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TRABALHOS TÉCNICOS Divisão Jurídica

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SELO DE CONTROLE FISCAL DE BEBIDAS ALCOÓLICAS – AS ALTERAÇÕES PREVISTAS NA INSTRUÇÃO NORMATIVA (IN) DA RECEITA FEDERAL DO

BRASIL (RFB) Nº 1.128, DE 2011 Letícia Mariz de Oliveira

Advogada

Respaldado no inciso III do artigo 261 do antigo Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal (SRF), aprovado pela Portaria do Ministério da Fazenda (MF) nº 125, de 4 de março de 2009 e normas subsequentes, o Secretário da Receita Federal do Brasil resolveu expedir a Instrução Normativa RFB nº 1.128, de 7 de fevereiro de 2011, publicada no Diário Oficial da União (DOU) do dia seguinte.

A IN RFB nº 1.128/2011, que se trata de uma norma complementar de natureza tributária, ex vi do disposto no artigo 96 c/c inciso I do artigo 100 do Código Tributário Nacional (CTN), altera a Instrução Normativa SRF nº 504, de 3 de fevereiro de 2005, que dispõe sobre o registro especial a que estão sujeitos os produtores, engarrafadores, as cooperativas de produtores, os estabelecimentos comerciais atacadistas e importadores de bebidas alcoólicas e sobre o selo de controle a que estão sujeitos tais produtos.

Estabelece o artigo 1º da IN RFB nº 1.128/2011 que:

“Art. 1º - O art. 30 da Instrução Normativa SRF nº 504, de 3 de fevereiro de 2005, passa a vigorar com a seguinte redação:

Art. 30... § 2º A aplicação do selo de controle nas bebidas importadas ou adquiridas em licitação poderá ser feita no estabelecimento do importador ou licitante ou, ainda, em local por eles indicado.

§ 3º Quando da requisição dos selos de controle, o importador ou licitante deverá informar à unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) responsável pelo despacho o local onde será feita a selagem dos produtos.

§ 4º O titular da unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) onde ocorrer o desembaraço dos produtos sem aposição dos selos deverá comunicar o fato ao titular da unidade da RFB que jurisdiciona o local indicado para a selagem dos produtos.

§ 5º O prazo para a selagem nos termos deste artigo será de 15 (quinze) dias contados da saída dos produtos da unidade da RFB que os desembaraçou.

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§ 6º O titular da unidade da RFB responsável pelo despacho poderá determinar, excepcionalmente, que a selagem dos produtos ocorra obrigatoriamente na repartição fiscal.” (in verbis)

Para melhor compreensão da IN RFB nº 1.128/2011, trazemos à colação o texto do artigo 1º da IN RFB nº 504/2005 alterada:

“Art. 1º - Esta Instrução Normativa disciplina o registro especial a que estão obrigados os produtores, engarrafadores, cooperativas de produtores, estabelecimentos comerciais atacadistas e importadores de bebidas alcoólicas relacionadas no Anexo I, identificadas de acordo com os códigos da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI), aprovada pelo Decreto nº 4.542, de 26 de dezembro de 2002, bem assim os procedimentos de fornecimento e utilização do selo de controle a que estão sujeitos esses produtos.” (in verbis)

O Decreto nº 4.542/2002 foi revogado pelo Decreto nº 6.006, de 28 de dezembro de 2006, que sofreu várias alterações.

Atualmente, encontram-se relacionadas no citado Anexo I, consoante o artigo 3º da IN RFB nº 1.065/2010, as seguintes bebidas alcoólicas, dentre outras: vinhos espumantes e espumosos, vinhos de madeira, do porto e de xerez, vermutes, conhaques, uísques, cachaças, vodcas, licores e aguardentes.

A aplicação de selo especial, com a finalidade de promover o controle quantitativo de produtos sujeitos ao atual Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) (artigo 46 a 51 do CTN) foi criada por força do artigo 46 do Capítulo I (Da Rotulagem, Marcação e Controle dos Produtos) do Título I (Das Obrigações Acessórias) da Lei nº 4.502/1964, nos seguintes termos:

“Art. 46 - O regulamento poderá determinar, ou autorizar que o Ministério da Fazenda, pelo seu órgão competente, determine a rotulagem, marcação ou numeração, pelos importadores, arrematantes, comerciantes ou repartições fazendárias, de produtos estrangeiros cujo controle entenda necessário, bem como prescrever, para estabelecimentos produtores e comerciantes de determinados produtos nacionais, sistema diferente de rotulagem, etiquetagem, obrigatoriedade de numeração ou aplicação de selo especial que possibilite o seu controle quantitativo.

§ 1º O selo especial de que trata este artigo será de emissão oficial e sua distribuição aos contribuintes será feita gratuitamente, mediante as cautelas e formalidades que o regulamento estabelecer.

§ 2º A falta de rotulagem ou marcação do produto ou de aplicação do selo especial, ou o uso de selo impróprio ou aplicado em desacordo com as normas regulamentares,

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importará em considerar o produto respectivo como não identificado com o descrito nos documentos fiscais. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)

§ 3º O regulamento disporá sobre o controle dos selos especiais fornecidos ao contribuinte e por ele utilizados, caracterizando-se, nas quantidades correspondentes: (Incluído pelo Decreto-Lei nº 34, de 1966)

a) como saída de produtos sem a emissão de nota-fiscal, a falta que for apurada no estoque de selos; (Incluído pelo Decreto-Lei nº 34, de 1966)

b) como saída de produtos sem a aplicação do selo, o excesso verificado. (Incluído pelo Decreto-Lei nº 34, de 1966)

§ 4º Em qualquer das hipóteses das alíneas a e b, do parágrafo anterior, além da multa cabível, será exigido o respectivo imposto, que, no caso de produtos de diferentes preços, será calculado com base no de preço mais elevado da linha de produção, desde que não seja possível identificar-se o produto e o respectivo preço a que corresponder o selo em excesso ou falta. (Incluído pelo Decreto-Lei nº 34, de 1966)”(in verbis) A IN RFB nº 1.128/2011, em seu preâmbulo, faz alusão ao referido dispositivo legal e também aos artigos 284 e 305 do Decreto nº 7.212, de 15 de junho de 2010, que “Regulamenta a cobrança, fiscalização, arrecadação e administração do Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI”, também conhecido como Regulamento do IPI (RIPI), transcritos:

“Art. 284 - Estão sujeitos ao selo de controle previsto no art. 46 da Lei nº 4.502, de 1964, segundo as normas constantes deste Regulamento e de atos complementares, os produtos relacionados em ato do Secretário da Receita Federal, que poderá restringir a exigência a casos específicos, bem assim dispensar ou vedar o uso do selo (Lei nº 4.502, de 1964, art. 46).

...” (in verbis) “Art. 305 - A Secretaria da Receita Federal do Brasil expedirá normas com os termos e condições para que a aplicação do selo de controle nos produtos possa ser feita, mediante informação à repartição jurisdicionante, no estabelecimento do importador ou licitante ou em local por eles indicado. (Redação dada pelo Decreto nº 7.435, de 2011)

Parágrafo único. O prazo para a aplicação do selo será de quinze dias, contados da saída dos produtos da repartição que os desembaraçar ou licitar. (Redação dada pelo Decreto nº 7.435, de 2011)” (in verbis)

Assim, interpretando-se, de forma sistêmica, o citado artigo 46 juntamente com os artigos 284 a 322 do Capítulo III (Do Selo de Controle) do Título VIII (Das Obrigações Acessórias) do RIPI, não resta dúvida de que a aplicação do selo de controle nas bebidas alcoólicas importadas ou adquiridas em licitação, referida na IN RFB nº 1.128/2011, se trata de verdadeira obrigação tributária acessória. Esta “decorre da legislação tributária e tem por

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objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos”, ex vi do disposto no § 2º do artigo 113 do CTN, e tem como fato gerador “qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal.” Seu sujeito passivo “é a pessoa obrigada às prestações que constituam o seu objeto”, consoante esclarece o artigo 122 do CTN.

Como se pode depreender da análise do artigo 1º da IN RFB nº 1.128/2011, o importador e o adquirente dessas bebidas alcoólicas em licitação (sujeitos passivos da obrigação tributária acessória) não necessitam mais de autorização do titular da unidade da RFB encarregada do desembaraço aduaneiro (ato pelo qual é registrada a conclusão da conferência aduaneira e autoriza a entrega da mercadoria ao importador) ou da licitação (sob a modalidade de leilão, efetuado pela Administração Pública para a venda de produtos abandonados ou legalmente apreendidos a quem possa oferecer o maior lance, igual ou superior ao da avaliação), para poderem efetuar, no estabelecimento do importador ou licitante, conforme o caso, ou ainda em outro local por aqueles indicados, a aplicação do selo de controle exigido.

Todavia, quando da requisição dos selos de controle, cabe-lhes informar à unidade da RFB, responsável pelo despacho aduaneiro (procedimento mediante o qual é verificada a exatidão dos dados declarados pelo importador em relação às mercadorias importadas, aos documentos apresentados e à legislação específica, com vistas ao seu desembaraço aduaneiro), o local onde será efetuada a selagem com observância do disposto no artigo 18 c/c inciso II do artigo 30 da IN RFB nº 504/2005 no que tange às características, tipos e cores da estampilha.

Por conseguinte, se o importador ou adquirente dessas bebidas alcoólicas em licitação não optarem por efetuar a selagem das mesmas, antes de sua saída da unidade da RFB que as desembaraçar, o titular desta unidade comunicará tal fato ao titular da unidade da RFB que jurisdiciona o local indicado por aqueles para a aplicação do selo de controle fiscal.

As áreas de jurisdição das Unidades Descentralizadas da RFB estão definidas nos Anexos à Portaria RFB nº 10.166, de 11 de maio de 2007, e suas alterações.

Em consonância com o disposto no parágrafo único do artigo 305 do RIPI, a IN RFB nº 1.128/2011 fixou em quinze dias, a contar da saída dos produtos da unidade da RFB que os desembaraçar, o prazo para a sua selagem.

Note-se, entretanto, que o direito de escolha assegurado aos mencionados sujeitos passivos da obrigação tributária acessória, nos termos da nova redação dada ao § 2º do

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artigo 30 da IN RFB nº 504/2005, pela IN nº 1.128/2011, pode ser restringido, haja vista que, excepcionalmente, o titular da unidade da RFB, responsável pelo despacho aduaneiro, poderá determinar que a selagem desses produtos ocorra, obrigatoriamente, na repartição fiscal. Trata-se de poder discricionário da Administração Pública conferido ao referido agente público da RFB, que deverá exercer suas atribuições funcionais atendendo a critérios de caráter administrativo (conveniência e oportunidade), sem afastamento dos princípios da Administração Pública previstos no caput do artigo 37 da Constituição da República Federativa do Brasil (legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência) e também daqueles reconhecidos pela doutrina e jurisprudência, tais como o da supremacia do interesse público, segurança jurídica, razoabilidade, etc.

As exceções à exigência de selagem se restringem às hipóteses previstas no artigo 16 da IN SRF nº 504/2005:

“Art. 16 - Não se aplicará o selo de controle nas bebidas:

I - destinadas à exportação para países que não sejam limítrofes com o Brasil; II - objeto de amostras comerciais gratuitas destinadas à exportação; e

III - procedentes do exterior, observadas as restrições da legislação aduaneira específica, quando:

a) importadas pelas missões diplomáticas e repartições consulares de carreira e de caráter permanente ou pelos respectivos integrantes;

b) importadas pelas representações de organismos internacionais de caráter permanente, inclusive os de âmbito regional, dos quais o Brasil seja membro, ou por seus integrantes;

c) introduzidas no País como amostras ou remessas postais internacionais, sem valor comercial;

d) introduzidas no País como remessas postais e encomendas internacionais destinadas à pessoa física;

e) constantes de bagagem de viajantes procedentes do exterior;

f) despachadas em regimes aduaneiros especiais, ou a eles equiparados;

g) integrantes de bens de residente no exterior por mais de três anos ininterruptos, que se tenha transferido para o País a fim de fixar residência permanente;

h) adquiridas, no País, em loja franca;

i) arrematadas por pessoas físicas em leilão promovido pela SRF; j) retiradas para análise pelos órgãos competentes.” (in verbis)

A IN RFB nº 1.128/2011 está em vigor, desde o dia 8 de fevereiro de 2011, conforme estabelecido no seu artigo 2º e no inciso I do artigo 103 do CTN, e “aplica-se imediatamente aos fatos geradores futuros e aos pendentes, assim entendidos aqueles cuja ocorrência tenha tido início, mas não esteja completa, nos termos do artigo 116”, ex vi do disposto no artigo 105 do mesmo Código.

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Portanto, o inadimplemento do disposto na IN RFB nº 1.128/2011, nas condições e termos estabelecidos pelo Fisco, acarretará, para aqueles que estiverem obrigados a cumpri-la, consequências para o exercício de suas atividades econômicas, além de sujeição às penalidades legais, nos termos do disposto no § 3º do artigo 113 do CTN.

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