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19/05/2015 SEGUNDA TURMA : MIN. TEORI ZAVASCKI

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Ementa e Acórdão

19/05/2015 SEGUNDA TURMA

RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS 127.258 PERNAMBUCO

RELATOR : MIN. TEORI ZAVASCKI

RECTE.(S) :MARIADE FATIMA BEZERRA ADV.(A/S) :RODRIGO TRINDADE

RECDO.(A/S) :MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL PROC.(A/S)(ES) :PROCURADOR-GERALDA REPÚBLICA

EMENTA: RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS. CONSTITUIÇÃO DE NOVO PROCURADOR, SEM RESSALVA DO MANDATO ANTERIOR. REVOGAÇÃO TÁCITA. INTIMAÇÃO DE ADVOGADA QUE NÃO MAIS PATROCINAVA A DEFESA DA RÉ PARA A SESSÃO DE JULGAMENTO DA APELAÇÃO. NULIDADE DO JULGAMENTO. RECURSO PROVIDO.

1. A constituição de novo advogado para atuar na causa, sem ressalva ou reserva de poderes, representa revogação tácita do mandato anteriormente concedido. Desse modo, é de se reconhecer a nulidade da intimação da sessão de julgamento da apelação, sobretudo se considerada a existência de pedido expresso para que as intimações fossem feitas em nome do novo causídico. Precedentes.

2. Recurso ordinário provido, em parte. A C Ó R D Ã O

Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em Segunda Turma, sob a Presidência do Ministro TEORI ZAVASCKI, na conformidade da ata de julgamentos e das notas taquigráficas, por unanimidade, em dar parcial provimento ao recurso, para anular o julgamento da Apelação Criminal 0263825-1, tão somente em relação à paciente, nos termos do voto do Relator. Não participou, justificadamente, deste julgamento, o Senhor Ministro Dias Toffoli.

Brasília, 19 de maio de 2015.

Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001, que institui a Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira - ICP-Brasil. O documento pode ser acessado no endereço eletrônico http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/ sob o número 8549885.

Supremo Tribunal Federal

Supremo Tribunal Federal

(2)

Ementa e Acórdão

RHC 127258 / PE

Ministro TEORI ZAVASCKI Relator

2

Supremo Tribunal Federal

RHC 127258 / PE

Ministro TEORI ZAVASCKI Relator

2

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Relatório

19/05/2015 SEGUNDA TURMA

RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS 127.258 PERNAMBUCO

RELATOR : MIN. TEORI ZAVASCKI

RECTE.(S) :MARIADE FATIMA BEZERRA ADV.(A/S) :RODRIGO TRINDADE

RECDO.(A/S) :MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL PROC.(A/S)(ES) :PROCURADOR-GERALDA REPÚBLICA

R E L A T Ó R I O

O SENHOR MINISTRO TEORI ZAVASCKI (RELATOR): Trata-se de

recurso em habeas corpus, com pedido de liminar, interposto contra acórdão da Sexta Turma do Superior Tribunal de Justiça proferido nos autos do HC 295.549/PE, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior. Consta dos autos, em síntese, que: (a) a recorrente foi condenada à pena de 26 anos de reclusão, em regime inicial fechado, pela prática do crime de latrocínio (art. 157, § 3º, do CP); (b) inconformada, a defesa apelou para o Tribunal de Justiça do Estado de Pernambuco, que negou provimento ao recurso; (c) buscando a anulação do julgamento do apelo, a defesa impetrou

habeas corpus no Superior Tribunal de Justiça, que indeferiu o pedido, em

acórdão assim ementado:

“(...) 1. Deve ser mantida por seus próprios fundamentos a decisão agravada.

2. O Superior Tribunal de Justiça tem entendido que, estando o réu representado por mais de um advogado, basta que a intimação seja realizada em nome de um deles para a validade dos atos processuais, salvo quando há pedido expresso no sentido de que as publicações sejam realizadas exclusivamente em nome de determinado patrono ou de todos os procuradores (HC n. 241.208/PE, Ministra Laurita Vaz, Quinta Turma, DJe 21/8/2014).

3. Concernente à ausência de defesa, a matéria não foi submetida ao Tribunal de Justiça e, tampouco, por ele enfrentada. Dessa forma, não cabe a este Superior Tribunal

Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001, que institui a Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira - ICP-Brasil. O documento pode ser acessado no endereço eletrônico http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/ sob o número 8549886.

Supremo Tribunal Federal

19/05/2015 SEGUNDA TURMA

RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS 127.258 PERNAMBUCO

RELATOR : MIN. TEORI ZAVASCKI

RECTE.(S) :MARIADE FATIMA BEZERRA ADV.(A/S) :RODRIGO TRINDADE

RECDO.(A/S) :MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL PROC.(A/S)(ES) :PROCURADOR-GERALDA REPÚBLICA

R E L A T Ó R I O

O SENHOR MINISTRO TEORI ZAVASCKI (RELATOR): Trata-se de

recurso em habeas corpus, com pedido de liminar, interposto contra acórdão da Sexta Turma do Superior Tribunal de Justiça proferido nos autos do HC 295.549/PE, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior. Consta dos autos, em síntese, que: (a) a recorrente foi condenada à pena de 26 anos de reclusão, em regime inicial fechado, pela prática do crime de latrocínio (art. 157, § 3º, do CP); (b) inconformada, a defesa apelou para o Tribunal de Justiça do Estado de Pernambuco, que negou provimento ao recurso; (c) buscando a anulação do julgamento do apelo, a defesa impetrou

habeas corpus no Superior Tribunal de Justiça, que indeferiu o pedido, em

acórdão assim ementado:

“(...) 1. Deve ser mantida por seus próprios fundamentos a decisão agravada.

2. O Superior Tribunal de Justiça tem entendido que, estando o réu representado por mais de um advogado, basta que a intimação seja realizada em nome de um deles para a validade dos atos processuais, salvo quando há pedido expresso no sentido de que as publicações sejam realizadas exclusivamente em nome de determinado patrono ou de todos os procuradores (HC n. 241.208/PE, Ministra Laurita Vaz, Quinta Turma, DJe 21/8/2014).

3. Concernente à ausência de defesa, a matéria não foi submetida ao Tribunal de Justiça e, tampouco, por ele enfrentada. Dessa forma, não cabe a este Superior Tribunal

Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001, que institui a Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira - ICP-Brasil. O documento pode ser acessado no endereço eletrônico http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/ sob o número 8549886.

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Relatório

RHC 127258 / PE

examinar a controvérsia, sob pena de supressão de instância. Vale lembrar que o efeito devolutivo da apelação, embora seja amplo, não tem a extensão que lhe busca atribuir a agravante, qual seja, a ponto de se entender como apreciadas questões sobre as quais não se manifestou o Tribunal.

4. Agravo regimental improvido.”

Neste recurso, sustenta-se, em síntese, que (a) houve nulidade do julgamento da apelação defensiva sem a prévia intimação do defensor constituído; (b) a própria serventia do gabinete do desembargador relator admite que as petições de juntada do instrumento procuratório e de solicitação de intimação para todos os atos processuais não foram previamente anexadas aos autos por um equívoco. Requer, ao final, “o provimento deste RHC, cassando-se os acórdãos inferiores e o despacho de fls. 39/40 (e-STJ), anulando-se o julgamento da apelação criminal no TJPE, para que um outro seja realizado, desde que o signatário seja previamente intimado para tal fim, mantendo-se a recorrente solta”.

O pedido de liminar foi indeferido.

Em parecer, a Procuradoria-Geral da República manifestou-se pelo provimento do recurso.

É o relatório.

2

Supremo Tribunal Federal

RHC 127258 / PE

examinar a controvérsia, sob pena de supressão de instância. Vale lembrar que o efeito devolutivo da apelação, embora seja amplo, não tem a extensão que lhe busca atribuir a agravante, qual seja, a ponto de se entender como apreciadas questões sobre as quais não se manifestou o Tribunal.

4. Agravo regimental improvido.”

Neste recurso, sustenta-se, em síntese, que (a) houve nulidade do julgamento da apelação defensiva sem a prévia intimação do defensor constituído; (b) a própria serventia do gabinete do desembargador relator admite que as petições de juntada do instrumento procuratório e de solicitação de intimação para todos os atos processuais não foram previamente anexadas aos autos por um equívoco. Requer, ao final, “o provimento deste RHC, cassando-se os acórdãos inferiores e o despacho de fls. 39/40 (e-STJ), anulando-se o julgamento da apelação criminal no TJPE, para que um outro seja realizado, desde que o signatário seja previamente intimado para tal fim, mantendo-se a recorrente solta”.

O pedido de liminar foi indeferido.

Em parecer, a Procuradoria-Geral da República manifestou-se pelo provimento do recurso.

É o relatório.

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Voto - MIN. TEORI ZAVASCKI

19/05/2015 SEGUNDA TURMA

RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS 127.258 PERNAMBUCO

V O T O

O SENHOR MINISTRO TEORI ZAVASCKI (RELATOR): 1. Consta dos

autos que, após a apresentação das razões de apelação, a ré outorgou, em 2012, mandato ao advogado Rodrigo Trindade, que, por equívoco do Tribunal de Justiça do Estado de Pernambuco, foi juntado aos autos apenas em 2014, depois da oposição de embargos de declaração em que a defesa sustentou a nulidade da sessão de julgamento da apelação em razão de a pauta ter sido publicada em nome de causídico que não mais representava a recorrente. Leia-se, a propósito, o seguinte excerto das informações prestadas pelo TJ/PE ao Superior Tribunal de Justiça:

“Contra a decisão condenatória opôs a Defesa Embargos de Declarações, aduzindo omissão do órgão fracionário em intimar previamente o patrono para fins de sustentação oral, uma vez que o mesmo bacharel estava há muito tempo habilitado nos autos.

Registre-se que a Defesa não atacou o mérito do julgamento do Apelo defensivo. Em despacho datado de 05.05.2014, determinei que a Secretaria deste Gabinete certificasse a respeito do pedido de habilitação aduzido na inicial dos Aclaratórios.

Certificou-se que o expediente acima referido foi protocolado na Diretoria Criminal sob o nº 0003803058 sendo remetido a este Gabinete através da Guia nº 2012.18874, e recebido em 07.08.2012, não tendo a petição sido juntada aos autos por um equívoco. Ao final, foi juntada a petição original com a citada Procuração ad judicia.” (e-STJ, fls. 129/130)

Nessas circunstâncias, assiste razão à recorrente quando afirma que a constituição de novo mandatário para atuar na causa (fl. 201), sem ressalva ou reserva de poderes, representa revogação tácita do mandato anteriormente concedido. Esse é, aliás, o entendimento do Superior

Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001, que institui a Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira - ICP-Brasil. O documento pode ser acessado no endereço eletrônico http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/ sob o número 8549887.

Supremo Tribunal Federal

19/05/2015 SEGUNDA TURMA

RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS 127.258 PERNAMBUCO

V O T O

O SENHOR MINISTRO TEORI ZAVASCKI (RELATOR): 1. Consta dos

autos que, após a apresentação das razões de apelação, a ré outorgou, em 2012, mandato ao advogado Rodrigo Trindade, que, por equívoco do Tribunal de Justiça do Estado de Pernambuco, foi juntado aos autos apenas em 2014, depois da oposição de embargos de declaração em que a defesa sustentou a nulidade da sessão de julgamento da apelação em razão de a pauta ter sido publicada em nome de causídico que não mais representava a recorrente. Leia-se, a propósito, o seguinte excerto das informações prestadas pelo TJ/PE ao Superior Tribunal de Justiça:

“Contra a decisão condenatória opôs a Defesa Embargos de Declarações, aduzindo omissão do órgão fracionário em intimar previamente o patrono para fins de sustentação oral, uma vez que o mesmo bacharel estava há muito tempo habilitado nos autos.

Registre-se que a Defesa não atacou o mérito do julgamento do Apelo defensivo. Em despacho datado de 05.05.2014, determinei que a Secretaria deste Gabinete certificasse a respeito do pedido de habilitação aduzido na inicial dos Aclaratórios.

Certificou-se que o expediente acima referido foi protocolado na Diretoria Criminal sob o nº 0003803058 sendo remetido a este Gabinete através da Guia nº 2012.18874, e recebido em 07.08.2012, não tendo a petição sido juntada aos autos por um equívoco. Ao final, foi juntada a petição original com a citada Procuração ad judicia.” (e-STJ, fls. 129/130)

Nessas circunstâncias, assiste razão à recorrente quando afirma que a constituição de novo mandatário para atuar na causa (fl. 201), sem ressalva ou reserva de poderes, representa revogação tácita do mandato anteriormente concedido. Esse é, aliás, o entendimento do Superior

Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001, que institui a Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira - ICP-Brasil. O documento pode ser acessado no endereço eletrônico http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/ sob o número 8549887.

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Voto - MIN. TEORI ZAVASCKI

RHC 127258 / PE

Tribunal de Justiça (c.f. AgRg nos EREsp 222.215/PR, Corte Especial, Rel. Min. Vicente Leal, DJ de 04.03.2002; REsp 1.088.783/MG, 3ª T., Rel. Min. Sidnei Beneti, DJe de 06/05/2009; AgRg no REsp 811.180/SP, 2ª T., Rel. Min. Herman Benjamin, DJ de 24/10/2007; AgRg no Ag 872.125/RS, 4ª T., Rel. Min. Aldir Passarinho, DJ de 05/11/2007; REsp 763.834/PB, 1ª T., Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 03/04/2006) e que foi encampado pelo Plenário desta Corte no julgamento de Carlos Alberto Quaglia na AP 470, Rel. Min. Joaquim Barbosa, DJe de 22/04/2013. Veja-se, por sua pertinência, a seguinte passagem dos debates:

“O SENHOR MINISTRO CEZAR PELUSO – (…). Uma das formas de extinção do contrato de mandato é a revogação tácita. E a modalidade típica de revogação tácita é, em caso de mandato judicial, a juntada de nova procuração aos autos a outro advogado, sem ressalva.

(…).

O SENHOR MINISTRO CEZAR PELUSO - Estou aqui com a jurisprudência desde o STJ. Há até a Orientação nº 349 do TST. Então, não há dúvida nenhuma de que houve revogação do mandato.

O SENHOR MINISTRO CELSO DE MELLO: A renúncia, ao mandato judicial, em 2011, sequer tinha objeto, porque o mandato em questão já se achava revogado”.

Registre-se, ainda, que não há notícia, nos autos, de atuação da anterior advogada após o peticionamento da nova procuração, o que reafirma a presunção de revogação. Ademais, ainda que não houvesse revogação tácita de poderes, o novo advogado constituído postulou sua habilitação nos autos, ocasião em que também requereu, expressamente, sua intimação “de todos os atos judiciais”, o que não ocorreu. A esse propósito, cumpre reproduzir a manifestação da Procuradoria-Geral da República:

“12. A jurisprudência dessa Corte registra precedentes no sentido de que é nula a intimação feita em nome do advogado 2

Supremo Tribunal Federal

RHC 127258 / PE

Tribunal de Justiça (c.f. AgRg nos EREsp 222.215/PR, Corte Especial, Rel. Min. Vicente Leal, DJ de 04.03.2002; REsp 1.088.783/MG, 3ª T., Rel. Min. Sidnei Beneti, DJe de 06/05/2009; AgRg no REsp 811.180/SP, 2ª T., Rel. Min. Herman Benjamin, DJ de 24/10/2007; AgRg no Ag 872.125/RS, 4ª T., Rel. Min. Aldir Passarinho, DJ de 05/11/2007; REsp 763.834/PB, 1ª T., Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 03/04/2006) e que foi encampado pelo Plenário desta Corte no julgamento de Carlos Alberto Quaglia na AP 470, Rel. Min. Joaquim Barbosa, DJe de 22/04/2013. Veja-se, por sua pertinência, a seguinte passagem dos debates:

“O SENHOR MINISTRO CEZAR PELUSO – (…). Uma das formas de extinção do contrato de mandato é a revogação tácita. E a modalidade típica de revogação tácita é, em caso de mandato judicial, a juntada de nova procuração aos autos a outro advogado, sem ressalva.

(…).

O SENHOR MINISTRO CEZAR PELUSO - Estou aqui com a jurisprudência desde o STJ. Há até a Orientação nº 349 do TST. Então, não há dúvida nenhuma de que houve revogação do mandato.

O SENHOR MINISTRO CELSO DE MELLO: A renúncia, ao mandato judicial, em 2011, sequer tinha objeto, porque o mandato em questão já se achava revogado”.

Registre-se, ainda, que não há notícia, nos autos, de atuação da anterior advogada após o peticionamento da nova procuração, o que reafirma a presunção de revogação. Ademais, ainda que não houvesse revogação tácita de poderes, o novo advogado constituído postulou sua habilitação nos autos, ocasião em que também requereu, expressamente, sua intimação “de todos os atos judiciais”, o que não ocorreu. A esse propósito, cumpre reproduzir a manifestação da Procuradoria-Geral da República:

“12. A jurisprudência dessa Corte registra precedentes no sentido de que é nula a intimação feita em nome do advogado 2

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Voto - MIN. TEORI ZAVASCKI

RHC 127258 / PE

que atuava no feito, quando há requerimento expresso para que as intimações sejam feitas em nome do novo advogado.

13. O advogado da recorrente requereu que o seu nome constasse das intimações e nada há nos autos que desautorize a afirmação da recorrente de que a advogada que subscreveu a apelação não a representava quando do julgamento do recurso. A advogada não compareceu ao julgamento, não fez sustentação oral, não impugnou o acórdão, o que faz presumir ser verdadeira a afirmação de que não atuava mais na causa.

14. Ressalte-se que a nulidade foi invocada inicialmente perante o Tribunal de Justiça, na primeira oportunidade em que a defesa falou nos autos.

15. Ante o exposto, manifesta-se o Ministério Público Federal pelo conhecimento e provimento do recurso”.

2. No que concerne ao pedido de soltura da recorrente, o pleito não merece prosperar. É que, sendo o caso de renovação do julgamento da apelação pelo Tribunal de Justiça de origem, caberá àquela Corte analisar, originariamente, possível excesso de prazo da prisão cautelar, cabendo registrar, ainda, que o ato anulado foi proferido há pouco mais de 1 ano (26/3/2014), o que, em princípio, não representa situação configuradora de constrangimento ilegal. Além disso, não há nestes autos elementos suficientes para avaliar a necessidade ou não de manutenção da custódia preventiva, circunstância que poderá ser melhor examinada pelas instâncias ordinárias.

3. Com essas considerações, dou parcial provimento ao recurso, para anular o julgamento da Apelação Criminal 0263825-1, tão somente em relação à paciente. É o voto.

3

Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001, que institui a Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira - ICP-Brasil. O documento pode ser acessado no endereço eletrônico http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/ sob o número 8549887.

Supremo Tribunal Federal

RHC 127258 / PE

que atuava no feito, quando há requerimento expresso para que as intimações sejam feitas em nome do novo advogado.

13. O advogado da recorrente requereu que o seu nome constasse das intimações e nada há nos autos que desautorize a afirmação da recorrente de que a advogada que subscreveu a apelação não a representava quando do julgamento do recurso. A advogada não compareceu ao julgamento, não fez sustentação oral, não impugnou o acórdão, o que faz presumir ser verdadeira a afirmação de que não atuava mais na causa.

14. Ressalte-se que a nulidade foi invocada inicialmente perante o Tribunal de Justiça, na primeira oportunidade em que a defesa falou nos autos.

15. Ante o exposto, manifesta-se o Ministério Público Federal pelo conhecimento e provimento do recurso”.

2. No que concerne ao pedido de soltura da recorrente, o pleito não merece prosperar. É que, sendo o caso de renovação do julgamento da apelação pelo Tribunal de Justiça de origem, caberá àquela Corte analisar, originariamente, possível excesso de prazo da prisão cautelar, cabendo registrar, ainda, que o ato anulado foi proferido há pouco mais de 1 ano (26/3/2014), o que, em princípio, não representa situação configuradora de constrangimento ilegal. Além disso, não há nestes autos elementos suficientes para avaliar a necessidade ou não de manutenção da custódia preventiva, circunstância que poderá ser melhor examinada pelas instâncias ordinárias.

3. Com essas considerações, dou parcial provimento ao recurso, para anular o julgamento da Apelação Criminal 0263825-1, tão somente em relação à paciente. É o voto.

3

Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001, que institui a Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira - ICP-Brasil. O documento pode ser acessado no endereço eletrônico http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/ sob o número 8549887.

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Extrato de Ata - 19/05/2015

SEGUNDA TURMA

EXTRATO DE ATA RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS 127.258 PROCED. : PERNAMBUCO

RELATOR : MIN. TEORI ZAVASCKI

RECTE.(S) : MARIA DE FATIMA BEZERRA ADV.(A/S) : RODRIGO TRINDADE

RECDO.(A/S) : MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL

PROC.(A/S)(ES) : PROCURADOR-GERAL DA REPÚBLICA

Decisão: A Turma, por votação unânime, deu parcial provimento ao recurso, para anular o julgamento da Apelação Criminal 0263825-1, tão somente em relação à paciente, nos termos do voto do Relator. Não participou, justificadamente, deste julgamento, o Senhor Ministro Dias Toffoli. Presidência do Senhor Ministro Teori Zavascki. 2ª Turma, 19.05.2015.

Presidência do Senhor Ministro Teori Zavascki. Presentes à sessão os Senhores Ministros Celso de Mello, Gilmar Mendes, Cármen Lúcia e Dias Toffoli.

Subprocuradora-Geral da República, Dra. Deborah Duprat. Ravena Siqueira

Secretária

Supremo Tribunal Federal

SEGUNDA TURMA

EXTRATO DE ATA RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS 127.258 PROCED. : PERNAMBUCO

RELATOR : MIN. TEORI ZAVASCKI

RECTE.(S) : MARIA DE FATIMA BEZERRA ADV.(A/S) : RODRIGO TRINDADE

RECDO.(A/S) : MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL

PROC.(A/S)(ES) : PROCURADOR-GERAL DA REPÚBLICA

Decisão: A Turma, por votação unânime, deu parcial provimento ao recurso, para anular o julgamento da Apelação Criminal 0263825-1, tão somente em relação à paciente, nos termos do voto do Relator. Não participou, justificadamente, deste julgamento, o Senhor Ministro Dias Toffoli. Presidência do Senhor Ministro Teori Zavascki. 2ª Turma, 19.05.2015.

Presidência do Senhor Ministro Teori Zavascki. Presentes à sessão os Senhores Ministros Celso de Mello, Gilmar Mendes, Cármen Lúcia e Dias Toffoli.

Subprocuradora-Geral da República, Dra. Deborah Duprat. Ravena Siqueira

Secretária

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