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Prazer e Sofrimento dos Técnicos de Enfermagem no Exercício de suas Funções

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[a] Graduandos em Psicologia pelo Centro Universitário do Triângulo – UNITRI [b] Mestre em Educação pelo Centro Universitário do Triângulo - UNITRI

Prazer e Sofrimento dos Técnicos de Enfermagem no Exercício de suas

Funções

Pleasure and Suffering of Nursing Thechnicians in the Performance of

their Duties

Autores: ARAÚJO, Kéllen de Oliveira Souza, [email protected][a],

CRUVINEL, Jeanne Martins de Freitas, [email protected][a], MENDONÇA, Camila Corrêa, [email protected].[a],RODRIGUES, Fernanda Georgino Silva,

[email protected][a], SOARES, Andressa Duarte, [email protected][a].

MACEDO, Sônia Beatriz Motta, [email protected] [b] RAMOS, Maria Tereza de Oliveira, [email protected] [b] SILVA, Kélia Luzia Ananias Bianco, [email protected] [b]

Resumo

Pesquisa de campo realizada com o intuito de investigar o Prazer e Sofrimento dos Técnicos de Enfermagem no exercício de suas funções, na rede pública e rede privada de saúde, sendo descritiva de caráter quantitativo e bibliográfico, realizada com trinta profissionais técnicas de enfermagem que trabalham em postos de atendimento tanto da rede pública quanto da rede privada de saúde, em Uberlândia, com idade entre 25 e 55 anos. Os instrumentos utilizados foram o Questionário Sociodemográfico e o Inventário sobre o Trabalho e Risco de Adoecimento (ITRA). A hipótese de que as técnicas de enfermagem sentem mais sofrimento que prazer no exercício de suas funções foi refutada, uma vez que nos dados coletados os aspectos descritivos que referenciaram essa questão mostraram-se de moderado a satisfatório, o que indica que há mais prazer do que sofrimento em suas atividades. Portanto, foi possível verificar que há aspectos que são geradores de sofrimento, bem como outros que fomentam prazer aos profissionais investigados, de forma que se sentem satisfeitos com a profissão que exercem. Sendo assim, foi possível corroborar que todos os entrevistados, independentemente de seu local de trabalho, estão muito satisfeitos com sua ocupação e indicaram que se sentem realizados, felizes, agradecidos e honrados por terem a oportunidade de ajudar as pessoas.

Palavras-chave: Prazer, sofrimento, técnicos de enfermagem. Abstract

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Field research carried out in order to describe the Pleasure and Suffering of Nursing Technicians in the exercise of their duties, in public and private health network, being a descriptive, quantitative and bibliographic research, fulfilled with thirty professional nursing technicians who work in service stations, both in public network and private network, in Uberlândia, aged between 25 and 55 years old. The instruments used were The Sociodemographic Questionnaire and The Inventory of Work and Illness Risks (ITRA). The hypothesis that nursing technicians feel more suffering than pleasure in the exercise of their function was refuted, once in the collected data the descriptive aspects referring to that question demonstrated moderate to satisfactory, which indicates that there is more pleasure than suffering in their activities. Therefore, it was possible it was possible to verify there are aspects which are generators of suffering, as well as others foment pleasure to the investigated professionals, so that they feel satisfied with the profession they carry out. Thus it was possible to corroborate all the interviewed, independently of their workplace, are very satisfied with their occupation e indicated to feel accomplished, happy, grateful and honored to have the opportunity to help people.

Keywords: Pleasure, Suffering, nursing technicians. INTRODUÇÃO

O trabalho contribui na construção da identidade do sujeito, atua como fonte de saúde psíquica, como forma de explicitar a individualidade, e como fonte de prazer (FERREIRA e MENDES, 2001, 2003). Dessa forma, a vivência do prazer e do sofrimento no trabalho, é um fator gerador de equilíbrio, que promove a satisfação pessoal e o desenvolvimento da identidade do trabalhador no aspecto social, constituindo se como fator de saúde (MENDES 2004). No que tange a esses aspectos a psicodinâmica do trabalho ocupa-se da relação dos processos psíquicos entre o sujeito e a realidade do trabalho por ele exercido, nas vivencias dos indivíduos e na

intersubjetividade que compõe o trabalho(MENDES 2004).

Percebe-se também que as relações do trabalho, adquirem prioridade na subjetividade do individuo exigindo muito do mesmo e o transformam em vítima do seu ofício. Uma consequência é a decepção com as expectativas iniciais do indivíduo sobre o trabalho, uma vez que este deveria ser algo para trazer felicidade, satisfação pessoal e profissional, e quando isso ocorre de forma totalmente contrária, gera no sujeito uma grande frustração. Assim, o objetivo geral desta pesquisa foi identificar os fatores que

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na percepção dos técnicos de enfermagem geram prazer e sofrimento vinculados ao trabalho em ambientes de redes públicas e privadas de saúde. E os objetivos específicos foram verificar por que os técnicos de enfermagem sentem mais sofrimento do que prazer ao realizarem suas atividades. Mensurar se a carga horária pode afetar o bem estar do trabalhador e no que os prejudica e investigar o quanto a falta de material de trabalho interfere na qualidade do serviço prestado por esses profissionais.

Assim mediante a hipótese levantada de que os técnicos de enfermagem apresentam mais sofrimento do que prazer no ambiente de trabalho, a problemática norteadora foi: Porque os Técnicos de Enfermagem têm mais sofrimento do que prazer no exercício de suas funções? Deste modo a necessidade de investigar o prazer e sofrimento vivenciados por profissionais da saúde, fez se pertinente diante da afirmativa hipotética de que os técnicos de enfermagem apresentam mais sofrimento do que prazer no seu labor. Já que os dados colhidos nessa pesquisa proporcionarão planos de apoio que vão contribuir com essa classe de trabalhadores, lhes possibilitando melhores condições para o trabalho e atendimento à população. Além de deixar para os demais estudantes mais uma fonte de conhecimento.

REFERENCIAL TEÓRICO

Para Tamoyo e Mendes (1999), o trabalho vem sendo imposto cada vez mais como algo central na vida das pessoas, passando a integrar de forma relevante sua subjetividade, atendendo além das necessidades de sobrevivência, as necessidades de autorrealização. Ferreira e Mendes (2001,2003), ainda consideram que o trabalho é uma das fontes de saúde psíquica que contribui significativamente na identidade do sujeito, na construção e expressão da subjetividade individual. devendo assegurar a saúde, constituindo assim um prazer.

Mendes (2004) considera que a saúde no trabalho pode ser entendida como a expressão de um estado disposicional, que através da vivência do prazer e sofrimento instauraria o equilíbrio na vivencia do individuo em seu trabalho, mobilizando os trabalhadores em busca de satisfação e na construção da identidade no campo social.

No que se refere ao sofrimento, à divisão e a padronização das tarefas; a desvalorização da competência técnica e da criatividade, ligadas a rigidez hierárquica e a falta de oportunidades de expressão são os mais frequentes fatores que o viabilizam.

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Por outro lado, tratando-se de experiências do prazer, leva-se em consideração fatores como: realização de uma tarefa significativa para si mesmo, para a organização e para a sociedade, o uso da criatividade, o reconhecimento, a possibilidade de se expressar, dentre outros. Os espaços organizacionais nos quais o reconhecimento favorece o saber-fazer, o prazer que vem do reconhecimento proporciona empenho, senso de responsabilidade e sensibilização da criatividade, que passam a ser investidos no trabalho (DEJOURS 1992)

Dejours (2009) aponta que os trabalhadores podem ao não suportar o sofrimento, transformá-lo em criatividade, e em seguida, em prazer, situando-se longe da possibilidade de utilizar como único recurso as estratégias defensivas. A transformação desse sofrimento, que é emanado da rigidez na organização do trabalho, em criatividade, depende de dois elementos: a ressonância simbólica e o espaço público de discussão coletiva. Ainda segundo Dejours (2009) a ressonância simbólica é caracterizada pela reconciliação entre o inconsciente e os objetivos da produção, trazendo à tona os desejos e prazeres sublimados relacionados à prática do trabalho, de forma que o indivíduo adquire, nessa condição, a capacidade de encontrar no trabalho e seus processos seus valores e sentimentos, conferindo harmonia entre o homem e o modo de produção associado ao espaço coletivo.

METODOLOGIA

O presente estudo tratou-se de uma pesquisa descritiva de caráter quantitativo e bibliográfico. Foram entrevistadas 30 profissionais técnicas de enfermagem que trabalham em postos de atendimento tanto da rede pública quanto da rede privada de saúde em Uberlândia, com idade entre 25 e 55 anos. As profissionais pesquisadas concordaram e assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.

Os instrumentos utilizados foram o Questionário Sociodemográfico que investigou questões relacionadas à idade, sexo, estado civil, quantidade de filhos, escolaridade, faixa salarial e atividades que realizam no tempo livre, e contemplou três questões abertas que buscaram investigar como a profissional se sente sendo técnica de enfermagem, quais as principais atividades desempenhadas e as principais dificuldades enfrentadas na profissão exercida. E o Inventário sobre o Trabalho e Risco de Adoecimento (ITRA), que inclui quatro escalas de avaliação (Contexto do Trabalho,

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Custo Humano do Trabalho, Danos Relacionados ao Trabalho e Indicadores de Prazer e Sofrimento no Trabalho) foi produzido e testado por Mendes e Ferreira em 2003, e revalidado após ajustes feitos por Mendes em 2004. Esse teve por objetivo investigar o contexto do trabalho, danos, riscos de adoecimento e as experiências de prazer e sofrimento no trabalho, composto por quatro escalas interdependentes do tipo Likert (MENDES, 2004).

O cálculo da estatística descritiva do Inventário sobre o Trabalho e Risco de Adoecimento, foi realizado utilizando o software Microsoft Excel. Já as respostas dos participantes do questionário sociodemográfico e do inventário foram codificadas numa planilha do programa estatístico Systat (versão 10.2), também utilizado no calculo da estatística inferencial (SYSTAT, 2002).

O teste não paramétrico de Mann-Whitney foi utilizado para verificar se as pontuações obtidas nas subescalas do Inventário sobre o Trabalho e Risco de Adoecimento diferiam segundo as seguintes categorias: (i) rede empregadora (particular

versus pública), estado civil (casados/amasiados versus solteiros/desquitados/viúvos),

(ii) número de cargos na função (apenas um versus mais de um) (ZAR, 1984). E o teste de correlação simples de Spearman foi utilizado para verificar se havia relação entre pontuações obtidas nas diferentes subescalas do Inventário sobre o Trabalho e Risco de Adoecimento com a idade e a renda familiar dos entrevistados (ZAR, 1984).

RESULTADOS

No que diz respeito aos aspectos sociodemográficos, a média de idade das entrevistadas foi de 41 anos, 36,7% destas são casadas, 10% divorciadas, 6,7% viúvas e 46,6% solteiras.

As participantes trabalham em média 45,4 horas semanais com tempo de experiência de 9,6 anos. O horário de trabalho está entre matutino, noturno, vespertino e todos, com 36,6% dos trabalhadores no horário matutino, 26,7% no noturno, 16,7% vespertino e 20,0% em todos os horários, caracterizando nesse caso uma carga excessiva de trabalho.

No que tange as perguntas abertas feitas às entrevistadas: “Como você se sente sendo técnica de enfermagem?” / “Quais as principais atividades que você desempenha como técnica de enfermagem?” / “Quais as principais dificuldades que você encontra

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como técnica de enfermagem?”. Para a pergunta “Como você se sente sendo técnica de

enfermagem?” De modo geral, todos os entrevistados, independentemente de seu local

de trabalho estão muito satisfeitos com sua profissão e informaram que se sentem realizados, felizes, agradecidos e honrados por terem a oportunidade de ajudar alguém. Em relação à questão “Quais as principais atividades que você desempenha como

técnica de enfermagem?” As principais atividades profissionais realizadas com maior

frequência foram: administrar medicamentos (56,7%), realizar curativos (40,0%), atuar no pronto socorro ou nos primeiros socorros (33,3%), dar banho ou higienizar pacientes (26,7%), efetuar triagens (20,0%) ou averiguar sinais vitais (20,0%). Foram ainda mencionados a realização de exames (por exemplo, o eletrocardiograma ou a aferição de pressão arterial), o acolhimento de pacientes, a vacinação, a atenção ao paciente internado, incluindo o apoio emocional, os cuidados paliativos, o auxílio na dieta ou alimentação do paciente e o preparo para cirurgias.

Quanto a última pergunta do Questionário Sociodemográfico que foi, “Quais as

principais dificuldades que você encontra como técnico de enfermagem?” as

principais dificuldades apontadas pelos enfermeiros da rede pública de saúde foram: a falta de materiais ou utensílios (40,0%), a sobrecarga de trabalho (33,3%) e a falta de reconhecimento de seu valor profissional (26,7%). Estes enfermeiros mencionaram ainda: a falta de apoio ou de incentivo por parte dos superiores, a ingratidão de certos pacientes, o salário defasado, a inadequada integração da equipe e o estresse de médicos e pacientes.

Por sua vez, as principais dificuldades enfrentadas pelos enfermeiros da rede particular de saúde foram: a baixa remuneração (40,0%), a carga horária ou jornada excessiva de trabalho (33.3%) e a não valorização da profissão (20,0%). Citaram também a carência na oferta de cursos de especializações, a falta de respeito dos pacientes e de seus acompanhantes, a falta de recursos, remédios e médicos atendentes, a dificuldade para pulsionar crianças e idosos, para cuidar de escárias de idosos e para fazer apresentações em auditórios. Três enfermeiros entrevistados da rede particular de saúde alegaram, entretanto não haver nenhuma dificuldade no exercício de sua profissão.

Dos resultados do Inventário sobre o Trabalho e Risco de Adoecimento nos diferentes aspectos, no que diz respeito à Avaliação do Contexto do trabalho, obtivemos

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como resultado uma classificação moderada. Já Organização do Trabalho, Condições do Trabalho e Relações Sócio profissionais encontram-se dentro da média. No que tange o Custo Humano do Trabalho, que avalia Custo Afetivo, Mental e Físico, também encontraram-se como moderado, dentro da média. Já para a Avaliação de Danos Relacionados ao Trabalho, as classificações variaram de moderados, para o aspecto Físico, a suportáveis para os aspectos Sociais e Psíquicos. Quando refere-se a suportáveis podemos dizer que os aspectos Sociais e Psíquicos estão a um nível abaixo da média. Por sua vez, os resultados obtidos na Escala de Prazer e Sofrimento no Trabalho, variaram de moderadas, para o Esgotamento Profissional, à satisfatórias para a Liberdade de Expressão, Realização Profissional e Falta de Reconhecimento. Indicando que os profissionais não sentem falta de reconhecimento.

ANÁLISE E DISCUSSÃO

No que se refere aos aspectos sociodemográficos é pertinente considerar o que KIRCHHOT (2003) diz sobre o trabalho da enfermagem ser inicialmente realizado apenas por mulheres, mas, apesar da presente pesquisa ter sido feita apenas com uma amostra feminina, foi possível observar que hoje a profissão de técnico em enfermagem conta com uma parte significativa do sexo masculino exercendo a função. O que corrobora com o que já apresentava MOURA, (2012 apud PEREIRA 1991) que a prática do cuidado nem sempre foi vista como uma prática exclusivamente das mulheres, pois revendo a história, pode se encontrar dados que refute a crença que a profissão é “tipicamente feminina”.

Já em relação à jornada de trabalho, Silva (2006) aponta que para trabalhadores da área da saúde, o excesso de trabalho pode favorecer adoecimentos mentais ou físicos, facilitando a ocorrência de ausências no trabalho, acidentes, erros de medicação, exaustão e sobrecarga, sendo assim necessário buscar motivação, como dinheiro e conhecimento, para conseguir fazer uma jornada dupla de trabalho. Aspecto que corrobora com os achados desta pesquisa em relação a jornada de trabalho, uma vez que apenas 16,7% das entrevistadas não trabalham exclusivamente como técnico de enfermagem, e o fato de 20% destas participantes trabalharem em todos os horários de trabalho, o que demostra uma carga excessiva, podendo ser prejudicial conforme citou Silva (2006).

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Entre as opções de lazer citadas pelos profissionais pesquisados, houve uma predominância, em trabalhos domésticos. Esses resultados indicam que o fator “disponibilidade de tempo”, provocados pelas escalas de plantões em dias corridos, finais de semana e feriados, e a opção predominante indica também uma dupla jornada uma vez que ela também tem que dar conta do trabalho de casa e dos filhos, sendo quase uma dupla jornada, onde apresenta um limitador de opções de lazer. Pode se observar também o baixo interesse em atividades desportivas apresentando assim sedentarismo o que os expõe a risco de adoecimento. O que é confirmado por Tavares (2010): a mulher, ao se inserir no mercado de trabalho, assume vários papéis, sendo que seu papel de esposa, mãe e dona de casa, ainda é uma ocupação mantida por ela, mesmo não sendo uma dedicação exclusiva. A mulher moderna, além de estudante e profissional, é ao mesmo tempo dona de casa e realiza tarefas no meio social.

Embora o número de filhos não tenha sido destaque enquanto, fazer parte do sofrimento e prazer diante as atividades desempenhadas; Segundo Oliveira et al. (2011, p. 277) “[...] É importante reconhecer que fatores associados a maternidade e ao trabalho se influenciam mutuamente e colaboram, de forma conjunta, para a possibilidade de conciliação ou de conflito entre as demandas maternas e laborais.” Apesar de não observamos uma média alta em relação à quantidade de filhos, observamos os fatores da maternidade, que ligados à condução de tarefas laborais e combinados à condução das responsabilidades voltadas à vida financeira, podem ser uma combinação a refletir diretamente na relação prazer e trabalho, ou ainda sofrimento e trabalho.

E se tratando da Renda Familiar o planejamento financeiro tem relevante importância para a família que quer economizar, organizar, administrar e controlar as finanças com o objetivo de conseguir uma reserva financeira e assim obter mais segurança e menos conflitos. Segundo Schenini (2004, p. 7), “fazer previsões de gastos, poupar e saber investir, são condições essenciais para o crescimento profissional e para a conquista de uma melhor qualidade de vida”. Foi verificado que algumas destas mulheres não mantem um vínculo de casal, representado por 63,3%. O vínculo de casal nesta pesquisa foi descrito como “casado ou amasiado”.

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Por sua vez, os resultados obtidos na Escala de Prazer e Sofrimento no Trabalho variaram de moderadas, para o Esgotamento Profissional, a satisfatórias, para a Liberdade de Expressão, Realização Profissional e Falta de Reconhecimento.

Segundo Dejours (2008), em seu estudo do prazer e sofrimento associados ao trabalho, cada um desses sentimentos remete a um contexto experimentado pelo trabalhador em suas atividades. O sofrimento é capaz de indicar a saúde do trabalhador, já que constitui não apenas a experiência da dor, mas também um meio pelo qual o indivíduo tem a capacidade de alterar e se adaptar a situações que lhe causam o sofrimento através de novas formas de se mediar e atuar nas diversas situações impostas ao trabalhador. Dessa forma, entende-se que, para Dejours (2008), se o sofrimento no trabalho não causa ao trabalhador um desequilíbrio emocional ou psicológico, é devido a mecanismos de defesa empregados por ele no objetivo de controla-lo.

Ainda de acordo com Dejours (2008), o prazer vivenciado está associado a sentimentos de gratidão, liberdade, realização pessoal e valorização no trabalho. Esse, por sua vez, também é indicador do bem estar do indivíduo no trabalho na medida em que possibilita estruturação psíquica e expressão da pessoalidade e subjetividade na prática laboral, de forma a permitir negociações, compromissos e harmonia entre a vida pessoal do trabalhador e a realidade concreta do trabalho.

Dos resultados do teste de Mann-Whitney (U) que comparou pontuações obtidas nas sub escalas do Inventário sobre o Trabalho e Risco de Adoecimento entre enfermeiros de Uberlândia, MG. Segundo a rede empregadora (particular versus pública), o estado civil (casados/amasiados versus solteiros/desquitados/viúvos) e o número de cargos na função (apenas um versus mais de um). Houve diferenças significativas nas pontuações obtidas entre enfermeiros da rede pública e particular em três das quatro sub escalas da Escala de Indicadores de Prazer e Sofrimento no Trabalho (U = 176,5; p = 0,07 para a Realização Profissional; U = 51,5; p = 0,011 para o Esgotamento Profissional e U = 52,5; p = 0,012 para Falta de Reconhecimento). Isto significa que os enfermeiros da rede privada se consideram mais realizados, sentem menor esgotamento e experimentam menos falta de reconhecimento do que os enfermeiros que atuam na rede pública de saúde. Por outro lado os enfermeiros da rede pública possuem relações sócio profissionais mais satisfatórias, do que os da rede

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particular (U = 50,0; p = 0,009). As demais comparações feitas entre enfermeiros segundo a rede de atuação profissional não foram significativas.

Nenhuma diferença significativa foi encontrada nas pontuações obtidas nas sub escalas do Inventário entre enfermeiros que trabalham em um único cargo ou em mais de um cargo. Entretanto, os enfermeiros solteiros apresentaram pontuações significativamente maiores nas sub escalas de relações sócio profissionais (U = 53,5; p = 0,028), custo físico (U = 55,5; p = 0,035), danos físicos (U = 58,5; p = 0,039), danos sociais (U = 50,0; p = 0,018) e danos psicológicos (U = 52,5; p = 0,024), do que os enfermeiros casados.

Dos resultados do teste de correlação de Spearman (rs) que verificou a existência

de relações lineares da idade, renda familiar e tempo de experiência profissional com as pontuações obtidas nas sub escalas do Inventário sobre o Trabalho e Risco de Adoecimento de enfermeiros que residem em Uberlândia, MG. Não foram significativas as correlações entre a idade, a renda e a carga horária de trabalho com as pontuações obtidas nas diferentes sub escalas do Inventario (p < 0,05).

Segundo Mendes (2004) prazer ou o sofrimento como vivências, podem ser o resultado das relações equilibradas entre o trabalho e suas tarefas com as necessidades do trabalhador, tenham elas características físicas ou psíquicas.

O sofrimento é capaz de indicar a saúde do trabalhador, já que constitui não apenas a experiência da dor, mas também um meio pelo qual o indivíduo tem a capacidade de alterar e se adaptar a situações que lhe causam o sofrimento através de novas formas de se mediar e atuar nas diversas situações impostas ao trabalhador. Dessa forma, entende-se que, para Dejours (2008), se o sofrimento no trabalho não causa ao trabalhador um desequilíbrio emocional ou psicológico, é devido a mecanismos de defesa empregados por ele no objetivo de controla-lo.

Ainda de acordo com Dejours (2008), o prazer vivenciado está associado a sentimentos de gratidão, liberdade, realização pessoal e valorização no trabalho. Esse, por sua vez, também é indicador do bem estar do indivíduo no trabalho na medida em que possibilita estruturação psíquica e expressão da pessoalidade e subjetividade na prática laboral, de forma a permitir negociações, compromissos e harmonia entre a vida pessoal do trabalhador e a realidade concreta do trabalho.

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CONSIDERAÇÕES FINAIS

A partir das hipóteses levantadas, os fatores identificados na percepção das técnicas de enfermagem que seriam fatores de dificuldades para o exercício da profissão, no ambiente publico, foram similares aos que as profissionais da rede privada mencionaram, porém em frequências diferentes. Os principais fatores apontados pelos enfermeiros da rede pública de saúde foram: a falta de materiais ou utensílios, a sobrecarga de trabalho e a falta de reconhecimento de seu valor profissional. Estes enfermeiros mencionaram ainda: a falta de apoio ou de incentivo por parte dos superiores, a ingratidão de certos pacientes, o salário defasado, a inadequada integração da equipe e o estresse de médicos e pacientes. Por sua vez, os fatores mencionados pelas enfermeiras da rede particular de saúde foram: a baixa remuneração, a carga horária ou jornada excessiva de trabalho e a não valorização da profissão. Alguns citaram também a carência na oferta de cursos de especializações, a falta de respeito dos pacientes e de seus acompanhantes, a falta de recursos, remédios e médicos atendentes, a dificuldade para pulsionar crianças e idosos, para cuidar de escaras de idosos e para fazer apresentações em auditórios.

Além desses aspectos identificados, a afirmativa hipotética de que as técnicas de enfermagem sentem mais sofrimento que prazer no exercício de suas funções, foi refutada, uma vez que nos dados coletados os aspectos descritivos que referenciaram essa questão mostraram se de moderado a satisfatório, o que indica que não há mais sofrimento que prazer em suas atividades.

A esse respeito Dejours (1996), comenta que o sofrimento é inerente à vida do ser humano. É a ponte que leva ao prazer, uma vez que ante o sofrimento para se alcançar ou realizar algo, o mesmo vem a se tornar prazer mediante a conquista alcançada ou ao trabalho realizado. A sensação do dever cumprido vem a trazer o equilíbrio necessário para se experimentar o prazer mesmo após o sofrimento. O desafio da transformação do sofrimento gera prazer.

Em relação à carga horária, a amostra coletada em sua maioria faz apenas uma jornada de trabalho, o que não veio a expressar valor significativo que pudesse confirmar ou refutar a hipótese de que este quesito influencia ou não em prazer ou sofrimento.

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No que se refere à falta de material para a qualidade de serviço prestado por essas profissionais, apesar de ser evidenciado que realmente a uma falta de material para se trabalhar, não ficou comprovado cientificamente que isso influencia diretamente na qualidade da prestação de seus serviços.

Aspectos significativos foram os que dizem respeito ao estado civil dos participantes, pois as enfermeiras solteiras apresentaram pontuações significativamente maiores nas sub escalas de relações sócio profissionais, custo físico, danos físicos, danos sociais e danos psicológicos, do que os enfermeiros casados. Tais dados nos levam a compreender que o fator estado civil solteiro pode vir a influenciar o contexto, custos e danos relacionados ao trabalho.

Assim verificamos que há aspectos que são causadores de sofrimento, como há aspectos que geram prazer aos profissionais pesquisados, embora sintam-se satisfeitos com a profissão que exercem.

REFERÊNCIAS

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