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(1)MALENA ARAÚJO MOTA. A COBERTURA EM POLÍTICA NO WEBJORNALISMO: UM ESTUDO DE CASO DA COBERTURA DA POLÍTICA NAS ELEIÇÕES MUNICIPAIS 2012 EM PALMAS-TOCANTINS. Universidade Metodista de São Paulo Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social São Bernardo do Campo, SP, 2013.

(2) 1. MALENA ARAÚJO MOTA. A COBERTURA EM POLÍTICA NO WEBJORNALISMO: UM ESTUDO DE CASO DA COBERTURA DA POLÍTICA NAS ELEIÇÕES MUNICIPAIS 2012 EM PALMAS-TOCANTINS. Dissertação apresentada em cumprimento parcial às exigências do Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social, da UMESP – Universidade Metodista de São Paulo, para obtenção do grau de Mestre. Orientadora: Prof.ª Dra Marli dos Santos.. Universidade Metodista de São Paulo Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social São Bernardo do Campo, SP, 2013.

(3) 2. FOLHA DE APROVAÇÃO. A dissertação de mestrado sob o título “A cobertura em política no webjornalismo: um estudo de caso da cobertura da política nas eleições municipais 2012 em Palmas-Tocantins”, elaborada por Malena Araújo Mota, foi apresentada e aprovada em 11 de Abril de 2013, perante a banca examinadora composta por Prof. Dra. Marli dos Santos (Presidente/UMESP), Prof. Dr. José Marques de Melo (Titular/UMESP) e Prof. Dr. Roberto Gondo Macedo (Titular/UPM).. _________________________________________________________ Prof.ª Dra Marli dos Santos Orientadora. _________________________________________________________ Prof. Dr. Laan Mendes de Barros Coordenador do Programa de Pós-Graduação. Programa: Pós-Graduação em Comunicação Área de concentração: Processos Comunicacionais Linha de Pesquisa: Comunicação Midiática nas Interações Sociais.

(4) 3. Nada é impossível até que alguém duvide e prove o contrário. Albert Einstein.

(5) 4. Quem me dera ter o dom da poesia para descrever sutilmente o que vem em meu pensamento e mostrar todo o carinho e amor que sinto, mas nesta amplitude quero deixar aqui toda gratidão que tenho pela minha mãe e dedicar este trabalho para ela, dona Atercina de Araújo Mota, meu verdadeiro alicerce..

(6) 5. AGRADECIMENTOS. Agradeço primeiramente a Deus pelas infinitas bênçãos, fonte de luz e inspiração todos os dias de minha vida. À minha mãe Atercina de Araújo Mota, pelos dias de alegria e pelos sonhos em querer ser alguém melhor, sem sombra de dúvidas é o meu maior e melhor tesouro. Ao meu pai, Francisco Moreira da Mota (em memória, mas presente em meu coração), por todo o amor compartilhado, muito obrigada pelos anos vividos ao lado da nossa família e pela luta incansável na educação das suas filhas. Pelos caminhos que trilhei até aqui, muito tenho que agradecer e não poderia deixar de reconhecer o apoio dado pelas amigas Rose Vidal, minha amiga irmã e minha maior incentivadora dentro da academia. Também não poderia esquecer de citar os nomes das também amigas Georgethe Pinheiro, Iraci de Araújo, Anelisa Maradei, Iara Cruz e Laura dos Anjos, pois me apoiaram e sempre acreditaram em mim. À professora orientadora, Dra. Marli dos Santos, pelas palavras precisas na realização deste trabalho, pois foi mais que orientadora, foi meu esteio durante este processo, muito obrigada, pois sei que sem seus conhecimentos não conseguiria. Ao professor livre docente, José Marques de Melo, pelo incentivo e gosto pela pesquisa. Ao meu ex-orientador, Dr. Adolpho Queiroz, pela oportunidade de ingressar no mestrado e pelo apoio de sempre nas dificuldades. Aos professores da Universidade Metodista de São Paulo, em especial aos professores do Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social, por todo o conhecimento adquirido ao longo destes anos. Ao ex-prefeito, Raul Filho, pela compreensão e apoio ao meu desenvolvimento profissional e acadêmico. Aos colegas mestrandos que tive o privilégio de compartilhar o conhecimento. Aos amigos do Paço Municipal de Palmas, especialmente aos colegas de trabalho da Secretaria Municipal de Comunicação, pelo incentivo na realização e conclusão deste trabalho. Aos amigos de hoje e de outrora. Muito obrigada a todos..

(7) 6. LISTA DE TABELAS Tabela 1 – Tipificação das Matérias Gaye Tuchman............................................................ 50. Tabela 2 – Candidatos ao governo de Palmas – 1990-2005................................................. 62. Tabela 3 – Candidatos à prefeitura do Município de Palmas/TO em 2012.......................... 65. Tabela 4 – Formatos do jornalismo informativo (José Marques de Melo)........................... 81. Tabela 5 – Tipos de fontes (Nilson Lage)............................................................................. 82.

(8) 7. LISTA DE GRÁFICOS Gráfico 1 – Categoria Candidato.......................................................................................... 86. Gráfico 2 – Amastha............................................................................................................. 86. Gráfico 3 – Lélis................................................................................................................... 87. Gráfico 4 – Luana................................................................................................................. 87. Gráfico 5 – Todos................................................................................................................. 88. Gráfico 6 – Subcategoria gêneros jornalísticos..................................................................... 88. Gráfico 7 – Subcategoria fontes............................................................................................ 89. Gráfico 8 – Subcategoria texto.............................................................................................. 90. Gráfico 9 – Subcategoria tamanho de texto.......................................................................... 90. Gráfico 10 – Ilustração.......................................................................................................... 91. Gráfico 11 – Posicionamento do Portal T1 na cobertura da campanha................................ 92. Gráfico 12 – Matéria assinada?............................................................................................. 92. Gráfico 13 – Especial CT Eleições 2012.............................................................................. 95. Gráfico 14 – Amastha........................................................................................................... 96. Gráfico 15 – Luana............................................................................................................... 96. Gráfico 16 – Lélis................................................................................................................. 97. Gráfico 17 – Todos .............................................................................................................. 97. Gráfico 18 – Subcategoria gêneros jornalísticos................................................................... 98. Gráfico 19 – Subcategoria fontes.......................................................................................... 99. Gráfico 20 – Subcategoria texto............................................................................................ 99. Gráfico 21 – Subcategoria tamanho de texto........................................................................ 100. Gráfico 22 – Ilustração.......................................................................................................... 101. Gráfico 23 – Posicionamento do Portal Cleber Toledo na cobertura da campanha.............. 101. Gráfico 24 – Matéria assinada?............................................................................................. 102. Gráfico 25 – O Portal faz uso do conteúdo interativo? ........................................................ 102.

(9) 8. LISTA DE SIGLAS TO – Tocantins SP – São Paulo UMESP – Universidade Metodista de São Paulo PC Farias – Paulo César Farias PT – Partido dos Trabalhadores TV – Televisão TRE – Tribunal Regional Eleitoral PDS – Partido Democrático Social PDT – Partido Democrático Trabalhista HGPE – Horário Gratuito de Propaganda Eleitoral FHC – Fernando Henrique Cardoso PSDB – Partido da Social Democracia Brasileira PSB – Partido Socialista Brasileiro PPS – Partido Popular Socialista DEM – Democratas PP – Partido Progressista TSE – Tribunal Superior Eleitoral PMDB – Partido do Movimento Democrático Brasileiro PV – Partido Verde ONGs – Organizações Não Governamentais GO – Goiás IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatístico PDC – Partido Democrata Cristão PSDC – Partido Social Democrata Cristão PFL – Partido da Frente Liberal PSB – Partido Comunista do Brasil PC do B – Partido Republicano Brasileiro PPS – Partido Popular Socialista PR – Partido UFT – Universidade Federal do Tocantins CEJET – Comissão de Estudos Jurídicos do Estado do Tocantins CENOG – Casa do Estudante Norte Goiano.

(10) 9. JTO – Jornal do Tocantins CT – Cleber Toledo.

(11) 10. SUMÁRIO. RESUMO.............................................................................................................................. 12. ABSTRACT……………………………………………………………………………….. 13. RESUMEN............................................................................................................................ 14. INTRODUÇÃO.................................................................................................................... 15. CAPÍTULO I – JORNALISMO POLÍTICO E COBERTURA ELEITORAL NO JORNALISMO DIGITAL.................................................................................................... 18. 1.1 Jornalismo político no Brasil.......................................................................................... 19. 1.2 Cobertura jornalística especializada em política............................................................. 23. 1.3 Partidarismo na imprensa................................................................................................ 26. 1.4 Cobertura jornalística no período eleitoral...................................................................... 28. 1.5 Eleições e cobertura eleitoral na era pós-Collor............................................................. 30. 1.6 Cobertura política das eleições na internet..................................................................... 34. 1.6.1 O uso da mídia digital pelos candidatos...................................................................... 37. CAPÍTULO 2 – AS ROTINAS PRODUTIVAS E O PAPEL DO JORNALISTA NA PRODUÇÃO NOTICIOSA.................................................................................................. 41. 2.1 O jornalismo moderno e o jornal-empresa...................................................................... 41. 2.2 A agenda-setting: dos meios de comunicação de massa à web...................................... 42. 2.3 Novas rotinas produtivas no webjornalismo................................................................... 48. 2.4 O processo produtivo no webjornalismo........................................................................ 50. 2.5 Jornalista-gatekeeper no novo cenário............................................................................ 53. CAPÍTULO 3 – CENÁRIO POLÍTICO EM PALMAS....................................................... 56. 3.1 Eleições municipais em Palmas...................................................................................... 56. 3.2 Representantes dos principais grupos políticos de Palmas............................................. 58. 3.3 Eleições municipais em Palmas 2012............................................................................. 64. 3.3.1 Marcelo Lelis (PV)....................................................................................................... 66. 3.3.2 Luana Ribeiro (PR) ..................................................................................................... 67. 3.3.3 Carlos Amastha (PP) .................................................................................................. 67. CAPÍTULO 4 – HISTÓRIA DO JORNALISMO NO TOCANTINS.................................. 69.

(12) 11. 4.1 Breve história do jornalismo no Tocantins..................................................................... 69. 4.2 Breve história do jornalismo em Palmas......................................................................... 71. 4.3 Principais portais de notícia de Palmas........................................................................... 74. 4.3.1 Roberta Tum................................................................................................................. 74. 4.3.2 Portal Cleber Toledo................................................................................................... 74. 4.3.3 Portal Conexão Tocantins........................................................................................... 75. CAPÍTULO. 5. –. TRAJETÓRIA. METODOLÓGICA. E. ANÁLISES. DOS. RESULTADOS..................................................................................................................... 76. 5.1 Amostra........................................................................................................................... 78. 5.2 Categorias de análise....................................................................................................... 80. 5.3 Análise de conteúdo das tabelas simples........................................................................ 85. 5.3.1 Portal T1 Notícias........................................................................................................ 85. 5.3.2 Portal CT...................................................................................................................... 94. 5.4 Comparando algumas estratégias dos portais................................................................. 103. CONSIDERAÇÕES FINAIS................................................................................................ 107. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.................................................................................. 110. ANEXOS.............................................................................................................................. 117. ANEXO 1 – ENTREVISTA COM O JORNALISTA CLEBER TOLEDO (PORTAL CT)........................................................................................................................................ 118. ANEXO 2 – TRANSCRIÇÃO DE ENTREVISTA COM A JORNALISTA ROBERTA TUM...................................................................................................................................... 124. ANEXO 3 – TÍTULOS DAS NOTÍCIAS ANALISADAS PELO PORTAL CT................ 129. ANEXO 4 – TÍTULOS DAS NOTÍCIAS ANALISADAS PELO T1 NOTÍCIAS.............. 134.

(13) 12. MALENA ARAÚJO MOTA. A COBERTURA EM POLÍTICA NO WEBJORNALISMO: UM ESTUDO DE CASO DA COBERTURA DA POLÍTICA NAS ELEIÇÕES MUNICIPAIS 2012 EM PALMAS-TOCANTINS RESUMO O tema desta dissertação é a cobertura jornalística especializada em política em portais na internet durante as eleições municipais de 2012 em Palmas, capital do estado do Tocantins. A importância do estudo está na abordagem da cobertura política regional em período de campanha eleitoral, pouco estudada em algumas cidades como na capital do Tocantins, e de um pleito recente, ocorrido no ano passado. Além disso, o estado (criado com a divisão de Goiás em 1988) possui um perfil político peculiar, com grupos rivais que se perpetuam no poder. O objetivo principal aqui é analisar as rotinas produtivas nesses suportes digitais em tempos de eleições, e como se dão as relações entre fontes e jornalistas especializados em cobertura política. Como referenciais teóricos são apresentados os conceitos do newsmaking, agenda-setting e gatekeepers no cenário da internet e do jornalismo político. Para a pesquisa houve a necessidade de utilizar abordagens quantitativa e qualitativa, com o uso das técnicas de análise de conteúdo e entrevistas semiabertas (ou semiestruturadas) com os jornalistas responsáveis pelos dois principais portais de notícias especializados em política, T1 Notícias e Portal CT, durante o período eleitoral municipal em 2012. O conteúdo analisado abrange as publicações nos portais no período de 19 de outubro a 08 de novembro, momento em que a campanha eleitoral foi mais acirrada entre os candidatos à prefeitura de Palmas. As principais conclusões são que as rotinas produtivas dos veículos sofreram grandes mudanças, com a criação de editoria especial para a cobertura, além de contratação de profissionais de redação para a produção de um volume expressivo de informações sobre as eleições. Alguns aspectos que influenciaram na produção noticiosa, por se tratar de veículos digitais, foram a necessidade de rapidez na geração da informação, além da concorrência entre os portais - e consequentemente da verba publicitária. A quantidade de fontes oficiais e o prestígio dos jornalistas responsáveis pelos portais estudados também interferiram na cobertura, especialmente porque as relações de poder na cidade se dão de maneira mais intensa e mais próxima. Outro destaque na conclusão é que os portais exploram pouco as características do webjornalismo, restringindo-se basicamente a textos, e deixando de usar a linguagem multimídia, a interatividade e o hipertexto. PALAVRAS-CHAVE: Jornalismo Político; Cobertura jornalística das eleições Municipais em 2012; Portais de Notícias; T1 Notícias e Portal CT; Palmas (TO).

(14) 13. MALENA ARAÚJO MOTA. COVERAGE POLICY ON WEB JOURNALISM: A CASE STUDY OF COVERAGE OF POLITICS IN MUNICIPAL ELECTIONS IN 2012 PALMAS-TOCANTINS. ABSTRACT The theme of this dissertation is specialized in the coverage policy on Internet portals during the municipal elections of 2012 in Palmas, capital of the state of Tocantins. The importance of the study lies in addressing the political coverage in regional campaign period, little studied in some cities like the capital of Tocantins, and a recent election, which occurred last year. Moreover, the state (created with the division of Goiás in 1988) has a peculiar political profile, with rival groups that are perpetuated in power. The main objective here is to analyze the production routines in these digital media in times of elections, and how to give the relationships between sources and journalists specializing in political coverage. As theoretical concepts are presented newsmaking, gatekeepers and agenda-setting in the Internet scenario and political journalism. For the research was necessary to use quantitative and qualitative approaches, using the techniques of content analysis and open-ended interviews (or semistructured) with journalists responsible for two major news portals specializing in politics, T1 News Portal and CT during the municipal election period in 2012. The content analyzed covers the publications in the portals of the period 19 October to 08 November, when the election campaign was fierce among the candidates for mayor of Palmas. The main conclusions are that the production routines of the vehicles suffered major changes, with the creation of special editorial coverage, in addition to hiring professional writers to produce a significant amount of information about the elections. Some aspects that influenced the production of news, because it is digital vehicles were the need for speed in generating information beyond competition between portals - and consequently the advertising budget. The amount of official sources and prestige of journalists responsible for the portals studied also interfered in coverage, especially since the power relations in the city take place in a more intense and closer. Another highlight in the conclusion is that portals explore some features of web journalism, basically restricting the texts, and failing to use language multimedia, interactivity and hypertext. KEY WORDS: Political journalism, journalistic coverage of the Municipal elections in 2012, Portals News, T1 Notícias e Portal CT; Palmas (TO).

(15) 14. MALENA ARAÚJO MOTA. COBERTURA DE LA POLÍTICA DE PERIODISMO WEB: UN ESTUDIO DE CASO DE LA COBERTURA DE LA POLÍTICA EN LAS ELECCIONES MUNICIPALES EN 2012 PALMAS-Tocantins. RESUMEN El tema de esta tesis doctoral se ha especializado en la política de cobertura en los portales de Internet durante las elecciones municipales de 2012 en Las Palmas, capital del estado de Tocantins. La importancia del estudio radica en el tratamiento de la información política en periodo de campaña regional, poco estudiada en algunas ciudades, como la capital de Tocantins, y una elección reciente, que ocurrió el año pasado. Por otra parte, el Estado (creada con la división de Goiás en 1988) tiene un perfil político peculiar, con grupos rivales que están perpetuadas en potencia. El objetivo principal es analizar las rutinas de producción en estos medios digitales en tiempos de elecciones, y cómo dar a las relaciones entre las fuentes y los periodistas especializados en la cobertura política. Como conceptos teóricos se presentan elaboración de noticias, porteros y agenda de configuración-en el escenario de Internet y el periodismo político. Para la investigación fue necesario utilizar enfoques cuantitativos y cualitativos, utilizando las técnicas de análisis de contenido y las entrevistas abiertas (o semiestructurado) con los periodistas responsables de dos portales de noticias más importantes especializadas en política, T1 Portal de Noticias y TC durante el período de las elecciones municipales en 2012. El contenido analizado comprende las publicaciones en los portales del período octubre 19-noviembre 8, cuando la campaña electoral fue intensa entre los candidatos a la alcaldía de Palmas. Las principales conclusiones son que las rutinas de producción de los vehículos sufrió grandes cambios, con la creación de la cobertura editorial especial, además de contratar escritores profesionales para producir una cantidad significativa de información acerca de las elecciones. Algunos de los aspectos que influyeron en la producción de noticias, ya que son los vehículos digitales fueron la necesidad de rapidez en la generación de información más allá de la competencia entre los portales - y en consecuencia el presupuesto de publicidad. La cantidad de fuentes oficiales y el prestigio de los periodistas responsables de los portales estudiados interfirió también en la cobertura, sobre todo porque las relaciones de poder en la ciudad llevará a cabo de una manera más intensa y más cerca. Otro punto a destacar en la conclusión es que los portales de explorar algunas de las características del periodismo web, básicamente restringiendo los textos, y el no usar lenguaje multimedia, interactividad y el hipertexto. PALABRAS CLAVE: Periodismo político, la cobertura periodística de las elecciones municipales en 2012, Noticias Portales, T1 Notícias e Portal CT; Palmas (TO).

(16) 15. INTRODUÇÃO Esta dissertação de mestrado aborda os processos produtivos no webjornalismo e a cobertura das eleições municipais pelos portais de notícias em Palmas, capital do estado do Tocantins, em 2012. O objetivo é analisar como ocorreu a cobertura eleitoral em portais na internet especializados em jornalismo político nesta Capital, durante as eleições municipais de 2012, e de que maneira isso interferiu nas rotinas produtivas desses veículos de comunicação. O primeiro cenário pré-campanha das eleições municipais de 2012 para a Prefeitura de Palmas desenhou-se da seguinte maneira, o candidato Marcelo Lelis liderava as pesquisas, e o restante dos pré-candidatos cortejava o apoio de Raul filho, que foi disputado para o lançamento oficial dos pré-candidatos: a atual vice-prefeita, Edna Agnolin (PDT), o deputado estadual Wanderley Barbosa (PSB), o reitor da Universidade Federal do Tocantins-UFT Alan Barbieiro (PSB); e a deputada estadual Luana Ribeiro (PR). Após a declaração oficial do cobiçado apoio do atual prefeito de Palmas, Raul Filho (PT), a candidata Luana Ribeiro (PR) e seu vice, Alan Barbieiro (PSB), um escândalo em nível nacional gera uma crise na já desgastada imagem do Prefeito Raul Filho. Um vídeo é veiculado no programa Fantástico da Rede Globo Nacional e entregue à Polícia Federal durante a operação Monte Carlo, na casa do ex-cunhado do bicheiro Carlinhos Cachoeira, mostra imagens de Raul Filho negociando a presença do grupo de Cachoeira no governo, em troca de dinheiro para campanha. O vídeo é de 2004. Foi gravado durante a campanha que o elegeu pela primeira vez como prefeito de Palmas. Carlos Amastha que no início das prévias possuía menos que 1% das intenções de votos, após o lançamento da sua candidatura começou a subir nas pesquisas, e em 19 de setembro de 2012 aparece na pesquisa IBOPE TV Anhanguera em primeiro lugar com 47% , seguido por Marcelo Lelis, 30% e Luana Ribeiro com 7% das intenções de voto. Trata-se de tema relevante do ponto de vista acadêmico, por se tratar de um estudo sobre cobertura política regional de um Estado recém-criado na Federação, com uma trajetória política peculiar, em que as relações de poder podem ser mais intensas, produzindo impactos nas rotinas produtivas, no conteúdo produzido e no relacionamento estabelecido entre jornalistas e fontes locais. Para o desenvolvimento da dissertação utilizamos como marcos teóricos a teoria Newsmaking, a hipótese da Agenda-Setting e o conceito de Gatekeepers, e sua relação com o jornalismo político e o webjornalismo no processo de produção de conteúdo jornalístico nos.

(17) 16. portais de notícias tocantinenses. Em se tratando de jornalismo na web analisamos como são trabalhadas as ferramentas do webjornalismo nos portais, utilizando conceitos do webjornalismo descritos por Marcos Palácios (2003), Luciana Mielniczuk (2003) e o João Canavilhas (2006). Para a pesquisa, foram selecionados o Portal T1 Notícias e Portal CT, dois importantes portais de notícias especializados na cobertura política do estado do Tocantins, sendo delimitado o período de 19 de setembro de 2012 até 08 de outubro de 2012, considerado reta final das eleições municipais. Os períodos eleitorais alteram o ritmo das redações dos veículos de comunicação, levando à criação de novas editorias e ao aumento do volume de notícias referentes aos candidatos e à campanha eleitoral. Foi determinada como unidade de análise a matéria como um todo, de acordo Bardin (2007). No total, a amostra foi composta por 115 matérias, sendo 107 do gênero informativo e 08 do gênero opinativo (editoriais), do Portal T1 Notícias e 88 matérias do gênero informativo, pois no período não foram publicados editoriais no Portal CT. Todas as matérias foram coletadas na editoria especial “Eleições 2012”. No percurso metodológico foram utilizadas as pesquisas quantitativa e qualitativa, por meio das técnicas de análise de conteúdo e entrevistas semiabertas (ou semiestruturadas), com os jornalistas Cleber Toledo, criador e editor-chefe do Portal CT, e Roberta Tum, criadora e editora-chefe do Portal T1. Para a análise de conteúdo foram criadas três categorias principais: 1) Candidatos, dividida em: Programa de governo, Declarações, Carreira política e Nome do Candidato; 2) Produção jornalística, subdividida em: os gêneros jornalísticos (informativo e opinativo). Utilizamos esta classificação dos gêneros, e não incluímos os gêneros utilitários, pois o gênero informativo (nota, notícia, reportagem e entrevista) e gênero opinativo (editorial) oferecem mais pistas sobre o posicionamento dos jornalistas responsáveis pela publicação e conseqüentemente responder a pergunta-problema da pesquisa. Não desconsideramos a existência de matérias do gênero utilitário, porém elas não entraram na amostragem. Fontes (independentes, assessoria de imprensa e fontes oficiosas); Texto (unidade de base, nível de explicação, nível de contextualização e nível de exploração); e Posicionamento (apoio e crítica, crítica e sem posicionamento); Fotos (com fotos/sem fotos/ilustração); 3) Webjornalismo, dividida em atualização contínua multimídia, interatividade, hipertexto. Elaboramos também a subcategoria tamanho do texto, segundo estudos realizados por Luciana Mielniczuk (2003) utilizando os recursos de hiperlinks os textos podem ser.

(18) 17. classificados de acordo com o tamanho de caracteres que ele possui. Elaborou-se três subcategorias para classificar as matérias por tamanho no webjornalismo: 450 caracteres (Nota); de 451 a 900 (matéria de cobertura cotidiana) e mais de 901 caracteres (matérias especiais). A dissertação está estruturada em cinco capítulos, sendo que no capítulo I, “Jornalismo político e cobertura eleitoral no jornalismo digital”, o objetivo foi fazer uma revisão de literatura sobre o surgimento do jornalismo político no Brasil, trazendo os principais acontecimentos na política nacional que colaboraram para o seu desenvolvimento como especialização no jornalismo brasileiro. Abordamos também neste capítulo as práticas pertinentes ao jornalismo político, e como se deu a trajetória desta especialização nas coberturas das últimas eleições presidenciais, até a inclusão do jornalismo digital nos períodos eleitorais. No Capítulo 2, “As rotinas produtivas e o papel do jornalista na produção noticiosa”, foram abordados os conceitos de Newsmaking, da hipótese da Agenda-setting e da teoria do Gatekeeper. O objetivo foi mostrar como se dá a produção noticiosa, níveis de interferência, incluindo o papel do jornalista nesse processo. Em virtude do cenário contemporâneo e do impacto das tecnologias digitais na sociedade e no jornalismo, as teorias foram abordadas considerando essa nova realidade. Portanto, foram contempladas as rotinas produtivas no webjornalismo, termo adotado nesta dissertação para tratar do jornalismo na internet. O Capítulo 3, “Cenário político em Palmas”, apresenta um breve panorama histórico dos processos eleitorais já ocorridos em Palmas e como se formaram os principais grupos políticos do estado do Tocantins, que influenciam o processo eleitoral da Capital. Os perfis dos principais candidatos à Prefeitura de Palmas, os grupos políticos, partidos e coligações aos quais pertence cada um deles estão presentes. Já o Capítulo 4, “História da imprensa no Tocantins”, revela alguns aspectos da história da imprensa no estado do Tocantins e na capital, Palmas, até o surgimento dos portais de notícias, objetos deste estudo. O Capítulo 5 apresenta “Trajetória metodológica e análises dos resultados”, detalhando aspectos metodológicos da pesquisa. As análises de cada Portal, bem como a comparação das coberturas dos dois portais também estão presentes. Nas conclusões, busca-se responder ao problema de pesquisa e atender aos objetivos propostos. Por fim, as considerações finais, bem como as referências bibliográficas e os anexos encerram o presente trabalho..

(19) 18. CAPÍTULO. I. –. JORNALISMO. POLÍTICO. E. COBERTURA. ELEITORAL NO JORNALISMO DIGITAL O jornalismo é uma prática social, e tal qual é caracterizado por mudanças constantes de acordo com a cultura, regime de governo e evolução na sociedade. Jornalismo e sociedade estão imbricados, um mudando o outro. Isso porque o processo de comunicação para a troca de informação e geração de conhecimento foi fundamental para o avanço e o crescimento da sociedade. Com o surgimento das organizações sociais, principalmente fruto das revoluções burguesas, além do crescimento populacional e da diminuição das barreiras geográficas, a informação passou a ser um bem precioso para as classes burguesas. Com o passar do tempo, esta busca por informação tornou-se mais ávida. O processo de industrialização e urbanização dos grandes centros comerciais, as grandes inovações nos transportes e maquinários aceleraram mais ainda a difusão dessas informações por meio principalmente do jornal impresso. A partir desse momento em diante, o processo de transmissão da informação foi se aprimorando até chegar aos grandes meios de comunicação de massa. A sociedade e seus indivíduos começam a atribuir grande importância à informação, como bem colocou Marques de Melo (2003, p. 19), quando afirma que: “A intensificação e o refinamento das relações de troca […] tornam a informação um bem social, um indicador econômico, um instrumento político”. Com todos esses atributos dados à informação, a imprensa e o jornalismo se fortalecem como indispensáveis. Outro atributo relevante, e garantido pela Declaração Universal dos Direitos do Homem, é o fato de todo homem ter o direito de se expressar tornando a informação um bem fundamental da humanidade. Na medida em que o jornalismo se consolidou como instrumento de expressão da burguesia e, junto a ele, o processo de democracia na maior parte do mundo, um e outro são indispensáveis na sociedade contemporânea. Dos meios de comunicação de massa, que marcaram a modernidade com a disseminação de notícias e comentários por meio do impresso, do rádio e da televisão, o jornalismo chega à internet, reafirmando a informação como bem social no processo de democratização das sociedades. A rapidez na produção e a disseminação da informação marcam o jornalismo, especialmente o digital..

(20) 19. 1.1 Jornalismo político no Brasil. Segundo Seabra (2006, p.113-114), o jornalismo político no Brasil não é um fato novo. Ele surgiu ao mesmo tempo em que a imprensa brasileira nascia, com a criação em 1º de Junho de 1808 do primeiro jornal brasileiro O Correio Braziliense – Armazém Literário, editado por Hipólito da Costa. O autor defende o fato de este ter sido o precursor do jornalismo político porque Hipólito da Costa defendia posições sobre os acontecimentos políticos da época, inspirado na revolução francesa. No entanto, Hipólito divulgava ideias favoráveis à dependência do Brasil a Portugal. No livro “1808”, Laurentino (2009) aponta alguns acontecimentos da história do Brasil na época do Império, em que mostra a forte tendência de Hipólito da Costa em não se contrapor aos ideais da coroa portuguesa residentes no Brasil. Segundo o autor, é claro o alinhamento do fundador do Correio Braziliense com a coroa portuguesa, principalmente quando Hipólito se recusa a publicar matérias sobre o levante organizado pelos idealistas do movimento “pró-República de Pernambuco”, ocorrido em 06/03/1817. Aponta também, como forma de compensação a Hipólito por não publicar matérias desfavoráveis ao Império, certo “acordo secreto” firmado entre a Coroa Portuguesa e o dono do jornal, em 1812, dava apoio financeiro à publicação e, posteriormente, também cargo ao jornalista no governo de Portugal. Entretanto, não fora apenas o jornal de Hipólito da Costa que circulou no Brasil em 1808. Em processo quase simultâneo, considerando os padrões da imprensa da época, foi também criado em 10 de setembro de 1808, na cidade do Rio de Janeiro pela imprensa régia, o primeiro jornal editado e impresso no Brasil, denominado “A Gazeta do Rio de Janeiro”. No entanto, este jornal não retratava a real condição política e econômica do Brasil, divulgava notícias favoráveis ao Império (LAURENTINO, 2009, p. 195). Já no livro “Insultos e Impressos”, Isabel Lustosa (2000, p. 73) aponta que apesar da censura imposta pela coroa portuguesa, o único jornal que a burlava era o Correio Braziliense, o qual, segundo a autora, “foi a pedra no sapato dos portugueses interessados na recondução do Brasil ao estado colonial”. Lustosa (2000) também afirma que Hipólito tratava com ironia as medidas adotadas no Brasil pelo governo Português no seu primeiro ano de publicação do jornal. Contrapondo ideias de Seabra e Laurentino, Lustosa (2000) afirma que o Correio Braziliense era um crítico da política portuguesa adotada no Brasil. “O Correio, liberado de qualquer censura, comentava abertamente aspecto da política portuguesa relativa ao Brasil e teve grande influência sobre o jornalismo que se fez no período de independência”.

(21) 20. (LUSTOSA, 2000, p. 75). Contudo, a polêmica quanto ao crédito de primeiro jornal brasileiro perdurou até pouco tempo. O reconhecimento oficial foi feito pelo então presidente Getúlio Vargas, fixando a data de 10 de setembro para comemorar a edição do primeiro jornal impresso no Brasil. Data esta questionada principalmente pela Associação Riograndense de Imprensa – ARI, que defendia como sendo O Correio Braziliense fundado por Hipólito da Costa, em 01 de Junho de 1808, o primeiro jornal impresso brasileiro. E foi devido à persistência dos representantes da ARI que alguns deputados federais aderiram à causa, por meio de Projeto de Lei sancionado pelo então presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, em 1999.. Assim sendo, Hipólito José da Costa Pereira é considerado o fundador do Jornalismo Brasileiro por sua atuação como editor do mensário “Correio Braziliense” (1808-1822). Trata-se de uma publicação essencialmente política, mas que abriu espaço para a informação de natureza científica, quase sempre divulgando fatos e idéias gerados na Europa e considerados relevantes pelo jornalista para aplicação no Brasil. (MARQUES DE MELO, 2005, p. 16).. À parte a querela existente sobre a isenção de Hipólito da Costa, Seabra (2006) aponta que a imprensa independente no Brasil surge somente em 1821 “[…] lançaram no mesmo ano (1821) o Reverbero Constitucional fluminense, este sim considerado o primeiro jornal livre editado no Brasil a tratar de assuntos políticos e que defendia as idéias da Revolução Francesa” (SEABRA 2006, p.113-114). É somente a partir de 1821, que o Brasil vive um período de efervescência no jornalismo político, os jornais começavam a defender as manifestações de apoio à independência do Brasil. Seabra (2006 p. 116) mostra bem como os jornalistas da época utilizavam os jornais para defender os seus pontos de vista. Após a independência passou-se a apoiar grupos políticos antagônicos no Brasil livre. “A separação definitiva de Portugal exigia uma imprensa atuante. Entretanto, forças antagônicas forçaram uma guerra ideológica que transformou os jornais da época em verdadeiras trincheiras” (SEABRA, 2006, p.116). Conforme aponta Seabra (2006, p. 122), foi após a fase de declínio pela qual passa o jornalismo político, período pós-independência, que as campanhas abolicionistas e a republicana dão novo impulso a este tipo de jornalismo, passando a exigir que os jornais fossem engajados e com capacidade de mobilização da população. É justamente nesse momento que grandes nomes do debate político surgem nos jornais, tais como: Quintino Bocaiúva, Rui Barbosa, José do Patrocínio, Joaquim Nabuco, André Rebouças, J. Clapp,.

(22) 21. Silva Jardim, Joaquim Serra, José Veríssimo, entre outros. Quando os militares assumiram o poder no período denominado republicano, a censura passa a imperar no jornalismo, poucos são aqueles que conseguem driblá-la. Quintino Bocaiúva e Rui Barbosa são alguns dos poucos da época que brilharam com suas publicações críticas. Após este período (1898 a 1930), da chamada política do “café com leite1”, os jornais passavam claramente a defender um partido político, e pouco restava da imprensa independente (PRESTES, 1991, p. 60). A imprensa brasileira volta com todo vapor a participar da cena política nos anos de 1945 a 1964, com a redemocratização e a nova Constituição de 1946. Foi após o período conhecido como Estado Novo, em que Getúlio Vargas governou de forma ditatorial, que o Brasil também passa por uma fase de grande desenvolvimento industrial. Jornais polêmicos foram criados naquela época, um deles é o Última Hora. […] a Última Hora, de Samuel Wainer, que vai revolucionar o jeito de fazer jornal. A idéia é simplesmente genial: fazer um jornal com conteúdo político em linguagem popular, com diagramação inovadora e grandes nomes do jornalismo nacional, pagos a peso de ouro, e que divulgasse sem oficialismo as realizações do governo Vargas. Dois anos antes Carlos Lacerda havia lançado a Tribuna da Imprensa, que faria forte oposição ao getulismo. Esses dois jornais representaram o que havia de melhor e de pior no jornalismo político brasileiro (SEABRA, 2006, p. 116).. Em 1964, os militares assumem o poder no Brasil, e mais uma vez a imprensa brasileira passa pela censura e pelo cerceamento da liberdade de expressão. A decisão dos militares tinha como objetivo “[...] boicotar os veículos de comunicação que não concordavam com o novo regime, para logo em seguida lançar mão da censura de forma indiscriminada” (SEABRA 2006, p.130). Durante o período da Ditadura Militar (1964-1985), grupos antagônicos ao regime se unem para contrapor a censura imposta pelo militares, e buscar uma alternativa à grande imprensa brasileira. É neste momento que entram em cena os pequenos jornais (imprensa nanica), ou jornais alternativos, periódicos de cunho político ideológico tendo à frente intelectuais, jornalistas e universitários, que se engajaram à causa da esquerda política no Brasil. Nesse processo destacava-se a figura do líder, jornalistas-alma do projeto alternativo. “Teria existido Opinião sem Raimundo Pereira? Pif-Paf sem Millôr Fernandes?O Pasquim 1. Com a eleição, em 1906, do mineiro Afonso Pena a Presidência da República, verifica-se uma primeira rachadura no sistema. Era o estabelecimento de um sistema de auxílio mútuo entre as duas oligarquias, que vira a dar substância à política do “café-com-leite”, e continuaria a vigorar até o colapso da República Velha..

(23) 22. sem a dupla Ziraldo – Jaguar ou Versus sem Marcos Faerman? Dificilmente” (KUCINSKI, 2003, p. 16-17). O jornalismo praticado pelos jornais “alternativos” das gerações de 1960 e 1970 era marcado pelo ideal revolucionário, sendo um dos instrumentos de resistência ao governo ditatorial. Na segunda fase destes jornais, seus conteúdos passam a ser permeados de ideologia de esquerda, sendo este o principal meio de articulação e divulgação da esquerda brasileira da época (KUCINSKI, 2003, p. 16-17).. Entre 1974 e 1977, ou seja, até a entrada em cena do operariado do ABC, a história das esquerdas brasileiras praticamente se confunde com a história da imprensa alternativa. O grande “racha” de Movimento, de abril de 1977, dando origem ao Em Tempo, foi também um marco da reorganização das esquerdas brasileiras (KUCINSKI, 2003, p. 17).. Os jornais alternativos por serem idealizados por intelectuais e jornalistas na busca de difundir seus ideais e politizar o público leitor não adotaram na criação e manutenção desses veículos a concepção de empresa mercantil, ou seja, não se preocuparam com a obtenção de lucros, e este também foi um dos fatores que levaram alguns dos jornais alternativos a encerrar seus projetos com meia dúzia de edições, como foi o caso do Amanhã, Pif-Paf e Informação. Mesmo assim, pelo conteúdo político e jornalístico exerciam grande influência na política da época (KUCINSKI, 2003). A abertura política com o fim da censura aos meios de comunicação acabou por reordenar todo o sistema político brasileiro, com isso, a imprensa passa por uma grande mudança. A oposição ao governo não era mais bandeira exclusiva dos jornais alternativos “[...] a retomada da atividade política clássica, no âmbito dos partidos e de seus jornais, que após a decretação da anistia saíram da clandestinidade, esvaziou a imprensa alternativa de sua função de espaço de realização sociopolítica” (KUCINSKI, 2003, p. 25). Com a redemocratização do Brasil e o fim da censura prévia aos meios de comunicação, a partir de 1985, muitos dos profissionais da imprensa se firmaram como jornalistas políticos, principalmente aqueles vindos da imprensa alternativa. “Os jornalistas, e não os jornais, ensaiaram os primeiros passos rumo à liberdade de escrever o que pensavam” (SEABRA, 2009, p. 133).. Quando a censura acabou, no final da década de 1970, e os jornalistas puderam voltar a escrever e falar abertamente sobre a situação política do país, muitos daqueles profissionais que atuaram na imprensa alternativa aproveitaram a experiência para levar para as redações um jornalismo politizado, não.

(24) 23. necessariamente partidário, mas certamente comprometido restabelecimento da ordem democrática (SEABRA, 2009, p.133).. com. o. Atualmente o país vive um novo período do jornalismo político, caracterizado pelo denuncismo. Bernardo Kucinski (2000) no livro “Cartas Ácidas” define como um modelo que teve como referência o caso Watergate, o qual durante os anos 70 e 80 fazia a cabeça dos jornalistas, além disso, o furo jornalístico era disputado entre as grandes empresas e os importantes jornalistas. O autor exemplifica no Brasil como “case” de sucesso o escândalo do ex-presidente Fernando Collor (1992), e de Paulo César Siqueira Cavalcante Farias, conhecido como PC Farias, denunciado pelo irmão, Pedro Collor. Segundo Kucinski, o sucesso das denúncias neste caso não se deve apenas ao jornalismo, mas a junção de vários fatores que colaboraram. “[...] a disputa jornalística feroz entre a Revista Veja e IstoÉ tinha como pano de fundo o repúdio da burguesia à máquina de extorsão de PC Farias e o repúdio da classe média ao confisco da poupança” (KUCINSKI, 2000, p. 37). Após o escândalo Collor, veio à tona o caso Mensalão2, ocorrido durante o primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (de 2003 a 2006), envolvendo ministros do governo, obrigando-os a renunciar aos seus cargos por terem seus nomes vinculados a denúncias, e seus nomes massivamente expostos na mídia. Foi nesse período que ganha novo impulso a utilização de sites, blogs e redes sociais proporcionando novas possibilidades ao jornalismo político, com uma cobertura mais rápida e dinâmica e com mais liberdade para jornalistas de prestígio criarem seus próprios blogs. As fontes jornalísticas também passaram por um processo de profissionalização, o que facilitou o trabalho do jornalista. Como bem colocou Chaparro (2007, p.91), “[...] as fontes aumentaram o seu poder de influência na opinião pública, porque se capacitaram para atuar e fazer parte dos processos jornalísticos”. No entanto, o tratamento com estas fontes enseja aos profissionais das redações cautela em relação às informações que são passadas. A apuração passa a ser fator essencial para evitar denuncismos sem fundamento.. 1.2 Cobertura jornalística especializada em política. O direito à informação é assegurado aos cidadãos brasileiros no Artigo 5º da 2. Escândalo do Mensalão ou “Esquema de compra de votos de parlamentares” é o nome dado à maior crise política sofrida pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2005/2006 no Brasil..

(25) 24. Constituição Federal de 1988, e todas as realizações no âmbito do poder público são de interesse público, e devem ser informadas sempre com ética, precisão e isenção aos cidadãos. É para assegurar o acesso à informação aos cidadãos que entra em cena o jornalismo político. Devido a esta prerrogativa atribuiu-se ao jornalismo denominação “Quarto Poder”, e isso muito se deve ao jornalismo político, é ele o responsável por zelar e fiscalizar (whatchdog)3 os outros três poderes, Executivo, Legislativo e Judiciário. “Importante notar que o exercício intensivo do Quarto Poder se manifesta às claras em uma situação democrática e de facilidades tecnológicas como se caracterizam a contemporaneidade, mas não é o menos atuante sob o cerceamento autoritário” (MEDINA, 2006 p. 27). Como já foi dito, o jornalismo político resistiu até mesmo nos anos de ditadura no Brasil, não na grande imprensa, mas em pequenos periódicos, muitos deles até de forma clandestina. Medina (2006, p. 29) acredita que o jornalismo contemporâneo exerce muito mais que o “Quarto poder”. “Noções como inclusão e exclusão, qualidade de vida, direitos humanos e da natureza ultrapassam a esfera clássica dos poderes republicanos e da democracia liberal”. Para ela, o jornalismo deve estar presente e atuante em todas essas discussões. Porém, ressalta Medina, que em alguns momentos deixou-se “afrouxar”, abandonou seu lado investigativo logo depois do regime militar, deixando-se levar pelo “marketing político”, como aconteceu com o ex-presidente Fernando Collor de Melo, que se apresentava como “o novo” e “salvador da nação”. Com a cobertura “fora Collor”, o jornalismo político redimiu-se do erro anterior. Beltrão aponta que a reportagem política está intrinsecamente ligada à ação administrativa do poder público, e esta orienta a imprensa nos mais diversos segmentos que são influenciados pela ação política, ou seja, a reportagem política não se limita a um grupo específico de leitores, tais como arte, entretenimento, profissionais liberais etc. “[...] enfim a todos os homens e mulheres cujo sistema de vida depende, naturalmente, das linhas traçadas pela política do Governo” (BELTRÃO apud MARQUES DE MELO, 2008, p. 91). Beltrão, com base em sua experiência no jornalismo político, mapeou os campos de atuação do jornalismo político: a. Organismos oficiais – compreende as três esferas da gestão estatal: da Presidência da República aos governos Estaduais e Municipais, incluindo os respectivos ministérios, secretarias e departamentos. b. Organismos eleitorais – complexo formado pela Justiça Eleitoral, que assegura a participação popular na escolha dos mandatários constitucionais. 3. É a representação do profissional de jornalismo como um verdadeiro cão de guarda da sociedade perante os desvios, as prepotências e as injustiças..

(26) 25. c. Organismos partidários _ conjunto dos partidos políticos e outras agremiações que dão sentido à representação democrática. d. Organismos administrativos _ serviço público em geral, desde órgãos da administração direta, as autarquias, empresas estatais, das forças armadas ao funcionalismo civil. Na cobertura política mais do que tudo é imprescindível o faro aguçado do jornalista, o seu papel de argumentador e de questionador, sua perspicácia e seu conhecimento prévio da situação. Geralmente este tipo de cobertura é demandado aos repórteres mais experientes que, com a sua conhecida atuação, acabam tendo maior acesso aos poderes políticos constituídos. Mas isso não significa que um jovem repórter não possa exercer esta função em uma empresa jornalística.. [o repórter é] Mediador social por excelência, sem sua presença escavadora e relacionadora, o jornalismo não se mostra capaz de ombrear com as demais instituições democráticas. A captura das informações e a capacidade de articular nexos dão ao repórter condições interpretativas e autorais invejáveis [...] capaz de relacionar os múltiplos significados da realidade, está muito adiante, como profissional, daquele velho setorista de imprensa da primeira metade do século passado ou do jornalista especializado da segunda metade (MEDINA, 2006, p. 2526).. Quando há uma crise política, principalmente em Brasília, multiplicam-se os jornalistas para a cobertura dos fatos políticos, multiplicam-se as pautas e nenhum tipo de imprensa é desprezada. É preciso dar conta de todos os acontecimentos e estar informado o tempo todo sobre tudo o que se passa no centro do poder que certamente irá afetar a vida de todos os brasileiros. “Ninguém perde tempo em analisar se a mídia impressa aprofunda mais do que a mídia eletrônica, se a velocidade da internet atropela ou não o periódico. Pelo contrário, nessa Babel de acontecimentos, os fatos jornalísticos vão se sedimentando com a colaboração multimídia” (MEDINA, 2006 p. 25). O jornalismo político transformou sua linguagem de forma mais plural, ao apresentarse aos leitores com características mais objetivas, separando textos informativos e adotando novos parâmetros para o jornalismo opinativo, sem de modo claro ser partidário de ideias e candidatos. A linguagem plural no jornalismo moderno é um caminho sem volta, e este processo implicou principalmente no jornalismo político, que passou por uma série de transformações como demonstra Martins nos apontamentos a seguir: Martins (2005, p. 18) cita dois processos ocorridos no jornalismo que influenciaram diretamente no jornalismo político:.

(27) 26. 1. A modernização, profissionalização e concentração das empresas jornalísticas, elevando os custos de produção industrial; 2. A evolução do perfil do usuário, que se tornou mais exigente, não aceitando informações superficiais, descontextualizadas ou engajadas. Para sobreviver a esta transformação, o jornalismo brasileiro teve que adotar estratégias de sobrevivência, mudanças que acabaram por impactar profundamente o caráter dos jornais.. Essa mudança de estratégia teve enorme impacto na alma e na cara dos jornais. Na alma: eles tiveram de deixar claro para o leitor que vendem informação, e não opinião embrulhada em notícia. Daí a necessidade da isenção na cobertura jornalística, ou pelo menos na busca da isenção. Na cara: os jornais passaram a cobrir áreas que antes eram desprezadas, criando editorias ou cadernos voltados para segmentos específicos, como entretenimento, cultura, mulheres, jovens, crianças, carro, trabalho, turismo, informática, etc. (MARTINS, 2005, p. 19).. Enfim, essa transformação de estratégia teve grande impulso na alma e também na cara dos jornais, pois para resistir a esta mudança, o jornalismo brasileiro teve que seguir estratégias de sobrevivência, mudanças que impactaram intensamente o caráter dos jornais.. 1.3 Partidarismo na imprensa. Em alguns momentos da história da imprensa ficou evidente o apoio a determinados candidatos e partidos. Como exemplo, pode-se observar o adesismo a candidatos e partidos em dois momentos recentes: nos anos 1950 e 1990. Segundo Martins (2005), nas campanhas anteriores à ditadura militar, anos 1950 por exemplo, a maioria dos jornais defendia uma ideologia política, chegando quase a ser partidário. Um exemplo é o que aconteceu em 1950, nos principais jornais do Rio e São Paulo, que entram em campanha sem a menor preocupação em demonstrar seu partidarismo. Pelas manchetes dos jornais era possível constatar: “Para o Brasil, Brigadeiro. Dá à tua terra o governo que ela merece” (O Estado de S. Paulo, 03 de outubro de 1950), “Decide hoje o povo nas urnas livres do Brasil – em vez de voltar à ditadura ou perpetuação do poder sabemos escolher, com o Brigadeiro Eduardo Gomes, o caminho da renovação nacional” (Diário de Notícias, 03 de outubro de 1950). Um caso clássico na literatura do Jornalismo político é o fenômeno midiático Fernando Collor de Melo na pauta política de grandes jornais.

(28) 27. brasileiros. A falta de experiência dos veículos de comunicação em trabalhar com a cobertura nas eleições livres também levou grande parte desta mídia a não questionar os métodos nada heterodoxos do então candidato desconhecido de um pequeno estado do Nordeste, como já foi mencionado anteriormente. No livro intitulado “Notícias do Planalto”, Mario Sergio Conti (1999) discorre com detalhes o comportamento dos principais veículos de comunicação com a aparição de Fernando Collor, que vai da estranheza, passa pela simpatia, até a adesão de alguns destes veículos ao “Plano de Renovação” de Collor. Plínio Ramos (1994, p.5) é categórico ao afirmar que “Fernando Collor foi o único candidato que mobilizou em favor de sua candidatura a unanimidade da grande imprensa brasileira”, e ainda ressalta que a imprensa foi a principal responsável por sua ascensão meteórica do governo de Alagoas à presidência do Brasil. Conti (1999) afirma no seu livro que Collor conheceu a política desde cedo por meio de seu pai, Arnon de Mello. Pelos dissabores que a política levou a sua família a passar, poderia até ser avesso ao tema, motivos não faltaram, mas foi por meio da política que a família seguiu prosperando. Arnon de Mello usava os veículos de comunicação de sua propriedade para fazer política4. Segundo Conti (1999), o palanque da família Collor de Melo eram os veículos de sua propriedade. Foi assim que Arnon de Mello se manteve no poder, embora não correspondesse na prática da política ao que prometia nas campanhas. Por não tomar partido em grandes decisões políticas e administrativas foi considerado omisso e até covarde. Já o filho se tornou um “caçador de marajás”, eleito presidente da República.. Menos de um mês depois de tomar posse, no entanto Collor era personagem do Globo Repórter, estava na primeira página da edição de domingo do Jornal do Brasil e dava entrevista para as páginas amarelas de Veja. Ele foi atrás dos jornalistas e os convenceu de que era notícia (CONTI, 1999, p.29 e 30).. Em outras coberturas eleitorais o comportamento da imprensa também foi desastroso para a democracia. Em 1982, quando a TV Globo realiza a cobertura da primeira eleição livre para governo no Rio de Janeiro, o fez de forma tendenciosa. Ao divulgar a primeira parcial das eleições, a Globo utilizou os números fornecidos pela empresa contratada pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE), segundo os quais o candidato do PDS, Wellington Moreira Franco, estava à frente do candidato do PDT, Leonel Brizola (CONTI, 1999, p.35 e 36,). 4. Arnon de Mello (falar que é afiliado da Globo, que jornais possui etc., de maneira sucinta).

(29) 28. Os resultados contrariavam todas as pesquisas anteriores, o que levou o candidato Brizola a denunciar na imprensa que a Globo estava manipulando os resultados das pesquisas. Por fim, Brizola vence as eleições, e a imagem da TV Globo acaba ficando arranhada diante do episódio. Conti (1999) ainda cita as diversas manifestações ocorridas em 1984. Outro fato importante na cobertura política abalou novamente a credibilidade da TV Globo. A alta direção da emissora “determinou” que não deveria cobrir as manifestações das “diretas já”. A população cansada de tanto cerceamento, em plena abertura política, gritava nas ruas, “O povo não é bobo, abaixo a rede globo”. Enquanto isso, a TV Bandeirantes noticiava as passeatas e ganhava a simpatia dos manifestantes e da opinião pública. A Globo só recuou no seu posicionamento e passou a transmitir as manifestações pelas diretas dois meses depois do início, durante o grande comício da Candelária, no Rio de Janeiro, onde estavam reunidas mais de 1 milhão de pessoas.. 1.4 Cobertura jornalística no período eleitoral. Estudar o jornalismo político em época de campanha eleitoral significa de antemão um grande desafio, porque é um momento de grande movimentação e acontecimentos. Cabe ao bom profissional da imprensa decifrar na prática do seu dia a dia os acontecimentos para levar ao cidadão informação com precisão e qualidade. Não desmerecendo nenhuma das especializações do jornalismo, é importante ressaltar que o jornalismo político é imprescindível em um espaço noticioso, seja ele impresso em formato de jornal ou revista, TV, rádio ou mesmo no meio digital. É perceptível que cada vez mais o espaço da mídia é percebido por aqueles que participam da arena política, como um dos locais mais proeminentes para a sua visibilidade e ascensão. Outra característica bem comum que se aponta do jornalismo na política é que a mídia influencia no processo eleitoral.. Dentre as alterações mais impactantes do campo midiático no campo da política têm-se a presença cada vez mais potente de um novo ator político: a mídia e seu campo específico. O papel desempenhado pela mídia enquanto ator político na contemporaneidade não pode hoje ser desconsiderado em nenhum estudo rigoroso do tema das eleições. Mas a relevante presença da mídia como novo e potente ator político, que busca interferir nos pleitos eleitorais, não pode obscurecer um outro componente introduzido pelo campo midiático no processo político e eleitoral na.

(30) 29. atualidade (RUBIM; COLLING, 2007, p. 3).. A presença de políticos na mídia é essencial, porque só assim a população terá acesso à informação. Hoje, a fala mediada é muito mais importante que os grandes comícios eleitorais nas praças, que reuniam multidões. O palanque na praça era o principal espaço público dos candidatos para se comunicarem com os cidadãos. Hoje podemos observar a mudança destes espaços, os candidatos buscam falar aos cidadãos de outra forma. De um estúdio o político grava a sua mensagem e o eleitor/cidadão a recebe no conforto da sua casa ou na agitação do seu cotidiano, por meio da televisão, do rádio ou da internet.. Antes do desenvolvimento da mídia (especialmente a mídia eletrônica, como o rádio e a televisão), quantas pessoas puderam alguma ver e ouvir indivíduos que detinham posições de poder político? Quando a única forma de interação disponível para a maioria das pessoas era o face a face, quantas poderiam alguma vez interagir com os líderes políticos que as governavam? E como, por sua vez, poderiam os líderes políticos aparecer em público, senão diante de um relativamente pequeno número de indivíduos reunidos no mesmo local? Antes do desenvolvimento da mídia, os líderes políticos eram invisíveis para a maioria das pessoas que eles governavam, e podiam restringir suas aparições públicas a grupos relativamente fechados em assembleias ou a reuniões da corte. Mas hoje não é mais possível restringir do mesmo modo a atividade de auto-apresentação. Querendo ou não, os líderes políticos hoje devem estar preparados para adaptar suas atividades a um novo tipo de visibilidade que funciona diversamente e em níveis completamente diferentes (THOMPSON, 2008, p. 109).. Apesar de a mídia eletrônica ocupar lugar tão importante durante o período eleitoral, os acontecimentos políticos também estão presentes em outras plataformas midiáticas. Hoje principalmente com a ampliação de usuários da internet e a facilidade e rapidez em transmitir um conteúdo por este meio, políticos investem em vídeos, em blogs, em sites e em redes sociais. Os veículos de comunicação também estão atentos ao calendário eleitoral, preparando pautas específicas para este período, acompanhando a rotina dos candidatos, criando cadernos específicos para debater o tema, bem como os desdobramentos das campanhas eleitorais no seu desenvolvimento. Muitos são os veículos que trabalham com entrevistas e enquetes em diversos formatos de mídia, mas não há nada tão esperado e comentado como os debates televisionados, levando a maioria das demais mídias a acompanhar e comentar seus impactos. É muito comum logo após um debate haver comentários sobre quem “ganhou ou perdeu” neste tipo de transmissão televisionada. Nas campanhas pelas “Diretas Já” era possível perceber alguns fragmentos dessa nova.

(31) 30. forma de abordar as campanhas eleitorais, anunciando um clima de euforia que o Brasil vivia, desejoso pelo fim da ditadura militar. Mas o marco da cobertura política no país, sem dúvida, foi a eleição de Fernando Collor de Melo, em 1989, tanto pelo fato político quanto pela necessidade de os candidatos estarem na mídia. Em1989, o contingente eleitoral subira para 58% da população, incorporando os analfabetos e os maiores de dezesseis anos. O Brasil se tornara uma democracia de massas. Nessa democracia, o acesso às informações políticas se dava fundamentalmente por meio da televisão. Em 1989, O Estado de S. Paulo, O Globo, Folha de S. Paulo e Jornal do Brasil tinham uma tiragem somada de menos de 1 milhão de exemplares diários – pouco mais de 1% dos brasileiros em condições de votar. Já a televisão chegava praticamente a todos os 82 milhões de eleitores (CONTI, 1999, p. 247).. Outros fatores também propiciaram o aumento da cobertura política na mídia, como a utilização do Horário Gratuito de Propaganda Eleitoral (HGPE)5 na televisão e no rádio. “As interações entre tela e rua se tornaram complexas, com muitas possibilidades de enlace. As campanhas e as eleições tinham sofrido uma vigorosa mudança, assim como ocorrera com o país” (RUBIM e COLLING, 2007, p. 11). O aumento do contingente eleitoral (58% da população), com a inserção de analfabetos e maiores de 16 anos, também contribuiu para midiatização televisiva das eleições.. 1.5 Eleições e cobertura eleitoral na era pós-Collor. Em se tratando de eleições presidenciais, em 1992 assume Itamar Franco, vicepresidente do governo Collor, como presidente do Brasil. Durante o período Itamar, Fernando Henrique Cardoso foi ministro da fazenda e responsável pelo lançamento do “Plano Real”, que estabilizou a economia brasileira.. A mídia atuou em todos os episódios políticos pré-1994, destacando-se com uma participação ativa no impedimento de Collor. Ela igualmente expressou, de alguma maneira, o cenário ambivalente em diversos sentidos do governo Itamar Franco, ainda que, em uma avaliação final, terminasse por prevalecer também na 5. A propaganda eleitoral nos meios de comunicação concessionários do poder público (rádio e televisão) foi regulamentada pela primeira vez pelo Código Eleitoral de 1950 (Lei nº 1164, de 24/7/50) ¾ esta legislação previa apenas a propaganda eleitoral paga. A Lei nº 4115, de 22/8/62 foi a responsável pela criação da propaganda eleitoral gratuita no rádio e na TV. A partir daí, consolidou-se a tradição legal de que a propaganda eleitoral paga deveria restringir-se aos órgãos da imprensa escrita (jornais e revistas). A Lei nº 6091, de 15/8/74, eliminou de vez a propaganda eleitoral paga do rádio e da televisão no Brasil. Esse princípio não foi alterado desde então..

Referências

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