UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS FACULDADE DE EDUCAÇÃO
ANDRESSA LUIZA DE SOUZA MAFRA
O DIREITO À EDUCAÇÃO PARA OS
SUJEITOS DA MODALIDADE EJA NO
MUNICÍPIO DE CAMPINAS-SP:
ANÁLISE DOS
PROGRAMAS EDUCACIONAIS DA FUMEC NO
PERÍODO DE 2013 A 2016
CAMPINAS
2017
O DIREITO À EDUCAÇÃO PARA OS
SUJEITOS DA MODALIDADE EJA NO
MUNICÍPIO DE CAMPINAS-SP:
ANÁLISE DOS
PROGRAMAS EDUCACIONAIS DA FUMEC NO
PERÍODO DE 2013 A 2016
Dissertação de Mestrado apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Educação da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas para obtenção do título de Mestra em Educação, na área de concentração de Educação.
Orientadora: Profa. Dra. Sandra Fernandes Leite
ESTE EXEMPLAR CORRESPONDE A VERSÃO FINAL DA DISSERTAÇÃO
DEFENDIDA PELA ALUNA
ANDRESSA LUIZA DE SOUZA MAFRA E ORIENTADA PELA PROFA. DRA. SANDRA FERNANDES LEITE.
CAMPINAS 2017
DISSERTAÇÃO DE MESTRADO
O DIREITO À EDUCAÇÃO PARA OS
SUJEITOS DA MODALIDADE EJA NO
MUNICÍPIO DE CAMPINAS-SP:
ANÁLISE DOS
PROGRAMAS EDUCACIONAIS DA FUMEC NO
PERÍODO DE 2013 A 2016
Autora: Andressa Luiza de Souza Mafra
COMISSÃO JULGADORA: Profa. Dra. Sandra Fernandes Leite Prof. Dr. Pedro Ganzeli
Prof. Dr. Fábio Pereira Nunes
A Ata da Defesa assinada pelos membros da Comissão Examinadora consta no processo da vida acadêmica do aluno.
Aos meus avós, Lázaro e Geralda, por todo amor, paciência e por tudo que fizeram por mim ao longo da minha vida; À minha mãe, Ilza, por todo o amor, companheirismo, apoio e a dedicação que você sempre teve por mim; Ao meu filho, Pedrinho, por todo o amor, paciência e compreensão com minha ausência durante esta jornada; À minha orientadora, profa. Dra. Sandra Fernandes Leite, pela
paciência, disponibilidade, ensinamentos, incentivos, ajuda constante e por sua dedicação incondicional; A todos que lutaram e ainda lutam pela garantia do direito à educação para os sujeitos jovens, adultos e idosos.
caminhada.
Aos meus pais, Sérgio (Nenê) e Ilza que, com muito amor e carinho, não mediram esforços para que eu concluísse este sonho. Obrigada pelas idas e vindas de Araraquara a Hortolândia, por estarem ao meu lado e por acreditarem tanto em mim! Ao meu irmão e à minha “irmãzinha de coração”, Rafael e Natália, pelo incentivo e apoio constantes.
Aos meus avós, Lázaro e Geralda, que embora não soubessem a dimensão de uma pesquisa de Mestrado, iluminaram os meus pensamentos, me motivando a buscar mais conhecimento e não desistir do meu sonho.
Aos meus tios, tias, primos e primas, especialmente tia Maria, Edson e Josiane, que vibraram comigo, desde a aprovação na prova, e sempre fizeram “propaganda” positiva a meu respeito.
Ao meu marido, William, por todo seu apoio e por sua capacidade de acreditar em mim.
À minha orientadora, Professora Dra. Sandra Fernandes Leite, pela paciência, orientação, amizade е incentivo constante que, somados, tornaram possível а conclusão deste trabalho. Obrigada por tudo!
Ao Professor Dr. Pedro Ganzeli e ao Professor Dr. Fábio Pereira Nunes, pelas importantes contribuições nos Exames de Qualificação e de Defesa.
À Professora Dra. Nima Imaculada Spignolon e à Professora Dra. Sueli Helena de Camargo Palmen, por terem aceitado o convite para comporem a Banca de Defesa como suplentes.
Aos meus amigos, Aline Cristina Vilela, Aline Meira Bitencourt Lopes, Adriano da Silva e Luís Rocha que, ao longo do Mestrado, se mostraram grandes amigos e que sempre poderei contar com eles, mesmo de longe. Obrigada pela confiança!
Ao amigo, Carlos Alberto Carvalho (Carlinhos), por todo apoio e ajuda! Aos meus amigos do Mestrado, pelos momentos divididos juntos, especialmente Daniela Caetano, Daniela Donadon e Tayná Vitoria de Lima Mesquita, pelas parcerias e pela amizade que tornaram mais leve meu trabalho. Foi bom poder contar com vocês!
Aos amigos e membros do Grupo de Estudos e Pesquisas em Política e Avaliação Educacional (GEPALE) e do Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação de Jovens e Adultos (GEPEJA).
À Gestão dos Programas de Educação de Jovens e Adultos (GPEJA) da Fundação Municipal para Educação Comunitária (FUMEC), em especial, à Professora Darci da Silva e à Professora Dra. Marinalva Imaculada Cuzin, que me abriram as portas para conhecer um pouco mais sobre os Programas de Educação de Jovens e Adultos (EJA) desenvolvidos pela FUMEC no município de Campinas.
Aos funcionários da GPEJA, Marina de Almeida Bragion Clement, Mário Sérgio Moises dos Santos, Raissa Guerreiro, Edicelmo Valdeci Costa e Eliana Maria Oligurski. Muito obrigada por tudo!
Aos profissionais da educação dos Programas de EJA da FUMEC que participaram desta pesquisa, porque sem eles não seria possível a realização deste trabalho.
Aos funcionários da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), por todos os momentos partilhados!
Aos alunos e professores do Projeto Educativo de Integração Social (PEIS), por todo o aprendizado e companheirismo estabelecido ao longo de tantos anos! Obrigada por tudo!
Enfim, agradeço a todos aqueles que de alguma forma estiveram е estão próximos de mim, fazendo esta vida valer cada vez mais а pena.
[...] Entre ensinar e aprender, as palavras livres, quando dialogadas semeiam perguntas e geram ideias. As ideias partilhadas não transformam o mundo. As ideias compartidas transformam as pessoas e as pessoas transformam o mundo. As pessoas transformam o mundo! [...]
[....] Um mundo humano e feliz, onde todos possam ser, desarmados e irmanados, ao mesmo tempo, quem ensina e quem aprende.
período de 2013 a 2016. A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética da Universidade Estadual de Campinas (CAAE nº 56710916.0.0000-5404) e os dados foram coletados por meio do levantamento da legislação municipal que trata da Modalidade Educação de Jovens e Adultos (EJA), das propostas da FUMEC e da aplicação de questionários abertos, respondidos pelos Gestores, Diretores Educacionais e professores dos Programas de EJA da FUMEC (EJA – Anos Iniciais, Educação Ampliada ao Longo da Vida e Consolidando a Escolaridade). Para a análise dos dados foram empregados os procedimentos metodológicos da Análise do Conteúdo, propostos por Bardin (2009). Os resultados da pesquisa comprovaram que o direito à educação para os sujeitos da Modalidade EJA no Sistema Municipal de Campinas foi garantido pelo discurso legal da FUMEC no período de 2013 a 2016.
Palavras-chave: Direito à Educação; Educação de Jovens e Adultos; FUMEC; Sistema Municipal de Ensino de Campinas.
Campinas in the period from 2013 a 2016. The research was approved by the Unicamp Ethics Committee (CAAEE 56710916.0.0000.5404) and the data were collected through a survey of the municipal legislation that deals with the Youth and Adult Education (EJA), by the guidelines of FUMEC and by application of questionnaires answered by the Managers, Education Directors and teachers of the Programs of EJA from FUMEC (EJA – Initial Years, Lifelong Education and Consolidating Schooling). For the analysis of the data were used the methodological procedures of the Content Analysis, proposed by Bardin (2009). The results of the research proved the right to education for subjects of the Young and Adults Education (EJA) in the Municipal Education System of Campinas was guaranteed by FUMEC legal discourse from 2013 a 2016.
Keywords: Right to Education; Youth and Adult Education; FUMEC; Municipal System of Education of Campinas.
CENSO/IBGE 2010 ... 97 Figura 2: Estrutura do Curso de Suplência I da FUMEC ... 100 Figura 3: Organograma da FUMEC (2017) ... 111 Figura 4: Número de Locais de Funcionamento dos Programas EJA – Anos Iniciais, Educação Ampliada ao Longo da Vida e Consolidando a Escolaridade- 2014/2017 ... 153 Figura 5: Número de alunos matriculados e número de alunos concluintes no Programa EJA – Anos Iniciais (2013, 2014, 2015 e 2016) ... 154 Figura 6: Número de alunos matriculados no Programa Educação Ampliada ao Longo da Vida (2014, 2015 e 2016) ... 155 Figura 7: Número de alunos matriculados e de alunos concluintes no Programa Consolidando a Escolaridade (2014, 2015 e 2016) ... 156 Figura 8: Número de matrículas nos Programas EJA – Anos Iniciais, Educação Ampliada ao Longo da Vida e Consolidando a Escolaridade (2013, 2014, 2015 e 2016) ... 157 Figura 9: Folders digitais de divulgação dos Programas de EJA da FUMEC ... 168
Quadro 3: Compromissos estabelecidos para Educação para Todos: Jomtien (1990) e Dakar (2000)...40 Quadro 4: Compromissos estabelecidos pelos Estados-membros na Agenda para o Futuro: V CONFINTEA (1997)...52 Quadro 5: Compromissos estabelecidos pelos Estados-membros no Marco de Ação de Belém: VI (CONFINTEA (2009)...58 Quadro 6: Decretos-Leis promulgados entre 1942 e 1946 (Reforma Capanema)...78 Quadro 7: Atribuições dos Órgãos da Direção (Presidência e Diretoria Executiva da FUMEC...112 Quadro 8: Atribuições e competências da Gestão dos Programas de Educação de Jovens e Adultos (GPEJA) e dos Diretores Educacionais da FUMEC (UEFs)...117 Quadro 9: Atribuições dos Professores do Programa EJA-Anos Iniciais da FUMEC...120 Quadro 10: Atribuições dos Agentes Administrativos e Agentes de Apoio Geral no Programa EJA-Anos Iniciais da FUMEC...121 Quadro 11: Jurisdições aos alunos do Programa EJA-Anos Iniciais da FUMEC...122 Quadro 12: Programas, projetos e arcerias estabelecidas pela FUMEC no âmbito do Programa EJA-Anos Iniciais (1996-2016)...126 Quadro 13: Disposição dos Locais de Funcionamento do Programa EJA-Anos Iniciais nas Regionais da FUMEC (Leste, Noroeste, Norte, Sudoeste e Sul) para o ano de 2014...136 Quadro 14: Disposição dos Locais de Funcionamento do Programa EJA-Anos Iniciais nas Regionais da FUMEC (Leste, Noroeste, Norte, Sudoeste e Sul) para o ano de 2015...138 Quadro 15: Disposição dos Locais de Funcionamento do Programa EJA-Anos Iniciais nas Regionais da FUMEC (Leste, Noroeste, Norte, Sudoeste e Sul) para o ano de 2016...140 Quadro 16: Disposição dos Locais de Funcionamento do Programa EJA-Anos Iniciais nas Regionais da FUMEC (Leste, Noroeste, Norte, Sudoeste e Sul) para o ano de 2017...142 Quadro 17: Disposição dos Locais de Funcionamento do Programa Educação Ampliada ao Longo da Vida nas Regionais da FUMEC (Leste, Noroeste, Norte, Sudoeste e Sul) para o ano de 2016...146 Quadro 18: Disposição dos Locais de Funcionamento do Programa Educação Ampliada ao Longo da Vida nas Regionais da FUMEC (Leste, Noroeste, Norte, Sudoeste e Sul) para o ano de 2017...147 Quadro 19: Disposição dos Locais de Funcionamento do Programa Consolidando a Escolaridade nas Regionais da FUMEC (Leste, Noroeste, Norte, Sudoeste e Sul) para o ano de 2016...150 Quadro 20: Disposição dos Locais de Funcionamento do Programa Consolidando a Escolaridade nas Regionais da FUMEC (Leste, Noroeste, Norte, Sudoeste e Sul) para o ano de 2017...151
Quadro 23: Resoluções que estabeleceram as Diretrizes para o atendimento à demanda escolar nas Unidades Educacionais de Ensino Fundamental e da Educação de Jovens e Adultos na Rede Municipal de Ensino de Campinas e da Fundação Municipal para Educação Comunitária (FUMEC)...174 Quadro 24: A legislação, o processo de atribuição e os Locais de Funcionamento das Classes Descentralizadas dos Programas de EJA da FUMEC (2013/2016)...178 Quadro 25: Legislação que trataram da participação da Comunidade Escolar nas ações desenvolvidas pela FUMEC, no âmbito da Modalidade EJA, no período de 2013 a 2016...179 Quadro 26: Tempo de trabalho docente na Modalidade EJA (FUMEC)...188 Quadro 27: Cursos de Formação inicial dos profissionais da educação dos Programas de EJA da FUMEC...189 Quadro 28: Cursos de Formação Continuada (Lato-sensu) realizados pelos profissionais da educação dos Programas de EJA da FUMEC...189 Quadro 29: Cursos de Formação Continuada específicos para o trabalho docente na Modalidade EJA realizados pelos profissionais da educação dos Programas de EJA da FUMEC ...190 Quadro 30: Principais desafios da FUMEC em prol da garantia do direito à educação para os sujeitos da Modalidade EJA no Sistema Municipal de Ensino de Campinas...207
ADTC- Ato das Disposições Constitucionais Transitórias ANC- Congresso Nacional Africano
AR- Administração Regional
BEC- Bolsa Eletrônica de Compras do Estado de São Paulo CAPS- Centro de Atenção Psicossocial
CASI- Centro de Ação Integrado CCV- Consórcio Construtor Viracopos
CEAAL- Conjejo de Educacion de Adultos de America Latina CEASA- Centrais de Abastecimento de Campinas S/A
CEB- Câmara da Educação Básica
CEFORTEPE- Centro de Formação, Tecnologia e Pesquisa em Educação “Prof. Milton de Almeida Santos
CEMEFEJA- Centro Municipal de Ensino Fundamental e Educação de Jovens e Adultos
CEMEI- Centro Municipal de Educação Infantil
CEPROCAMP- Centro de Educação Profissional de Campinas “Prefeito Antônio da Costa Santos”
CESCON- Centro Estudantil Social de Convivência CF- Constituição Federal
CHP- Carga Horária Pedagógica CNE- Conselho Nacional de Educação
CONFINTEA- Conferência Internacional de Educação de Adultos CPAT- Centro de Apoio ao Trabalhador
CPEJA- Coordenadoria do Programa de Educação de Jovens e Adultos da Fundação Municipal para Educação Comunitária (FUMEC)
CREJA- Centro de Referência de Educação de Jovens e Adultos DEPE- Departamento Pedagógico
DEPEN- Departamento Penitenciário Nacional DF- Distrito Federal
DOM- Diário Oficial do Munícipio EAD- Educação a Distância
EC- Emenda Constitucional
EJA II- Programa EJA-Anos Finais
EMEF- Escola Municipal de Ensino Fundamental
EMEFEJA- Escola Municipal de Ensino Fundamental e Educação de Jovens e Adultos
EMEI- Escola Municipal de Educação Infantil
ENEJA- Encontro Nacional de Educação de Jovens e Adultos EPT- Educação para Todos
EPTV- Emissoras Pioneiras de Televisão
EXTECAMP-Escola de Extensão da UNICAMP FDA- Fundação Douglas Adriani
FME- Fórum Municipal de Educação para Todos
FNDE- Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação FUMEC- Fundação Municipal para Educação Comunitária
FUNDEB- Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação
FUNDEF- Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério
GAF- Gestão Administrativa e Financeira da Fundação Municipal para Educação Comunitária (FUMEC)
GEPEJA- Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação de Jovens e Adultos GF- Grupo de Formação
GF-EJA - Grupo de Formação de Educação de Jovens e Adultos: Currículo e o Mundo do Trabalho
GO- Goiás
GPEJA- Gestão dos Programas de Educação de Jovens e Adultos da Fundação Municipal para Educação Comunitária (FUMEC)
GRH- Gestão de Recursos Humanos da Fundação Municipal para Educação Comunitária (FUMEC)
GT- Grupo de Trabalho HP- Hora Projeto
IBGE- Instituto Brasileiro de Geografia e Estática IMA- Informática de Municípios Associados S/A INAF- Indicador de Alfabetismo Funcional KM- Quilômetro
NAED- Núcleo de Ação Educativa Descentralizada ODMs- Objetivos de Desenvolvimento do Milênio OIT- Organização Internacional do Trabalho ONG- Organização Não-Governamental ONU- Organização das Nações Unidas PA- Paraíba
PAS- Programa Alfabetização Solidária PBA- Programa Brasil Alfabetizado
PEB- Programa de Educação Básica da Fundação Municipal para Educação Comunitária (FUMEC)
PEE- Plano Estadual de Educação PIB- Produto Interno Bruto
PMC- Prefeitura Municipal de Campinas PME- Plano Municipal de Educação PNE- Plano Nacional de Educação PP- Projeto Pedagógico
PPP- Projeto Político Pedagógico PR- Paraná
PROEJA- Programa Nacional de Integração da Educação Profissional com a Educação Básica na Modalidade Educação de Jovens e Adultos
PSB- Partido Socialista Brasileiro
PUCCAMP- Pontifícia Universidade Católica de Campinas RJ- Rio de Janeiro
RN- Rio Grande do Norte RS- Rio Grande do Sul
SECADI- Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão
SEE- Secretarias Estaduais de Educação SEF- Secretaria de Ensino Fundamental
SENAC- Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial SENAI- Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial
SEREJA- Setor de Referência de Educação de Jovens e Adultos da Fundação Municipal para Educação Comunitária (FUMEC)
SWAPO- Organização do Povo do Sudoeste Africano TCC- Trabalho de Conclusão de Curso de Especialização TDA- Trabalho Docente com Aluno
TDC- Trabalho Docente Coletivo
TECAM- Consórcio Tecnologia Ambiental TV- Televisão
UEF- Unidade Educacional da Fundação Municipal para Educação Comunitária (FUMEC)
UFPB- Universidade Federal da Paraíba UFPE- Universidade Federal de Pernambuco
UFRN- Universidade Federal do Rio Grande do Norte
UNESCO- Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura UNESCO/OREALC- Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura e Oficina Regional de Educação para a América Latina UNICAMP- Universidade Estadual de Campinas
UNICEF- Fundo das Nações Unidas para a Infância
UNILAB- Universidade da Integração Nacional da Lusofonia Afro-Brasileira UNITWI- University Twinning
UNLD-United Nations Literacy Decade
UNRWA- Agência das Nações Unidas de Alivio e Obras para Refugiados do Oriente Médio
INTRODUÇÃO ... 23 QUESTÃO DA PESQUISA ... 24 OBJETIVO GERAL ... 24 OBJETIVOS ESPECÍFICOS ... 24 METODOLOGIA ... 25 ORGANIZAÇÃO DA DISSERTAÇÃO ... 32
CAPÍTULO I - O DIREITO À EDUCAÇÃO PARA AS PESSOAS JOVENS, ADULTAS E IDOSAS: O CENÁRIO INTERNACIONAL ... 35
1.1. O direito à educação na Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948) ... 35
1.2. A Conferência Mundial de Educação para Todos (1990) e o Fórum Mundial de Educação (2000) ... 39
1.3. O direito à educação para pessoas jovens, adultas e idosas nas Conferências Internacionais de Educação de Adultos (CONFINTEAs) ... 41
1.3.1. A I CONFINTEA- Elsinore (Dinamarca) – 19 a 25 de junho de 1949 ... 42
1.3.2. II CONFINTEA- Montreal (Canadá) - 21 a 31 de agosto de 1960 ... 43
1.3.3. III CONFINTEA- Tóquio (Japão) - 25 de julho a 07 de agosto de 1972 ... 44
1.3.4. IV CONFINTEA- Paris (França) - 19 a 29 de março de 1985 ... 46
1.3.5. A preparação do Brasil para a Conferência Regional Preparatória Latino-Americana e Caribe e V CONFINTEA ... 48
1.3.6. V CONFINTEA- Hamburgo (Alemanha)- 14 a 18 de julho de 1997...51
1.3.7. A organização do Brasil para a VI CONFINTEA ... 54
1.3.8. VI CONFINTEA- Belém do Pará (Brasil), 01 a 04 de abril de 2009 ... 56
1.4. As ações da Cátedra da UNESCO de Educação de Jovens e Adultos no Brasil ... 62
1.5. O direito à educação para jovens, adultos e idosos no âmbito internacional ... 64
CAPÍTULO II - O DIREITO À EDUCAÇÃO PARA OS SUJEITOS DA MODALIDADE EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS (EJA) NO BRASIL ... 67
2.1. O direito à educação nas Constituições Federais (1934-1988) ... 68
2.1.1. O direito à educação na Constituição Federal de 1988 ... 71
2.2. O direito à educação nas Legislações Educacionais ... 77
2.2.1. O direito à educação na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB nº 9.394/1996) ... 82
2.3. As Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação de Jovens e Adultos ... 85
3.1. O munícipio de Campinas ... 95 3.2. A Modalidade EJA no Sistema Municipal de Ensino de Campinas ... 97 3.3. A trajetória e a legitimação da FUMEC no atendimento aos sujetios da Modalidade EJA – Anos Iniciais no Sistema Municipal de Ensino de Campinas ... 99 3.4. A estrutura organizacional da FUMEC ... 110 3.4.1. A organização do Programa EJA – Anos Iniciais da FUMEC ... 113 3.4.2. A participação da Comunidade Escolar no Programa EJA – Anos Iniciais da FUMEC ... 116 3.4.3. O processo educativo do Programa EJA – Anos Iniciais da FUMEC... 125 3.4.4. Os Programas e as parcerias desenvolvidas pela FUMEC dentro da proposta do Programa EJA – Anos Iniciais ... 126 3.5. A atuação da FUMEC na garantia do direito à educação para os sujeitos da Modalidade EJA no Sistema Municipal de Ensino de Campinas ... 130 CAPÍTULO IV – A FUMEC NO PERÍODO DE 2013 A 2016: A REORGANIZAÇÃO DA DO PROGRAMA EJA – ANOS INICIAIS E A CRIAÇÃO DOS PROGRAMAS EDUCAÇÃO AMPLIADA AO LONGO DA VIDA E CONSOLIDANDO A ESCOLARIDADE ... 132 4.1. A expansão da FUMEC e o atendimento aos Sujeitos da Modalidade EJA no município de Campinas ... 132 4.2. A organização da FUMEC: a reorganização do Programa EJA – Anos Iniciais e a criação dos Programas Educação Ampliada ao Longo da Vida e Consolidando a Escolaridade ... 134 4.2.1. A organização dos Locais de Funcionamento das Classes Descentralizadas do Programa EJA – Anos Iniciais ... 135 4.2.2. A organização das Unidades Educacionais da FUMEC (UEFs) e dos Locais de Funcionamento do Programa EJA – Anos Iniciais no ano de 2014 ... 136 4.2.3 A organização das Unidades Educacionais da FUMEC (UEFs) e dos Locais de Funcionamento do Programa EJA – Anos Iniciais no ano de 2015 ... 138 4.2.4. A organização das Unidades Educacionais da FUMEC (UEFs) e dos Locais de Funcionamento do Programa EJA – Anos Iniciais no ano de 2016 ... 140 4.2.5. A organização das Unidades Educacionais da FUMEC (UEFs) e dos Locais de Funcionamento do Programa EJA – Anos Iniciais no ano de 2017 ... 142 4.3. O Programa Educação Ampliada ao Longo da Vida ... 144
Funcionamento do Programa Educação Ampliada ao Longo da Vida no ano de
2017 ... 147
4.4. O Programa Consolidando a Escolaridade ... 148
4.4.1. A organização das Unidades Educacionais da FUMEC (UEFs) e dos Locais de Funcionamento do Programa Consolidando a Escolaridade no ano de 2016... 150
4.4.2. A organização das Unidades Educacionais da FUMEC (UEFs) e dos Locais de Funcionamento do Programa Consolidando a Escolaridade no ano de 2017... 151
4.5. A oferta e o atendimento da FUMEC aos sujeitos da Modalidade EJA ... 152
4.6. Os resultados da reorganização da FUMEC no período de 2013 a 2016 ... 157
CAPÍTULO V- O DIREITO À EDUCAÇÃO PARA OS SUJEITOS DA MODALIDADE EJA NO SISTEMA MUNICIPAL DE ENSINO DE CAMPINAS-SP: ANÁLISE DO DISCURSO LEGAL DA FUMEC NO PERÍODO DE 2013 A 2016 ... 160
5.1. O Plano de Metas da Gestão Municipal (2013/2016) ... 160
5.1.1. A Modalidade EJA no Plano Municipal de Educação (2015/2025) ... 161
5.2. As propostas de ação da FUMEC em prol da garantia do direito à educação dos alunos nos Programas de EJA no Sistema Municipal de Ensino ... 164
5.2.1 Os Planos de Ação da FUMEC (2013 a 2016) ... 164
5.2.2 A Campanha Municipal para Erradicação do Analfabetismo em Campinas (2014, 2015 e 2016) ... 167
5.2.3. O Programa de Transporte Escolar Municipal ... 170
5.2.4. O Programa Municipal de Alimentação Escolar ... 170
5.2.5 O Programa de Fornecimento de Material Escolar Básico ... 171
5.3. O discurso legal da FUMEC em prol da garantia do direito à educação para os sujeitos da EJA no Sistema Municipal de Ensino de Campinas (2013 a 2016) ... 173
5.3.1. O Direito de Acesso e Permanência dos Sujeitos da Modalidade EJA nos Programas da FUMEC ... 173
5.3.1.1. A Garantia de Acesso: o Atendimento à Demanda Escolar ... 174
5.3.1.2 A Garantia de Permanência: o Apoio à Permanência Escolar ... 175
5.3.2. O Direito de Participar: a Atuação da Comunidade Escolar da FUMEC na Reorganização do Programa EJA – Anos Iniciais e na Criação dos Programas Consolidando a Escolaridade e Educação Ampliada ao Longo da Vida ... 177
5.3.2.1 A Garantia do Direito de Participar: a Participação da Comunidade Escolar na Reorganização Estrutural da FUMEC ... 178
5.4. O direito à educação para os sujeitos da Modalidade EJA no discurso legal da FUMEC.
... 184
CAPÍTULO VI- A ATUAÇÃO DA FUMEC PARA A GARANTIA DO DIREITO À EDUCAÇÃO PARA OS SUJEITOS DA MODALIDADE EJA NO SISTEMA MUNICIPAL DE ENSINO DE CAMPINAS- SP: O OLHAR DOS PROFISSIONAIS DA EDUCAÇÃO ... 186
6.1. Os sujeitos da pesquisa ... 187
6.1.1 Os profissionais de educação da FUMEC ... 187
6.1.2 A Formação Especifìca em EJA dos profissionais de éducação da FUMEC ... 190
6.1.3 As diversas concepções dos profissionais da educação da FUMEC ... 191
6.1.3.1 Concepções sobre direito à educação ... 192
6.1.3.2 Concepções sobre a Modalidade EJA ... 193
6.1.3.3 Concepções sobre a prática docente na Modalidade EJA ... 194
6.2 As Concepções dos sujeitos da pesquisa sobre a FUMEC: ... 195
6.2.1 O Direito de Acesso e Permanência dos Sujeitos da Modalidade EJA nos Programas de EJA da FUMEC ... 195
6.2.2 O Direito de Participar: a Atuação da Comunidade Escolar da FUMEC na Reorganização do Programa EJA – Anos Inicias e na Criação dos Programas Consolidando a Escolaridade e Educação Ampliada ao Longo da Vida ... 196
6.2.3 O Direito de Aprender: a Prática Pedagógica da FUMEC ... 198
6.3 A atuação da FUMEC na garantia do direito à educação para os sujeitos da Modalidade EJA no Sistema Municipal de Ensino de Campinas: o olhar dos profissionais da educação ... 199
6.3.1 A Gestão da FUMEC: o direito à educação para os jovens, adultos e idosos nos três Programas de EJA da FUMEC ... 200
6.4 A atuação da FUMEC na garantia do direito à educação para os sujeitos da Modalidade EJA no Sistema Municipal de Ensino de Campinas: o discurso da Gestão da FUMEC e dos profissionais da educação dos Programas de EJA ... 201
6.5 As propostas de ação da FUMEC para a garantia do direito à educação para os Sujeitos da Modalidade EJA no Sistema Municipal de Ensino de Campinas ... 209
CONSIDERAÇÕES FINAIS ... 211
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ... 215
APÊNDICES...231
Apêndice 01...231
Anexo 02. ...237 Anexo 03... 242 Anexo 04...245 Anexo 05. ...246 Anexo 06...247 Anexo 07...248 Anexo 08...249 Anexo 09...250 Anexo 10...251 Anexo 11...252 Anexo 12...253 Anexo 13...257
INTRODUÇÃO
Esta pesquisa de Mestrado foi realizada no âmbito da Fundação Municipal para Educação Comunitária (FUMEC), com o objetivo de verificar se o discurso legal da Fundação garantiu o direito à educação para os alunos da Modalidade Educação de Jovens e Adultos (EJA) do Sistema Municipal de Ensino de Campinas-SP no período de 2013 a 2016. É importante ressaltar que a pesquisa foi submetida e aprovada pelo Comitê de Ética da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) sobre o número 56710916.0.0000.5404 e preservou o anonimato dos sujeitos da pesquisa.
A pesquisa partiu do conceito de direito à educação como um direito humano fundamental para o usufruto dos demais direitos, ou seja, que a pessoa que teve acesso à educação é, normalmente, um cidadão com melhores condições de reivindicar outros direitos como saúde, habitação, condições dignas de trabalho e outros (HADDAD, 2006). O reconhecimento do direito à educação implica na garantia de que todas as pessoas acessem, permaneçam, concluam e continuem sua escolarização.
O direito à educação é uma possibilidade da pessoa se desenvolver plenamente e continuar aprendendo ao longo da vida. A pesquisa compreende que o direito à educação não se resume apenas ao acesso à escola, mas também em criar condições que garantam não só o acesso, mas a permanência, a conclusão e a continuidade dos estudos para todos. Essa pesquisa partiu do pressuposto que a FUMEC desenvolveu seu trabalho no sentido de garantir o direito à educação para os sujeitos da Modalidade EJA no Sistema Municipal de Ensino de Campinas.
Inicialmente, foi realizada uma pesquisa bibliográfica, compreendendo não só a produção acadêmica, mas também os documentos internacionais e nacionais que trataram da garantia ao direito à educação para jovens, adultos e idosos que tiveram, por diversos motivos, este direito negado na idade regular. A pesquisa foi baseada na análise dos documentos oficiais da FUMEC e na aplicação de questionários abertos respondidos pelos Gestores, Diretores Educacionais das Unidades Educacionais de Funcionamento da FUMEC (UEFs) e professores de três Programas da FUMEC que atenderam aos sujeitos da Modalidade EJA no Sistema Municipal de Ensino de Campinas no período da pesquisa. A saber: Programa EJA – Anos Iniciais, Programa Educação Ampliada ao Longo da Vida
e Programa Consolidando a Escolaridade. Para a análise dos dados foram empregados os procedimentos metodológicos da Análise do Conteúdo.
O recorte temporal da pesquisa correspondeu ao período de 2013 a 2016. Em 2014, a FUMEC reorganizou o Programa EJA – Anos Iniciais e, no ano de 2015, criou três Programas no âmbito da Modalidade EJA: Programa Educação Ampliada ao Longo da Vida, Programa Consolidando a Escolaridade e Programa Apoio à Educação1, sendo que este último não fez parte desta pesquisa, porque não tinha como público-alvo os sujeitos da Modalidade EJA, ou seja, não atendia às pessoas jovens, adultas e idosas.
QUESTÃO DA PESQUISA
Como a FUMEC atuou para a garantia do direito à educação para os sujeitos da Modalidade EJA no Sistema Municipal de Ensino de Campinas no período de 2013 a 2016?
OBJETIVO GERAL
Compreender se a FUMEC garantiu o direito à educação para os sujeitos da Modalidade EJA no Sistema Municipal de Ensino de Campinas no período de 2013 a 2016.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS
1. Elencar os documentos oficiais da FUMEC que trataram do direito à educação para os sujeitos da Modalidade EJA, dentro do recorte temporal da pesquisa;
2. Compreender se os documentos oficias da FUMEC garantiram o acesso, a permanência, a conclusão e a continuidade dos estudos para os alunos da Modalidade EJA no município de Campinas no período de 2013 a 2016;
3. Descrever como a FUMEC se organizou para atender os alunos da Modalidade EJA no período analisado;
4. Identificar a reestruturação do Programa EJA – Anos Iniciais;
5. Caracterizar os Programas Educação Ampliada ao Longo da Vida e Consolidando a Escolaridade;
1 Programa Apoio à Alfabetização – para alunos do 1º ao 9º ano do Ensino Fundamental da Rede Municipal de Ensino de Campinas, com defasagem de aprendizagem nas disciplinas de Língua Portuguesa e Matemática, objetivando promover a equalização de conhecimentos, evitar a evasão e a produção de novos analfabetos funcionais (FUMEC, 2017a).
6. Enumerar as Unidades Educacionais e os Locais de Funcionamento das Classes Descentralizadas da FUMEC, no âmbito dos Programas EJA – Anos Iniciais, Educação Ampliada ao Longo da Vida e Consolidando a Escolaridade;
7. Descrever o funcionamento da Campanha de Erradicação do Analfabetismo em Campinas;
8. Identificar se os Gestores, os Diretores Educacionais e os professores dos Programas de EJA da FUMEC, reconheceram a FUMEC como uma instituição que garantiu o direito à educação para jovens, adultos e idosos da Modalidade EJA no Sistema Municipal de Ensino de Campinas dentro do recorte temporal da pesquisa.
METODOLOGIA
O levantamento documental, a aplicação de questionários abertos e a pesquisa bibliográfica foram as bases para a realização desta investigação. Para a análise dos dados coletados nesta pesquisa, foram empregados os fundamentos metodológicos da Análise do Conteúdo com abordagens quantitativas e qualitativas.
Os dados da pesquisa foram coletados através da consulta aos documentos oficiais produzidos pela Secretaria Municipal de Educação e pela FUMEC (SME/FUMEC) no campo da Modalidade EJA. Foram analisadas Leis Municipais, Decretos, Portarias, Resoluções e Comunicados publicados no Diário Oficial do Município de Campinas-SP no período de 2013 a 2016. Neste período, foram promulgados 4.918 documentos oficias, entre Leis, Decretos, Resoluções, Portarias, Comunicados, Ordens de Serviço, Regimentos Internos e Atos.
Quadro 1: Medidas Legais: 01/01/2013 a 31/12/2016 Ano Medidas
Legais
Educação EJA – Anos Finais/SME EJA- Anos Iniciais/ FUMEC 2013 1.206 192 44 51 2014 1.355 212 38 53 2015 1.129 182 61 61 2016 1.228 168 46 57
Fonte: Elaborado pela Autora, com base na pesquisa realizado no site da Biblioteca Jurídica de Campinas-SP. Acesso em: 17. Nov. 2017.
Após a leitura desse material, foram selecionados os documentos oficiais suscetíveis de fornecer informações sobre a FUMEC. Os documentos oficiais utilizados, nessa parte da análise, foram essencialmente: 02 Leis, 04 Resoluções SME/FUMEC, 15
Resoluções FUMEC, 05 Portarias FUMEC, 01 Comunicado e 01 Decreto. Desse modo, o
corpus de análise foi constituído de 25 documentos oficiais2.
A coleta de dados da pesquisa também foi realizada por meio da aplicação de questionários abertos, respondidos por 21 profissionais da FUMEC: Gestora dos Programas de EJA (01); Diretores Educacionais (05); Professores do Programa EJA – Anos Iniciais (05); Professores do Programa Educação ao Longo da Vida (05) e Professores do Programa Consolidando a Escolaridade (05). Os sujeitos foram escolhidos a partir de um estudo prévio da FUMEC e com base no recorte temporal da pesquisa.
É importante ressaltar que dos 21 questionários aplicados, um (01) não foi considerado na análise dos dados, uma vez que o profissional da educação não trabalhava na FUMEC durante o período da pesquisa. Por tal motivo, foram analisados 20 questionários, respondidos pelos profissionais da educação a saber: Gestora dos Programas de EJA (01); Diretores Educacionais (04); Professores do Programa EJA – Anos Iniciais (05); Professores do Programa Educação Ampliada ao Longo da Vida (05); e Professores do Programa Consolidando a Escolaridade (05). A pesquisa foi submetida e aprovada pelo Comitê de Ética da UNICAMP3 e preservou o anonimato dos sujeitos da pesquisa.
O referencial metodológico adotado nesta Dissertação seguiu as direções estabelecidas para Análise de Conteúdo pela professora Laurence Bardin (2009). Para embasar a metodologia foi realizado um levantamento bibliográfico de outros trabalhos acadêmicos que trataram da Análise de Conteúdo como método de pesquisa. Como aporte à abordagem metodológica, foram selecionados os trabalhos de Franco (2005), de Caregnato e Mutti (2006), de Mozzato e Grzybovsky (2011) e de Mafra (2015).
2 Resolução SME FUMEC nº 02/2012 (CAMPINAS, 2012b); Resolução FUMEC nº 02/2012 (CAMPINAS c); Resolução SME/FUMEC nº 05/2012 (CAMPINAS, 2012d); Lei Municipal nº 14.301/2012 (CAMPINAS, 2012e); Resolução FUMEC nº 02/2013 (CAMPINAS, 2013a); Decreto Municipal nº 17.898/2013 (CAMPINAS, 2013b); Resolução FUMEC nº 04/2013 (CAMPINAS, 2013c); Resolução SME/FUMEC nº 05/2013 (CAMPINAS, 2013d); Portaria FUMEC nº 48/2013 (CAMPINAS, 2013e); Resolução FUMEC nº 34/2013 (CAMPINAS, 2013g); Resolução FUMEC nº 05/2013 (CAMPINAS, 2013h); Resolução FUMEC nº 35/2013 (CAMPINAS, i); Resolução FUMEC nº 36/2013 (CAMPINAS, 2013j); Lei Municipal nº 14.795/2014 (CAMPINAS, 2014a); Resolução FUMEC nº 03/2014 (CAMPINAS, 2014b); Portaria FUMEC nº 44/2014 (CAMPINAS, 2014d); Resolução SME/FUMEC nº 01/2015 (CAMPINAS, 2015a); Resolução FUMEC nº 02/2015 (CAMPINAS, 2015b); Resolução FUMEC nº 04/2015 (CAMPINAS, 2015d); Resolução FUMEC nº 07/2015 (CAMPINAS, 2015e); Portaria FUMEC nº 83/2015 (CAMPINAS, 2015f); Resolução FUMEC nº 08/2015 (CAMPINAS, 2015g); Resolução FUMEC nº09/2015 (CAMPINAS, 2015h); Portaria FUMEC nº 96/2016 (CAMPINAS, 2016b); Portaria FUMEC nº 97/2016 (CAMPINAS, 2016c); Resolução FUMEC nº 10/2016 (CAMPINAS, 2016 d) e Comunicado FUMEC nº 20/2016 (CAMPINAS, 2016e).
3 A pesquisa foi submetida e aprovada pelo Comitê de Ética da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) sobre o número 56710916.0.0000.5404.
A Análise do Conteúdo é um instrumento de análise das comunicações, um conjunto de técnicas de investigação que visam desvendar os sentidos ocultos nas mensagens estudadas, ou seja, objetiva a leitura de outro texto por detrás do texto analisado. Para Mozzato e Grzybovsky (2011), a Análise de Conteúdo é um conjunto de técnicas de análise de comunicações que tem como objetivo ultrapassar as incertezas e enriquecer a leitura dos dados coletados. Caregnato e Mutti (2006), definiram a Análise do Conteúdo como:
[...] uma técnica de pesquisa que trabalha com a palavra, permitindo de forma prática e objetiva produzir inferências do conteúdo da comunicação de um texto replicáveis ao seu contexto social. Na AC o texto é um meio de expressão do sujeito, onde o analista busca categorizar as unidades de texto (palavras ou frases) que se repetem, inferindo uma expressão que as representem (CAREGNATO; MUTTI, 2006, p. 682).
Para Franco (2005 p. 13), o “ponto de partida da Análise do Conteúdo é a mensagem, seja ela oral ou escrita, gestual, documental ou provocada”. Para essa metodologia, toda mensagem esconde um sentido que pode e deve ser revelado, cabe ao pesquisador, analisar as mensagens e “descobrir os pequenos vestígios deixados na e pela linguagem e interpretar estas evidências com o objetivo de conhecer e analisar com mais precisão” (Ibidem, p. 13).
Bardin (2009) definiu a Análise do Conteúdo como “uma técnica de investigação que, através de uma descrição objetiva, sistemática e quantitativa do conteúdo manifesto das comunicações” e tem por finalidade a interpretação dessas mesmas comunicações. Apesar do caráter interpretativo da Análise do Conteúdo, o uso das técnicas quantitativas na coleta dos dados, e qualitativas na análise, permitem ao pesquisador estabelecer conclusões significativas a partir dos dados coletados, pois os dados estatísticos permitem que o pesquisador faça as inferências necessárias para a compreensão das mensagens (Ibidem, p. 38).
Os resultados das pesquisas que utilizam a Análise do Conteúdo como metodologia são validados a partir do referencial teórico dos pesquisadores (FRANCO, 2005). Lembrando que o referencial teórico desta pesquisa foi baseado na garantia do direito à educação para os sujeitos da EJA.
Para empregar a metodologia de análise, é imprescindível que o pesquisador elabore um plano de investigação, que antecede a Análise do Conteúdo (FRANCO, 2005).
A atitude interpretativa da Análise do Conteúdo é sustentada por processos técnicos de validação, sendo eles a pré-análise, a codificação, a categorização e a inferência.
A pré-análise consiste na organização do material coletado. Geralmente, nesta fase é realizada a escolha dos documentos submetidos à análise, a formulação das hipóteses e objetivos da pesquisa e a elaboração de indicadores que fundamentem a interpretação final (BARDIN, 2009). Após o delineamento dos objetivos da pesquisa, é necessário a constituição de um corpus. Para Bardin (2009), o corpus é um conjunto de documentos tidos em conta para serem submetidos aos procedimentos analíticos. É importante ressaltar que a constituição do corpus dessa pesquisa foi resultado do levantamento, seleção e análise dos documentos, coletados por meio do levantamento documental e das aplicações dos questionários abertos.
A codificação corresponde ao tratamento do material, corresponde ao processo pelo qual os dados brutos são sistematizados e agregados em unidades de análise. Deste modo, na pré-análise foi estabelecido o recorte dos documentos oficiais e dos questionários a serem analisados e as unidades de registro.
A medida escolhida para a enumeração dos dados foi a frequência, que é a medida mais utilizada em estudos qualitativos. Neste sentido, o aumento da frequência de aparecimento e também a ausência determinam a importância da unidade de análise (MAFRA, 2015). A categorização consiste na classificação dos elementos da análise. Para Bardin (2009):
As categorias são rubricas ou classes, as quais reúnem um grupo de elementos (unidades de registro, no caso da Análise de Conteúdo), sob um título genérico, agrupamento esse efectuado em razão das características comuns destes elementos (BARDIN, 2009, p. 145).
Para categorizar o material, o pesquisador precisa investigar o que cada um deles tem em comum com os outros. O que vai permitir o seu agrupamento é a parte comum existente entre eles (BARDIN, 2009). Para a autora, a categorização dos dados deve levar em consideração os seguintes aspectos:
A exclusão mútua: esta condição estipula que cada elemento não pode existir em
mais de uma divisão;
A homogeneidade: o princípio da exclusão mútua depende da homogeneidade
das categorias. Um único princípio de classificação deve governar a sua organização;
A pertinência: uma categoria é considerada pertinente quando está adaptada ao
material de análise escolhido, e quando pertence ao Quadro teórico definido;
A objectividade e a fidelidade: estes princípios, tidos como muito importantes
no início da história da Análise do Conteúdo, continuam a ser válidos. As diferentes partes de um mesmo material, ao qual se aplica a mesma grelha
categorial, devem ser codificados da mesma maneira, mesmo quando submetidas a várias análises (Ibidem, p. 147-148).
Nesta pesquisa, foi realizada uma análise temática, ou seja, foi utilizado o tema como unidade de registro. A Análise de Conteúdo temática consiste em descobrir os “núcleos de sentido que compõem a mensagem e cuja frequência de aparição podem significar alguma coisa para o objetivo da pesquisa” (Ibidem, p. 131). Também foram selecionadas as unidades de contexto que serviram como uma unidade de compreensão da unidade de registro.
Após a leitura do material coletado, foi possível a categorização do material de análise. Os temas que mais apareceram nos documentos oficiais da SME/FUMEC e nos questionários abertos foram categorizados a partir de algumas aproximações no nível semântico (palavras sinônimas ou com significantes próximos). Seguindo tais orientações, foi formulada a grelha de análise (Quadro 2) com o objetivo de sintetizar e agrupar os diferentes temas que apareceram no tratamento do material analisado.
Quadro 2: Categorias de Análise
Categorias de Análise Subcategorias de Análise Conceitos-chave Categoria 01 - O Direito de
Acesso e Permanência dos Sujeitos da Modalidade EJA nos Programas da FUMEC
A Garantia de Acesso: o atendimento à demanda escolar
Atendimento à demanda escolar; Número de Unidades Educacionais da FUMEC; Número de Locais de Funcionamento da FUMEC; Abertura/fechamento dos Locais de Funcionamento das Classes Descentralizadas; Mapeamento das Unidades Educacionais da FUMEC e Locais de Funcionamento dos Programas de EJA.
A Garantia de Permanência: o apoio à permanência
Iniciativas que garantem a assistência estudantil;
Programa de Transporte Escolar Municipal Gratuito;
Programa Municipal de Alimentação Escolar;
Programa de Fornecimento de Óculos com Lentes Graduadas para os Alunos do Programa EJA – Anos Iniciais;
Educação Especial;
Tratamento nominal de alunos transexuais e travestis no âmbito
do Sistema Municipal de Ensino.
Categoria 02 - O Direito de
Participar: a atuação da comunidade escolar na reorganização do Programa EJA – Anos Iniciais e na criação dos Programas Educação Ampliada ao Longo da Vida e Consolidando a Escolaridade A Garantia do Direito de Participar: a participação da comunidade escolar na reorganização estrutural da FUMEC Organização do trabalho escolar;
Avaliação dos Programas de EJA da FUMEC;
Atribuição dos Locais de Trabalho dos Professores dos Programas de EJA.
Categoria 03 - O Direito de
Aprender: a proposta pedagógica da FUMEC
A Construção da Proposta Pedagógica para a Modalidade EJA: os Projetos Políticos Pedagógicos (PPPs) das Unidades Educacionais da FUMEC (UEFs)
Participação de toda comunidade escolar, nos processos decisórios nas instituições de ensino;
Interação entre os alunos e os professores;
Comissões de Estudo das Regionais da FUMEC;
Comissões de Avaliação dos projetos desenvolvidos no Programa Educação Ampliada ao Longo da Vida;
Comissão para discutir a Gestão Pedagógica dos Programas da FUMEC;
Adequação dos Projetos Político-Pedagógico (PPPs) à realidade dos jovens, adultos e idosos.
O docente na Modalidade EJA: o trabalho, a valorização e a formação continuada dos professores dos Programas da FUMEC
O trabalho docente nos Programas de EJA da FUMEC; A formação continuada dos professores dos Programas de EJA da FUMEC.
Fonte: Elaborado pela Autora com base no corpus de análise4.
4 O corpus foi constituído pelas seguintes legislações: Resolução SME FUMEC nº 02/2012 (CAMPINAS, 2012b); Resolução FUMEC nº 02/2012 (CAMPINAS c); Resolução SME/FUMEC nº 05/2012 (CAMPINAS, 2012d); Lei Municipal nº 14.301/2012 (CAMPINAS, 2012e); Resolução FUMEC nº 02/2013 (CAMPINAS, 2013a); Decreto Municipal nº 17.898/2013 (CAMPINAS, 2013b); Resolução FUMEC nº 04/2013 (CAMPINAS, 2013c); Resolução SME/FUMEC nº 05/2013 (CAMPINAS, 2013d); Portaria FUMEC nº 48/2013 (CAMPINAS, 2013e); Resolução FUMEC nº 34/2013 (CAMPINAS, 2013g); Resolução FUMEC nº 05/2013 (CAMPINAS, 2013h); Resolução FUMEC nº 35/2013 (CAMPINAS, i); Resolução FUMEC nº 36/2013 (CAMPINAS, 2013j); Lei Municipal nº 14.795/2014 (CAMPINAS, 2014a); Resolução FUMEC nº 03/2014 (CAMPINAS, 2014b); Portaria FUMEC nº 44/2014 (CAMPINAS, 2014d); Resolução SME/FUMEC nº 01/2015 (CAMPINAS, 2015a); Resolução FUMEC nº 02/2015 (CAMPINAS, 2015b);
A grelha de análise utilizada neste trabalho foi construída após o trabalho de “garimpagem” do corpus de análise. Foi realizada a contagem dos temas mais frequentes e, posteriormente, foi realizado um agrupamento semântico dos vocábulos e assim, foi possível a categorização dos dados.
Para a análise dos dados foram utilizadas as seguintes categorias e subcategorias: Categoria 01. O Direito de Acesso e Permanência dos Sujeitos da Modalidade EJA nos Programas de EJA da FUMEC (A Garantia de Acesso: o Atendimento à Demanda Escolar;
e A Garantia de Permanência: o Apoio à Permanência); Categoria 02. O Direito de
Participar: a Atuação da Comunidade Escolar da FUMEC na Reorganização do Programa EJA – Anos Inicias e na Criação dos Programas Consolidando a Escolaridade e Educação Ampliada ao Longo da Vida (A Garantia do Direito de Participar: a Participação da
Comunidade Escolar na Reorganização Estrutural da FUMEC); e Categoria 03. O Direito
de Aprender: a Proposta Pedagógica da FUMEC (A Construção da Proposta Pedagógica
para a Modalidade EJA: os Projetos Pedagógicos das Unidades Educacionais da FUMEC e O Docente na Modalidade EJA: O Trabalho, a Valorização e a Formação Continuada dos Professores dos Programas da FUMEC).
Após a realização da pré-análise, da codificação e da categorização do material, o pesquisador deve realizar o tratamento dos resultados da análise, ou seja, a interpretação dos resultados. Para Franco (2005), a finalidade da Análise de Conteúdo é produzir inferências. É a partir da produção de inferências sobre as mensagens analisadas que o pesquisador interpreta os resultados obtidos. Para a autora:
Produzir inferências é, pois, la raison d’etre da Análise de Conteúdo. É ela que confere a esse procedimento relevância teórica, uma vez que implica, pelo menos, uma comparação já que a informação puramente descritiva, sobre o conteúdo é de pequeno valor. Um dado sobre o conteúdo de uma mensagem (escrita, falada e/ou figurativa) é sem sentido até que seja relacionado a outros dados. O vínculo entre eles é representado por alguma teoria. Assim, toda Análise de Conteúdo implica comparações; o tipo de comparação é ditado pela competência do investigador no que diz respeito a seu maior ou menor conhecimento acerca de diferentes abordagens teóricas (Ibidem, p. 26).
Resolução FUMEC nº 04/2015 (CAMPINAS, 2015d); Resolução FUMEC nº 07/2015 (CAMPINAS, 2015e); Portaria FUMEC nº 83/2015 (CAMPINAS, 2015f); Resolução FUMEC nº 08/2015 (CAMPINAS, 2015g); Resolução FUMEC nº09/2015 (CAMPINAS, 2015h); Portaria FUMEC nº 96/2016 (CAMPINAS, 2016b); Portaria FUMEC nº 97/2016 (CAMPINAS, 2016c); Resolução FUMEC nº 10/2016 (CAMPINAS, 2016 d) e Comunicado FUMEC nº 20/2016 (CAMPINAS, 2016e).
As inferências são sempre no sentido de descobrir algo mais nas mensagens. Para Franco (2005, p. 26) o analista do conteúdo está sempre procurando “uma mensagem através do material analisado e necessita de uma metodologia de análise para desvendá-la”.
Após a leitura do material do corpus de análise desta pesquisa resultou na formulação da seguinte inferência: o discurso legal da FUMEC garantiu o direito à educação, por meio de condições de acesso, de permanência, de conclusão e de continuidade de estudos, para os alunos da Modalidade EJA no Sistema Municipal de Ensino de Campinas no período de 2013 a 2016. Desse modo, a inferência produzida nesta pesquisa foi interpretada à luz do referencial teórico que aborda a questão da garantia ao direito à educação para os sujeitos da Modalidade EJA.
Para embasar a pesquisa foram considerados outros documentos oficiais da FUMEC, publicados antes do recorte temporal da pesquisa (2013/2016), a saber: o documento de criação da FUMEC - Lei Municipal nº 5.830/1987; o Estatuto da FUMEC, estabelecido em 2002; e o Regimento Escolar das Unidades Educacionais da FUMEC do 1º Segmento da Educação de Jovens e Adultos, instituído pela publicação da Portaria SME nº 78/2011.
A pesquisa também analisou os dados estatísticos da FUMEC no período de 2013 a 2016, como quantidade de Unidades Educacionais da FUMEC (UEFs), de Locais de Funcionamento das Classes Descentralizadas, de alunos matriculados e de concluintes nos três Programas de EJA da FUMEC (EJA – Anos Iniciais, Educação Ampliada ao Longo da Vida e Consolidando a Escolaridade).
ORGANIZAÇÃO DA DISSERTAÇÃO
Esta Dissertação de Mestrado foi organizada em seis capítulos, precedidos da Introdução e seguidos das Considerações Finais. Na Introdução, foram apresentados o contexto da pesquisa, o recorte temporal, objetivo geral, os objetivos específicos e a metodologia utilizada na análise dos dados.
O Capítulo 01, “O direito à educação para as pessoas jovens, adultas e idosas: o cenário internacional”, apresentou a trajetória do direito à educação presente nos documentos internacionais, tomando como base a Declaração Universal dos Direitos e
Humanos e os acordos internacionais que foram firmados pelos países membros da Organização das Nações Unidas (ONU).
O Capítulo 02, “O direito à educação para os sujeitos da Modalidade Educação de Jovens e Adultos (EJA) no Brasil”, abordou a trajetória dos documentos legais no panorama nacional, por meio da pesquisa bibliográfica e documental, tomando como base as Constituições Federais (1934, 1937, 1946, 1967 e 1988) e outros documentos oficiais que trataram do direito à educação no Brasil, tais como a LDB nº 4.024/1961, a Lei Federal nº 5.692/1971, a LDB nº 9.394/1996, as Diretrizes Curriculares para a Educação de Jovens e Adultos (Parecer CNE/CEB nº 11/2000) e os Planos Nacionais de Educação (2001/2010) e (2014/2024), estabelecidos pelas Leis Federais n° 010172/2001 e nº 13.005/2014, respectivamente.
O Capítulo 03, “A Modalidade EJA no Sistema Municipal de Ensino de Campinas-SP: breve reconstrução histórica da FUMEC” apresentou a trajetória da Fundação, destacando o trabalho desenvolvido pela FUMEC no Sistema Municipal de Ensino de Campinas em prol da garantia do direito à educação para os sujeitos da Modalidade EJA.
O Capítulo 04, “A FUMEC no período de 2013 a 2016: a reorganização do Programa EJA-Anos Iniciais e a criação dos Programas Educação Ampliada ao Longo da Vida e Consolidando a Escolaridade”, descreveu a estrutura dos Programas de EJA da FUMEC no Sistema Municipal de Ensino de Campinas no período de 2013 a 2016, abordando principalmente a reorganização do Programa EJA – Anos Iniciais e a criação dos Programas Educação Ampliada ao Longo da Vida e Consolidando a Escolaridade.
O Capitulo 05, “O direito à educação para os sujeitos da Modalidade EJA no Sistema Municipal de Ensino de Campinas-SP: análise do discurso legal da FUMEC no período de 2013 a 2016”, analisou o discurso legal da FUMEC no que concerne ao direito à educação para os sujeitos da Modalidade EJA no Sistema Municipal de Ensino de Campinas-SP no período 2013 a 2016.
O Capítulo 06, “A atuação da FUMEC na garantia do direito à educação para os sujeitos da Modalidade EJA no Sistema Municipal de Ensino de Campinas-SP: o olhar dos profissionais da educação”, verificou como os Gestores, Diretores Educacionais das UEFs da FUMEC e professores dos Programas de EJA, ora analisados, reconheceram a FUMEC
como uma Instituição de Ensino que garantiu o direito à educação para seus alunos no período de 2013 a 2016.
As Considerações Finais desta Dissertação de Mestrado apresentaram uma síntese da pesquisa e das lições aprendidas no desenvolvimento deste trabalho. As Referências Bibliográficas apontaram os trabalhos acadêmicos e os documentos oficiais, internacionais, nacionais e municipais, que deram o aporte teórico para o desenvolvimento desta pesquisa. Nos anexos foram reunidos os principais documentos disponibilizados pela Gestão dos Programas de EJA da FUMEC (GPEJA) para a realização desta pesquisa.
CAPÍTULO I - O DIREITO À EDUCAÇÃO PARA AS PESSOAS
JOVENS, ADULTAS E IDOSAS: O CENÁRIO INTERNACIONAL
A trajetória da educação para jovens, adultos e idosos é um tema bastante frequente no debate acerca do direito à educação e da garantia de sua efetivação para todos os cidadãos. Este capítulo apresentou uma reconstrução histórica do direito à educação para pessoas jovens, adultas e idosas, tomando como base a Declaração Universal dos Direitos Humanos e os acordos internacionais que foram firmados pelos países membros da Organização das Nações Unidas (ONU), tais como os encontros internacionais sobre a Educação para Todos (EPT) e as Conferências Internacionais de Educação de Adultos (CONFINTEAs), realizadas pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO).
Este capitulo trouxe subsídios para a compreensão do direito à educação no âmbito internacional e para o entendimento de como os textos internacionais contribuíram na formulação das legislações nacionais para a garantia do direito à educação para todos, inclusive para os jovens, adultos e idosos que, por diversos motivos, tiveram este direito negado na idade regular.
1.1. O direito à educação na Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948)
A Declaração Universal dos Direitos Humanos comemorou 68 anos de promulgação no dia 10 de dezembro de 2016. A Declaração foi um dos principais documentos de luta contra a opressão e defendeu a igualdade entre todas as pessoas do mundo. Para Tomazevsky (2006, p. 77), a Declaração constituiu-se como um marco legal que estabeleceu as diretrizes para a concretização dos diretos humanos para todos. Sobre a promulgação da Declaração Universal dos Direitos Humanos, Bobbio (2004) apontou:
Somente depois da Declaração Universal é que podemos ter certeza histórica de que a humanidade- toda a humanidade- partilha de alguns valores comuns; e, podemos, finalmente, crer na universalidade dos valores, no único sentido em que tal crença é historicamente legitima, ou seja, no sentido em que universal significa não algo dado objetivamente, mas subjetivamente acolhido pelo universo dos homens (BOBBIO, 2004, p. 48).
A Declaração Universal dos Direitos Humanos, em seu Artigo 26, estabeleceu o direito à educação como condição básica para os demais direitos. O Artigo 26 da Declaração (1948) estabeleceu:
1. Todo ser humano tem direito à instrução. A instrução será gratuita, pelo menos nos graus elementares e fundamentais. A instrução elementar será obrigatória. A instrução técnico-profissional será acessível a todos, bem como a instrução superior, está baseada no mérito.
2. A instrução será orientada no sentido do pleno desenvolvimento da personalidade humana e do fortalecimento do respeito pelos direitos humanos e pelas liberdades fundamentais. A instrução promoverá a compreensão, a tolerância e a amizade entre todas as nações e grupos raciais ou religiosos, e coadjuvará as atividades das Nações Unidas em prol da manutenção da paz. 3. Os pais têm prioridade de direito na escolha do gênero de instrução que será ministrada a seus filhos (DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS, 1948).
Para Piosevan (2006, p. 19), com a promulgação da Declaração Universal dos Direitos Humanos a comunidade internacional “superou a concepção de que os direitos civis, econômicos e sociais não são direitos legais”. Para a autora, os direitos sociais “são autênticos e verdadeiros direitos fundamentais, acionáveis e exigíveis, por este motivo devem ser reivindicados como direitos, e não como caridade, generosidade ou compaixão” (Ibidem, p. 19). Sobre este assunto, Duarte (2006) complementou:
Já no caso dos direitos sociais, as garantias têm como objetivo visibilizar políticas públicas de acordo com os princípios e as regras estabelecidas nas constituições e documentos internacionais de proteção dos direitos humanos. Os que se posicionam contra a imperatividade dos direitos sociais atribuem à peculiaridade de seu objeto - a realização de políticas públicas – não apenas a inadequação, como também a impossibilidade de criar garantias adequadas à sua proteção (DUARTE, 2006, p. 151).
Para Bobbio (2004), o problema fundamental dos direitos humanos não é tanto o de justificá-los, mas o de garanti-los, sejam eles direitos civis, políticos ou sociais. Sobre este assunto, o autor apontou:
Não se trata de saber quantos são esses direitos, qual é a sua natureza e seu fundamento, se são direitos naturais ou históricos, se são absolutos ou relativos, mas sim qual é o modo mais seguro para garanti-los, para impedir que, apesar das solenes declarações, eles sejam continuamente violados [...].
[...] com efeito, pode-se dizer que o problema do fundamento dos direitos humanos teve sua solução atual na Declaração Universal dos Direitos Humanos aprovada pela Assembleia Geral das Nações Unidas, em 10 de dezembro de 1948 (Ibidem, p. 45-46).
O direito à educação só se efetiva por meio de condições de acesso, de permanência, de conclusão e de continuidades dos estudos para todos. Neste sentido, entendemos que o Estado deve criar condições concretas para a efetivação dele. Para Gadotti (2009):
O direito à educação é reconhecido no Artigo 26 da Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948 como um direito de todos ao ‘desenvolvimento pleno da personalidade humana’. A conquista deste direito depende do acesso generalizado à educação básica, mas o direito não se esgota com o acesso, a permanência e a conclusão desse nível de ensino: ele pressupõe as condições para continuar os estudos em outros níveis (GADOTTI, 2009, p. 17).
O autor ainda complementou:
E não basta oferecer um programa de Educação de Adultos. É preciso oferecer condições de aprendizagem, transporte, locais adequados, materiais apropriados, muita convivência e também bolsas de estudo. Há, em nosso país, muitas bolsas de estudo para pós-graduados que se dedicam, exclusivamente, aos estudos, e nenhum auxílio para os analfabetos que precisam trabalhar para se sustentar e enfrentam as piores condições de estudo (Ibidem, p. 26).
Para Gadotti (2009), o direito à educação é garantido pelo Estado por meio de propostas que garantam a educação para todos, inclusive para os jovens, adultos e idosos, ou seja, o direito à educação não se limita às crianças e jovens (Ibidem, p. 17).
No ano de 2016, a UNESCO divulgou o 3º Relatório Global sobre Aprendizagem e Educação de Adultos. Nesse documento foi apontado que “no ano de 2016, existiam mais de 758 milhões de adultos com baixa escolarização no mundo. Deste contingente, 63% eram mulheres e 115 milhões eram jovens, com idade entre 15 e 24 anos” (UNESCO, 2016, p.08).
Apesar do reconhecimento do direito à educação para todos na Declaração Universal dos Direitos Humanos, os dados apresentados pela UNESCO reforçaram a persistência da exclusão de milhões de pessoas desse direito. De acordo com Tomasevsky (2006, p. 71), “a negação inicial dos direitos humanos às vítimas da exclusão educacional é facilmente convertida em situações que evidenciam sua inferioridade, alimentando a perpetuação da exclusão”. A autora ainda complementou:
O inevitável efeito da exclusão educacional é a falta das habilidades derivadas da educação formal, e a consequente transmissão da privação da geração a geração. Portanto, a negação inicial dos direitos humanos às vítimas da exclusão educacional é facilmente convertida em situações que evidenciam sua inferioridade, alimentando a perpetuação da exclusão (Ibidem, p. 67).
Entendemos que o analfabetismo é a expressão máxima da violação do direito à educação, assim, violar o direito à educação de um indivíduo ou grupo social é negar-lhe um requisito indispensável para a participação plena como cidadão na sociedade. Sobre o assunto, Gadotti (2009) apontou:
O analfabetismo representa a negação de um direito fundamental. Não atender ao adulto analfabeto é negar duas vezes o direito à educação: primeiro, na chamada idade própria; depois, na idade adulta. Não há justificativa ética, nem
jurídica para excluir os analfabetos do direito de ter acesso à educação básica (GADOTTI, 2009, p. 19).
O direito à educação contribui para a dinâmica da sociedade e as possibilidades da transformação social e emancipação dos cidadãos. Neste sentido, concordamos com Haddad (2006, p. 03) que apontou o direito à educação como “a base constitutiva na formação do ser humano, bem como na defesa e composição dos outros direitos econômicos, sociais e culturais”.
A Declaração Universal dos Direitos Humanos colaborou para a orientação de toda comunidade internacional no sentido de reconhecer o direito à educação para todos, inclusive para aqueles que não tiveram acesso ou não concluíram à escolarização na idade própria. Para Bobbio (2004, p. 89), “não existe atualmente nenhuma carta de direitos que não reconheça o direito à educação. ”
Bobbio (Ibidem, p. 90) ainda apontou que a comunidade internacional possui, não só o problema de fornecer as garantias para a efetivação dos direitos humanos, mas também o de aperfeiçoar continuamente o conteúdo da Declaração. Tais problemas foram discutidos pela comunidade internacional, por meio da promoção de encontros e de outros documentos que reafirmaram o conteúdo da Declaração Universal dos Direitos Humanos, sobretudo o direito à educação, tais como: a Convenção Relativa à Luta contra a Discriminação no Campo do Ensino (1960), o Pacto Internacional sobre Direitos Econômicos, Sociais e Culturais (1966), o Protocolo Adicional à Convenção Americana sobre Direitos Humanos em Matéria de Direitos Humanos Econômicos, Sociais e Culturais “Protocolo de San Salvador” (1988), a Convenção sobre os Direitos da Criança (1989) e a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (2007) (RIZZI; SCHUHLI; XIMENES, 2011, p. 18).
No que tange ao direito à educação, a UNESCO trabalhou para que todas as pessoas tenham esse direito garantido. Reforçou a importância da educação na diminuição das profundas desigualdades sociais e econômicas e assumiu o compromisso de estimular à efetivação do direito à educação para todos, inclusive para os jovens, adultos e idosos.
Nesse sentido, foram realizados dois encontros internacionais sobre a Educação para Todos (EPT). O primeiro encontro foi a Conferência Mundial sobre Educação para Todos, em Jomtien, na Tailândia, no ano de 1990. O segundo encontro foi o Fórum Mundial de Educação, em Dakar, no Senegal, em 2000.
1.2. A Conferência Mundial de Educação para Todos (1990) e o Fórum Mundial de Educação (2000)
Em 1990, a UNESCO promoveu a Conferência Mundial de Educação para Todos. O evento aconteceu em Jomtien, na Tailândia, entre os dias 05 e 09 de março de 1990. Nesse encontro, foi estabelecida a Declaração Mundial sobre Educação para Todos: plano de ação com metas para satisfazer as necessidades básicas de aprendizagem5 não apenas dos países que participaram do evento, mas de todo o mundo.
O documento reconheceu a educação como um direito fundamental de todos, e distinguiu as necessidades básicas dos jovens e adultos em relação às necessidades das crianças e adolescentes, além de estabelecer o combate ao analfabetismo e a alfabetização de adultos como indispensável para o desenvolvimento das sociedades (UNICEF, 1990, s.n.).
O Fórum Mundial de Educação (FME) aconteceu em Dakar, no Senegal, entre os dias 26 e 28 de abril de 2000. Dez anos depois da Conferência Mundial de Educação para Todos, o FME reafirmou os compromissos da UNESCO de promover debates sobre o acesso e a qualidade da educação para todos, ou seja, os participantes do FME reafirmaram o compromisso de alcançar os objetivos e as metas da Educação Para Todos (EPT). Na ocasião estabeleceu-se o Marco de Ação de Dakar: Educação para Todos- Cumprindo nossos objetivos coletivos.
O Marco de Ação de Dakar reconheceu a educação como um direito fundamental, compreendido como a chave para o desenvolvimento sustentável, assim como para assegurar a paz e estabilidade dentro de cada país. Reafirmou que todos, independentemente da idade, tinham o direito de se beneficiar da educação (UNESCO, 2000, p. 09).
No Quadro 03 foram apresentados os compromissos estabelecidos pelos países na Conferência Mundial para Educação para Todos (1990) e no Fórum Mundial de Educação (2000):
5“Por iniciativa dos professores Moacir Gadotti, de Carmen Emília Perez e de José Eustáquio Romão, os documentos oficiais da Conferência Mundial de Educação Para Todos foram traduzidos e impressos, com o apoio do escritório da UNICEF no Brasil” (ROMÃO, 1999, p. 20).