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20090929-T23380-ANEXO11

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Anexo 11

ANÁLISE DE INDICADORES DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS COMO FERRAMENTAS DE GESTÃO Maurício Ferreira da Costa

INDEP Auditores Independentes S/S

Disponível em http://www.microepequenasempresas.com.br/2-analise-de-indicadores-das-demonstracoes-contabeis-como-ferramenta-de-gestao/

 1.1 INTRODUÇÃO À ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS

A contabilidade, como poderosa ferramenta que registra, controla e mensura[1] todos os eventos financeiros de uma empresa pode ser instrumento fundamental à gestão de qualquer corporação, e consubstanciar este argumento, suas conseqüências e objetivos é a linha e objetivos maiores deste trabalho.

Inicialmente, cabe mencionar, que a contabilidade é uma ciência que mantém o registro, dentro de certos princípios universalmente aplicados, de todos os eventos financeiros que ocorrem em uma empresa. Neste contexto deve-se também ressaltar que tal contabilidade, à ser utilizada como ferramenta de gestão, deve portanto registrar todos os eventos de determinada organização, o que por conseguinte significa uma escrituração ortodoxa de todos estes eventos. Registre-se também que os sistemas informatizados, hoje largamente empregados em empresas de PUBLICIDADE vários portes, não processam a escrituração contábil no âmbito do Departamento de Contabilidade, objetivando a formulação “apenas” desta escrituração contábil. Constitui-se filosofia destes sistemas lidar com o fato contábil deste a sua origem, ou fato gerador, e por conseguinte efetuar as partidas dobradas, e suas consolidações, decorrentes já à partir deste fato. Naturalmente que para tal deve-se permanentemente lidar com a adequada parametrização destes sistemas. Entende-se que uma ferramenta tão poderosa à ponto de registrar o lançamento contábil de estoque contra contas à pagar, simplesmente à partir da digitação de um estoquista por uma nota fiscal de entrada, deve estar permanente parametrizada para refletir todos os desdobramentos inerentes desta operação. Entende-se esta parametrização pela amarração de todos os eventos contábeis, ou até mesmo extra contábeis, subseqüentes à entrada desta nota fiscal. Tome-se por exemplo a nota fiscal de entrada de uma matéria prima em estoque. A digitação desta simples nota fiscal deve ser suportada por uma parametrização no sistema que informe à que estoque será transferida, ou debitada, esta matéria prima, alíquotas fiscais de impostos à compensar, fornecedores com duplicatas à pagar, etc. Em outras palavras, deve este tipo de sistema manter adequadamente a parametrização que suporte a objetiva e pertinente classificação dos fatos contábeis operacionais do dia-a-dia da empresa.

aturalmente também que, mesmo com tal automatização, empresa nenhuma pode prescindir de um controle interno que suporte a adequada conferência e movimentações físicas do evento registrado neste mesmo sistema informatizado.

Por outro lado também, na medida em que uma ferramenta informatizada desta natureza pode lidar com a automatização da maioria dos processos operacionais de uma empresa, desdobrando-se nos seus registros contábeis, pode também esta ferramenta suportar um nível

de classificação analítico

das informações, e suas agregações, bastante maior do que seria possível na formulação de uma operação e contabilidade manualmente trabalhada, ou através de um sistema restrito a contabilidade.

Dessa forma, e em última instância, a formulação e implantação, basicamente pelo contador da empresa, de um plano de contas que suporte registrar informações contábeis em uma estratificação adequada ao fornecimento de informações, é tarefa fundamental do contador neste ambiente. Exemplifique-se este fato à necessidade da gestão da empresa obter dados

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operacionais, ou estruturais, da empresa que suportem a comparabilidade no mercado em que esta empresa opera, ou mesmo a tendência histórica dos fatos registrados, para a adequada tomada de decisões. Correlacionar estes dados registrados através de indicadores matemáticos é em última instância objetivo de analisar as demonstrações financeiras de uma entidade. Registrar e consolidar estes dados de maneira analítica, que permita a obtenção destes parâmetros matemáticos, de forma fidedigna, é portanto tarefa do contador, através de um adequando plano de contas. Tome-se por exemplo uma manufatura que opera com diversas fábricas para atendimento ao mercado de sua linha de produtos geograficamente dispersos. Neste ambiente segregar adequadamente o plano de contas para registrar e consolidar as operações de compras de matérias primas, despesas de frete, alíquotas de impostos, receitas de vendas, etc. pode ser uma fundamental ferramenta para levar à corporação importantes informações de participação nestes mercados, margens, eficiência na fabricação, ou seja, em última instância suportar a tomada de decisões. Mesmo fora deste ambiente, que vem a permitir em enorme refinamento de análise das demonstrações financeiras, a contabilidade de qualquer empresa já permite importantes correlações de suas operações e estrutura, consagrados, e largamente difundidos, como será visto adiante.

1.1.1 PRINCIPAIS INDICADORES DE ANÁLISE ECONÔMICO FINANCEIRA

1.1.1.1 INDICADORES DE ESTRUTURA DE CAPITAL:

Tais indicadores avaliam, de modo geral, a segurança oferecida pela empresa aos capitais alheios e revelam sua política de obtenção de recursos com relação a fonte, volume e prazo, bem como sua alocação nos diversos itens do Ativo. São indicadores financeiros e avaliam

essencialmente risco.

Não obstante à isso, este indicadores devem sempre ser avaliados à luz do mercado em que esta empresa opera. É bastante complexo correlacionar, por exemplo, o número que mede quaisquer um destes indicadores para uma empresa altamente imobilizada, contra uma chamada “empresa de internet”. Possivelmente o número que mede imobilização de uma sólida empresa do ramo automotivo seja bastante menos atrativo à um investidor do que o mesmo índice que mede uma empresa de segunda linha da NASDAQ, entretanto a tomada de decisão de investir em uma destas duas empresas não pode ser feita apenas pela avaliação destes índices. Por outro lado, dentro de uma mesma cadeia de competição de mercado, estes números passam a ter significativa importância na avaliação da empresa, em seu segmento de concorrência. Os indicadores de estrutura de capital medem as necessidades de capital próprio ou de terceiros à determinado empreendimento, e seu emprego na infra-estrutura de produção.

Neste mesmo contexto, avaliar tais

números para as principais montadoras de automóvel, americanas e japonesas na década de 80, nos levaria à importantes conclusões. Naquela ocasião a quebra de paradigmas desta indústria, pelas montadoras japonesas, levaram à meios de produção baseados em

“just-in-time” e rápido ciclo de

desenvolvimento de produtos. Nesta situação avaliar os indicadores de estrutura de capital das empresas que promoviam tal inovação, contra a pesada estrutura de operação das plantas automotivas americanas, nos levaria à flagrantes conclusões matemáticas da avaliação destas empresas. Com certeza a competitividade neste segmento de indústria requer, nos dias atuais, índices de estrutura de capital significativamente melhores do que antes da quebrar destes paradigmas tecnológicos e operacionais.

De uma forma geral pode-se empregar este conceito à qualquer segmento de indústria ou atividade econômica. Quando comparados dentro de um mesmo segmento de competição no mercado, os números de estrutura de capital, tendem a refletir a eficiência dos meios de

produção necessários à

sobrevivência neste mesmo mercado. Por outro lado, quando observados isoladamente, tais índices de estrutura de capital, pouco podem significar.

1.1.1.2 INDICADORES DE LIQUIDEZ

Tais índices avaliam a capacidade da empresa em honrar seus compromissos com terceiros em diversos aspectos. É resultado da capacidade da empresa em gerar lucros, e das decisões de financiamento e investimento tomadas pelos gestores. São indicadores financeiros e avaliam essencialmente risco. Tais indicadores, da mesmo forma que os anteriores, também devem ser

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avaliados dentro de um contexto. Por outro lado, os indicadores que avaliam o curto prazo são fundamentais à operação de qualquer negócio, visto que indicam a tendência de continuidade

imediata do negócio, sem a injeções de

capitais externos, no horizonte de um ano. Dessa forma, os indicadores de curto prazo constituem-se na “luz vermelha” da gestão do negócio, e a menos de uma súbita ruptura de paradigmas da cadeia de produção ou das necessidades de mercado, tais indicadores acumulam e refletem o histórico de problemas não sanados no passado, já a partir de tendências do longo prazo. Assim sendo, confrontar os indicadores de liquidez de determinado agente econômico é fundamental para sinalizar eventuais desvios de rumo na operação do negócio, que se não sanados, irão desaguar em uma insolvência de curto prazo em um momento futuro. Pode-se até mesmo dizer que este efeito demorará tanto mais a ocorrer quanto mais imobilizada for a atividade econômica em que atua esta empresa avaliada. De uma forma geral empresas altamente imobilizadas demandam para sua implantação um alto endividamento de longo prazo para o “start-up” do negócio, à ser amortizado pelos próprios resultados da operação do

negócio. Exemplificando podese

dizer que confrontando-se margens de operação de uma indústria siderúrgica, contra prazos de financiamento do imobilizado, necessário à operação desta mesma indústria, pode-se implantar um negócio com prazo de vida definido, salvo um alongamento desta dívida ao longo da

operação deste

negócio. De uma forma geral pode-se dizer que o endividamento de longo prazo, bem como a avaliação horizontal de sua amortização na série histórica, evidenciam tendências de continuidade do negócio avaliado.

Em última instância este efeito reflete também a expectativa de retorno do capital necessário à operação do negócio, o que no caso de capitais de terceiros, é medido pelos indicadores de liquidez de longo prazo. De fato, este efeito é um corolário dos próprios demonstrativos contábeis de uma empresa, quando de uma forma geral, pode-se dizer que os balanços patrimoniais confrontados historicamente, refletem em suas variações à cada momento, os resultados (DRE) acumulados entre o fechamento de cada balanço de um exercício.

1.1.1.3 INDICADORES DE RENTABILIDADE E LUCRATIVIDADE

Tais indicadores avaliam o desempenho global da empresa, em termos de capacidade de gerar lucros pelo capital investido. Avaliam as diversas margens geradas em relação à receita (lucratividade) e o resultado (receitas-despesas) em relação aos investimentos (rentabilidade). São indicadores econômicos e avaliam o retorno do capital investido. Da mesma forma que descrito anteriormente estes indicadores devem ser confrontados com o mercado em que a empresa atua, e com as séries históricas. Qualquer avaliação seca destes números podem induzir à raciocínios falaciosos como a alta lucratividade do “Business Case da Carrocinha de Pipoca” como um ótimo negócio ou a inviabilidade da implantação de uma

indústria de base em

economias emergentes, visto parecerem ser um mal negócio. Estes também são indicadores à serem levados em consideração dentro de um contexto de avaliação do segmento de indústria em que o negócio opera, frente às expectativas dos investidores. De fato, em qualquer economia competitiva, reguladas pelo mercado, não existem “ovos de Colombo”.

1.1.1.4 INDICADORES DE PRAZOS MÉDIOS

Estes indicadores revelam o nível de eficácia das decisões operacionais, como política de compra, cobrança, estocagem e venda da empresa. Estão diretamente ligados aos indicadores anteriores. São indicadores financeiros e avaliam necessidade de capital de giro de uma organização. Da mesma forma, que todos os anteriores, estes indicadores também devem ser olhados à luz do segmento de mercado em que opera uma empresa. Políticas de compra de uma empresa, em um mercado equânime e não regulado, são ditadas pela própria cadeia de fornecedores necessários à este segmento de indústria. Portanto nenhuma empresa conseguirá, à menos de condições exógenas bastante díspares, prazos de pagamentos significativamente melhores que seus principais concorrentes, visto que seus próprios fornecedores destas empresas também competem entre si. Empresas do segmento automotivo não tentem à conseguir prazos bastante diferentes das siderúrgicas que atendem à esta indústria, como pressuposto

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da própria cadeia de competição econômica. Da mesma forma, quando observadas as políticas

de cobrança e venda de uma empresa, estes efeitos

não podem ser significativamente diferentes, quando comparados aos seus concorrentes. Cabe ressaltar que para evidenciar esta situação, no segmento de varejo a Casa Bahia, sempre foi considerada em passado recente uma grande incógnita por seus concorrentes. Esta empresa conseguia praticar políticas de cobrança e financiamento significativamente diferentes de seus principais concorrentes. Por último, as políticas de estoque são de maior maleabilidade por parte da gestão da empresa, uma vez que elas refletem a capacidade temporal de transformar os insumos do negócio, através das ações necessárias na produção, em receita. E sobre isto a gestão tem maior flexibilidade à atuação, quer seja numa fábrica produzindo mais rápido, no varejo com melhor logística de reposição de estoques e entrega, ou na área de serviços.

1.1.2 conclusão sobre os PRINCIPAIS INDICADORES DE ANÁLISE ECONÔMICO FINANCEIRA Em que pese as contextualizações mencionadas neste trabalho, desde 1.1.1.1 até 1.1.1.4 sobre a avaliação dos indicadores de análise econômico financeira, manter permanente avaliação sobre eles é fundamental à qualquer empresa ou segmento de indústria. O permanente

confronto destes

indicadores, no contexto de qualquer atividade econômica, entre a empresa avaliada e o mercado como um todo é fundamental para evidenciar à gestão do negócio, ou “steakholders” de um modo geral, efeitos ou tendências necessários à sobrevivência da empresa no mercado, e

em seu segmento,

como por exemplo:

>> Obsolescência dos mecanismos de produção; >> Dificuldades à entrada em determinado mercado;

>> Oportunidade de aquisição de competidor face à dificuldades de curto-prazo; >> Necessidades de modernização do negócio;

>> Necessidades de renegociação ou alongamento de dívidas; >> Necessidades de busca de financiamentos de capital de giro; >> Oportunidades de busca de novos mercados;

>> Melhora da eficiência produtiva; >> Busca de novos fornecedores;

>> Tendência a exaustão do negócio (sucesso do passado); >> Avaliação de compra de investimentos;

>> Etc, etc…

1.2 Formulação de INDICADORES próprios DE ANÁLISE ECONÔMICO FINANCEIRA Da mesma forma que mencionado anteriormente, a avaliação dos índices consagrados de indicadores de análise econômico financeira é uma condição de sobrevivência no mercado, por outro lado a formulação de índices próprios do negócio pode ser uma importante vantagem competitiva para seus gestores. Face aos aspectos mencionados anteriormente no item 1.1 deste trabalho, as ferramentas de sistema propiciam cada vez mais a automação da própria contabilidade, e também a segregação de uma massa de dados à ser utilizada como “matéria prima” para a formulação de índices próprios de avaliação do negócio. De uma forma geral, ainda que não percebido desta forma por inúmeros contadores, esta situação propicia uma enorme oportunidade aos contadores que vivem em um ambiente de automação deste nível. Historicamente a formulação e análise do negócio sob os aspectos de indicadores próprios era uma função da controladoria das empresas, e neste ambiente de alto emprego de tecnologia, abre-se uma enorme oportunidade aos contadores para assumirem esta função nas empresas. Uma vez registradas contabilmente as principais movimentações financeiras da empresa, pode a própria contabilidade, através de um plano de contas eficiente e implantado em um sistema integrado, fornecer indicadores de desempenho do negócio para a tomada de decisão, em âmbitos muito além dos aspectos de patrimônio ou resultado.

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Por exemplo a segregação de receitas, nos lançamentos contábeis da DRE, estratificada por qualquer agregação pertinente a empresa, quer seja geográfica, curva ABC de maiores clientes, etc., pode fornecer importantes indicadores às áreas de marketing e vendas, mensurando a participação da empresa nos mercados em que atua. Da mesma forma a apuração de custos por linha de produtos, baseado nos apontamentos do PCP de um sistema integrado, possibilita apurar margens de contribuição por produtos, ou família de produtos, informação fundamental às políticas fabris de qualquer empresa. Também todas as despesas inerentes sobre as vendas podem ser adequadamente rateadas nos segmentos de clientes, ou geograficamente, ou por centro de custo, objetivando a apuração de indicadores confiáveis.

Pode-se dizer que a contabilidade é, de uma forma geral, uma poderosa ferramenta ao fornecimento de informações que suportam a tomada de decisões, indica tendências, sinalizam problemas, etc. Assim sendo, é desafio permanente do contador manter-se atualizado neste ambiente de tecnologia e instar sua atividade profissional à esta realidade.

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