Fibrilação atrial < 48 horas: preciso
anticoagular para cardioverter ?
DR. THIAGO DA ROCHA RODRIGUES
XXXV Congresso Brasileiro de Arritmias Cardíacas
HOSPITAL FELÍCIO ROCHO
Conflitos de interesse
-
Palestras remuneradas para as empresas:
- PFIZER
- BOHERINGER-INGELHEIM - LIBBS
-
Consultorias didáticas para a empresa:
PREVALÊNCIA DE TROMBO EM ECO TRANSESOFÁGICO
ANTES DA CARDIOVERSÃO
RNI subterapêutico antes da CV Sem
anticoagulação RNI terapêuticoantes da CV
FA < 48 horas com anticoagulação 13 – 15% 9,8 % 1,1 - 1,9 – 2,9 – 3,6 % FA < 48 horas Sem anticoagulação 0 % 4 % trombo
10% contraste espontâneo denso
J Am Soc Echocardiogr 2009;22:1403 Eur j Echocardiography 2004;5:257 J Cardiovasc electrophysiol 2010;21:849 Europace 2010;12:927 Circ J 2010;74:1081 JACC 1995;25:1354 Dabigatran 110 e 150 mg BID 1,2 – 1,8 % FA crônica FE < 40% AE > 45 mm FA aguda < 48 H: 1,4%
Caso 1: FA < 12 horas, CHA
2DS
2-VASc = 0
Paciente 38 anos, com FA após libação alcoólica em
Boite, com 6 horas de duração
Normotenso, não diabético, sem cardiopatia estrutural e
ausência de doença coronariana ou cerebrovascular:
CHA
2DS
2-VASc = 0
PA: 120 x 80 mmHg. FC = 136 bpm
Bulhas arrítmicas e sem sopros
Qual a conduta mais adequada ?
A) Proceder à reversão farmacológica e/ou elétrica, sem
anticoagular nem antes e nem depois;
B) Realizar ETE. Se negativo para trombo, administrar HBPM ou
NOAC 2 a 4 horas antes e manter a anticoagulação oral
definitiva
C) Controle da FC com betabloqueador, anticoagular por 3 a
4 semanas, realizar a CV (elétrica ou farmacológica) e
antiacoagular por tempo indefinido;
D) Administrar HBPM ou NOAC 2 a 4 horas antes, cardioverter
e manter o anticoagulante por mais 4 semanas
E) Administrar HBPM ou NOAC, cardioverter e manter o
Decisão de anticoagulação no serviço de
emergência, em pacientes com FA < 48 horas.
Diretrizes canadenses 2014
PACIENTE ESTÁVEL ?
SIM NÃO
CHA2DS2-VASc = 0 / 1
CVE OU CVF SEM ACO PRÉVIO CHA2DS2-VASc 0 NÃO ANTICOAGULAR APÓS CHA2DS2-VASc 1 ANTICOAGULAR APÓS HIPOTENSÃO ISQUEMIA EDEMA PULMONAR CVE URGENTE E ANTICOAGULAR IMEDIATAMENTE MANTER ACO 1 MÊS ACO DEFINITIVO SE CHA2DS2VASc ≥ 2 CHA2DS2-VASc ≥ 2 VALVOPATIA REUMÁTICA PRÓTESE VALVAR CONTROLE DE FC ACO 3 SEMANAS ANTES DA CV E MANTER APÓS ACO + ETE, CVE E MANTER APÓS FC > 150
PREVENÇÃO DE AVC EM PACIENTES PARA CV
– AHA / ACC / HRS 2014
SITUAÇÃO CLÍNICA CR - NE
FA ou FTA < 48 H. com alto risco de AVC (CHA2DS2-VASc ≥ 2), dar heparina/HBPM/NOAC o mais rápido possível antes ou logo após
a CV e manter anticoagulação a longo prazo I - C FA ou FTA < 48 horas com baixo risco de AVC (CHA2DS2-VASc =
0), heparina, HBPM ou NOAC podem ser considerados ou então
não anticoagular antes e não anticoagular após a CV IIb - C ACO de longo prazo (> 30 dias) após a CV deve ser baseada no
risco tromboembólico (CHA2DS2-VASc) I - C
Caso 2: FA entre 12 e 48 horas,
CHA
2
DS
2
-VASc = 0
Paciente 55 anos, iniciou palpitação taquicárdica há cerca
de 36 horas, acompanhado de cansaço e falta de ar.
Não hipertenso, nem diabético ou portador de cardiopatia
estrutural ou isquêmica: CHA
2DS
2-VASc = 0
PA = 110 x 80 mmHg. FC = 124 bpm
ECG: FA com alta RV e sem outras alterações
Bulhas arrítmicas e sem sopros
Qual a conduta mais adequada ?
A) Proceder à reversão farmacológica e/ou elétrica, sem
anticoagular nem antes e nem depois;
B) Realizar ETE. Se negativo para trombo, administrar HBPM ou
NOAC por 2 a 4 horas antes e manter a anticoagulação oral
definitiva
C) Controle da FC com betabloqueadores, anticoagular por 3
a 4 semanas, realizar a CV (elétrica ou farmacológica) e
antiacoagular por tempo indefinido;
D) Administrar HBPM ou NOAC 2 a 4 horas antes, cardioverter
e manter o anticoagulante por mais 4 semanas
E) Administrar HBPM ou NOAC, cardioverter e manter o
anticoagulante permanentemente
PREVENÇÃO DE AVC EM PACIENTES PARA CV
– AHA / ACC / HRS 2014
SITUAÇÃO CLÍNICA CR - NE
FA ou FTA < 48 H. com alto risco de AVC (CHA2DS2-VASc ≥ 2), dar heparina/HBPM/NOAC o mais rápido possível antes ou logo após
a CV e manter anticoagulação a longo prazo I - C FA ou FTA < 48 horas com baixo risco de AVC (CHA2DS2-VASc =
0), heparina, HBPM ou NOAC podem ser considerados ou então
não anticoagular antes e não anticoagular após a CV IIb - C ACO de longo prazo (> 30 dias) após a CV deve ser baseada no
risco tromboembólico (CHA2DS2-VASc) I - C
FINISH CARDIOVERSION STUDY
COMPLICAÇÕES TROMBOEMBÓLICAS DE ACORDO COM O TEMPO DE CV
TEMPO DE CV OR (IC 95%) P
12 – 24 H. VS < 12 H. 4,0 (1,7 – 9,1) 0,001
24 – 48 H. VS < 12 H. 3,3 (1,3 – 8,9) 0,02
% EVENTOS EMBÓLICOS DE ACORDO COM O TEMPO E O CHA2DS2-VASc CHA2DS2-VASc < 12 H 12 – 24 H 24 – 48 H P
0 - 1 0,2% 0,4% 0,9% 0,06
≥ 2 0,5% 2,0% 1,2% 0,008
JAMA 2014;312:647
Prevenção de AVC em pacientes
para CV – ESC 2016
SITUAÇÃO CLÍNICA CR - NE
Anticoagulação com heparina ou NOAC deve ser iniciada o
mais rápido possível antes de toda CV de FA ou FTA IIa - B CV precoce sem ECO TE pode ser realizada se FA < 48 horas IIa - B
PTs com CHA2DS2-VASc ≥ 2, anticoagulação oral permanente deve ser realizada a despeito do método de CV ou da aparente manutenção do RS. Pacientes CHA2DS2-VASc = 0,
anticoagular por 4 semanas
I - B
Eur Heart J 2016;37:2893-2962 Anticoagular precisa, mas não por 3 semanas antes e não precisa de ETE
Caso 3: FA < 48 horas, CHA
2DS
2-VASc = 1
Paciente masculino, 60 anos, apresentando palpitação
taquicárdica rápida e irregular há cerca de 40 horas;
Procurou o PSC e o ECG mostrou FA com FC em torno de 100
bpm e PA 130 x 90 mmHG.
Hipertenso, não diabético e sem cardiopatia estrutural ou
Qual a conduta mais adequada ?
A) Proceder à reversão farmacológica e/ou elétrica, sem
anticoagular nem antes e nem depois;
B) Realizar ETE. Se negativo para trombo, administrar HBPM ou
NOAC por 2 a 4 horas antes e manter a anticoagulação oral
definitiva
C) Controle da FC com betabloqueadores, anticoagular por 3
a 4 semanas, realizar a CV (elétrica ou farmacológica) e
antiacoagular por tempo indefinido;
D) Administrar HBPM ou NOAC 2 a 4 horas antes, cardioverter
e manter o anticoagulante por mais 4 semanas
E) Administrar HBPM ou NOAC 2 a 4 horas antes, cardioverter e
PREVENÇÃO DE AVC EM PACIENTES PARA CV
– AHA / ACC / HRS 2014
SITUAÇÃO CLÍNICA CR - NE
FA ou FTA < 48 H. com alto risco de AVC (CHA2DS2-VASc ≥ 2), dar heparina/HBPM/NOAC o mais rápido possível antes ou logo após
a CV e manter anticoagulação a longo prazo I - C FA ou FTA < 48 horas com baixo risco de AVC (CHA2DS2-VASc =
0), heparina, HBPM ou NOAC podem ser considerados ou então
não anticoagular antes e não anticoagular após a CV IIb - C ACO de longo prazo (> 30 dias) após a CV deve ser baseada no
risco tromboembólico (CHA2DS2-VASc) I - C
Prevenção de avc em pacientes
para cv – ESC 2016
SITUAÇÃO CLÍNICA CR - NE
Anticoagulação com heparina ou NOAC deve ser iniciada o
mais rápido possível antes de toda CV de FA ou FTA IIa - B CV precoce sem ECO TE pode ser realizada se FA < 48 horas IIa - B
PTs com CHA2DS2-VASc ≥ 2, anticoagulação oral permanente deve ser realizada a despeito do método de CV ou da aparente manutenção do RS. Pacientes CHA2DS2-VASc = 0,
anticoagular por 4 semanas
I - B
Eur Heart J 2016;37:2893-2962 Anticoagular precisa, mas não por 3 semanas antes e não precisa de ETE
FINISH CARDIOVERSION STUDY
COMPLICAÇÕES TROMBOEMBÓLICAS DE ACORDO COM O TEMPO DE CV
TEMPO DE CV OR (IC 95%) P
12 – 24 H. VS < 12 H. 4,0 (1,7 – 9,1) 0,001
24 – 48 H. VS < 12 H. 3,3 (1,3 – 8,9) 0,02
% EVENTOS EMBÓLICOS DE ACORDO COM O TEMPO E O CHA2DS2-VASc CHA2DS2-VASc < 12 H 12 – 24 H 24 – 48 H P
0 - 1 0,2% 0,4% 0,9% 0,06
≥ 2 0,5% 2,0% 1,2% 0,008
JAMA 2014;312:647
Caso 4: FA < 12 horas, CHA
2DS
2-VASc = 4
Homem, 77 anos, com palpitação taquicárdica rápida,
mal estar e dispnéia há cerca de 8 horas;
Hipertenso e diabético: CHA
2DS
2-VASc = 4
No atendimento, FA com FC em torno de 120 bpm. PA
Qual a conduta mais adequada ?
A) Proceder à reversão farmacológica e/ou elétrica, sem
anticoagular nem antes e nem depois;
B) Realizar ETE. Se negativo para trombo, administrar HBPM ou
NOAC por 2 a 4 horas antes e manter a anticoagulação oral
definitiva
C) Controle da FC com betabloqueadores, anticoagular por 3
a 4 semanas, realizar a CV (elétrica ou farmacológica) e
antiacoagular por tempo indefinido;
D) Administrar HBPM ou NOAC 2 a 4 horas antes, cardioverter
e manter o anticoagulante por mais 4 semanas
E) Administrar HBPM ou NOAC 2 a 4 horas antes, cardioverter e
manter o anticoagulante permanentemente
Decisão de anticoagulação no serviço de
emergência, em pacientes com FA < 48 horas
diretrizes canadenses 2014
PACIENTE ESTÁVEL ?
SIM NÃO
CHA2DS2-VASc = 0 / 1
CVE OU CVF SEM ACO PRÉVIO CHA2DS2-VASc 0 NÃO ANTICOAGULAR APÓS CHA2DS2-VASc 1 ANTICOAGULAR APÓS HIPOTENSÃO ISQUEMIA EDEMA PULMONAR CVE URGENTE E ANTICOAGULAR IMEDIATAMENTE MANTER ACO 1 MÊS ACO DEFINITIVO SE CHA2DS2VASc ≥ 2 CHA2DS2-VASc ≥ 2 VALVOPATIA REUMÁTICA PRÓTESE VALVAR CONTROLE DE FC ACO 3 SEMANAS ANTES DA CV E MANTER APÓS ACO + ETE, CVE E MANTER APÓS FC > 150
Pacientes de alto risco tromboembólico (CHA
2DS
2-VASc≥4)
e FA < 48 horas devem receber anticoagulante por 3
semanas antes ou realizar ecocardiograma transesofágico
antes da CV. Deve-se considerar também que o risco de
AVC é maior em FA entre 12 e 48 H, em comparação com
< 12 H.
Caso 5: FA < 48 horas e com
repercussão HD
Paciente de 66 anos, hipertenso e diabético, deu
entrada no PSC com palpitação taquicárdica, sudorese
e confusão mental: CHA
2DS
2-VASc = 3
Início do quadro há cerca de 1 hora
Ao exame: PA 60 x 40 mmHg, sudorese, má perfusão
capilar de extremidades
Qual a conduta mais adequada ?
A) Proceder à reversão farmacológica e/ou elétrica, sem
anticoagular nem antes e nem depois;
B) Realizar ETE. Se negativo para trombo, administrar HBPM ou
NOAC por 2 a 4 horas antes e manter a anticoagulação oral
definitiva
C) Controle da FC com betabloqueadores, anticoagular por 3
a 4 semanas, realizar a CV (elétrica ou farmacológica) e
antiacoagular por tempo indefinido;
D) Administrar HBPM ou NOAC 2 a 4 horas antes, cardioverter
e manter o anticoagulante por mais 4 semanas
E) Administrar HBPM ou HNF, cardioverter imediatamente e
Decisão de anticoagulação no serviço de
emergência, em pacientes com FA < 48 horas
diretrizes canadenses 2014
PACIENTE ESTÁVEL ?
SIM NÃO
CHA2DS2-VASc = 0 / 1
CVE OU CVF SEM ACO PRÉVIO CHA2DS2-VASc 0 NÃO ANTICOAGULAR APÓS CHA2DS2-VASc 1 ANTICOAGULAR APÓS HIPOTENSÃO ISQUEMIA EDEMA PULMONAR CVE URGENTE E ANTICOAGULAR IMEDIATAMENTE MANTER ACO 1 MÊS ACO DEFINITIVO SE CHA2DS2VASc ≥ 2 CHA2DS2-VASc ≥ 2 VALVOPATIA REUMÁTICA PRÓTESE VALVAR CONTROLE DE FC ACO 3 SEMANAS ANTES DA CV E MANTER APÓS ACO + ETE, CVE E MANTER APÓS FC > 150
Conclusões
1)
FA < 48 horas, CHA2DS2-VASc = 0
Não anticoagular nem antes e nem depois (FA < 12 horas) Se anticoagular não está errado (FA = 12 a 48 horas)
2)
FA < 48 horas, CHA2DS2-VASc = 1
Cardioversão imediata permitida
HBPM ou NOAC2 a 4 horas antes e no mínimo 4 semanas
3)
FA < 48 horas, CHA2DS2-VASc ≥ 2
NOAC ou HBPM imediatamente antes da CV e manter indefinidamente (ESC 2016) ou
Controle da FC e anticoagulação por 3 semanas (Canadense) antes da CV
Ou iniciar HBPM ou NOAC, realizar ETE e cardioverter (Canadense)
Conclusões
-
Pacientes com valvopatia reumática, prótese valvares,
passado de AVC/AIT/ES ou CHA
2DS
2-VASc ≥ 4:
- Não cardioverter de imediato - Controlar a FC
- Anticoagular por no mínimo 3 semanas antes - Avaliar a necessidade de CV posteriormente
- Pode-se iniciar heparina ou HBPM ou NOAC e realizar o ETE