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Relatório estágio profissional

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Academic year: 2021

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Maria Carolina S. Sobral G. Esteves Nº 2010306 6º ano do MIM

RELATÓRIO

FINAL

FCM-UNL 2015/2016

“Qual é o conhecimento do mundo e da vida que permite ao homem viver mais

feliz?”- F. Nietzsche, em Humano, Demasiado Humano, um Livro para

Espíritos Livres.

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Índice

INTRODUÇÃO... 3 OBJETIVOS ... 3 ESTÁGIOS CLÍNICOS ... 4 CIRURGIA ... 4 MEDICINA ... 4 GINECOLOGIAEOBSTERICÍA ... 5 SAÚDEMENTAL ... 5

MEDICINAGERALEFAMILIAR ... 5

PEDIATRIA ... 6

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Introdução

Neste último momento de exposição no curso de Medicina organizo o meu relatório em 4 secções, nomeadamente uma Introdução, Objetivos, Síntese de Atividades Desenvolvidas e finalmente um

Posicionamento Crítico que será o elemento chave deste relatório, onde enquadro a descrição dos

estágios clínicos com os objetivos pré-definidos assim como refiro algumas atividades extracurriculares que pude realizar ao longo destes 6 anos.

Objetivos

Defino os objetivos deste final de curso com base no texto “O Licenciado Médico em Portugal”, tentando ao máximo resumir aqueles que me parecem mais pertinentes.

 Aquisição de conhecimentos e competências que permita aprender autonomamente ao longo

da carreira, assim como incentivo à curiosidade crítica;

 Avaliação dos doentes e gestão dos seus problemas médicos;

 Aquisição de conhecimentos básicos de prevenção de doença e promoção de saúde;

Comunicação eficaz com doentes e famílias aplicando princípios éticos e standard a todos os

aspetos da prática clínica incluindo conhecimento dos limites das próprias competências;

 Identificação das próprias necessidades de aprendizagem, assumindo responsabilidade pela

própria formação contínua sendo, ainda assim, recetiva à critica e feedback;

 Aquisição de capacidade de autorreflexão no que respeita aos atributos profissionais, controlo

de ideias, sentimentos e reações pessoais perante doença;

 Capacidade de trabalho eficaz em equipa, respeitando e reconhecendo a relação

médico-doente e discente-docente;

 Demonstrar ter consciência da própria saúde e comportamentos bem como do potencial

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Estágios Clínicos

CIRURGIA

O meu estágio de cirurgia decorreu de 14 de Setembro a 6 de Novembro de 2015, no Hospital das Forças Armadas (HFAR) de Lisboa sob a tutela de Dr. Bruno Ferreira e Dr. Pedro Campos. Foi um estágio com bastante autonomia. Na enfermaria tínhamos doentes que nos eram atribuídos para realização de notas de entradas, notas de alta, revisão de terapêutica ou realização de penso. Pude ainda participar como 2º ajudante em várias cirurgias nomeadamente, herniorrafias, colectomia e tumorectomias mamárias. Na componente de cirurgia ambulatória assisti a vários procedimentos de pequena cirurgia tendo a oportunidade de suturar algumas incisões. No final do estágio, juntamente como o meu grupo, apresentamos um trabalho intitulado “ Cancro colo rectal: Reavaliação pós-QRT neoadjuvante”.

MEDICINA

O estágio de Medicina decorreu de 9 e Novembro de 2015 a 15 de Janeiro de 2016, no Hospital São Francisco Xavier, Serviço de Medicina IV, sob a tutela do Dr. Vítor Batalha. Novamente um estágio com bastante autonomia em que progressivamente me foram atribuídos doentes da tira em que estava inserida, tendo o privilégio de os acompanhar até ao momento de alta. Pude realizar com bastante autonomia vários procedimentos médicos básicos e elaborar vários documentos nomeadamente, nota de entrada, nota de alta e pedido de referenciação. Foi um estágio que teve ainda a vantagem de estar enquadrado na Unidade de Cuidados Intermédios onde aprendi bastante sobre a transição de doentes da Unidade de Cuidados Intensivos para a enfermaria geral. Tive ainda a oportunidade de assistir a várias sessões clínicas, assim como de apresentar os doentes que me eram atribuídos na visita médica semanal. No final do estágio apresentei um artigo do New England Journal of Medicine “Case 4-2012 — A 37-Year-Old Man with Muscle Pain, Weakness, and Weight Loss”

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5 GINECOLOGIA E OBSTERICÍA

O estágio de ginecologia e obstetrícia decorreu de 25 de Janeiro a 19 de Fevereiro de 2016, no Hospital São Francisco Xavier, sob a tutela da Dr.ª Carla Nunes. Foi um estágio com menor autonomia, mas em que me foi permitido observar as várias valências da especialidade, nomeadamente, bloco de partos em que pude observar partos e cesarianas; enfermaria com seguimento de puérperas, gravidez de alto-risco e pós-operatório de ginecologia; histeroscopias e bloco operatório; consulta de ginecologia geral, ginecologia pré e pós-operatório, gravidez de baixo-risco, gravidez de alto risco, diabetes gestacional e patologia do colo. No final do estágio, juntamente com o meu grupo, apresentei o trabalho “New cases of accessory and cavitated uterine masses (ACUM); A significant case of severe dysmenorrhea and recurrent pelvic pain in young women” que foi posteriormente selecionado para apresentação nas 1ª Jornadas Académicas de Ginecologia e Obstetrícia do Centro Hospitalar Lisboa Central (vide anexo).

SAÚDE MENTAL

O estágio de Saúde Mental decorreu de 22 e Fevereiro a 18 e Março de 2016, no Hospital Egas Moniz, sob a tutela do Dr. Ricardo Caetano. O estágio compreendeu uma componente prática três vezes por semana, associada a uma componente de investigação nos restantes dois dias. A componente prática compreendeu a observação de doentes na enfermaria acompanhando o seu médico assistente. Pude ainda acompanhar a equipa do meu tutor no serviço de urgência onde observei descompensação de patologia crónica, patologia aguda e colaboração a pedido da medicina interna.

MEDICINA GERAL E FAMILIAR

O estágio de Medicina Geral e Familiar decorreu de 28 de Março a 22 de Abril de 2016, na USF de Carcavelos, sob tutela da Dr.ª Natacha Murinello. Neste estágio pude observar múltiplas consultas de patologia frequente em ambulatório e aprender a aplicação de prevenção de doença e promoção de saúde. Foi-me permitido ainda, realizar alguns procedimentos, como a colocação de implante anti-contracetivo e realização de citologia cervico-vaginal de rotina.

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6 PEDIATRIA

O estágio de Pediatria decorreu de 26 de Abril a 20 de Maio de 2016, no Hospital Dona Estefânia, Serviço de Pediatria 5.1, sob a tutela do Dr. António Bessa. Neste estágio pude observar doentes na enfermaria, assistir à consulta de pediatria geral e de imunoalergologia. Na passagem pelo serviço de urgência foi-me dada maior autonomia para observar os doentes com os conhecimentos e técnicas adquiridos na enfermaria.

Posicionamento crítico

Nesta última oportunidade de refletir sobre o que foi o meu curso de medicina opto por contar uma história que não tem início neste 6º ano mas sim no 4º ano do MIM.

Quando entramos no curso de medicina podemos estar abertos a todas as possibilidades ou já estar direcionada para o resto da vida. Eu sempre soube que queria ser cirurgiã.

A oferta académica direcionada para a área cirúrgica não era suficiente para mim. Estando insatisfeita, só tinha duas alternativas, ou me queixava e culpava outos com uma atitude destrutiva, ou ia à procura de mais conhecimento.

A minha busca começou assim que me foi permitido o acesso “livre” à clinica (4ºano), com uma

“infiltração” no bloco operatório da CUF – Infante Santo com a ajuda de um colega que lá fazia estágio. De imediato fui, em modo “missão”, procurar uma sala em que me deixassem observar. Consegui a entrada num bloco onde se iniciava uma gastrectomia total e, passadas umas horas, foi-me perguntado se eu me queria desinfetar. Pois bem (claro que queria muito), não me sabia desinfetar. Fiquei no estrado até as 2.00h da manhã porque “felizmente” a gástrica esquerda vinha da hepática e a cirurgia prolongou-se. Qualquer pessoa pensaria que eu tinha ficado chateada, mas não fiquei, só fiquei a saber qual era o próximo objetivo – desinfetar as mãos como deve ser. Assim continuei no meio de infiltrações de todas as salas em que me deixassem (sendo expulsa de algumas) até que, no início do 2º semestre, iniciei o estágio de ginecologia e obstetrícia no HSFX.

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No primeiro dia foi dia de bloco e finalmente me pude desinfetar e tocar nas estruturas. Claro que falhei brutalmente, as enfermeiras chamaram-me inútil e disseram “mil vezes” à minha tutora que “os alunos, se é para aprenderem a desinfetar-se têm de vir mais cedo e aprender com as enfermeiras”. É facto que pela primeira vez pude tocar numa cavidade abdominal aberta e foi mágico.

No dia a seguir levei uns chocolates à enfermeira que tinha dito que eu era inútil e ela ensinou-me a desinfetar como deve ser. Primeiro passo cumprido. O estágio decorreu normalmente e tive a oportunidade de verificar que não existiam internos mais novos no serviço e, exatamente por isso, os alunos podiam ter a participação que quisessem nos procedimentos cirúrgicos tanto a nível de bloco operatório como bloco de partos. Para mim foi suficiente, no final do estágio perguntei à minha tutora se poderia continuar a acompanhar no serviço de urgência e ela disse que sim. E assim, desde Janeiro de 2014 até Dezembro de 2015 todas as quintas-feiras e domingos (mais uma sexta-feira por mês), acompanhei a Dr.ª Lurdes Silva no serviço de urgência de obstetrícia do Hospital São Francisco Xavier. Os bancos começaram a ser a minha parte preferida da semana. Progressivamente, comecei a aprender a fazer episiorrafias até poder fechar a pele nas cesarianas. Nem tudo foi flores, mas aprendi mais de prática do que durante o curso todo. Mesmo assim, não era suficiente.

No 5º ano comecei com o semestre cirúrgico e encontrei desilusão. Os estágios eram de uma semana numa especialidade cirúrgica e obviamente ninguém confia num aluno que conhece há 2 dias para fazer nada. No entanto, tive o privilégio de conhecer a Dr.ª Margarida España, numa única aula teórica no estágio de cirurgia pediátrica. A maneira como a aula foi lecionada foi algo de fascinante. Pela primeira vez em 5 anos alguém me estava a perguntar quais eram os passos para uma apendectomia, quais eram os fios adequados e porquê. Foi uma pessoa que logo à primeira vista se mostrou uma professora inata. Acho que era previsível que eu lhe iria perguntar se poderia acompanhá-la em serviço de urgência e a resposta novamente foi sim.

No dia 4 de Janeiro de 2015 eu não fazia ideia se a Dr.ª Margarida operava bem ou mal, se era alguém no mundo da cirurgia ou se sequer ia com a minha cara. Logo de manhã quando cheguei, foi uma

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“enxovalhada” de perguntas, desde os princípios básicos de Halsted, passando pelo diagnóstico diferencial de abdómen agudo, terminando com uma demonstração das espetaculares cirurgias que já tinham sido realizadas pela Dr.ª Margarida e a sua equipa. Até às 3.00h da manhã tudo o que eu achava que sabia de cirurgia estava errado. Levei “com os ferros” mais vezes que consigo contar: porque não tinha as mãos em supinação, porque não pegava na tesoura como deve ser ou porque

cortava a linha curta/longa demais; até que finalmente ouço: “Dr.ª Carolina, tem boa mão, está

convidada a continuar connosco”. Não tivesse acabado de passar para 1º ajudante numa

apendectomia, acho que tinha chorado (nem sei bem porquê), mas continuei o procedimento e semanalmente desde Janeiro de 2015 até Janeiro de 2016 continuei a acompanhar a equipa da Dr.ª Margarida España no Serviço de Urgência de Cirurgia Pediátrica do Hospital Dona Estefânia.

Depois de uma história algo extensa e até irrelevante para a maioria das pessoas, finalmente chego ao 6º ano. O ano em que a sombra da prova nacional de seriação surge e começa a pressão. Como as 24h do dia não esticam e os 7 dias da semana também não, tive que abandonar os bancos pouco tempo depois do início do ano letivo e começar a estudar. Se me dissessem isto há 1 ano atrás eu dizia que era a pior coisa do mundo, mas os estágio que pude fazer neste 6ºano terminaram o meu percurso como aluna da maneira mais pedagógica possível.

Comecei com cirurgia onde pude aplicar as técnicas práticas que tinha vindo a aprender e acima de tudo tive a oportunidade de ver médicos em vários pontos da sua carreira cirúrgica. Realço a importância que foi observar a postura do Dr. Carlos Almeida (médico inserido na equipa cirúrgica do HFAR) que, já se encontrando em finais de carreira, gostava tanto de operar como um interno de 1º ano. Finalmente com o trabalho “Cancro colo rectal: Reavaliação pós-QRT neoadjuvante” expondo uma abordagem não-cirúrgica ao cancro colo-rectal aprendi que nem sempre o melhor que temos a fazer é operar.

No estágio de medicina ao ser inserida na equipa do Dr. Vítor Batalha, fui exposta a um tutor que sabe tanto como uma pessoa aspira a saber. Que me ensinou como é que se exerce a medicina interna e

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sempre se interessou na discussão de todos os assuntos que me geravam dúvida sejam práticos ou teóricos. Progressivamente, fui ficando com um número cada vez maior de doentes. Fui “quase médica”. Tive doentes que tiveram alta e doentes que morreram enquanto me estavam atribuídos. Aprendi que a medicina não é infalível e que nem todo o conhecimento do mundo vai salvar toda a gente.

No 2º semestre comecei com o estágio de obstetrícia e ginecologia onde me puseram novamente no lugar de aluna. Num serviço em que já “vivia” há algum tempo, foi uma experiência difícil mas mais do que necessária. Aprendi que por mais prática que se tenha a hierarquia é prevalente e tenho sempre que esperar pela minha oportunidade.

No estágio de saúde mental tive contacto com uma área que, confesso, tendia a evitar. Fui posta “em cheque” pela falta de conhecimentos teóricos e questionei várias fisiopatologias para as quais não há resposta pela ciência atual. Aprendi que há coisas que ainda não têm explicação mas que temos que tentar ajudar com o conhecimento que está disponível.

No estágio de MGF tive contacto com a medicina ambulatória e fui exposta às dificuldades na prevenção e tentativa de mudança de comportamentos patológicos da população. Aprendi o desafio do médico que, a partir do consultório com uma visita ocasional, tenta fazer com que “burro velho aprenda”.

No estágio de Pediatria foi a oportunidade de ver como é que o “outro lado” da Estefânia funcionava e as dificuldades da pediatria médica em tentar cuidar de doentes que não tem controlo sobre os seus próprios fatores sociais e ambientais. Aprendi que tratar de crianças é o mais difícil da medicina. Uma palavra para o estágio opcional em que terminei a minha jornada como aluna no serviço que primeiro me acolheu, obstetrícia e ginecologia, com uma das minhas mestres Dr.ª Lurdes Silva. Relembrei-me que, neste longo percurso, aprendi a ser médica tentando ser cirurgiã.

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Concluindo, nem todos os meus objetivos foram atingidos, mas a maioria foi. Aprendi a lidar com famílias de doentes novos e velhos; aprendi a lidar com doentes que na realidade são dois (grávidas); aprendi o máximo da prática que me foi permitido; aprendi que como médicos somos impotentes para as escolhas dos nossos doentes; aprendi a trabalhar em equipa (nenhum aluno de medicina toma decisão nenhuma); aprendi o trabalho dos auxiliares, dos enfermeiros e dos médicos e acima de tudo aprendi que a curiosidade e a vontade de aprender são as melhores armas de qualquer médico.

Quanto aos objetivos não cumpridos, claramente não cumpri o último ponto “Demonstrar ter

consciência da própria saúde e comportamentos bem como do potencial impacto que estes podem ter nos doentes ou outras pessoas”. Ser jovem dá uma perspetiva pouco abrangente para as consequências futuras. Não afirmando também que tenho o controlo absoluto sobre os meus sentimentos e ideias pessoais para com a doença.

Para terminar, um agradecimento especial aos Professores, Assistentes, Tutores, Colegas, Amigos e Familiares pois todos eles de certa forma contribuíram para a minha formação.

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ANEXO – 1 : Certificado de Palestrante nas 1ª Jornadas Académicas de Ginecologia e Obstetrícia do

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