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RESENHA BI BLI OGRÁFI CA: A BANALI ZAÇÃO DA I NJUSTI ÇA SOCI AL
Júlia Tr ev isan Mar t ins1
Rit a de Cássia Dom ansk y2
Mar ia Helena Tr ench Ciam pone3
Mar t ins JT, Dom ansk y RC, Ciam pone MHT. Resenha bibliogr áfica: a banalização da inj ust iça social. Rev Lat
ino-am Enfer m agem 2006 m ar ço- abr il; 14( 2) : 292- 3
“A Banalização da I nj ust iça Social”, da aut oria
d e Ch r ist op h e Dej ou r s, p u b licad o n o an o d e 2 0 0 0 ,
pela edit ora Fundação Get úlio Var gas, t r aduzido por
Luís Alber t o Monj ar dim .
Christ ophe Dej ours é psiquiat ra, psicanalist a,
professor do Conservat ório Nacional de Art es e Ofícios
e diret or do Laborat ório de Psicologia do Trabalho da
França, t am bém aut or do t ít ulo consagrado “A loucura
do t rabalho”.
O liv r o A Banalização da I nj ust iça Social, de
cer t o m od o, d á con t in u id ad e, ap r of u n d an d o alg u n s
dos aspect os assinalados pelo aut or na obra ant erior.
Est á div ido em 1 0 capít u los e, n o desen v olv im en t o
d o s m esm o s, o au t o r an al i sa as g r av es q u est õ es
econ ôm icas q u e af et am d ir et a ou in d ir et am en t e o
m u n d o d o t r ab al h o . Ap esar d o co n t ex t o en f o cad o
r ef er ir - se à Fr an ça, m u it os p on t os r elacion ad os ao
t r a b a l h o p o d e m s e r e x t r a p o l a d o s p a r a o u t r a s
sociedades, em par t icular par a o Br asil.
A s c o n t r i b u i ç õ e s d e s s a a n á l i s e s ã o d e
im por t ância ím par par a os t r abalhador es, em ger al,
independent e da cat egoria profissional. Muit o em bora
o aut or não se refira especificam ent e ao t rabalho em
saúde, m uit as das consider ações são básicas par a a
f u n d a m e n t a ç ã o d e d i s c u s s õ e s a c e r c a d o s
det er m in an t es est r u t u r ais n o t r abalh o em saú de e,
part icularm ent e, do t rabalho de enferm agem . Dej ours
t e ce cr ít i ca s à p e r sp e ct i v a d e q u e o s i n d i v íd u o s
som en t e sob r ev iv er ão n o m er cad o se su p er ar em a
si pr ópr ios, t or nando- se cada v ez m ais com pet it iv os
e eficient es que os colegas, par es, ou concor r ent es,
pr im an do pelo in div idu alism o.
Ap on t a q u e essa con t r ad ição p r esen t e n os
cenár ios do t r abalho pr ecisa ser enfr ent ada, pois, do
con t r ár io, est ar - se- á p assan d o p or cim a d e alg u n s
d o s p r i n c íp i o s q u e , m u i t a s v e z e s , s e c o n s i d e r a
im por t an t es, m as qu e se passa a r elegar, dev ido à
n e c e s s i d a d e d e m a n t e r o s e m p r e g o s e , p o r
con seqü ên cia, a sobr ev iv ên cia.
D e j o u r s d e i x a c l a r o q u e a c r i s e q u e s e
a p r e se n t a a o s t r a b a l h a d o r e s t e m su a g ê n e se n a
n at u r eza do sist em a econ ôm ico, n o m er cado ou n a
g l o b a l i z a ç ã o , c o n t u d o , e x p l i c a q u e a s c o n d u t a s
hum anas diant e dessas sit uações t êm cont r ibuído e
m u it o p ar a o ag r av am en t o d e p r ob lem as lab or ais,
p r in cip alm en t e n o q u e se r ef er e ao sof r im en t o n o
cot idiano do t r abalho.
Quest iona o por quê se perm it e que o sist em a
faça o indiv íduo sofr er. As r eflex ões pr opost as est ão
paut adas em quest ões profundas, sit uadas no âm bit o
d a s u b j e t i v i d a d e d o s i n d i v íd u o s , o u s e j a , o s
t rabalhadores, com o passar do t em po, vão perdendo
a esperança, e acabam chegando à conclusão de que
o s e sf o r ço s, a d e d i ca çã o , a b o a v o n t a d e , o b o m
relacionam ent o com os colegas, e produzir o m áxim o
p ar a as em p r esas/ in st it u ições n ão t êm con t r ib u íd o
par a qu e se est abeleça u m equ ilíbr io n a r elação de
p r azer - sof r im en t o.
Assi m sen d o , a d o t a - se, ca d a v ez m a i s, o
dist an ciam en t o das qu est ões r elacion adas à gên ese
d o s co n f l i t o s d o d i a- a- d i a l ab o r al . Tal p er sp ect i v a
a f i r m a o a u t o r, r e f l e t i r á d i r e t a m e n t e n ã o só n o
desem penho das t ar efas no t r abalho, m as, t am bém ,
n o s r el a ci o n a m en t o s i n t er p esso a i s q u e t en d em à
d et er ior ização n o âm b it o d o t r ab alh o, d a f am ília e
em out r as inst âncias do conv ív io de cada um .
As co n seq ü ên ci as ad v i n d as d o so f r i m en t o
pat ogênico desencadeado pelo t r abalho, r eper cut em
t an t o n a saú d e f ísica q u an t o n a saú d e p síq u ica d o
t r abalh ador. En t r et an t o, o qu e ocor r e é a bu sca de
est r at égias de def esa par a su por t ar o sof r im en t o e
n ã o se d e i x a r a b a t e r. Há u m d e st a q u e d o a u t o r
1
Dout orando da Escola de Enferm agem de Ribeirão Pret o, da Universidade de São Paulo, Cent ro Colaborador da OMS para o desenvolvim ent o da pesquisa em enferm agem , j t m art [email protected]; 2 Dout orando, e- m ail: dom ansky@sercom t el.com .br; 3 Professor Livre- Docent e, e- m ail: m hciam [email protected]. Escola de Enferm agem , da Universidade de São Paulo
Resenha de Livro
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enfat izando o com o o indivíduo se prot ege, para poder
“ a g ü e n t a r ” o so f r i m e n t o se m p e r d e r a r a zã o . As
e s t r a t é g i a s u t i l i z a d a s p o d e m s e r c o l e t i v a s e
individuais, e cont ribuem para t ornar aceit ável o que
m u i t a s v e z e s n ã o d e v e r i a s ê - l o . Po r é m , c h a m a
a t e n çã o p a r a o p r o ce sso d e cr i st a l i za çã o q u e se
t r an sf or m a em u m a cilad a, in sen sib ilizan d o p ar a a
per cepção daquilo que faz sofr er.
Para o aut or, t rabalhar não é apenas t er um a
t a r e f a p a r a c u m p r i r, s i g n i f i c a t a m b é m v i v e r a
exper iência, enfr ent ar a r esist ência do r eal, const r uir
sent ido do t rabalho, para a sit uação e para o próprio
sent im ent o de pr azer ou sofr im ent o.
No d e co r r e r d o s ca p ít u l o s d o l i v r o , f i ca
ev idenciado que os t r abalhador es, os ger ent es e at é
a alt a cúpula das em presas, ou sej a, t odos t endem a
s e d e f e n d e r d a m e s m a m a n e i r a , n e g a n d o o
sof r im e n t o a lh e io e ca la n d o o se u.
En f i m , o q u e D ej o u r s d eb at e acer ca d as
q u est ões q u e acon t ecem n o d ia- a- d ia d o t r ab alh o,
n a s d i v e r sa s á r e a s, p o d e se r t r a n sp o st o p a r a o
processo de t rabalho da equipe de enferm agem , pois
as at iv id ades desem p en h adas p odem ser em p ar t e
um a const rução dos próprios t rabalhadores,
cabendo-lh es a r espon sabilidade de pen sá- las e r essign
ificá-l a s d e m o d o q u e o s co n f ificá-l i t o s, a i n sa t i sf a çã o , o
d e s p r a z e r s e j a m e q u a c i o n a d o s e n e g o c i a d o s
r ev er t endo em danos, os m enor es possív eis. A obr a
pr opicia que se faça um a r eflex ão sobr e im por t ant es
im plicações do t r abalh o n o âm bit o das in st it u ições,
d o s g r u p o s l a b o r a i s e p a r t i cu l a r p a r a ca d a u m ,
en qu an t o su j eit o- t r abalh ador.
Recebido em : 22.6.2005 Aprovado em : 13.11.2005
Rev Lat ino- am Enferm agem 2006 m arço- abril; 14( 2) : 292- 3 w w w .eer p.usp.br / r lae