se adequar a realidade, à tal forma que o processo científico e seus resultados possam se tornar públicos, ser debatidos e também testados por outros investigadores.
É no método que estarão presentes as técnicas e os instrumentos que serão utilizados na pesquisa. Além disso, não se pode esquecer daquilo que vários autores discutiram no livro Pesquisa em Educação: abordagem qualitativa; e que denominaram de imaginação (DENZIN, 1973) e ou intuição; ou subjetividade (GADAMER,1999; HABERMAS,1987; GURVITCH, 1927; DEMZU, 1973) ou como Minayo (2002), que fala da criatividade/ou experiência reflexiva, ou seja; ¨a capacidade pessoal de análise e de síntese teórica, a sua memória intelectual, a seu nível de comprometimento com o objeto e a sua capacidade de exposição lógica¨. (p.20).
A capacidade criativa de cada pesquisador é que torna a pesquisa interessante e com características próprias, mesmo o tema sendo abordado por outros pesquisadores. Portanto, fazer pesquisa é algo desafiador, principalmente a pesquisa qualitativa, que aborda o mundo dos significados, das relações e das ações. Neste sentido o trabalho com as incubadoras de empreendimentos solidários quer explorar o significado e as representações de seu papel como incubadora e se tem conseguido operacionalizar suas funções.
Acredito que muitos destes aspectos não podem ser observados ou quantificados, pois a incubadora é parte de um processo social, mas precisa ser entendido e segundo Minayo (1994, p.25);
Considera que o fenômeno ou processo social tem que ser entendido nas suas determinações e transformações dadas pelos sujeitos. Compreende uma relação intrínseca de oposição e complementaridade entre o mundo natural e social, entre o pensamento e a base material. Advoga também a necessidade de se trabalhar com a complexidade, com a especificidade e com as diferenciações que os problemas e ou objetos social apresentam.
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Essas especificidades e transformações serão demarcadas pela pesquisa seguindo o caminho que escolhi. Caminho este baseado nas aproximações junto às reuniões da equipe de coordenação e de técnicos e também das entrevistas semi-estruturadas realizadas com os principais interlocutores já descrito na delimitação do objeto de pesquisa.
Portanto, o objetivo é caracterizar os diferentes trabalhos das incubadoras de empreendimentos solidários e compreender suas dificuldades, suas contradições identitárias frente aos seus interlocutores.
O processo de pesquisar é um momento de diálogo com os envolvidos, com os seus documentos, artefatos e estes também vão retratando o que pensam, e assim podem transformar suas práticas. Pesquisar não é neutro, e permite que as reflexões aconteçam.
Ao conversar com as Incubadoras, o diálogo e as entrevistas estabelecidas, propiciaram conhecer o lugar que estas ocupam nas universidades, como se posicionam, como se veem e o que realizam junto aos trabalhadores da Economia Solidária. Esta é a responsabilidade do pesquisador, desvelar, provocar reflexões e oferecer respostas.
Complemento estas colocações com uma interessante analogia dos autores Capitão e Heloani (2007, p.26) sobre pesquisa:
Seria bom lembrarmos que a pesquisa é um processo muito parecido com a maneira de conhecer o ser humano. Nós nos apaixonamos(escolha do objeto de pesquisa), pensamos, fazemos conjecturas a respeito daquele(a) que é alvo de nossos sentimentos (enunciado das hipóteses), nos aproximamos mais e mais procurando conhecer o ¨tipo¨ um pouco melhor (coleta de dados), pensamos a respeito, analisamos o que sentimos e o que ele(a) sente, como age, como podemos nos entender (análise e interpretação dos dados). Daí, se as hipóteses forem confirmadas, isto é, se todas as nossas expectativas (ou boa parte delas forem confirmadas) ficamos noivos, casamos, moramos juntos, etc. O desenvolvimento vai depender da escolha, das preferências de cada um. Porém, se as expectativas forem em sua maioria frustradas, abandonamos o(a) infeliz e partimos para uma nova...hipótese, com um novo objeto.
Este é o compromisso da pesquisa, ¨apaixonar-se¨, aproximar-se, dialogar e responder algumas perguntas que sempre me intrigaram durante o tempo em que trabalhei e fui supervisora de estágio na Incubadora da Universidade Estadual de
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Londrina - UEL, perguntas que norteiam a pesquisa como: Qual é o papel da Incubadora? Em que condições ela trabalha? Qual o papel do Estado, Universidade e dos trabalhadores diante deste projeto? Quais os efeitos políticos, sociais e educacionais da incubadora?
Desde o início sempre se pensou em entrevistar os coordenadores das Incubadoras de Empreendimentos Solidários do Paraná, pois ninguém melhor que eles para relatar o papel destas, suas funções, dificuldades e contradições. O material foi complementado após a minha qualificação, com as entrevistas junto aos trabalhadores da reciclagem assessorados por uma das incubadoras pesquisadas, com a percepção de um técnico da incubadora, um pró-reitor de extensão, já que a maioria das incubadoras estão ligadas ao setor de extensão das universidades, e o agente de desenvolvimento da SENAES, como representante do Estado.
Esses foram, portanto, os sujeitos escolhidos como participantes da pesquisa e acredito que atendem os requisitos apontados por Minayo (1994, p.102) para uma amostra qualitativa:
a) privilegia os sujeitos sociais que detém os atributos que o investigador pretende conhecer; b) considera-os em número suficiente para permitir uma certa reincidência das informações porém não despreza informações ímpares cujo potencial explicativo tem que ser levado em conta; c) entende que na sua homogeneidade fundamental relativa aos atributos, o conjunto de informantes possa ser diversificado para possibilitar a apreensão das semelhanças e diferenças; d) esforça-se para que a escolha do lócus e o grupo de observação e in formação contenham o conjunto de experiências e impressões que se pretende objetivar com a pesquisa.
Assim, a seguir coloco sobre a entrevista e a análise de conteúdo, que será a forma que se realizará a análise e a compreensão do material coletado.
1.4.1 A técnica de entrevista
A técnica de entrevista possibilita o diálogo entre o entrevistador e o informante. A entrevista semi-estruturada, segundo Trivinõs (1987, p.146) é:
Aquela que parte de certos questionamentos básicos, apoiados em teoria e hipóteses que interessam a pesquisa, e que, em seguida, oferecem amplo
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campo de interrogativas, fruto de novas hipóteses que vão surgindo a medida que se recebem as respostas do informante. Desta maneira, o informante, seguindo espontaneamente a linha de seu pensamento e de suas experiências dentro do foco principal colocado pelo investigador, começa a participar na elaboração do conteúdo da pesquisa.
Na técnica de entrevista a postura do informante/pesquisador é fundamental, no que se refere a troca de informações e coleta de dados, pois deverá promover um clima agradável e de confiança, uma sensação de ¨utilidade¨, para que haja colaboração e uma espécie de sintonia entre o informante e o pesquisador. É preciso que o informante se sinta realmente parte da pesquisa, para que possa haver um bom ¨desenrolar¨ da investigação.
Os cuidados para que este “desenrolar” aconteça, está no tipo de perguntas, nos horários a serem cumpridos e na facilidade do ¨rapport¨, isto é, dar condições de real participação no processo de entrevista, de forma reflexiva e dando apoio informativo, captando os significados e explicações do fenômeno, não só no nível de sua aparência, mas também, de sua essência.
Segundo Menga e André (1986, p.35) em seu livro sobre Pesquisa em Educação coloca mais alguns cuidados;
Ao lado do respeito pela cultura e pelos valores do entrevistado, o entrevistador tem que desenvolver uma grande capacidade de ouvir atentamente e de estimular o fluxo natural de informações por patê do entrevistado. Essa estimulação não deve, entretanto, forçar o rumo das respostas para determinada direção. Deve apenas garantir um clima de confiança, para que o informante se sinta à vontade para se expressar livremente.
Ao tratar da entrevista, vê-se que ela pode ultrapassar os limites da técnica, as habilidades do entrevistador podem garantir uma coleta mais completa de dados, os gestos, expressões, entonações, sinais não verbais, hesitações, devem ser anotados também, pois são dados que mostram a interação e a forma de se relacionar com o assunto em questão.
Já em relação ao registro estão duas opções: a gravação e o registro feito através de notas durante a entrevista. Na pesquisa optou-se pela gravação, pois poderia se recorrer ao material mais de uma vez e estabelecer um rapport com os entrevistados de forma mais integral.
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Por fim coloco a questão do sigilo, é preciso que o entrevistado esteja de acordo em participar, que seja informado sobre os objetivos da pesquisa e que as informações fornecidas serão utilizadas exclusivamente para fins de pesquisa.
De qualquer maneira ao decidir pela entrevista, fica claro que é uma técnica dispendiosa e que exige cuidados para que as informações obtidas sejam realmente relevantes para o pesquisador.
1.4.2 Análise de conteúdo
Ao analisar os dados da pesquisa, é importante que todo o material coletado seja organizado e que o pesquisador consiga identificar tendências e padrões relevantes.
A análise de conteúdo é uma estratégia que segundo Bardin, (1977, p.21) conceitua-se em;
Conjunto de técnicas de análises das comunicações, visando por procedimentos sistemáticos e objetivos de descrição de conteúdo das mensagens, obter indicadores quantitativos ou não, que permitam a inferência de conhecimentos relativos às condições de produção/recepção (variáveis inferidas) das mensagens.
Apesar de colocar a questão dos indicadores quantitativos, este é um método que privilegia a pesquisa qualitativa porque fornece uma análise criteriosa do processo de comunicação e visa a apreciação objetiva da mensagem.
Para a utilização deste método é importante a classificação e a codificação dos principais conceitos e temas relacionados. Trivinõs (1987, p.160-161) alerta sobre isto;
A classificação dos conceitos, a codificação dos mesmos, a categorização, etc. são procedimentos indispensáveis na utilização da análise de conteúdo. Mas todos estes suportes ¨materiais¨ serão francamente inúteis no emprego da análise de conteúdo se o pesquisador não possuir amplo campo de clareza teórica. Isto é, não será possível a inferência se não dominarmos os conceitos básicos das teorias, segundo nossas hipóteses, estariam alimentando o conteúdo das mensagens.
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A - Pré-análise:
É a primeira etapa de organização dos materiais e separação de todo tipo de dados coletados, na pesquisa em questão são as observações participante/livre e as entrevistas iniciais, no caso com os coordenadores das incubadoras. Nesta etapa se formulará os objetivos e hipóteses que determinarão o corpus da investigação especificando melhor o campo de atuação. Logo após foram realizadas as entrevistas complementares com os trabalhadores, técnico, representante da Universidade através do Pró-reitor de Extensão e o representante da SENAES.
B - Descrição analítica:
Aqui já começa a classificação e a categorização dos principais temas abordados. É feito uma busca das principais coincidências e divergências de ideias e assim é elencado o que mais foi citado.
C - Interpretação referencial:
Alcança uma maior reflexão nesta etapa com o embasamento empírico estabelecendo novas relações. Aqui pode-se inferir, aprofunda-se as ideias e também lança mão de propostas de ações nos limites das estruturas específicas e gerais.
Sobre esta última fase Minayo (1994, p.76) coloca;
Como estamos apresentando procedimentos de análise qualitativa, nessa fase devemos tentar desvendar o conteúdo subjacente ao que está sendo manifesto. Sem excluir as informações estatísticas, nossa busca deve se voltar, por exemplo, para ideologias, tendências e outras determinações características dos fenômenos que estamos analisando.
Neste sentido fica a importância de buscar uma melhor interpretação dos dados e de ter uma atitude flexível e aberta para que novas interpretações possam ocorrer. A análise de conteúdo pode portando proporcionar estes aspectos, pode assim sugerir, rejeitar, discutir ou igualmente aceitar as propostas de pesquisa inicial.
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1.5 A Coleta e a Análise dos Dados
Iniciou-se a coleta de dados no final de 2011 e finalizou-se em junho de 2013 com a complementação das entrevistas junto aos trabalhadores da Economia Solidária. Num primeiro momento, ocorreram às observações participantes junto as reuniões mensais das Incubadoras da UEL e da UEM, o objetivo era realmente de se aproximar e tentar entender um pouco sobre o funcionamento das mesmas.
Foram realizadas dez observações participantes (duas em cada Incubadora) já que estávamos próximos ao final do ano de 2011, e estas instituições estariam em férias. Ficou estabelecido com as universidades que o contato retomaria logo no inicio de 2012.
Paralelo a isto foi enviado carta de apresentação para as incubadoras e feito contato informal com a coordenação das mesmas para possível coleta de dados. As entrevistas seriam realizadas junto à coordenação de cada incubadora com roteiro semi-estruturado, o que já estava estabelecido e discutido com o orientador e com a pesquisadora.
Antes das entrevistas sempre ocorria uma visita, com intuito de conhecer de maneira mais informal cada coordenador e o espaço físico de cada incubadora, neste dia ocorria uma espécie de acompanhamento, em que a pesquisadora ficava a disposição do coordenador observando as diversas atividades dos mesmos, só então era marcado a entrevista, com data e horários pré-estabelecidos.
O procedimento de coleta de dados pode ser descrito na seguinte sequência: Contato inicial com os coordenadores de cada Incubadora Universitária
Paranaense (UEL, UEM, UEPG, UFPr e Unioeste) – Autorização para visita e explicações da pesquisa – neste contato foram relatados, o objeto e o objetivo da pesquisa, a metodologia, o compromisso ético, a garantia do sigilo e o livre consentimento de participação.
Entrevista com roteiro semi-estruturado com cada coordenador das incubadoras
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Realização das transcrições e contato com o Agente de Desenvolvimento da SENAES, que esteve em avaliação junto a UEL. Entrevista com o mesmo em dia pré-determinado
Entrevista com Pró-Reitor de Extensão
Entrevista com um técnico da Incubadora da UEL
Nos meses de maio e junho de 2013 foram realizadas as entrevistas com os trabalhadores da Economia Solidária.A incubadora da UEM foi a escolhida pois realiza o acompanhamento à várias cooperativas no ramos da reciclagem. A escolha deste tipo de empreendimento se deu por ser um setor que se revela bastante representativo, já que muitas incubadoras trabalham com esta população. Neste caso foram marcadas duas visitas para cada cooperativa de reciclagem com intuito de se fazer um reconhecimento e uma breve apresentação da pesquisa, bem como uma aproximação destes trabalhadores para com a pesquisadora. Estas visitas foram acompanhadas pela técnica da UEM. Percebeu-se que os trabalhadores acabavam associando a pesquisadora com a Incubadora da Universidade-UEM, portanto ficou claro que deveria haver uma maior aproximação da mesma de forma mais independente, para que estes trabalhadores pudessem obter maior confiança na mesma. Por isto começou a ocorrer visitas independentes em que o contrato para estas visitas era firmado entre eu e estes trabalhadores. Para cada cooperativa, foi realizada mais uma visita independente e assim ter uma maior aproximação com os trabalhadores. Nesta visita procurava conhecer melhor o trabalho dos mesmos e auxiliá-los naquilo que fosse necessário. Entrevista com os trabalhadores das Cooperativas de Reciclagem.
Leituras e transcrição das mesmas.
Em relação aos informantes o número de entrevistados não foi escolhido tendo em vista uma amostra relevante do ponto de vista estatístico, mas buscou-se a representatividade numérica que possibilitasse a utilização dos conceitos teóricos, preocupando-se com o aprofundamento e abrangência das questões identificadas.
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Dessa forma, a estipulação do número de entrevistados, principalmente em relação aos trabalhadores dos empreendimentos, esteve relacionado ao ponto de saturação, que é a freqüência com que aparecem os mesmos dados, de forma que coloca limites ao prosseguimento das entrevistas.
Inicialmente e após a realização das entrevistas essas foram transcritas integralmente e após várias leituras os tópicos foram selecionados. Num primeiro momento as perguntas e as repostas foram colocadas em conjunto para obter uma ideia da visão de cada incubadora frente às diferentes questões abordadas, também foi feito uma análise das características principais de cada interlocutor, (Estado, Universidade e Trabalhadores). Logo após foram sendo delimitados os recorte/trechos e contradições mais significativas para cada pergunta. Na sequência foram organizados categorias de análise assim esquematizadas:
Sentido do Trabalho e o Papel das Incubadoras Paranaenses - aborda a visão de Economia Solidária, o sentido de cada incubadora em relação ao trabalho que realizam, seu funcionamento geral e o que pensam em relação ao trabalho que desenvolvem.
Estado e Universidade: a relação com as incubadoras – aborda a atuação destas entidades e como elas influenciam diretamente na forma como as incubadoras atuam. Nesta categoria está o discurso da incubadora inserida em uma política pública de geração trabalho e renda.
Desafios, Limites e Futuro das Incubadoras – aborda os principais desafios, limites, as principais contradições e metáforas citadas durante a pesquisa e a visão de futuro das incubadoras sob o olhar dos atores entrevistados.
1.6 O Cenário da Pesquisa: Incubadoras de Empreendimentos Solidários Paranaenses
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1.6.1 Incubadora Tecnológica de Empreendimentos Solidários – INTES – Universidade Estadual de Londrina
A INTES teve seu projeto aprovado pela universidade em setembro de 2004, mas suas atividades foram desenvolvidas no ano seguinte. Ela é um projeto de extensão e está vinculada a Pró-reitoria de Extensão da UEL.
Atualmente atende cerca de seis empreendimentos sendo 03 na área rural e 03 urbanos. A atuação da INTES é caracterizada pela interdisciplinaridade e é constituída por uma equipe de professores de diversos cursos de graduação e pós-graduação das áreas de Agronomia, Administração, Artes Visuais, Comunicação Social, Ciências Contábeis, Direito e Design Grafico. Design de Moda, Psicologia e Serviço Social.
Além do trabalho de incubagem aos empreendimentos solidários, sua atuação se volta para a formação em Economia Solidária para os integrantes do projeto (docentes e discentes) e também participação nos aspectos políticos (inserção no Fórum Regional e Paranaense de Economia Solidária), grupos de estudos e trabalhos de finalização de curso com o tema da Economia Solidária. A INTES organiza anualmente o Seminário de Economia Solidária junto a Prefeitura de Londrina com o forma de divulgar a Economia Solidária aos interessados.
Durante a pesquisa percebeu-se dificuldades em relação ao espaço físico, que é bastante inadequado, tem interferido no desenvolvimento e crescimento da incubadora dentro da universidade.
Quando da entrevista com a coordenação da incubadora, devido ao Doutorado de sua coordenadora, e por ser recente esta passagem, optou-se em conversar com os dois professores que estavam a frente da mesma. A professora coordenadora possui formação em Serviço Social, enquanto que o Prof. Coordenador tem formação em Ciências Econômicas.
1.6.2 Núcleo Incubadora Unitrabalho – Universidade Estadual de Maringá
O núcleo Incubadora Unitrabalho – UEM tem realizado ao longo desses anos, pesquisa, extensão e estudos sobre o mundo do trabalho e movimento social. Desde
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2000, docentes, pesquisadores, técnicos e discentes de diversas áreas profissionais, cuja identidade é produzir e difundir conhecimento, apoiando iniciativas nas áreas de economia solidária e na perspectiva dos direitos e defesa das políticas de geração trabalho e renda.
Atualmente possuir vários projetos e trabalha com quase 40 estagiários nas áreas de economia, agronomia, direito, administração, contábeis, serviço social e psicologia.
Os projetos iniciais da incubadora foram na área de produtos artesanais, reciclagem e agricultura familiar, mais hoje possui grande variabilidade, entre eles estão:
Inserção social – geração de renda e combate à fome através da Incubação de Empreendimentos Solidários – PROEXT.
Reciclagem de Resíduos Sólidos no Complexo de Lixo na Região Metropolitana de Maringá e Sarandi.
Incubação de Cooperativas de Trabalho e produção de empreendimentos econômicos solidários.
Proposta Multidisciplinar de Apoio ao Desenvolvimento Sustentável Cooperativismo e Associativismo estimulado à Produção do Maracujá Orgânico na Agricultura Familiar – Fundação Araucária.
Empreendimento Econômico Solidário e Emancipação Social na perspectiva de Gênero.
Desenvolvimento de Quintais Vivos em assentamento de reforma agrária no arenito Caiuá como uma estratégia para alcançar o resgate e o fortalecimento da agrodiversidade e segurança alimentar – SETI-PR. Orientação técnica, formação e auxílio a gestão de empreendimentos
associativos de autogestão dos produtos familiares – leite e maracujá – Região Central e Noroeste do Estado do Paraná.
A incubadora está sob a coordenação de uma professora com formação em Educação – gestão 2011 à 2013, que está no projeto desde o seu início. A incubadora conta com uma ótima estrutura física e tem atendido dois grandes grupos: reciclagem e
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agricultura familiar. Trabalha com disciplinas na graduação e na pós-graduação e realiza cursos paralelos com a Educação Popular. A coordenação ressaltou o grande crescimento da incubadora, o aumento do número de estagiários e das demandas, e que isto dificulta o acompanhamento mais sistematizado dos projetos.
1.6.3 Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares – IESOL da Universidade Estadual de Ponta Grossa
A IESOL é um programa de /extensão da UEPG, vinculado a Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Estadual de Ponta Grossa e iniciou suas atividades em 2007. O programa visa a formação, constituição de consolidação de empreendimentos solidários, capacitando-os para a geração trabalho e renda, baseados nos princípios de Economia Solidária.
No programa, professores, funcionários, técnicos e estudantes integram-se num esforço de divulgar e fomentar a proposta relacionada aos empreendimentos solidários. Essa proposta procura promover a prática da autogestão na organização dos grupos de trabalhadores (as) visando a emancipação destes coletivos, organizados em associações, cooperativas ou mesmo, ainda, na informalidade.
Na IESOL o trabalho é desenvolvido por equipes, levando em conta que as pessoas se revezam em vários tipos de trabalhos e projetos concomitantemente.
- Equipe de diagnóstico e mobilização - Equipe capacitação por empreendimento - Equipe organização e secretaria
- Equipe de Comunicação
- Equipe da Rede em Economia solidária
Os projetos da IESOL estão na área de confecções, reciclagem e artesanato em geral. Estão envolvidos em torno de 25 estudantes e uma equipe de 15 professores. Durante o tempo da pesquisa houve mudança de coordenação e hoje a Incubadora está sob o comando de uma docente na área de Agronomia, no entanto a entrevista foi realizada com o coordenador anterior, que possui formação em Geografia, este
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continua trabalhando na Incubadora e faz parte da equipe deste o início do projeto.O trabalho da incubadora tem sido de grande diversidade, com curso de extensão abertos à comunidade acadêmica e não acadêmica e com a realização de cursos de Economia Solidária em Escolas Púbicas de Ponta Grossa.
1.6.4 Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares da UFPr
A Incubadora iniciou suas atividades em junho de 1998, quando um grupo de professores da UFPr participou do Seminário Nacional de Divulgação de Incubadoras de Cooperativas Populares promovido pela Coordenação do Programa de Pós graduação em Engenharia de Universidade Federal do Rio de Janeiro – COPPE/UFRJ. Na UFPr esta proposta foi apoiada pela administração central coordenada pela Pró-Reitoria de Extensão e Cultura – PROEC através da Coordenadoria de Apoio à Cidadania – CAC.
A incubadora tem como público alvo autônomos, subempregados e desempregados e pequenos produtores rurais que estejam a margem dos processos produtivos tradicionais e que tenham interesse no trabalho coletivo.
Os projetos são interdisciplinares e atuam em duas linhas de trabalho:
Incubação de empreendimentos de Economia Solidária e desenvolvimento local
Incubação de empreendimentos turísticos de sustentabilidade e Economia Solidária
a. Projeto Foz do Iguaçu
b. Projeto Paranaguá
Atualmente possui em torno de 30 estagiários nas diversas áreas de atuação como: artes, direito, economia, administração, serviço social, psicologia e geografia. A incubadora ressaltou os aspectos de formação e a aproximação ao sistema educacional. Possui grupos de pesquisas estudando a Economia Solidária e também conta com a divulgação de seus trabalhos em Revistas Acadêmicas. A partir de 2013 ocorreu um aumento de disciplinas especiais com o tema Economia Solidária dentro dos cursos da universidade. Há ainda um convênio com o Setor de Relações
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Internacionais para o intercâmbio de alunos de outras universidades interessados em conhecer o trabalho, bem como, o projeto incubadora na universidade.
A coordenação está a cargo de um mesmo professor, desde 2007, que possui dedicação exclusiva ao projeto. Sua formação é Engenharia Florestal.
1.6.5 Incubadora de Direitos e Organizações Solidárias - INDIOS - UNIOESTE – Campus Foz do Iguaçu.
A Incubadora da UNIOESTE – Campus Foz do Iguaçu foi criada em 2004, no entanto acabou encerrando suas atividades neste mesmo ano, somente em 2009, com o apoio da ITCP da Universidade Federal de Curitiba é que ela foi realmente reconhecida dentro da Universidade. Ela é a mais recente Incubadora criada no Paraná. Seus objetivos estão voltados principalmente para o desenvolvimento local hoje faz parte de um Programa de Extensão dentro da universidade.
Dois grandes projetos são desenvolvidos:
Turismo rural – com uma comunidade ligada a usina Itaipu.
Empreendimentos solidários – costura, trabalho com os recicláveis e agricultura familiar.
O trabalho é demarcado por assessoria comunitária, os atendimentos são agendados de acordo com a necessidade dos grupos, sendo realizado o Dia do Campo – atividade em que todos da comunidade e regiões vizinhas possam participar, neste dia a população é atendida em diferentes necessidades, isto é, realiza-se trabalho com as crianças, mulheres e todos que queiram participar. O trabalho é realizado, nas escolas, nas igrejas e com reuniões abertas a população. As atividades são variadas
como: assembléias para definir algo em comum, contação de estórias, apoio a horta comunitária e trabalhos de produção com produtos a serem comercializados.
Durante a incubação ocorre o diagnóstico, plano de negócios e montagem de equipes específicas para desenvolver as necessidades, sempre com os trabalhadores envolvidos.
Atualmente são 8 estagiários nas áreas de agronomia, geografia, engenharia, pedagogia e serviço social. Conta ainda com 3 técnicos, sendo que um deles se formou
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recentemente pela universidade e atua diretamente junto a comunidade como agrônomo. (ele próprio faz parte da equipe de trabalhadores a ser atendida pela incubadora) A coordenação está sob os cuidados de um docente com formação em Agronomia, é coordenador desde 2009, e sempre trabalhou com extensão rural. Chama a atenção o trabalho com a diversidade cultural e com o território como um todo. Esta incubadora não possui estrutura dentro da Universidade, e mesmo assim possui um grande envolvimento comunitário.
1.6.6 Características dos Empreendimentos Solidários Participantes da Pesquisa As três cooperativas estão sendo acompanhadas pela Universidade Estadual de Maringá desde o ano de 2002 quando houve uma transposição do lixão para alguns barracões e lugares específicos. Essas cooperativas já chegaram a ter um número grande de participantes quando da transposição do lixão para a forma de cooperativa, em média de 40 trabalhadores. Atualmente estão passando por uma fase de rotatividade grande e problemas de políticas publicas dentro da Região de Maringá e Sarandi (cidade próxima). A média salarial é de 600,00 reais para cada cooperado, no entanto segundo o Livro Aspectos Conceituais e a Práxis de Processo de Incubação da UEM, (CULTI, 2011, p.198-199), estas cooperativas já estiveram em situação melhor com um crescimento de até 20% em seu ganho, tendo retiradas de até 780,00 reais.
Quadro 1 - Características principais dos empreendimentos pesquisados.
CARACTERÍSTICAS COOPERNORTE COOPERECOLÓGICA COOPERMARINGÁ
MUNICÍPIO MARINGÁ SARANDI MARINGÁ
ANO DE INÍCIO 2006 2004 2006
GRUPO DE
ORIGEM E APOIO Desempregados, alguns membros dos lixões e da cidade vizinha de Paiçandu. Apoio da Incubadora e da Prefeitura.
Desempregados e alguns membros vindos dos lixões. Apoio da Incubadora e da Prefeitura Desempregados receberam apoio da Incubadora, do JOCUN (entidade religiosa) e da Secretaria do Meio Ambiente NÚMERO DE COMPONENTES INICIAL Chegaram a ter 92 componentes, o número médio de 29 trabalhadores. Número médio de 35
componentes. Chegaram a ter 60 componentes, média de 25 trabalhadores.
NÚMERO DE COMPONENTES ATUAL