PRINCÍPIO DA COOPERAÇÃO ENTRE OS POVOS
Como o dano ambiental ultrapassa a fronteira do Estado-nação, é necessária a ampla cooperação entre as nações no sentido de possibilitar a rápida e eficaz proteção dos bens ambientais
Declaração do Rio – Princípio 14:
“Os Estados devem cooperar de forma efetiva para desestimular ou prevenir a realocação e transferência, para outros Estados, de atividades e substâncias que causem degradação ambiental grave ou que sejam prejudiciais à saúde humana.”
PRINCÍPIOS DA INFORMAÇÃO,PARTICIPAÇÃO E COOPERAÇÃO
- cumprimento da obrigação imposta a toda a coletividade pela Constituição, no sentido de buscar a realização do direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, em observância à função ambiental privada;
Declaração do Rio:
Princípio 5 - Para todos os Estados e todos os indivíduos, como requisito
indispensável para o desenvolvimento sustentável, irão cooperar na tarefa essencial de erradicar a pobreza, a fim de reduzir as disparidades de padrões de vida e melhor atender às necessidades da maioria da população do mundo.
PRINCÍPIOS DA INFORMAÇÃO,PARTICIPAÇÃO E COOPERAÇÃO
Princípio 10 - A melhor maneira de tratar as questões ambientais é assegurara participação, no nível apropriado, de todos os cidadãos interessados. No nível nacional, cada indivíduo terá acesso adequado às informações relativas ao meio ambiente de que disponham as autoridades públicas, inclusive informações acerca de materiais e atividades perigosas em suas comunidades, bem como a oportunidade de participar dos processos decisórios. Os Estados irão facilitar e estimular a conscientização e a participação popular, colocando as informações à disposição de todos. Será proporcionado o acesso efetivo a mecanismos judiciais e administrativos, inclusive no que se refere à compensação e reparação de danos.
PRINCÍPIOS DA INFORMAÇÃO,PARTICIPAÇÃO E COOPERAÇÃO
Lei nº 10.650/2003: dispõe sobre o acesso público aos dados e
informações existentes nos órgãos e entidades integrantes do
Sistema Nacional de Meio Ambiente (SISNAMA)
-Lei nº 12.527/2011: regula o acesso a informações públicas
Como os temas são cobrados?
O estudo de impacto ambiental (EIA) e o seu relatório (RIMA) são documentos técnicos de caráter sigiloso, de forma a impedir danos às empresas concorrentes da obra pública em estudo
O princípio da participação da população na proteção do meio ambiente está previsto na Constituição Federal e na ECO-92
A submissão do Relatório de Impacto Ambiental à audiência pública, nos termos da legislação vigente, representa, no Direito Ambiental, a aplicação prática do Princípio Democrático
INSTRUMENTOS DE POLÍTICA AMBIENTAL
A) Instrumentos regulatórios (comando e controle): disciplinam o exercício do poder de polícia/ ex.: padrões, normas, regulamentos, zoneamento;
B) Instrumentos econômicos: assegurar preços adequados aos recursos ambientais/ promover a internalização das externalidades negativas/ funda-se no princípio do poluidor-pagador/ ex.: taxas, subvenções;
PRINCÍPIO DO POLUIDOR-PAGADOR
- inspiração na teoria econômica de que os custos externos negativos que
acompanham a produção devem ser internalizados;
- poluidor arque com os custos das medidas de prevenção, controle e remediação da poluição provocada por sua atividade;
- é o Princípio 16 da Declaração do Rio - As autoridades nacionais devem procurar promover a internalização dos custos ambientais e o uso de instrumentos econômicos, tendo em vista a abordagem segundo a qual o poluidor deve, em princípio, arcar com o custo da poluição, com a devida atenção ao interesse público e sem provocar distorções no comércio e nos investimentos internacionais
PRINCÍPIO DO POLUIDOR-PAGADOR
- invocado para justificar a adoção de regimes de responsabilidade objetiva em matéria de danos ambientais
- Consta da Lei 6.938/81, art. 14, § 1º :
“Sem obstar a aplicação das penalidades previstas neste artigo, é o poluidor obrigado, independentemente da existência de culpa, a indenizar ou reparar os danos causados ao meio ambiente e a terceiros, afetados por sua atividade”
PRINCÍPIO DO USUÁRIO-PAGADOR
- está intimamente relacionado com o do poluidor-pagador
- designa que aquele que utiliza um determinado recurso natural, ainda que consumidor final, deve arcar com os custos que tornem possível esse uso, evitando-se que sejam suportados por terceiros ou pelo poder público;
- mesma lógica econômica da internalização dos custos externos não captados pelo sistema de preços
- Definição de valor econômico ao bem ambiental para racionalizar o seu uso e evitar seu desperdício
PRINCÍPIO DO PROTETOR-RECEBEDOR
- Estimular a proteção do bem ambiental mediante incentivos para quem o protege, deixando de utilizar seus recursos
- fundamento para programas como o “Bolsa Verde”, para o pagamento por serviços ambientais (PSA), e para o chamado ICMS Ecológico
Como os temas são cobrados?
o que determina que aquele que se utiliza ou usufrui de algum recurso natural deve arcar com os custos necessários para possibilitar tal uso configura o princípio do usuário-pagador
o princípio do poluidor-pagador, dispositivo internacional da proteção do meio ambiente, ainda não foi incorporado à legislação infraconstitucional brasileira
Como os temas são cobrados?
O princípio do poluidor-pagador visa à internalização das externalidades ambientais negativas e positivas e absorve em sua moldura o princípio do usuário-pagador. Sua relevância consiste em impedir à socialização dos custos ambientais.
Disserte sobre os princípios da precaução e do poluidor-pagador, estabelecendo a diferença entre eles (Cespe – Defensor AC/2012)
PRINCÍPIO DA FUNÇÃO SOCIOAMBIENTAL DA PROPRIEDADE
- Também informa o direito agrário/ prevista no Estatuto da Terra (Lei 4.504/64)
Art. 186. A função social é cumprida quando a propriedade rural atende,
simultaneamente, segundo critérios e graus de exigência estabelecidos em lei, aos seguintes requisitos:
I - aproveitamento racional e adequado;
II - utilização adequada dos recursos naturais disponíveis e preservação do meio ambiente;
III - observância das disposições que regulam as relações de trabalho;
IV - exploração que favoreça o bem-estar dos proprietários e dos trabalhadores.
PRINCÍPIO DA FUNÇÃO SOCIOAMBIENTAL DA PROPRIEDADE
Art. 5º XXII - é garantido o direito de propriedade; XXIII - a propriedade atenderá a sua função social;
CC, art. 1.228, § 1º O direito de propriedade deve ser exercido em consonância com as suas finalidades econômicas e sociais e de modo que sejam preservados, de conformidade com o estabelecido em lei especial, a flora, a fauna, as belezas naturais, o equilíbrio ecológico e o patrimônio histórico e artístico, bem como evitada a poluição do ar e das águas.
Como os temas são cobrados?
A defesa do meio ambiente, caso este venha a ser objeto de atividade predatória, pode justificar restrições ao uso da propriedade rural, mas sem alcançar o extremo da desapropriação, já que os valores do desenvolvimento econômico e proteção ambiental devem ser conciliados. A CF estabelece regras mediante as quais a função social da propriedade urbana submete-se à necessidade de preservação ambiental, contudo, com relação à propriedade rural, o texto constitucional nada diz a esse respeito, embora disponha sobre a obrigatoriedade de existirem normas infraconstitucionais que estipulem critérios sobre o tema.
PRINCÍPIO IN DUBIO PRO NATURA
“em caso de dúvida ou outra anomalia técnico-redacional, a norma ambiental demanda interpretação e integração de acordo com o princípio hermenêutico in dubio pro natura. Assim é precisamente porque, convém lembrar, toda a legislação de amparo dos sujeitos vulneráveis e dos interesses difusos e coletivos há sempre de ser compreendida da maneira que lhes seja mais proveitosa e melhor possa viabilizar, na perspectiva dos resultados práticos, a prestação jurisdicional e a ratio essendi da norma” (Min Herman Benjamin – Resp nº 1.198.727-MG)
PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DO RETROCESSO ECOLÓGICO
Decorre da natureza fundamental do direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, pois a proteção ambiental deve ser crescente e não retroagir.
Volta-se especialmente para a atuação parlamentar
Também chamado de princípio do efeito “cliquet” ambiental (termo em francês para “não retrocesso”)
PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DO RETROCESSO ECOLÓGICO
Foi reconhecido expressamente pelo STJ (RESP 302906):
“11. O exercício do ius variandi, para flexibilizar restrições urbanístico-ambientais contratuais, haverá de respeitar o ato jurídico perfeito e o licenciamento do empreendimento, pressuposto geral que, no Direito Urbanístico, como no Direito Ambiental, é decorrência da crescente escassez de espaços verdes e dilapidação da qualidade de vida nas cidades. Por isso mesmo, submete-se ao princípio da não-regressão (ou, por outra terminologia, princípio da proibição de retrocesso), garantia de que os avanços urbanístico-ambientais conquistados no passado não serão diluídos, destruídos ou negados pela geração atual ou pelas seguintes.” (Min. Herman Benjamin)
Como o tema é cobrado?
O princípio da proibição do retrocesso ecológico limita a discricionariedade do legislador a só legislar progressivamente, com o fito de não diminuir ou mitigar o direito fundamental ao Meio Ambiente.
PRINCÍPIO DA NATUREZA PÚBLICA (OU OBRIGATORIEDADE) DA
PROTEÇÃO AMBIENTAL
- promover a proteção do meio ambiente é dever irrenunciável do Poder Público
- O poder de polícia ambiental é, em regra, vinculado
- Em razão da indisponibilidade e autonomia do bem ambiental, também não pode haver, em regra, transação sobre ele
PRINCÍPIO DO LIMITE OU CONTROLE
- Dever imposto ao poder público de adotar e efetivar normas jurídicas que instituam padrões máximos de poluição, de modo a não afetar o equilíbrio ambiental
- O estabelecimento de padrões de qualidade ambiental é um dos instrumentos da Política Nacional de Meio Ambiente (Lei nº 6.938/81, art. 9º, I)
PRINCÍPIO DA REPARAÇÃO INTEGRAL
STJ – JURISPRUDÊNCIA EM TESES1) Admite-se a condenação simultânea e cumulativa das obrigações de
fazer, de não fazer e de indenizar na reparação integral do meio ambiente. - Regra é a reparação in natura
PRINCÍPIO DA RESPONSABILIDADE OBJETIVA
STJ – JURISPRUDÊNCIA EM TESES
10) A responsabilidade por dano ambiental é objetiva, informada pela teoria
do risco integral, sendo o nexo de causalidade o fator aglutinante que permite que o risco se integre na unidade do ato, sendo descabida a invocação, pela empresa responsável pelo dano ambiental, de excludentes de responsabilidade civil para afastar sua obrigação de indenizar
- Atenção: para a aplicação da sanção civil não há a necessidade de aferição de culpa do poluidor (basta dano + poluidor + nexo de causalidade) (não há excludente por caso fortuito/ força maior)
PRINCÍPIO DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA
STJ – JURISPRUDÊNCIA EM TESES
7) Os responsáveis pela degradação ambiental são co-obrigados solidários, formando-se, em regra, nas ações civis públicas ou coletivas litisconsórcio facultativo.
PRINCÍPIO DA UBIQUIDADE
evidencia que o objeto de proteção do meio ambiente, localizado no epicentro dos direitos humanos, deve ser levado em consideração toda vez que uma política, atuação, legislação sobre qualquer tema, atividade, obra etc. tiver que ser criada e desenvolvida (Fiorillo)