GONÇALVES, Lina Maria
Doutoranda Programa de Pós-graduação em Educação: Currículo Bolsista Capes
MORAES, Helena Lang de
UNITINS
Resumo
Este artigo se propõe a apresentar e discutir questões pertinentes à realização dos Estágios nos Cursos de Graduação a Distância. Como abordagem introdutória, contextualiza a EaD na sociedade em rede e o Estágio na modalidade, destacando as características dos alunos a distância, como adultos, autônomos e comprometidos com sua formação. Em seguida, apresenta uma breve retrospectiva histórica das práticas vivenciadas no sistema EaD/UNITINS, que ingressou na modalidade no ano de 2001, com seu primeiro curso: o Normal Superior Telepresencial e hoje, junto a seus parceiros, comporta nove (09) cursos de Graduação a Distância. Feito isso, relata as experiências vivenciadas nos Estágios, com seus pontos positivos e negativos, para, ato seguido, analisar os desafios enfrentados na realização do Estágio Curricular em cursos a distância. Destaca a necessidade de formação de redes de colaboração e de aprendizagem entre os estagiários e os vários atores sociais responsáveis pela orientação e acompanhamento dos estágios curriculares e destes entre si para o alcance dos benefícios sociais advindos da formação acadêmica de um maior número de cidadãos.
Palavras-chave: Educação a Distância, Estágio Curricular, Rede de Aprendizagem, Rede de Colaboração.
EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA (EAD) NA SOCIEDADE ATUAL
A sociedade em rede ou sociedade do conhecimento ou ainda sociedade da aprendizagem, como a queiram denominar os autores contemporâneos, traz em seu bojo muitos desafios aos educadores brasileiros. Para Castells, citado por Belluzzo1 a educação tem nova tarefa e as mudanças pelas quais deve passar são urgentes. Para este autor, nesta nova sociedade é emergente a mudança de postura profissional no que diz respeito à
migração da sua identidade como transmissora de informação e de cultura para uma condição de ensinar a aprender e a pensar, preparando pessoas para que prolonguem os benefícios da escola além da escola mesma, tornando funcionais os conhecimentos adquiridos e, sobretudo, para que saibam empregar o poder da inteligência na vida profissional e no seu cotidiano.
1 BELLUZZO, Regina Célia Baptista. Biblioteconomia & Ciência da Informação/ Librarianship &
Information Science. ETD – Educação Temática Digital, Campinas, v.6, n.2, p.27-42, jun. 2005. Disponível em: http://www.bibli.fae.unicamp.br/bibdig/ teses/form.html. Acesso em 18/10/2006, p 28.
Assim, a educação, formadora de cidadãos capazes de integrarem-se à era digital, aponta para a relevância do desenvolvimento de competências de uso de informações e da capacidade intelectual de transformá-las em conhecimentos significativos, com alcance muito além dos muros escolares. Por outro lado, nesta sociedade, a diversidade de mídias e a disponibilidade de um grande volume de informações possibilitam que a aprendizagem se faça por caminhos nunca antes percorridos tão intensamente.
Dentre as novas possibilidades, localiza-se a Educação a Distância (EaD), que segundo Maia e Mattar2 pode ser definida como “uma modalidade de educação em que professores e alunos estão separados, planejada por instituições e que utiliza diversas tecnologias de comunicação”. No bojo da Educação a distância, todavia, coexistem diversas nomenclaturas e variações. Ela também é denominada de educação on-line e e-Learning. Entretanto, o ponto de convergência destas variações é contemplado pela definição de Maia e Mattar, ou seja, sua característica predominante é que ela é uma modalidade educacional em que ocorre a separação física entre professores e alunos, sendo a mediação entre eles realizada por meio de aparatos tecnológicos.
Estas questões, aparentemente meras formulações conceituais, remetem, entretanto, a um turbilhão de outras questões, dentre elas, a orientação dos processos de operacionalização dos estágios nos cursos de graduação a distância.
- Seria coerente falar de Estágio Supervisionado em EaD?
- Se o curso é totalmente a distância mediado pelas ferramentas da internet (e-learning ou educação on-line), ou mesmo se há uma parte presencial nos pólos, quem orientará (supervisionará)?
- Como serão orientados os estágios?
- Como “garantir” que os alunos realizarão as atividades dos Estágios? - Quem irá orientá-los e acompanhá-los?
- Como superar as resistências à modalidade?
Antes de tentar responder a algumas destas questões, entretanto, será necessário discorrer sobre a relevância do Estágio nos cursos de graduação para, posteriormente, analisar as implicações na realização de tais atividades práticas na Educação a Distância.
2 MAIA, Carmem e MATTAR, João. ABC da EaD: A educação a distância hoje. São Paulo: Pearson
ESTÁGIO CURRICULAR: LIMITES E POSSIBILIDADES NOS CURSOS A DISTÂNCIA
O Estágio constitui-se na vivência de um momento especial de prática das diversas áreas, baseado na teoria e reflexão, construídas por meio dos conhecimentos e experiências, adquiridos na observação, mapeamento e identificação de rotinas, expedientes, procedimentos e problemáticas no universo profissional de vivência nas instituições públicas e/ou privadas. É um trabalho de campo, onde as atividades práticas são realizadas a partir de uma fundamentação teórica adquirida, previamente ou simultaneamente, durante o curso.
Recebe diferentes denominações, tais como Estágio Supervisionado, Estágio Curricular, Estágio Obrigatório, Prática Pedagógica ou Prática de Ensino, dentre outros. A UNITINS, para promover maior entendimento dos acadêmicos, fez a convergência de todas as terminologias para “ESTÁGIO CURRICULAR”.
Assim, o Estágio Curricular no sistema EaD/UNITINS se constitui em uma prática acadêmica supervisionada pela universidade, por intermédio dos vários parceiros, por meio da qual o graduando complementará a sua formação, realizando ações práticas nas especificidades de sua futura profissão.
O Estágio Curricular é de caráter obrigatório para o aluno, mas não é emprego não devendo ser confundido e não gerando vínculo empregatício. (Art. 82 – LDB). Ele tem como objetivos:
- possibilitar ao acadêmico a aplicação de conhecimentos teóricos e práticos em atividades relacionadas à área de atuação profissional.
- promover condições para que o acadêmico reflita, ética e criticamente, sobre as teorias trabalhadas, possibilitando a construção do conhecimento no confronto com a prática.
- proporcionar ao acadêmico não só o conhecimento da realidade do campo ou área de atuação, mas dar-lhe condições de pensar criticamente e problematizá-la buscando soluções para possíveis transformações.
Para que estes objetivos sejam alcançados na Educação a Distância é imprescindível uma boa orientação por meio das diferentes instâncias: professores orientadores, tutores a distância, tutores presenciais, coordenadores de pólo e colaboradores externos, mas, sobretudo exige-se um novo perfil do aluno adulto e responsável por seu próprio processo de aprendizagem. Sobre este aspecto é importante “considerar as analogias
e as diferenças entre a aprendizagem de adultos, de crianças e de grupos com necessidades específicas”, defendidas pela Andragogia e Heutagogia, conforme destaca Almeida3.
O conceito de heutagogia e andragogia (heuta – auto, próprio – e agogus – guiar) surge com o estudo da auto-aprendizagem na perspectiva do conhecimento compartilhado. Trata-se de um conceito que expande a concepção de andragogia ao reconhecer as experiências cotidianas como fonte de saber e incorpora a auto-direção da aprendizagem com foco nas experiências.
A Educação a Distância se insere nesta concepção, uma vez que busca a promoção da integração do pensamento crítico, do pensar criativo e da prática como atuação consciente, denominada práxis. Entende-se que a tomada de consciência, por parte de quem aprende, dos próprios processos e estados cognitivos, maximiza os resultados. Por isso a proposta de um curso a distância deve ser de estimular o pensar crítico do aprendiz sobre o seu próprio processo de aprendizagem.
Sobre este aspecto Palloff e Pratt4 afirmam que “o aluno [...] de sucesso sabe trabalhar de modo independente” [...] e que “a capacidade de refletir sobre o material apresentado pelos colegas e pelo professor é tão importante [...] quanto o pensamento crítico.” Assim, a orientação de um aluno ou grupo de alunos para melhorar a aprendizagem e tornar-se um aprendiz autônomo, será mais eficaz se o professor tutor os ajudar a aprimorar seus hábitos de estudo e a desenvolver habilidades metacognitivas. O aluno deve saber que existem diferentes estilos de aprendizagem e, principalmente, compreender como ele próprio aprende para tornar-se alguém que estuda, empreende pesquisas e elabora trabalhos de forma autônoma, pois assumiu total responsabilidade sobre o seu processo de aprendizagem. Para ser bem sucedido nas atividades do Estágio Curricular, os alunos de cursos de graduação a distância precisam ser proativos e não somente reativos. E ser proativo é uma característica do adulto autônomo.
Neste sentido, a instituição que oferta graduações a distância precisa identificar e conhecer o perfil de seus alunos para que este conhecimento sirva-lhe como norteador nas definições das práticas de ensino e na preparação prévia destes alunos para a realização do Estágio Curricular.
3 ALMEIDA, Maria Elizabeth Bianconcini de. As teorias principais da andragogia e heutagogia. In: LITTO,
Frederic M e FORMIGA, Marcos (orgs). Educação a distância – o estado da arte. São Paulo:Pearson Educations do Brasil, 2008, p.105.
QUEM SÃO OS ALUNOS/ESTAGIÁRIOS DO SISTEMA EAD/UNITINS?
Na maioria dos casos, tais estagiários são adultos, trabalhadores e estão em busca de conhecimentos que venham completar suas próprias experiências, então tomam a decisão de aprender algo que seja importante para sua vida e trabalho, isso potencializa seu papel ativo no processo de sua aprendizagem, portanto mais participativo na comunidade.
Desta forma, é possível conceber, como Litwin5, que:
as pessoas que aceitam fazer parte dessas propostas educativas encontram nelas uma oportunidade para participar dos sistemas simbólicos da cultura. Para adultos, cujo acesso ao conhecimento sistematizado está limitado por diferentes fatores, tal possibilidade constitui a pedra fundamental de novos projetos pessoais e sociais.
Isso se configura em vantagens dos cursos a distância, na qual alunos adultos se comprometem, pois “sentem na pele” a necessidade de aprender, seja para melhorar no campo de trabalho, seja para sua satisfação pessoal. Responsabilidade, quesito, tão importante para o sucesso de qualquer curso, apresenta-se como benefício nos cursos a distância, onde é extremamente necessário que os alunos assumam a postura de “sujeitos ativos de suas próprias aprendizagens”.
Nesta modalidade os alunos que se matriculam e permanecem até a fase do estágio, o fazem porque já adotam a participação autônoma e consciente, ou seja, desenvolveram a conscientização compreendida, de acordo com Freire6, como o processo de produzir e de adquirir conhecimentos, através do qual o sujeito termina também por aprender a tomar distância dos objetos, maneira contraditória de se aproximar deles. Com esta tomada de consciência, os estagiários compreendem-se como sujeitos de seu processo de aprendizagem e assumem compromisso na realização do Estágio Curricular como atividade necessária e indispensável à sua formação.
Neste contexto, cabe aos educadores, a tarefa de preparar teleaulas e aulas interativas de orientação dos estágios, que, sem fugir ao rigor acadêmico, resgate toda esta diversidade e se constituam em situações de real aprendizagem. Além desta busca permanente de dar suporte, cada vez melhor, aos acadêmicos, a equipe localizada fisicamente na sede da instituição (coordenadores de curso, professores orientadores e tutores a distância) sentem
5 LITWIN, Edith (organizadora). Educação à distância - Temas para o debate de uma nova agenda educativa.
Porto Alegre: Artmed Editora, 2001, p. 70/71
uma grande necessidade de interação com os tutores presenciais, coordenadores de pólo e colaboradores externos, pois estes são parceiros, elos de uma mesma corrente ou nós de uma mesma rede e podem representar todo o diferencial de acordo com a forma como realizam (ou não) o acompanhamento dos Estágios Curriculares.
No sistema EaD/UNITINS percebe-se a grande necessidade de fortalecimento de uma rede de comunicação e colaboração entre estes colaboradores. Neste aspecto, as experiências de Estágio nos Cursos Normal Superior e Pedagogia, já concluídos, trazem algumas lições valiosas.
VIVÊNCIAS DE ESTÁGIO NO SISTEMA EAD/UNITINS
As lições aprendidas com a vivência dos estágios nos dois cursos já concluídos, subsidiaram as decisões sobre a organização dos estágios para os cursos de graduação posteriormente ofertados pelo sistema EaD/UNITINS e parceiras, como descrito a seguir:
SISTEMA EAD/UNITINS7
A Educação a Distância é vivenciada na Fundação Universidade do Tocantins como um processo em constante implantação e aperfeiçoamento. O fenômeno de desenvolvimento do estado mais novo da federação brasileira, da convergência gradativa da base tecnológica, a representação digital, a nova dinâmica da indústria e do comércio, o acesso crescente da população aos serviços telefônicos, à computação e a Internet são fatores estratégicos para o desenvolvimento em termos gerais e para qualquer planejamento e intervenção setorial, especialmente na educação.
Assim, a UNITINS inseriu-se no prisma das Tecnologias da Informação e da Comunicação (TIC), estabelecendo fases, em médio prazo, para implantar mais instâncias voltadas para o uso de tais lógicas e dispositivos. Em 2000, a UNITINS firmou parceria com a EDUCON – Tecnologia em Educação Continuada, atual EADCON – através de contrato de prestação de serviços educacionais para a oferta do Curso Normal Superior, obtendo do Sistema Estadual de Ensino a autorização para funcionamento, como Curso 7
Parte da caracterização elaborada em GONÇALVES, Lina Maria. Mídias Call-free e
‘Interatividade’: potencial interativo no sistema EaD/UNITINS. Dissertação de Mestrado em
Tecnologias da Inteligência e Design Digital - TIDD, pela Pontifícia Universidade Católica de São
Experimental, por meio do Parecer CEE-TO nº. 153/2000, aprovado em 19 de setembro de 2000 sendo, posteriormente, reconhecido através do Decreto Estadual nº. 1.841, de 04/09/03 e regulamentado pela Instrução Normativa GRE / UNITINS 002/2002, de 15/05/02. Tal parceria resultou na formação de aproximadamente 9.000 graduados em Normal Superior e, também, no conseqüente processo de credenciamento e autorização de funcionamento da Instituição na modalidade a distância pela portaria MEC nº. 2.145, de 16 de julho de 2004, publicada no diário oficial da União nº. 138, de 20 de julho de 2004.
Nesta trajetória, a instituição busca oferecer uma formação coerente com os princípios educacionais adotados, geralmente, em parceria com empresas, organismos públicos e associações profissionais, segundo suas necessidades específicas, não alterando, portanto, sua natureza jurídica pública, mas ampliando seu raio de abrangência ao abrir-se numa forma de gerenciamento que visa a manutenção de suas atividades por unidades de projetos auto-sustentáveis.
Os desafios da EAD requerem uma sistemática própria que ao longo dos últimos anos a UNITINS vem organizando para vencê-los. Em 2008, por meio de parcerias interinstitucionais com a Eadcon, Fael e Univale, a Instituição oferece os cursos a distância de graduação em Administração, Ciências Contábeis, Letras, Matemática, Pedagogia, Serviço Social, Fundamentos Jurídicos e Tecnologias em Análise e Desenvolvimento de Sistemas, em todos os estados da Federação e Distrito Federal. Desta maneira, em 2008, a UNITINS, com seus nove (09) cursos e mais de 100 mil alunos, tem contribuído muito para a formação de muitos cidadãos tocantinenses e brasileiros, por meio da Educação a Distância,
É um número elevado de cidadãos que dependem não somente da participação em teleaulas, da realização do auto-estudo e das avaliações presenciais para concluir seu curso de graduação, mas especialmente da realização dos estágios.
TRAJETÓRIA VIVENCIADA NOS ESTÁGIOS
A Unitins teve sua primeira experiência no campo de estágio a distância com o Curso Normal Superior na modalidade telepresencial ofertado para os municípios tocantinenses. Esta modalidade surgiu em atendimento ao Plano Decenal de Educação que objetivou elevar a formação de professores normalistas ou de outras áreas (número considerável na época no Estado) ao nível superior.
Considerando o desejo de todos: Estado, Universidade, Secretaria de Educação e dos próprios professores, não foi difícil criar uma estrutura para realização do Estágio Supervisionado, mesmo porque a grande maioria já era professores e até mesmo detentores de cargo de confiança, ou seja, diretores, secretários ou coordenadores pedagógicos nas escolas.
A estrutura física consistia em telessalas espalhadas por todo Tocantins, algumas sem boa estrutura e com poucos recursos, entretanto, a estrutura humana, esta sim, tinha traços de qualidade.
Dentro da Universidade: um coordenador pedagógico que acompanhava desde o planejamento até a execução da teleaula; uma equipe de cinco professores para a disciplina de estágio; uma equipe de aproximadamente seis supervisores de campo que acompanhavam o trabalho realizado pelos tutores presenciais em todo estado. Os tutores presenciais participavam de todas as teleaulas e ainda acompanhavam todo o desenvolvimento das atividades relacionadas ao Estágio Supervisionado. Eles também recebiam capacitações mensais pela equipe de coordenadores da Unitins, em parceria com a Educon, na época. O seu salário era equivalente aos dos professores da rede estadual.
Em relação ao horário das teleaulas, estas se desenvolviam da seguinte maneira: de segunda a sexta-feira, das 18:30 h às 22:30h, sendo três teleaulas por noite, havendo intervalos de 20 a 30 minutos entre uma teleaula e outra para as atividades de tutoria. Todas as atividades eram orientadas pelos professores orientadores de estágio e realizadas nas tutorias com o acompanhamento dos tutores presenciais.
Todas as atividades, quer sejam referentes ao estágio ou de outras disciplinas comporiam o portifólio que, conforme apostila do curso Normal Superior8 consiste de uma pasta que contém toda a produção acadêmica do aluno e se constituiria em ferramenta para oportunizar a análise e auto-reflexão sobre sua trajetória acadêmica, com o objetivo de melhorar o processo ensino-aprendizagem.
Como o tutor presencial, na época, fazia parte desse processo de construção do conhecimento, por meio das atividades inseridas no portfólio, a ele também competia avaliá-las. Também competia ao tutor, orientar e avaliar a elaboração, em grupos, das atividades a serem desenvolvidas no campo do Estágio como: planos de aulas, plano de ensino, plano de curso, projetos interdisciplinares bem como os relatórios parcial e final dos estágios.
8 FUNDAÇÃO UNIVERSIDADE DO TOCANTINS. Guia do Acadêmico. In: Apostila do Curso
A equipe de professores de estágio fazia toda a orientação nas teleaulas de como deveriam ser feitos todos os momentos de Estágio na Escola Campo, começando pela contextualização, observação em sala de aula, elaboração de planos de aula ou projetos interdisciplinares e a regência de aulas. Enquanto isto os tutores acompanhavam também as teleaulas para dar suporte pedagógico aos acadêmicos.
O Estágio era realizado em grupo de três acadêmicos, no entanto, o portfólio era individual. Nele, cada membro do grupo deveria elaborar uma síntese pessoal sobre as experiências vivenciadas em cada período do Estágio.
A avaliação no curso Normal Superior era composta quatro notas sendo: - (A1) Avaliação Objetiva
- (A2) Avaliação Objetiva - (A3) Avaliação Subjetiva - (A4) Avaliação do Portifólio
As avaliações objetivas, corrigidas eletronicamente, valiam de 0 a 10. A subjetiva, corrigida pela equipe de professores de estágio consistia dos relatórios que o grupo de acadêmicos fazia, ao final de cada momento do estágio. O tutor presencial recebia os relatórios e os enviava à Unitins, por meio de malotes, via correio convencional. Esta correção era feita manualmente e o valor também era de 0 a 10 para o grupo de acadêmicos.
A avaliação do Portifólio, conforme já foi dito, era de responsabilidade do tutor presencial e tinha o mesmo valor das outras avaliações. A média era extraída da soma das quatro notas e divida por quatro.
Como eram feitas as orientações aos acadêmicos?
Além das teleaulas que eram ministradas, sempre com carga horária superior à das outras disciplinas, os acadêmicos contavam, ainda, com o suporte pedagógico pelo atendimento ao 0800 646 1011 para dúvidas relacionadas aos conteúdos das teleaulas, bem como das práticas desenvolvidas no campo de Estágio. O atendimento funcionava nos três turnos, sendo que o acadêmico e/ou tutor deveriam informar o login, o nome completo, a telessala, o município e o turno. Lembrando que em primeiro momento foi criado uma turma no turno noturno (2001/1) e, em seguida (2001/2), foram criadas mais duas turmas, uma no turno matutino e outra no vespertino, acompanhando a mesma carga horária, regime de teleaulas e tutoria.
Os atendentes eram os mesmos professores o que facilitava as orientações de imediato. Todas as dúvidas eram registradas num protocolo escrito que gerava um relatório sobre as principais demandas.
Para uma compreensão maior do que estava acontecendo, de fato, em cada telessala, mensalmente os supervisores de campo apresentavam relatórios dos pontos positivos e negativos observados em suas visitas.
Essa dinâmica processual de construção de conhecimento na modalidade telepresencial, germe da modalidade a distância no sistema EaD / UNITINS, contando com o envolvimento de todos os atores, teria alcançado plenamente os objetivos. Infelizmente, aconteceram ruídos de comunicação, descumprimento de normas em algumas circunstâncias, ou seja, a rede colaborativa não havia se constituído, o que era natural, devido à novidade que era, para todos, trabalhar nesta modalidade. A avaliação do Portfólio que era feita pelos tutores, ficou comprometida, com isso, o processo de tutoria também deixou a desejar, em alguns casos.
Em 2004, a Unitins deu início ao curso de Pedagogia Telepresencial, visando atender, ainda, a alguns professores sem formação superior e ampliar o número de docentes qualificados no Estado do Tocantins, porém com modificações na metodologia de ensino e, principalmente, com uma redução da autonomia avaliativa dos tutores, em relação ao portifólio. Entretanto, para o estágio, os tutores continuaram a ter um papel fundamental, tanto no acompanhamento das atividades de campo, como nos registros, que eram organizados em pastas individuais. Eles também avaliavam a apresentação oral dos relatórios analítico-descritivos, como parte do processo avaliativo, descrito a seguir:
As avaliações aconteciam em dois momentos: A1 e A2. Na disciplina Estágio Supervisionado o processo de avaliação se dava da seguinte forma: A A1 objetiva, mas sempre contextualizada com situações vivenciadas na prática escolar, com estudos de casos tinha o valor de 0(zero) a 10 (dez) com peso 3. A A2 consistia do relatório descritivo analítico, avaliado pelos tutores presenciais com valor de 0 a 3 e pelos professores orientadores de estágio com valor de 0 a 7. Esta nota que também somada teria valor de 0 a 10, com peso sete para se dar ênfase ao exercício da prática. Cada grupo que não alcançasse a média para a aprovação deveria refazer o relatório.
Em 2005, já credenciado pelo MEC para a Educação a Distância, o sistema EaD/ UNITINS estendeu os limites de atuação para todo o território nacional e deu início a novos cursos, agregou novos atores sociais e novas tecnologias. A rede de colaboração, ainda frágil, passou a enfrentar novos desafios para sua consolidação, especialmente em relação à
sintonia entre os diversos componentes responsáveis pelo acompanhamento das atividades de estágio.
OS ATORES SOCIAIS ENVOLVIDOS NOS ESTÁGIOS CURRICULARES NO SISTEMA EAD/ UNITINS
A diretoria de educação a distância e tecnologias educacionais conta com várias equipes que, sob as respectivas coordenações, desempenham, de forma concomitante, as funções de planejamento, realização e suporte uns aos outros numa interdependência entre as atividades exercidas pelas várias equipes de áreas distintas no sistema EaD UNITINS.
Para garantir essa articulação existem as diferentes coordenações setoriais de apoio que, em cada instância articula os trabalhos das respectivas equipes ao projeto geral. Este grupo de profissionais da coordenação reúne-se regularmente sob a direção da diretoria de educação a distância e tecnologias educacionais e, cotidianamente, coordenam as atividades das equipes mediante as definições e orientações coletivas, responsáveis pela convergência das ações de cada grupo, dentro de equipes que, por sua articulação, compõem o sistema.
Como a metodologia adotada pelo sistema de educação a distância da Unitins está ancorada em três plataformas: material impresso, tutoria a distância e teleaulas, as equipes contam com profissionais das diferentes áreas de atuação a fim de garantir as interfaces com a educação, comunicação e telecomunicação. A interface da educação conta com as coordenações de cada curso e respectivos docentes, tutores a distância e tutores presenciais. - Quem são os docentes? E os tutores a distância?
- Que outros profissionais compõem esta equipe multidisciplinar, responsável pelas atividades dos estágios, na orientação e suportes necessários aos cursos do sistema?
Os docentes e tutores a distância são professores das diferentes áreas do conhecimento. Eles compõem as equipes de cada disciplina curricular, sendo cada equipe composta por três professores, com formação na área ou equivalente que lhe garanta aderência à disciplina. Dos três, um será designado para as funções de tutor a distância e os outros dois para a função docente, com as seguintes atribuições.
Tabela 1. Atribuições dos docentes e tutores a distância
São professores da IES, lotados nas disciplinas dos respectivos cursos e devem ser capazes de:
São professores da IES, lotados nas disciplinas e respectivos cursos e devem ser capazes de:
- estabelecer os fundamentos teóricos do projeto;
- selecionar e preparar todo o conteúdo curricular articulado a procedimentos e atividades pedagógicas;
- identificar os objetivos referentes a competências cognitivas, habilidades e atitudes;
- definir bibliografia, videografia, iconografia, audiografia, tanto básicas quanto complementares;
- elaborar o material didático para programas a distância;
- realizar a gestão acadêmica do processo de ensino-aprendizagem, em particular motivar, orientar, acompanhar e avaliar os estudantes; - avaliar-se continuamente como profissional
participante do coletivo de um projeto de ensino superior a distância.
- esclarecer dúvidas por meio de fóruns de discussão pela Internet, pelo telefone, - participar em videoconferências, entre
outros de acordo com o projeto pedagógico do curso;
- promover espaços de construção coletiva de conhecimento;
- selecionar material de apoio e sustentação teórica aos conteúdos;
- participar dos processos avaliativos de ensino-aprendizagem.
Fonte: Plano de trabalho do Curso de Pedagogia.
Embora tenham atribuições distintas, docentes e tutores a distância trabalham em equipe. Semanalmente eles estão juntos para o planejamento das teleaulas e demais atividades e, durante as teleaulas ministradas pelos docentes, os tutores a distância estão assistindo e acompanhando pelo AVA, o envio de dúvidas, para um retorno imediato das respostas ao aluno, sempre que possível ou a circunstância exigir. O prazo máximo para este retorno é de quarenta e oito horas (48 h).
Os docentes que compõem a equipe de Estágio acumulam, também, as atribuições de orientadores de Estágio. Para tal, esta equipe, geralmente, mas não obrigatoriamente, conta com mais um docente, considerando que, neste caso, os quatro acumularão também as atribuições de orientação do estágio. O apoio ao estagiário é feito, ainda, por um tutor presencial, pelos coordenadores de pólo presencial e pelos colaboradores externos.
Os docentes, tutores a distância orientam, de forma mediatizada, todos os procedimentos para realização dos estágios, enquanto os tutores presenciais ajudam os alunos na organização dos grupos de trabalho, nos contatos com as instituições campo e outros aspectos necessários à operacionalização do estágio. Cada um, com atribuições específicas, mas interdependentes, ou seja, as ações de uns interferem e sofrem interferências das ações dos demais.
Tabela 2. Atribuições dos orientadores de estágio e tutores presenciais
São docentes da IES que, de acordo com o delineamento das áreas de estágio, orientam a distância, o aluno-estagiário nas referidas áreas, conforme diretrizes do Coordenador de Curso.
São os profissionais responsáveis pelas telessalas, devendo os mesmos conhecer o Projeto Pedagógico, o material didático e os conteúdos específicos do curso sob sua responsabilidade. Têm como atribuições específicas Têm como atribuições específicas
- Orientar, nas plataformas definidas pelo Coordenador de Curso e Equipe Pedagógica, os acadêmicos que elegerem sua área de orientação;
- Elaborar os planos de Estágio Curricular de sua área;
- Receber os questionamentos de seus orientandos, que chegam via mecanismos de tutoria a distância, e respondê-los;
- Contribuir com o colegiado participativo dos diversos cursos para elaboração dos Manuais de Estágio;
- Executar outras atividades inerentes ao desempenho da função, omissas neste regulamento.
- Atender aos alunos nas telessalas, em horários pré-estabelecidos;
- Auxiliar os alunos no desenvolvimento de suas atividades individuais e em grupo; - Fomentar o hábito da pesquisa;
- Conhecer os instrumentos tecnológicos próprios da modalidade EaD;
- Participar dos momentos presenciais, tais como avaliações, aulas práticas em laboratórios e estágios supervisionados.
Fonte: Plano de trabalho do Curso de Pedagogia.
Deste modo, todas as etapas dos estágios são desenvolvidas nas instituições campo sob a orientação dos professores da Unitins, por meio das teleaulas, do material impresso e da interatividade com os tutores a distância. Os alunos também recebem orientações no Manual de Estágio disponível no portal do curso para cada acadêmico. Tais orientações também são reforçadas pelo tutor presencial, mas os alunos demandam, ainda, apoio de outros atores sociais para seu acompanhamento.
Este acompanhamento é efetivado pelos coordenadores de pólo e pelos tutores presenciais, conforme estabelece a Portaria Normativa nº 40, de 12 de dezembro de 2007, do MEC, para Educação a Distância, normatizada pelos Regulamento do Estágio Curricular e Residência Social da UNITINS.
Em consonância com os princípios estabelecidos, os alunos estagiários têm apoio nas seguintes instâncias: na sede da universidade, nos pólos presenciais, nas telessalas e nas instituições campo.
Na sede da Universidade, como já foi descrito, a orientação ocorre a distância e é efetivada pelo coordenador de curso, pelos professores orientadores e pelos tutores a distância, por meio do AVA.
Nos pólos presenciais e nas telessalas, o acompanhamento é realizado pelos tutores presenciais e pelos coordenadores de pólo.
Cada coordenador de pólo presencial têm, dentre tantas outras tarefas, a de orientar e acompanhar o aluno-estagiário no planejamento, execução e avaliação do Estágio,
prestando-lhe assistências didática e técnica, observando as orientações dadas pelos professores orientadores de estágio. Eles devem acolher e encaminhar as documentações de estágio curricular, constituindo-se no elo administrativo entre o estagiário e a universidade. Além disso, eles podem, com a participação ativa dos tutores presenciais, orientar o estagiário na elaboração do relatório final do estágio em consonância com as orientações dos professores orientadores de estágio. Os coordenadores de pólo, devem ainda, apresentar semestralmente relatório das atividades de atuação no âmbito do estágio curricular.
Considerando, entretanto, que estes coordenadores têm outras funções administrativas que, certamente ocupa-lhes boa parte do tempo, a orientação direta do tutor presencial apresenta-se como fator preponderante. A experiência tem mostrado que o tutor presencial é aquele profissional que mais diretamente se relaciona com os alunos, que se encontram distantes da instituição e de seus professores, portanto, o tutor assume uma grande responsabilidade na mediação pedagógica.
Para Aretio9 “la tutoría es la instancia de ayuda al estudiante desde las diferentes dimensiones”. Ao estabelecer o vínculo com o aluno, o tutor é o profissional que identifica e interfere no seu desempenho acadêmico: no trabalho que ele desenvolve, no interesse pelo curso, na aplicação do conhecimento adquirido no dia a dia, no desenvolvimento e aprendizado. Portanto, o apoio tutorial realiza na intercomunicação, a função tríplice: motivação, orientação e avaliação.
É ele que atende aos alunos nas telessalas, em horários pré-estabelecidos prestando-lhes auxílio no desenvolvimento de suas atividades individuais e em grupo. Além disso, tem a missão de fomentar o hábito da pesquisa e ajudar os acadêmicos no uso dos instrumentos tecnológicos próprios da modalidade EaD. Enfim, é o tutor presencial que organiza e orienta todos os momentos presenciais, tais como avaliações, aulas práticas em laboratórios e os estágios curriculares.
Nas instituições campo ou campos de estágio, como são comumente denominadas, os acadêmicos dos cursos a distância contam, ainda, com os colaboradores externos, que são profissionais / funcionários em exercício nas instituições campo e, em conformidade com a instituição a qual representam, recebem o estagiário no seu local de trabalho, e fazem o acompanhamento da carga horária e do desenvolvimento das atividades previstas no plano de estágio. Estes profissionais contribuem imensamente para a formação deste estagiário e,
9 ARETIO, Lorenzo Garcia. La Educación a distancia – De la teoría a la práctica. 2 ed. Barcelona:
muitas vezes, seu empenho não é considerado nos estágios de cursos presenciais, nos cursos a distância, todavia, sua relevância cresce de forma significativa.
Desta forma, os professores, os tutores a distância e presenciais, os coordenadores de curso e de pólo, além dos colaboradores externos e supervisores presenciais (no caso do Serviço Social) desempenham papéis específicos, mas que devem ser estreitamente interligados para o sucesso na realização dos Estágios Curriculares no sistema EaD/UNITINS. A somatória das ações de todos estes atores visa apoiar os processos de ensino e aprendizagem e, por extensão, o alcance dos objetivos institucionais, por isso, devem acontecer de forma articulada, como nós de uma mesma rede.
CRIAÇÃO DE REDES: DESAFIO DO ESTÁGIO EM EAD
Após alguns anos de enfrentamento dos desafios postos pela exigência legal do estágio e as poucas definições sobre como realizá-lo a distância, alguns parâmetros começam a ser institucionalmente delineados. O primeiro e principal deles é a criação e manutenção de redes de colaboração, capazes de proporcionar apoio ao aluno sempre que houver necessidade, em paralelo à criação de redes de aprendizagens entre professores e alunos e destes entre si, nas quais o espaço físico da sala de aula seja ampliado para qualquer lugar onde haja um computador, um modem e uma linha de telefone, um satélite ou qualquer outro link para o aluno se conectar a ela.
A adoção de redes de computadores para intensificar a comunicação na educação a distância não é mais novidade. Esta rede, entretanto, deve ser transformada em rede de conhecimento ou de aprendizagem que “designa as conexões eletrônicas formadas entre várias comunidades de ensino e de aprendizagem com a finalidade de facilitar a aquisição de informações e a construção do conhecimento.” 10
Se utilizadas desta forma, as redes enfatizam a aprendizagem com os colegas e a participação ativa. Neste sentido, apresenta-se a seguir, algumas das ações fundamentais dos estagiários no sistema EaD UNITINS:
- acessar e baixar materiais instrucionais (manuais, fichas e roteiros norteadores das atividades de estágio);
10 HARASIM, Linda et AL. Redes de Aprendizagem – um guia para ensino e aprendizagem on-line.
- acessar e baixar outros materiais complementares disponibilizados pelos professores e tutores a distância;
- entrar na interatividade ou nos fóruns de discussão para debater sobre dúvidas e possibilidades encontradas no campo de estágio;
- apresentar comentários ou respostas aos comentários de outros colegas;
- enviar mensagens particulares aos tutores a distância ou a seus colegas de equipe; - descobrir e participar de outras listas de discussão relacionadas ao tema de trabalho do grupo;
- cadastrar seu grupo de estágio e construir coletivamente o relatório solicitado; - editar o relatório, dentro do prazo estabelecido pelos professores orientadores e solicitar a correção;
- revisar o relatório segundo orientações ou comentários do professor avaliador.
Os alunos têm desempenhado a contento todas estas atividades. Destaca-se como responsável por este desempenho, a notável motivação do aluno adulto em querer construir conhecimentos e ampliar, cada dia mais, sua autonomia intelectual. Em seguida destaca-se o domínio, continuamente ampliado, das tecnologias para a formação de redes colaborativas.
Embora o domínio tecnológico ainda seja insuficiente em vários recantos brasileiros, ele cresce exponencialmente e, enfim, há “essencialmente somente três tecnologias que alunos e professores precisam dominar gradualmente: o PC e seu software, o sistema de comunicação de grupo e o software de rede, como na internet11.” Sabe-se que é criação de redes somente poderá acontecer a partir desse domínio, e, principalmente, após a compreensão da relevância do uso destas tecnologias como ferramentas capazes de aproximar os sujeitos do processo de aprendizagem. Tais redes sejam alunos de um grupo de estágio entre si ou destes alunos com seus professores orientadores e tutores a distância, para o desenvolvimento dos projetos de estágio ou ainda com demais colegas estudantes de seu sistema de ensino ou de outros representam a alternativa viável para troca de experiências, materiais e saberes nos cursos a distância.
Esta é, de forma muito simplificada, a rede que deve ser consolidada pelos diferentes agentes responsáveis pela orientação e acompanhamento dos estágios. Ou seja, as mesmas ferramentas usadas pelos alunos devem ser empregadas pelos professores orientadores de estágio, tutores a distância e presenciais, coordenadores de pólo e coordenadores de curso para interagirem entre si e orientarem, de forma coerente e coesa, os estagiários na realização de seus estágios curriculares.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Sem ter a pretensão de esgotar as indagações sobre os estágios curriculares nos cursos de graduação a distância, encerra-se este artigo com algumas afirmações.
Primeira: a realização dos estágios curriculares nos cursos a distância acontece de forma semelhante aos estágios dos cursos presenciais, ou seja, os alunos vão a campo e desempenham todas as atividades planejadas, cumprindo plenamente as exigências legais para a conclusão do curso.
Segunda: o diferencial do estágio em cursos a distância se encontra nas características dos alunos e, de forma especial, na necessidade de uma rede de colaboradores, formada para a orientação e acompanhamento das atividades dos grupos de estagiários, apesar de considerar que os alunos/estagiários dos cursos de graduação a distância, são adultos conscientes da relevância do estágio para sua graduação, o que faz com que as orientações a distância sejam bem acatadas e demandem pouquíssima supervisão.
Terceira: na vivência dos estágios nos cursos Normal Superior e Pedagogia, já concluídos, observou-se que os acadêmicos chamaram para si a responsabilidade a partir do momento que compreenderam a importância de gerenciar seus estudos e o quanto isto era imprescindível na modalidade de ensino a distância.
Quarta: o emprego de redes de colaboração e aprendizagem apresenta-se, portanto, como a possibilidade de um novo paradigma na orientação dos estágios nos cursos a distância. Isto se deve em parte à grande expansão dos computadores e da internet e à incorporação destas pelos projetos educacionais.
Quinta: atualmente a maioria dos sistemas de aprendizagem a distância oferece acesso a internet e a um mundo muito grande de recursos que podem e devem ser empregados para dar apoio aos estudantes, ou seja, a rede enquanto conexão eletrônica avança, cada dia mais, a todos os recantos do Brasil e seu uso se expande na mesma proporção para fins educacionais.
Sexta: as redes colaborativas precisam ser ampliadas e consolidadas, e, para isto é preciso compreender, como defende Harasim, que os membros de uma rede, a despeito da formação, do grau de sofisticação, da especialidade técnica ou das atribuições específicas, compartilham o mesmo objetivo, que, no caso da rede de parceiros responsáveis pela concretização dos estágios curriculares de cursos a distância, pode-se dizer que é procurar e compartilhar informações sobre a realização dos estágios curriculares, entendê-las a partir de um mesmo referencial e aplicá-las junto aos estagiários.
Sétima: destaca-se que, no caso dos responsáveis pela orientação e acompanhamento dos estágios no sistema EaD Unitins, as informações são obtidas mais por meio de acesso entre os sujeitos do que propriamente pelo acesso à internet. E este é o verdadeiro desafio que ora se enfrenta: criar a cultura do trabalho em rede, o que demanda um envolvimento muito grande de todos e um compromisso profundo com os alunos estagiários para o sucesso das atividades por eles desenvolvidas (de forma tão autônoma, diga-se novamente) nas instituições campo.
Por fim, sem a ilusão de considerar a educação a distância como redentora da sociedade, mas também sem nos deixar levar pelo fatalismo, destaca-se a necessidade do envolvimento de todos os atores sociais diretamente envolvidos nos processos de estágio, como também das comunidades locais, uma vez que ter um maior número de pessoas habilitadas e, principalmente de pessoas de fato qualificadas, fortalece a própria comunidade.
REFERÊNCIAS
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LITWIN, Edith (organizadora). Educação à distância - Temas para o debate de uma nova agenda educativa. Porto Alegre: Artmed Editora, 2001, p. 70/71
MAIA, Carmem e MATTAR, João. ABC da EaD: A educação a distância hoje. São Paulo: Pearson Pretice Hall, 2007.
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