DERROGAÇÃO DE SIGILO BANCÁRIO
Jesuíno Alcântara Martins
[email protected]
Delegação de Viana do Castelo Direcção de Finanças de Viana do Castelo 04.06.2015CONFERÊNCIA
Atribuições da AT
No conjunto das actividades desenvolvida pela AT para
prossecução das suas atribuições assume especial relevância a
função inspectiva.
A função inspectiva visa:
• a observação das realidades tributárias
• a verificação das obrigações tributárias
• a prevenção das infracções tributárias
Segredo bancário na doutrina
No que é que consiste o segredo bancário?
Derrogação do sigilo bancário 3 Jesuíno Alcântara Martins
“
É a obrigação que têm os bancos de não revelar, salvo justa causa,
as informações que venham a obter, em virtude da sua actividade
profissional”.
“É a obrigação de descrição imposta aos bancos e aos seus
funcionários, em todos os negócios dos seus clientes, abrangendo
o presente e o passado, os credores, a abertura e o fechamento
das contas e a sua movimentação”.
×
Segredo bancário na jurisprudência
Vejamos agora algumas asserções retiradas da jurisprudência.
No acórdão do Tribunal Central Administrativo Sul, processo n.º
02274/08, datado de 13.03.2014, é referido que o
sigilo bancário visa
três finalidades
:
• proteger a actividade bancária
• salvaguardar a integridade dos dados pessoais daqueles que se
relacionam com o sistema bancário
• preservar o interesse público num sistema bancário robusto, idóneo e
confiável.
Acesso a Informação Bancária
Importa referir que em matéria de segredo bancário, antes da entrada em vigor da Lei n.º 2/78, de 9 de Janeiro, o tema não se encontrava sistematicamente regulado, apenas existiam diversas normas jurídicas dispersas por vários diplomas legais. Foi com a Lei n.º 2/78, a primeira vez que o legislador regulamentou de forma unitária e sistemática a matéria relativa ao segredo bancário.
A Lei n.º 2/78 foi revogada pelo Decreto-Lei n.º 298/92, de 31 de Dezembro, que aprovou o Regime Geral das Instituições de Créditos e da Sociedade Financeiras, o qual já foi objecto de inúmeras alterações, a última das quais através do Decreto-Lei n.º 157/20134, de 24 de Outubro.
O segredo bancário e o dever de segredo a que está adstrito o Banco de Portugal, bem com as respectivas excepções, estão regulamentadas neste regime jurídico (art.ºs 78.º a 84.º).
Derrogação do sigilo bancário 5 Jesuíno Alcântara Martins
Acesso à informação bancária
Antes da entrada em vigor da Lei Geral Tributária – 1.01.1999 – o cesso à
informação bancária dependia de decisão do juiz do tribunal judicial, proferida
em face de pedido fundado do inspector tributário titular do procedimento de
inspecção para o qual a informação bancária se mostrasse necessária – art.º 34.º
do Decreto-Lei n.º 363/78, de 28 de Fevereiro.
Após a entrada em vigor da LGT o acesso à informação bancária continuou a
depende de autorização judicial, nos termos da legislação aplicável - n.º 2 do
art.º 63.º da LGT.
Só com as alterações introduzidas na LGT pela Lei n.º 30-G/2000, 29 de
Dezembro, é que a Administração Tributária passou a ter acesso á informação
bancária através de acto administrativo.
Acesso à informação bancária
7Informação
Bancária
Antes da LGT Decisão Judicial Tribunal de Comarca Entrada em vigor da LGT O acesso à informação protegida pelo sigilo profissional, bancário ou qualquer outro dever de sigilo legalmente regulado depende de autorizaçãojudicial, nos termos da
legislação aplicável.
n.º 2 do art.º 63.º da LGT Legislativas Alterações
Lei n.º 30-G/2000, 29 de Dezembro Lei n.º 64-A/2008, 31 de Dezembro Lei n.º 94/2009, 1 de Setembro ACESSO DIRECTO DECISÃO ADMINISTRATIVA LGT
Jesuíno Alcântara Martins Derrogação do sigilo bancário
Acesso a Informação Bancária
Os normativos da LGT que regulam o acesso à informação bancária foram
ao longo dos anos objecto de sucessivas alterações, umas mais significativas
que outras.
Destas alterações resultou que foi sendo ampliado o número de situações
em que a AT pode ter acesso à informação bancária através de acto
administrativo.
Embora em 2010 se tenham registado umas alterações pontuais, podemos
dizer que o quadro legal que permite a derrogação do sigilo bancário se
encontra basicamente fixado desde que entrou em vigor a Lei n.º 94/2009,
1 de Setembro.
Acesso à informação bancária
9Segredo Bancário
Lei n.º 2/78, de 9 de JaneiroAdministração Fiscal
Decreto-Lei n.º 363/78, de 28 de Fevereiro Art.º 34.º Decreto-Lei n.º 398/98, de 17 de Dezembro LGT Lei n.º 30-G/2000, 29 de DezembroLei n.º 64-A/2008, 31 de Dezembro Lei n.º 94/2009, 1 de Setembro Lei n.º 55-B/2004, 30 de Dezembro
Lei n.º 37/2010, de 2 de Setembro Lei n.º 55-A/2010, de 31 de Dezembro Decreto-Lei n.º 298/92, de
31 de Dezembro
Evolução do Enquadramento Legal
Derrogação do sigilo bancário Jesuíno Alcântara Martins
Acesso à Informação Bancária
Em face do normativo do n.º 3 do art.º 63.º da LGT, o acesso à informação
protegida pelo sigilo bancário faz-se nos termos previstos nos artigos 63.º-A,
63.º-B e 63.º-C.
O acesso à informação protegida pelo segredo profissional ou qualquer
outro dever de sigilo legalmente regulado depende de autorização judicial,
nos termos da legislação aplicável - n.º 2 do Art.º 63.º da LGT.
Em caso de oposição legitima do contribuinte, a diligência só poderá ser
realizada mediante autorização concedida pelo tribunal da comarca
competente com base em pedido fundamentado da administração tributária
– n.º 6 do art.º 63.º da LGT.
Acesso à Informação Bancária
11Art.º 63.º-B
Art.º 63.º-A Art.º 63.º-C InformaçãoGeral Informação Directa
Informação Directa Informações relativas a operações financeiras Contas bancárias exclusivamente afectas à actividade empresarial Acesso a informações e documentos bancários
Jesuíno Alcântara Martins Derrogação do sigilo bancário
Acesso à Informação Bancária
Por força do disposto no n.º 2 do art.º 63.º-A da LGT, as instituições de
crédito e sociedades financeiras estão obrigadas a comunicar à AT -
Autoridade Tributária e Aduaneira até ao final do mês de Julho de cada ano,
através de declaração de modelo oficial, aprovada por portaria do Ministro
das Finanças:
as transferências financeiras que tenham como destinatário entidade
localizada em país, território ou região com regime de tributação
privilegiada mais favorável que não sejam relativas a pagamentos de
rendimentos sujeitos a algum dos regimes de comunicação para efeitos
fiscais já previstos na lei ou operações efectuadas por pessoas
colectivas de direito público.
Acesso à Informação Bancária
Por força do disposto no n.º 3 do Art.º 63.º-A da LGT, as instituições
de crédito e sociedades financeiras têm a obrigação de fornecer à
administração tributária, até ao final do mês de Julho de cada ano,
através de declaração de modelo oficial,
aprovada por portaria do Ministro das Finanças e ouvido o Banco de
Portugal:
o valor dos fluxos de pagamentos com cartões de crédito e de
débito, efectuados por seu intermédio, a sujeitos passivos que
aufiram rendimentos da categoria B de IRS e de IRC, sem por
qualquer forma identificar os titulares dos referidos cartões.
Derrogação do sigilo bancário 13 Jesuíno Alcântara Martins
MODELO 40
Acesso à Informação Bancária
Por força do disposto no n.º 4 do art.º 63.º-A da LGT, as instituições
de crédito e sociedades financeiras têm ainda a obrigação de
fornecer, a qualquer momento, a pedido do Director-geral da
Autoridade Tributária e Aduaneira ou do seu substituto legal,
as informações respeitantes aos fluxos de pagamentos com
cartões de crédito e de débito, efectuados por seu intermédio
aos sujeitos passivos que aufiram rendimentos da categoria B de
IRS e de IRC que sejam identificados no referido pedido de
informação, sem por qualquer forma identificar os titulares dos
referidos cartões.
Acesso à Informação Bancária
Derrogação do sigilo bancário 15
PRESSUPOSTOS
LEGAIS
Jesuíno Alcântara Martins
Pressupostos legais – Sujeito passivo
Nos termos do n.º 1 do art.º 63.º-B da LGT, a Administração Tributária tem o poder de aceder a todas as informações ou documentos bancários sem dependência do consentimento do titular dos elementos protegidos:
• Quando existam indícios da prática de crime em matéria tributária;
• Quando se verifiquem indícios da falta de veracidade do declarado ou esteja em falta declaração legalmente exigível;
• Quando se verifiquem indícios da existência de acréscimos de património não justificados, nos termos da alínea f) do n.º 1 do artigo 87.º;
• Quando se trate da verificação de conformidade de documentos de suporte de registos contabilísticos dos sujeitos passivos de IRS e IRC que se encontrem sujeitos a contabilidade organizada ou dos sujeitos passivos de IVA que tenham optado pelo regime de IVA de caixa;
Pressupostos legais – Sujeito passivo
Nos termos do n.º 1 do art.º 63.º-B da LGT, a Administração Tributária tem o poder de aceder a todas as informações ou documentos bancários sem dependência do consentimento do titular dos elementos protegidos:
• Quando exista a necessidade de controlar os pressupostos de regimes fiscais privilegiados de que o contribuinte usufrua;
• Quando se verifique a impossibilidade de comprovação e quantificação directa e exacta da matéria tributável, nos termos do artigo 88.º, e, em geral, quando estejam verificados os pressupostos para o recurso a uma avaliação indirecta.
• Quando se verifique a existência comprovada de dívidas à administração fiscal ou à segurança social.
• Quando se trate de informações solicitadas nos termos de acordos ou convenções internacionais em matéria fiscal a que o Estado português esteja vinculado.
Derrogação do sigilo bancário 17 Jesuíno Alcântara Martins
Pressupostos legais – Familiar ou terceiro
Em face do disposto no n.º 2 do art.º 63.º-B da LGT, a
Administração Tributária pode, ainda, aceder directamente
aos documentos bancários, nas situações
• de recusa da sua exibição ou
• de autorização para a sua consulta
quando se trate de
familiares ou terceiros
que se encontrem
Pressupostos legais – Entidade em relação de domínio
Em relação às entidades que se encontrem numa relação de domínio com o
contribuinte, conforme previsto no n.º 7 do art.º 63.º-B da LGT, ficam
sujeitas aos regimes de acesso à informação bancária referidos nos n.ºs 1 e
2 do art.º 63.º-B da LGT.
Derrogação do sigilo bancário 19 Jesuíno Alcântara Martins
Art.º 486.º - Código das Sociedades Comerciais Sociedades em relação de domínio
1. Considera-se que duas sociedades estão em relação de domínio quando uma delas, dita dominante, pode exercer, directamente ou por sociedades ou pessoas que preencham os requisitos indicados no artigo 483.º, n.º 2, sobre a outra, dita dependente, uma influência dominante.
(…)
Acesso a Informação Bancária
Em resultado da utilização da autorização legislativa concedida ao Governo através da Lei n.º 46/2014, de 28 de Julho, foi publicado o Decreto-Lei n.º 157/2014, de 24 de Outubro, através do qual foi aditado ao RGICSF o artigo 81.º-A a estabelecer o seguinte:
“Artigo 81.º -A Base de dados de contas
1. O Banco de Portugal organiza e gere uma base de dados relativa a contas de depósito, de pagamentos, de crédito e de instrumentos financeiros, denominada base de dados de contas
domiciliadas no território nacional em instituições de crédito, sociedades financeiras ou instituições de pagamento, adiante designadas entidades participantes.
2. A base de dados de contas contém os seguintes elementos de informação:
a) Identificação da conta e da entidade participante onde esta se encontra domiciliada; b) Identificação dos respectivos titulares e das pessoas autorizadas a movimentá-las, incluindo
procuradores, mandatários ou outros representantes; c) Data de abertura e de encerramento da conta.
Acesso a Informação Bancária
“Artigo 81.º -A Base de dados de contas
3. As entidades participantes enviam ao Banco de Portugal a informação referida no número anterior com a periodicidade definida em regulamentação do Banco de Portugal.
4. A informação contida na base de dados de contas pode ser comunicada a qualquer
autoridade judiciária no âmbito de um processo penal, bem como ao Procurador -Geral da República, ou a quem exerça as respectivas competências por delegação, e à Unidade de Informação Financeira, no âmbito das atribuições que lhes estão cometidas pela Lei n.º 25/2008, de 5 de Junho, alterada pelo Decreto -Lei n.º 317/2009, de 30 de Outubro, pela Lei n.º 46/2011, de 24 de Junho, e pelos Decretos-Leis n.ºs 242/2012, de 7 de Novembro, e 18/2013, de 6 de Fevereiro.
5. A informação da base de dados de contas respeitante à identificação das entidades participantes em que as contas estão domiciliadas pode ser igualmente transmitida, preferencialmente por via electrónica:
Derrogação do sigilo bancário 21 Jesuíno Alcântara Martins
Acesso a Informação Bancária
“Artigo 81.º -A Base de dados de contas
a) À Autoridade Tributária e Aduaneira, no âmbito das respectivas atribuições relativas a cobrança de dívidas e ainda nas situações em que a mesma
determine, nos termos legais, a derrogação do sigilo bancário;
b) Ao Instituto da Gestão Financeira da Segurança Social, I. P., no âmbito das respectivas atribuições relativas a cobrança de dívidas e concessão de apoios socioeconómicos;
c) Aos agentes de execução, nos termos legalmente previstos, bem como, no âmbito de processos executivos para pagamento de quantia certa, aos funcionários judiciais, quando nestes processos exerçam funções equiparáveis às dos agentes de execução.
Acesso a Informação Bancária
“Artigo 81.º -A Base de dados de contas
9. O Banco de Portugal pode aceder a informação constante da base de dados de identificação fiscal, gerida pela Autoridade Tributária e Aduaneira, para
verificação da exactidão do nome e número de identificação fiscal dos titulares e pessoas autorizadas a movimentar contas transmitidos pelas entidades participantes, nos termos de protocolo a celebrar entre o Banco de Portugal e a Autoridade Tributária e Aduaneira.
10. O Banco de Portugal regulamenta os aspectos necessários à execução do disposto no presente artigo, designadamente no que respeita ao acesso reservado à informação centralizada e aos deveres de reporte das entidades participantes.
Derrogação do sigilo bancário 23 Jesuíno Alcântara Martins
Acesso a Informação Bancária
Acesso a Informação Bancária
Levantamento do sigilo bancário
• O regime de derrogação do sigilo bancário consta dos artigos 63.º
a 63.º-B da LGT, e ao longo dos anos tem vindo a ser alvo de
sucessivas alterações.
• Durante os anos de
2010 a 2011
foram instaurados
1.267
procedimentos que culminaram em
313 decisões
de
levantamento do sigilo e
1.017
processos com autorização
voluntária do sujeito passivo.
[Fonte Relatório de Combate à Fraude e Evasão Fiscais e Aduaneiras - 2012]
Derrogação do sigilo bancário 25 Jesuíno Alcântara Martins
Acesso a Informação Bancária
Levantamento do sigilo bancário
• Em 2012, foram instaurados
331
procedimentos
administrativos de
derrogação do sigilo bancário
,
tendo sido concluídas
81 decisões
de levantamento
de sigilo e
249
processos por autorização
voluntária ou notificação do projecto de
levantamento do sigilo bancário.
Acesso a Informação Bancária
Levantamento do sigilo bancário
• O regime de derrogação do sigilo bancário consta dos artigos 63.º e 63.º-B da LGT, e ao longo dos anos tem vindo a ser alvo de sucessivas alterações. Durante os anos de 2011 a 2013 foram instaurados 1.375 procedimentos que
culminaram em 301 decisões de levantamento do sigilo e 1.110 processos com autorização voluntária do sujeito passivo.
• Em 2013, foram instaurados 414 procedimentos administrativos de derrogação do sigilo bancário, tendo sido concluídas 115 decisões de levantamento de sigilo e 315 processos por autorização voluntária ou
• notificação do projecto de levantamento do sigilo bancário, conforme o seguinte gráfico.
[Fonte Relatório de Combate à Fraude e Evasão Fiscais e Aduaneiras - 2013]
Derrogação do sigilo bancário 27 Jesuíno Alcântara Martins
Acesso a Informação Bancária
O acórdão do Tribunal Central Administrativo do Norte, processo n.º 00380/12.5BEBRG, datado de 27.09.2012, estabelece que
O levantamento do sigilo bancário nunca pode ser um fim em si mesmo, só podendo ocorrer no quadro de uma acção de fiscalização tributária, sendo, por isso, delimitada pelo objecto e pelo âmbito temporal dessa acção inspectiva – Art.º 63.º da LGT.
Da necessidade de subordinar o levantamento do sigilo bancário a critérios de proporcionalidade decorre que o levantamento do sigilo bancário só constituirá um instrumento lícito do apuramento da situação tributária do sujeito passivo quando, em concreto, se revelar necessário (no sentido de que não existe outra forma de suplantar a falta de colaboração do contribuinte); adequado (no sentido de que a informação em falta pode ser obtida com recurso a essa informação bancária), e proporcionada em sentido estrito (no sentido de que só pode ser pretendido o levantamento do sigilo bancário quanto aos elementos e aos períodos relativamente aos quais foi verificada a falta de colaboração.
Acesso a Informação Bancária
Nos acórdãos do TCA Norte, processo n.º 00493/13.6BEVIS, de 27.03.2014,
e TCA Sul, processo n.º 07945/14, datado de 16.10.2014 foi firmada
jurisprudência no sentido de que
A derrogação do sigilo bancário no quadro do art.º 63.º-B da Lei Geral
Tributária, implica que esteja:
A decorrer uma acção de fiscalização tributária
Que nessa acção de fiscalização tributária se recolham indícios de
incumprimento dos deveres de colaboração do sujeito passivo
A derrogação do sigilo bancário seja necessária, adequada e
proporcionada ao apuramento da situação tributária visado na
inspecção.
Derrogação do sigilo bancário 29 Jesuíno Alcântara Martins
Início Nota de diligência Actos de inspecção Projecto de relatório Direito de audição Relatório Final Conclusão do Procedimento com a notificação do Relatório Final DC- Único Liquidação Notificação P. Pag. Voluntário Cobrança Coerciva PEF
Marcha do Procedimento de Inspecção tributária
As fases do Procedimento de IT
Através deste esquema podemos observar as diversas fases do procedimento de inspecção tributária, desde o seu planeamento até à notificação do relatório final e subsequente procedimento de liquidação.
Planeamento
Carta-aviso
Acesso a Informação Bancária
Acesso a Informação Bancária
Em face das normas das alíneas a) do n.º 5 do art.º 36.º do RCPITA, em caso
de interposição de recurso contra a decisão de derrogação de sigilo
bancário do familiar do sujeito passivo alvo do procedimento de inspecção
ou de terceiro, o prazo do procedimento suspende-se até ao trânsito em
julgado.
Derrogação do sigilo bancário 31 Jesuíno Alcântara Martins
6 meses Início
Ordem Serviço
Procedimento de inspecção tributária
Derrogação sigilo bancário Notificação do Despacho do Director-Geral 10 dias Interposição de recurso com efeito suspensivo
Suspensão do prazo do procedimento de inspecção tributária
A suspensão verifica-se até ao trânsito em julgado do recurso judicial – Art.º 146.º B do CPPT O procedimento pode ser prorrogado, mas, nesse caso, ocorre o efeito previsto na parte final do n.º 1 do art.º 46.º da LGT O procedimento tem de ser concluído no tempo que faltar para o termo dos 6 meses à data da interposição do recurso judicial
Acesso a Informação Bancária
Artigo 36.º do RCPIT
Início e prazo do procedimento de inspecção
5. Independentemente do disposto nos números anteriores, o prazo para conclusão do procedimento de inspecção suspende-se quando:
a) Em processo especial de derrogação do segredo bancário, o familiar do contribuinte ou terceiro interponha recurso com efeito suspensivo da decisão da administração tributária que determine o acesso à informação bancária, mantendo-se a suspensão até ao trânsito em julgado da decisão em tribunal;
b) Em caso de oposição às diligências de inspecção pelo sujeito passivo com fundamento em segredo
profissional ou qualquer outro dever de sigilo legalmente regulado, seja solicitada autorização judicial
ao tribunal da comarca competente, mantendo-se a suspensão até ao trânsito em julgado da decisão; c) Seja instaurado processo de inquérito criminal sem que seja feita a liquidação dos impostos em dívida,
Acesso a Informação Bancária
Nos termos do n.º 4 do art.º 63.º-B da LGT, as decisões da
administração tributária devem ser fundamentadas com
expressa
menção dos motivos concretos
que as justificam.
As decisões do DG da AT devem ser notificadas aos interessados no
prazo de 30 dias após a sua emissão.
A competência para derrogar o sigilo bancário, nos termos dos Art.º
63.º-B da LGT é do Director-Geral da AT (Autoridade Tributária e
Aduaneira) e dos seus substitutos legais, sem possibilidade de
delegação.
Derrogação do sigilo bancário 33 Jesuíno Alcântara Martins
Acesso a Informação Bancária
Importa ter presente que em caso de derrogação do sigilo bancário ao
sujeito passivo, nos termos do n.º 1 do art.º 63.º-B da LGT, este pode
interpor recurso judicial da decisão do Director-Geral da AT.
É verdade, que nos termos do n.º 5 do art.º 63.º-B da LGT, este recurso só
tem
efeito devolutivo
, o que permite pedir de imediato a informação
bancários às instituições de créditos e sociedades financeiras.
Porém, uma vez que em caso de deferimento do recurso a informação não
pode ser utilizada em sentido desfavorável ao contribuinte, o procedimento
de inspecção tributária não deve ser concluído enquanto não transitar em
Acesso a Informação Bancária
Com efeito, o n.º 6 do art.º 63.º-B da LGT dispõe que:
“Nos casos de
deferimento do recurso judicial
,
os elementos de prova entretanto obtidos não
podem ser utilizados para qualquer efeito em
desfavor do contribuinte”.
Importa, então, analisar o efeitos desta situação
sobre o prazo de caducidade.
Derrogação do sigilo bancário 35 Jesuíno Alcântara Martins
Efeitos do recurso judicial
DECISÃO
RECURSO
JUDICIAL
EFEITO
SUSPENSIVO
EFEITO
DEVOLUTIVO
Os actos praticados ao abrigo da competência definida no n.º 1 do Art.º 63.º-B da LGT Os actos praticados ao abrigo da competência definida no n.º 2 do Art.º 63.º-B da LGT Sujeito Passivo Familiar Terceiro Direito de AudiçãoAcesso a Informação Bancária
Derrogação do sigilo bancário 37 Jesuíno Alcântara Martins
PROCEDIMENTOS
Identificação da situação Pressupostos Recolha de elementos de informação Para preparar a fundamentação Consentimento do interessado Familiares Terceiros Dever de Colaboração Necessidade da medida Princípio da Proporcionalidade Decisão Menção expressa dos motivos concretos que a justificam Sujeito passivo Familiar ou Terceiro Sujeito passivo Sem dependência de consentimento Proposta de DecisãoPROCEDIMENTOS
39 Decisão Menção expressa dos motivos concretos que a justificam Competência do Director-Geral da AT NOTIFICAÇÃO do CONTRIBUINTE Carta Registada com aviso de recepção 30 Dias Cópia da decisão Recurso jurisdicional Sentença Recurso Judicial Notificação imediata da Instituição de crédito Trânsito em julgado Carta Registada com aviso de recepção DEFERIMENTO Os elementos de prova obtidos
não podem ser utilizados para qualquer efeito em prejuízo do
contribuinte
PROCEDIMENTOS – Sujeito passivo
Jesuíno Alcântara Martins Derrogação do sigilo bancário
Proposta de Decisão Menção expressa dos motivos concretos que a justificam Competência do Director-Geral da AT NOTIFICAÇÃO • Terceiro • Familiar Carta Registada Prazo 15 dias Não exercício Exercício do Direito de audição Apreciação do Direito de Audição Recurso judicial
Tribunal Administrativo e Fiscal
Recurso Jurisdicional Notificação da Instituição de crédito Director-Geral da AT Decisão Sentença Trânsito em julgado n.ºs 2, 5 e 6 do Art.º 63.º-B da LGT
PROCEDIMENTOS: Familiar / Terceiro
DECISÃO
Notificação ao contribuinte
Acesso a Informação Bancária
Nos termos do n.º 7 do art.º 63.º da LGT, a notificação das instituições de crédito, sociedades financeiras e demais entidades, para efeitos de permitirem o acesso a elementos cobertos pelo sigilo a que estejam vinculados, em caso de derrogação, deve ser instruída com os seguintes elementos:
Em caso de acesso directo, cópia da decisão fundamentada proferida pelo director-geral da AT, nos termos do n.º 4 do art.º 63.º-B da LGT.
Em caso de acesso directo com audição prévia obrigatória do sujeito passivo ou de familiares ou terceiros que se encontrem numa relação especial com o contribuinte, prevista no n.º 5 do art.º 63.º-B da LGT, cópia da decisão fundamentada proferida pelo director-geral da AT e, ainda, cópia da notificação para efeito de exercício do direito de audição prévia. Deve ser enviada ainda cópia do trânsito em julgado do recurso judicial.
Derrogação do sigilo bancário 41 Jesuíno Alcântara Martins
Acesso a Informação Bancária
As instituições de crédito, sociedades financeiras e demais
entidades devem cumprir as obrigações relativas ao acesso a
elementos cobertos pelo sigilo a que estejam vinculadas no
prazo de
10 dias úteis
.
O que significa que os elementos bancário devem ser enviados
à AT no prazo de 10 dias úteis a contar da data da notificação.
A notificação das instituições de crédito e sociedades
financeiras deve ser feita através de carta registada com aviso
Processo especial de derrogação do dever de sigilo bancário
O processo especial de derrogação do dever de
sigilo bancário
aplica-se às situações legalmente previstas de acesso da
administração tributária à informação bancária para fins
fiscais.
O processo especial de derrogação do dever de sigilo bancário
está previsto no art.º 146.º-A do CPPT e reveste a seguinte
forma:
Recurso interposto pelo contribuinte
Derrogação do sigilo bancário 43 Jesuíno Alcântara Martins
Processo especial de derrogação do dever de sigilo bancário
O contribuinte que pretenda recorrer da decisão da administração
tributária que determina o
acesso directo
à informação bancária pode, nos
termos do art.º 146.º-B do CPPT, interpor recurso judicial através de
requerimento
apresentado no tribunal tributário de 1.ª instância da área
do seu domicílio fiscal, no qual deve justificar sumariamente as razões da
sua discordância.
A petição deve ser apresentada no
prazo de 10 dias
a contar da data em
que o contribuinte foi notificado da decisão, independentemente da lei
atribuir à mesma
efeito suspensivo ou devolutivo
.
Processo especial de derrogação do dever de sigilo bancário
No acórdão do Supremo Tribunal Administrativo , processo n.º 0525/07,
datado de 12.07.2007, foi firmada jurisprudência no sentido de que
A petição de recurso do acto administrativo que determina o acesso
directo da Administração às contas bancárias de que é titular o
interessado
deve ser apresentada no tribunal competente
.
É extemporânea a petição de recurso que, entregue nos serviços
locais da administração, foi por eles remetida ao Tribunal, aonde deu
entrada depois de esgotado o respectivo prazo de interposição.
Derrogação do sigilo bancário 45 Jesuíno Alcântara Martins
Processo especial de derrogação do dever de sigilo bancário
O processo relativo ao
recurso interposto pelo contribuinte
é tramitado como
processo urgente
.
Nesta conformidade, a decisão judicial deve ser proferida
no prazo de
90 dias
a contar da data de apresentação do
requerimento inicial, conforme estabelece no n.º 2 do
art.º 146.º-D do CPPT.
REQUERIMENTO
JUIZ DO TRIBUNAL TRIBUTÁRIO
da área domicílio/sede
PRAZO
10 DIAS
DECISÃO DE DERROGAÇÃO SIGILO BANCÁRIO
Art.º 63.º-B da LGT
Sujeito passivo da Relação Jurídica Tributária
NOTIFICAÇÃO Apresentar as razões da discordância Não obedece a forma solene e não carece da constituição da mandatário judicial
Tramita como processo urgente Decisão em 90 DIAS
RECURSO JUDICIAL
SEM EFEITO SUSPENSIVO
47 Jesuíno Alcântara Martins Derrogação do sigilo bancário
Processo especial de derrogação do dever de sigilo bancário
REQUERIMENTO
JUIZ DO TRIBUNAL TRIBUTÁRIO
da área domicílio/sede
PRAZO
10 DIAS
DECISÃO DE DERROGAÇÃO SIGILO BANCÁRIO
Art.º 63.º-B da LGT
TERCEIRO ou FAMILIAR do Sujeito passivo da Relação Jurídica Tributária
NOTIFICAÇÃO Apresentar as razões da discordância Não obedece a forma solene e não carece da constituição da mandatário judicial
Tramita como processo urgente
Decisão em 90 DIAS RECURSO JUDICIAL
TEM EFEITO SUSPENSIVO