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O Estado e o sistema sindical brasileiro

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Academic year: 2021

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0 ESTADO E 0 SISTEMA SINDICAL BRASILEIRO

' D I S S E R T A Ç Ã O S U B M E T I D A A O C Ó L E G I A D O D E 'P R O F E S S O R E S D O C U R S O D E P Õ S - G R A D U A Ç Ã O E M D I R E I T O D A U N I V E R S I D A D E F E D E R A L D E ’ S A N T A C A T ARIN A., P A R A O B T E N Ç Ã O D O G R Á U • D E M E S T R E E M D I R E I T O ALUISIÕ ROVRIGUES MAIO/1980

(3)

1 ! ■

: MESTRE EM DIREITO - ESPECIALIDADE DIREITO DO ESTADO

P R O F E S S O R P A U L O H E N R I Q U E B L A S I

C O O R D E N A D O R D O C U R S O

Apresentado perante a bánca examinadora composta dos PROFESSORES

' - f

P ro fesso res: AICM2S ABREU

AL K) ÄVI LA LUZ

(4)

im pu 6 na zlabo >iação do ptie-óente. tnaba lho <L p&la n.còig nação em acnitã-lo6.

(5)

AGRADECIMENTOS

Ao Professor Al c i d e s Abreu,, pela capacidade e

cultura quê m e serviram de exemplo e orie nt a çao. ,

Ao Professor Ac ã cio Garibaldi S. Thiago, pela

compre en são e p r e s t e z a na superação dos ob st ã culos iniciais do curso.

Ao Pr o fessor Pa u lo He n rique Blasi, pela d e c i s i v a p art i cip a ção fie» re s ultado final alcançádo.

(6)

SUMÁRIO Pág. R E S U M O ... ... ... vii A P R E S E N T A Ç Ã O ... ... ... ... 01 1. O ESTADO - á e s t r u t u r a do p o d e r . ... 04 2. O S I N D I C A T O ... ... 08 2.1 - Resumo h i s t ó r i c o ... ... . 08

2.2 - Causas do m o v i m e n t o a ssociativo op erário (pollti | cas, econômicas e s o c i a i s ) , ... ... 12

| 2.3 - Po st ur a do Es t a d o frente ao p r o b l e m a ... 14

3. O SINDI CA LI SM O N O B R A S I L . . . ..., ... ... 18

3.1 - As peculi ar id ad es do caso b r a s i l e i r o ... ... 18

3.2 - As primeiras m a n i f e s taç õ es a s s o c i a t i v i s t a s ... 20

3.3 - A consol ida ç ão do m o v i m e n t o sindical e a tomada de pos i ç ã o do Estado b r a s i l e i r o , . , . . . , ... 24

3.3.1 - As causas d e t e r m i n a n t e s , ;■... ... ... 24

3.4 - O pr oc es so social nos anos v i n t e ... ... 34

3.4.1 - C a r a c t e r í s t i c a s . ... . 34

3.5 - Integração do S ind icato no sistema pol ítico - juri dico e a p e r d a de autonomia era r el a ç ã o ao Estado. 39 4. O M O D E L O SINDICAL R E S U L T A N T E ... '... ... 50

4.1 - Ca ract erísticas principais do sindicalismo brasjl leiro. ... ... 50

4.1.1 - A U ni da de s i n d i c a l . ... . ... 50

4.1.2 - A e st ru t u r a uniforme e a re ciprocidade en tre sindicatos de empregados e de emprega d o r e s . . . ... ... ... . 55

(7)

4.1.3.2 - Das condições para funcio namen t O . . . * * . . ’• '• '. >• . i. ■* !. >.

4.1.3.3 - Da p a d r o n i z a ç ã o dos E s t a t u t o s . . 4.1.3.4 - Do enq u a d r a m e n t o s i n d i c a l ...

i

4.1.3.5 - Da con t rib u ição sindical...

5. CONCLUSÃO...

' !i

6. B IB L IO G R A F IA .--- , . . . .

(8)

Objetiva-se, co m o p r esente trabalho, o estu do das r el aç õ es entre o E stado e o Sindicato no Brasil. A t r a v é s dos m é t o d o s h ist ó r i c o e descritivo, p ro cu ra- s e identificar as origens do m o v i m e n t o a sso c iat i vo op erári o c o m a mas sificação pr od u z i d a pela R evo lução Industri al. No m e s m o passo, tenta-se situar a postu

ra do Estado;, nos primeiros momentos; as

.transformações o pe r ada s com o fortalecimento do fenômeno coletivo, e e sta bele cer um para leio entre o caso e u r o p e u e o brasileiro, des tacando as suas particularidades. Ao final, conclui-se que a forma como foi abs orvido o Sindicato pelo sistema jur í dic o - p o l í t i c o na cional p r o d u z i u um m o d e l o fechado, dep end en te, que não atende m a is â realidade presente.

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This re search is a iming the relations between the State and ,the Labor Corpora tions in Bra ,zil. Using the his t ori c and d escriptive me thods, it tries to ide ntify the beginnings of the w o rker's a s s o c ia t ive mo vements with the urban popula ti on al c o n c e nt r atio ns produced by the Industrial Revolution. At the same time, it tries to set up the po s iti on taken by the I

,State, as first, and the changes that the

same State has a ssum e d due to the strengthen

of the collective phenomenon. It also makes

comparison b e twe e n the E uro p ean an the Brazi lian cases, w it h their particularities. When it reaches to the end, it gets to a conclu sion that the wa y h o w Labor C o r p o r ation s was re gu l a t e d by the legal and pol itical system in Brazil has p r o d u c e d a model that, being closed in itself and de p en d i n g on the State, became a mod e l that does not attempt the pre

(10)

APRESE NT AÇÃO

i O m o v i m e n t o associat i vo op er á r i o inicia-se no Brasil cõ m grande atraso em r el aç ão a outros países, n otadamente os da Europa. Nos pr im eiros instantes caracteriza-se, de um lado, pe la p ar t i cipaçã o ativa dos trabalhadores dos centros urbanos mais

desen vo l vidos economicamente, do outro, ora pela tolerância,

ora pela r e p r e s s ã o do Es t a d o brasileiro.

Em dado mom e n t o histórico, pr i nc i p a l m e n t e a partir de 1930, o Es tado resolve a n tec i par - se aos reclamos dos trabalhadores e pro move copiosa legislação social, no bojo da qual i nstitucionali za o sindicato e o re co nhece como órgão exclusivo de r e p r e s e n t a ção pr o fi ss io na l e econômica, perante os poderes constituídos.

A forma como é implantado o sistema sindical — de cima para bai xo — e a e st ru t u r a a ele dada p r o v o c a m um ru ptura no m o v i m e n t o associa t ivo operário, que jã tinha curso de m o d o gradual e natu r a l .

A p a rt i r da institucionalização, todo o pro cesso de m o b i l i z a ç ã o co l et i v a tem de a moldar-se ao m o d e l o instituído pelo Estado, ins pir a do em exemplo é d ou t r i n a alienígenos, e com objetivos de ser

vir mais aos interesses do Estado, ou do poder político do mo

mento, do. que me sm o aos interesses dos trabalhadores.

Vencidas jã qua t ro décadas, o m o d e l o co ntinua c o m a m e s m a feição ori g in a l e em d e s c o m p a s s o com a realidade»;

O pr e se n te trabalho não se propõe, entretanto, apresentar solu ções específicas o u formular novo m o d e l o teórico, o b j e t i v a n d o aj u st a r o sistema sindical â realidade presente e âs pote nc i a l ! dades futuras do p à í s .

De aspiração b e m mais modesta, pr e ten de apenas elaborar u m estu do in trodutório do si ndicalismo no Brasil, destacando nele al

(11)

guns aspectos políticos, jurídicos e sociológicos, já e n c o n t r a dos de modo esparso numa razoável bibliografia. Se algum mêri to lhe restar ao final é o de h aver tentado reuní-los n u m só tex to com certa metodização.

Delimitados esses objetivos, a pr i m e i r a parte apresenta p eq u e n a análise t e órica da es tr utura do poder pol ítico no Brasil, na ten tativa de situar o S in dicato como o compone nte do Estado, obje tO do es tudo no des e nv o l v i m e n t o do trabalho.

I

A seguir, ê elaborado um e sboço histórico do mov iment o a ssocia tivo o p er á r i o universal, suas causas, conseqüências e d iversas fases do processo, atê a a ce ita ç ão do Sindicato pelo Es t a d o e sua integração no sistema p o l í t i c o - j u r í d i c o .

i' I .

A t er ceira parte segue o m e s m o passo no estudo do caso brasilei

ro, coloc a ndo em desta qu e suas particularidades, o que d á aos

dois processos conotações distintas e leva-os a res ultad os di

v e r s o s .

F ina l me n t e a etapa seguinte enumera as características princi

pais do sistema sindical b r a s i l e i r o e identifica d en tre elas as que se c o ns ti tu em em pontos de e s t r a n gul ament o desse mesmo si£

tema.

(12)

"A < ampliação do âmbito de atuação do Estado, como de co rr ên ci a de novas situações e novas e xigências da v i d a social, n ão obedeceu,, ob v iamente, a qu alquer pro g r a m a ç ã o nem atendeu

a ,direçã o ou limites previ ame n te apontados

por qua l q u e r t eoria ou d e cisão política. E como se p ercebe u m a onipresença, atual ou po téncial, não ê mais possível estabelec er on

I

de começa e onde termina o Estado, em que m o m e n t o ele estã ou não atuando, q uand o os seus interesses são ou não atingidos." ^

D A L L A R I , D a Irao de A b r e u . 0 F u t u r o do E s t a d o . S a o P a u l o 1 9 7 2 , p. 79.

(13)

1. 0 ESTADO: a e st r u t u r a do po d e r

A análise do p roc e s s o po l ítico bra si l e i r o r evela a o r g a n i z aç ã o do po de r como resultado de uma sociedade m a r c a d a e m

suas diversas manifestações ideológicas. De tal modo esse pro

cesso prosperou, h i s t ó r i c a m e n t e , que todas as transformações o peradas no E st ad o partisram, paradoxalmente, de q u e m det i n h a o poder.

Esse c o nc e ito-chave ê que serve de orient a ç ã o para e l a b o r a r to

do o s i s t e m a de análise capaz de i d e n t ific ar a e s t r u t u r a do po der. Daí, p o r que, dificilmente se apl ic a r i a à formação do E s t a do b r a s i l e i r o o conceito de p o l í t i c a d e finida p ò r Tal c o t t Par sons, da Univer si da de H a v a r d ^ , como "um su bsi s t e m a funcional p r i m á r i o d a sociedade, com status teórico ex atame nte p a r a l e l o â

(2) economia".

£ certo que o Estado b r a s i l e i r o atin g i u um estágio dè cu ltura e m que as forças intelectuais o u m o r a i s , e m c ontraposição âs

(3)

forças materiais, na acepçao de G. M o s c a e G. Bouthoul , tive r a m u m comando primacial na vid a pública. Mas não se h á de ne

gar qu e as forças materiais, compreendidas nestas a ad min istra

ção e a hierarquia, foram p re v ale n tes na formação da e s t r u t u r a do poder.

Isto não q u e r dizer que o Estado b r a s i l e i r o tenha tido u m a for mação arbitrária, s e m preced e n tes de natu rez a d o u t r in ári a o u fi losõfica, de tal modo que a sua s e q ü ê n c i a se tornasse ininteli gível e ilógica, e m relação à un iversidade dos conceitos ou teo rias políticas. Mas o desenho do seu perfil, r e s g uard ada sua

(1) - P A R S O N S, T a l c o t t . 0 A s p e c t o P o l í t i c o d a E s t r u t u r a e do P r o c e s s o S o c i a l . i a M o d a l i d a d e s de A n a l i s e P o l í t i c a . Z a h a r E d i t o r e s . R i o , 1 9 7 0 , o r g a n i z a d o p o r D a v i d E a s t o n . p. 95 ~ (2) - O B S : P A R S O N S c o n c e i t u a o p o d e r c o m o o m e i o g e n e r a l i z a d o do p r o c e s s o p o l í t i c o , p a r a l e l o ao p a p e l do d i n h e i r o ne p r o c e s s o e c o n ô m i c o , p. 138. (3) - M O l G A , Gí & B O U T H O U L , G, H i s t o r i a das D o u t r i n a s P o l í t i c a s . Zâhair E d i t o r e s , R i o , 1 9 6 8 .

(14)

especificidade, tem lances h is t óri c os partic ulare s que de um mo do o u de outro se c o mpa t ibi l iza m c om a civilização e cultura do s eu povo.

Ë p o r isso que os fatos h i s t õ r ico - soc i a is ta mbé m tiveram influ ê n c i a d e c isiva no p r o c e s s o de formação do Estado b ras il e i r o , n o s modos e m que c la ss ic am en te os s i t u a m as obras de Saint- Si mon e Marx. N a m i s e -e n-s c êne da p o l í t i c a brasileira, os interesses sociais, q u e r das suas elites, q u e r das classes trabalhadoras, d ei x a r a m marcas de seus pe rm ane n tes conflitos, resolvidos de to do modo dentro dos critérios p a rt i c u l a r í s s i m o s e m que o E stado absorveu, e às vezes modificou, toda a manif estaç ão dos seus se

tores tradicionais (partidos políticos, sindicatos, igreja,

classes empresa ri ai s etc.) .

Embora, como q u e r D U G U I T ^ , e s s a "força material irresistível", e m q u e é concebido o Estado, e s t e j a s u b m e t i d a à regra do direi^ to, no caso brasileiro, e m n e n h u m mom e n t o a tradição legal impe diu que p r o s p e r a s s e m certas formulações da teoria p o l í t i c a em favor de um Es ta do o n i p r e s e n t e e m q u a i s q u e r soluções e m relação à comunidade. Foi a s s i m no passado, tanto na Regência, cuja ti p i ci d a d e não se perde n a h ip ó t ese de outros exemplos, como no momento p o l ít ic o c o n t e m p o r â n e o , de qu e temos exemplos os Atos

Institucionais, como solução casuística, e m b o r a legal, p a r a

a crise constitucional.

Não p e r d e u o sentido na atualidade o conceito de Ihering,de que E st a d o é a força, mas, igualmente, e s t a 'presente a ressalva de

(2) ~

ROUSSEAU' , se gundo a qual, "o mais forte naq e jamais b a s t a n te forte p a r a ser sempre o senhor, se não t ranforma sua força e m direito e a o b e d i ê n c i a e m dever". O u e m outras palavras, es sa força do E s t a d o é estéril se não e s t á c o m p r ometi da c o m a es t r utura j u r í d i c o - c o n s t i t u c i o n a l , de tal modo, que ela resulte da abs orção de todo o ideário daqueles setores tradicionais a

Tï"5 - D U G U I T , L é o n , T r a i t e de D r o i t C o n s t i t u t i o n n e l . E. de B o c c a r d , P a r i s . 3"! éd. p gs . 5 3 4 ë s e gs .

(2) - R O U S S E A U , J .J , " D u C o n t r a t S o c i a l , E x t r a i t s , C l a s s i q u e s L a r o u s e . p. 18

(15)

que nos referimos, cuja adesão serve exatamente p a r a legitimá-la.

Eis p o r que, absorvendo todas as manif e staç ões críticas de seus grupos sociais, o Estado' b r a s i l e i r o nunca p r i m o u p o r um tipo de uniformidade capaz de e s t r a t i f i c a r os seus valores como objeti vos permanentes. Assim, todas as "comissões"* no sentido e m p r e £ tado p o r M. G. Smith, d a univers i dad e da C a l i f ó r n i a ^ , são es p e c i ã i m e n t e importantes na análise dos seus sistemas gov ern a m e n tais.

A p a r t i r de s s a colocação analítica, é poss ivel dizer-se q u e a ação governamental no B rasil ê sempre c a r a c terizada p o r sua ver

satilidadde, no sentido de af astar das soluções polític as qual

q u e r m od e l o ideológico radical. É fato característico, na in

terpre ta ç ão h i s t ó r i c a desse comportamento*.,■ q u e as elites diri gentes, e m b o r a colocadas no ápice da p i râmide social, nunc a e l a b o r a r a m uma p o l í t i c a típica de re p res s ão capaz de anular a p a r ticipação p o p u l a r no p roc e s s o de t omada de decisão. E exemplo disso a legislação social e di t a d a a pa r t i r de 1930 e, depois, a p a r t i r do movimento de 1964. E m ambos os exemplos, houve cono tação social nítida e m favor das classes trabalhadoras, em b o r a p r es e rv a d a s as bases das estruturas capitalistas, nas quais es sas mesmas elites a s s e g ura r am a detenção do poder. E m 1930, como e m 1964, a complexidade desse fenómeno nu nca se e x p l i c o u como ma ni f e st a çã o pessoal p r ó p r i a do p o d e r instituído, senão p o r for ça da q u el a absorção de idéias e programas armados e m lenta ma tu ração pelos setores tradicionais da sociedade.

A p a r t i r desse ponto, ressurge a q ue s t ã o e x p o s t a p o r James C.

í 2)

March, da Universidadde da C a l i f ó r n i a , no s entido de saber-se e m q ue pr o porção "um conceito especí f ico de p o d e r ê útil na aná lise e m p í r i c a de mecanismo de e s c o l h a social" (p. 53)

A e x po s i ç ão até agora e l a b o r a d a revela que o mecanismo de esco

(1) - S M I T H , M . G . U m a A b o r d a g e m E s t r u t u r a l à P o l í t i c a C o m p a r a d a . in Modalidades de Analise Política, 19 7 0

(2) - MARCH, James G. 0 Poder do Poder. i_n Modalidades de Anali

(16)

lha no p r ocesso po lítico brasil eir o tem todos os co mponentes bã

sicos citados por esse autor (indivíduos, grupos, co mpo rtame n

tos, etc.) e que certa quantidade de p oder está associada a ca da u m desses componentes. Daí a v e r s a t ili dade a que.nos referimos, de que o grau de resposta do m e c a n i s m o a cada componente cresce uniform e me nt e com o poder associado ao m esmo componente.

Nesse p ro ce s s o sistêmico, adotado o enfoque dado por A lc i d e s Abreu, da UFSC ^ , c om apoio e m Da v id Easton, o sistema pollti co exerce uma mi s s ã o regula d ora sobre os demais componen tes da sociedade global, por ser o único com capacidade de exig ir "por

coação irresistível, co mp ortamentos determina dos de grupos e

pessoas", (p. 30). E disso resulta, ainda se gundo o m e s m o au tor, a crescente intervenção nos su b -sistemas s o c i e t a i s , ante a incapacidade destes de p r o m o v ere m o u de p rod uz i r e m os efe i t o s de s e jados por seus integrantes.

Esse trabalho p re te nd e expor como componente do poder a partici^ pa ç ã o do sistema sindical na es t rut u ra do poder do Estado brasi leiro, p ar a m o s t r a r que a absorção dos conflitos sociais criou um m o d e l o po lí t i c o social cujo resultado implicou numa legisla

ção submetida aos critérios da adm i nist raç ão e da hierarquia,

como forças m a t e r i a i s p r e p o n d era n tes sòbre as forças i nte l e c t u ais ou m orais dos chamados grupos secundários, na e x p r e s s ã o de

DURKHEIM. C2) ■

A resposta a es sa formulação t e óri c a será tentada no curso do trabalho, através do e stu d o da i m pla n taçã o do sistema sindical

brasileiro e do m o d e l o final resultante. • ,

Cl) - Á B R E U , A l c i d e s . A n a l i s e S i s t ê m i c a de P a r t i d o s P o l í t i c o s . E d i t o r a d a U d e s c . F l or i a n õ p o 1 i s , 197 7 .

(2) - D U R K H E I M , Ë m i l e . L e ç o n s de S o c i o l o g i e . P r e s s e s Universi . t a i r e s d e F r a n c e , P a r i s , 1 9 6 9 .

(17)

2. 0 S I N D ICATO

2 . 1 . RESUMO HI S TÕRICO

É discutível, ainda, a o r i g e m do Sindicato. Autores ad m i t e m como uma forma ru di me n t ar a separação dos individuos e de acordo c om a profissão, p o r d e terminação do Estado, e m Roma, no início da era c r i s t ã , 'qu a ndo s u r g i r a m os Chamados "colégios romanos". Para P L U T A R C O , , c itado p o r F I G U E R O A ^ , teria N u m a P o m píl i o fundado os "colégios de artesões". Pos terio rme nte a Lei das XII Tábuas os reconh e ceu e mais adiante a Lei Jülia re orga ni z o u alguns e p r o i b i u o funcionamento de outros.

i (2)

CABANELLAS i de nt if ic a no d a u m associrativismo onde predond

n a m v nexos familiares firmados sobre a c o n s c i ência de um objeti vo profissional, mas atribui-lhe apenas a quali d a d e de -"débil embrião do a ss oc ia ti vi sm o laborai". P ara ele, o primei ro ato concreto regulando p r ofi s sõe s teria sido uma lei de SOLON, con s er v á d a no DIGESTO, per m it i n d o às associações ou grupamentos profissionais, e m Atenas, e l a b o r a r e m livremente seus regulame n tos, s e m contrariarem as leis do Estado. At rib ui-se também a SO

LON a criação dos estatutos das associações profiss ion ais das

"hetaíras" (cortesãs), que s e r i a m a semente das associações pro fissioanis.

Os "colégios romanos" vo lt am a m er e c e r a p r e o q upaçã o do p o d e r instituído, nos séculos I e II D.C. , e a d q u i r e m i m p o r t â n c i a mai^ o r no século IV. N a mesma medida, aumenta a r egulamentação ofi ciai e p a s s a o Estado a conceder-lhes privilégios, tais como a i senção de impostos extrao rd in á rio s e de serviço militar. Essas associações são dirigidas o u representadas p o r um "síndico", e x

(1) - F I G U E R O A , G u i l h e r m o G u e r r e i r o . D e r e c h o C o l l e c t i v o _____ á è l T r a b a j o . E d i t o r i a l T ê m i s , B o g o t a , 1 9 7 7 , p. 11.

(2) - C A B A N E L L A S , G u i l h e r m o , C o m p ê n d i o de Derecho Laborai. Buenos A i res . E d i t . B i b l i o g r á f i c a A r g e n t i a a j 1 9 6 8 ~

(18)

pressão que, atribui-se, vai in f l u e n c i a r na denominação de "sin dicato", alguns séculos a p ó s . ^

A q u e d a do Império Romanò do O c idente p r o v o c a o desapareci men to dessas instituições. A vida vo l ta a ser agrária, de s e n v o l v i d a e m torno dos castelos dos senhores feudais. A situação é assim des c ri t a p o r C A T A R I N O (2):

i ^

"CcUu o Império Romano - tudo construZdo a for ça, por esta e destruido; o cristianismo faz- se idéia motriz, e a Europa ingressa na fase feudal, em uma economia quase exclusivamente agrária. A escravidão absoluta cede espaço ã servidão da gleba. 0 Campónio, designação pe £orativo de camponês, espécie de tabaréu na epoca, é acessório da terra, ferramenta do se nkor feudal absolutista, fundado na propriedã de do solo":

De origem germana e anglo-saxão, surgem, no século VII, institui ções semelhantes aos "colégios romanos": as "guildas". Ap r e s e n tam-se coito associações, às vezes religiosas e sociais, de arte sãos e mercadores. D er i v a m do costume posto e m prá tica na A l e m a n h a p r i m i t i v a de s e r e m os negócios mais importantes debatidos

e m meio a lauüòs banquetes. Segundo TÃCITO, citado p o r FIGUE

/ 3)

ROA , Os convidados ficavam na o b r i g a ç a o de defender c om s ua espa d a o u s e u p r e s t í g i o àqueles com q u e m tinham partilhado os prazeres da mesa. Mas, somente nas "guildas de artezãos" P o d e m

identif i c a r- se antecedentes das associações profissionais. N a

verdade, elas "foram espécies de famílias artificiais formadas p e l a conjunção do sangue e ligadas pelo juramento de seus mera bros de ajudarem-se mutuamente e m q u a l q u e r estado de perigo".

No decor r e r da Idadde Mé d ia surge um outro tipo de instituição, congregando indivíduos da m e s m a p r o f iss ã o o u ofício e com o sen

T l ) “ S e g u n d o I G E L M O , A l b e r t o J o s é C a r r o . I n t r o d u c i ó n al Sindj. e a 1 i s m o . B a r c e l o n a , 1 9 7 1 , p, 17, a e x p r e s s ã o " s i ndicji "tõ" p a r e c e t e r s i d o u s a d a f o r m a l m e n t e e m 1 8 1 0 , p o r u m a f ê d e r a ç S o c h a m a d a : " C h a m b r e S y n d i c a l e d u b â t i m e n t de l a S a i n t - C h a p e l i e " , n a F r a n ç a . (2) - C A f A & I N O , J o s é M a r t i n s . T r a t a d o E l e m e n t a r de D i r e i t o S iji d í C a l . L T r , S ã o P a u l o , 1 9 7 7 , p. 17. (3) - F I G U E R O A , G u i l h e r m o G u e r r e i r o . 1 9 7 7 , p. 12.

(19)

tido de defesa de seus membros: são as cor por ações de "Artes e Ofícios", conheci da s também por grêmios em Portugal e Espanha.

A l é m do es pirito de solidariedade entre os integrantes de um

m e s mo o ficio ou profissão, apr e sen t am ainda u m caráter r eligio

so. (1) '

(2) ’ -

F I G U E R O A identifica nos grêmios m e d i e v a i s nítidos ant ec eden

tés das associa ç ões profissionais. Ali já se conhece o pacto

coletivo de condições de trabalho, o dire ito de fixar jornada

de trabalho, o d e s c a n s o 'semanal por m o t i v o s religiosos, o direi to de e st abele ce r os salários e, ainda., certas condições para os contratos c el eb ra do s entre mes t r e s e aprend izes ou oficiais.

Há q u e m negue, porém, a o r i g e m do sindicato m o d e r n o nas corpora (3)

çoes de ofícios. Para Orlando Gomes e Elson Gottshalk , com

apoio e m autores franceses (Paul Pic e Jean M o n t r e u i l ) , as cor poraç õe s m e d i e v a i s e ram associações de m e s t r e s do mesmo oficio que e x e r c i a m um m o n o p ól io rigoroso na fabricação, ven da e regu lamentação dos pr od ut os no mercado. E r a m uma espécie de "sindi cado obrigatório" e p ur am e n t e "patronal". Tinham, por outro la

do, o objetivo de d e fen d er a classe contra os consumidores, e

não, contra outra classe integrante do p r o c e s s o produtivo.

(4)

CA TA R I N O segue a mesma orientaçao, no e n t e n d i mento de que as cor po ra ç õe s p as s a r a m a ser.uma forma em b r i o n á r i a do sindicato •pa tronai, conforme o b s e r v o u Paul Pic. Se de inicio eram o rgani s mos de dupla finalidade . (política e p r o f i s s i o n a l ) , e strut ura das em três c ategorias de artesãos: a dos aprendizes, a dos criados (mais tarde companheiros) e a dos mestres, com ampla circ ul a ç ã o

vertical dentre as três categorias, po ste riorm ent e tra nsfor ma

ram-se e m or ga ni sm os fechados, de difícil acesso de uma classe a outra, impregnados de privilégios da mestrança. E nquan to ho u ve eq u il í brio entre o número de m est r es e companheiros er am boas

(1) - D U R K H E I M , 1 9 6 9

(2) - F I G U E R O A , 1 9 7 7 , pi 15

(3) - G O M E S , O r l a n d o & G O T T S H A L K , . C u r s o de D i r e i t o do T r a b a l h o . F o r e n s e , S. P a u l o . 1 9 7 2 .

(20)

as relações entre eles. C o m a sup r ema cia dos primeiros sobre os segundos, tanto e m força n umé r ica como em poder dentro da or ganização, começaram a s u r g i r os des e nte ndimentos entre mestres

e companheiros, com estes últimos se o rga nizan do e criando os

p r im e i r os movimentos grevistas de vi o lênc ia e de sabotagem.

N e s s e meio tempo é que surge uma instituiç ão que e f e t i vamen te se a s se melha ao sindicato o p e r á r i o moderno: são qs compa gnona ges, o u associações de c o m p a n h e i r o s . Alí se reune m os compa neiros p a r a tratar de assuntos de interesse da c l a s s e , como au mentos salariais, diminuição de jornada de trabalho, isto é , c o m os mesmos objetivos q ue o r i e n t a m os sindicatos de t r a b a l h a d o r e s . Essas organizaçõ es intituladas de "Filho de Mestre J a q u e s " , "Fi lhos de Salomão", etc. são v e r d a de i ram ente o embrião do si n d i c a to moderno, se b e m que o de se n vo l v i m e n t o deste como ent idade re p r e s e n t a t i y a da classe o p e r á r i a somente é consolidado com o

(21)

2.2. CAUSAS DO M O V I M E N T O A S S O C I A T I V O O PERÃR IO - (P OLÍTI CAS , EC ONÔMI CA S E SOCIAIS)

O liberal is mo econômico e o individualismo, : trazi dos ao m u n d o pe la R ev ol uç ão Francesa, juntam-se a um terceiro componente, que ê a transfo r m açã o o pe r a d a no sistema de p r o d u ção com o advento da m á q u i n a a vapor, ou a Revolução Industrial.

A i n d us t r ialização p ro vo ca ao m e smo tempo dois fenômenos aparen

temente incompatíveis, mas que têm curso pa ralel o e m todo pro

cesso de formação do que veio a ficar conh ecido como "questão social". , A máquina, ao m e s m o tempo que substitui o h o m e m no p ro c e s s o produtivo, libera m ã o - d e - o b r a ant eriormente oc u p a d a e p rovoca a m ul ti p l i c a ç ã o das indústrias cora o b a r a t ea men to dos custos e aumento dos lucros. Numa ret omad a do processo, ofere

ce mais oportu ni da de de em prego e leva, num primeiro momento,

ao a v iltamento do salário, n um segundo, â substituição do traba lho do h om em pelo da m u l h e r e do menor, de remuneração inferior.

O desemp r ego da grande m a s s a de t rab alhadores leva-os a organi zarem as pri mei ra s"c o ali z ões " e a e m p r e e n d e r e m greves, sabota gens, boicotes, e m a i s uma série de m e d i d a s contrárias ao desen v o l v i me n t o normal do p ro ce sso de produção. Dess a resposta cole tiva dos trabalhadores à opressão dos emp res ários ê que nasce o

sentimento de so lidariedade entre os membros de uma m e s m a pro

fissão e que, finalmente, dá origem, m a n t é m e det ermin a os

o b j e tivos dos s indicatos de trabalhadores.

Ess a s associações, segundo síntese de Marc elo Catalã c itada por I G E L M O ^ , nascem

"de uma maneira espontânea, intuitiva, sem qua lificativo, cor nem filiação polZtica determZ nadas e guiadas somente pelo propósito de re (1) - I G E L M O , A l b e r t o J o s é C a r r o . I n t r o d u c c i o n A l S i n d i c a l i s m o .

(22)

bolvzti uma c/e qu<iòtõí& òoc.iaii>, pnoduzi daó pe.£a gàav-itação da nova ond&m de tol&a& £nò tautiada pe£o ttLpiiàilmv e pe£a pAZóe.nça de. um

•nouo COAO gi.gante.Aco em que ve con&tltui a cla&_

(23)

2.3. A P O S T U R A DO EST A D O FR E NTE A O PROB L E M A

I

a) A Pr oi bi çã o b) A Tolerâ nc ia

c) O R e c o n h e c i m e n t o e / o u institucionalização.

Os c o n f l i t o s entre o capital e o trabalho no proces so de i m plantação da R e vol u ção Industrial são ignorados pelo Es tado nos primei ro s momentos. Os ideais do liberalismo, seguidos a risca e m todo mu n d o ocidental, tornam o E st a d o absenteista, alheio ao|que se p a s s a n a s relações particu lar es dos indivíduos. M a s a igualdade j u rídica e r igida como pri ncipi o fundamental não en c o nt r a sua c or r es p o n d ê n c i a no plano econômico, onde a força do capital se sobrepõè â do trabalho. 0 me io encontr ado pelas cl a s se s t rab a l h a d o r a s para en f ren t ar a luta e res tabel ece r o eq u i lí b ri o ê a união de todos, com ob jetivos comuns. Somente qu a n d o a atuação or ga ni za da dos trabalhadores, e m contrap osi ção ao poder econôm ic o do empresário, começa a trazer reflexos nega tivos p a ra a ec o nom i a do Estado, ê que este sai do in diferentis mo e toma p o s i c i o n a m e n t o na questão. Para infelicidade dos tra balhadores, a interf e rên c ia não lhes é benéfica.

a) Na Inglaterra, com os "Combinations Acts", e m

1790, N a França, com a Lei Chapellier, no ano seguinte, são abo lidas as C o r p o ra ç ões de Ofí c ios e toda espécie de coalizão. O m o v i m e n t o associa ti vo op e rár i o segue o mesmo destino d as "cor porações", que a essas a lturas são mais identificadas com a cias se patronal. Os p rej u í z o s para os trabalh ado res são co nsi d e r a v e is com o novo p o s i c i o n a m e n t o do Estado. En qua nto seu mo v i m e n to tem curso ascendente, as corporações já em completa decadên

(l) - Á ê f â Ü M â e 8€ e a r a c t e r i z a v a p e l o c a r á t e r t r a n s i t ó r i o . Ã ê g e e ã » ãíttdâ ttao se pode falar em "associações" com o b j e t i v o s pêffflãnsnees Cômo veio tornar-se, m a i s tarde, o s i n d i c a t o .

(24)

cia a g u a r d a m apenas a morte por inanição. Para Evaristo de Mo rais Filho

"quando as corporações foram definitivamente abolidas por um decreto gove.rname.ntat, jã não possuiam praticamente quase nenhum poder so_ ciai. Eram simples carcaças, mumificadas peZo tempo,^de antigos organismos vivosL eficazes, úteis a produção econômica da sua epoca.. Jã ago_ ra eram como que falsos gigantes de papelão, que um fraco sopro seria capaz de derrubar.”

(p. n i

b) As coitipagnonages p e r m a n e c e m na cl an d e s t i n i d a

de, após os éditos da Fr an ça e Inglaterra,, mas, atê 1830 , não, se r egi s t r a q ua l q u e r atuação colet i va de v u l t o contra os patrões.

i ■ 1

O m o v i m e n t o op er á r i o segue seu curso, ora perseguido, o ra tole rado p el o Estado, atê o r e c o n h e c i m e n t o legal na Inglaterra - 1825

(2) e na F r an ça - 1864. . Co nforme síntese de IGELMO :

"o sindicalismo era um fenômeno social ja em marcha e não se podia dete-lo. Assim, pouco a pouco, da clandestinidade ã tolerância, foi pas sando paulatinamente ao reconhecimento e admis são deste novo estamento que constitui a moder na sociedade dos sindicatos". (p. 57]

Na me d i d a e m que o m o v i m e n t o sindical ganha corpo, recebe influ ê n cias das diversas correntes i deológicas que s u r g i r a m com pro p ostas p ar a solução da\ q uestão social. Aq u e l a d efi niçã o de Mar ceio Catalã, de pos t u r a apollt i ca que c a r a c t erizou as p rim iti vas a s s o c i aç õe s de companheiros, não se aplica m a i s aos gru pa m e n tos p r o f i s s i o n a i s re n asc i d o s com o re c onhec ime nto do Estado. A c o n o tação ideológica atinge seu p o n t o m á x i m o com o Si ndicato Re v o l u c i o n ã r i o , que ob jetiva a s ubs t itu i ção do próprio E s t a d o ca p i t a l i s t a por uma or ga ni za çã o sindical.

C om inspiração n a dou t rin a marxista, desenvolve-se na França sob

Cl) - F I L H O , E v a r i s t o de M o r a i s . 0 P r o b l e m a do S i n d i c a t o Ü n i c o n o B r a s i l . A l f a - O m e g a . S a õ P a u l o , 24. E d i ç a o .

(25)

a liderança de G e o r g e s Sorel e precon iza a ação econômica do p ro l e ta r i ado at ravés da v io lê n cia e ao largo de toda ação poli. tica. A nova linha de atuação é ass i m de scrit a por LINARES ^ :

n Ô òínd-Lcato Zmpuló-íona a conAcZznc-ía dz cla6 6 Z z n t x z 06 t A a b a l h a d o A Z ò , con6titui.ndo o g z A m z m da '6 0a n d a d o , nova. A p l i c a i.ntzgfialmzntz a t z o A l a m a A x Á ò t a dz u m a l u t a de, c l a 6 6 Z 6 m z d l a n t z a a ç ã o d i n z t a 6 z m compn.omÍ6&o6 c o m a b u A g u z 6ia, com g A z v z , ò a b o t a g z m , b o l c o t z , ztc. S z g u n do Z 6 6 Z 6 Í 6 t z m a , a g A a n d z atima do ph.olztan.lado z a g A Z v z g z K a l , q u z dzòtKuZtiã o fizgímz buh. guê.6, z 06 6Á.ndÁ.cato6 obn.zin.o6 mudan.ão a o A g a n Z z a ç ã o c a p l t a l i & t a ". (p. 14)

c) A s idéias marxistas, . nas qua is inspirou-se

S O R E L j d ei x am de ser consid e rad a s como dog mas de fé por u m forte sètor do p rõprio socialismo. Surge dal ura m o v i mento "revisio nista" dirigido por BERNSTEIN, na Alemanha, e m fins do século passado. A nova idéia v i gor a nte é a de que o socialismo ê uma ev o l u ç ã o democrática, v i s a n d o a ema n c i p a ç ã o dos t rab alhad ore s por m e i os legais. D a l afirmar R a msa y M a c Donaldo, citado por L I N A R E S :

" fialafL dz Azvolução como um mztodo 6 o c i a t l 6 t a , z comztzn. um zaao . A fizvolução nunca podz con_ duzin. ao ò o c la ll ò m o , pofiquz a tfian&^otimação quz

06 6 0c l a l i6ta& &z pnòpozm a ^ z t a todaò

bna6 dz uma 60 c iz d a d z &^hã dz 6zn., poA conòz g u i n t z , um pn.ocz66o ofiganíco. " ( 2 )

Não fosse o a b r a n d am en to das idéias radicais do sindicato revo l uc i o ná r i o pela nova p os iç ão da corrente socialista alemã, o c on f ronto final entre o poder do E s t a d o e o Sindicato seria ine vitãvel, com refl e xos imprevisíveis na estr u t u r a do sistema ca p it a l i s t a do ocidente. O utras propo s tas s urg iram ainda no campo doutrinário, c o n t r ib u ind o mais e mais para que afinal fosse pos slvel a convivênc i a pa ci fi ca entre o Sindicato e o Estado, o

(1) - L I N A R E S , F r a n c i s c o W a l k e r . D o c t r i n a s S o c i a l e s c o n t e m p o r a n e a s y D e r e c h o d e l T r a b a j o ; iji T r a t a d o de d e r e c h o d e X T y a b a j o . E d i t . L a L e y . B u e n o s A i r e s , 1 9 7 1 V . I p. 7 4 - D i r i g i d o p o r M a r i o D e v e a l i ,

(26)

pr imeiro a ce itando a tutela m aio r do segundo, e este recon hec en do ser n e c e s s á r i o ceder e spaço àquele para sua atuação, como com ponente bá s i c o do próprio sistema político.

Disso r e sulta que o sindicato evolui doutrina ria mente pa ra o

"realismo", a "doutrina social da Igreja" e o "corporativismo", formas inspiradas e m idéias m e n o s radicais e co mpatíveis com ura sistema capital i sta m a i s humanizado. 0 certo ê que qua l q u e r das tendê ncias absorvidas pelo sindicato levou-o â c o n v i vê nci a p ac i fi c a c om o Estado, às vezes mesmo; a empresta r-l he sua cola boração.

N a a t u a l i d a d e , o sindicato não con t esta ma is a e x i s t ê n c i a do Es tado, nem* este teme m a i s a po s sível supremacia daquele. Os con flitos resulta nt es dos o bj et i v o s distintos procurad os por cada u m e s tã o superados. T r à n s fo r mou - se a po stura do Estado/ institu c i o n a l i z a n d o o sindicato e t raz e n d o - o para o âmbito do sis tem a político-juridico; trans f orm o u-s e o p o s i c ionam ent o do s ind icato frente ao Estado, r e c o nh e cen d o-l h e a qualida de de órgão má xim o r e p re s e n t a t i v o d a coletividade, na qual ele p róprio se insere. Para usar a colocação de F raga Iribane, citado por I G E L M O , ^

"o

sindicalismo esta, em definitivo, pa.Aia.ndo de movimento a instituição, de. óngão de n.eivin dlo.aq.CLo a instrumento de, gestão. 0 Estado, por Sua vez, st torna sindicalista, em todas as par tes

,

o mesmo que antes, ao crescer o .capital, se havia tornado capitalista."

(27)

3. 0 S I ND I CALIS M O NO BRASIL

3.1. AS PECULIA RI DA DE S DO CASO B R A S ILE IRO

i Os acontecimentos econômico s conhecidos como

Revolução Industrial não. p r o d u z e m efeitos , inicialmente, no B r a sil, a exemplo do que o c o r r e u na Europa. 0 país é, na êpoca, colônia de Portugal, p a r a q u e m não i nter essa o florescimento de uma i n d ú s t r i a nacional e m contrap o siç ã o à p o l í t i c a mercantilis ta q u e a d o t a . ^ Ademais h á uma r elação de d epe ndênc ia entre Portugal e a Inglaterra, nação çnais desenvolvida, que o o b r i g a a i mp o r ta r os produtos ma nufaturados e a e x p o r t a r para aquele país as matérias primas extraídas de suas colônias e os vinhos produ z id o s em seu pró p r i o território.

E sses motivos se c o n s t i t u e m n u m óbice ao dese nvo lvime nto indus trial do Brasil e l e v a m s u a e c o n o m i a a de pen der durante três sé culos da ex pl or aç ão de determinados pro dutos como o "pau^-bra sil", a "cana de açúcar", o "couro", o " c a f é " , o"our o", etc. to dos de e x tr aç ão mineral o u vegetal.

Ora, sendo a chamada "questão social" uma c o n s eqüê nci a do desen

volvimento industrial, da urbanização, das grandes c o n c e n t r a

ções humanas, não é de estran h ar- s e q ue num país onde p r e d o m i n a uma e co nomia agrária e co m a p o pul a ção d i s p e r s a e m vasto terri trio, não r e p e r c u t a m com a m e s m a intensidade os movimentos co

letivos dos trabalhadores desencadeados no exterior, e m condi

ções d ia m etralmente opostas. A l é m disso, é p o r certo fator de grande importância, a força motriz da e c o n o m i a nacional ê o tra

b a lh o escravo, não assalariado.

(1) - C A T A M N O , 1 9 7 7 , p. 4 3 , c i t a a C a r t a R e g i a de 3 0 . 0 7 . 1 7 7 6 , q u ê p r o i b e o o f í c i o de o u r i v e s . A f i r m a q u e c o m a s u b i dâ dê D. M a r i a , a L o u c a , ao t r o n o , f o i , e m 1 5 . 0 1 . 1 7 8 5 , g f ü í b í d â q u a l q u e r i n d u s t r i a n o B r a s i l , p o r s e r p r e j u d i ê í à l â©ê i n t e r e s s e s de P o r t u g a l e I n g l a t e r r a , e s t a b e l e tíà§s R © T f ã t â d o de M e t h u e m , e m 1 7 0 3 .

(28)

0 m e r c a d o de trabalho brasil e iro se restringe â atividade extr a tiva, mineral ou vegetal, à a g r i c ult u ra de subsistência, desen vo l v i d a por poucos trabalhadores livres, e à l a v o u r a m e r c a n t i l es cravista. 0 trabalho a ss al a r iad o é inexistente no campo e pou co signif icativ o na cidade". A s si n a l a Asiz S i m ã o ^ q u e :

"a zmpAZáa eócAav-íóta on.iznta-i>z, de um l a d o , pana a , <Lxpon.taq.ao de azli psi.odu.to z&&znc.ial z,

de outAo, pan.a a economia do. &ub&Á.&tzncia, em

pn.zgando lnclu£Á.vz mão de obn.a &zn.vil em tan.z ^aò an.tzsanaZ& e n.zcon.n.zndo -á z ao mzn.cado, gz malmente, importado a., pan.a obtenção de. antigo & ■6U plzme.ntan.zi>."

Nesse contexto, a sociedade colonial apresent a como com ponen tes básicos: os grandes p r o p r i e t á r i o s rurais, detentores do p oder p o l í t i c o ; ■uma b urguesia,incipiente, que controla o comércio nas cidades; uma classe de servidores públicos, nos centros m a i s de senvolvidos, e ainda outros segmentos numericamente de m e n o r importância. Os assalariados urbanos reduzem-se ao co ntig e n t e de imigrantes europeus, de início, p o u c o significativo. Os es cravos, últimos colocados na es c ala social, não têm sequer a re p r e se n t a ti vida de política.

Numa situação com essas caracteriscas, ê de esperar-se a inexistên cia de c o nflito s entre capital e trabalho, solo fértil onde pos sa p r os p e r a r m o v i m e n t o associ a tiv o de trabalhadores. 0 embate que se e st abe l e c e é para atingir ura e stágio mu ito inferior ao já vigente na Europa. Não se luta para livrar o trabalhador as salariado da o pr essão capitalista, tônica que dominou todo movi m e n to op e rário do Velho Mundo. Pretende-se o r e c o n h e c i m e n t o do trabalh a do r servil como pessoa, humana, eis que ju ridicamente é re l egado à condição de coisa. A i n d a nesse aspecto, o caso bra sileiro é peculiar; não são os pró prios escravos coletivamente o r g an i z a do s a principal força de pressão. Esta p r o v e m de uma elite intelectualizada, p ara d o x a l m e n t e situada no topo da pirâ raide social.

(2) - §ÍM50| Á s i 2 . S i n d i c a t o e E s t a d o . D o m i n u s E d i t o r a , S ã o P a u l ô , 1 9 6 6 p. 9

(29)

3.2. AS PRIMEIRAS M A N I F E S T A Ç Õ E S AS SOCIA TIV ISTAS

A i n d a na fase colonial, hã registros de "associa ções" no Brasil que os autores se d i v i d e m e m considera-las como ass emelhadas aos "grêmios" europeus. CATARINO, em obra recen te ^ , p o siciona-se ao lado d a queles que a d m i t e m a e x i s t ê n c i a do fato. | Para ele, a inserção de um d i s p o si tivo (artigo 179, n9 25) n a Const itu i ção do Império, de 25.03.1824, abolindo as "corporações de ofícios, seus juízes e mestres", resulta de uma situação real, ao invés de d e rivar de m e r a influência da Lei Le

Chapellier, como s ust e nta m alguns. Baseia-se, e m pr imeiro lu

gar, no fato de a C o n s t i tui ç ão assegurar a liberdade de traba lho> e não proibir e xp r e s s a e amplamente as corporações. Em se gundo, afirma pa re ce r certo a e x i s tên cia delas nas cidades de Salvador, São Paulo, Ol i nda e Rio de Janeiro, embora c om a res salva de não serem "idênticas às m e d i e vais e m u i t o menos impor ta n t es que estas", (p. 38)

(2 )

A p o i a d o e m va st a fonte biblio g ráf i ca , afirma a exis te n c i a de "corporações" na cidade de Salvador, reunindo p r o f is siona is do m es m o oficio, dentre elas as de "oficiais mecânicos" e "ouri^ ves". Re gistra a c ons t itu i ção da "Confraria dos Oficiais mec â nicos", no Colégio dos Jesuítas, e m 1614, e observa que, em 16 9J), os "oficiais mecânicos" já são n u mer o sos e agrupados por similitude ou conexão profissional, detalhe que con sid era importante, ante

--- --- --- ( 3 )

o critério de associa ça o est a bel e cid o no artigo 5 1 1 d a C . L . T .

CA T A R I N O d estaca ainda o fato singular de os "oficiais me cân i cos" das associações co lo ni a i s não serem assalariados, m a s tra

Cl) - C A T A R I N O , 1 9 7 7 . (2) - C A T A R I N O , 1 9 7 7 . p. 59 - N o t a s 4 4 e s e g u i n t e s . (3) - "Ê l í c i t a a a s s o c i a ç ã o p a r a f i n s d e e s t u d o , d e f e s a e c o o r d e n a ç ã o d o s s e u s i n t e r e s s e s e c o n ô m i c o s ou p r o f i s s i o n a i s de t o d o s os q u e , c o m o e m p r e g a d o r e s , e m p r e g a d o s , a g e n t e s o u t r a b a l h a d o r e s a u t ô n o m o s , o u p r o f i s s i o n a i s l i b e r a i s , è x e r ç a m , r e s p e c t i v a m e n t e , a m e s m a a t i v i d a d e o u p r o f i ^ a á o o u a t i v i d a d e s p r o f i s s õ e s s i m i l a r e s o u c o n e x a s . " >1

(30)

balhad o re s autônomos. Ex e r c e m seus ofícios a domicílio ou pe quenas oficinas, "ajudados por familiares, p rotegidos e af ilha dos, aprendizes e auxiliares". A e s tru tura de cada "ofício me cânico" é composta, na o rde m descendente, por m e s t r e s , o f i c i a i s , a pr e n di z e s e j o r n a l e i r o s . Somente os últimos, verda dei ros ope rârios, p e r c e b e m salário, não es t ão sujeitos às regras da "Con fraria" e p o d e m ser con siderados trabalha dor es subordinados, "in dustriários" (...) "assalariados com orde nad o mensal, forma ndo a classe dos e m p r e g a d o s " . ^

I

De r e s sa l tar ainda a v i n c u l a ç ã o existente entre as Confr a r i a s e as Irmandades, essas últimas, e spé c i e s de organiza çõe s parale las a tuando no setor religioso. As C o nfr arias perdem, c o m o tem po, i mp o r tância ad mi ni s t r a t i v a e se tor nam meno s p r o f i s s i o n a i s e m a i s devotas. Gradativamente são absorvidas pelas irmandades que s u bs i stem até nos s os dias.

0 ilustre jurista não faz referê nci a s até qua ndo v i g o r a r a m as Confrarias. Pelo que se depreen d e do que escreveu, sua morte foi lenta e natural, sem a n e c e s s ida d e da dec ret ação legal im p osta no citado artigo 179 da Co n s t i t u i ç ã o de 1824. R eco rde-s e que as corpor aç õe s européias so f ria m tam bém de esclerose ao tem po da lei Le Cha pe l lie r e do C o m b i n a tion Acts, conforme Ev ari s to de Mo r a i s Filho, mas esses atos do poder estatal a n t e c i par am sua morte. Já no caso brasileiro, se é que se possa consi der ar as C on f r a r i a s como similares das o r ganizaçõ es européias, a toma da de p os ição do Estado já as e n c o n t r o u mortas, de m ort e n a t u ral mesmo. Dal parecer m a is correto o ente ndi mento de que hou ve mera influência das leis francesas e inglesas na tom ada de p o s i ç ã o do Es t a d o brasileiro.

Outros autores n aci onais citara m a n i f e s t a ç õ e s associativas no Brasil, na Col ôn ia e já n o Império. Gi lberto F r e i r e ^ refere- se a uma a ssoc ia ç ão de negros dos armaz éns de açúcar do Recife,

que formava uma espécie de "aristocracia de escravos, superio

Cl) - C A T A R I N O , 1 9 7 7 , p. 39

(31)

res e m prestigio" aos escravos das plantaç ões de cana de açúcar. H ã referência a uma outra, fundada e m 1812, tam bém e m Recife,

destinada ao trabalho de carga e d e scarga de navios e que se

constitui n a p r i m e i r a d i s c i p l i n a ç ã o de uma classe, n o Brasil, e cujo sistema do trabalho ainda é o adotado, e m parte, pel os sin

1

(i y

diçatos de estivadores. Segadas Viana, citado p o r C A T A R I N O ' faz reférência à f ormação de Confrarias de escravos, com finali dades religiosas e p a r a á m e à l h a r fundos p a r a compra de "cartas de alforria, s ob re ss ai nd o- se a de "Chico Rei", e m Vila Rica, no S éc u l o XVIII, que che g ou a adquirir uma m i n a de oUro, p a r a com a venda do p r o d u t o p a g a r a liberdade de outros escravos.

A l é m dessas associações (ou confrarias) de pretos escravos, hã registros de outras, já de tr abalhadores assalariados, n o p e r í o do ide a ut o nomia política. O o bje t ivo c a r a c ter ístico dessas as sociações é a ajuda m ü t u á entre seus membros. E com base n i s s o

T 2 )

é que José A l b e r t i n o Rodrigues c las sific a e s s a fase histõri ca do s in d icalis mo b r a s i l e i r o de " m u t u a l i s t a " . Esse autor d esta

ca a "Imperial Sociedade ,dos Artistas Mecâ nicos e Liberais de

Pernambuco", i ns ti t u í d a em 1836 e p ost a e m funciona men to e m 1841; a "Imperial Tip o g r á f i c a Fluminense", fundada e m 1 8 5 3 e q u e já comandava uma greve e m 185 8; a "Sociedade Benefice nte dos Caixeiros", em 1873; a "Associação de Aux ílios Mútuos", trans formada depois e m "Liga Operária" e a "União Beneficent e dos Operários da C o n s t r u ç ã o Naval", e m 1884.

Entretanto, o sentido r e p r e s ent a tiv o de classe, segundo ainda A l b e r t i n o R o d r i g u e s , é dado com a fundação do "Corpo Coletivo da União Operária", c o n g r e gan d o os Operários dp Arsenal da Ma r i n h a da Corte, e m s u b s t i t u i ç ã o ao "Monte de Pen sões dos Operá rios dos Arsenaas do Império" já existente hã dez anos.

Referências são t am b ém feitas a uma "Liga Operária", de 1870 , e a uma "União Operária", de 1880, nã o se s a b e n d o se correspondem às m esmas citadas por A l b e r t i n o Rodrigues, e m b o r a e m datas dife

(1) - C A T Á E I N O , 1 9 7 7 , p. 40

(2) - R O D R I G U E S , J o s e A l b e r t i n o . S i n d i c a t o e D e s e n v o l v i m e n t o n o B r a s i l . D i f e l . S . P a u l o . 1 9 6 8 , p. 6

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rentes. C H I A R E L L I ^ , por exemplo, o bserva que no per í o d o colo nial e i n í c i o da independência, "as reali zaçõe s classist as não p a s s a v a m de meras situações isoladas e de d ime nsões inexpressi vas para p erma n e c e r no registro h i s t ó r i c o e ganhar uma análise no campo das c onsequências." Admite, no entanto, como p o n t o de p a r t id a do m o v i m e n t o si ndicalista no Brasil a fundação da Liga Operária, e m 1870 e da União Operária, e m 1880. As mesmas asso

_ (2T

ciaçoes sao igualmente citadas p or E v ar i s t o de Mo rai s F ilh o

- (3)

e Jose M a r t i n s Catarino

Dè q u al q u e r forma, n es sã fase que se e ncerra com a Abolição, em 1888, n ã o 1se pode ainda falar em m o v i m e n t o organ iza do dos traba lhadores brasileiros, com ob j eti v os defi nidos em função de iden ti fi cação p r o f i s s i o n a l . , As con d ições adversas p r e d o m i n a n t e s no co ntexto político, ec o nôm i co e social imp ede m o fl ore scime nt o das idéias t r a n s p l a n t a d a s da Europa. Conforme a ssinala c o m p r o

(4) priedade Evar i s t o de M o r a i s F ilh o :

"uma 4 0 ciedade e6cn.avocn.ata, toda ela baseada no tn.abalko &en.vil, com a indu&tnia ainda em seus pn.imein.os anseios, espalhada pon. um longo tenn.iton.io, com escassa densidade pojoulacijinal, não en.a possZvel encontfian. clima pn.opn.io ã on. ganização coletiva do Trabalho.”

(1) - C H . I A R E L L I , C a r l o s A. G o m e s . T e o r i a e P r a t i c a do Si ndica. l i s m o B r a s i l e i r o . L T r . S. P a u l o , 1 9 7 4 , p. 43 (2) - M O R A I S F I L H O , E v a r i s t o . I n t r o d u ç ã o . in " A p o n t a m e n t o s de D i r e i t o O p e r á r i o . E v a r i s t o de M o r a i s , L T r . S a o P a u l o . 1 9 7 1 . (3) - C A T A R I N O , 1 9 7 7 . (4) - M O R A I S F I L H O , E v a r i s t o . 1 9 7 8 , p. 1 82

(33)

3.3. A CONS O LID A ÇÃO DO M O V I M E N T O SINDICAL E A T OMA DA DE POSI ÇÃO DO ESTADO BRASIL E IRO

3.3.1. C ausas determinantes:

a) Internas (Abolição e República) b) E xt er na s (1- G uerra e Revolução)

i * (de 1917/1918 na Russia)

Na fase p rec e d e n t e não se pode falar em interfer ên cia do Es t a d o b r a s i l e i r o no m o v i m e n t o as soc iativ o operário. Ex ceção feita à pr o ib i ç ã o das c orporações de artes e ofícios, in serida no artigo 179 da C on s t i t u i ç ã o de 1824, jã comentada em o u tr a parte, o Estado a s s i s t i u indiferente a—criação das cham a das a s sociações mutualistas. A atitude de ap atia justifica-se p e l a inexistência de p r o b l e m a social capaz de p ert urbar a estr u

tura do poder p ol í t i c o instituído. Entretanto, dois aconteci

m e n t o s internos, a A b o l i ç ã o e à República, e dois externos, a P r i m e i r a Grande Gu e r r a M u n d i a l e a Revolução Russa de 1917/1918, i r i a m ser causas d et er mi na ntes da mu d a n ç a de co mport ame nto do E s ta d o brasileiro.

a) - A abo l ição da esc rav atura p rovoca v e r d a d e i

ra revolução no sistema de trabalho e na ec on o m i a nacionais. A m ã o - d e - o b r a escrava, s ustentáculo da pr odu ção agrícola, ê libe r ad a de forma abrupta# com p r ofundas r e p e r c ussõe s nos setores

social e ec on ô m ic o do país. Observa-se um incremento, embora

pequeno, do trabalho a s s a l a r iad o no campo, mas, ao me s m o tempo, t em início ura pr o ces s o de m i g r a ç ã o da zona rural para a urbana. Os grandes pr o p ri et ár io s de terras, ante o impacto do au mento do custo da p r o du çã o agrícola, des a tiva m ou al ienam as áreas ru r a is antêtiermente produtivas./ transfer indo o capital p a r a pe

qu e n o s êffiprêêndimentos urbanos. 0 contingente de escravo s re

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sidade de lutar pela pr ópria subsistência. 0 resultado ê que a m a i or i a disper sa - se pelos campos ou acampa âs cidades era busca do trabalho assalariado.

A República, na s c i d a ura ano apõs, d e fro nta-s e com todos os pro bleraas o r iundos da Abolição, a s s i m enumerad os por Evari sto de Mo rais Filho: ^

"campo dz60A.gani.zado; quzbsta dz produção; au. Aznc-ia dz bAaço l-ívaz paAa &ub&tituÍA, dz az pzntz,< o tAabalko ZAcAavoj miaAação paAa o& cznt>io& u.n.bano6 dzéòa mão dz ooAa dzó zmpAzgada z faminta, quando não òz dzixava fiicaA pzloò pAopAioÁ campo6, como ^antaòmai a pzAambulaA zm toAno da6 antigaò úazzndaò."

Nos centròs mais desenvolvidos, São Paulo e Rio de Janeiro, os pro b l em a s sociais tornam-se m a i s intensos e p ela p rim e i r a vez os tra b a lh a d ores co m eça m a tomar c o n s c i ê ncia de sl mesmos. È que nova classe social começa a se formar no setor urbano: são os p e q ue n o s comerci an t es e os imigrantes europeus, italianos e por tugueses, na maioria, que par a aqui v ê m em face da p o l í t i c a de c o l o n i z aç ã o e m p r e e nd id a pelo g o verno brasileiro.

Esse novo componente da sociedade nac ional introduz m u d a n ç a s sensíveis nos setores sociais e econômicos, com res ultad os pos i tivos e negativos. Para cã, t r a z e m uma e x p e r i ê n c i a mel hor na o r g a n i z a ç ã o do trabalho, na e s p e c i a l i z a ç ã o de m ã o - d e -ob ra e, so bretudo, tr az em idéias n o v a s n o campo da or ganiz açã o colet iv a do trabalho. A luta o p e r ã r i o - s i n d i c a l í s t a de senvolvida na Euro

pa p a s s a a ter reflexos significativos,- com boa aceitação dos

postu la d os das correntes doutri nár i as do sindicalismo re for m i s t a e revolucionário, que m a i s tarde toma feição anarquista.

A pa r t i c i p a ç ã o do ele mento estr a nge i ro n essa fase ê de grande im portância, pois constitui a quase totalidade da m ã o - d e - o b r a em

pre gada n a indústria. Inquérito pro c edi do no início do século

(2)

(1901) F^ãn e i i C ò B an deira Júnior " constata a p e r c e n t a g e m (1) - ' M O R A I S P I L H O , 1 9 7 8 . p. 1 82

(2) - M Ô R A Ü , E v â f i s t o de. A p o n t a m e n t o s d e D i r e i t o O p e r a r i o .L T r . §. fãulo. 1 9 7 1 “ ----

(35)

---de 80% ---de e s t r a ng ei ros n a s ativida---des fabrís do Rio ---de Jan eiro e> São Paulo. Sobre o fato, Ev a ris t o de M o r a i s F i l h o ^ faz a se guinte observação:

"Mão é de estn.anh.aK, pois, que essa maioria ur bana de tK.abalhadon.es estn.ange-in.os, tanto no Rio quanto em S. PautoL trouxesse consigo a in quisição e a politizacao dos stus países de orZ gem, industrialmente mais adiantados"(2 ]

Hã, porém, alguns fatores que im p edem que fosse melhor a contri b u i ç ã o dos imigrantes e ur op e u s ao d e s e n v o l v i m e n t o das idéias so

(2)

ciais no Brasil. E v e r a r d o Dias des taca que tanto os ita

lianos como os portugueses p r o v i n h a m de regiõ es as mais diversas, "todos eles com suas idiossincrasias, seus seculares p r e c o n c e i tos regionais". Aj u nt e - s e a isso o fato de grande parte ser c o n s t it u ída de lavradores, sem qua lquer esp ec i a l i z a ç ã o e sem ofí cio determinado, com o ob je t i v o único da aventura, de "fazer a América". E conclui o ref e rid o autor:

"ora, não seria positivamente com uma massa he terogênea, com tendências^puramente utilitaris tas de independência econômica, de ehriquecZ mento em negócios, visando voltar logo para o torrão natal,^que sé poderiam formar quadros fixos de operários permanenteA em determinado ofZcio ou "industria,. que se poderia conseguir unidades de ação a fim de interessar os indi vZduos• em reformas sociais, melhoria de áaia rios, diminuição de horas de serviço,, condições mais salubres nos locais de trabalho..." {p. 40) F a l t a m a esses imigrantes q que A l a i n To uraine cla ssi fica de pr i n cí p i o s básicos p a ra a formação de uma consci ênc ia de ciais s e :

a) o p ri nc í p i o da identidade; b) o pr in c í p i o da o p o sição e c) o p rin c ípi o da totalidade.

(1) - M O R A I S F I L H O , E v a r i s t o de. " I n t r o d u ç ã o " . in A p o n t a m e n t o s de D i r e i t o O p e r a r i o . M O R A I S , E v a r i s t o , 1 9 7 1 .

(2) - D I A S , E v e r a r d o . H i s t o r i a d a s L u t a s S o c i a i s no B r a s i l . A 1_ f a - O m e g a . S. P a u l o . 197 7 .

(36)

Faltam, em suma, a identificação com o grupo pro fis siona l que pas sam a pertencer, a d et er mi n a ção (no sentido de especificação) do a d v er s á r i o contra q u e m e s t a b e l e c e r a oposição, e, finalmente, a e l ei ç ã o de um pro j e t o de uma sociedade global, no futuro. E, quanto a este último aspecto, o p roj e to idealizado por eles dis

tancia-se dos anseios como parte integrante de uma profissão.

N i n g u é m p ensa envelhecer no tra bal h o que e v e n t ualme nte e x e c u ta. 0 o bj e t i v o almejado é "enriquecer ou evitar a sujeição do e m p r e g o assalariado, ser autônomo e independente por m e i o do ar tés anato remunerador”. ^

!

Entretanto, a p artir de 1890, toma corpo o m o v i m e n t o operá rio de c a ráter r ef or mi st a p re te nde n do m e l h o r e s condições de vida, di reitos p o lít i c o s e, sobretudo, ab o rdando p roblemas e s p e c íf ico s da classe o pe rá ri a e seu m o v i m e n t o sindical. Paralelo a ele,

I

cresce t am b é m o m o v i m e nto anarquista, propugn and o por m u d a n ç a s mais r a dicais entre a sociedade c api t alis ta e a sociedade comu

(2 )

nista. E d gard Carone identifica traços comuns nesses dois

movimentos, pois ambos lutam a favor da din amiza ção dos sindica tos, va l o r i z a ç ã o das greves, ne c ess i dad e de' leis sociais con tra a injustiça bu rguesa etc.

O i nício do século vai e n contrar uma sociedade política e social mente conturbada. A República não está de todo s olidificada e, no campo social, as greves se s uc e d e m nos pri nci pais ce ntros po

(3)

p u l a c i on a is do país. E v aristo de Mo r a i s credita o m o v i m e n t o gre vista â or ga ni za çã o sindical já existente, mal grado os nomes e s t a p a f ú r d i o s que os órgãos p i o n e i r o s adotam: "Liga", "Centro", "Federação", "Resistência", "Sindicato", "União", "Sociedade", "Fraternidade", "Círculo", "Corporação", "Partido" e, atê, um "Centro Internacional dos Pintores". Vale o registro das pala vras desse autor: "A o r g a n i zaç ã o ope r ária que se vai fazendo ne s ta cidade (refere-se ao Rio de Janeiro) trouxe, como princ i p a l

Cl) - D I A S , E v e r a r d o . 1 9 7 7 , p. 40.

(2) - 6 A R 0 N E j E d g a r d . M o v i m e n t o o p e r á r i o n o B r a s i l . D i f e l . S. f ã U l õ , 1 9 7 9 .

(37)

consequência, a m u l t i p l i c a ç ã o das greves" (...) "Verdade é que tivemos de assistir, nos úl tim o s anos, ao i rrompimento de umas cinco ou seis greves, quase todas b e m sucedidas".

0 m o v i m e n t o sindical op e rário alcança, pel a primeira vez, dimen são nacional, c om o 19 C ong resso O per á r i o Brasileiro, no Rio de Janeiro, e m 1906, quando ê fundada a C o n f e d era ção Op erária Bra sileira,< a qual se f iliam n ume r o s a s en tida des de classe. Já an tes, e m 1905, ec l o d i r a u ma greve geral e m S. Paulo e no ano se guinte (1907) re pe t i r - s e - i a o m e s m o fenômeno. ^

Ê fácil compre en d er- s e que toda essa m o v i m e n t a ç ã o o per ária não era assistida pa s s i v a m e n t e pelo E s tado brasileiro. A Con st i t u i ção de 1891 dera tutela jurídica ao sindicato, ao e s t a b e l e c e r no Artigo' 72 § 89 a p e rmi s são de a g r u p a men to e m as sociações de indivíduos da m e s m a c ate goria p r o f i ssi ona l ou similar, e sta tui n do que: "a todos ê lícito associarem-^se livremente e . sem ar mas, : ..não . p o de nd o . intervir a p o l í c i a senão para m a n t e r a or d e m pública."

Ma s a g ar antia consti tu ci on al ê apenas aparente. Na prática, o que se ob serva é uma forte r epr essão policial aos m o v i m e n t o s operários. M e s m o m a t e r i a l i z a d o o p r ec e i t o da lei maior, c om a p r o m u l ga ç ão do DL 979, e m 1903, as associaçõe s operárias n ã o es_

capam à ação r ep r es s i v a da polícia. "Os sindicatos tinham, des ta forma, v i d a m ui to precária, exp o stos con sta nteme nte ao fecha m e n t o arbitrário, às vi si ta s policiais, â prisão de seus mem b r o s

mais destacados, â remoção de seus móve is e livros para sere m

de st r u íd o s como p lan t a per i gos a e amaldiçoada.' Pode-se d izer sem receio de desme n tid o que, de 1903 a 1930, não houve sindicato

que tivesse vida re gular e livre de intervenção policial". Es

se ê- o dep oi m e n t o de E ve r a r d o Dias que m i l i t o u na política ope (2) r ario/ s in d ical br as il e i r a durante a lgumas dezenas de anos.

Ainda no clima conturba d o do início do século o Estado toma nova

(1) - C A T A R I N O , M a r t i n s . 1 9 7 7 . p. 42 (2) - D I A S , E v e r a r d o . 1 9 7 7

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