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ATRASO PUBERAL PEDIATRIA

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Academic year: 2021

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ATRASO

PUBERAL

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ATRASO

PUBERAL

CONTEÚDO: JÚLIA KELMAN

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SUMÁRIO

INTRODUÇÃO ... 4

DESENVOLVIMENTO PUBERAL NORMAL ... 4

EIXO HIPOTÁLAMO – HIPÓFISE – GONADAL ... 4

DEFINIÇÃO DE ATRASO PUBERAL ... 4

CLASSIFICAÇÃO ... 5 HIPOGONADISMO ... 5 AVALIAÇÃO INICIAL ... 7 TRATAMENTO ... 9 COMPLICAÇÕES ... 9 REFERÊNCIAS ... 10

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4

INTRODUÇÃO

A puberdade corresponde a um fenômeno biológico no qual o adolescente adquire

caracteres sexuais secundários, cresci-mento estatural importante e atinge a ca-pacidade reprodutora.

A adolescência, por sua vez, é o período que abrange as intensas mudanças

corpo-rais da puberdade, acrescido pelos

impul-sos dos desenvolvimentos emocional,

mental e social.

DESENVOLVIMENTO PUBERAL

NORMAL

A puberdade nos meninos ocorre entre os

9 e 14 anos de idade e se inicia com o au-mento do volume dos testículos (> 4 mL).

Já nas meninas, o desenvolvimento pube-ral ocorre entre os 8 e 13 anos de idade, marcada pela telarca, aparecimento do

broto mamário.

EIXO HIPOTÁLAMO – HIPÓFISE –

GONADAL

É fundamental o entendimento do eixo

hi-potálamo-hipófise-gonadal.

Vamos descomplicar! O hipotálamo libera

GnRh, o qual estimula a hipófise a liberar o LH. Nas meninas, o LH (Hormônio Luteini-zante) associado ao FSH (Hormônio Folí-culo Estimulante) faz com que o ovário li-bere estrogênio (o qual determina os ca-racteres sexuais femininos). Já nos meni-nos, o LH faz com que o testículo libere a

testosterona, hormônio responsável pelas

características masculinas.

Esse processo depende de uma interação

complexa entre fatores genéticos,

nutrici-onais e ambientais e requer a integridade dos componentes do eixo hipotálamo-hi-pófise-gonadal.

DEFINIÇÃO DE ATRASO

PUBERAL

Nos meninos é considerado quando ocorre ausência de aumento do volume testicular

após os 14 anos de idade (Tanner G1).

Já nas meninas, é a ausência de telarca (aumento das mamas) após os 12 anos de idade (Tanner M1).

Além desse conceito, quando não ocorrer progressão dos estágios puberais e/ou o tempo entre o início e a finalização da pu-berdade estiver aumentado (maior que 4 a 5 anos), há necessidade de investigação e seguimento.

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CLASSIFICAÇÃO

Atraso constitucional do desenvol-vimento (mais comum: 65% dos

meninos e 30% das meninas): o eixo é ativado de forma normal, po-rém, mais tardiamente. Geralmente possui histórico familiar

seme-lhante.

É considerada uma variante da

normali-dade. A criança apresenta estatura e velo-cidade de crescimento inadequadas para a idade cronológica, mas compatíveis com a idade óssea, que é atrasada.

O diagnóstico é mais frequente no sexo masculino, talvez pela maior procura por avaliação, causada pela pressão social e distúrbios emocionais.

• Hipogonadismo hipergonadotró-fico: falência gonadal primária.

• Hipogonadismo hipogonadotrófico: deficiência de gonadotrofinas por alterações hipotálamo-hipofisárias.

HIPOGONADISMO

Corresponde ao comprometimento do

funcionamento das gônadas (ovário e

tes-tículos).

Pode ser classificado em primário (ou hi-pogonadismo hipergonadotrófico), quando o problema se encontra na própria

gônada, ou ainda, hipogonadismo secun-dário (ou hipogonadismo

hipogonadotró-fico), quando a gônada é funcionante, mas

o eixo não foi ativado (por comprometi-mento hipotalâmico e/ou hipofisário) e por conseguinte, a gônada fica comprometida.

Hipogonadismo primário (15% dos casos): LH e FSH elevados

Hipogonadismo secundário: LH e FSH baixos (pré púberes).

Causas de hipogonadismo primário:

• Tumores nas gônadas

• Criptorquidia bilateral

• Irradiação prévia das gônadas (de-vido à tumor)

• Sd. de Turner (meninas) – 45, X ou 45, X0

• Sd. de Klinefelter (meninos) – 47, XXY

• Injúria das gônadas: autoimune, pós infecciosa

• Desordem da biossíntese da testos-terona

• Defeito nos receptores de LH e FSH Causas de hipogonadismo secundário:

• Deficiência isolada de GnRH (raro, mais comum no sexo masculino, de-vido a um defeito congênito da se-creção ou da ação do GnRH, difícil diagnóstico)

• Desnutrição, anorexia (bloqueado-res do eixo)

• Doenças crônicas (diabetes melli-tus, hipotireoidismo, doenças intes-tinais, hepáticas, renais, cardíacas,

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6 pulmonares e hematológicas) e

he-mocromatose

• Excesso de atividade física (atletas e bailarinos)

• Doenças hipotalâmicas ou hipofisá-rias

• Trauma ou tumor

Nesse grupo, a ressonância magnética (RM) de crânio/hipófise é um exame impor-tante, discutido adiante.

Observe o esquema abaixo que resume as principais etiologias do hipogonadismo

(hipo e hipergonadotrófico):

Adaptado de: Spinola-Castro, AM, et al, 2017.

História, exame clínico, idade óssea, LH e FSH,

esteroides sexuais

LH e FSH reduzidos

Olfato: Síndrome de Kallman Obesidade: Síndrome de Prader-Willi; Síndrome de Laurence-Moon-Biedl RNM Crânio: TUmor de SNC; Craniofaringioma Testes hipofisários: Hipopituitarismo Acompanhamento: Hipogonadismo hipogonado´trófico LH e FSH aumentados Cariótipo: Síndroem de Klinefelter (alta estatura); Síndrome de Turner (baixa

estatura)

Esteroide: Ausência de gônada; Lesão gonadal; Erro de síntese

de testosterona Desnutrição

Doença crônica Hipotireoidismo Anorexia nervosa

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AVALIAÇÃO INICIAL

Geralmente a queixa inicial de atraso pú-bere costuma ser proveniente da análise

comparativa do adolescente com os

cole-gas de sua idade. A partir daí, deve-se re-alizar:

• Exame Físico completo + Estadiamento de Tanner

Deve-se avaliar as características do ado-lescente, questionar comorbidades, doen-ças crônicas, hábitos de vida, uso de medi-camentos, história familiar semelhante (padrão de desenvolvimento puberal dos pais).

Checklist: investigação da criança com atraso puberal

História

Condições de nascimento (peso, comprimento, criptorquidia, Micropênis, complica-ções);

Alterações do olfato; Doenças anteriores;

Tratamentos (quimioterapia, radioterapia, transfusões); Traumas;

Alimentação; Atividade física; Condições emocionais;

Dados sobre o crescimento linear e ganho de peso;

História familiar: estatura dos pais, atraso puberal, doença crônica, infertilidade.

Exame Físico Fenótipo; Presença de bócio; Condições nutricionais; Sinais de virilização; Alterações neurológicas; Exame do genital; Estádio puberal; Pesquisa de ginecomastia. Auxologia Peso; Estatura; Proporções corporais; Velocidade de crescimento; Estatura alvo/canal da família; Idade óssea.

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• Peso, altura, velocidade de cresci-mento

Verificar se estão adequados para o parâ-metro de seu sexo e idade, assim como

avaliação do estirão (pico de crescimento). • Idade Óssea

Provavelmente igual ou inferior à idade cronológica.

• Solicitação de exames laboratoriais

Hemograma, função renal, função hepá-tica e anticorpos antitransglutaminase - IgA (para diagnóstico de doença celíaca,

que pode ser uma das causas do atraso puberal).

Além disso, devemos solicitar LH, FSH,

es-tradiol e testosterona com o objetivo de

diferenciar hipogonadismo primário de se-cundário.

Por fim, prolactina (suspeita de hiperpro-lactinemia), IGF-1 (investigação de baixa estatura ou suspeita de hipopituitarismo), TSH e T4 livre (possíveis alterações de

tireoide, hipotireoidismo primário ou hipo-pituitarismo).

EXAMES COMPLEMENTARES

No caso de hipogonadismo primário, ou seja, o problema está na gônada, deve-se solicitar o exame de cariótipo, importante para afastar alterações dos cromossomos sexuais.

A Sd. de Klinefelter é a forma mais fre-quente de hipogonadismo no sexo mascu-lino, sendo o cariótipo mais comum 47, XXY. A função das células de Leydig é va-riável e a produção de testosterona pode ser normal ou baixa, porém a espermato-gênese é ausente. A puberdade pode se iniciar na idade adequada, entretanto, não evolui da maneira esperada para a idade e sexo.

A Sd. de Turner é a causa mais frequente no sexo feminino e caracteriza-se pelo ca-riótipo 45, X0, mosaicismos e disgenesia gonadal. Alterações fenotípicas Sd. de Klinefelter Sd. de Turner 1; 600 meninos; Alta estatura; Proporções enucoides; Micropênis;

Testículos pequenos e endurecidos; Azoospermia;

Ginecomastia;

1: 2.500 meninas; Baixa estatura; Pescoço curto e alado;

Implantação baixa da linha do cabelo; Cúbito valgo;

Hipertelorismo mamário; Palato em ogiva;

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9 Capacidade intelectual geralmente é limitada

(dificuldade de aprendizado), assim como a adaptação social (problemas comportamen-tais);

Maior risco de doenças metabólicas, autoi-munes e câncer.

Anormalidades renais e cardíacas;

Risco aumentado de doenças autoimunes;

As concentrações de gonadotrofinas séricas são extrema-mente altas entre o nascimento e os 4 anos de idade, dimi-nuem no período pré puberal e tornam a se elevar por volta dos 10 anos, em especial o FSH;

Idade óssea geralmente compatível com a idade cronológica.

Já nos casos de hipogonadismo

secundá-rio, onde não houve ativação do eixo,

deve-se solicitar uma ressonância

magné-tica de crânio ou de sela túrcica para

ava-liação de lesões no SNC. Além disso, soli-citar cinética de ferro na suspeita de he-mocromatose.

Observação: lembre-se que o atraso

cons-titucional é a principal causa de atraso pu-beral, entretanto, não apresenta alterações laboratoriais ou de imagem! Fica evidente, então, a importância da coleta de uma anamnese detalhada, bem como exame fí-sico.

TRATAMENTO

O tratamento depende da patologia. Nos casos de retardo constitucional do

cresci-mento e da puberdade, o tratacresci-mento

geralmente não é necessário e o enfoque

deve ser o desenvolvimento da criança, considerando sua velocidade de cresci-mento, reassegurando-se de seu bom prognóstico de amadurecimento e esta-tura final.

Nos casos de hipogonadismo hipo ou

hi-pergonadotrófico, faz-se a indução da puberdade e a manutenção dos caracte-res secundários com esteroides sexuais

(estrógenos no sexo feminino ou testoste-rona no sexo masculino).

COMPLICAÇÕES

O hipogonadismo não tratado pode provo-car sequelas psicológicas e físicas, como comprometimento da massa óssea a infer-tilidade.

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@jalekoacademicos Jaleko Acadêmicos @grupoJaleko

REFERÊNCIAS

Pediatria – Endocrinologia Pediátrica – Atraso Puberal (Professora Kelly Monteso). Jaleko Acadêmico. Disponível em: <https://jaleko.com.br>.

Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP). Recomendações: atualização de Condutas em Pediatria – Departamento de Endocrinologia –

Atraso Puberal: quando devo me preocupar? Disponível em:

https://www.spsp.org.br/site/asp/recomendacoes/Rec88_Endocrino.pdf>. Universidade de São Paulo - Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto – Departamento de Puericultura e Pediatria – Endocrinologia da Criança e

do Adolescente: atraso puberal. Disponível em:

file:///C:/Users/Ju%20Kel-man/Downloads/Atraso%20puberal%20(Texto).pdf.

Referências

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