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Relatório de Estágio Profissional na equipa Sub-17 do Abambres SC, na época 2010-2011

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RELATÓRIO DE ESTÁGIO PROFISSIONAL NA

EQUIPA SUB-17 DO ABAMBRES SC, NA ÉPOCA

2010-2011

RELATÓRIO DE ESTÁGIO EM: 2º CICLO EM CIÊNCIAS DO DESPORTO

ESPECIALIZAÇÃO EM JOGOS DESPORTIVOS

COLETIVOS

FILIPE ALVES MENDES

Orientador: Professor Doutor Victor Manuel Oliveira Maçãs

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i

AGRADECIMENTOS

Um trabalho desta natureza conta sempre com a colaboração, direta ou indireta, de várias pessoas. Como tal, gostaria de expressar o meu mais profundo agradecimento a todos os que tornaram possível, pela sua participação ou incentivo, na realização desta dissertação:

Ao coordenador do Abambres Sport Clube, o Professor Jorge Almeida, pelo seu saber, pela orientação e oportunidade, pela presença, pela facilidade do trato e total disponibilidade que tornaram este trabalho uma realidade.

Ao Professor Doutor Victor Maçãs, pela disponibilidade, oportunidade e por ter tornado este relatório mais rico e mais completo.

Aos meus pais, pelo carinho, pela dedicação, pelo apoio e motivação ao longo deste caminho.

À minha namorada, Vânia Filipa, pelo carinho e dedicação durante este caminho, mas acima de tudo, pelo amor que me dá todos os dias.

A todos os meus amigos, que serviram como base de apoio, ou suporte para todo este percurso.

A todos os professores que fizeram parte da minha vida académica, pelos ensinamentos que me concederam durante esta caminhada.

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ii

RESUMO

Através da realização deste relatório, pretendemos dar a conhecer as atividades desenvolvidas no estágio profissional realizado no Abambres Sport Clube. O estágio mostrou-se como uma componente de formação primordial em exercício no âmbito específico do treino desportivo, pois, através da aplicação dos conhecimentos, permitiu a consolidação das aprendizagens suportáveis a longo prazo.

Os conhecimentos teóricos só se tornam deveras proveitosos e significativos quando se mostram eficazes em contextos ativos, sujeitos a circunstâncias únicas. O principal objetivo deste estágio profissional passou pela aquisição de competências primárias para o exercício da função de treinador em contexto real de treino e de competição.

É por via da tomada de decisão e dessa necessidade do indivíduo de compreender o jogo que deve ser levada a formação desportiva do jovem atleta, sem nunca descurar dos aspetos didáticos inerentes à sua prática. Para isso, os treinadores terão de estar em constante atualização, dado existir uma contínua evolução do treino e da formação que requer aprendizagem.

O treino deve ser adequado aos jovens consoante as suas medidas e as suas características e exigências, através de um processo pedagógico, onde exista desde cedo a promoção de criatividade e inteligência e da perceção do jogo e de quais os aspetos a valorizar pelos treinadores e dos períodos ótimos para desenvolver essas capacidades.

Os princípios metodológicos e a avaliação constante ao longo do processo equivalem a aspetos fundamentais para podermos proporcionar uma adequada formação desportiva e social às crianças e aos jovens.

Como conclusão deste trabalho, podemos afirmar que qualquer treinador desportivo necessita de ter conhecimentos não só sobre o jogo, mas também aos níveis didático e metodológico, bem como acerca das características das faixas etárias; deve, outrossim, possuir capacidade de organização.

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iii

ABSTRACT

Through the conclusion of this report, it is our main purpose to show the activities performed during the professional teaching/ coaching practice in Abambres Sport Club. This period of practice happened to represent a crucial component concerning sport training, throughout acquired knowledge application, which made possible the consolidation of achievable long term learning.

Theoretical knowledge only becomes truthfully constructive and significant when it represents evidence for effectiveness in active contexts, under exclusive circumstances. The major objective of this practice was acquiring skills to pursue the primary roles of coaching in real training and competition situations.

It is in the course of the decision making and of an individual’s need to be aware of the game that the young athlete’s sports training should be pursued, without ever disregarding the aspects inherent to teaching practice. For that reason, coaches have to be constantly updated, as there is a continuous evolution of training and instruction which requires learning.

The training must fit the young learners, according to its procedures, characteristics and prerequisites, through an educational process where there can early be an investment in creativity, intelligence and in game’s perception promotion, as well as in the recognition of what aspects coaches should value and the optimal periods for the development of those skills.

The methodological principles and constant assessment throughout the process are essential aspects for us to be capable to provide adequate training and social sport for children and youths.

To conclude, we can say that any sports coach needs to have knowledge not only about the game, but also concerning didactics and methodological matters, plus the awareness regarding the characteristics of age groups. The coach must, also, possess organizational skills.

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iv ÍNDICE Agradecimentos ... i Resumo ... ii Abstract ... iii Índice ... iv Índice de tabelas ... v Índice de ilustrações ... vi 1. Introdução ... 1 2. Desenvolvimento ... 3

2.1. Construir um processo de formação sustentada por uma organização de jogo, através da tomada de decisão. ... 3

2.1.1. Trabalho, disciplina, rigor, ambição e pensamento positivo ... 5

2.1.2. A equipa e o coletivo acima de tudo ... 7

2.2. Formação integral e desportiva do jovem futebolista ... 8

2.2.1. Processo pedagógico ... 8

2.2.2. Processo por etapas e de grande complexidade ... 9

2.2.3. Processo que visa a realização de exercício físico com grande prazer. ... 16

2.3. PLANIFICAÇÃO DO PROCESSO DE TREINO ... 16

2.4.PERIODIZAÇÃO TÁTICA ... 20

3. Trabalho desenvolvido... 23

3.1. Caraterização da instituição ... 23

3.2.Descrição do trabalho desenvolvido ... 27

3.3. MODELO DE JOGO – ABAMBRES SPORT CLUB SUB-17... 27

3.4. Definição de objetivos ... 33

4. Análise do processo ... 41

4.1. Avaliação e controlo de treino ... 41

5. Conclusões e sugestões ... 52

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v

ÍNDICE DE TABELAS

Tabela 1: Treinadores e número de estímulos semanais ... 27 Tabela 2: Horário semanal do microciclo ... 27 Tabela 3: Tempo total de tempo de jogo e da assiduidade dos atletas na 1ª volta e na 2º volta

em percentagem... 42

Tabela 4: Conteúdos físicos, psicológicos e cognitivos planeados/realizados durante a época em

percentagem ... 44

Tabela 5: Momentos de jogo planeados/realizados durante a 1º volta e 2º volta em percentagem

... 46

Tabela 6: Princípios e subprincípios dos momentos de jogo planeados/realizados durante a 1ª

volta e a 2ª volta em percentagem ... 47

Tabela 7: Formas dos exercícios planeados e realizados durante a 1ª volta e 2ª volta em

percentagem ... 49

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vi

ÍNDICEDEILUSTRAÇÕES

Ilustração 1: Quadro dos treinadores da formação do Abambres Sport Clube 2010-2011 ... 26

Ilustração 2: Fases segundo o modelo de LTAD (Canadian FSL, 2012). ... 12

Ilustração 3: Modelo das Fases sensíveis de desenvolvimento das capacidades motoras. Períodos críticos de desenvolvimento (Martin, 1991). ... 15

Ilustração 4: Etapas de Planificação do Processo de Treino (Oliveira, 2005). ... 17

Ilustração 5: Aspetos em ter em conta aquando da Elaboração do Modelo de Jogo (Mourinho, 2001). ... 19

Ilustração 6: Símbolo do Abambres Sport Clube ... 27

Ilustração 7: Fases de Jogo do nosso modelo de jogo ... 31

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1

1.INTRODUÇÃO

O futebol consiste numa modalidade coletiva, que integra a categoria de jogo desportivo coletivo oferecendo determinadas características particulares. Das atividades mais populares do mundo, atrai multidões em todos os cantos do planeta, desencadeando um impacto mediático e dos mais dinâmicos a nível mundial (Lindner & Hawkins, 2012).

As equipas desta modalidade são orientadas por indivíduos, designados treinadores desportivos, com uma capacidade notável de gestão de recursos humanos.

Ser-se treinador equivale a assumir-se uma tarefa bastante complexa, dado que se torna necessário entender todo um fenómeno não só técnico-tático e físico mas também psicológico (Kelly, 2008).

Planear, conduzir, intervir e avaliar o processo de treino consiste numa tarefa imprescindível e é precisamente neste contexto que este relatório de estágio integra uma reflexão na área do treino desportivo.

Através deste estágio, tive a oportunidade de acompanhar uma equipa de futebol e de vivenciar a sua estrutura no dia-a-dia.

Como treinador, traduziu-se deveras importante esta sensibilização, visto que desempenhei, além do papel de um observador atento, funções de um treinador tanto com competências quanto com responsabilidades.

Gozei, assim, da oportunidade de trabalhar uma época desportiva no clube Abambres Sport Club Sub-17 (Juniores B). Os objetivos do estágio que aqui irei relatar passaram por uma forma de aferir conhecimentos e de efetuar a troca de experiências no contacto direto com a realidade do treino e da competição;

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2 estabelecer e manter uma relação com o clube e com a sua estrutura; melhorar o conhecimento do ponto vista técnico e tático; favorecer a construção de um saber profissional marcado pela autonomia técnica e pelo sentido de responsabilidade; promover um diálogo reflexivo com as situações concretas, de modo a poder consolidar e desenvolver as competências profissionais adquiridas ao nível da preparação do treino desportivo, e observar este novo ambiente de trabalho.

A instituição na qual estagiei, o Abambres Sport Club, corresponde a um clube com grande tradição no trabalho de formação de jovens jogadores no Distrito de Vila Real.

O presente relatório encontra-se estruturado da seguinte forma:

• Introdução, em que se avançou com uma descrição dos objetivos do estágio e com a caracterização dos trabalhos desenvolvidos;

• Desenvolvimento: que consiste na descrição de literatura científica utilizada no contexto do treino na faixa etária em questão, bem como da metodologia de treino empregada;

• Trabalho desenvolvido: correspondendo a um relato pormenorizado de tudo o que foi realizado no estágio;

• Análise do processo: a análise do trabalho desenvolvido ao longo da época passará por uma reflexão aprofundada sobre o processo;

• Conclusão: nesta, proceder-se-á a uma consideração final sobre a experiência que pude desenvolver enquanto treinador desportivo;

• Referências bibliográficas: aqui serão inventariados todos os materiais bibliográficos sobre os quais me debrucei diretamente a fim de granjear o conhecimento essencial à prossecução deste trabalho.

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3

2.DESENVOLVIMENTO

2.1. CONSTRUIR UM PROCESSO DE FORMAÇÃO SUSTENTADA POR UMA ORGANIZAÇÃO DE JOGO, ATRAVÉS DA TOMADA DE DECISÃO.

Quando nos deparamos com a formação de um jogador de futebol, há que ter em conta que este processo deve realizar-se de uma forma sustentada e organizada. Deste modo, o processo acarreta tempo demorado e revestir-se-á de particularidades, tais como os reptos para os quais os treinadores de jovens terão de estar preparados para enfrentar.

O treinador deverá refletir e entender a formação de jovens e crianças, de modo a que o processo possa ser realizado de acordo com a essência de cada um, não descurando dos contornos que esta poderá seguir (Madariaga, 2004). Segundo Garganta e Pinto (1998), este foi descrito como um processo a longo prazo, que deve partir, gradativamente, do fácil rumo ao difícil, assim como progredir do menos para o mais complexo.

No entanto, a rentabilização da formação passa por aproveitar jovens futebolistas que possam singrar no plantel principal da equipa sénior. Esta rentabilização terá de ser realizada de uma forma gradual e ajustada a cada escalão.

Alguns autores defendem que a formação apenas deverá ter um fim: a pessoa, ou seja, a criança, o jovem e o homem. Segundo Lee (1999, p.47), “os jovens

valem a pena e têm valor em si mesmos, não podendo ser um meio através do qual alcançaremos uma determinada finalidade”.

Nessa mesma formação, há que conceder prioridade ao ensino e à compreensão do jogo por parte dos atletas.

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4 utilizam principalmente a aquisição de gestos técnicos e a situação analítica para os desenvolver. Este tipo de comportamento estereotipado não reflete de forma alguma a situação real na competição. Teremos de considerar que a perda da posse de bola por parte de um jogador não se deve tanto a uma ineficaz capacidade técnica, mas sobretudo a uma tomada de decisão errada.

Teremos de dar prioridade à resolução de problemas durante o jogo, pois o facto de os treinadores serem demasiados rígidos tem feito com que muitos jovens não entendam o jogo na sua forma mais básica. Esse problema pode explicar a circunstância de agora não existirem tantos jogadores suficientemente capazes de resolver os problemas através da tomada de decisão e da inteligência de jogo, constituindo-se, esta incapacidade, numa das múltiplas dificuldades que ocorrem constantemente durante o jogo (Pagnano-Richardson & Henninger, 2008).

Nesta linha orientadora, não há que orientar a nossa formação para o ensino de gestos técnicos ou para um determinado aspeto mecanizado, mas sim demonstrar, explicar e avaliar situações de maior importância que ocorrem no jogo, tais como visão de jogo, antecipação, compreensão de jogo com um colega, quer na defesa quer no ataque, tomando as decisões mais adequadas para determinado momento e melhorar a capacidade de adaptação a novas situações passíveis de ocorrerem durante o jogo (Villora, Lopez, Vicedo, & Jordan, 2011).

Como treinador, reconheço a importância de construir situações de treino capazes de levar os atletas a percorrer determinado caminho, conduzindo-os num percurso de descoberta guiada dos objetivos que defini enquanto treinador (Lourenço, 2010).

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5 Para o sucesso da equipa, importa mais saber para onde e quando passar a bola do que como a passar. É nesse aspeto que, no planeamento do treino e na condução do treino, teremos de aumentar o número de jogadores inteligentes. Não cabe, todavia, descuidarmo-nos no que respeita a algumas linhas orientadoras nos escalões mais de topo, em que estes podem efetuar escolhas consoante a sua própria decisão, enquanto a melhor solução para o jogo. Precisamente por isso, teremos de guiar os nossos atletas para assumirem uma determinada forma de jogar, uma organização de jogo estipulada pelo treinador, na qual este disponibiliza várias soluções aos seus jogadores a executar ao longo do jogo.

O jogador de futebol aprende constantemente a tomar decisões sobre o que fazer e quando, pois “jogar sem pensar é como atirar sem apontar à baliza” (Wein, 2003).

2.1.1. TRABALHO, DISCIPLINA, RIGOR, AMBIÇÃO E PENSAMENTO POSITIVO

Devido à exigência que existe no futebol profissional, a formação também terá de se assemelhar no que diz respeito a esse processo.

Mourinho citado por Lourenço (2003, p.1) afirma que “adora encontrar um

jogador com debilidades táticas, mas pretende futebolistas motivados e com vontade de aprender a cada dia que passa”.

Segundo Vale citado por Andrade (2004, p.17), “um jogador pode ter muito

talento, mas aquilo que fará a diferença será o seu caráter. São esses os grandes jogadores de futuro, pois num jogador de elite serão esses os pontos decisivos”.

É por isso que isto terá de se refletir na formação de jovens jogadores. Vale citado por Andrade (2004, p.19) também afirma que “para que um jovem jogador

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6

seja formado com sucesso, deverá ser eficaz a nível técnico-tático, físico e sobretudo a nível mental”. Mas para que isso seja alcançado com sucesso, ao

atleta, terão de ser-lhe incutidos valores de trabalho, disciplina, rigor, confiança e grande ambição para se tornar num jogador de elite.

Dada a exigência do futebol profissional, o futebol de formação requer requisitos análogos. As competências sociais e psicológicas detêm extrema importância: há que inculcar atitudes e valores dentro e fora de campo aos jovens futebolistas, para que estes construam e moldem a personalidade. Estes valores não encontrarão relevância no futuro de um indivíduo apenas enquanto futebolista, mas repercutir-se-ão nas vivências deste enquanto pessoa. Poucos são aqueles que chegam ao topo. Em todo o caso, os valores revestem-se de suma preponderância na vida futura de um jovem mesmo fora do mundo do futebol (Kormelink & Seeverens, 1997).

Nesta ordem de ideias, cumpre realçar que estes valores devem ser transmitidos, trabalhados e desenvolvidos ao longo do processo de formação do jovem futebolista.

Aos jogadores, devem-lhe ser incutidos um espírito e uma cultura de vitória, ou seja, estes terão de estar habituados a ganhar. “Uma equipa de futebol só é

digna disso mesmo, quando todos os jogadores, sem exceção, querem ganhar, independentemente de jogarem ou não” (Mourinho, 2002, p.17).

No entanto, ganhar não se cinge ao número e ao resultado final. Ganhar significa

“ganhar cada treino, ganhar capacidade para jogar, ganhar capacidade de sofrer, ganhar vontade de jogar e ganhar, ganhar espaço para jogar, ganhar cada duelo. Ganhar cada situação de finalização, ganhar uma equipa” (Mourinho, 2002,

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7 O jovem futebolista deve superar-se e desenvolver valores de autossuperação individual e coletiva, pois o processo de formação tem de ser positivista, ultrapassando adversidades com vontade, bem como as diversas situações suscetíveis de acontecerem (Madariaga, 2004).

2.1.2. A EQUIPA E O COLETIVO ACIMA DE TUDO

O futebol é uma modalidade em que, por si só, um jogador vale pouco e, por isso mesmo, este é considerado um desporto coletivo, onde um grupo de indivíduos, chamados de equipa, podem fazer a diferença num terreno de jogo.

É através desta identidade que vejo uma equipa de futebol que quer atingir o sucesso coletivo em primeiro lugar, em detrimento de um sucesso individual. Para Mourinho, “a ideia do clube é mais importante que qualquer jogador, tendo

que este valor seja passado por todo o clube, em especial nas camadas jovens, onde estes ainda estão a modelar a sua personalidade. O respeito pelo clube, pelas normas instituídas, pela filosofia do clube, encontra-se acima de qualquer indivíduo”(Mourinho citado por Lourenço 2003, p.43).

Para isso acontecer, terá de existir uma coesão entre os diversos membros que compõem o grupo. Quanto maior for o objetivo comum seguido por todos, maior será a coesão de uma equipa e do coletivo (Bruner & Spink, 2010).

Outro ponto essencial para que isso possa acontecer assenta na confiança que existe entre todos os jogadores desse coletivo; esse sentimento terá de ser exponenciado ao máximo para que os indivíduos possam confiar uns nos outros, existindo assim uma maior cooperação entre todos de forma a trabalharem em conjunto para chegarem a um objetivo coletivo (Bloom, Stevens, & Wickwire, 2003).

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8 Num estudo recente de Franck & Nuesch (2010), afirma-se que uma equipa heterogénea em relação as capacidades dos jogadores traduz-se em algo mais benéfico do que os talentos isolados, dado que as pessoas talentosas também aprendem com os menos dotados e vice-versa.

O processo de formação deve ser, pois, orientado em prol de um coletivo, deixando de parte o fator individual. (Franck & Nuesch, 2010).

2.2. FORMAÇÃO INTEGRAL E DESPORTIVA DO JOVEM FUTEBOLISTA

Segundo Leal & Quinta (2001), formar não se reflete apenas na ação de treinar, significa acima de tudo educar.

A formação integral e desportiva corresponde a um processo pedagógico, a concretizar por etapas e de grande complexidade, visando simultaneamente a realização de exercício físico com grande prazer. (Leal & Quinta, 2001).

2.2.1. PROCESSO PEDAGÓGICO

Segundo Diem (1966), “um homem só será verdadeiramente educado se o for

também fisicamente”, o mesmo nos diz mais recentemente Morin (2001, p.38),

referindo que, na cultura grega antiga, o desporto ocupava um papel primordial na educação e formação dos jovens cidadãos.

Vários autores, tais como Marques (2004), constatam que o desporto sempre foi visto na vertente pedagógica e educativa, o mesmo se aplicando ao desporto de elite ou de alto rendimento.

Lee (1999) afirma que as experiências vivenciadas pelos jovens se revelam educativas e contribuem para o seu desenvolvimento integral e desportivo. Por seu lado, Mesquita (2004) vê o contributo da formação dos jovens atletas com uma formação global ou integral das crianças e jovens através de múltiplas

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9 situações que favorecem o desenvolvimento das capacidades, a moldagem e o enriquecimento da personalidade, proporcionando a cada aprendente a oportunidade de praticar a sua modalidade favorita.

Contudo, alguns investigadores alertaram para o facto de a vertente pedagógica no futebol vir perdendo espaço, pelo que urge que a comunidade educativa, os clubes, as associações e federações atuem de forma séria e em consciência, para que seja respeitada a integridade dos jovens futebolistas ao longo do seu processo de formação.

Assim, “a educação deve favorecer a aptidão natural da mente em resolver

problemas essenciais e, de forma correlata, estimular o uso total da inteligência geral, esse uso total pede o livre exercício da curiosidade, a faculdade mais expandida e mais viva durante a infância e adolescência que, com frequência, a instrução extingue e que, ao contrário, se trata de estimular ou, caso esteja adormecida, de despertar” (Morin, 2001, p.39).

2.2.2. PROCESSO POR ETAPAS E DE GRANDE COMPLEXIDADE

Segundo Garganta (1998), a formação do jovem futebolista perfaz um processo que deverá ser realizado de forma gradual, uma vez que não é linear e que existe uma grande complexidade à sua volta.

Para um jogador alcançar na sua formação um nível de desempenho elevado, este processo deverá organizar-se de modo a que ele evolua coerentemente nos aspetos técnico, tático, físico e mental, não esquecendo também os elementos ambientais, os médicos, os psicólogos e os nutricionistas ao longo de todo dessa formação em futebol.

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10 desenvolvimento, são responsáveis pelo planeamento da evolução do processo de treino, devendo ter a preocupação de integrar cuidadosamente todos os fatores citados anteriormente (Madariaga, 2004). Por outro lado, devem os treinadores considerar os meios através dos quais vão estimular cada um dos fatores de treino, o que variará de acordo com a etapa e o nível do desenvolvimento de cada atleta.

O processo de treino terá de ser realizado por etapas, alterando à medida que o jovem avança na sua formação. Para o jovem que se inicia no futebol, a formação deve incidir sobre a aquisição das competências básicas em termos técnicos e táticos, num ambiente lúdico e didático, em que a competição deve ser vista em segundo plano.

A partir do momento em que o jogador domina as habilidades básicas do futebol, o treinador poderá, então, alterar gradualmente o foco das suas sessões de treino, procurando desenvolver os aspetos individuais mais relevantes para cada etapa de formação.

Como noutros aspetos da atividade humana, antes de um futebolista apresentar a capacidade para competir a nível internacional, são precisos muitos anos de treino de grande persistência e dedicação. Em média, carece entre 8 a 12 anos de preparação geral e específica para um futebolista alcançar um determinado nível de desempenho (Balyi & Hamilton, 2004).

Há que não descurar de um dos aspetos mais importantes: o papel genético sobre o ponto de vista do atleta de alta competição. Apenas alguns milhares entre as crianças que começam em cada ano a jogar futebol conseguirão atingir a profissionalização.

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11 incluindo as fases “generalizada” (6-14 anos) e “especializada” (15+ anos). Cada fase se divide em duas etapas. As duas etapas dentro da fase “generalizada” são chamadas de “etapa de abertura” (6 a 10 anos) e “etapa de formação atlética” (11-14 anos). As duas etapas dentro da fase “especializada” designam-se “”especialização” (15 a 18 anos) e “alta performance” (19 + anos). Bompa sublinhou também a importância do desenvolvimento geral de todos os “talentos”, manifestando-se radicalmente contrário à especialização precoce dos jovens desportistas.

Por seu lado, Balyi (2001) identificou um número de distinto de fases de desenvolvimento que mais tarde deram origem aos estágios de LTAD:

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12

Ilustração 1: Fases segundo o modelo de LTAD (Canadian FSL, 2012).

No Active Start, dos 0-6 anos, os rapazes e as raparigas precisam de estar envolvidos no jogo ativo diariamente. Através do jogo e do movimento, eles desenvolvem as habilidades motoras básicas que servirão de base para o ensino de habilidades básicas de desportos em idades mais avançadas.

Nas idades dos 0-6 anos, as crianças precisam de ser introduzidas para o jogo ativo não estruturado, que incorpora uma variedade de movimentos. As crianças

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13 dessa faixa etária precisam desenvolver o básico do movimento: agilidade, equilíbrio, coordenação e velocidade.

Essas capacidades coordenativas revelam-se essenciais ao desenvolvimento de habilidades motoras básicas e de habilidades motoras fundamentais. Mais tarde, estas fornecem a base para habilidades desportivas. Através da junção das habilidades motoras básicas e das habilidades desportivas fundamentais, forma-se a baforma-se da alfabetização física.

Um início precoce ativo melhora o desenvolvimento da função cerebral, da coordenação física, das habilidades motoras, da postura e do equilíbrio. Um começo ativo ajuda igualmente as crianças a construir confiança, habilidades sociais, controlo emocional e imaginação, reduzindo o stress e melhorando o sono.

Nesta fase, as crianças deveriam ver a atividade física como uma parte divertida e emocionante da vida quotidiana (Canadian Sport for Life movement, 2012). No modelo de especialização dos desportos coletivos, a denominada fase de formação para competir coincidia com aquela em que os meus atletas de sub-17 se encontravam inseridos.

É uma fase apropriada para rapazes dos 16 aos 18 anos e raparigas dos 15 aos 17. O principal objetivo deve consistir em otimizar a preparação do desporto e das habilidades específicas e de desempenho. Os pontos-chave desta fase são os que, em seguida, se enunciam:

1. Ter 50% do tempo disponível e dedicado ao desenvolvimento de habilidades técnicas, físicas e psicológicas; os restantes 50% do tempo disponível serão voltados para a concorrência e a competição de

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14 formação específica, tais como operacionalização dos princípios e subprincípios do modelo de jogo.

2. Executar essas habilidades desportivas específicas, sob uma variedade de condições, durante o treino e sobre a preparação ideal para a formação de modelagem e competição.

Os programas físicos, programas de recuperação, preparação psicológica e desenvolvimento técnico são agora feitos sob medida para as necessidades do atleta, em que a periodização dupla e múltipla perfaz o quadro ideal de preparação (Canadian Sport for Life movement, 2012).

O modelo das fases sensíveis de desenvolvimento das capacidades motoras constitui também algo muito importante nesta fase de formação, pois teremos de saber quais as capacidades a desenvolver nos jovens atletas e quando potenciar essas habilidades.

O rendimento das capacidades coordenativas dependerá sempre da capacidade dos órgãos dos sentidos (órgãos analisadores) que fornecem informações atuais sobre o meio e sobre o próprio corpo. Dependerá outrossim da mobilidade e da plasticidade do sistema nervoso e dos dados que nele estão armazenados (memória), assim como da qualidade das ligações existentes entre os músculos, que recebem a ordens, e as vias nervosas, que as canalizam.

Como fase sensível, entenda-se os momentos em que o organismo reage melhor à estimulação externa. Isto quer dizer que, para cada capacidade, assim como para a aprendizagem de novos elementos, existem períodos em que a adaptação consequente do treino ou da estimulação se mostra mais eficaz

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15

Ilustração 2: Modelo das fases sensíveis de desenvolvimento das capacidades motoras. Períodos

críticos de desenvolvimento (Martin, 1991).

Convém realçar que fase sensível não é o período de início da estimulação, mas o período em que essa estimulação pode ser aumentada relativamente aos períodos anteriores. Isto significa a existência de períodos de desenvolvimento favoráveis ao treino de determinados fatores da prestação, sendo o treino particularmente elevado nesse período (Martin, 1991).

Todavia, a discussão em torno da exata ocorrência dessas fases não está ainda esgotada. O não aproveitamento dessas fases sensíveis pode resultar em que fatores da prestação, que a um dado momento e com um estímulo conveniente acusariam taxas elevadas de melhoria, já não podem ser atingidos a não ser mediante um esforço desproporcional despendido no treino.

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16

2.2.3. PROCESSO QUE VISA A REALIZAÇÃO DE EXERCÍCIO FÍSICO COM GRANDE PRAZER.

A formação desportiva nos jovens deve ter um caráter de prazer na sua totalidade, tendo em conta toda a dimensão lúdica que este pode proporcionar, independentemente do nível de prestação que cada um desenvolve (Madariaga, 2004).

Este também proporciona benefícios a nível intelectual, como o aumento da autoestima; a redução de stress, ansiedade e depressão; a melhoria do humor e da sensação de bem-estar; a melhoria da concentração, com aumento da memória e da aprendizagem, e um melhor desempenho escolar; redução do sentimento de fadiga e de depressão, a par da melhoria do bem-estar psicológico e da consciência mental (Turner, Rejeski, & Brawley, 1997).

Cruyff (1997, p.14) afirma que “é na infância que uma boa parte dos futebolistas

se decide”. O mais importante para nós, treinadores, passa por transmitir aos

jovens a diversão e o prazer existentes no treino; ensinar a partilhar o prazer do jogo e aprender a desenvolver o seu reportório motor.

Segundo Costa (2009), os primeiros contatos que os jovens obtêm com uma determinada modalidade revelam-se decisivos para o sucesso e a continuidade no desporto que elegeram.

2.3.PLANIFICAÇÃODOPROCESSODETREINO

Em primeiro lugar, pensar que o resultado desportivo nasce de algo inesperado equivale a ignorar os objetivos e conhecer o fracasso.

Segundo Ramos citado por Oliveira (2011, p.13), “não planear… é programar o

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17 controlo, planear todo o processo de treino neste momento torna-se indispensavel para qualquer treinador.

Independentemente das metas ou dos objetivos que selecionamos para a equipa no início de uma época desportiva, terá que existir um trabalho delineado, que oriente todo processo de treino desde o começo até ao desfecho da época. O futebol é uma modalidade muito específica e bastante complexa, o que torna o seu treino o objeto mais importante. Este deve ser cuidadosamente planeado e analisado. Existe um conjunto de etapas que devem ser seguidas pelo treinador para preparar a sua equipa para a competição.

A planificação desportiva corresponde a um processo que analisa, define e sistematiza as diferentes operações essenciais à estruturação e aperfeiçoamento da equipa. Essas mesmas operações são preparadas em função das finalidades, objetivos e previsões (curto, médio e longo prazo) (Oliveira, 2005).

Segundo Oliveira (2005), a planificação é constituída por 4 etapas:

Numa primeira etapa, existe uma análise da situação na qual se realiza o diagnóstico e o prognóstico da equipa.

Etapas da Planificação

Análise da

Situação

Organização

do Processo

de Treino

Execução do

Programa

Avaliação e

controlo do

plano

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18 Esta primeira etapa de planificação traduz-se numa das mais importantes de todo o processo, pois é através de um perfeito e eficaz diagnóstico do plantel que se torna possível passar para o próximo passo da planificação.

O treinador deverá avaliar em primeiro lugar quais as características dos jogadores: “Quem são? Como são? Como estão? Quantos são?”.

Em segundo lugar, teremos de observar e analisar as características do nível competitivo do campeonato em que há que ter em conta as características da modalidade, do quadro competitivo, dos adversários, entre outras passíveis de exercer influência.

Em terceiro lugar, teremos de caracterizar as nossas condições de trabalho, tais como os recursos materiais e humanos, o apoio logístico, os recursos económicos e o tempo de preparação da época desportiva.

A segunda etapa passa pelo prognóstico, realizado de acordo com o que havia sido diagnosticado, em que não podemos descurar da definição de objetivos; onde teremos de definir os principais objetivos, os objetivos intermédios e uma hierarquização desses objetivos.

Também teremos de definir um princípio orientador do trabalho, no qual consideraremos fundamentos teóricos (aspetos técnico-táticos, de formação, biológicos, psicológicos, etc.).

A terceira etapa terá de ser a organização do processo de treino, em que teremos de realizar uma programação (Plano Anual de Treino) – Macrociclo –, execução do programa de treino (Mesociclo, Microciclo e Unidades de Treino) e. por último, uma avaliação e o controlo do plano e uma análise do produto.

No processo de treino, exige-se uma avaliação dos resultados obtidos, de forma a melhorar a performance pessoal e coletiva (Campos, 2008).

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19 Segundo Mourinho (2001), para elaborar um modelo de jogo temos de ter em conta: O clube em que nos encontramos A equipa e o respetivo nível de jogo O nível e as caraterísticas individuais dos jogadores O calendário competitivo Os objetivos a atingir

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20

2.4.PERIODIZAÇÃOTÁTICA

O atual treinador do Real Madrid qualifica a periodização tática como um: “aspeto

particular da programação, que se relaciona com uma distribuição no tempo, de forma regular, dos comportamentos táticos de jogo, individuais e coletivos, assim como, a subjacente e progressiva adaptação do jogador e da equipa a nível técnico, físico, cognitivo e psicológico” (Mourinho, 2001).

Como podemos observar pela definição deste treinador, a periodização tática é agrupada pelos quatro aspetos fundamentais no processo de treino.

Outro treinador, Carvalhal (2002), diz-nos que “o jogo terá de ser a primeira

preocupação para o treinador neste tipo de periodização, tentando transferir os exercícios criados para o modelo de jogo adaptado”.

A periodização tática foi criada de forma a contrariar os modelos tradicionais de treino, nos quais a prioridade era outra: tendo em atenção os aspetos físicos, técnicos, táticos e mentais, dividindo o processo de treino individualmente por aspeto fundamental. Muitas das vezes, ocorre uma integração entre esses aspetos, como o físico-técnico, que, apesar da presença da bola, não possui como objetivo principal trabalhar o modelo de jogo da nossa equipa.

A periodização tática tem como propósito central o aspeto tático; a sua referência equivale ao modelo de jogo adotado pelo treinador. O modelo de jogo constitui-se no ponto central das constitui-sessões de treino e os outros aspetos terão de constitui-ser desenvolvidos a sua volta. A questão tática corresponde ao aspeto central na construção do modelo de jogo. Na unidade de treino, desenvolvem-se exercícios construídos através do modelo de jogo da equipa, de modo a potenciarem a forma de jogar da equipa que o treinador contemple como importante para

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21 aquela sessão. A periodização tática surge como uma nova proposta de periodização nos jogos desportivos coletivos, respeitando as características e particularidades do futebol (Leal, 2004). Ela advém da necessidade de haver uma alternativa a periodização tradicional que tem como origem os desportos individuais com um curto período competitivo.

No caso do futebol, o período competitivo é bastante extenso, não existindo picos a ser atingidos ao longo da época. A época é, pois, uma prova de regularidade e, para isso, temos de atingir o pico no modelo de jogo adotado.

A natureza estrutural e progressiva do jogo de futebol revela a inadequação dos conceitos convencionais de periodização do treino (Campos, 2008).

Durante a época, possuímos um período preparatório muito reduzido e com necessidades competitivas elevadas; um período competitivo muito grande; quadros competitivos longos; competições em simultâneo; um elevado número de jogos e uma necessidade de alto rendimento durante toda a época.

Diversos estudos indicam que as componentes tática-técnica e cognitiva perfazem as que direcionam todo o processo de treino e um projeto de jogo. Alguns autores como Mourinho (2001) e Leal (2004) entendem por periodização tática o seguinte: a época, num só período que vai desde o primeiro dia até ao último dia de trabalho, divida em períodos de forma a catalogar melhor o planeamento de treino, onde a preparação apenas compreende a especificidade/modelo de jogo e onde a periodização adota a lógica evolutiva do modelo e respetivos princípios e subprincípios.

A componente tática é a coordenadora de todo o processo evolutivo da periodização (tática, técnica, física, cognitiva e psicológica), na qual a principal preocupação passa pelo desenvolvimento constante do modelo de jogo desde o

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22 primeiro dia, em que o objetivo é a evolução da forma relacionada com o modelo. Tem como objetivo uma dialética entre desenvolvimento/evolução e manutenção da forma relacionada com a nosso modo de jogar, nomeadamente cumprir com o modelo de jogo.

É uma forma desportiva entendida sobre o ponto de vista coletivo, pois estar em forma individualmente equivale a ser capaz de, ao nível tático individual, técnico, físico, cognitivo e psicológico, cumprir com as exigências do nosso modelo de jogo e dos seus respetivos princípios e subprincípios.

Os níveis da forma não dependem da preparação realizada no período preparatório, mas sim do trabalho realizado diariamente, em que iniciamos os trabalhos com intensidades altas relativas. Essas intensidades devem aumentar progressivamente até atingirem um nível considerado ótimo, mantendo-o até ao final, e onde os valores das intensidades devem ser sempre altos, pois há que garantir uma constante relação do volume das intensidades com a densidade e a quantidade competitiva.

“A especificidade é o fundamento teórico da periodização tática, onde os valores do tipo de treino específicos são sempre elevadíssimos, e os valores do treino geral somente aparecem como complemento ou compensatório do específico

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23

3.TRABALHODESENVOLVIDO

3.1. CARATERIZAÇÃO DA INSTITUIÇÃO

A instituição onde realizei o meu estágio profissional foi fundada no dia 9 de Abril de 1968, e “Aposta na Formação é o lema do Abambres Sport Club”.

No ano 2018 comemorará o seu quinquagésimo aniversário, um marco de extrema importância a instituição.

O ASC é um clube que aposta na formação dos jovens jogadores de forma a educar estes atletas não só a nível desportivo, mas também como futuros membros da sociedade.

Um grande exemplo disso, é o Paulo Alves, treinador de futebol, que fez parte da geração de ouro campeã do mundo em 1989 como atleta tendo feito a sua formação no Abambres Sport Club.

Na atualidade, as modalidades existentes são exclusivamente o futebol e são atividades puramente amadoras.

Neste momento o futebol de formação do Abambres assenta num projeto desenvolvido pelo clube de forma a fomentar a prática desportiva aos jovens do Distrito de Vila Real, conquistar títulos a nível distrital e fazer emergir novos valores no futebol português.

O clube e as suas instalações encontram-se no Complexo Desportivo Dona Maria de Lurdes do Amaral, Avenida Osnabrück na Freguesia de Abambres na Cidade de Vila Real.

As instalações do clube são dotadas de uma sede, um campo de futebol de onze, dois campos de futebol de sete, um ginásio, uma clínica de fisioterapia, sete

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24 balneários, um bar, uma arrecadação do material e uma sala de multiusos. O clube dispõe ainda de dois campos de futebol de onze emprestados por duas coletividades da cidade de forma a gerir todos os seus escalões, o Campo D. Francisco de Sousa Albuquerque na Freguesia de Mateus e o Campo do Cruzeiro na Freguesia de Constantim.

No escalão de Sub-17, as equipas realizavam os seus treinos nas estruturas do clube e nas estruturas emprestadas pelas restantes coletividades, sendo utilizadas o Campo Dona Maria Lurdes de Amaral em Abambres (Futebol de onze), o Campo D. Francisco de Sousa Albuquerque na Freguesia de Mateus (Futebol de onze) e o Campo do Cruzeiro na Freguesia de Constantim (Futebol de onze).

Para que o clube subsista as várias despesas que ocorrem ao longo da época, cada atleta realizava um pagamento através de mensalidades para poder frequentar os treinos e o clube num valor de 100 € por ano. Alguns desses atletas encontravam-se isentos desse pagamento devido aos rendimentos familiares não o permitirem.

Ao longo da época desportiva também eram conseguidas receitas através de patrocínios que estavam dependentes dos êxitos desportivos dos escalões de formação.

A estrutura humana do clube está organizada através de hierarquias, onde a direção do clube ocupa o lugar mais acima.

Em relação a formação, o coordenador técnico do futebol juvenil (Jorge Almeida) é a pessoa mais acima na hierarquia, após isso vêm os vários treinadores e diretores de cada escalão.

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25 e o Sr. Hélder Carvalho é o responsável pela logística que o clube apresenta. Relativamente aos recursos matérias, o clube dispõem de três campos de terra batida, três de futebol de onze (Campo Dona Maria Lurdes de Amaral, Abambres; Campo D. Francisco de Sousa Albuquerque, Mateus; Campo do Cruzeiro, Constantim) e dois de futebol de sete. Este também dispõe de um ginásio para os atletas do clube.

Os Sub-17 continham três sessões de treino semanais, Terça-Feira (Meio campo de futebol de onze); Quarta-Feira (Campo de Futebol onze); Sexta (Meio campo de Futebol de onze).

O material que cada treinador tinha ao eu dispor para o planeamento do treino era o seguinte: 10 bolas (Juniores B); 22 coletes (verdes, amarelos, azuis, vermelhos); um conjunto com 100 sinalizadores; 20 cones (pequenos ou grandes); estacas; balizas pequenas; 4 balizas amovíveis.

Tendo eu colaborado no escalão de Sub-17 (Juniores B) na função de treinador, o meu trabalho era essencialmente de colaborador do treinador principal ou treinador adjunto, no qual eu era responsável por grande parte do processo de treino, tendo como função o planeamento de toda a época desportiva, não me cabendo todas as decisões finais em relação a certos pormenores relativamente ao jogo de competição. No entanto nos dois últimos meses esse processo de treino foi me entregue totalmente e liderei a equipa nos últimos cinco jogos da época, já nos restantes jogos esse trabalho foi realizado pelo treinador principal, tendo sempre em atenção as minhas ideias e a forma como eu realizava o planeamento.

Desta forma, procuro demonstrar neste relatório de estágio todo o trabalho desenvolvido demonstrando o processo de treino utilizado. Nunca esquecendo

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26 que este processo de treino teve em consideração referências bibliográficas e alguma da minha convicção enquanto treinador de futebol.

Os treinadores encontravam-se divididos conforme o seguinte quadro:

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27

3.2.DESCRIÇÃO DO TRABALHO DESENVOLVIDO

Neste capítulo será abordado com maior transparência, o que foi realizado ao longo da época no Abambres Sport Clube e qual o meu envolvimento no decorrer do mesmo. Como podemos observar no quadro abaixo a minha função era de treinador juntamente com o coordenador Jorge Almeida e tínhamos 3 sessões de treino semanais de treino e um de competição ao domingo.

Equipa Treinadores Sessões

semanais

Sub17 Jorge Almeida Filipe Mendes 3+Competição

Tabela 1: Treinadores e número de sessões semanais

O horário semanal era o seguinte:

Hora Domingo

18h30 às

20h Sub-17 Sub-17 Sub17

Competição

21H Reunião técnica

Tabela 2: Horário semanal do microciclo

Para além do horário dos treinos e reuniões, era despendido tempo nas competições, na planificação das unidades de treino, nos relatórios dos jogos e análise da competição e dos adversários e dos jogadores em particular. Acrescentando ainda, tempo para a elaboração do planeamento anual e do modelo de jogo e de treino.

3.3.MODELO DE JOGO –ABAMBRES SPORT CLUB SUB-17

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28

de jogo é bastante complexo, dado que visa estabelecer um conjunto de orientações, ideias e regras organizacionais de uma equipa” (Garganta, 2002).

"Treinar significa melhorar sob o ponto de vista do jogo. Tendo claramente

definido um modelo e os princípios que o orientam, o que acontece diariamente é exacerbação desses princípios em busca da melhoria da qualidade de jogo e daquilo que é a forma de jogo estipulada pelo treinador" (Mourinho, 2002).

O modelo de jogo é a nossa base, ou seja, reflete toda a nossa filosofia de jogo. Essa filosofia de jogo não pode nunca ser só compreendida pelo treinador e restante equipa técnica, deve ser entendida por todos.

É claro que para conseguirmos entender essa tal forma de jogar (MJ) necessitamos que todos entendam, para poder ajudar-nos, colmatando as nossas debilidades e fortalecendo as nossas virtudes em proveito daquilo que é verdadeiramente importante, a equipa.

O nosso modelo de jogo terá como principal objetivo alcançar a vitória em todos os jogos. Assim, devemos ter presentes determinados comportamentos relativos à nossa forma de jogar (MJ), visto que estes nos parecem os mais evidentes para conseguirmos alcançar o êxito.

Assim, o nosso modelo de jogo terá como base a tentativa de controlar a posse de bola em grande parte dos momentos do jogo, isto porque, desta forma podemos garantir que o adversário não tendo a bola, não pode tentar fazer golos. Esta posse de bola terá de ser sempre com a intenção de ver chegada à vantagem numérica no marcador. Para que isto aconteça existe a necessidade de sermos agressivos a atacar, mas de forma racional e equilibrada, para atingir a baliza adversária com sucesso. Para isso, é fundamental a aquisição de determinados princípios e subprincípios de jogo durante o processo de treino

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29 para que no jogo possamos realizar boas ações ofensivas que nos permita alcançar o golo. Durante essa posse de bola, devemos sobretudo dar largura e profundidade ao nosso jogo, ter um bom jogo posicional e que os jogadores tenham uma boa qualidade de passe para que possam dar resposta à tentativa de roubo de bola por parte do adversário.

No entanto, se a equipa alcançar a vantagem no marcador deve tentar manter a mesma forma de jogar, porém, deve-se estar a controlar o jogo não a tentar chegar ao golo de forma atrevida. Para podermos controlar o jogo, a melhor forma é tendo a posse de bola, ou seja, circulando a bola de forma a desgastar a equipa adversária com o intuito de podermos alcançar outro golo.

Todavia esta posse de bola deve ser feita em segurança, através de um bom jogo posicional, no meio campo adversário e com coberturas permanentes ao portador da bola, expecto no último terço do terreno. Nestas alturas devemos também tentar manter um número mínimo de jogadores (5 ou 6 jogadores dependendo da forma de jogar do adversário) atrás da linha da bola e que nos permitam parar o contra-ataque adversário.

Para vencer um jogo pode não ser fundamental ter mais tempo de posse de bola mas ajuda muito.

A nossa forma de jogar deve ser introduzida, desenvolvida e aperfeiçoada no decorrer do período preparatório. Desta forma devemos treinar de forma específica.

Todo este conhecimento de jogo (MJ) não será assimilado em um mês, por isso é fundamental continuar a desenvolve-lo no decorrer do período competitivo. Num clube a existência de um modelo de jogo surge para que o processo de treino e de formação de jogadores siga uma linha de orientação, assente numa

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30 identidade comum e transversal a todos os escalões e equipas.

A filosofia do clube era a seguinte:

1. Que os jovens adquiram valores sociais e humanos que lhes possibilite o equilíbrio, a responsabilidade e a capacidade de participarem de uma forma ativa na sociedade, promovendo assim condições para uma maior identificação entre os jovens e os valores que o Abambres Sport Clube não abdica;

2. A criação das condições necessárias, no seio do clube, para que os jovens tenham a possibilidade de ter acesso a uma correta iniciação à prática desportiva;

3. Conseguir o maior número de títulos possíveis, praticando um futebol atrativo. A equipa deve evidenciar, em todos os momentos competitivos, um conjunto de comportamentos que lhe conferem uma identidade, e que nós definimos como as características gerais da equipa:

1- Adotar uma atitude competitiva agressiva permanente 2- Máxima concentração

3- Perfeita ocupação

4- Grande articulação entre todos os sectores

5- Movimentação em Bloco (todos atacam e todos defendem) 6- Capacidade para provocar e aproveitar os erros do adversário 7- Capacidade para jogar a um ritmo elevado

8- Provocar e tirar partido de mudanças bruscas do ritmo de jogo 9- Equipa estendida a atacar, dando sempre largura e profundidade 10- Boa circulação de bola

11- Luta constante pela conquista da bola

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31

Ilustração 7: Momentos de Jogo do nosso modelo de jogo

Durante a presente época desportiva, o número total de atletas inscritos no clube perfaz um total de 206 atletas.

Seniores: 25 atletas; Sub-19: 25 atletas; Sub-17: 29 atletas; Sub-15: 46 atletas; Sub-13: 41 atletas; Sub-11: 40 atletas.

O coordenador do futebol juvenil enunciou os objetivos centrais para a época desportiva 2010/2011 da seguinte forma:

- Incrementar nos atletas valores de responsabilidade e cidadania;

- Estimular o espírito competitivo, espírito de equipa e de entreajuda nos praticantes;

- Formar jovens jogadores de sucesso, com bases sólidas com as necessidades MOMENTOS DE JOGO Organizaçã o Defensiva Transição Ofensiva Organizaçã o Ofensiva Transição Defensiva

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32 motoras, técnicas e táticas de longo prazo, apontando a sua subsequente integração e valorização do escalão sénior;

- Desenvolver situações de progressão de forma que os jogadores mais habilitados e mais motivados atinjam patamares de rendimento superior;

- Criar equipas que joguem um futebol atrativo e que ganhem jogos de forma a obter resultados desportivos;

A equipa dos Sub-17 era constituída por 29 atletas, com idades compreendidas entre os 15 e 16 anos de idade.

12 Atletas eram do 2º ano de 17 (1994) e 17 atletas eram do 1º ano de Sub-17 (1995).

No que respeita à situação escolar dos atletas frequentavam o ensino básico (7º ano, 8º ano e 9º ano) e o ensino secundário (10º ano e 11º ano).

17 Atletas frequentavam o 10ºano, 8 atletas frequentavam o 11ºano, 2 atletas frequentavam o 9ºano e 2 atletas frequentavam o 8ºano.

No sentido de caraterizar o plantel decidi proceder à avaliação das caraterísticas antropométricas elementares (peso, altura e índice de massa corporal - IMC) e outras caraterísticas importantes (ano de escolaridade, pé dominante, escola, posição e morada).

Ano Altura Peso IMC Pé Escola Morada Posição Ano Nascimento AT 10º 1,77m 64kg 20,43 D Camilo Vila Real PL 19/10/1995

AR 10º 1,68m 60kg 21,26 E S.Pedro Vila Real MC 24/05/1995

BG 10º 1,72m 63kg 21,3 D S.Pedro Vila Real DD 19/10/1995

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33

DF 11º 1,85m 79kg 23,08 D Camilo Vila Real DC 04/05/1994

FM 8º 1,73m 65kg 21,71 D Sabrosa Sabrosa MDF 18/12/1995

FB 10º 1,72m 60kg 20,28 E Camilo Vila Real DE 13/03/1995

FC 9º 1,70m 60kg 20,76 D S.Pedro Vila Real MDF 23/09/1995

FL 10º 1,77m 65kg 20,75 D Camilo Vila Real DC 28/09/1995

FN 11º 1,68m 63kg 22,32 D Camilo Vila Real MC 15/01/1994

GP 11º 1,69m 62kg 21,7 D S.Pedro Vila Real MC 01/10/1994

JG 10º 1,71m 64kg 21,92 D Camilo Vila Real EXT 16/07/1995

JO 10º 1,74m 68kg 22,52 D S.Pedro Vila Real GR 24/02/1995

JP 10º 1,69m 62kg 21,71 D Sabrosa Sabrosa EXT 25/08/1994

JS 10º 1,75m 59kg 18,93 D S.Pedro Vila Real EXT 26/07/1994

JR 9º 1,78m 70kg 22,09 D Mateus Vila Real PL 19/09/1995

JM 8º 1,75m 59kg 19,27 D Mateus Vila Real PL 19/10/1995

JN 10º 1,67m 56kg 20,08 D S.Pedro Vila Real GR 16/12/1994

LS 11º 1,82m 72kg 21,74 D Régua Vila Real DC 01/03/1994

ML 10º 1,74m 67kg 22,11 D Camilo Vila Real EXT 31/07/1995

MA 10º 1,72m 60kg 20,28 D S.Pedro Vila Real DD 05/04/1995

MG 10º 1,75m 62kg 20,24 D S.Pedro Vila Real MDF 22/09/1995

PF 10º 1,66m 60kg 21,77 E S.Pedro Vila Real PL 20/12/1995

PL 10º 1,77m 66kg 21,07 D Mateus Vila Real DD 06/10/1995

PT 11º 1,85m 74kg 21,6 E Boavista Vila Real DE 05/06/1995

RF 11º 1,73m 59kg 19,71 D Mateus Vila Real MDF 01/12/1994

RB 10º 1,78m 79kg 24,93 D Boavista Vila Real DD 28/09/1995

RC 11º 1,73m 64kg 21,4 E S.Pedro Vila Real DE 16/08/1994

TP 11º 1,80m 86kg 26,54 D Mateus Vila Real GR 24/02/1994

TV 10º 1,84m 76kg 22,49 D S.Pedro Vila Real DC 02/02/1994

Ilustração 8: Caraterização do plantel do Abambres Sport Clube

3.4. DEFINIÇÃO DE OBJETIVOS

Os efeitos da formulação de objetivos durante a época desportiva, são essências para determinar metas coletivas e individuais (Weinberg, 2001);(Gomes, Sá, & Sousa, 2004).

Os objetivos funcionam como um plano de regulação do comportamento do jogador, esses dados apontam para a confirmação dos efeitos positivos da definição de objetivos sobre o aumento da motivação e do rendimento desportivo.

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34 Os objetivos de curto e longo prazo são os que estão associados a maiores aumentos do rendimento desportivo. Mas existe variáveis que podem condicionar o efeito da definição de objetivos: o contexto de aplicação da técnica, a aceitação pelos atletas dos objetivos a atingir, a participação dos atletas no processo de definição dos objetivos, a experiência anterior nas tarefas alvo do programa de objetivos e, finalmente, a natureza pública ou privada da divulgação dos objetivos.(Gomes et al., 2004).

O tipo de objetivos a formular deve, de preferência, abranger diferentes domínios do desempenho desportivo (aspetos psicossociais, técnico-tático, físicos e cognitivos) e da atividade desportiva.

Os objetivos podem ter uma direção de resultado ou de processo, cabe ao treinador escolher aquele que melhor se aplica a sua equipa.

Definidos os tipos de objetivos, é fundamental de seguida criar níveis de sucesso para cada um deles.(Kyllo & Landers, 1995).

Devem ainda ser traçados objetivos a curto, médio e longo-prazo, de modo a permitir aos jogadores a interpretação e consciência daquilo que terão de cumprir, passo a passo, de forma a alcançarem um determinado nível de execução.

Paralelamente, convém ter em atenção a necessidade dos objetivos, se ajustarem a eventuais variações no rendimento dos jogadores ao longo da época desportiva e, essencialmente, avaliarem o grau de prática e o nível competitivo em que estes se encontram, bem como os seus níveis de rendimento e o aproximar de momentos competitivos mais decisivos e importantes.(Kyllo & Landers, 1995);(Weinberg, 2001);(Weinberg & Gould, 2001);(Gomes et al., 2004).

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35 Os objetivos definidos no início da época foram os seguintes:

Psicossociais:

- Assimilar as regras a ter no treino;

- Incrementar valores como responsabilidade, assiduidade, pontualidade, respeito pelo próximo e boa educação;

- Criar um espírito de grupo/equipa;

- Desenvolver valores de desportivismo, ajuda, tolerância e compreensão; - Criar um clima de motivação e gosto pela aprendizagem;

- Criar hábitos de organização e gestão do material; - Criar hábitos de concentração;

Técnico-táticos:

- Modelo de jogo adotado;

- Ações individuais do ataque e da defesa;

- Ações coletivas elementares do ataque e da defesa; - Ações coletivas complexas do ataque e da defesa; Físicos:

- Resistência específica do jogo; - Velocidade específica;

- Força específica; Cognitivos:

- Desenvolver a capacidade de análise, perceção de antecipação e decisão; Competitivos:

Curto Prazo: Vencer jogo a jogo;

Médio Prazo: Acabar o campeonato nos 3 primeiros lugares na 1º volta; Longo Prazo: Acabar o campeonato em 1º Lugar.

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36 Nesta época desportiva, efetuamos duas avaliações diagnosticas para podermos avaliar os jogadores individualmente e coletivamente.

A primeira avaliação foi realizada no primeiro treino, onde avaliamos principalmente as ações individuais do ataque e da defesa (Maçãs & Brito, 2000), essa mesma avaliação foi efetivada através de exercícios com uma quantidade menor de jogadores. (1x1;2x2;3x3…).

Relativamente a essas ações podemos observar que os jogadores em geral encontravam-se num patamar bastante bom, tendo algumas dificuldades no gesto técnico do cabeceamento.

Numerosos jogadores tinham dificuldade nessa ação individual, penso que esse facto se deve ao facto das equipas do Abambres privilegiarem o futebol apoiado ao futebol direto, conduzindo os atletas a terem imensas dificuldades nesse estilo de jogo.

Na segunda avaliação, que se realizou na segunda sessão, foi observado as ações coletivas elementares do ataque e da defesa (Maçãs & Brito, 2000). Nessa segunda avaliação, podemos observar na generalidade que os jogadores estavam bastantes evoluídos, sendo conhecedores dos princípios da defesa do ataque.

Utilizamos o (11x11) de forma a examinarmos os comportamentos de cada jogador no campo nesse aspeto.

Estes conteúdos foram exigidos e assimilados nos escalões anteriores.

Com esta avaliação, traçamos objetivos que já foram mencionados no documento, tendo dado prioridade ao nosso modelo de jogo, e a forma como a nossa equipa se deverá comportar em campo, não descartando por completo essas mesmas ações anteriormente avaliadas agrupando-as nos exercícios

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37 definidos.

A avaliação da equipa foi feita durante a época desportiva completa, pois os jogadores estavam em constante avaliação.

A equipa dos Sub-17 realiza por microciclo três treinos (Terça-Feira, Quarta-Feira e Sexta-Quarta-Feira), com duração aproximada de 90 minutos por sessão as 18h30. O Jogo de competição realiza-se ao Domingo de manha pelas 10h00. A época prolongou-se por 35 semanas, perfazendo um total de 94 unidades de treino, totalizando 200 horas de treino.

O nosso modelo de jogo é dividido em momentos de jogo, tais como organização ofensiva, organização defensiva, transição ofensiva e transição defensiva. Durante o processo ofensivo a nossa equipa deve impor o ritmo de jogo mais conveniente, procurando o golo com a objetividade e variedade na progressão. Existe uma participação de todos os jogadores, logo que se conquista a posse de bola, através de uma mudança brusca de atitude.

1ª Preocupação – Atacar rápido a baliza contrária (transição defesa-ataque) Na Transição Ofensiva, o objetivo mais importante é aproveitar o adversário ainda desorganizado posicionalmente, para criar o mais rápido possível possibilidades de marcar golo.

Após a conquista da bola, teremos de dar largura e profundidade ao ataque, transição entre os sectores e os corredores, realizado de forma rápida, apoio permanente ao portador da bola (Cobertura ofensiva) e criação de linhas de passe: em profundidade e para diferentes corredores.

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38 2º Preocupação – Manter a posse de bola / sair de zonas de pressão (Posse) Na Organização Ofensiva (Posse), após a conquista da bola, os objetivos passam em primeiro lugar por marcar golos, criar situações para finalizar, usar o espaço e o tempo em relação com os companheiros e adversários e manter a posse de bola o maior tempo possível.

Em posse de Bola, na 1ª Fase – Manutenção / Construção, teremos de adotar uma atitude competitiva agressiva de forma a comandar o jogo, tendo a posse de bola o maior tempo possível, discernir (é alternar) entre o domínio da posse da bola (manutenção) e o início da construção das ações ofensivas e ter a capacidade de provocar e tirar partido de mudanças bruscas de ritmo de jogo (aceleração do jogo).

Na 2ªFase – Organização / Circulação (Preparação da criação), teremos e ter uma boa circulação de bola, sempre com o objetivo de criar muitas possibilidades de marcar, para que o objetivo mais importante que é marcar golos seja atingido. No sentido de potenciar essa boa circulação da bola, deve ser feita uma perfeita cobertura dos espaços (terreno de jogo), e promover uma grande articulação entre todos os sectores (jogadores).

Na 3ªFase – Criação de situações de Finalização, a equipa terá de ter uma grande amplitude a atacar, dando sempre largura e profundidade ao ataque. Terá também de possuir capacidade para provocar e aproveitar os erros adversários, tais como imprevisibilidade das ações ofensivas, utilizando frequentes variações do centro de jogo para outras zonas, preocupação do ataque ter sempre muita mobilidade e criatividade.

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39 ações de finalização.

Durante o processo defensivo, teremos de limitar a iniciativa do adversário, tentando recuperar a posse de bola o mais rapidamente possível, o que implica a realização da denominada “Pressão Alta”- Tentativa coletiva de recuperar a bola o mais a frente possível. A equipa tem de ser muito curta (compacta), jogando com sectores próximos uns dos outros (e avançados), com grande entreajuda. Este método defensivo proporciona algum risco no sector defensivo, derivado da posição avançada dos seus elementos mais recuados.

1ª Preocupação – Recuperá-la o mais rapidamente possível e manter a equipa sempre equilibrada (Transição Defensiva).

Na Transição Defensiva, o objetivo mais importante é organizar-se o mais rápido possível, para evitar que o adversário possa criar possibilidades de marcar golos, e após perda da bola teremos de ter atenção os seguintes pontos:

1- Pressão sobre o portador da bola de acordo com o momento e a zona em que se processa (definir zonas de pressão).

2- Apoio permanente ao defensor direto (cobertura defensiva).

3- Fechar possíveis linhas e passe, fundamentalmente em profundidade.

4- Temporização de forma a diminuir as possibilidades de ataque rápido do adversário e/ou de ganhar tempo necessário para a equipa se organizar (momentaneamente).

2ª Preocupação – Organizar defensivamente fechando o corredor central de jogo, criando sempre superioridade numérica nas zonas de disputa de bola, Oscilando em função da bola tendentes a reduzirem espaços de penetração, Preocupação de existir sempre coberturas defensivas (Defesa em Diagonal e em Pirâmide).

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40 Na Organização Defensiva (Situação defensiva), após a perda da bola, a equipa deverá organizar-se o mais rápido possível no sentido de evitar sofrer golos, evitar a criação de possibilidades do adversário marcar golo e impedir / dificultar a construção das ações ofensivas do adversário.

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4.ANÁLISEDOPROCESSO

A análise do processo é algo que todo o treinador desportivo deverá fazer, pois é através deste que poderá ocorrer uma maior reflexão sobre o seu trabalho planeado/realizado ao longo da época desportiva.

A fase de controlo/avaliação de um processo encontra-se sempre presente. Antes mesmo da fase de conceção teremos de avaliar as possibilidades de que dispomos, permitindo que o planeamento se aproxime do pretendido. Durante a fase de conceção avaliamos as decisões tomadas de forma a garantir a sequência dessas opções. Na fase de execução avaliamos a exequibilidade das opções tomadas, permitindo tomar novas decisões e, desta forma, fazer ajustes a comportamentos imprevistos. Por fim, teremos de avaliar o resultado, ou seja, após o fim do processo, este é avaliado na sua totalidade, desde a sua origem, passando pela sua execução, até ao seu produto final, permitindo avaliar, modificar a definir novas orientações para novos processos (Aranha, 2004).

4.1. AVALIAÇÃO E CONTROLO DE TREINO

A avaliação e o controlo de treino revestem-se de extrema relevância. Nas tabelas que se seguem, iremos analisar a época desportiva com alguma profundidade relativamente à assiduidade dos atletas, comparando-a com o tempo de jogo de que estes dispõem durante a competição. O tempo de jogo a que cada atleta tem direito durante a competição é importante, pois, nestas idades de formação, todos têm o direito a jogar. No entanto e a meu ver, cada um terá de merecer esse tempo de jogo, quer pelas suas capacidades globais,

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Ilustração 1: Fases segundo o modelo de LTAD (Canadian FSL, 2012).
Ilustração 2: Modelo das fases sensíveis de desenvolvimento das capacidades motoras. Períodos  críticos de desenvolvimento (Martin, 1991)
Ilustração 3: Etapas de Planificação do Processo de Treino (Oliveira, 2005).
Ilustração 4: Aspetos em ter em conta aquando da Elaboração do Modelo de Jogo (Mourinho, 2001).
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Referências

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