Apontamentos de Orientação e Topografia
Introdução
Como é do conhecimento geral, na prática de Airsoft, existem alguns jogos que, pela sua complexidade e duração implicam conhecimentos de orientação e topografia.
É neste sentido e procurando de uma forma simples que me predispus a facultar alguns conhecimentos nesta matéria.
Todavia, importará ter presente que estes uma vez adquiridos carecem de prática a fim de se sedimentarem e tornarem-se comuns a todos os membros da equipa.
Orientação e Topografia. Podem ser itens complexos ou simples, ora daqui decorre que apenas se pretende a parte simples e prática, ninguém espera de um praticante de Airsoft, conhecimentos a fundo destas matérias, espera-se é que pelo menos não se perca no campo e muito menos que erre na aproximação do objectivo dado, por margem de quilómetros.
O objectivo destes apontamentos é fazer uma abordagem inicial a estas matérias e posteriormente complementá-los com a prática em campo.
Para a concretização deste objectivo, elaborei um pequeno módulo destinado aos membros da equipa de Airsoft – Víboras de Portugal, para que se garanta a especificidade desta aprendizagem. Junto no mesmo módulo exercícios numa perspectiva de formando/formador, para que, quer um, quer outro perceba o que é pedido!
Começando pelo mais elementar para se perceber e aprender orientação teremos que nos relembrar da Rosa dos Ventos:
A ROSA DOS VENTOS
Todo o praticante de Airsoft deve saber orientar-se no campo.
O primeiro passo para o domínio das técnicas de orientação é o conhecimento da Rosa dos Ventos.
A Rosa dos Ventos é constituída por 4 Pontos Cardeais, 4 Pontos Colaterais e 8 Pontos Sub-Colaterais.
Formando no seu todo 360º, pelo que se assumirmos que o Norte será sempre 0º ou 360º concluiremos que a Rosa dos Ventos no total das suas subdivisões, distanciará entre pontos sucessivos 22.5º.
Pelo que há toda a vantagem em que os pontos cardiais mais importantes sejam identificados em graus, mais adiante veremos porquê. Assim sendo, vejamos:
Os Pontos Cardeais
NORTE setentrião 0º ponto fundamental a que se referem normalmente as direcções SUL meridião; meio-dia 180º ao meio-dia solar o sol encontra-se a Sul do
observador
ESTE leste; levante; oriente; nascente 90º direcção de onde nasce o sol
OESTE poente; ocidente; ocaso 270º direcção onde o sol se põe; também aparece como W ("West") Os Pontos Colaterais NE Nordeste 45º SE Sueste 135º SO Sudoeste 225º NO Noroeste 315º Pontos Sub-Colaterais NNE Nor-Nordeste 22,5º ENE Lés-Nordeste 67,5º ESE Lés-Sueste 112,5º SSE Su-Sueste 157,5º SSO Su-Sudoeste 202,5º OSO Oés-Sudoeste 247,5º ONO Oés-Noroeste 292,5º NNO Nor-Noroeste 337,5º
Todavia, a questão prática é e sempre será a mesma – Onde estou eu, se o resto da minha equipa está a sul e eu nem mapa tenho? Para que lado é o Sul?
Ou, tenho mapa mas a cópia está tão escura que nem consigo identificar nada do mapa com o que me rodeia…. E sei pelo rádio, que precisam de reforços a Este, para que lado vou? - Ainda por cima é a primeira vez que jogo aqui!!!
Há sempre hipótese de recorrer a outros métodos que nos permitam pelo menos encontrar um ponto cardial, depois facilmente concluiremos por nós os restantes. Através de Recursos:
ORIENTAÇÃO PELO SOL COM O RELÓGIO
Para o Hemisfério Norte (onde se encontra Portugal) o método a usar é o seguinte: mantendo o relógio na horizontal, com o mostrador para cima, procura-se uma posição em que o ponteiro das horas esteja na direcção do sol. A bissectriz do menor ângulo formado pelo ponteiro das horas e pela linha das 12h define a direcção Norte-Sul.
Claro que, se não há relógio e estamos sozinhos de momento, num evento de vários dias, teremos que ter tempo e pensar em aplicar o seguinte:
O Movimento do Sol
O sol nasce aproximadamente a Este e põe-se a Oeste, encontrando-se a Sul ao meio-dia solar. A hora legal (dos relógios) está adiantada em relação à hora solar: no Inverno está adiantada cerca de 36 minutos, enquanto que no verão a diferença passa para cerca de 1h36m.
ORIENTAÇÃO PELO MÉTODO DA SOMBRA DA VARA
Este método não oferece uma precisão exacta, devendo ser aplicado ou de manhã ou de tarde. Para a vara, não é necessário que seja uma vara propriamente. De facto, este método permite que seja usado qualquer ramo, direito ou torto, ou até mesmo usar a sombra de um ramo de uma árvore, uma vez que apenas interessa a sombra da ponta do objecto que estamos a usar.
Assim, começa-se por marcar no chão, com uma pedra,
uma estaca ou uma cruz, o local onde está a ponta da sombra da vara. Ao fim de algum tempo, a sombra moveu-se, e voltamos a marcar do mesmo modo a ponta da sombra da vara. Se unirmos as duas marcas, obtemos uma linha que define a direcção Este-Oeste. O tempo que demora a obter um deslocamento da sombra (bastam alguns centímetros) depende também do comprimento da vara. Assim, uma vara de 1m de comprimento leva cerca de 15 minutos a proporcionar um deslocamento da sombra suficiente para se aplicar este método.
Existem mais métodos mas por serem mais aprofundados, reservei-me no direito de não os abordar, até porque o Airsoft é um desporto e não uma preparação para um conflito armado pelo que o que se pretende é mesmo jogar e aproveitar alguns conhecimentos básicos!
Existem todavia indícios que nos facultam pistas para que possamos ajuizar os pontos cardiais e depois estabelecer rumos e cumprir a missão ou objectivo. Que são orientação por indícios:
ORIENTAÇÃO POR INDÍCIOS
Caracóis – encontram-se mais nos muros e paredes voltados para Leste e para Sul. Formigas - têm o formigueiro, especialmente as entradas, abrigadas dos ventos frios do Norte.
Igrejas - as igrejas costumavam ser construídas com o Altar-Mor voltado para Este (nascente) e a porta principal para Oeste (Poente), o que já não acontece em todas as igrejas construídas recentemente.
Campanários e Torres - normalmente possuem no cimo um cata-vento, o qual possui uma cruzeta indicando os Pontos Cardeais.
Casca das Árvores - a casca das árvores é mais rugosa e com mais fendas do lado que é batido pelas chuvas, ou seja, do lado Norte, caso não estejamos numa zona de micro clima, como a serra de Sintra.
Folhas de Eucalipto - torcem-se de modo a ficarem memos expostas ao sol, apresentando assim as «faces» viradas para Leste e Oeste.
Moinhos - as portas dos moinhos portugueses ficam geralmente viradas para Sudoeste. Inclinação das Árvores - se soubermos qual a direcção do vento dominante numa região, através da inclinação das árvores conseguimos determinar os pontos cardeais. Musgos e Cogumelos - desenvolvem-se mais facilmente em locais sombrios, ou seja, do lado Norte.
Girassóis - voltam a sua flor para Sul, em busca do sol.
E se for de noite? Em jogos nocturnos? Aqui fica em jeito de curiosidade: ORIENTAÇÃO PELA LUA
• Tal como o sol, a Lua nasce a Leste, só que a hora a que nasce depende da sua fase.
• A Fase da Lua depende da posição do sol. A parte da Lua que está iluminada indica a direcção onde se encontra o sol.
• Para saber se a a face iluminada da Lua está a crescer (a caminho da Lua Cheia), ou a minguar (a caminho da Lua Nova), basta seguir o dizer popular de que «a Lua é mentirosa». Assim, se a face iluminada parecer um «D» (de decrescer) então está a crescer. Se parecer um «C» ( de crescer) então está a decrescer ou (minguar).
Direcção da Lua em função da sua Fase e da Hora HORA 12h SE E NE N NO O SO S 15h S SE E NE N NO O SO 18h SO S SE E NE N NO O 21h O SO S SE E NE N NO 24h NO O SO S SE E NE N 3h N NO O SO S SE E NE 6h NE N NO O SO S SE E 9h E NE N NO O SO S SE
ORIENTAÇÃO PELAS ESTRELAS
A orientação pelas estrelas é um dos métodos naturais mais antigos, em todas as
civilizações. As constelações mais usadas, no Hemisfério Norte, são a Ursa Maior, Ursa Menor, Orion e a Cassiopeia.
A Ursa Maior
A Ursa Maior é uma das constelações que mais facilmente se identifica no céu. Tem forma de uma caçarola, embora alguns povos antigos a identificassem como uma caravana no horizonte, bois atrelados, uma concha e mesmo um homem sem uma perna. O par de estrelas Merak e Dubhe formam as chamadas «Guardas», muito úteis para se localizar a Estrela Polar. Curiosamente, existem duas estrelas (Mizar e Alcor) que se confundem com uma apenas, mas um bom observador consegue distingui-las a olho nú.
A Ursa Menor
A Ursa Menor, ligeiramente mais pequena que a Ursa Menor, é também mais difícil de identificar, principalmente com o céu ligeiramente nublado, uma vez que as suas estrelas são menos brilhantes. A sua forma é idêntica à da Ursa Maior. Na ponta da sua «cauda» fica a Estrela Polar, bastante mais brilhante que as outras estrelas, e fundamental para a orientação. Esta estrela tem este nome precisamente por indicar a direcção do Polo Norte. As restantes constelações rodam aparentemente em torno da Estrela Polar, a qual se mantém fixa.
Pode parecer confuso mas na prática, não o é, garanto! Deparar-se-ão com um esquema de estrelas assim:
O processo para encontrar a Estrela Polar e por conseguinte o Norte será este:
Se traçarmos uma linha imaginária que passe pelas duas «Guardas» da Ursa Maior, e a prolongarmos 5 vezes a distância entre elas, iremos encontrar a Estrela Polar. A figura ilustra este procedimento, e mostra também o sentido de rotação aparente das constelações em torno da Estrela Polar, a qual se mantém fixa.
Se prolongarmos uma linha imaginária passando pela primeira estrela da cauda da Ursa Maior (a estrela Megrez) e pela Estrela Polar, numa distância igual, iremos encontrar a constelação da Cassiopeia, em forma de «M» ou «W», a qual é facilmente identificável no céu. Assim, a Cassiopeia e a Ursa Maior estão sempre em simetria em relação à Estrela Polar.
Para obter o Norte, para nos orientarmos de noite, basta descobrir a Estrela Polar. Se a «deixarmos cair» até ao horizonte, é nessa direcção que fica o Norte.
Nota: Não abordo aqui a constelação de Orion, por não considerar relevante até porque não está presente no firmamento durante o ano inteiro, o mesmo acontecendo com a constelação de Cassiopeia, que também nem sempre está visível.
Ora, considerando apreendidos alguns conceitos poderemos começar a falar de uma forma mais incisiva sobre orientação e vamos começar com a bússola que nos permite realizar várias operações no terreno, que vão desde rumos, azimutes, graus, localizações e orientação da carta topográfica ou um pequeno mapa impresso por nós.
A BÚSSOLA
Uma bússola é um instrumento de orientação constituído por uma agulha magnética que, girando livremente em torno de um eixo (ou ponto), se orienta paralelamente ao campo magnético que por ela passa.
O Planeta Terra funciona como um imã gigante com os pólos magnéticos próximos dos pólos geográficos. Na ausência de campos magnéticos mais intensos, a agulha da bússola orienta-se paralelamente ao campo magnético terrestre. Um dos lados da agulha, normalmente vermelho, aponta para o Pólo Norte magnético, que se situa próximo do Pólo Norte Geográfico, mais
concretamente a Nordeste do Canadá. Para que a agulha da bússola indique correctamente o Norte Magnético, é necessário tomar algumas precauções, tais
como: evitar a proximidade com objectos metálicos
ou com propriedades magnéticas; evitar zonas com altas tensões eléctricas,
nomeadamente perto de cabos ou fontes de alta tensão; evitar proximidade com circuitos eléctricos; manter a bússola numa posição que permita o livre girar da agulha magnética.
Modo de segurar numa bússola
Ao usar a bússola, deveram sempre colocá-la o mais na horizontal possível. Se fizerem leituras com a bússola inclinada estaram a cometer erros.
O polegar deve estar correctamente encaixado na respectiva argola, com o indicador dobrado debaixo da bússola, suportando-a numa posição nivelada.
Nomenclatura de uma bússola
Ora ao falarmos de bússola teremos que obrigatoriamente abordar a questão da declinação magnética da agulha da bússola:
Declinação Magnética
A agulha da bússola não aponta exactamente para o Norte Geográfico. Ao ângulo que é feito entre o Norte Geográfico e o Norte Magnético chama-se declinação magnética. Este ângulo varia com a localização no ponto do Planeta Terra e também com o tempo (variação lenta ao longo dos anos).
No ano de 2002, em Portugal, a declinação magnética tem um valor médio de cerca de 7º no sentido contrário ao dos ponteiros do relógio em relação ao Norte Geográfico. Assim, quem usar uma bússola em Portugal, para seguir o sentido do Norte Geográfico deverá seguir o azimute magnético 7º.
Posto isto, para uma orientação geográfica através de uma bússola, basta deixar a agulha magnética indicar o Norte Magnético, fazer a correcção devida à declinação magnética e, a partir daí, seguir o azimute pretendido (ou rumo).
O que nos leva á questão: O QUE É UM AZIMUTE?
Um azimute é uma direcção definida em graus, variando de 0º a 360º. Existem outros sistemas de medida de azimutes, tais como o milésimo e o grado, mas o mais usado é o Grau.
A direcção de 0º graus corresponde ao Norte, e aumenta no sentido
directo dos ponteiros do relógio, como já tive oportunidade de referir inicialmente.
Há 3 tipos de azimutes a considerar:
• Azimute Magnético: quando medido a partir do Norte Magnético (indicado pela bússola);
• Azimute Geográfico: quando medido a partir do Norte Geográfico (direcção do Polo Norte);
• Azimute Cartográfico: quando medido a partir do Norte Cartográfico (direcção das linhas verticais das quadrículas na carta).
COMO DETERMINAR O AZIMUTE MAGNÉTICO DE UM ALVO?
• Querendo-se determinar o azimute magnético de um alvo usando uma bússola há que, primeiro, alinhar a fenda de pontaria com a linha de pontaria e com o alvo. Depois deste alinhamento, espreita-se pela ocular para o mostrador e lê-se a medida junto ao ponto de referência.
• Todo este processo deve ser feito sem deslocar a bússola, porque assim alteraria a medida. O polegar deve estar correctamente encaixado na respectiva argola, com o indicador dobrado debaixo da bússola, suportando-a numa posição nivelada.
Como apontar um Azimute Magnético
• Querendo apontar um azimute magnético no terreno, para se seguir um percurso nessa direcção, por exemplo, começa-se por rodar a bússola, constantemente nivelada, de modo a que o ponto de referência coincida com o azimute pretendido. Isto é feito mirando através da ocular para o mostrador. Uma vez que o ponto de referência esteja no azimute, espreita-se pela fenda de pontaria e pela linha de pontaria, fazendo coincidir as duas, e procura-se ao longe, um ponto do terreno que possa servir de referência.
O AZIMUTE INVERSO
• O Azimute Inverso é o azimute de direcção oposta.
• Por exemplo, o Azimute Inverso de 90º (Este) é o de 270º (Oeste).
• Para o calcular basta somar ou subtrair 180º ao azimute em causa, consoante este é, respectivamente, menor ou maior do que 180º.
Exemplo de como calcular os azimutes inversos de 65º e 310º
Azimute Operação Azimute
Inverso 65º como é inferior a 180º deve-se
somar 180º
65º + 180º = 245º 310º como é superior a 180º deve-se
subtrair 180º
310º - 180º = 130º
COMO MARCAR UM AZIMUTE NUMA CARTA
Para marcar um azimute numa carta, basta usares um transferidor. Coloca-se a base do transferidor (linha 0º - 180º) paralela às linhas verticais das quadrículas da carta e o ponto de referência sobre o ponto a partir do qual pretendemos traçar o azimute. De seguida faz-se uma marca na carta mesmo junto ao ponto de graduação do transferidor correspondente ao ângulo do azimute que pretendemos traçar. Por fim, traçamos uma linha a unir o nosso ponto de partida e a marca do azimute.
Exemplo para marcar um azimute de 55º a partir de uma Igreja
1- A Igreja, a partir da qual se pretende marcar um azimute de 55º
2- O transferidor alinhado com as linhas verticais das quadrículas, e com o ponto de referência sobre a igreja.
3- O azimute de 55º traçado a partir da Igreja e passando pela marca correspondente aos 55º graus.
Para terminar deixo-vos umas pequenas noções de coordenadas….Que mais tarde serão aprofundadas!
Coordenada
Para que se possa conhecer a localização absoluta de locais, convencionaram-se três coordenadas esféricas (latitude, longitude, altitude) que permitem identificar univocamente a posição de um ponto no Planeta Terra. A latitude mede a distância (angular) ao equador, a longitude mede a distância (angular) ao Meridiano de Greenwich (geodésica que passa pelo pelos Pólos e pela cidade de Greenwich em Inglaterra) e a altitude mede a distância ao nível médio das águas do mar.
Nota: A partir desta página estão exercícios que um dia, caso se proporcione, poderão ser aplicados nos Víboras, sendo ministrados por uma equipa de instrução (salvo melhor opinião) caso se constitua para esse fim, todavia nada obsta a que não os possam consultar, até porque se aborda mais a fundo a questão da Topografia.
A) Objectivo de Aprendizagem :
1 - Determinar a Cota de um ponto no Terreno 2 - Condições
Dados:
• Uma Carta Militar Escala 1/25.000 ou Escala 1/50.000 • Um Esquadro ou um Escalímetro para Coordenadas • Lápis e Papel
3 - Nível de Execução
Com erro permissível de + / - 10 % da equidistância natural.
B) Apoios à Instrução e Avaliação :
1. Elementos Teóricos: a. Generalidades
O conhecimento dos sinais convencionais da quadrícula e da escala de uma carta permite-nos identificar e localizar vários pontos e escolher a melhor maneira de nos deslocarmos e transpormos esses pontos. A irregularidade da superfície da terra, conhecida por relevo, torna-se todavia um elemento importante de informação com o qual, o praticante de Airsoft deve estar familiarizado, quando pretende planear uma Actividade seja de infiltração, reconhecimento ou mero plano de defesa ou ataque de posições.
O relevo de uma zona fornece dados importantes que quantificam a duração necessária em termos estimativos do tempo necessário á sua travessia, a escolha de vias de comunicação a utilizar a velocidade da passada em marcha.
Deste modo, pode-se definir o relevo como a configuração do terreno. O método mais corrente de representar o relevo nas cartas topográficas, é o método das curvas de nível.
As Curvas de Nível são curvas em que todos pontos têm a mesma Cota, isto é, em que todos os pontos distam igualmente do plano horizontal tomado para referência. Esta é uma forma sugestiva e evidente de representar o terreno numa Carta Topográfica, desde que junto cada curva, ou o que é mais normal de cinco em cinco curvas, seja indicado o valor da Cota respectiva.
Assim, de uma forma evidente consegue-se avaliar, pelo aspecto das Curvas de Nível, aproximadamente se o terreno é muito ou pouco inclinado, se este for muito inclinado, estamos na presença de um declive e as Curvas de Nível aparecem muito juntas.
Se for ao contrário, isto é pouco inclinadas as Curvas de Nível aparecem mais afastadas (Fig. 1 e 2).
Fig. 1 Fig. 2
b. A Cota de Ponto
A Cota de um Ponto é a distância vertical desse ponto a um plano horizontal fixo e tomado por referência. Este plano de referência é o nível médio das águas do mar, ao qual se atribui a Cota zero.
A equidistância natural é a distância vertical entre duas curvas de nível consecutivas (Fig. 3).
A equidistância natural é expressa normalmente em metros tais como 1, 5, 10, 20...Este valor reduzido à escala da Carta, chama-se equidistância gráfica.
As Curvas de Nível são inscritas a castanho como consta nas indicações na margem da Carta havendo dois tipos distintos:
- As Curvas Mestras, representadas por um traço mais grosso podendo ser por vezes interrompidas para se inscrever o valor da Cota respectiva;
- As Curvas Intermédias, são representadas por um traço mais fino podendo, no entanto, levar inscrita também a respectiva Cota.
c. Determinação da Cota de um Ponto na Carta
(1) Utilizando as Curvas de Nível de uma Carta, pode-se determinar a Cota de qualquer ponto. Assim um ponto situado sobre uma Curva de Nível tem a Cota dessa Curva. Se o ponto estiver situado entre duas Curvas de Nível (Fig. 4) pode-se determinar a Cota por intermédio das Curvas de Nível situadas imediatamente acima e abaixo do ponto, dividindo o espaço compreendido entre elas (valor da equidistância natural) num número de partes, ou por intermédio da seguinte expressão:
E / Y = Z / X
E - Equidistância Natural Fig. 4 Y - Distância na Carta entre as Curvas de Nível
Z - Cota do Ponto A
X - Distância na Carta do Ponto A à Curva de Nível de Cota inferior. (2) Para determinar a Cota de um ponto proceder da seguinte forma:
(a) Através das coordenadas do ponto e com a ajuda do Esquadro ou Escalímetro localizar o ponto da Carta.
(b) Verificar quais as Cotas da Curva de Nível que estão imediatamente de um e de outro lado do ponto (se o ponto não estiver em cima de uma Curva de Nível);
© Conhecendo a equidistância natural, determinando a distância entre as Curvas de Nível e a distância do ponto à Curva de Nível da Cota mais baixa, utilizar a expressão já indicada:
E / Y = Z / X
(d) Deste modo determina-se o valor Z que somado à Cota da Curva de Nível mais baixa dá a Cota do ponto.
Dados:
• Cota da Curva de Nível onde se localiza o Ponto B ---180 m • Cota da Curva de Nível onde se localiza o Ponto C ---170 m • Equidistância Natural (E) ---010 m • Distância na Carta entre as Curvas de Nível (Y) ---028 m • Distância na Carta do Ponto A ao Ponto C (X) ---020 m Determinar a Cota do Ponto A :
E / Y = Z / X
Z = E X / Y = 10 x 0,020 / 0,028 = 7 m
Portanto a Cota do Ponto A será aproximadamente igual a 177 m.
C) Instruções para Avaliação:
1. Procedimentos de verificação
• A Cota do Ponto, situada entre duas Curvas de Nível, deve ser prévia e rigorosamente determinada pelo Instrutor.
• Ao instruendo deve ser dada uma Carta Militar 1/25.000 e/ou 1/50.000, um esquadro e um escalímetro, lápis e papel e um ponto da carta do qual se pretende saber a sua Cota (pode ser o ponto-estação, se for aconselhável).
2. Conduta de Avaliação • Resultado a obter:
Determinar a cota do Ponto com um erro permissível de -/+ 10 % da equidistância natural.
A)Objectivo de Aprendizagem:
1. Tarefa : Determinar o azimute Cartográfico (Rumo) entre dois pontos da Carta. 2. Condições:
Dados:
• Uma Carta Militar 1/25.000 e/ou 1/50.000;
• Um esquadro e uma escalímetro para a mesma escala das cartas adoptadas; • Dois pontos na Carta;
• Um Transferidor.
B)Apoios à Instrução e Avaliação :
1. Elementos Teóricos a. Generalidades
O Rumo de uma direcção é o ângulo que essa direcção (definida por dois pontos) faz com o Norte Cartográfico (meridianos da Carta).
Um dos instrumentos usados para medir e/ou marcar rumos numa Carta é o transferidor, apresentando-se este com várias formas (Fig. 5)
- Círculo completo - Semi - Círculo
- Quadrado ou Rectângulo Fig. 5
Os transferidores apresentam todos eles, o círculo dividido em unidades de medida angular sendo o grau a unidade mais comum. Qualquer que seja a forma do transferidor, existe sempre uma referência que corresponde ao centro do círculo do transferidor e donde partem todas as direcções. b. Determinação do Azimute
Cartográfico (Rumo)
Para se determinar o Azimute Cartográfico, ou rumo, de uma direcção definida por dois pontos na Carta, procede-se da seguinte forma (Fig. 6):
(1) Localizar na Carta os pontos (A e B);
(2) Traçar uma linha recta que passe por esses mesmos pontos;
(3) Colocar a transferência do transferidor sobre o ponto A (em A se desejarmos o rumo de A para B), com a linha 0-180 graus paralela à linha Norte - Sul da quadrícula (meridianos da Carta) e com a graduação 0 graus dirigida para Norte;
(4) Fazer a leitura no transferidor a partir de 0 graus e no sentido do movimento dos ponteiros do relógio no ponto em que a linha AB cruza a escala do transferidor; (5) A leitura feita corresponde ao Rumo AB (Azimute Cartográfico).
C)Instruções para Avaliação :
1. Procedimentos de verificação:
• Rumo, entre dois pontos assinalados na Carta, deve ser prévia e rigorosamente determinado pelo Instrutor;
• Ao Instruendo será fornecida uma Carta Militar 1/25.000 e/ou 1/50.000, um esquadro e um escalímetro com a mesma escala das cartas usadas, os pontos assinaladas na Carta (poderão ser indicados por coordenadas) e um transferidor. 2. Conduta de avaliação:
a. Resultado a obter
• Determinar o Azimute Cartográfico (Rumo) da direcção definida pelos dois pontos dados na Carta, com a aproximação de + / - 3 graus.
A)OBJECTIVO DE APRENDIZAGEM :
1. Tarefa
• CONVERTER UM AZIMUTE MAGNÉTICO EM AZIMUTE CARTOGRÁFICO (RUMO) E VICE VERSA
2. Condições Dados:
• Urna carta militar 1125.000 ou 1/50.000 • Lápis e papel
• Dois pontos marcados na carta (A e B) 3. Nível de execução
Com um erro permissível de 2 graus
B - Apoios de Instrução e Avaliação:
Elementos Teóricos 1. Azimutes
Azimute de uma direcção é o ângulo que essa direcção faz com a direcção ao Norte, tornada para referência, contado a partir desta e no sentido do movimento dos ponteiros do relógio.
Azimute magnético de uma direcção é o ângulo que essa direcção faz com a direcção do Norte magnético contado a partir desta e no sentido do movimento dos ponteiros do relógio.
Azimute cartográfico ou rumo de uma direcção é o ângulo que essa direcção faz com o Norte cartográfico contado a partir deste e no sentido do movimento dos Ponteiros do relógio.
Azimute geográfico de urna direcção é o ângulo. que essa direcção faz com a direcção do Norte geográfico contado a partir desta e no sentido do movimento dos ponteiros do relógio.
b Diagrama de declinação (Fig. 8)
Este diagrama existe na maior parte das cartas com a finalidade de permitir ao Dirigente a conversão de um tipo de azimute noutro (Fig. 9); Consta de 3 linhas, com urna origem comum urna referente a' direcção do Norte geográfico, outra a' do magnético e a terceira á do cartográfico e com os seguintes ângulos inscritos (Fig. 8)
- Declinação magnética - ângulo formado pelas direcções dos Nortes geográfico com o magnético
- Declinação magnética cartográfica - é o ângulo formado pela direcção do norte magnético com a direcção do Norte cartográfico.
- Convergência de meridianos - angulo formado pelas direcções do Norte geográfico com a direcção do Norte cartográfico
A variação anual da declinação magnética é geralmente indicada sob o diagrama de declinação podendo a partir dela calcular a declinação magnética actual o que se deve fazer antes de efectuar qualquer operação que envolva azimutes magnéticos (Fig. 10).
Utiliza-se o diagrama de declinação para fazer as conversões de azimutes em rumos ou vice-versa.
XVIII-II-MMX
Com os melhores cumprimentos Blackwolf