PLANO DIRETOR E PESCA ARTESANAL EM BRAGANÇA (PA): UMA ANÁLISE SOBRE A EFETIVIDADE DAS DIRETRIZES NA ATIVIDADE LOCAL

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Texto

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PLANO DIRETOR E PESCA ARTESANAL EM BRAGANÇA (PA): UMA

ANÁLISE SOBRE A EFETIVIDADE DAS DIRETRIZES NA ATIVIDADE

LOCAL

Maria Lúcia Bahia Lopes1 Helena Lúcia Zagury Tourinho2

Rodrigo Fraga Garvão3 rodrigofragabh@gmail.com

RESUMO

O artigo investiga se as diretrizes estabelecidos no plano diretor de Bragança foram implementadas até o presente momento. Para isso, primeiro caracteriza a socioeconômica municipal bragantina com ênfase à atividade de pesca, destacando a importância desta para a formação da população e das suas atividades de trabalho. Depois apresenta as diretrizes do plano diretor municipal relacionadas a essa atividade. Por fim, com base em entrevistas a técnicos da região e visita a campo, avalia o nível de implementação das ações propostas pelo referido plano. Conclui mostrando que o plano diretor e suas diretrizes não são aplicados de forma que modifiquem a realidade dos pescadores da região.

Palavras-chave: população, pesca, subsistência, Bragança, plano diretor, Pará. ABSTRACT

The paper investigates whether the guidelines set out in the master plan of Bragança have been accomplished already. For this, it addresses bragantina municipal socio-economy with emphasis on its fishing activity, highlighting its importance for the formation of the population and their work activities. After it focuses on the guidelines of the municipal director plan related to this activity. Finally, based on interviews with technicians of the region and field visit, it assesses the level of implementation of the actions proposed by the plan. It concludes by

1 Doutora em Economia Aplicada pela Universidade Federal de Viçosa (UFV

2 Doutora em Desenvolvimento Urbano pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) 3 Mestrando em Desenvolvimento urbano e meio ambiente (UNAMA)

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showing how the master plan and its guidelines are not applied in a manner that might better change the reality of local fishermen.

Keywords: population, fishing, subsistence, Bragança, master plan.

O nordeste paraense apresenta densidades demográficas elevadas inseridas no conjunto da região amazônica. Seus limites de território são: ao norte pelo Oceano Atlântico, ao sul o vale do Rio Guamá, a leste o Rio Gurupi ( na fronteira com o estado do Maranhão) e a oeste a baía do Marajó. Suas características incluem as microrregiões do Salgado, Viseu e Bragança.

A cidade de Bragança é banhada pelo Rio Caeté, cujo estuário situa-se próximo da porção central do litoral do Salgado, na microrregião Bragantina, fazendo parte da planície costeira bragantina do estado do Pará. A península de Ajuruteua localiza-se a 36 Km da base do município de Bragança, conforme figura 1.

Figura 1 : Localização da praia de Ajuruteua

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A vila dos pescadores está localizada na praia de Ajuruteua, em uma área de manguezais e dunas, na margem esquerda do Rio Caeté. A vila tem como característica migrações de populações que vivem da pesca artesanal costeira. O acesso até esta vila pode ser por via marítima ou terrestre, sendo pela PA-458, dos quais 20 km estão situados dentro de um manguezal, fato este que ocasionou sérios problemas socioambientais na região do Salgado. (MANESCHY, 1995.)

Os habitantes da Vila estudada na Ilha de Ajuruteua, tradicionalmente, mantêm uma relação de proximidade com a natureza existente no local, da qual retiram suas bases de subsistência como a captura de camarão, caranguejos, e principalmente a exploração da pesca artesanal, prática exercida pela maioria que ali residem.

A pesca artesanal é a forma de extrativismo mais acentuada na região do Salgado Paraense e ocorre tanto no estuário do Rio Caeté como nas áreas costeiras próximas. Espírito Santo (2002) relatou que entre Junho de 2000 a Junho de 2001, ou seja, em um ano, foram coletadas 3522,4 toneladas de peixe na região Bragantina, sendo que a maioria foi coletada por barcos de pequeno porte com uso de redes (1196,3 ton.) seguida de pequenas embarcações e armadilhas fixas (748,2 ton.) A predominância de embarcações pequenas e não motorizadas entre os pescadores da região, indica a limitada capacidade de investimento na atividade pesqueira em Bragança, limitando a pesca nos limítrofes da bacia do Rio Caeté e em cabeceiras de rios próximos.

Segundo Maneschy (1995) a permanência dos pescadores da Vila nas atividades pesqueiras tradicionais, feitas em moldes artesanais, apresenta problemas de concorrência com a pesca industrial e as estrutura de comercialização dos peixes e mariscos que desfavorecem os pescadores. Neste contexto, entende-se que o turismo local funciona como atividade geradora de recursos alternativos à sobrevivência e não como atividade econômica principal geradora de renda.

Outro problema que ameaça as atividades da vila dos pescadores de Ajuruteua diz respeito à dificuldade da comunidade em continuar com a pesca na região bragantina, pois uma significativa parte dos pescadores beneficiados com programas de assistência

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social do governo federal “abandona” seu trabalho por acreditar que não há mais necessidade de se dedicarem a pesca artesanal, alegando que o grande esforço “físico” dedicado ao trabalho e o baixo retorno financeiro podem ser supridos pelo recebimento de bolsas do programa do governo, isso faz com que não preparam uma geração futura que possa garantir a pesca local na região.

Mudança do cenário natural da praia

Ao longo da evolução da humanidade, o homem sempre atuou como agente modificador de processos naturais, causando muitas vezes, impactos irreversíveis e com conseqüências elevadas em termos de escalas temporal e espacial.

Vários são os lugares críticos onde a atuação humana tem causado alterações neste nível, dentre eles as regiões costeiras do Brasil, as quais estão sujeitas a intensas pressões.

É o caso do estado do Pará, que, um estado com características peculiares, que se destaca por sua diversidade territorial, com um litoral que mistura águas dos rios amazônicos ao oceano atlântico. Fazendo parte da região amazônica, seu território é marcado pela grandiosidade de rios e vasto litoral, isso faz com que exista uma grande extensão de mangue e uma variedade de espécies de peixes na região.

Outros atrativos da região são os campos bragantinos e os igarapés da região, onde a natureza foi generosa, pois oferece atrativos importantes para os visitantes da região. A praia de Ajuruteua localiza-se na Península Bragantina a 36 km da cidade de Bragança-PA; seu território dispõe essencialmente de quatro ecossistemas: o mangue, a restinga, as dunas e a praia. Sendo este último ecossistema muito utilizado como um espaço de lazer pelos veranistas e de modo paradoxal utilizado pelos moradores locais como um

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espaço de trabalho para a obtenção dos recursos de subsistência e reprodução dos grupos sociais.

Com relação à sua realidade econômica, o município de Bragança, caracteriza-se pelo seu potencial na área pesqueira, como um dos municípios que mais exportam para outras regiões do Brasil seu pescado e derivados da pesca, como o caranguejo, sururu, camarão, ostras e ainda a grande variedade de frutas regionais, como é caso do Bacuri. Além disso, o município se destaca pelo seu grande potencial turístico, com visitas agendadas a praias em ilhas localizadas mais distantes da área do município, como a Ilha do Canela, com opção de visita a um dos maiores ninhais de guarás do mundo, habitada apenas temporariamente por pescadores locais.

O nordeste do estado do Pará, desde a década de 70, vem sofrendo alterações com o aumento da pressão demográfica e incremento da especulação imobiliária, estando em área litorânea de belezas exuberantes, caracterizadas por várias praias, manguezais, rios e floresta tropical. Este quadro de beleza, ligado a possibilidade de lazer, tem chamado a atenção da população local e turistas que buscam paz e tranqüilidade nas férias e nos finais de semana. Entretanto, muitas vezes, o avanço ao litoral tem ocorrido de forma desordenada, causando transformações ambientais sociais e culturais. Em algumas localidades, como a praia de Ajuruteua, atividades de subsistência tradicionais – como a pesca artesanal – vem sendo abandonadas em função de atividades intensas de turismo; a presença de banhistas na praia, a poluição, aliada ao avanço de construções na faixa de areia, fazem com que cada vez mais a atividade da pesca veja se tornar escasso seu principal produto, o pescado. Em função disso, a comunidade pesqueira local vê-se quase obrigada a abandonar sua atividade principal e acabam se “acomodando” com as ajudas de custo do governo federal, como bolsas e outros tipos de benefícios.

Quanto ao Mangue da praia de Ajuruteua, este perdeu uma parte significativa de sua vegetação natural nos últimos anos, pois, com a estrada que liga a cidade de Bragança a praia, muitos caranguejos morreram em sua travessia e o habitat dos crustáceos, ao

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ser modificado, gerou dificuldades para que o mesmo se readaptasse as novas condições do ambiente. Pesquisas foram realizadas e colocadas em prática em prol da recuperação do mangue: foi feita uma aliança entre pesquisadores da Universidade Federal do Pará e da Prefeitura do município de Bragança com o objetivo de restaurar a vegetação do mangue e garantir a subsistência de dezenas de famílias que sobrevivem da atividade de catadores de caranguejos. Tais ações, porém, somente terão efeito significativo nas próximas décadas, quando a natureza permitir a recuperação total do espaço do mangue. Segundo Campos (2010) o espaço do mangue não pode ser apreendido como um espaço estritamente da natureza. É uma via que consegue criar corredores de sociabilidades e de união, de onde inúmeras pessoas coletam a sua sobrevivência. Eles exploram comercialmente o caranguejo e desempenham um papel essencial na economia do lugarejo e na sede do município, Bragança. Em conformidade com isso, este aspecto da natureza é um território, uma zona de contato entre o humano e o meio ambiente.

Como na maioria dos espaços litorâneos, é notável o elevado potencial ecológico e ambiental presente no município de Bragança, resultante da interação de fatores naturais, que deu origem à bela praia de Ajuruteua, campo do meio, extensa área de campos de dunas e uma considerável área onde predominam ambientes de manguezais, que envolvem grande parte do sítio urbano deste município, a cidade de Bragança, no nordeste paraense.

Devido a existência de grandes atributos naturais, nota-se que a cidade de Bragança é um espaço envolvido por um conjunto de amenidades naturais que quando combinadas produzem nesta cidade uma paisagem costeira exuberante, atribuindo ao lugar um valor contido no espaço, o qual pode ser entendido como o “valor do espaço” (MORAES e COSTA, 1999).

Entretanto, a vida em Bragança nem sempre é tão aconchegante quanto aparenta, pois a poluição, o processo de perda de contato com homem e natureza e a criminalidade não retratam diretamente a melhoria que indivíduos esperavam ter vivendo em áreas

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costeiras, com uma paisagem exuberante e longe dos grandes centros urbanos. A cidade, ao se desenvolver, fica cada vez mais difícil para o poder público local promover transporte adequado, saneamento básico, infraestrutura, emprego e moradia para uma cidade e seus habitantes. Isso é fácil de ser entendido ao lembrarmos que o crescimento urbano foi e ainda é fortalecido pela globalização, fenômeno bastante conhecido por gerar desigualdades sociais.

As ações por parte do poder público podem ter sido negligenciadas nos últimos anos. Quando tratamos da região Bragantina, o que se percebe é uma ausência de organização, padronização e urbanização das construções as margens da praia. O avanço desordenado do homem na praia fez com as atividades mais tradicionais, como a pesca e a catação de caranguejos, tivessem mudança no ritmo da comunidade local.

Crescimento e desenvolvimento da região

O crescente desenvolvimento industrial e tecnológico das sociedades contemporâneas tem levado a extremos o processo de ocupação desordenada e uso inadequado do solo pelo homem, sobretudo nas zonas litorâneas. ( MACHADO, 1992)

Vinculado a isso, a exploração dos recursos naturais devido ao rápido crescimento populacional e desenvolvimento urbano, tornou-se mais intensa, colocando as regiões costeiras, principalmente dos países tropicais, entre as regiões mais ameaçadas nos últimos anos.

Dentre os ecossistemas que compõem o ambiente costeiro, as reservas extrativistas encontram-se na atualidade sujeitas às mais variadas formas de intervenção antrópica, desde a sua ocupação para fins residenciais ou turísticos ou ainda por meio de ações cujos efeitos tendem a se manifestar somente depois de determinado período de tempo, ocasionando alterações ao nível de sua estrutura física.

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Segundo Silva, Fernandes & Feitosa (2012) as reservas extrativistas são espaços territoriais destinados a exploração auto-sustentável e conservação dos recursos naturais renováveis por moradores das vilas e comunidades localizadas nesses espaços, e por usuários (pescadores, caranguejeiros, caçadores ou demais extrativistas) que trabalham nesta área. Portanto uma reserva extrativista marinha é um tipo de resex localizada em regiões costeiras ou de influencias de marés, normalmente em lugares que são berçários de espécies marinhas, como estuários de rios, praias e áreas de manguezais.

Nos espaços das reservas extrativistas vivem pessoas que dependem direta ou indiretamente da natureza para sua sobrevivência, atuando em atividades da pesca, agricultura, extrativismo vegetal e animal. Assim contribuem para o fortalecimento de outras áreas afins, como o artesanato e outros trabalhos de caráter manual, garantindo que as pessoas que vivem neste território possam manter uma historia familiar, por gerações e gerações. Trata-se de um desafio em permitir que esses espaços continuem naturalmente fazendo parte das suas vidas. Segundo o Instituto Chico Mendes, para fazer uso dos espaços de conservação somente é possível de forma sustentável, a atividade de trabalho se constitue em fontes alternativas de renda, trabalhadas dentro de preceitos sustentáveis e envolvendo a gestão participativa dessas pessoas.

A resex extrativista Caeté-Taperaçu está localizada no município de Bragança, na Amazônia Oriental, reconhecida pela sua diversidade na fauna e flora. Segundo o IBGE (2010) o município de Bragança possui uma população de 113.227 pessoas em uma área territorial de 2.091,930 km, em divisão territorial datada de 2005. O município é constituído por seis distritos : Bragança, Almoço, Caratateua, Nova Mocajuba, Tijoca e Vila do treme. Há uma grande e significativa extensão de litoral, com várias ilhas e praias, dentre elas um ponto turístico de destaque no estado do Pará, a praia de Ajuruteua.

Entretanto, com o “despertar” do turismo local juntamente com sua realização sem nenhum planejamento, e com a desordenada ocupação do litoral, as reservas

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extrativistas vêm sofrendo rápidas transformações, pois são extremamente sensíveis às modificações no ambiente, causando desequilíbrio tanto de fauna como de flora, e a vida tradicional das comunidades dependentes desse ecossistema.

A praia de Ajuruteua, no nordeste paraense, não possuía qualquer contato por vias terrestres com a cidade de Bragança há décadas atrás, mas com a construção da rodovia PA-458, que ligou a cidade à praia, mudou completamente o cenário local. A estrada possui trinta e seis quilômetros de extensão dos quais vinte quilômetros cruzam o manguezal. A construção da estrada melhorou o acesso de turistas a região da reserva, mas trouxe problemas ambientais gravíssimos, como a alteração da paisagem da praia, alterações na drenagem natural, desmatamento com a perda de boa parte do mangue para diversas práticas, a exemplo o plantio de arroz e a pecuária., todas essas ações sem quaisquer planejamento ou avaliação de impacto ambiental, em total desrespeito da legislação ambiental., demonstrando a “quase” ausência do cumprimento das leis ambientais na região.

O Estado como administrador deve ter a competência de intervir nas ações humanas de degradação dos recursos naturais, observando diretamente as intervenções do homem no meio ambiente e impedindo que se avancem essas ações utilizando leis que possam ser colocadas em prática por todo o território brasileiro. No estado do Pará existe certa dificuldade em efetivar essas leis em virtude das grandes dimensões do estado. No litoral paraense existem áreas em que o poder público não dá conta de proteger suas áreas de reserva natural, isso faz com que exista uma exploração desordenada dos recursos naturais.

Análise das diretrizes do plano diretor de Bragança em relação à realidade local.

Com relação à pesca na região, sabe-se também que muito do que se estabelece no plano diretor do município não é cumprido. Os pescadores artesanais enfrentam dificuldades pontuais para manter sua atividade de trabalho, visto que não recebem o apoio municipal da forma que deveriam.

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No que se diz a respeito às diretrizes do plano diretor de Bragança e para uma melhor visualização do contexto da realidade local, observe o quadro abaixo:

Diretrizes do Plano diretor Realidade local

1. Parceria com entidades para a implantação gradativa de novas tecnologias de pesca

Não há parcerias com instituições que envolvem a pesca e tecnologia.

2. Realizar diagnóstico da produção do mercado interno e externo

Não se identificou nenhum banco de dados com a produção do pescado.

3. Implantar no Município de Bragança a Casa do Pescador Familiar.

Não existe nenhum suporte do governo municipal ao pescador.

4. Preparar mão-de-obra qualificada para construção/ manutenção de barcos e motores

A manutenção de barcos e motores é feita pelos próprios pescadores.

5. Implantar câmaras frigoríficas em locais estratégicos de pesca fora da Sede do Município;

Há somente uma câmara frigorífica na região, de uma empresa privada, situada na orla de Bragança.

6. Capacitar o pescador na fabricação de apetrechos da pesca

Não existe nenhuma formação específica dedicada ao pescador.

7. Formar grupos familiares para implementação de piscicultura familiar: carcinicultura e ostreicultura

O grupo familiar existente deu-se de forma histórica e não com o apoio do governo municipal.

8. Viabilizar a instalação de entreposto pesqueiro municipal

Não há um entreposto que atenda aos pescadores de forma padronizada e com estrutura adequada.

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Percebe-se que a legislação do plano diretor municipal de Bragança ainda está aquém de realizar alguns dos princípios fundamentais para garantir a pesca artesanal no município, visto que não aplica suas próprias propostas para manter a pesca local. O pescador artesanal ainda enfrenta dificuldades de competição com as grandes empresas de pesca, pois não receberam o apoio devido por parte do poder público municipal, visto que não lhes são garantidas o suporte necessário para manter esse individuo no seu local de trabalho. Uma politica de investimento tecnológico, capacitação profissional e uma vigilância marítima eficaz fazem parte de uma tríade importante para manter uma pesca de qualidade, no entanto no município de Bragança ainda não consegue dar ao pescador artesanal esse suporte técnico que se torna fundamental para a pesca da região.

Considerações Finais

O município de Bragança, por estar localizado em uma região favorecida de belezas naturais, com recursos que podem promover uma economia local auto sustentável deve atentar para uma administração pública local com o poder de intervir nas ações humanas de degradação destes recursos. Entender que homem deve participar conjuntamente ao poder público em ações que associem leis na valorização da pesca artesanal, visto que é a principal atividade econômica da cidade de Bragança.

A omissão por parte do poder público local na atividade pesqueira, deve ser evitada, pois intervir nessas comunidades após os mais diversos impactos ambientais é cada vez mais difícil. O governo municipal deve se antecipar, pois medidas preventivas são bem mais eficientes e viáveis que as corretivas, sendo assim, somente garantindo a aplicação de forma prática das leis do plano diretor municipal é a forma mais eficaz de assegurar e resguardar a manutenção de riquezas naturais e a continuidade da pesca como atividade significativa para o desenvolvimento da região, visto que o meio ambiente é necessário para que o homem consolide uma vida com qualidade e pode ser um grande aliado econômico, se utilizado de forma sustentável. É assim que ele deve ser compreendido, não como uma barreira ao desenvolvimento econômico.

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Referências

CAMPOS. Ipojucan Dias. “André Tavares da Gama: história de vida de homem da natureza. In : História Agora: Revista História do tempo Presente. São Paulo, 2010. pp. 520- 540

CAMPOS. Ipojucan Dias. “História e natureza: memórias, sobrevivências, famílias e relações de poder no manguezal. (Bragança-PA, 1980 a 1990)”. Artigo aprovado na Revista Margens, Campus de Abaetetuba da Universidade Federal do Pará , UFPA, 2010.

IBGE. 2010. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, Censo, 2010.

LEI N.º 3.875, DE 10 DE OUTUBRO DE 2006. Plano Diretor Participativo do Município de Bragança.

MACHADO, A.L. “Análise da cobertura vegetal de um manguezal impactado por óleo”, Canal da Bertioga, Estado de São Paulo. Dissertação de Mestrado. FFLCH, Universidade de São Paulo, 154p, 1992.

MANESCHY, M.C. “Ajuruteua, uma comunidade pesqueira ameaçada.” 1ª edição, UFPA, 1995.

MORAES, A. C. R; COSTA, W. M. A valorização do Espaço. São Paulo: Hucitec, 1999. Santos, Milton. A Urbanização Brasileira (5ª Edição). São Paulo: Editora de São Paulo, 2009

SILVA, Ana Patrícia Reis. FERNANDES. Jose Guilherme dos Santos & FEITOSA. Robson de Sousa (ORGS.). A reserva extrativista marinha Caeté-Taperaçu/Bragança (PA). PPGLS, PROEX, UFPA, 2012.

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