19 a 21 de setembro de 2017
PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO NA CONSTRUÇÃO CIVIL:
ESTUDO DE CASO EM UMA CONSTRUTORA DA CIDADE
DE JUCURUTU - RN
Jonatas Kennedy Silva de Medeiros ([email protected]) Palloma Karolayne Santos Oliveira ([email protected])
Wily Santos Machado ([email protected]) Rubenia de Oliveira Costa ([email protected]) Leovegildo Douglas Pereira de Souza ([email protected])
Resumo: A construção civil é um dos principais setores que abastecem o mercado de trabalho do país. Entre suas diversas
funções destacam-se a execução, manutenção e restauração de obras em diversos segmentos. O objetivo deste artigo é analisar o planejamento estratégico abordado por uma construtora atuante na cidade de Jucurutu/RN e sugerir possíveis melhorias para o efi ciente andamento desta fase do processo. Para isso, realizou-se uma entrevista com o engenheiro civil responsável pelo setor de planejamento e controle da empresa em questão, obteve-se então os dados necessários para criação de um estudo de caso e elaboração das estratégias que visam o aprimoramento da obra como um todo.
Palavras-chave: Estratégias. Problemas. Engenharia.
Abstract: Civil construction is one of the main sectors that supply the country’s labor market. Among its various functions are
the execution, maintenance and restoration of works in several segments. The objective of this article is to analyze the strategic planning addressed by a construction company in the city of Jucurutu / RN and suggest possible improvements for the effi cient progress of this phase of the process. For this, an interview was conducted with the civil engineer responsible for the planning and control of the company in question, and the necessary data were obtained to create a case study and elaborate the strategies that aim at improving the work as a All.
Keywords: Strategies. Problems. Engineering.
INTRODUÇÃO
A indústria da construção civil possui um perfi l característico formado por um conjunto de conhecimen-tos, habilidades, experiências e estratégias que possibilitam seu diferencial no mercado, reunindo profi ssionais, equipamentos e materiais que, associados, produzem com efeito a obra desejada. Este setor difere-se dos ou-tros setores do mercado, uma vez que apresenta uma estrutura dinâmica e complexa[1].
A construção civil vem se modernizando nas últimas décadas, ultrapassando conceitos, hábitos e mode-los seculares. No avanço tecnológico, além da evolução do conhecimento, está incluso também a mudança de abordagem da aplicação desse conhecimento, que numa somatória simultânea resulta na grande evolução do desenvolvimento e de novas tecnologias, destacando-se a mudança do cenário empírico-artesanal de antiga-mente para uma realidade atual científi co-industrial[11].
No entanto, incertezas e turbulências afetamo mercado de trabalho. Essa complexidade no cenário presarial exige das empresas a busca incessante de ferramentas e técnicas mais adequadas para gestão em-presarial[4]. Logo, vê-se o planejamento estratégico como uma forma de auxiliar a empresa a obter maior
O planejamento e o controle de uma obra são relevantes para as empresas por diversos motivos, dentre eles está presente o fato de conceber ao engenheiro um conhecimento prévio da obra, como também de indicar os pontos críticos aos quais deve existir uma precaução, fornecer as variações entre o custo real e o custo orça-do, viabilizar ao engenheiro uma maior agilidade na tomada de decisões, entre outros[19].
Dessa forma, o presente artigo tem como objetivo identificar e analisar o planejamento estratégico de uma construtora com obra em execução na cidade de Jucurutu - RN. A partir deste estudo deseja-se definir os possíveis problemas que venham a dificultar o andamento de toda a obra e posteriormente sugerir estratégias que possibilitem melhorias nesta etapa do processo.
1. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 1.1 Planejamento
O conceito de planejamento aplicado aos processos produtivos surgiu depois da revolução industrial, principalmente depois da revolução chegar aos Estados Unidos com a introdução dos princípios de administra-ção de Taylor. Essa tendência surgiu por causa da crescente demanda por recursos e maior preocupaadministra-ção com o tempo exigido por uma tecnologia moderna[5].
Planejar significa escolher a melhor maneira de realizar as coisas, de selecionar recursos mais adequa-dos para cada ação, de adequar os produtos ao uso esperado, além de selecionar uma forma mais adequada de atender ao mercado. É o início do processo administrativo e uma ação das mais relevantes no processo de ge-renciamento, pois permite tomar decisões antes que determinados problemas ocorram. O processo inclui a de-finição dos objetivos organizacionais e a seleção das políticas, procedimentos e métodos para o alcance desses objetivos[10].
A deficiência do planejamento pode trazer consequências desastrosas para uma obra e, por extensão, pa-ra a empresa que a executa. Não são poucos os casos conhecidos de frustpa-ração de ppa-razo, estouros de orçamen-to, atrasos injustificados, indisposição do construtor com seu cliente (contratante) e até mesmo litígios judiciais para recuperação de perdas e danos[13].
1.1.1 Planejamento Estratégico
Segundo Pereira (2010) “Planejamento Estratégico é um processo que consiste na análise sistemática dos pontos fortes (competências) e fracos (incompetências ou possibilidades de melhorias) da organização, e das oportunidades e ameaças do ambiente externo, com o objetivo de formular (formar) estratégias e ações es-tratégicas com o intuito de aumentar a competitividade e seu grau de resolutividade”.
O planejamento estratégico é uma prática para o desenvolvimento de atitudes administrativas da empre-sa. Estrutura a situação conjuntural da empresa e avalia as implicações futuras das decisões presentes em fun-ção das metas e objetivos. Dessa forma, auxilia os dirigentes a anteciparem-se às mudanças e prepararem-se para elas. Essa metodologia precisa ser flexível, para permitir os ajustes necessários face às incertezas do am-biente. Esse procedimento proporciona às empresas condições necessárias para tomar decisões mais rápidas, coerentes e eficazes[24].
Na visão de Quadros (2013), a forma de se conduzir um planejamento estratégico é mais bem compre-endida quando segue uma sequência de três fases, primeira, realizar o diagnóstico abordando os fatores inter-nos e exterinter-nos da empresa, após, na segunda fase, identificar os objetivos, metas e ações e, por fim, executar o planejamento propriamente dito, buscando a efetivação das estratégias que foram adotadas.
Em suma, o planejamento estratégico tem como proposição crucial apoiar o cumprimento da missão e da continuação da empresa e instituir orientações estratégicas, as quais miram explorar as oportunidades, im-pedir as ameaças, beneficiar-se dos pontos fortes e vencer a deficiência dos pontos fracos[25].
1.1.2 Benefícios do Planejamento para a Indústria de Construção Civil
No caso das indústrias da construção civil, as decisões se tornam difíceis, pois o desenvolvimento de uma estratégia precisa considerar os ciclos de mercado global, a variação das moedas, as taxas de juros, a
dis-ponibilidade de mão de obra e de insumos, a tecnologia, o capital disponível, bem como seus picos e recessões naturais, além das tendências regionais[27]. Isso beneficia a estabilidade dos resultados de longo prazo e o
pla-nejamento da demanda futura, importante para manutenção do grau de produtividade dos recursos[26].
Ao planejar uma obra, o gestor adquire alto grau de conhecimento do empreendimento, o que lhe permi-te ser mais eficienpermi-te na condução dos trabalhos. Os principais benefícios que o planejamento traz são: conhe-cimento pleno da obra, detecção de situações desfavoráveis, agilidade de decisões, relação com o orçamento, otimização de alocação de recursos, referência para acompanhamento, padronização, referência para metas, documentação e rastreabilidade, criação de dados históricos e profissionalismo[13].
O planejamento prévio possibilita a disponibilização dos meios financeiros necessários, sejam estes pró-prios ou externos, no momento certo, o que consequentemente gerará custos menores. A grande importância do planejamento prévio está no fato dele servir como instrumento de gestão e controle da execução, no caso de obra tem algumas ferramentas peculiares como curva ABC de insumos, cronograma físico financeiro etc. Os prazos indicados no cronograma e os valores previstos no orçamento nesta etapa servirão como parâmetros de controle dos prazos e custos durante a fase de execução[7].
Além disso, sabemos, também, que o mesmo traz consigo vários benefícios como um conhecimento ple-no da obra, permitindo que as atividades críticas sejam vistas com clareza; informa como está o andamento da obra em relação ao previsto, permite que recursos sejam otimizados e, por fim, que decisões sejam tomadas em tempo hábil no momento em que um desvio é identificado[22].
2. METODOLOGIA
A área de estudo foi uma Construtora da cidade de Jucurutu/RN. A empresa atua há 66 anos no mercado de trabalho com obras diversas de infraestrutura, a exemplo da construção de aeroportos, barragens, gasodutos, pontes e viadutos, projetos de irrigação, rodovias, terraplanagem e drenagem, atendendo clientes que vão des-de a Administração Pública, direta e indireta, tanto Fedes-deral como Estadual e Municipal, até a iniciativa privada. O primeiro procedimento metodológico foi a revisão bibliográfica sobre planejamento estratégico apli-cado à construção civil com o objetivo de reconhecer as contribuições já realizadas sobre o referido assunto. Posteriormente, procurou-se saber o quanto uma determinada Construtora presente na cidade de Jucurutu/RN está utilizando esse entendimento como meio de aperfeiçoar suas técnicas e beneficiar seu funcionamento.
Classificamos a natureza do objetivo desse artigo como exploratória e descritiva. A primeira, segundo Gil (2009), “objetiva uma maior familiaridade com o problema e procura torná-lo mais explícito” enquanto que a segunda “objetiva a descrição de características de determinada população ou fenômeno”.
A abordagem da pesquisa é qualitativa, pois conforme Riche (2009) “procura ouvir o que as pessoas têm a nos dizer sobre o assunto relacionado, explorando suas ideias e preocupações sobre o entendimento do tema. Em resumo, sua principal contribuição é entender sobre o fenômeno que é observado”.
As informações para a realização desse trabalho foram adquiridas pela coleta de dados primários e se-cundários. Para Malhotra (2004), dados primários são aqueles coletados para fins diferentes do problema em pauta e dados secundários são os originados do pesquisador para solucionar o problema da pesquisa. Os da-dos secundários foram conseguida-dos por meio de uma base composta por artigos científicos, dissertações, teses e livros. Os dados primários foram adquiridos através de entrevista semi-estruturada com o Engenheiro Civil responsável pelo setor de planejamento e controle da Construtora em questão.
O método para a comunicação e assim obtenção dos dados primários foi executado através de entrevis-tas pessoais ou por questionamentos telefônicos, acrescidos de contato via e-mail. Antes de efetuar a entrevista com o Engenheiro Civil responsável no estudo de caso, necessitou-se da estruturação das questões referentes ao conteúdo para fundamentar a pesquisa.
A estratégia adotada é de estudo de caso intrínseco, que segundo Stake (2005), “constitui o próprio ob-jeto da pesquisa. O que o pesquisador almeja é conhecê-lo em profundidade, sem qualquer preocupação com o desenvolvimento de alguma teoria”.
Havendo um cuidado, da parte dos autores, em sugerir o melhor Modelo de Planejamento Estratégico para a Construtora analisada, o mecanismo de pesquisa é de análise documental, permitindo uma base científi-ca mais consolidada para elaboração das melhorias no Planejamento Estratégico verificientífi-cado.
3. RESULTADOS E DISCUSSÃO
3.1 Identificações do Planejamento Estratégico da Construtora
A partir da entrevista com o Engenheiro Civil responsável pelo setor de planejamento e controle da em-presa, identificou-se que não existe um planejamento estratégico propriamente dito, em relação à obra.
Na realidade, o que a empresa possui é uma oscilação do cronograma da obra, pois o ritmo se dá de acor-do com a sinalização acor-do governo federal, por exemplo, se o respectivo órgão estabelece que no ano de 2017, serão disponibilizados 100 milhões para a obra, então a empresa utiliza um software chamado PREVIX, ferra-menta que auxilia o engenheiro a organizar e fazer toda a programação da obra em cima dessa informação.O programa é capaz de gerar tudo que é necessário para planejamento e controle da obra, como também geração de insumos, despesas, receitas, margem de lucro etc. Porém, durante a execução da obra acontecem atrasos no pagamento, o que exige uma mudança no planejamento e uma reprogramação do desenvolvimento da obra.
Percebeu-se no decorrer da entrevista que a empresa possui intenção estratégica, visão, missão e valo-res. A sua missão é soluções de Engenharia com qualidade, credibilidade e parcerias, agregando valor para o desenvolvimento socioeconômico. Sua visão é participar na construção de um futuro melhor para o país com soluções de engenharia que garantam a satisfação dos clientes e da sociedade. Os valores são declarados como credibilidade valorização das pessoas, dinamismo, excelência na gestão, espírito de parceria.
No entanto, essas informações são apresentadas aos funcionários somente no momento de integração, ou seja, quando os profissionais iniciam na empresa. Logo, vê-se que ao longo dos anos de trabalho torna-se propício um esquecimento dessas intenções e consequentemente o não seguimento delas, ocasionando dificul-dades na gestão empresarial.
3.2 Diagnóstico Situacional
Em relação a obra atual, o engenheiro entrevistado elencou algumas oportunidades e ameaças, além de pontos fortes e fracos, descritos a seguir na (Tabela 1):
Tabela 1. Oportunidades, ameaças, pontos fortes e fracos
Oportunidades Ameaças Pontos fortes Pontos fracos
Serviços rentáveis na
plani-lha da obra Problemas com projetos que interrompem o anda-mento da obra
Profissionais com bastante experiência em construção de barragens
Planejamento ineficiente Boa margem para se reduzir
os desperdícios da obra. Problemas na justiça com moradores que levam a pa-ralisação da obra.
Empresas com equipamen-tos necessários para realizar a obra
Controle de horário dos fun-cionários.
Fonte: Autoria Própria.
Alguns problemas atuais na construtora e na obra foram expostos pelo entrevistado durante os questio-namentos, por exemplo, indicações de pessoaspor parte dos políticos para se tornarem funcionários; indefini-ções de projetos;problemas com recebimento dos pagamentos das mediindefini-ções por parte dos governos federal e estadual como também pagamento dos funcionários; devido ser um consórcio, as empresas retiram boa par-te do dinheiro da obra, deixando-a assim, com dificuldade em honrar os compromissos com os fornecedores de insumos como cimento e óleo diesel; impostos;embargos do IPHAN; licenças ambientais; problemas com desapropriações dos moradores da região e com a construção da nova comunidade, pois, a última não faz parte do escopo do contrato, dessa forma, a empresa depende da finalização das casas para poder concluir a barragem;
Durante a entrevista, o engenheiro também afirmou que o grande problema da empresa é financeiro, pois devido à crise econômica, a construtora está lutando para sobreviver com essa obra, visto que todas as outras estão praticamente paradas, além da estrutura de apoio muito saturada.
3.3 Estratégias sugeridas para redução dos problemas
Baseado no diagnóstico situacional apresentado no presente artigo escolheu-se três problemas para estu-do e assim estabeleceram-se estratégias viáveis para uma possível solução, conforme mostraestu-do na (Tabela 2):
Tabela 2. Estratégias para resolução dos problemas identificados
Problemas Estratégias Ações
Indefinições de projetos Compatibilizar projetos Sobreposição de projetos, listas de checagem e uso de software.
Improdutividade dos
funcioná-rios Melhorar o desempenho dos profis-sionais e qualificar a mão-de-obra Supervisão das atividades,incentivo a produ-ção, reformulação do plano de cargos e carreira, treinamento para equipes e avaliação 360. Atrasos de repasses do governo
e pagamento dos funcionários. Reservar recursos Implantar o capital de giro Fonte: Autoria Própria.
3.3.1 Compatibilização de projetos
O projeto feito às pressas e mal remunerado, em que os conteúdos não são avaliados, tende a ser mal for-mulado ou inconsistente e pode conter soluções inexequíveis. O projeto pode também não representar correta-mente ou completacorreta-mente a solução formulada, ocorrendo indefinições, omissões e até mesmo contradições[14].
Para evitar problemas como indefinições de projetos pode-se realizar compatibilização dos mesmos, que significa para Nascimento (2014) “uma ferramenta fundamental no processo de desenvolvimento dos projetos, detectando e eliminando problemas ainda na fase de concepção, reduzindo retrabalhos, o custo da construção e prazos de execução, qualificando o empreendimento e aumentando sua competitividade frente ao mercado.” De forma mais prática, são aplicadas algumas técnicas como sobreposição de projetos, lista de checagem e uso de softwares.
A primeira é uma forma de apoio a coordenação utilizada para verificar a compatibilidade entre proje-tos de diversas especialidades. O pressuposto do projeto simultâneo tem por objetivo integrar o desenvolvi-mento do produto ao desenvolvidesenvolvi-mento dos outros processos envolvidos por intermédio da cooperação entre os diversos agentes[8]. Ela pode ser feita em pares de disciplina para facilitar a visualização e a interpretação das
interferências (arquitetura e estruturas; estruturas e instalações hidráulico-sanitárias, estruturas e instalações elétricas e assim por diante)[15].
A segunda é uma ferramenta utilizada na coordenação de projetos que tem como objetivo a revisão das atividades do projeto, em todas as suas etapas. Como o próprio nome enuncia trata-se de uma lista referente a informações que devem ser lembradas e checadas pelo responsável a tal atividade[17].
A terceira possibilita integração de modelos em três dimensões (3D) no software em desenvolvimento como também uma metodologia global que envolve o planejamento em 5D (3 espaciais, 1 temporal e 1 finan-ceiro). Essa metodologia global é chamada de BIM (BuildingIntegrateModelling) e existem vários softwares que a utilizam. O software permite detectar interferências físicas e apoiar a construção das matrizes de infor-mações para compatibilizar inforinfor-mações de projetos[15].
É evidente que para uma eficiente compatibilização dos projetos é necessário uma perfeita integração e interação dos profissionais engajados no processo, além de possuir atributos necessários para execução das etapas que vão desde o estudo preliminar dos projetos, elaboração, suprimentos até os engenheiros responsá-veis para execução dos projetos[17].
3.3.2 Melhoramento do desempenho dos profissionais e qualificação da mão-de-obra
Em relação ao segundo problema apresentado, Gomes (2014) afirma que “improdutivo é tudo o que está feito fora do caminho do necessário ou útil. Alusivo à economia, usa-se muitas vezes, para exprimir o inválido,
vão, estéril, frustrado, errado. É talvez um termo que qualifica certo fazer ou trabalho em relação ao resultado que pode dar, à forma como é levado a cabo, aos meios que despende.
Para aumentar a produtividade dos funcionários da construtora em questão, é fundamental uma orga-nização com supervisão mais eficiente que acompanhe o horário de trabalho de cada integrante da empresa, controle o uso de redes sociais e tecnologias, além de motivá-los a buscar sempre mais conhecimentos, treina-mentos e inovações nos motreina-mentos em que não haja atividade a ser realizada, reduzindo o desperdício de tem-po na obra e criando um clima harmonioso na produção.
Sugere-se também que seja reformulado o plano de cargos e carreirasque de acordo com Modesto (2016) refere-se aos os cargos que admitem evolução funcional vertical, que são agrupados e escalonados em classes, por possuírem denominação, atribuições e exigirem qualificação profissional e habilidades específicas afins. A promoção entre os níveis ou classes da carreira, tradicionalmente, decorre de juízo de merecimento ou veri-ficação de antiguidade.
A avaliação 360 graus é outra ação estratégica indicada para reduzir a improdutividade dos funcioná-rios. Nesse modelo, o funcionário é avaliado não apenas pelo seu superior hierárquico, mas também por ou-tros sujeitos que interagem com ele no seu trabalho, como colegas da equipe, subordinados, clientes e, em alguns casos, até por fornecedores e pelo próprio funcionário (auto-avaliação). Assim, ao enriquecer a men-suração do desempenho profissional, a avaliação 360 graus pode contribuir para tornar mais preciso o diag-nóstico de competências, considerado uma das principais etapas da gestão por competências, conforme já comentado[3].
3.3.3 Reservas de recursos
Por fim, a respeito do terceiro problema, vemos que diante da crise econômica e política vivenciada pelo Brasil, houve redução das obras governamentais, posteriormente o setor industrial desacelerou e diminuíram--se os investimentos na construção civil. Por causa disso, muitas construtoras têm enfrentado dificuldades para se manterem consolidadas no mercado, ocasionando, dentre outras consequências, atrasos de pagamentos aos funcionários.
Uma das estratégias que podem ser aplicadas para evitar o retardamento da remuneração dos profissio-nais é a aplicação do capital de giro, definido por Braga (1991) como um “processo de planejamento e controle dos recursos financeiros aplicados no ativo circulante das empresas. Esses recursos provêm de diversas obriga-ções a vencer em curto prazo, representadas no passivo circulante, e do excedente das exigibilidades de longo prazo e do patrimônio líquido em relação aos ativos não circulantes”.
CONCLUSÕES
Após todo o estudo de caso, percebeu-se que a construtora analisada está passando por um período de muitas dificuldades. Essas estão ligadas à falta de uma boa gestão organizacional com um planejamento bem elaborado. A busca por melhorias organizacionais envolve custos que devem ser considerados investimentos, pois a aplicação do capital/esforço terá um retorno para a empresa.
Faz-se mais que necessário tomadas de decisões urgentes para resolução dos problemas enfrentados, so-bretudo, oriundos da crise do país. Caso contrário, a empresa de construção civil corre um grande risco de não sobreviver diante do mercado existente.
Nessa perspectiva, é de fundamental importância a preparação e execução de um planejamento estraté-gico, visto que ele pode propiciar alternativas, cenários e caminhos estratégicos a serem seguidos, colaborando diretamente para o avanço da empresa.
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