UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE CENTRO DE ENSINO SUPERIOR DO SERIDÓ
DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS EXATAS E APLICADAS CAMPUS DE CAICÓ
JEFERSON LUCENA DE MEDEIROS
STARTUPS: Origem no Brasil e o seu regime tributário específico,
com base no Projeto de Lei 321/2012.
CAICÓ – RN 2016
JEFERSON LUCENA DE MEDEIROS
STARTUPS: Origem no Brasil e o seu regime tributário específico,
com base no Projeto de Lei 321/2012.
Monografia apresentada ao Departamento de Ciências Exatas e Aplicadas do Centro de Ensino Superior do Seridó da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, para obtenção do título de Bacharel em Ciências Contábeis.
Orientador (a): Prof. Esp. Celso Luiz Souza de Oliveira.
CAICÓ – RN 2016
JEFERSON LUCENA DE MEDEIROS
STARTUPS: Origem no Brasil e o seu regime tributário específico,
com base no Projeto de Lei 321/2012.
Monografia apresentada ao Departamento de Ciências Exatas e Aplicadas do Centro de Ensino Superior do Seridó da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, para obtenção do título de Bacharel em Ciências Contábeis.
BANCA EXAMINADORA
____________________________________________________ Profº Esp. Celso Luiz Souza de Oliveira - UFRN/CERES
Orientador
_______________________________________________________ Prof.ª Ms. Ricardo Aladim Monteiro - UFRN/CERES
Examinador
________________________________________________________ Prof. Ms. Sócrates Dantas Lopes - UFRN/CERES
Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN Sistema de Bibliotecas - SISBI
Catalogação de Publicação na Fonte. UFRN - Biblioteca Setorial do Centro de Ensino Superior do Seridó - CERES Caicó
Medeiros, Jeferson Lucena de.
Startups: origem no Brasil e o seu regime tributário específico, com base no Projeto de Lei 321/2012 / Jeferson Lucena de Medeiros. - Caicó/RN: UFRN, 2016. 48f.: il.
Orientador: Esp. Celso Luiz Souza de Oliveira. Universidade Federal do Rio Grande do Norte.
Centro de Ensino Superior do Seridó - Campus Caicó.
Departamento de Ciências Exatas e Aplicadas - Curso de Ciências Contábeis. Monografia - Bacharelado em Ciências Contábeis.
1. Startups. 2. Inovação. 3. Tecnologia. I. Oliveira, Celso Luiz Souza de. II. Título.
RN/UF/BS-CAICÓ CDU 657:336.22
Dedico esse trabalho a todos os jovens empreendedores do Brasil e que sonham em abrir seu próprio negócio.
AGRADECIMENTOS
Agradeço, primeiramente, a Deus por ter me proporcionado saúde e ter me tornado uma pessoa de bem. A confecção de um trabalho acadêmico é marcada por companheiros incansáveis, os livros, mas todo o trabalho teve a contribuição de várias pessoas, em especial, a do meu orientador e amigo Professor Celso Luiz por sempre estar de prontidão para me atender. Aproveito e agradeço também aos meus professores Ricardo Aladim e Ney Fernandes por sempre me receberem para outros esclarecimentos com relação ao trabalho.
A minha mãe, por ter sempre me incentivado a ser uma pessoa honesta e determinada nos estudos.
Ao meu pai, que sempre me deu exemplos de fazer as coisas certas e sempre me falar que tudo na vida depende da nossa força de vontade.
A minha avó, mãe Mariquinha, que me criou desde 8 (anos) de idade com toda a atenção e cuidado de mãe.
Ao meu falecido avô, por ter sido uma pessoa maravilhosa em vida e ter me dado apoio quando mais precisei, em momentos difíceis da vida.
Ao meu irmão, Genar Lucena, que me incentivou e ajudou muito no decorrer de toda a minha duração na faculdade com apoio financeiro e de amizade.
A minha namorada e amiga, Fernanda Oliveira, que sempre me estimula ao alcançar meus objetivos.
Por último, e não menos importante, ao meu cachorro bolinha, que em momentos de desespero me ajudava com seus gestos de afeto e carinho de cachorro carente.
“Muitas coisas não ousamos empreender por parecerem difíceis; entretanto, são difíceis porque não ousamos empreendê-las.”
(SÊNECA)
RESUMO
A inovação é um conceito amplamente utilizado no setor de tecnologia para aperfeiçoamento de qualquer negócio. O presente trabalho tem por objetivo realizar um estudo através de uma análise bibliográfica da redação do Projeto de Lei nº 321 de 2012, que tem como intuito trazer um tratamento especial para as startups de tecnologia. O estudo foi realizado com base na pesquisa básica, exploratória, pois as startups de tecnologia são empresas ainda pouco exploradas no mercado brasileiro. Com a análise foi possível identificar que caso o referido Projeto de Lei venha a ser aprovado e com isso ocorra criação do SISTENET haverá um estímulo para uma gama de negócios que ainda estão em ascensão, tornando-os mais desejados, abrindo, assim, espaço para incentivos à criação de outras startups no mercado. Portanto, sua aprovação dará um maior impulso às empresas já existentes, como também àquelas que serão criadas no âmbito das empresas de tecnologia no país.
ABSTRACT
Innovation is a widely used concept in the technology industry for perfecting any business. The present work has the objective of carrying out a study through a bibliographical analysis of the wording of Bill 321 of 2012, which aims to bring a special treatment to technology startups. The study was carried out based on the basic exploratory research, because the technology startups are companies still little explored in the Brazilian market. With the analysis it was possible to identify that if the mentioned Law Bill were approved and with this the creation of SISTENET will take place, there will be a stimulus to a range of businesses that are still in the ascendancy, making them more desired, thus opening space for incentives To the creation of other startups on the market. Therefore, theirs approval will give a boost to existing companies, as well as to those that will be created within the technology companies in the country.
LISTA DE ILUSTRAÇÕES
Figura 01 - Inovação e empreendedorismo ... 20
Quadro 01 – Funções e atividades da contabilidade tributária ... 24
Quadro 02 – Principais atributos sobre a CSLL ... 33
Quadro 03- Principais atributos do COFINS ... 34
Quadro 04- Classificação de atividades do Lucro presumido ... 37
LISTA DE GRÁFICOS
Gráfico 01 - Número de startups de tecnologia por estados ... 15
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS
ABNT Associação Brasileira de Normas Técnicas ART Artigo
Brasscom Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da informação e Comunicação
CF Constituição Federal
CTN Código Tributário Nacional
DARF Documento de Arrecadação da Receita Federal DAS Documento de Arrecadação Simplificada EPP Empresa de Pequeno Porte
GEM Global Entrepreneurship Monitor
ICMS Imposto Sobre Circulação de Mercadoria e Serviços IPI Imposto sobre Produtos Industrializados
IR Imposto de Renda
IRPJ Imposto de Renda Pessoa Jurídica LALUR Livro de Apuração do Lucro Real MEI Micro Empreendedor Individual
SEBRAE Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas
SOLTEX Associação para Promoção da Excelência do Software Brasileiro SRFB Secretária da Receita Federal do Brasil
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO...14
1.1CONTEXTUALIZAÇÃO E PROBLEMÁTICA DO TEMA...14
1.2 JUSTIFICATIVA...16 1.3 OBJETIVOS DA PESQUISA...16 1.3.1GERAL...16 1.3.2 ESPECÍFICOS...16 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA ...18 2.1 EMPREENDEDORISMO...18 2.1.1 EMPREENDEDORISMO NO BRASIL...31
2.1.2 INOVAÇÃO TECNOLÓGICA GERANDO OPORTUNIDADE DE NEGÓCIOS...20
2.1.3 STARTUP...21
2.1.4 STARTUP NA ÁREA DE NOVAS TECNOLOGIAS...22
3 CONTABILIDADE TRIBUTÁRIA...23 3.1 PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO ...24 4 DIREITO TRIBUTÁRIO...24 4.1 ISENÇÃO E IMUNIDADE...25 4.1.1 IMUNIDADE...25 4.1.2 ISENÇÃO...25 4.1.3 INCENTIVOS FISCAIS ...26 4.2 PRINCÍPIOS TRIBUTÁRIOS ...26
4.2.1 PRINCÍPIO DA LEGALIDADE TRIBUTÁRIA ...26
4.2.2 PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE...27
4.2.3 PRINCÍPIO DA ISONOMIA TRIBUTÁRIA ...28
4.2.4 PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO ...28
4.2.5 PRINCÍPIO DA IMUNIDADE TRIBUTÁRIA ...28
4.2.6 PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE TRIBUTÁRIA ...28
4.3 LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA ...29
4.4.1 TAXAS...29
4.4.1.1 Taxas cobradas pela prestação de serviços públicos ...30
4.4.1.2 Taxas pelo exercício do poder de polícia ...30
4.4.2 IMPOSTOS...31 4.4.2.1 IRPJ...31 4.4.2.2 ISS ...32 4.4.3 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS ...33 4.4.3.1 CSLL...33 4.4.3.2 PIS ...33 4.4.3.3 COFINS...34 4.5 REGIMES TRIBUTÁRIOS ...34 4.5.1 SIMPLES NACIONAL...35 4.5.2 LUCRO PRESUMIDO...36 4.5.3 LUCRO REAL...37
5 A IMPORTÂNCIA DOS INCENTIVOS DO ESTADO NOS PEQUENOS NEGÓCIOS, PROGRAMAS DE ICENTIVOS A INOVAÇÃO: START-UP BRASIL E TI MAIOR...38
5.1 PROJETO DE LEI Nº 321/2012: DOS INCENTIVOS...39
5.1.1 O SISTENET (SISTEMA DE TRATAMENTO ESPECIAL PARA AS EMPRESAS DE TECNOLOGIAS)...40
6 METODOLOGIA...41
7 CONCLUSÃO... 43
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1 INTRODUÇÃO
1.1 CONTEXTUALIZAÇÃO E PROBLEMATICA DO TEMA
No modelo de produção capitalista, defende-se como marco histórico referencial a Revolução Industrial do século XVIII. É compreensível notar que a utilização do conhecimento científico foi causador do surgimento de importantes inovações tecnológicas que ocasionaram o aumento da produção e da produtividade. Atualmente, em um cenário econômico mundial, cujas essenciais características presumem-se no aprofundamento do processo da globalização e na gradativa competição entre os países por um lugar no mercado internacional, o domínio científico e a inovação tecnológica tornam-se ainda mais importantes.
Inovação pode ser definida como inserção no mercado de novos produtos, métodos, processos ou sistemas ainda não existentes ou com caraterização nova em comparação com as anteriores, com impactantes repercussões socioeconômicas (LEITÃO; MELO, 2010).
É de fundamental importância não confundir o termo inovação com invenção, apesar de dar uma ideia de sinônimos, mas não são. Invenção é a criação de algo que não existia, já inovação é o melhoramento de algo que já existe. A inovação pode ser dividida em dois tipos: a incremental e a radical. A primeira é a ideia de aprimoramento de tecnologias já existentes e a segunda que também recebe o nome de inovação descontínua ocorre quando algo novo criado coloca as tecnologias anteriores em risco. (ALVES, 2013).
No início dos anos 2000, houve um disparo das empresas “pontocom” no Brasil (DORNELAS, 2012). Em decorrência desse acontecimento, o empreendedorismo no País começou a ser tratado com mais atenção pelo governo, acompanhando o exemplo dos Estados Unidos, lugar onde os empreendedores são os largos impulsionadores da economia. (DORNELAS, 2012).
A Geração y, conceito usado para caracterizar pessoas que nasceram na década de 80 e 90. Essas pessoas são caracterizadas por possuírem afinidades com os recursos tecnológicos, são elas que estão na liderança da nova maneira de fazer negócios, as startups de tecnologia. Nos Estados Unidos, as startups de tecnologia vêm se expandindo desde os anos 90, período da bolha da internet, e o Brasil vem mostrando um potencial a partir dos anos 2000, no entanto, foi nos anos de 2010 e 2011 que ganhou força. (ALVES, 2013).
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Ries (2012, p. 18), empreendedor do Vale do Silício afirma que “uma startup é uma instituição humana desenhada para criar um novo produto ou serviço em condições de extrema incerteza”. Um ponto a se observar nessa definição é que elas são focadas em um produto ou serviço.
O Vale do Silício fica na região da Califórnia, Estados Unidos, local onde está situado um grupo de empresas instaladas a partir da década de 50 com o objetivo de incentivar e produzir inovações científicas.
No Brasil, as startups de tecnologias estão mais presentes segundo a Startupbase12 – plataforma de apoio às startups nacionais, nos estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, com números, respectivamente, de 1.302, 362, e 339. Já no Nordeste o estado que mais se destaca em números dessas empresas é o Pernambuco com 114, seguido do Ceará com número de 68, Paraíba com 31 e Rio Grande do Norte com 28 (STARTUPBASE, 2016).
Gráfico (1): Número de startups de tecnologia por estados.
Fonte: Própria
Pode-se observar que os Estados que mais se destacam em números dessas empresas são os da região Sudeste. Já no Nordeste temos os estados do Ceará e Pernambuco. Vale ressaltar que ainda há uma limitação dessas empresas, no Nordeste.
Atualmente, a tributação das startups de tecnologia é realizada conforme o seu faturamento, podendo ser tributadas pelos regimes tributários comuns que são: SIMPLES Nacional, lucro presumido e lucro real, no entendimento da Lei Complementar n° 116, que dispõe sobre o imposto sobre serviço de qualquer natureza, de competência dos Municípios e do Distrito Federal. As startups se encaixam como empresas de serviços.
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Tendo como base o fato de que as empresas de novas tecnologias (startups) estão cada vez mais comuns e ainda apresentam uma carência de incentivos concretos para atrair investidores, surgiu a relevância de pesquisar sobre: Quais serão as vantagens que os incentivos presentes no Projeto de lei 321/2012 trarão para as startups de tecnologias?
1.1.JUSTIFICATIVA
O presente trabalho justifica-se pelo fato de abordar algo relativamente novo, ainda pouco trabalhado. O tema abordado em questão tem ganhado grande destaque no mercado de trabalho, nos últimos anos. Segundo Gomes, (2013), as startups iniciam apoio ao programa
trainee para preencher a deficiência de profissionais de tecnologia e propalar a cultura
empreendedora que ainda é pouco trabalhada nas universidades do país.
O impacto na sociedade é que quase 80% dos brasileiros concordam em abrir seu próprio negócio, valorizam o sucesso dos empreendedores e acompanham na mídia trajetória de empreendedores bem-sucedidos. (GEM, 2015).
A relevância gerencial do trabalho é expor as mudanças que terá a legislação tributária brasileira para se adaptar e incentivar a criação de novos negócios de tecnologia no Brasil. Dessa forma, essa pesquisa se faz necessária para detalhar como será a abordagem do regime tributário específico com base no Projeto de Lei 321/2012, originado do Senado Federal, que está sendo criado para estimular, através de incentivos fiscais, as startups, na área de novas tecnologias.
1.3 OBJETIVOS DA PESQUISA
1.3.1 GERAL
Identificar as atuais formas de tributações disponíveis para as empresas de novas tecnologias (startups) e novo cenário tributário, caso o Projeto de lei 321/2012 venha a ser aprovado.
1.3.2 ESPECÍFICOS
Revelar quais os benefícios que o Projeto de lei 321/2012 apresentará para as empresas de novas tecnologia (startups) e quais são eles.
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Identificar como as startups de tecnologia se encaixam nos regimes tributários da legislação brasileira vigente.
Explicar os pré-requisitos que as startups de tecnologias precisarão conter para se enquadrarem no SISTENET.
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2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
2.1 EMPREENDEDORISMO
No Capitalismo do século XXI, há praticamente quatro maneiras de um indivíduo constituir rendimentos. Essas quatro formas, segundo Kiyosaki (2001), são: sendo colaborador, mantendo uma relação de emprego, ganhando dinheiro, trabalhando para empresas ou terceiros. Outra maneira é ser autônomo, ou seja, ganhando dinheiro trabalhando para si. E por último, ser investidor lucrando com investimentos. Qualquer pessoa que deu início a um negócio próprio é um empreendedor. Segundo Dolabela (2008), empreendedor é alguém com a capacidade de identificar, agarrar e aproveitar as oportunidades, tentando e gerenciando recursos para transformar as oportunidades em negócios de sucesso.
Conforme Ronstadt (2004, p.29), empreendedorismo pode ser definido como:
O processo dinâmico de criar riquezas. A riqueza é criada por indivíduos que assumem os principais riscos em termos de patrimônio, tempo e/ou comprometimento com a carreira ou que provem valor para algum produto ou serviço. O produto ou serviço pode, ou não, ser novo ou único, mas o valor deve de algum modo ser infundido pelo empreendedor ao receber e localizar as habilidades e os recursos necessários.
Já para GEM (2015), em projeto de pesquisa sem fim lucrativo que tem como meta a geração e divulgação de informações sobre o empreendedorismo no aspecto mundial, define-o como:
Um processo que compreende as diferentes fases de desenvolvimento dos empreendimentos, desde a intenção de iniciar um negócio, passando pelo processo de efetivamente iniciá-lo (empreendedores de negócios nascentes com até três meses) e chegando ao estágio de administrar esse negócio seja em um momento ainda inicial (empreendedores de negócios novos com até 42 meses) ou já estabelecido (empreendedores com negócios estabelecidos).
2.1.1 EMPREENDEDORISMO NO BRASIL
O termo empreendedorismo começou a ficar forte no Brasil em meados dos anos 90, como fortes influências da criação das unidades SEBRAE (Serviço brasileiro de apoio às micro e pequenas empresas) e SOLTEX (Sociedade brasileira para exportação de software).
Segundo Dornelas (2012, p.14),
O Sebrae é um dos órgãos mais conhecidos do pequeno empresário brasileiro, que busca junto a essa entidade todo o suporte de que precisa para iniciar a sua empresa,
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bem como consultorias para resolver pequenos problemas pontuais de seu negócio. O histórico da entidade Soltex pode ser confundido com o histórico do empreendedorismo no Brasil na década de 1990. A empresa foi criada com o intuito de levar as empresas de software do país ao mercado externo, por meio de várias ações que proporcionavam ao empresário de informática a capacitação em gestão de tecnologia.
No decorrer de quase 30 anos, pode-se afirmar que o Brasil chega na segunda década desse novo milênio dispondo de todo potencial para desenvolver um dos maiores programas de incentivo ao ensino do empreendedorismo de todo o mundo, nivelado apenas aos Estados Unidos, lugar onde mais ou menos existem duas mil escolas ensinando empreendedorismo
(GITAHY, 2010)
Segundo Sebrae (2015), o Brasil teve uma taxa de empreendedorismo de 39, 3%, sendo o maior índice registrado nos últimos 14 anos, e, aproximadamente, o dobro do registro em comparação com o ano de 2002, quando apresentava uma taxa de 20,9%. O estudo também revelou que um total de 56% dos empreendedores que estão abrindo ou já abriram uma empresa identificaram uma oportunidade.
Diante dessa realidade, é de extrema importância que um país acompanhe a ideia empreendedora de sua população. Quando as pessoas percebem as oportunidades presentes no local em que empreende notam que possuem a competência de obter proveito dessas oportunidades, ou seja, toda a coletividade é privilegiada, seja na criação de empregos, seja no prolongamento de riquezas do país. (SEBRAE, 2015).
A falta de percepção da importância da administração dos novos modelos de negócios por parte dos empreendedores é uma causa fundamental do insucesso do negócio.
Conforme o SEBRAE (2016), os 10 atributos empreendedores são:
Busca de Oportunidades e iniciativa – desenvolver a capacidade de se antecipar e de criar oportunidades de negócios com novos produtos e serviços; Persistência – desenvolve a habilidade de enfrentar obstáculos para alcançar o sucesso;
Correr riscos calculados – envolve a disposição de assumir desafios e responder por eles;
Exigência de qualidade e eficiência – Relaciona-se com a disposição e a inclinação para fazer sempre mais e melhor;
Comprometimento – Característica que envolve comprometimento pessoal, colaboração com os funcionários e esmero com os clientes;
Busca de informações – características que envolvem a utilização constante de dados e informações sobre clientes, fornecedores, concorrentes e sobre o próprio negócio;
Estabilidade e metas – compreende saber estabelecer objetivos que sejam claros para a empresa, tanto em longo prazo como em curto prazo;
Planejamento e monitoramento sistemático – desenvolve a organização de tarefas de maneira objetiva, com prazos definidos, a fim de que possam ter os resultados medidos e avaliados;
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Persuasão e rede de contatos – engloba o uso de estratégias para influenciar e persuadir pessoas e se relacionar com pessoas chave que possam ajudar a atingir os objetivos do negócio;
Independência e autoconfiança – desenvolve autonomia para agir e manter a confiança no sucesso.
Outras formas relevantes a se considerar são os dois tipos de empreendedorismo e conforme Dornelas (2012, p.28), há essencialmente duas formas:
A primeira seria o empreendedorismo de oportunidade, em que o empreendedor visionário sabe onde quer chegar, cria uma empresa com planejamento prévio, tem em mente o crescimento que quer buscar para a empresa com planejamento prévio, tem em mente o crescimento que quer buscar para a empresa e visa a geração de lucros, empregos e riqueza. Está totalmente ligado ao desenvolvimento econômico, com forte correlação entre os dois fatores. A segunda definição seria o empreendedor de necessidade, em que o candidato a empreendedor se aventura na jornada empreendedora mais por falta de opção, por estar desempregado e não ter alternativas de trabalho.
2.1.2INOVAÇÃO TECNOLÓGICA GERANDO OPORTUNIDADES DE NEGÓCIOS
A vida humana foi revolucionada pela internet, apresentando novas maneira de interação social, como também, trouxe novas oportunidades de fazer mercados. Com a evolução da internet e a sua democratização, criou-se uma nova maneira de fazer negócios, pois vivemos no grande momento dos interesses digitais.
Inovação tecnológica proporciona viabilidade de negócios, pois possibilita a geração de novos mercados consumidores. Antes do surgimento do mercado de microcomputadores pessoais, não existia nenhuma empresa que dominava esse mercado, pois ele ainda não existia. De uma revolução tecnológica surgiu esse novo mercado consumidor e, assim sendo, empresas em todo o mundo passaram a comercializar produtos e serviços a esse mais novo mercado (FERRARI, 2010).
A internet é um ambiente próspero para o crescimento de projetos. Nos dias atuais, qualquer pessoa pode sustentar um site de notícias, uma loja virtual e entre outros é com esse cenário que percebemos a importância do mundo digital, pois ele acaba com as barreiras e exalta amplas ideias.
Porto (2013) explica que na economia digital, os investidores visam estar presentes em negócios que possuem uma representação estratégica no futuro, mesmo que as perspectivas de rentabilidade sejam inferiores a curto e mesmo a médio prazo. Essa disposição para investir e
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a falta de lastro nos fluxos de caixa levam frequentemente à supervalorização de empresas e a movimentos especulativos.
Para Almeida (1990) apud ALVES (2013, p.14), o empresário inovador vê as oportunidades de realização dos negócios lucrativos atuando em negócios de extrema incerteza, ou seja, ele acredita em oportunidades enquanto os outros empresários não creem. Da mesma forma que ele arrisca para que o investimento nesse tipo de negócios dê certo. Ele é o pioneiro e quando obtém sucesso é acompanhado pelos outros.
2.1.3 STARTUP
O termo startup, que provém de “star”, significa “iniciar” e “up” que significa “para o alto”. Essa forma de fazer negócios startups surgiu no período da bolha da internet dos Estados Unidos e difundiu-se na década de 90. No caso do Brasil, esse tipo de empresa demorou um pouco mais para começar a surgir, tendo o seu reconhecimento no Brasil em meados de 1999 a 2001 (DOLABELA, 2008).
Blank e Dorf (2014, p. 48) compreende startup como:
Uma startup não é uma versão menor de uma grande companhia. Uma startup é uma organização temporária em busca de um modelo de negócio escalável, recente e lucrativo. No início, o modelo de negócio de uma startup caracteriza-se pela flexibilidade de ideias e suposições, mas não tem clientes e nada sabe sobre elas.
Já segundo o SEBRAE (2016) define-se startup como:
Uma empresa nova, até mesmo embrionária ou ainda em fase de constituição, que conta com projetos promissores, ligados à pesquisa, investigação e desenvolvimento de ideias inovadoras. Por ser jovem e estar implantando uma ideia inovadora no mercado, outra característica das startups é possuir risco envolvido no negócio. Mas, apesar disso, são empreendimentos com baixos custos iniciais e são altamente escaláveis.
Embora as startups estejam em expansão no Brasil, ainda falta um regime tributário específico, fazendo com que facilite a regularização dessas empresas. Atualmente, as empresas de tecnologia da informação sujeitam-se aos regimes de tributação comuns, previstos na legislação que são: lucro real, lucro presumido e Simples Nacional. (SEBRAE, 2015)
As startups podem se enquadrar entre essas três formas de regimes tributários. O que vai determinar em qual regime essa empresa se encaixa é o seu estágio de negócio, a sua área
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de atuação e por último e mais importante o seu lucro, pois uma forma pode se tornar mais interessante que a outra. (COSTA et al., 2014). Dessa forma, é sempre importante consultar seu contador para assim descobrir a sua melhor opção diante desses três regimes tributários.
2.1.4 STARTUP NA ÁREA DE NOVAS TECNOLOGIAS
Durante o Fórum Econômico Mundial (2016), que aconteceu no mês de janeiro na comuna de Davos, localizada na Suíça, houve a apresentação de um levantamento que prevê a criação de dois milhões de postos de trabalho até 2020. Desses postos, grandes partes vão para o setor de tecnologia da informação (SEBRAE, 2016).
A ocorrência desse movimento tem sido chamada de a Quarta Revolução Industrial. O Brasil foi um dos países entre os 15 pesquisados e também deve acompanhar essa nova perspectiva, como já vem apontando as avaliações nesse segmento de mercado no país. (SEBRAE, 2016).
Segundo a Catho consultoria (2015), a existência de vagas no ramo de tecnologia da informação cresceram 44,2% só em 2015. Isso mostra a importância de o Brasil investir em uma melhor adequação tributária e estabelecer incentivos fiscais para startups do ramo de tecnologia.
Ainda de acordo com a Associação Brasileira de Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (BRASSCOM), o Brasil irá empregar até o fim do ano de 2016, cerca de 1,3 milhões de profissionais de tecnologia da informação. Em meio ao gradativo e progressivo cenário de avanços tecnológicos, são aguardados novos modelos de negócios e várias mudanças no seu conjunto de habilidades (SEBRAE, 2016).
3 CONTABILIDADE TRIBUTÁRIA
Várias empresas não sobrevivem ao seu primeiro ano de vida, em decorrência de não saber em qual regime tributário se encaixa melhor. Com isso, a contabilidade tributária mostra a sua grande importância para as empresas que estão iniciando suas atividades.
Oliveira (2007, p. 235) conceitua contabilidade tributária como:
Especialização da contabilidade que tem como principais objetivos o estudo da teoria e a aplicação prática dos princípios e normas básicas da legislação tributária.
Ramo da contabilidade responsável pelo gerenciamento dos tributos incidentes nas diversas atividades de uma empresa, ou grupo de empresas, adaptando ao
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dia-a-dia empresarial as obrigações tributárias, de forma a não expor a entidade às possíveis sanções fiscais e legais.
Conforme observado no conceito, a contabilidade tributária é de extrema importância para uma empresa, cabendo o papel não só de evitar que a empresa sofra sanção fiscal e legal, mais atuando também de forma planejada e com responsabilidade, pois qualquer falha que acontecer na tributação de uma empresa pode ocasionar um enorme valor pago nos impostos devidos.
Oliveira (2007) detalhou as funções da contabilidade tributária em um quadro, observe-se.
Quadro (1)- Funções e atividades da contabilidade tributária
Escrituração e controle Orientação Planejamento tributário
Escrituração fiscal das atividades do dia-a-dia da empresa e dos livros fiscais;
apuração dos tributos a recolher, preenchimento das guias de recolhimento e remessa para o departamento de contas a pagar; controle sobre os prazos para os recolhimentos; assessoria para a correta apuração e registro do lucro tributável do exercício social, conforme os princípios fundamentais de contabilidade; assessoria para o correto registro contábil das provisões relativas aos tributos a recolher.
Orientação, treinamento e
constante supervisão dos
funcionários do setor de impostos; orientação fiscal para as demais unidades da empresa (filiais, fábricas, departamentos) ou das empresas controladas e coligadas, visando padronizar procedimentos
Estudo das diversas
alternativas legais para a redução da carga fiscal, tais como:
Todas as operações em que for possível o crédito tributário, principalmente, em relação aos chamados
impostos não
cumulativos ICMS e IPI;
Todas as situações em que for possível o deferimento (postergação) dos recolhimentos dos impostos, permitindo melhor gerenciamento do fluxo de caixa; Todas as despesas e provisões permitidas
pelo fisco como
dedutíveis da receita. Fonte: Oliveira et al (2007, p.37)
3.1 PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO
O planejamento tributário é uma forma de se analisar condutas, comissivas ou omissivas, da pessoa física ou jurídica, que são realizadas antes ou depois da ocorrência do fato gerador com o objetivo de diminuir, transferir ou postergar legalmente e licitamente a obrigação dos tributos (YOUNG, 2011).
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Processo de implementação de alternativas lícitas para a economia total ou parcial de tributos, sem a adoção de processos judiciais prévios, ou seja, mediante consultas ao fisco, opções de classificação contábil e aproveitamento das vantagens e benefícios da própria legislação fiscal, nem sempre usufruídas pelas empresas.
Podemos observar que o planejamento tributário é a maneira mais importante e correta da empresa alcançar e poder desfrutar dos benefícios previstos na legislação de forma legal para a redução de tributos.
4 DIREITO TRIBUTÁRIO
Segundo Sabbag (2013, p.40):
O direito, objetivamente, é o considerado de regras de conduta coativamente impostas pelo Estado. Na clássica conceituação de lhering, é o complexo das condições existenciais da sociedade, asseguradas pelo Poder Público. Em última análise, o Direito se traduz em princípios de conduta social, tendentes a realizar justiça.
Já em relação ao termo qualitativo “tributário”, observa-se que a doutrina tem se empenhado com persistência à obtenção do conceito perfeito para o Direito Tributário. Entre várias tentativas de definição disponíveis na seara dogmática, mudando alguns pontos, conservam-se os fundamentos da estrutura da definição, nessa subdivisão do Direito. (SABBAG, 2013).
Para Souza (2013) apud SABBAG (2013, p. 40),
O Direito Tributário é o ramo do direito público que rege as relações jurídicas entre Estado e os particulares, decorrentes de atividade financeira do Estado no que se refere a obtenção de receitas que correspondam ao conceito de tributos
4.1 ISENÇÃO E IMUNIDADE TRIBUTÁRIA
4.1.1 IMUNIDADE
Conforme Alexandre (2012), imunidades nada mais são do que limitações constitucionais ao poder de tributar que consiste na delimitação da competência tributária constitucional, conferida aos entes políticos.
Tôrres (2005, p. 643), define:
Imunidade consiste em vedação constitucional ao poder de tributar. Há um obstáculo ao nascimento da obrigação tributária. Em função da norma constitucional, o legislador fica impedido de tributar certas pessoas, coisas ou atividades,
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estabelecidas pela constituição. A imunidade não é alterável, suprível ou redutível por lei ordinária, decorre de comando constitucional.
4.1.2 ISENÇÃO
A isenção consiste em favor concedido em lei, com relação ao sentido de dispensar o contribuinte do pagamento do tributo. Há nascimento do crédito tributário, mas o que ocorre é que o tributo deixa de ser exigido em decorrência da lei. O que seria tributo deixaria de ser em razão da norma desonerária. A isenção poderá ser concedida por prazo indeterminado ou certo (TORRÊS, 2005).
Vale destacar que a diferença entre isenção e imunidade prescinde de que a imunidade é decorrente do texto constitucional, ou seja, não chega ao nascimento da obrigação tributária; já a isenção tem seu surgimento decorrente de pessoa política competente (União, Estado e Município).
4.1.3 INCENTIVOS FISCAIS
Segundo Silva, Elali e Peixoto (2007) para fim de regular as atividades extrafiscais, os incentivos fiscais, que são conhecidos por diversas termologias, têm sido uma forma muito utilizada nos dias atuais, principalmente, nos países em desenvolvimento.
Vinhas (2006, p. 08) apud Silva, Elali e Peixoto ( 2007, p. 19) define:
Em uma primeira abordagem, ao menos para saciar o desejo de uma definição, vemos que os “incentivos fiscais” são instrumentos de desoneração tributária, aprovados pelo próprio ente político autorizado à instituição do tributo, através de veículo legislativo específico, com o propósito de estimular o surgimento de relações jurídicas de cunho econômico.
Para Brasil(1988,art. 150):
Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:
§ 6º Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, § 2.º, XII, g. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993).
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4.2.1 PRINCÍPIO DA LEGALIDADE TRIBUTÁRIA
O princípio da legalidade tributária é multissecular, com presunção inaugural na Carta Magna inglesa, do ano de 1215, no reinado de Rei João Sem Terra. (SABBAG, 2013).
Pelo princípio da legalidade, há a garantia de que nenhum tributo será embasado, nem aumentado, a não ser conforme a Lei. (MACHADO, 2007). A Constituição Federal traz no exposto que: “Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios I - exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça;” (BRASIL, 1998, art. 150).
É importante a observação de que se somente a lei pode criar, apenas a lei pode aumentar, exceto casos de ressalva expressos na Constituição Federal.
4.2.2 PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE
O princípio da anterioridade dependendo do direito que está sendo estudado, pode ter diferentes entendimentos.
No direito tributário, entende-se por princípio da anterioridade a criação ou aumento do tributo que devem ter ocorrência antes do início do exercício no qual é cobrado, com isso a respectiva lei terá um intervalo de vacância de pelo menos 90 dias. Dessa forma, o tributo passa a ser devido a partir do primeiro dia do exercício financeiro (MACHADO, 2007).
Há exceções no princípio da anterioridade, segundo Amaro (2010, p. 148):
Entre as exceções ao enunciado do art. 150, III, b, temos tributos que, por atenderem a certos objetivos extrafiscais (política monetária, política de comércio exterior), necessitam de maior flexibilidade e demandam rápidas alterações. Por isso, o imposto de importação, o imposto de exportação, o imposto sobre produtos industrializados, os impostos sobre operações de crédito, câmbio, seguro e operações com títulos e valores mobiliários (além de comportarem exceção ao princípio da estrita reserva legal, no sentido de poderem ter suas alíquotas alteradas por ato do Poder Executivo, dentro de limites e condições definidas em lei) podem ser aplicados no próprio exercício financeiro em que seja editada lei que os tenha criado ou aumentado (ou em que tenha sido publicado ato do Poder Executivo que haja majorado a alíquota).
O fato desses tributos serem para garantir os direitos sociais de todos, resulta nas exceções citadas acima.
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O Princípio da isonomia tributária que também é conhecido como igualdade tributária, está exposto no art. 150 II da Constituição Federal.
Brasil (1988, art.150):
Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à união, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (EC nº 3/93 e EC nº 42/2003).
(...)
II- instituir tratamento desigual entre contribuintes que se encontre em situação equivalente, proibida qualquer distinção em razão de ocupação profissional ou função por eles exercidas, independente da denominação jurídica dos rendimentos, títulos ou direitos.
Pelo exposto, todos são iguais perante a lei sem nenhum tipo de distinção. Esse princípio mostra que a cobrança de tributos é igualitária, sem haver uma distinção do agente passivo.
4.2.4 PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO
Segundo Brasil (1988, art.150), “Art. 150- Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedada à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: IV – Utilizar tributo com efeito confisco”.
Contudo, a limitação é conforme o caso. Não há uma certa limitação objetiva, com parâmetros cartesianos, com delimitação do que vem a ser uma tributação excessiva no Brasil. A aferição do aniquilamento da riqueza tributável compete ao Poder Judiciário, quando provocado pelo contribuinte prejudicado, no caso concreto. (SABBAG, 2005).
É importante destacar que o “confisco” pode ser causado, em meio de tributação anômala, ainda que o tributo impeça em sua saliência a exigência de valores razoáveis.
4.2.5 PRINCÍPIO DA IMUNIDADE TRIBUTÁRIA
O princípio da imunidade tributária significa que qualquer não incidência de um tributo deverá estar prevista na Constituição Federal.
Sabbag (2005, p. 47) define que:
As imunidades representam uma delimitação negativa da competência tributária. Como a competência tributária representa o mister legiferante de criação de tributos, pode-se dizer que a regra imunitária se traduz em elemento de “incompetência tributária”.
Há determinados “campos competências” nos quais não poderá haver a tributação: são áreas de incompetência tributária, delimitadoras de zonas de intributalidade.
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4.2.6 PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE TRIBUTÁRIA
Em matéria de tributos, a Constituição Federal expõe preceito específico, ao vedar a cobrança de tributos (AMARO, 2010).
De acordo com Brasil (1988, art.150),
Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (EC nº 3/93 e EC nº 42/2003)
(...)
III- Cobrar tributos:
a) Em relação a fatos geradores ocorridos antes do início da vigência da lei que os houver instituído ou aumentado.
Porém, nota-se que o texto não é coerente ao falar de fatos geradores. O fato anterior à vigência da lei que institui tributo não é gerador. Pois só se pode falar em fato gerador anterior à lei quando esta aumenta e não institua tributo. (AMARO, 2010).
4.3 A LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA
Conforme o CTN (LEI n° 5.172/66) no seu artigo 96, legislação tributária é: “Art. 96. A expressão legislação tributária compreende as leis, os tratados e convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes”.
É importante observar que houve várias alterações na legislação tributária no decorrer dos anos.
4.4 TRIBUTO
O Código Tributário Nacional, no seu art. 3º trouxe o conceito do termo tributo. “tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada”.
Para Ataliba (2005), apud Peixoto; Diniz (2005, p. 35):
Tributo é o objeto da relação tributária, é o comportamento consistente em levar dinheiro aos cofres públicos. Este dinheiro, levado aos cofres públicos, por força de de lei tributária, recebe vulgarmente a designação de tributo. Juridicamente, porém, tributo é a obrigação de levar dinheiro e não o dinheiro em si mesmo.
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4.4.1 TAXAS
As taxas são uma maneira de o sujeito passivo remunerar o Estado pela realização de uma atividade especificamente voltada a ele como contribuinte. As taxas estão sempre vinculadas intrinsecamente a uma atividade de cunho estatal. (BARREIRINHAS, 2006).
Não há a possibilidade de cobrança de taxa sem que antes tenha ocorrido uma efetiva atividade estatal, mesmo sendo possível a sua cobrança ainda que o serviço público não seja utilizado pelo contribuinte, mas estando ela a sua disposição.
Brasil (1988, art.145):
Art. 145. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão instituir os seguintes tributos:
(...)
II – taxas, em razão do exercício do poder de polícia ou pela utilização efetiva ou potencial, de serviços públicos específicos e divisíveis, prestados ao contribuinte ou postos a sua disposição;
4.4.1.1 Taxas cobradas pela prestação de serviços públicos
É de extrema necessidade dizer que os serviços públicos ocasionadores de taxas são aqueles cujo abrangem no âmbito das atribuições da pessoa política a qual institui o gravame, conforme as regras constitucionais (CARVALHO, 2013).
Conforme o Art. 77 do Código Tributário Nacional (1996)
Art. 77. As taxas cobradas pela União, pelos Estados, pelo Distrito Federal ou pelos Municípios, no âmbito de suas respectivas atribuições, têm como fato gerador o exercício regular do poder de polícia, ou a utilização, efetiva ou potencial, de serviço público específico e divisível, prestado ao contribuinte ou posto à sua disposição.
Da mesma forma como a taxa de polícia somente se justifica pelo exercício frequente da atuação do poder de polícia, na esfera de competência própria, só há reconhecimento da taxa de serviço se esta se inserir no âmbito da competência da entidade política tributante (CTN, 1966, art. 80).
4.4.1.2 Taxa pelo exercício do poder de polícia
O Código Tributário Nacional (1966, art.78) traz de maneira detalhada o conceito de poder de polícia.
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Art. 78 Considera-se poder de polícia atividade da administração pública que, limitando ou disciplinando direito, interesse ou liberdade, regula a prática de ato ou abstenção de fato, em razão de interesse público concernente à segurança, à higiene, à ordem, aos costumes, à disciplina da produção e do mercado, ao exercício de atividades econômicas dependentes de concessão ou autorização do Poder Público, à tranquilidade pública ou ao respeito à propriedade e aos direitos individuais ou coletivos.
Existem certos direitos em que o exercício deve ser conciliado com o interesse público, ou seja, cabe ao Estado fiscalizar a atuação do indivíduo. A construção de um prédio ou a instalação de uma empresa deve respeitar às leis de zoneamento, segurança, entre outras (AMARO, 2010).
4.4.2 IMPOSTOS
Entende-se imposto como uma espécie de tributo cujo valor é pago em moeda nacional, por pessoas físicas e jurídicas. O Código Tributário Nacional no seu art. 16, traz conceito de imposto: “Art. 16. Imposto é o tributo cuja obrigação tem por fato gerador uma situação independente de qualquer atividade estatal específica, relativa ao contribuinte”. (CTN, 1966).
Os impostos se dividem em indiretos e diretos. Para Peixoto e Diniz (2005, p. 44) o imposto direto:
Quando em uma só pessoa se reúnem as condições de contribuinte de fato (aquele que arca com o ônus representado pelo tributo) e de direito (aquele que é responsável pelo cumprimento de todas as obrigações tributárias previstas na legislação). Exemplo de imposto direto é o de renda devido por declaração, onde a relação jurídico-tributária se estabelece diretamente entre sujeitos ativos e passivos, sem interferência de terceiros.
Esse tipo de imposto tem incidência sobre as transações de serviços e mercadorias, tendo a sua base tributária os valores das compras e das vendas.
Peixoto e Diniz (2005, p. 44) conceitua impostos indiretos como:
Quando existe uma pessoa que contribui e outra que, perante o sujeito ativo da relação, deve cumprir com as obrigações de controlar, arrecadar e recolher o tributo, ficando responsável pelo débito caso não proceda como a legislação lhe ordena. É o caso do imposto de circulação de mercadorias que tem como contribuinte de fato o consumidor final da mercadoria e de contribuinte de direito o comerciante, o industrial ou o produtor. Este aspecto dos impostos tem importância fundamental na solução dos problemas de restituição do indébito tributário.
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São contribuintes do IRPJ as pessoas jurídicas e pessoas físicas a elas niveladas, domiciliadas no país. O IRPJ é apurado com base no lucro, podendo ser real, presumido ou arbitrado. A alíquota do IRPJ é de 15% em cima do lucro apurado.
Barreirinhas (2006, p. 28), define-o:
Preliminarmente, destacamos o cuidado do constituinte em fixar, para fins de IR, o princípio da generalidade, pelo qual o imposto de renda atinge todos, sem distinção em razão da ocupação profissional ou função exercida (art. 150, II, da CF) e o princípio da universalidade, pelo qual o imposto atinge a todas as rendas e proventos apurados em determinado período. Ademais, é obrigatória, no IR, a observância do princípio da progressividade de suas alíquotas.
De acordo com Brasil (CTN, 1966):
Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica:
I - de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos;
II - de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior.
§ 1o A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do
rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001)
§ 2o Na hipótese de receita ou de rendimento oriundos do exterior, a lei
estabelecerá as condições e o momento em que se dará sua disponibilidade, para fins de incidência do imposto referido neste artigo. (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001). 4.4.2.2 ISS
O ISS é um imposto de competência dos Municípios do Distrito Federal, tendo como o seu fato gerador o fornecimento de serviços constantes na lista agregada à Lei Complementar 116/2003, mesmo que não haja constituição como atividade predominante do prestador do serviço.
Segundo Brasil (LC nº 116, de 31 de julho de 2003, art.1º),
Art. 1o O Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza, de competência dos
Municípios e do Distrito Federal, tem como fato gerador a prestação de serviços constantes da lista anexa, ainda que esses não se constituam como atividade preponderante do prestador.
§ 1o O imposto incide também sobre o serviço proveniente do exterior do País ou
cuja prestação se tenha iniciado no exterior do País.
§ 2o Ressalvadas as exceções expressas na lista anexa, os serviços nela mencionados
não ficam sujeitos ao Imposto Sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação – ICMS, ainda que sua prestação envolva fornecimento de mercadorias.
§ 3o O imposto de que trata esta Lei Complementar incide ainda sobre os serviços
prestados mediante a utilização de bens e serviços públicos explorados economicamente mediante autorização, permissão ou concessão, com o pagamento de tarifa, preço ou pedágio pelo usuário final do serviço.
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§ 4o A incidência do imposto não depende da denominação dada ao serviço
prestado.
A alíquota máxima do ISS é expressa no art. 8º da Lei Complementar n° 116. (BRASIL, 2003, art. 8º).
Art. 8o As alíquotas máximas do Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza são
as seguintes: I – (VETADO)
II – demais serviços, 5% (cinco por cento)
Alíquota mínima do ISS é expressa pela Emenda Constitucional n° 37 (BRASIL, 2002, art.88):
Art. 88. Enquanto lei complementar não disciplinar o disposto nos incisos I e III do § 3º do art. 156 da Constituição Federal, o imposto a que se refere o inciso III do caput do mesmo artigo:
I – terá alíquota mínima de dois por cento, exceto para os serviços a que se referem os itens 32, 33 e 34 da Lista de Serviços anexa ao Decreto-Lei nº 406, de 31 de dezembro de 1968;
II – não será objeto de concessão de isenções, incentivos e benefícios fiscais, que resulte, direta ou indiretamente, na redução da alíquota mínima estabelecida no inciso I;
A Lei Complementar n° 116 de 2006, ainda não disciplinou o inciso I e III do artigo 3° da Constituição Federal, sendo assim, o imposto o qual se refere o inciso III terá alíquota de 2%.
Observe-se o que diz Brasil (1988, art.156):
Art. 156. Compete aos Municípios instituir impostos sobre:
§ 3º Em relação ao imposto previsto no inciso III do caput deste artigo, cabe à lei complementar:(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 37, de 2002)
4.4.3 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS
4.4.3.1 CSLL
Conforme Sabbag (2013), a CSLL é aplicada nas normas de apuração e pagamento determinadas pelo Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ).
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Quadro (2)– Principais atributos sobre a CSLL.
Contribuição para Seguridade Social (CSLL) Contribuição Social sobre o Lucro Líquido.
Previsão Art. 195, I, “C” c/c art. 28 da Lei n. 9430/96
Fato Gerador Aferimento de lucro
Base de Cálculo Lucro, após certos ajustes (alíquota: 9%)
Sujeito Passivo Pessoas Jurídicas ou equiparadas
Sujeito Ativo Secretária da Receita Federal do Brasil (SRFB)
Fonte: Sabbag (2013, p. 546) 4.4.3.2 PIS
O PIS foi criado com base na Lei Complementar nº 07 de 1990, que traz o PIS com a seguinte definição:
Art. 1.º - É instituído, na forma prevista nesta Lei, o Programa de Integração Social, destinado a promover a integração do empregado na vida e no desenvolvimento das empresas. § 1º - Para os fins desta Lei, entende-se por empresa a pessoa jurídica, nos termos da legislação do Imposto de Renda, e por empregado todo aquele assim definido pela legislação trabalhista. § 2º - A participação dos trabalhadores avulsos, assim definidos os que prestam serviços a diversas empresas, sem relação empregatícia, no Programa de Integração Social, far-se-á nos termos do Regulamento a ser baixado, de acordo com o art. 11 desta Lei.
Com base na leitura da lei podemos concluir que o PIS foi criado para garantir a integração social dos trabalhadores, garantindo assim o desenvolvimento das empresas nas quais estão inseridos.
4.3.3.3 COFINS
COFINS é uma contribuição social a grau federal que é calculada sobre a receita bruta da empresa.
Para Brasil (LC nº 70, de 30 de dez. De 1991, art. 1º),
Art. 1° Sem prejuízo da cobrança das contribuições para o Programa de Integração Social (PIS) e para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep), fica instituída contribuição social para financiamento da Seguridade Social, nos termos do inciso I do art. 195 da Constituição Federal, devida pelas pessoas jurídicas inclusive as a elas equiparadas pela legislação do imposto de renda, destinadas exclusivamente às despesas com atividades-fins das áreas de saúde, previdência e assistência social.
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Quadro (3) - Principais atributos do COFINS
Contribuição Social para a Seguridade Social Contribuição para financiamento da Seguridade Social (COFINS)
Previsão Art. 195, I, “b”, CF c/c Lei n. 10.833/2003
Fato gerador Aferimento de faturamento mensal
Base de cálculo Faturamento mensal ou receita bruta mensal, após a
dedução das parcelas do faturamento (art. 1º, 2°, da Lei n. 10.833/2003. A alíquota será de 7,6% (art.2º)
Sujeito passivo Pessoas jurídicas de Direito privado e as que lhes são
equiparadas (nos termos da legislação do IR)
Sujeito ativo Secretária da Receita Federal do Brasil
Fonte: Sabbag (2013, p. 546).
4.5 REGIME TRIBUTÁRIO
O regime tributário é designado como um aglomerado de leis que regem os tributos que devem ser pagos ao governo. Na legislação brasileira há três opções de regimes tributários que são elas: Lucro real, Lucro presumido e Simples Nacional.
4.5.1 SIMPLES NACIONAL
O Regime especial unificado de arrecadação de tributos e contribuições devidos pelas microempresas e empresas de pequeno porte, chamado de Simples Nacional, é um regimento tributário diferente, com aplicação às pessoas jurídicas, classificadas como microempresas (MEI) e empresas de pequeno porte (EPP), na definição da Lei Complementar n° 123/2006 (SANTOS; BARROS,2012).
Conforme instituído no art 3º. Da Lei Complementar 123/2006, com as modificações ocasionadas pela Lei Complementar 139/2011. (BRASIL, 2006).
Art. 3º Para os efeitos desta Lei Complementar, consideram-se microempresas ou empresas de pequeno porte, a sociedade empresária, a sociedade simples, a empresa individual de responsabilidade limitada e o empresário a que se refere o art. 966 da Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil), devidamente registrados no
Registro de Empresas Mercantis ou no Registro Civil de Pessoas Jurídicas, conforme o caso, desde que:
I - no caso da microempresa, aufira, em cada ano-calendário, receita bruta igual ou inferior a R$ 360.000,00 (trezentos e sessenta mil reais); e
II - no caso da empresa de pequeno porte, aufira, em cada ano-calendário, receita bruta superior a R$ 360.000,00 (trezentos e sessenta mil reais) e igual ou inferior a R$ 3.600.000,00 (três milhões e seiscentos mil reais).
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Segundo Santos e Barros (2012, p. 78): “Esse sistema constitui-se em uma forma simplificada e unificada de recolhimento de tributos, por meio da aplicação de percentuais favorecidos, incidentes sobre uma única base de cálculo, a receita bruta.”
No entendimento da Lei Complementar 123/2006 a realização da apuração dos impostos no regime do Simples Nacional realizar-se-á dependendo da atividade da empresa, sendo assim, alíquota calculada de maneira diferenciada.
Sempre há dúvidas de como ajustar as empresas de tecnologias no regime do Simples Nacional, ou seja, qual é o melhor anexo para enquadrar as atividades de tecnologias. Por muitos anos, a tributação das startups de tecnologias eram limitadas ao lucro real ou lucro presumido, cuja carga tributária é maior que as adotadas no regime simplificado. É importante destacar que o enquadramento das startups de tecnologia dependerá do seu faturamento e suas atividades exercidas.
O DAS é o documento em que é dada a arrecadação de todos os impostos dos entes federativos. Ele é utilizado por empresas optantes pelo Simples Nacional. Para a empresa se enquadrar na Lei do Simples Nacional é preciso que o seu faturamento de 12 meses não ultrapasse o limite de R$ 3.600.000,00 (Três milhões e seiscentos mil reais).
Com base na Lei Complementar 123/2006, o enquadramento das startups de tecnologia, nos anexos do Simples Nacional, vai depender das atividades e serviços prestados pela empresa.
4.5.2 LUCRO PRESUMIDO
A grande diferença do Lucro Presumido para o Simples Nacional é que a arrecadação dos impostos é feita de forma separada. Nesse regime há a simplificação da contribuição social e o do imposto de renda.
Segundo Oliveira (2014, p. 199), o Lucro Presumido é “uma forma simplificada de apuração da base de cálculo dos tributos com o imposto de renda e da contribuição social, restrita aos contribuintes que não estão obrigados ao regime de apuração de tributação com base no Lucro Real.”
As empresas que decidam optar por esse regime de tributação na apuração do imposto de renda e da contribuição social não estão obrigadas a possuir escrituração contábil de forma detalhada das suas receitas e despesas, que mostre seu Lucro Real. É necessário que possua e
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escriture o livro caixa, o qual irá expor entre outras, as receitas de fato recebidas (OLIVEIRA, 2014).
A apuração do IRPJ e CSLL é efetuada de forma trimestral, apurando-se, em todo caso, no último dia do trimestre. A base de cálculo do Lucro Presumido consistirá de todas as receitas que foram recebidas durante o período. O pagamento terá que ser efetuado até o último dia do mês posterior, podendo também ser parcelado em até 3 vezes, desde que o valor das parcelas não seja inferior a R$ 1.000,00 (um mil reais).
Segundo Oliveira (2014), o imposto de renda das pessoas jurídicas é calculado pelo cumprimento da alíquota de 15% sobre a base de cálculo do Lucro Presumido e uma alíquota de 9% para a CSLL. Incide também uma alíquota de 10% sobre a base de cálculo e as demais receitas e ganhos de capital que ultrapassarem o valor decorrente da multiplicação de R$ 20.000,00 pelo número de meses do período do levantamento, ou seja, o valor de R$ 60.000,00, quando o período de apuração incorporar os três meses do trimestre.
Tendo como base a divisão de atividades, segundo a Lei 9.249 de 1995, § 1°, o lucro presumido apresenta a classificação descrita no quadro (4).
Quadro (4) – Classificação de atividades no Lucro Presumido
Grupos Características das atividades
A Revenda para consumo de combustível derivado de petróleo, álcool etílico carburante e gás natural.
B Venda de mercadorias - Transporte de cargas - Serviços hospitalares - Atividades imobiliárias - Atividade Rural - Construção por empreitada com emprego de material próprio - Industrialização com material fornecido pelo encomendante - Outras atividades sem percentual específico.
C Serviços de transporte (exceto cargas) - Serviços em geral cuja receita bruta anual seja inferior a R$ 120.000,00 (exceto hospitalares, de transporte, de profissão regulamentada).
D Serviços em geral (inclusive mão-de-obra para construção civil e profissão regulamentada) - Intermediação de negócios - Administração, locação ou cessão de bens móveis , imóveis e de direitos de qualquer natureza
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Quadro (5) – Alíquotas pertencentes a cada ramo de atividades
Atividades Lucro Presumido
(Percentual aplicado cobre a receita bruta). IRPJ (Alíquota de 15%) (Percentual aplicado sobre a receita) CSLL (Percentual aplicado sobre a receita bruta) CSLL (Alíquota de 9%) (Percentual aplicado sobre a receita). A 1,62% 0,24% 12% 1,08% B 8% 1,20% 12% 1,08% C 16% 2,40% 12% 1,08% D 3% 4,80% 12% 1,08% Fonte: http://www.consultorfiscal.com.br/frames/assuntos/federais/federais13.htm 4.5.3 LUCRO REAL
O regime tributário Lucro Real, de acordo com a legislação tributária, tem início no lucro líquido do exercício apurado pela contabilidade, para a deliberação do montante do Lucro Real, após as deduções e acréscimos estabelecidos em lei sobre o faturamento.
Segundo Oliveira (2014, p. 65), “Lucro Real é o lucro líquido do exercício, ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas pela legislação tributária”.
A apuração do IRPJ E CSLL no Lucro Real pode variar conforme a opção adotada pelo contribuinte. Pode ser mensalmente, e sendo assim, seria o Lucro Real por estimativa que é quando a apuração é no final do período, podendo ocorrer a redução do imposto ou suspensão, conforme o imposto apurado e pago mensalmente. Nesse regime, a apuração poderá ocorrer de duas maneiras: a trimestral, quando ocorre com a apuração do imposto trimestral, ou apuração anual quando ocorre somente com o encerramento do balanço patrimonial. Da mesma maneira que ocorre no Lucro Presumido ocorrerá um acréscimo de 10% sobre o valor que ultrapassar os R$ 60.000,00 no trimestre.
A determinação da base de cálculo do imposto de renda, como também da contribuição social será feita com base nas despesas operacionais da atividade, os custos recorrentes, os serviços e produtos, as despesas de tributos incidentes no período, e mais outras deduções autorizadas em lei. Essa apuração estará demonstrada no LALUR, definido como Livro de apuração do Lucro Real.
Nesse regime tributário a apuração dos impostos PIS e COFINS, são efetuadas de forma não-cumulativas, isso que dizer que o débito das vendas é confrontado com o crédito
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das compras, chegando assim ao valor a ser pago em relação ao Lucro Presumido. As alíquotas são maiores, por causa da não-cumulatividade, ou seja, o PIS tem uma alíquota de 1,65% e o COFINS abrangerá uma de 7,6%.
Da mesma forma do Lucro Presumido, a arrecadação dos impostos federais ocorrerá por meio do Documento de Arrecadação de Receitas Federais (DARF).
5 A IMPORTÂNCIA DOS INCENTIVOS DO ESTADO NOS PEQUENOS
NEGÓCIOS, PROGRAMAS DE INCENTIVOS À INOVAÇÃO: STARTUP BRASIL E TI MAIOR
O Startup Brasil é um Programa Nacional de aceleração de startups, cuja iniciativa é do Governo Federal. Esse programa foi criado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e inovação (MCTI) com a gestão do Softex, através de parcerias das aceleradoras, para apoiar as empresas germinadoras de base tecnológica, as startups (STARTUP BRASIL,2016).
O papel das startups é fortalecer o mercado. Para isso, essas empresas precisam de um ambiente propício para se desenvolverem e alcançarem o sucesso. A imagem da aceleradora surge com o objetivo de fortalecer a orientação para o mercado.
Startup Brasil é integrado a outro programa, o TI MAIOR, Programa Estratégico de Software e serviços de TI.
O Programa TI MAIOR teve seu lançamento em agosto de 2012 e tem como principal finalidade a fomentação da indústria de software e de serviços na área de tecnologia da informação. No período de 2012-2015, o programa recebeu investimento de aproximadamente R$ 500 milhões de reais. O TI MAIOR está estruturado em cinco bases: Desenvolvimento econômico e social, posicionamento internacional, inovação e empreendedorismo, produção científica, tecnológica e inovação, e competitividade (TI MAIOR, 2016).
O Brasil está reconhecendo a grande importância que é o avanço da ciência, da tecnologia e da inovação como fator de fundamental importância para o desenvolvimento econômico.
5.1 PROJETO DE LEI Nº 321/2012: DOS INCENTIVOS
Como foi exposto no referencial teórico, o conceito de startup é utilizado para ser uma definição dos negócios inovadores na área de tecnologia, de uma maneira geral, com
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predominância de poucos funcionários. As startups apresentam um ambiente inseguro, mas isso não significa que essas empresas não sejam escalonáveis, ou seja, tenham alto crescimento. Temos como exemplos de startups na base tecnológica que deram certo o
Facebook, Ubber, nubank (banco totalmente online) whatsapp, todas essas startups surgiram
a partir de uma ideia inovadora. Como o Brasil ainda não tem um tratamento diferenciado para startup de tecnologia que esteja nos primeiros anos do negócio, foi com base nesse paradigma que o Senador José Agripino lançou mão do Projeto de Lei nº 321 de 2012, que trata da criação do Sistema de Tratamento Especial às novas empresas de tecnologias – SISTENET.
Conforme (BRASIL, 2012, art.1º) “Art. 1º Esta Lei concede isenção dos impostos federais para novas empresas de tecnologia (start-ups). ”
É bom observamos que no art 1º do Projeto ele afirma que a isenção ocorrerá no âmbito dos impostos federais sendo as startups isentas dos impostos PIS, COFINS, IRPJ, CSLL. No âmbito municipal, haverá a cobrança normalmente do ISS (imposto sobre serviço de qualquer natureza), com alíquotas variando de 2% a 5%, como foi visto no referencial teórico.
O artigo 2º do Projeto de Lei em estudo traz de maneira detalhada as startups de tecnologias que serão beneficiadas com os incentivos apresentados no Projeto.
Ainda baseando-se em BRASIL (2012, art. 2º):
Art. 2º Para os fins do disposto nesta Lei, considera-se “nova empresa de tecnologia”, doravante referida como “start-up”, a pessoa jurídica que se dedique a atividades relacionadas à prestação de serviços e à provisão de bens tais como: I – serviços de e-mail, hospedagem e desenvolvimento de sites e blogs;
II – comunicação pessoal, redes sociais, mecanismos de busca e divulgação publicitária na internet;
III – distribuição ou criação de software original por meio físico ou virtual para uso em computadores ou outros dispositivos eletrônicos, móveis ou não;
IV – desenho de gabinetes e desenvolvimento de outros elementos do hardware de computadores, tablets, celulares e outros dispositivos informáticos;
V – atividade de pesquisa, desenvolvimento ou implementação de ideia inovadora com modelo de negócios baseado na internet e nas redes telemáticas.
§ 1º O capital da start-up constituir-se-á de recursos advindos de: I – doações de pessoas físicas ou jurídicas públicas ou privadas; II – financiamentos obtidos de entidades públicas ou privadas;
III – bolsas provenientes de entidades públicas ou privadas de fomento à inovação e ao empreendedorismo.
Podemos observar que as startups para poderem se encaixar nos parâmetros do Projeto de Lei terão que se enquadrar em algumas das atividades listadas no seu art. 2º. O § 2º do