TÍTULO: Aceitação e Uso da
Tecnologia para a Poupança
Individual em Portugal
Patrícia Sofia Ventura Costa
Subtítulo: Aplicação Do Modelo Utaut2
Dissertação apresentada como requisito parcial para
obtenção do grau de Mestre em Estatística e Gestão de
Informação, com especialização em Análise e Gestão de Risco
LOMBADA MEGI
Título: Aceitação e Uso da Tecnologia para a Poupança Indiv idual em
Portugal; Subtítulo: Aplicação Do Modelo Utaut2 Aluna Patrícia Sofia Ventura Costa
2018
NOVA Information Management School
Instituto Superior de Estatística e Gestão de Informação
Universidade Nova de Lisboa
ACEITAÇÃO E USO DA TECNOLOGIA PARA A POUPANÇA
INDIVIDUAL EM PORTUGAL:
APLICAÇÃO DO MODELO UTAUT2
Por
Patrícia Sofia Ventura Costa
Dissertação apresentada como requisito parcial para a obtenção do grau de
Mestre em Estatística e Gestão de Informação, com especialização em Análise e Gestão
de Risco.
Orientador: Professor Tiago André Gonçalves Félix de Oliveira
Dedicatória
Esta dissertação reúne o contributo de várias pessoas, e por isso dedico este trabalho aos meus familiares, nomeadamente aos meus pais e irmã, ao meu noivo e sogros e ainda aos meus padrinhos e avós que me apoiam no meu percurso académico e profissional. Adicionalmente dedico este estudo ao orientador professor Tiago Oliveira por ter aceitado este desafio e por último, dedico esta dissertação a todas as pessoas que o preencheram o questionário, visto que foi esse facto permitiu a concretização desta dissertação.Resumo
Atualmente as ferramentas tecnológicas estão induzidas nas rotinas da sociedade, consequentemente têm-se desenvolvido diversos estudos no âmbito do desenvolvimento digital e neste caso enaltece-se a relação tecnologia versos recursos financeiros. Portanto analisa-se a influência da Internet na gestão monetária, identifica-se o perfil do utilizador e o canal mais eficaz de comunicação de poupança. A principal relevância teórica deste estudo enquadra-se na análise comportamental de adoção tenológico num novo contexto e contribui para o desenvolvimento da literatura de poupança e tecnologia. Para avaliar o processo, propôs-se a aplicação do modelo conceptual teoria unificada de aceitação e uso da tecnologia2 (UTAUT2) de Venkatesh (2012) com um novo construtor, nomeadamente as Motivações de Poupança nos termos da pesquisa de Browning e Lusardi (1996). Este estudo segue a metodologia quantitativa e empírica, partilhou-se um questionário via Internet e obteve-se 220 respostas válidas. Os resultados mostram que a Internet é promovedora de poupança e, das 16 hipóteses propostas concluiu-se que 2 foram parcialmente suportadas, 8 foram suportadas e 4 rejeitadas. O modelo exposto explica 76% da intenção de uso, 42% das motivações de poupança e 81 % do uso. Para explicar o comportamento de uso do Internet para poupar, o hábito e as condições facilitadoras são os fatores mais relevantes.
Palavras-Chave:
Gestão Financeira, Utilizadores de Internet, Poupança, Motivações de poupança; Modelo UTAUT2.
Abstract
Technology tools is important in today's society routines, consequently several studies have been developed about digital development. The purpose of present research has to relate financial resources and a technology. This paper intended to perceive the impact of the influence the Internet for saving money, intended to identify the profile of users and intended to identify the most effective channel of communication. This study go to analysis individual adoption behavior in new context, this way go to contribute to development technology and savings literature. This research go to use quantitative and empirical data and it based on the unified theory of acceptance and use of technology (UTAUT) by Venkatesh (2012). In addition, we extended the model to fit the subject of this research based on Browning and Lusardi (1996) research. The data was collect through conducting a questionnaire distributed by email and it get 220 Portuguese answers. The results show, users use the internet to promote individual savings. The result revealed that 2 hypotheses were partially supported, 8 hypotheses were accepted and 4 reject. We found that the model explained 76% of intention variance, 42% of saving motivations and 81 % of usage variance. To explain usage behavior of Internet saving the most important factor was habit and facilitating conditions.Keywords:
Índice
1. Introdução ... 1
-1.1. Enquadramento e Fundamen tação do estudo ... 1
-1.2. Principais objetivos de investigação ... 2
-1.3. Justificação e fo rmulação do problema ... 2
-1.4. Estrutura da tese ... 4
-2. Revisão Bibliográfica ... 5
-2.1. Gestão Monetá ria Individual ... 5
-I. A Composição do Agregado Familiar ... 8
-II. Grau Académico... 8
-III. Expetativa Temporal versos Idade... 9
-IV. Rendimento (R) ... 10
-V. Motivações de Poupança (MP)... 11
-2.2. Importância da Tecnologia e da Internet ... 13
-2.3. Adoção do Comportamen to de Poupança por via da Internet ... 17
-I. Expectativa de Desempenho (ED) ... 20
-II. Expectativa de Esforço (EE)... 20
-III. Influência Social (IS)... 21
-IV. Condições Facilitadoras (CF) ... 22
-V. Motivações Hedónicas (MH)... 23
-VI. Preço Financeiro Associado (PF) ... 24
-VII. Hábito (HT) ... 24
-VIII. Intenção Comportamental (IC)... 25
-IX. Moderador – Género (G) ... 26
-2.4. Modelo Conceptual Proposto ... 27
-3. Metodologia... 28
-3.1. População e Amostra ... 28
-3.3. Análise de dados PLSSEM ... 30
-4. Resultados e Discussão... 31
-4.1. Análise de Dados Gerais ... 31
-4.2. Validação dos dados ... 32
-I. Modelo de Mensuração ... 32
-II. Modelo Estrutural ... 37
-4.3. Discussão ... 39
5.Limitações e Recomendações para Trabalhos Futuros ... 44
6.Conclusão ... 45
7.Apêndice ... 46
-Índice de Tabelas e Figuras
Tabela 1- Síntese das Motivações de Poupança (Fonte: adaptado de Browning & Lusardi, 1996, Fisher &
Montalto, 2010; Zanin, 2017) ... 12
Tabela 2 Informações Gerais e Características Demográficas dos Respondentes. ... 31
Tabela 3 Critério FornellLarcker: Estatística Descritiva, Correlações e VME ’s: ... 34
Tabela 4 – Cargas fatoriais PLS Loadings e CrossLoadings... 35
Tabela 5 – HeterotraitMonotrait Ratio (HTMT) ... 36
Tabela 6 Path Coefficients (βvalue) ... 38
Tabela 7 – Resultados Médios da Análise do Agregado Familiar ... 40
Tabela 8 Ordem decrescente de significância ... 41
Tabela 9 Síntese da conclusão das hipóteses... 43
Tabela 10 Quadro elusivo da construção dos itens... 47
-Lista de Siglas e Abreviaturas
CA - Alfa de Cronbach; CF - Condições Facilitadoras;
CR – Confiabilidade Composta /Composite Reliability; ED - Expectativa de Desempenho;
EE- Expectativa de Esforço;
VME - Variância Média Extraída/ Average Variance Extracted -AVE; G- Género Masculino; HT – Hábito; IC - Intenção Comportamental; IS - Influência Social; MH - Motivação Hedónica; MM - Modelo Motivacional; MP - Motivações de Poupança;
Modelo de utilização de PC/ Model of PC Utilization - MPCU;
Modelo de Aceitação de Tecnologia / Technology Acceptance Model -TAM; NA - Não Aplicável;
PE - Expectativa de Desempenho; PF- Preço Financeiro;
R – Rendimento;
Teoria da Difusão da Inovação / Innovation Diffusion Theory - IDT; Teoria da Ação Racional / Theory of Rational Action - TRA;
Teoria do Comportamento Planeado / Theory of Planned Behavior-TPB; Teoria Social Cognitiva / Cognitive Social Theory - SCT;
Teoria unificada de aceitação e uso da tecnologia2 / Unified Theory Of Acceptance And Use of Technology 2 – UTAUT2;
TI-Tenologias de Informação; U-Comportamento de uso;
1. Introdução
1.1.
Enquadramento e Fundamentação do estudo
A transformação digital é o fenómeno do século XXI e defende-se que nos tempos modernos vive-se numa época de informação e de inovação tecnológica. A tecnologia ganhou um novo papel no sucesso da estratégia individual bem como no âmbito organizacional, devido à velocidade da evolução tenológica, os paradigmas das transações comerciais tradicionais foram transformados e desenvolvidos por via de instrumentos e as ferramentas Smart. Certo modo a era digital leva a ponderar a tecnologia de informação (TI) como a ferramenta essencial no mercado mais competitivo e complexo (Martins, Oliveira, & Popovič, 2014).
As novas ferramentas tornaram-se o ator principal do quotidiano dos cidadãos portugueses e, possibilitaram a aquisição de um conjunto infinito de ativos de forma rápida e eficaz, tais como, obter um serviço de transporte, reservar um quarto, validar o saldo da conta bancária ou mesmo transacionar o meio de pagamento de uma operação. O próprio meio de pagamento adquiriu outras dimensões, por exemplo pode ser transacionado por via de uma moeda nacional ou através de uma moeda digital, bem como pode ser executado por pagamento móvel em alternativa do dinheiro físico, o cheque ou o cartão de crédito (Oliveira, Thomas, Baptista, & Campos, 2016). Portanto, surge uma nova abordagem de satisfazer as necessidades mas, apesar de se conhecer as vantagens associadas ao uso da Internet a fins financeiro, ainda existe um grupo de indivíduos que se recusa a adotar tais serviços (Punj, 2012).
Todavia, por si só as ferramentas de TI não transformam a sociedade, o que leva a crer que os principais agentes de mudança são as pessoas nos contextos sociais, económicos e políticos. Posto isto, a literatura tem enfatizado a importância da reflexão e da discussão de teorias sobre a compreensão da aceitação da tecnologia com diferentes enfoques e em diferentes contextos sociais (Brown & Venkatesh, 2005; Cobanoglu, Yang, Shatskikh, & Agarwal, 2015). Desse modo, desenvolveu-se diversos modelos na literatura com a variável dependente, uso ou intenção de uso.
Para além do contacto tecnológico diário os indivíduos empregam inúmeras decisões financeiras (Lusardi & Mitchell, 2007) e este estudo pretende relacionar o desenvolvimento tenológico com a gestão financeira, pois já existe diversos estudos a explorar a relação entre o
consumo e a tecnologia, contudo ainda não foi realçado a evidência da relação entre poupança e tenologia.
1.2.
Principais objetivos de investigação
Esta pesquisa pretende perceber a aplicabilidade da tecnologia na poupança individual. Apesar de ser difícil de explicar os efeitos do progresso tecnológico na melhoria da qualidade na vida humana (Berger, 2003) a presente dissertação tem como principal intuito estudar o papel e o impacto da Internet na saúde financeira, nomeadamente na poupança individual de recursos financeiros em Portugal. Para tal, propõem-se explorar o modelo UTAUT2 num novo contexto e, adicionar ao modelo uma componente subjetiva do comportamento humano, em particular as motivações de poupança. Esta pesquisa-se foca-se em perceber se o cidadão português acredita que a Internet é uma mais-valia na saúde financeira e foca-se em identificar o perfil do poupador português assim como, os fatores significativos na promoção da mesma.
1.3.
Justificação e formulação do problema
A pesquisa compreende uma revisão da literatura económica e te cnológica, assim este estudo funde dois assuntos sensíveis nomeadamente os recursos financeiros e a Internet (tecnologia) (Martins, Oliveira, & Popovič, 2014). O contexto financeiro combina a adoção de tecnologia com elementos de marketing e, por isso requer de uma teorização distinta na literatura de sistemas de informação (Pavlou & Fygenson, 2006). Numa perspetiva financeira já foi estudado a adoção do comércio eletrónico commerce), do pagamento eletrónico
(e-payment) bem como o uso de dispositivos móveis para a realização de transações bancárias ou
comerciais (m-payment; m-banking; m-commerce) (Slade, Williams, & Dwivedi, 2014). Contudo esta pesquisa centra-se na utilização da Internet em prol de benefícios de uma gestão monetária mais eficiente e porventura poupança de recursos financeiros.
Diversos autores argumentam que analisar a perceção real e os principais fatores que influenciam os agentes de mudança, nomeadamente a tecnologia e os indivíduos na adoção é algo crucial, isto porque a tecnologia é incorporada num contexto particular o que leva a crer que o próprio contexto, que permite a aceitação efetiva da adoção de uma tecnologia é o ponto-chave para a obtenção de sucesso económico (Brown & Venkatesh, 2005; Catarino, 2012;
Martins, Oliveira, & Popovič, 2014). Isto porque, reconhece-se que embora a inovação seja algo crucial para a evolução da sociedade, é importante que a mesma tenha impacto económico (Godin, 2006) com uma implementação bem-sucedida (Leidner & Kayworth, 2006). Por outro lado, em Portugal desde 2010 avoca uma política de austeridade económica com o aumento da carga fiscal e de cortes sociais (Wall, Leitão, Correia, & Ramos, 2016), o que leva a crer que analisar os indicadores de poupança são de alto relevo. Para melhor compreender o papel tecnológico na poupança em Portugal, a pesquisa segue um modelo teórico existente e empiricamente validado nomeadamente o modelo “Teoria Unificada de Aceitação e Uso de Tecnologia 2” (UTAUT2). Para melhor enquadrar o conteúdo financeiro, adicionou-se o constructo motivações de poupança individual, bem como o moderador rendimento. Os autores do UTAUT 2 testaram o modelo em Hong Kong e sobressaíram que este modelo deveria de ser testado em distintos situações para equiparar efeitos e validar dados da sua amplitude (Venkatesh, Thong, & Xu, 2012).
Portugal sobressaiu em 2016 como o terceiro país da União Europeia (UE) com maiores níveis de adoção de serviço de telemóvel1 e estatisticamente a utilização de Internet2 tem
assumido uma tendência positiva continuada. Contrariamente, a poupança individual das famílias portuguesas tem assumido uma tendência de queda contínua desde 19953, exceto entre
2008 e 2010 onde assumiu um sinal positivo na tendência, sendo que o período onde a tendência assumiu um sinal positivo está associado ao período da recessão económica.
Este trabalho de investigação dirige-se às instituições públicas e privadas do contexto português, nomeadamente contribuir para o desenvolvimento das áreas científicas de marketing e dos sistemas de informação, isto porque compreender os impulsionadores do comportamento pode levar a melhorar a experiência e a comunicação entre utilizadores, pois tanto ao nível institucional como individual existe o interesse de se usufruir de uma comunicação produtiva e rentável (Catarino, 2012; Martins, Oliveira, & Popovič, 2014). Portanto, com os dados obtidos nesta pesquisa pretende-se motivar políticas e metodologias que melhor satisfazem o
1https://www.pordata.pt/Europa/Assinaturas+do+servi%C3%A7o+de+telem%C3%B3vel+por+mil+habitantes-1953; recuperado 2018-06-09 2 https://www.pordata.pt/Portugal/Indiv%C3%ADduos+com+16+e+mais+anos+que+utilizam+computador+e+Internet+em+percenta gem+do+total+de+indiv%C3%ADduos+por+sexo-1142; recuperado 09-06-2018 3 https://www.pordata.pt/Portugal/Taxa+de+poupan%C3%A7a+das+fam%C3%ADlias -2340; recuperado 09-06-2018
alvo, da mesma maneira perceber aceitação tecnológica. Mais concretamente, as instituições financeiras e o Estado podem beneficiar deste estudo para desenvolver produtos e políticas com incentivos para promover a poupança regular.
O impacto das tecnologias tem sido alvo de diversas investigações e embora os potenciais benefícios do comércio eletrónico serem amplamente divulgados, há apenas uma compreensão limitada e fragmentada do comportamento do consumidor eletrónico (Pavlou & Fygenson, 2006; Catarino, 2012), nomeadamente no contexto português, a relevância do estudo intensifica-se quando se analisa as estatísticas nacionais. Por isso, a relevância aliada à curiosidade sobre a situação atual em Portugal é a principal razão para a elaboração desta investigação.
1.4.
Estrutura da tese
A presente investigação é composta por seis capítulos. A secção I procede-se à introdução e enquadramento da temática em estudo, bem como apresenta-se a motivação e objetivos da realização da presente dissertação. De seguida na secção II segue-se com a revisão de literatura, onde se visa aprofundar os aspetos fundamentais relacionados com o enquadramento e fundamentação da temática em estudo, nomeadamente uma reflecção acerca da poupança económica e o uso da tecnologia. Posteriormente procede-se com o levantamento teórico do modelo UTAUT2 e, por fim demonstra-se o modelo preposto e fundamenta-se os constructos empregues. A seção III abrange a metodologia da investigação com a descrição dos instrumentos de medição e o processo de coleta de dados. Na seção IV apresenta os dados e a validação do modelo, nomeadamente por via da análise do modelo de mensuração e estrutural, por fim, apresenta-se a reflexão empírica dos resultados obtidos. Finalmente, a seção V e VI contém as principais limitações, potenciais oportunidades para pesquisas futuras e conclusões.
2. Revisão Bibliográfica
Considerando o exposto acima, segue a revisão bibliográfica, neste sentido pretende-se perceber a importância da poupança de recursos financeiros e das tecnologias na sociedade.2.1.
Gestão Monetária Individual
As famílias, as organizações e o próprio Estado desempenham um papel essencial na economia, estabelecendo uma ligação sensível e direta, caso ocorra algo menos bom num destes agentes o risco de contágio aos outros é elevado. Desse modo a gestão monetária individual é realçada como um fator relevante de bem-estar e de equilíbrio social (Browning & Lusardi, 1996). A gestão monetária está intimamente relacionada com a capacidade de alcançar os objetivos esperados (Arofah, Purwaningsih, & Indriayu, 2018) e com a capacidade de colocar as famílias em segurança versos em risco (Muzikante & Škuškovnika, 2018).
A poupança de recursos financeiros é destacado pelo Lusardi e Mitchell (2007) como sendo algo indivudual dado que cada indivíduo tem o seu perfil de poupança e, essa otimização é altamente complexa. De qualquer forma, acredita-se que o consumidor deve maximizar a sua vida útil e, para isso deve ponderar o desconto da utilidade esperada tendo em conta as probabilidades de sobrevivência, de rendimentos esperados, os futuros benefícios da segurança social, as taxas de inflação, a idade de aposentadoria e as necessidades familiares. Contudo nesse arcabouço teórico, a chave para a poupança permanece no momento da decisão e, tem duas hipóteses subjacentes: despender ou preservar. Uma vez que o comportamento humano é condicionado pelo princípio económico de que os recursos são limitados faz com que nem todos os desejos e ambições possam ser realizados. Compreender o comportamento de poupança é algo complexo e, por isso as recentes pesquisas procuram misturar modelos neoclássicos com subjetividade do mundo real (Lusardi & Mitchell, 2007; Besanko, 2010).
A gestão monetária tem diversos impactos sociais, tais como na liberdade individual e na economia global, nomeadamente nas políticas públicas, na estabilidade financeira e social, tal como no crescimento económico (Browning & Lusardi, 1996). A nível nacional afere-se que existe uma forte correlação entre o crescimento económico e o nível de poupança e, deve-se em grande medida à premissa de que o crescimento leva a níveis superiores de poupança (Carroll, Overland, & Weil, 2000; Misztal, 2011). Isto é, acredita-se que o crescimento económico
promove a criação de riqueza, que por sua vez estimula maiores níveis de poupança, assim como maiores níveis de poupança promove maior crescimento económico. Por outro lado, uma economia sem crescimento origina a aceleração do fluxo monetário entre as transações e, desta forma promove a estagnação do crescimento, muito devido à fraca capacidade de conservar as reservas monetárias. Apesar da relação evidenciada, os ciclos económicos não são sinónimos de maior ou menor nível de poupança individual (Deaton, 2005; Misztal, 2011), pois existem diversos fatores a condicionar, tais como legais, culturais e ambientais.
O conceito de poupança de recursos financeiros teve várias considerações teóricas e empíricas na literatura desde John Maynard Keynes (1936), abrangendo diferentes dimensões tais como a psicologia, a sociologia e a economia. De acordo com os económicos e cientistas sociais poupar é o remanescente da renda disponível após dedução do consumo (Browning & Lusardi, 1996; Fisher & Montalto, 2010; Fisher & Anong, 2012). Na perspetiva da psicologia, poupar resulta dum processo de tomada de decisão e preservar como o ato de deixar de lado recursos para um objetivo (Fisher & Montalto, 2010). Todavia, a poupança resulta de um consumo moderado e ponderado de recursos financeiros disponíveis. Assim, o consumo deverá ser inferior aos ativos acumulados e, caso seja evidenciado o contrário, poderá ocorrer o uso de crédito e de endividamento.
A poupança pode ainda se traduzir em ativos não financeiros, tais como equipamento de transporte, terrenos e recursos naturais, edifícios, entre ativos (Oliveira & Mota, 2017). Por ventura, este estudo realça-se o sentido mais específico de poupança englobando o conceito de poupança na vertente financeira, a moeda genuína ou a moeda digital (a criptomoeda) tal como os Bitcoin.
O endividamento foi algo característico no início da recente crise financeira de 2008. Neste caso particular, ocorreu um aumento exponencial de crédito ao consumo e de empréstimos hipotecários, como existia dificuldades de liquidez o cliente teve o direito de decidir, em várias circunstâncias, como e quando iria pagar a dívida (Lusardi & Mitchell, 2014). Nos anos que se seguiram, em Portugal, ocorreu uma tendência de crescimentos de níveis de
poupança (conforme já enunciado) mas de uma forma geral o nível de poupança em Portugal está descrente desde o início do século XXI4 e muito aquém da média da zona EURO.
Certo modo, a poupança pode ser vista como um ativo financeiro alocado em fundos ou em depósitos para proteger futuras inseguranças ou dispêndios e, pode assumir diversas formas entre as quais, pode ter a intervenção de instituições financeiras, através de contas poupança, depósitos, títulos do tesouro, fundos, planos de reforma, entre outros (Deaton, 2005; Fisher & Anong, 2012). Nomeadamente, os depósitos traduzem a aplicação de ativos em instituições financeiras e correspondem a reservas e ao meio para as mesmas realizarem transações. Embora as instituições financeiras tenham a particularidade de serem as únicas organizações empresariais que podem usufruir de depósitos como o fundo monetário de investimentos (Browning & Lusardi, 1996; Allen, Carletti, & Marquez, 2015) os fundos nunca deixam de ser ativos individuais. Embora exista diversos produtos no âmbito de promoção de hábitos de poupança disponíveis e acessíveis ao "Pequeno Investidor” (Lusardi & Mitchell, 2014), existe um universo alargado que não está familiarizado com conteúdos e conceitos económicos básicos para tomar resoluções sensatas de poupança e de investimento (Lusardi & Mitchell, 2007).
Os instrumentos financeiros, embora não tenham o significado direto de felicidade genuína, são um meio marcante para se atingir padrões de vida superiores. As decisões financeiras são algo complexas e envolvem riscos e incertezas, bem como o presente e o futuro, e, mesmo que o indivíduo conheça os requisitos e as condições nem sempre opta pela melhor opção (Deaton, 2005; Lusardi & Mitchell, 2014). Este processo envolve fatores psicológicos, sociopsicológicos complexos e ainda fatores económicos (Fisher & Montalto, 2010). De forma geral, defende-se que o nível da poupança individual está dependente do rendimento que cada agente detém, porém existem outros fatores que podem ser indicativos de poupança (Oliveira & Mota,2017), tais como a composição do agregado familiar, grau académico, expetativa temporal versos idade, rendimento e motivações de poupança.
4https ://www.bportuga l .pt/Mobi l e/BPSta t/Seri e.a s px?IndID=826846&SerID=2027398&sr=2027389,20274
I. A Composição do Agregado Familiar
A composição e as propriedades de um agregado familiar resultam de interações complexas e, por isso examinar o ciclo de vida e a renda das famílias é um fatores-chave para melhorar a compreensão de consumo. Por exemplo Brown e Venkatesh (2005) realçam na sua pesquisa que os mais jovens e recém-casados tendem a gastar mais em restauração do que as famílias de outros estágios, bem como passam mais tempo em atividades sociais de lazer, enquanto os casais mais velhos despendem mais recursos em aquisições automóveis.
O agregado pode ser composto por vários membros com características diferentes e que requerem gastos e cuidados de padrões diferentes, além disso, os fatores socioeconómicos tais como renda têm impacto no agregado familiar (Brown & Venkatesh, 2005). A composição é considerada um fator relevante e verifica-se uma diminuição drástica na poupança nas famílias quando o número de dependentes aumenta (Oliveira & Mota, 2017).
II. Grau Académico
A alfabetização financeira é escolhida como um dos muitos fatores que podem influenciar o comportamento financeiro. Segundo pesquisas anteriores existe uma relação entre rendimento e os conhecimentos académicos, por regra quanto maior o grau académico maior o rendimento (Brown & Venkatesh, 2005) e, noutra perspetiva quanto maior o grau académico maior é a proporção de poupança (Zanin, 2017). Em 2007 foi evidenciado por Lusardi que a relação do grau académico não é sinónimo de alfabetização financeira porque foi identificado que mesmo as pessoas com um alto nível académico apresentam baixos níveis de conhecimento financeiro. Atualmente defende-se unanimemente que quanto maior a alfabetização financeira, ou seja, quem tem mais conhecimentos financeiros, tendencialmente o agente realiza mais poupança (Arofah, Purwaningsih, & Indriayu, 2018). Na pesquisa de Arofah (2018) realça que o aforro tendência é elevada pelo facto de ter uma gestão financeira mais inteligente.
De acordo com a pesquisa de Arofah (2018) o conhecimento económico embora seja fundamental para a poupança também é condicionado pelo materialismo individual. O materialismo defende que o objeto (produto) é mais importante para a realização pessoal e, por isso, a principal prioridade é a atividade de consumo para satisfazer a paixão incontrolável pelos
objetos sem ponderar as consequências primeiro. Assim embora a pessoa conheça conteúdos financeiros irá procurar o consumo para alcançar o objetivo de uma felicidade maior.
III. Expetativa Temporal versos Idade
De acordo com pesquisas anteriores a planos temporais e as expectativas do futuro marcam em grande medida as perspetivas de consumo e de poupança individual . Em síntese, a poupança resulta da capacidade de o indivíduo no presente consumir menos reservas do que o rendimento total disponível, com o intuito de atingir metas patrimoniais e reservas financeiras (Fisher & Montalto, 2010; Fisher & Anong, 2012; Zanin, 2017).
A dinâmica entre o rendimento e a idade segue a teoria contemporânea designada por “Hipótese do Ciclo de Vida” de Modigliani e Brumberg desenvolvida em 1954 (Oliveira & Mota, 2017). Esta teoria reflete uma abordagem microeconómica convencional, onde defende que o consumo depende dos ganhos correntes e futuros, bem como das reservas detidas. Ou seja, defende que o agente segue um comportamento racional e que o nível de poupança altera de acordo com a fase de vida do agente, sendo que, inicialmente o aforro carrega muito esforço e à medida que se envelhece o nível de poupança diminui, para isso procura maximizar a utilidade do consumo presente e do futuro (Deaton, 2005; Castro, 2007). Atualmente reconhece-se que esta teoria por si só não justifica a poupança, pois defende-se que o comportamento não é algo racional e que não é pelo facto de uma pessoa ser jovem que irá ter um maior índice de poupança e, de ser sénior que irá destruir os seus ativos, no entanto a hipótese do ciclo de vida continua a ser uma parte essencial dos economistas (Deaton, 2005).
Nos tempos modernos associa-se um comportamento ao estágio do ciclo de vida e familiar, tanto a nível de poupança bem como a nível de adoção de tecnologia, por exemplo tendencialmente um agente sénior tende a ter menor autocontrole do que um jovem bem como menos aderência à tecnologia, ou assim como defende-se que ao longo do ciclo de vida a pessoa tende a ser mais cuidadosa em relação aos riscos associados, embora os efeitos do medo seja moderados pelo aumento da renda, à medida que existe maior rendimento, menor é o medo de arriscar (Brown & Venkatesh, 2005).
IV. Rendimento (R)
De acordo com pesquisas anteriores a obtenção de um rendimento marca em grande medida as perspetivas de consumo e de poupança individual , decerto que os recursos monetários abrangem a área da economia e das finanças, pois porque são o pré-requisito para ocorrer a acumulação de ativos. Na perspetiva económica, o dinheiro é universal, um instrumento de transação no mercado, uma maneira de armazenar riqueza e o meio de forma concreto e objetivo de valorizar os bens e serviços. Por outro lado, de acordo com teorias da psicologia e sociologia o dinheiro, além de ter funções económicas também tem funções emocionais e sociais, podendo evocar sentimentos positivos ou negativos, por exemplo tem o poder motivacional e de segurança, assim como uma medida de realização e bem-estar. Para alguns o dinheiro é um bem insignificante, enquanto para outros representa uma força de atração social, bem como o facto de se possuir ativos pode representar um alívio ou um afogo de ansiedade. Em síntese a moeda não é apenas uma ferramenta de negociação, mas pode ser percebido como um símbolo de vaidade, de poder e de valor (Muzikante & Škuškovnika, 2018). A dinâmica entre o rendimento e o consumo é evidenciado na “Hipótese de Renda Permanente” que foi formalmente introduzida na década de 1950 por Friedman (1957) e, segundo a pesquisa de Zanin (2017) o consumo é mais sensível quando o indivíduo tem uma renda permanente do que uma renda inconstante, ou seja, caso um indivíduo tenha a expetativa de obter uma renda continuada ao longo do tempo, irá ter uma maior probabilidade de consumir os recursos disponíveis. Bem como assume-se que quanto maior for a renda disponível, maior é a facilidade de ultrapassar as barreiras limitadoras de poupança e maior será a quantidade preservada (Browning & Lusardi, 1996) (Deaton, 2005; Brown & Venkatesh, 2005). Embora o alto rendimento potencializa em teoria maiores níveis de poupança, em alguns casos isso não sucede, se o individuo beneficiar de uma alta expetativa de aumento de rendimentos, pode em casos extremos, levar a uma relação negativa entre as taxas de crescimento e de poupança com aumento do consumo (Fisher & Anong, 2012).
Em pesquisas empíricas anteriores evidencia-se que os consumidores identificam por norma um motivo importante para compras online, nomeadamente economizar tempo e ou rendimento. Os consumidores com rendimentos mais elevados tendem a estar mais atraídos em
economizar o tempo, enquanto os de rendimento mais baixo, tendem a estar mais inte ressados em poupar o dinheiro (Punj, 2012).
V. Motivações de Poupança (MP)
De acordo com Fisher e Anong (2012) existe diferentes motivações psicológicas positivas e negativas promotoras de comportamentos de poupança de recursos. Na pesquisa de Fisher (2012) realça que o sentimento positivo é gerado pela visualização da dívida como um fracasso ou uma realização de poupança como algo normal, no âmbito inverso realça a motivação de poupar para economizar dinheiro com o intuito de pagar dívidas ou para transmissão de herança. O sentimento negativo pode ser explicado por duas razões. Primeiro, a dívida representa uma vulnerabilidade financeira, particularmente se a prestação mensal do reembolso da dívida for superior a 30% rendimento e em segundo lugar, os juros pagos absorvem recursos económicos que poderiam ser usados para atender outras necessidades (Zanin, 2017).
De forma geral preservar recursos monetários pode fazer a diferença na capacidade de satisfazer as necessidades e ou alcança-las, e por último, presume-se que todos os indivíduos gostariam de poupar por várias razões, para comprar um carro, comprar uma casa, viajar de férias enfim por diversos motivos pessoais (Zanin, 2017), assim sendo por via da Tabela 1 pode se observar os nove motivos fundamentais e categorizados como motivos de poupança económica.
Com o intuito de perceber o impacto da internet na poupança individual introduziu-se o constructo MP (Motivações de poupança) no modelo UTAUT2, onde se pretende perceber se as motivações individuais de poupança afetam positivamente a intenção de usar tecnologia, nomeadamente por via de uso de Internet.
H1: Será que a motivação de poupar tem impacto positivo na adoção de tecnologias e da Internet para economizar recursos financeiro, de modo que será mais fraco para adultos do género masculino e com maiores rendimentos.
H2: Será que a motivação de poupar tem impacto positivo na intensão de adoção de tecnologias e da Internet para economizar recursos financeiros, de modo que será mais fraco para adultos do género masculino e com maiores rendimentos.
Motivo Descrição
Preventivo Construir uma reserva monetária contra contingências imprevistas devido ao
efeito da incerteza do futuro e a possíveis e emergência futuras.
Ciclo de vida Prever antecipadamente o peso dos custos em relação aos ganhos obtidos.
Substituição intemporal
Maximizar a utilidade do consumo presente e futuro perante uma restrição de recursos que enfrenta.
Melhoria
Acumulação de reservas monetárias para desfrutar de uma despesa crescente, garantindo em caso de diminuição de receita a continuidade do estilo de vida.
Independência Pela sensação de independência e o poder de fazer as coisas.
Empreendedor Para realizar projetos especulativos e ou de negócio bem como criar um novo
negócio ou investir num negócio existente.
Herança Para deixar à posteridade uma fortuna.
Avareza Sem razão aparente.
Pagamento
Para adquirir algo pré-definido que envolva uma quantidade material de recursos tais como compras de bens e serviços duráveis: por exemplo, objetos preciosos, veículos, mobiliário,) que o agregado familiar não teria comprado ou estava esperando para comprar
Tabela 1- Síntese das Motivações de Poupança (Fonte: adaptado de Browning & Lusardi, 1996, Fisher & Montalto, 2010; Zanin, 2017)
2.2.
Importância da Tecnologia e da Internet
No seguimento da compreensão da importância da gestão financeira, segue a reflexão literária sobre o progresso tecnológico, pois este tem inovado os processos tradicionais promovendo o crescimento da produtividade e obtenção de vantagens táticas e es tratégicas sobre a concorrência (Berger, 2003; Thomas, Costa, & Oliveira, 2016). Sendo que esta permite coletar, armazenar, processar e disseminar os dados e por sua vez aplicar modelos económicos e estatísticos para criar e avaliar transações, estimar distribuições de retorno ou de risco e tomar decisões mais sensatas (Berger, 2003) no âmbito organizacional como no âmbito individual. Em síntese, permitem a promoção de novos produtos e serviços, assim como permite gerir os fluxos operacionais, suportar a tomada de decisões e quiçá, evoluir ou transformar a direção da própria vida (Bernardo, 2014).
Com a tecnologia surge a Internet e o mercado eletrónico. O uso da internet sofreu um crescimento exponencial entre 2000 e 2012 e desde 2005 foi designada por O’Reilly como WEB 2.0. numa primeira fase a WEB 1.0 permitiu a disponibilização da informação pelos usuários na medida que, os intermediários foram eliminados nos fluxos comerciais. Por outro lado, o desenvolvimento da WEB 2.0 permitiu que o próprio utilizador gozasse dum papel ativo no seu desempenho e na construção da Internet.
A Internet despontou um novo fenómeno social, assim como um novo mundo de colaboração e de comunicação tornando o mundo real mais pequeno e dinâmico. Mais de um bilião de indivíduos em todo o mundo estão conectados e ligados a uma rede para criar, colaborar e contribuir com os seus conhecimentos e sabedoria (Cheung, Chiu, & Lee, 2011; Catarino, 2012). Consequentemente tem emergido ao longo dos últimos anos a importância da existência de um canal eletrónico para as pessoas (Chiu, Wang, Fang, & Huang, 2014). A Internet tornou-se a fonte principal na cadeia de valor do mercado e, muito devida à disponibilização de informação de forma rápida e constante, promove novas abordagens de fluxo de informação por exemplo pela promoção da Inteligência Coletiva ou da Economia de Partilha. A implementação do processo de inteligência coletiva surge quando ocorre a circulação livre do conhecimento, esta abordagem é uma nova forma de tornar o pensamento sustentável e deve-se à união de um grupo de indivíduos, distribuídos em geografias diferentes, que colaboram digitalmente para a realização de um objetivo, ou seja, ocorre a dispersão de dados e através de sinergia entre as
pessoas atinge-se o objetivo final. A abordagem da inteligência coletiva tem sido usada por diversas organizações para satisfazer as necessidades do mercado tais como: Google, Wikipedia,
YouTube, Netflix, Linux e Threadless, porém desenvolver e implementar sistemas de inteligência
coletiva não é fácil e nem todos os casos tem sucesso, na medida que se estende para além dos domínios técnicos e culturais (Malone, Laubacher, & Dellarocas, 2010). A Economia de Partilha também designado por consumo colaborativo, igualmente fomenta que o individualismo do sujeito “eu” se transforme para a perspetiva coletiva “nós”. Na Economia de Partilha ocorre a divisão de ativos e serviços por meio de troca monetária, permite que transação comercial com um elevado grau de eficiência e de redução do desperdício de recursos subaproveitados entre pessoas singulares ou coletivas, por exemplo Airbnb ou blablacar. Visto que o ativo é partilhado leva a crer que existe maior disponibilidade e facilidade a utilizar bens ou serviços de uma forma temporária (Schor, 2014; Fernandes, 2017).
Para além, da Internet promover o fluxo de informação, promove a partilha de momentos e de factos, e isso tornou-se algo bastante popular, poderoso e diferenciador no mercado. Em pesquisas anteriores, foi confirmado que o contexto em que a comunicação ocorre é tão importante quanto os métodos de representação ou os próprios meios utilizados, pois a partilha de dados, por exemplo pelo uso Trip Advisor e o Expedia pode promover diferentes perceções e a opiniões. Pois, o contexto que a comunicação ocorre é tão importante quanto o método de representação e meios utilizados (Morosan & DeFranco, 2016).
O surgimento de novos meios de comunicação fomentam a proximidade e eficácia da tomada de decisão, muito derivado à recolha de partilhas de experiências e de conhecimentos (Oliveira P. J., 2016). De facto, a Internet é um veículo poderoso de negócios, promovedor de informação relevante, personalizada e acessível a tempo real (Catarino, 2012) e por isso permite a promoção de uma variada gama de produtos e serviços, que podem ser utilizados de forma livre e segura (Martins, Oliveira, & Popovič, 2014), bem como acompanhar enormes quantidades de dados de uma forma mais económica a tempo real, visualizar os preços de uma forma mais precisa e empregar modelos de gestão de riscos de uma forma mais eficaz (Berger, 2003).
Em pesquisa anteriores salienta-se que em primeiro lugar a intervenção eletrónica impulsiona a eficácia e a poupança de recursos temporais e financeiros (Lee, 2009) e em segundo lugar, é lhe conferida como o substituto seguro e efetivo das metodologias tradicionais (Pavlou
Por exemplo no caso particular do setor de turismo, a informação disponibilizada propaga as atrações de uma forma mais acessível e de uma forma mais aliciante tanto para residentes como para os visitantes e ainda, disponibiliza os preços em diversas plataformas o que permite desse modo compara-los eletronicamente. Por ventura, no setor de turismo, defende-se que as lojas eletrónicas são mais económicas do que as tradicionais (Catarino, 2012).
Embora sejam poucas as empresas que garantem a fidelização num contexto eletrónico, existe a preocupação institucional de complementar o seu negócio físico com a vertente eletrónica (Catarino, 2012) na tentativa de reduzir custos negociação, melhorar o serviço ao cliente (Martins, Oliveira, & Popovič, 2014) ou simplesmente inovar e testar o mercado (Berger, 2003). O mercado eletrónico pode facultar aos clientes quase todas as suas necessidades com a mínima intervenção humana por 24 horas por dia, o que facilita a expansão a novos mercados físicos, a criação de novas alianças ou parcerias e ainda, maiores índices de satisfação (Lee, 2009; Catarino, 2012).
O comércio eletrónico é designado por (e-commerce) e é caracterizado por uma negociação Business-to-Consumer (B2C) via Internet, isto porque envolve dois estágios distintos, na fase inicial o consumidor obtém as informações e posteriormente prossegue com a transação (Pavlou & Fygenson, 2006). Chiu (2014) na sua pesquisa salienta que as transações eletrónicas carregam incertezas e riscos, por isso defende-se que a tomada de decisão dos indivíduos não tem apenas em consideração a utilidade esperada e a racionalidade. Segundo Chiu (2014) o comportamento do utilizador de Internet é justificado pela maximização de valor, tal como defendido na teoria económica designada por teoria de Prospeto ou Teoria da Perspetiva. Esta foi formalmente introduzida Kahneman e Tverksy (1979) e referenciada em 1950 por Simon e Katona. Esta teoria complementa a teoria da utilidade esperada e assume que a escolha não-racional, por via de os indivíduos adotar riscos e incertezas, assim a tomada de decisão realiza-se por via de reflexão da probabilidade de sucesso e com barealiza-se nas crenças, preferências e influência social (Fisher & Montalto, 2010; Thaler, 2016).
Salienta-se que as transações digitais ocorrem através de aplicativos e ferramentas desenvolvidos, tais como a Internet Banking ou Mobile Banking (Lee, 2009). No caso particular do E-Banking, inicialmente surgiu no âmbito de promoção de informações comercial, porém com o desenvolvimento tenológico, tornou-se o agente principal de intervenção com o cliente, promovendo a autonomia individual e a poupança de recursos temporais. Na plataforma da
Internet, o utilizador pode beneficiar de produtos que são exclusivos e com maiores níveis de retornos do que nos canais tradicionais (Martins, Oliveira, & Popovič, 2014).
O mercado eletrónico é característico por disponibilizar diversas informações privadas das quais incluem os dados monetárias e pessoais, na medida que existe um cuidado extremo com a privacidade e com a segurança dos dados, desse modo enfatiza-se a necessidade de existir confiança entre as partes envolvidas, pois a confiança é vista por diversos autores como a característica central das interações económicas e sociais, e esta resulta da crença de que o administrador atuará cooperativamente para cumprir as expectativas do cliente sem explorar as suas vulnerabilidades (Pavlou & Fygenson, 2006; Berger, 2003). O comércio eletrônico tem transitado com sucesso vários aspetos da experiência de compra física para um processo de compra virtual, é de notar que todo o processo depende do desempenho e da performance das ferramentas e das infraestruturas (Thomas, Costa, & Oliveira, 2016).
Apesar do recente aumento no uso da Internet (Martins, Oliveira, & Popovič, 2014) e da diminuição dramática do custo de acesso à Internet (Punj, 2012) existem diversos indivíduos que não se sentem confortáveis a utilizar este canal e, preferem usar o método tradicional (Martins, Oliveira, & Popovič, 2014). Segundo pesquisas anteriores, a não utilização da tenologia pode estar associada ao fato de o individuou a considerar como um bem acessório, por via de desconhecimento dos benefícios ou ainda devido a valores intrínsecos às operações, tais como associadas com preocupações de risco e incertezas, segurança e confiança (Lee, 2009). Além disso, salienta-se como os inibidores do uso tenológico os indivíduos seniores e os menos instruídos, por outro lado, os impulsionadores são indivíduos do género masculino e jovens (25-34 anos) da classe média / alta ( (Venkatesh V. , Morris, Davis, & Davis, 2003; Brown & Venkatesh, 2005).
2.3.
Adoção do Comportamento de Poupança por via da Internet
Considerando o exposto acima, esta pesquisa é conduzida para descobrir o efeito da tecnologia no comportamento financeiro dos portugueses. No início do estudo do comportamento humano considerava-se que o mesmo era racional e que adviera da ponderação consciente das desvantagens e vantagens, porém com o desenvolvimento dos tempos concluiu-se que o comportamento depende de diversos fatores e que contém uma vasta componente subjetiva (Venkatesh V. , Morris, Davis, & Davis, 2003; Fisher & Montalto, 2010; Thaler, 2016) . No caso particular do comportamento financeiro, defende-se que é influenciada por diversos fatores, por exemplo a nível interno realça-se a autoestima, a motivação, a aprendizagem, a personalidade e o autoconceito, a nível externo realça-se a cultura, a classe e os grupos sociais, as referências e a família (Arofah, Purwaningsih, & Indriayu, 2018).A comunidade científica tem analisado desde a década de 1980 a aceitação e utilização das ferramentas tenológicas em diferentes contextos sociais, nomeadamente o meio organizacional, individual e familiar (Martins, Oliveira, & Popovič, 2014). Os diversos contextos têm singularidades próprias, por exemplo, numa dimensão organizacional o uso pode resultar de uma imposição contratual ao contrário do meio familiar onde se presume como um ato voluntário (Brown & Venkatesh, 2005). A nível individual realça-se os modelos teóricos que examinam a relação entre as crenças do utilizador, atitudes e intenções (Martins, Oliveira, & Popovič, 2014).
Uma vez que o comportamento é influenciado pelo fim e pelas interações com meio ambiente, os modelos desenvolvidos tiveram a particularidade de envolveram a área de sistemas de informação, psicologia e sociologia (Venkatesh V. , Morris, Davis, & Davis, 2003). Numa perspetiva financeira foi abordado o contexto de m-commerce, m-banking e m-payment através de modelos como DOI, TPB, TAM, UTAUT, MATH, Valence Framework, IS Success Model e mais recentemente por UTAUT2 (Slade, Williams, & Dwivedi, 2014).
No âmbito de perceber as intenções e o comportamento do utilizador num contexto individual surge o modelo UTAUT2 e este é oriundo UTAUT e este consolida oito modelos teóricos, nomeadamente:
a) TRA e TPB ambos de origem de Ajzen e Fishbein. Em 1975 surge o modelo TRA onde sugere que o comportamento individual era totalmente racional e orientado pela
intenção, que por sua vez a intenção era condicionada pela influência social e atitudes. A intenção era reconhecida como o principal guia para o comportamento e durante longos períodos não ocorreu qualquer extensão do mesmo. TRA é um modelo extraído da literatura de psicologia social e teve impacto significativo na compreensão do comportamento humano. Mais tarde, em 1991 surgiu o TPB introduzindo o controlo comportamental percebido ao TRA (Venkatesh V. , Morris, Davis, & Davis, 2003; Venkatesh, Thong, & Xu, 2012), isto é introduziu a variável que representa a facilidade ou dificuldade percebida de realizar o comportamento (Martins, Oliveira, & Popovič, 2014). Em síntese, esta teoria defende que o comportamento provem das atitudes, das normas subjetivas e do controle comportamental percebido (Brown & Venkatesh, 2005); b) SCT de Bandura (1986) sugere que o comportamento dos indivíduos é baseado em perceções cognitivas e segue a premissa de que o comportamento, as estru turas cognitivas e os fatores ambientais são definidos reciprocamente (Venkatesh V. , Morris, Davis, & Davis, 2003; Catarino, 2012);
c) TAM de Davis (1989) sugere que o comportamento dos indivíduos é Influência do pela utilidade percebida e a pela facilidade percebida (Venkatesh V. , Morris, Davis, & Davis, 2003). Mais tarde em 2000, estende-se o modelo (TAM2) com mais três fatores sociais: norma subjetiva, a voluntariedade e a imagem (Catarino, 2012) . O modelo TAM foi projetado para prever a aceitação da tecnologia da informação e uso no trabalho (Martins, Oliveira, & Popovič, 2014). Este modelo progrediu a construção das variáveis de desempenho e expectativa de esforço no modelo UTAUT (Morosan & DeFranco, 2016);
d) MPCU de Thompson, Higgins e Howell (1991) sugere que o comportamento dos indivíduos é baseado no TBA e pelas consequências esperadas de seu comportamento (Venkatesh V. , Morris, Davis, & Davis, 2003);
e) IDT de Rogers (1995) sugere que o comportamento dos indivíduos é baseado em TBA e cinco atributos de inovação que revelaram determinantes: vantagem relativa; compatibilidade; complexidade, observabilidade e testabilidade (Venkatesh V. , Morris, Davis, & Davis, 2003);
2003). Este modelo tem a particularidade de assumir que o nível de experiência individual tem impacto na aceitação das tecnologias (Catarino, 2012);
g) MM de Vallerand (1997) sugere que o comportamento dos indivíduos é baseado na motivação extrínseca e na motivação intrínseca. Assim os indivíduos adaptam-se e utilizam a tenologia por causa de benefícios futuros (Venkatesh V. , Morris, Davis, & Davis, 2003; Catarino, 2012).
Segundo aos autores o modelo UTAUT explicou 70% da variância de intenção de uso e 50% do uso real de uma tecnologia. Este modelo comporta quatro constructos determinantes na intenção e no comportamento de uso, nomeadamente: a Expectativa de Desempenho, a Expectativa de Esforço; a Influência Social, e Condições Facilitadoras. Os três primeiros enunciados influenciam a intenção comportamental do uso e, por sua vez a intensão tem impacto no próprio uso. Por último, o quarto constructo corresponde às Condições Facilitadoras e têm impacto positivo na intenção e no próprio uso tecnológico. Adicionalmente , o modelo incorpora quatro moderadores fundamentais: género, idade, experiência do indivíduo e voluntariedade do uso (Venkatesh V. , Morris, Davis, & Davis, 2003). Em 2012 surge a extensão do modelo UTAUT e surge o modelo UTAUT2, onde ocorre a inserção de três novos constructos: Motivação Hedónica, Relevância do Preço e Hábito, a fim de perceber a aceitação e uso de tecnologia por parte dos indivíduos no contexto do consumo, (Venkatesh, Thong, & Xu, 2012). UTAUT2 representa uma estrutura teórica abrangente, complexa, com uma forte validação empírica e com notoriedade na comunidade científica (Morosan & DeFranco, 2016) .
Esta pesquisa pretende obter a visão unificada da aceitação do utilizador, a fim de testar a validade de seus constructos em Portugal e se a Internet influência a poupança individual. Assim, esta pesquisa baseia-se no modelo UTAUT2 para melhor perceber o fenómeno de adoção de tecnologias no comportamento de poupança, por tanto não se introduziu a variável experiência porque apenas se avaliou um momento no tempo o observado e está presente os moderadores género e idade. No seguimento desta seção, definimos cada um dos determinantes da UTAUT2 num contexto de poupança.
I. Expectativa de Desempenho (ED)
Em pesquisas anteriores, como na pesquisa de Venkatesh (2003) identificou-se que a expectativa de desempenho é determinante para explicar a intenção comportamental e, representa o grau que o indivíduo acredita que usar a internet potencializará o desenvolvimento de reservas financeiras. Em suma, ED reflete a perceção do utilizador sobre a performance do uso da Internet para aumentar a eficácia (Martins, Oliveira, & Popovič, 2014) da monitorização e da avaliação de opções, que por ventura, promovam a poupança de recursos financeiros. A expetativa de desempenho tem subjacentes atributos que exploram a eficiência, a velocidade e a precisão do sistema para conclusão do objetivo proposto (Morosan & DeFranco, 2016) .
Segundo Martins (2014) o risco percebido afeta negativamente a expetativa de desempenho, segundo o autor Chiu (2014) ED afeta negativamente a intenção, ou seja, se uma pessoa deduzir que uma operação poderá ser um risco então dificilmente o indivíduo irá usar a tenologia. Desse modo salienta-se a importância de existir a transparência e a confiança nas operações.
H3: A Expectativa de desempenho (ED) tem impacto positivo na intenção de poupar usando a tecnologia (IC).
II. Expectativa de Esforço (EE)
Em pesquisas anteriores concluiu-se que os consumidores preferem uma tecnologia fácil e que promova a máxima eficiência (Godoe & Johansen, 2012) e por isso a rapidez das operações é apreciada como um pré-requisito e como um recurso crítico de adoção de tenologias (Pavlou & Fygenson, 2006). Apesar de que a velocidade da transação e eficiência dentro da cadeia de processos depende de fatores de sistema e de infraestrutura para garantir o sucesso da mesma (Morosan & DeFranco, 2016).
O facto de a Internet permitir que o consumidor economize é muitas vezes apontado como a principal razão para a compra eletrónica. O consumidor eletrónico pode optar por se concentrar no custo de pesquisa e economizar no tempo ou o beneficiar da pesquisa e economizar recursos financeiros, por exemplo permite a consolidação de dados, permite que não se gaste recursos em deslocações ou em espaços de e stacionamento bem como na espera
do check-out, bem como permite que o consumidor tenha maiores conhecimentos para tomar decisões informadas e ponderadas (Pavlou & Fygenson, 2006; Punj, 2012).
Segundo Martins (2014) a Expetativa de Esforço (EE) influenciará negativamente o risco percebido, ou seja, se uma pessoa aduzir que uma operação poderá ser um risco então dificilmente o indivíduo irá usar a tenologia. No presente estudo EE representa a avaliação individual do grau de facilidade ou de dificuldade associado ao uso da Internet para economizar reservas financeiras e, com base a pesquisas anteriores EE é mais saliente para as mulheres e por indivíduos mais velhos (Venkatesh V. , Morris, Davis, & Davis, 2003; Morosan & DeFranco, 2016). Este constructo nem sempre demonstra uma relação direta com a intenção de uso, muito devido aos resultados inconclusivos de pesquisas passadas (Morosan & DeFranco, 2016).
H4: O EE tem impacto positivo na intenção de poupar usando a tecnologia ( IC).
III. Influência Social (IS)
Este constructo tem uma longínqua origem nas teorias comportamentais de Fishbein e Ajzen (1975). Este constructo desempenha um papel importante na determinação de um comportamento em vários domínios e inicialmente foi empregue no modelo TRA denominado por normas subjetivas do comportamento (Brown & Venkatesh, 2005). A influência social é apreciada como um preditor significativo no modelo original da UTAUT bem como no modelo UTAUT2 (Venkatesh V. , Morris, Davis, & Davis, 2003; Morosan & DeFranco, 2016).
A influência social representa o impacto da aprovação de um determinado comportamento por um determinado grupo de referência social (Morosan & DeFranco, 2016), presume-se que a opinião alheia e os círculos sociais têm impacto na atitudes e ações produzidas e, em muitos casos a pressão social pode alterar uma premissa individual e promover um determinado comportamento. O impacto de IS surge através de três mecanismos: conformidade, internalização e identificação (Venkatesh V. , Morris, Davis, & Davis, 2003; Venkatesh, Thong, & Xu, 2012) e pode ter origem de amigos e família, de fontes secundárias ou de referências profissionais (Brown & Venkatesh, 2005). Unanimemente defende-se que a família é considerada como um contexto importante, muito devido à complexidade de tomada de decisões domésticas, bem como defende-se que a IS é mais saliente para as mulheres por serem mais sensível às opiniões dos outros e por indivíduos mais velhos (Venkatesh V. , Morris, Davis, &
Davis, 2003; Venkatesh, Thong, & Xu, 2012). Nesta pesquisa pretende-se perceber, se a perceção do uso da Internet para a poupança é influenciada pela interação social.
H5: IS tem impacto positivo na intenção de economizar reservas financeiras através do uso de tecnologias nomeadamente a internet (IC).
IV. Condições Facilitadoras (CF)
As condições facilitadoras (CF) representam a perceção do grau do meio ambiente existente, isto é, e se o meio facilita a conclusão da tarefa usando tecnologias. Este constructo está presente no modelo UTAUT e no UTAUT2 e foi considerado com um preditor significativo das intenções de usar (Baptista & Oliveira, 2015). CF tem a particularidade de atuar como um controle comportamental percebido, nos termos da teoria de comportamento planeado (TPB) e, influenciar de uma forma direta a intenção de preservar recursos financeiros e o comportamento da adoção do uso de tecnologia (Venkatesh, Thong, & Xu, 2012) para preservar recursos financeiros.
As condições facilitadoras podem representar as restrições de comportamento, nomeadamente as capacidades e limitações internas do indivíduo como a autoeficácia. Pode ainda representar restrições externas por exemplo as restrições ambientais (Brown & Venkatesh, 2005) e fatores de sistema e de infraestrutura (Morosan & DeFranco, 2016). O ambiente disponível a cada consumidor variar significativamente e presume-se que o indivíduo que tenha condições favoráveis é mais provavelmente que adote o comportamento (Venkatesh, Thong, & Xu, 2012). Para diminuir as diferenças sociais tenológicas surgiu o desenvolvimento de políticas promotoras de tenologia por exemplo disponibilizou-se Internet nas escolas, nas faculdades, nas bibliotecas públicas que reduziram substancialmente as falhas digitais (Punj, 2012). Detalhadamente em 2016 realçou-se que 85% das famílias europeias tinham acesso à Internet em casa (Eurostat, 2017). Além de ter o acesso às Internet, o próprio meio eletrónico promove que o agente tenha um estado vulnerável particular, muito devido ao facto de estar inserido num ambiente propício a fraude (Pavlou & Fygenson, 2006).
No âmbito monetário entre consumir e poupar, a ação mais aliciante é consumir, portanto o fator determinante para o comportamento de poupança é o autocontrolo além disso,
os recursos monetários disponíveis afetam as CF, quanto maior o rendimento maior será a facilidade de obter informações promotoras de poupança individual (Pavlou & Fygenson, 2006).
Em pesquisas prévias sugere CF é mais saliente por indivíduos mais novos e do género masculino, visto que os mais velhos tendem a enfrentar mais dificuldades no processamento informações novas ou complexas, afetando assim a sua aprendizagem de novas te cnologias e porque as mulheres tendem a colocar maior ênfase em fatores externos de suporte (Venkatesh V. , Morris, Davis, & Davis, 2003; Venkatesh, Thong, & Xu, 2012).
H6: A CF tem impacto positivo na intenção de economizar reservas financeiras através do uso de tecnologias (IC), nomeadamente a Internet. Adicionalmente o género e o rendimento vão moderar o efeito, de modo que será mais forte para indivíduos dos géneros masculino com alto rendimento.
H7: A CF tem impacto positivo no comportamento de economizar reservas financeiras através do uso de tecnologias (U), nomeadamente a Internet. Adicionalmente o género e o rendimento vão moderar o efeito de modo que será mais forte para indivíduos do género masculino com alto rendimento.
H8: A CF tem impacto positivo na motivação de economizar reservas financeiras através (MP). Adicionalmente o género e o rendimento vão moderar o efeito de modo que será mais forte para indivíduos do género masculino com alto rendimento.
V. Motivações Hedónicas (MH)
Inicialmente a tenologia foi projetada numa orientação objetiva e direcionada à tarefa, onde o foco da adoção era a premissa de fatores utilitários. Posteriormente, a filosofia de designe alterou e adotou-se aos consumidores individuais, a tenologia deixou de ser apenas para completar as tarefas, mas também para entretenimento e lazer. O constructo motivações hedónica é uma componente introduzida no modelo UTAUT2 e moderada pelo género (Morosan & DeFranco, 2016). Este constructo representa a perceção do grau de diversão e ou ao prazer proporcionado ao indivíduo pelo uso da Internet para economizar reservas financei ras e em estudos anterior foi realçada como algo fulcral no âmbito não organizacional e impulsionada pelo prazer da inovação e da novidade. Defende-se que há medida que se conhece o produto a atratividade da novidade diminuiu levando a níveis de prazer mais baixo e contrariamente os
níveis de funcionalidade aumentam para fins mais pragmáticos, para fins de eficiência ou eficácia. Assim, a motivação hedónica desempenha um papel menos importante na determinação do uso da tecnologia com o aumento da experiência. Além disso, em pesquisas anteriores conclui-se que o homem mais jovem tem maior impacto positivo devido ao fato de ter uma maior tendência para novidade e inovação (Venkatesh, Thong, & Xu, 2012).
H9: A MH tem impacto positivo na intenção de economizar reservas financeiras através do uso de tecnologias (IC), nomeadamente a Internet.
VI. Preço Financeiro Associado (PF)
O constructo PF é um componente introduzido no modelo UTAUT2 e relaciona o custo associado à obtenção de um produto ou serviço e o uso da tenologia para poupar. Corresponde ao custo da aquisição de internet e dos dispositivos que permitem usar a Internet para economizar reservas financeiras. Este constructo faz sentido num contexto individual porque assume-se que o preço tem impacto positivo se, os benefícios de usar uma tecnologia forem superiores ao custo monetário, em pesquisas anteriores defende -se que a idade e o género têm impacto na perceção do preço (Venkatesh, Thong, & Xu, 2012).
H10: P tem impacto positivo na intenção de economizar reservas financeiras através do uso de tecnologias (IC), nomeadamente a Internet.
VII. Hábito (HT)
Este constructo foi introduzido no modelo UTAUT2 (Venkatesh, Thong, & Xu, 2012) e reflete a frequência de comportamento automático motivado pela aprendizagem. O hábito está associado à aprendizagem do conhecimento e a sua reiterada e continuada realização (Morosan & DeFranco, 2016). Em pesquisas anteriores, realça-se que o hábito tem um efeito moderador na previsão de aceitação dos consumidores online, tanto para obtenção de informações como para as compras online (Pavlou & Fygenson, 2006).
Recentes pesquisas económicas introduziram esta variável em modelos económicos e foi evidenciado que aumenta a taxa de crescimento de poupança a longo prazo, dado que
(Carroll, Overland, & Weil, 2000). Em pesquisas anteriores, o hábito de poupança também foi incluído como variáveis independentes, por exemplo no estudo de aposentadoria de Malroutu & Xiao (1995) e por isso, atualmente na literatura assume-se que os hábito e, por sua vez os motivos de preservar estão diretamente ligados ao comportamento de poupança (Fisher & Anong, 2012). No seguimento da pesquisa Arofah (2018) realça-se que existe vários fatores que podem afetar os hábitos financeiros, nomeadamente os fatores económicos, as relações familiares e de amizade, habilidades cognitivas, a cultura, a comunidade e as instituições. Neste estudo pretende-se analisar se a perceção do uso da Internet para economizar reservas financeiras é Influência da pelo hábito de poupar.
H11: O HT tem impacto positivo na intenção (IC) de economizar reservas financeiras através da Internet.
H12: O HT tem impacto positivo no comportamento (U) economizar reservas financeiras através da Internet.
H13: O HT tem impacto positivo nos motivos de poupança (MP) e adicionalmente o género vai moderar o efeito de modo que o efeito será mais forte entre os homens.
VIII. Intenção Comportamental (IC)
Desde 1920 que se tem se desenvolvidos pesquisas com o intuito de perceber a temática do comportamento humano. De acordo com Ajzen (1991) a intenção resulta da vontade individual de agir e por isso considera-se que é a predecessora do comportamento (Pavlou e Fygenson, 2006). Em pesquisas anteriores realça-se que a intenção influência o comportamento de uma forma direta e por isso é a chave para perceber o comportamento. Segundo Muzikante (2018) é algo funcional que permite a rápida tomada de decisão, pois esta representa as probabilidades de respostas comportamentais a uma dada ação. Por outro lado, defende-se que apesar da existência de uma predisposição para ocorrer um evento, não quer proferir que ele vá mesmo acontecer (Morosan & DeFranco, 2016). De qualquer forma, o constructo intenção comportamental tem sido amplamente empregue em diversos modelos científicos.
Em evidências passadas a intenção tem um impacto significativo no comportamento de uso (U) (Venkatesh, Thong, & Xu, 2012) e neste contexto a intenção comportamental representa
o propósito da ação do comportamento relativo ao uso da Internet para e conomizar reservas financeiras.
H14: Intenção de economizar reservas financeiras através do uso de tecnologias, nomeadamente a Internet tem impacto positivo no comportamento (U) de economizar reservas financeiras através do uso de tecnologias. De modo que o efeito será mais forte entre quem tem maior motivação para poupar bem como maior rendimento.
IX. Moderador – Género (G)
O conceito género pode ser objeto de duas definições, no âmbito biológico ou numa vertente psicológica. Nesta pesquisa assenta na premissa da definição biológica. As diferenças de género na adoção de tecnologia individual e nas decisões de uso são uma questão importante para os psicólogos organizacionais (Venkatesh, Morris, & Ackerman, 2000; Venkatesh, Morris, & Ackerman, 2000). Esta é uma variável presente no modelo UTAUT e UTAUT2 e está subjacente que tem influência significativa na aceitação e na adoção da internet. Com base a pesquisas anteriores, crê-se que o género masculino tende a ser mais independente, competitivo, objetivo e a ser mais persistentes a superar diferentes constrangimentos e dificuldades para prosseg uir os seus objetivos, enquanto as mulheres tendem a ser mais interdependentes, cooperativa e direcionadas para os detalhes e para as pessoas. O género feminino tipicamente é mais responsável e cuidadoso com o dinheiro (Venkatesh V. , Morris, Davis, & Davis, 2003; Venkatesh, Thong, & Xu, 2012; Martins, Oliveira, & Popovič, 2014).
2.4.
Modelo Conceptual Proposto
H3 H4 H5 H6 H7 H9 H10 H11 H12 H1 H2 ED EE IS CF MH PF HT MPFigura 1 – Modelo concetual Proposto
G R IC U H8 H13 H14 G R