Centro de Ciênias Exatas e da Natureza
Programa de Pós-Graduação em Matemátia
Curso de Mestrado em Matemátia
Congruênia e Apliações.
†
por
José Marondes Gomes de Medeiros
sob orientação do
Prof. Dr. Carlos Boker Neto
TrabalhodeConlusãodeCurso
apresen-tado ao Corpo Doente do Programa de
Pós-Graduação emMatemátia -
PROF-MAT - CCEN - UFPB, omo requisito
parialparaobtençãodotítulodeMestre
emMatemátia.
Fevereiro/2015
João Pessoa -PB
Agradeço em primeiro lugar a meu bom DEUS que me deu força e ânimo nos
momentosde maiores diuldades enontradas nourso emminha vida.
Aosmeuspais, AntnioGomes de MedeiroseMariaIdalinaGomes deMedeiros
por terem me eduado e me dado tanto arinho e amor, até o último dia de suas
vidasaqui entre nós.
AminhaesposaRosileideBezerradasNevesMedeirosportantapaiênia,
om-panheirismoe ompreensãoem todas ashoras.
A todos os meus irmãos e familiares que direta ou indiretamente ontribuíram
para queesse sonho fosse realizado.
Atodososmeus olegasde turmaquedurantetodootempode ursoestiveram
juntosomigonessa aminhadae,emespeial,ospartiipantesde meugrupode
es-tudos,Antonio,Demilson, Edjane,EliPaulo,João Paulo, JosildoeRenatoBeserra.
Um agradeimento espeial em dobro ao meu grande olega de turma e amigo
AntonioCostaquenunamediuesforçosaome soorrernas horasemqueenontrei
diuldadesna onfeçãodesse trabalho.
Ao meu orientador Prof. Dr. Carlos Bokerpeloauxílioe paiênia nesses
últi-mos meses.
AtodososProfessoresdoCursoPROFMATdaUniversidadeFederaldaParaíba
em João Pessoa pelaontribuiçãopara meu resimentoprossional e pessoal.
Ao meu mais lindo eperfeito presente queDeus me deu, meu lho Antnio
Aos meus pais Antnio Gomes de
Medeiros e Maria Idalina Gomes de
Neste trabalho faremos um breve estudo a respeito de teoria aritmétia dos
nú-meros, em partiular, ongruênias modulares e testes de primalidade de inteiros.
Desreveremos uidadosamente o método de ifragem e deifragem da riptograa
RSA e disutiremos algumas nuanes da RSA. Para isso, apresentamos alguns
re-sultadosdevido aGauss, oprínipedos matemátios,no qual várias de suas ideias
sãode grandeimportâniae serviramde base parao desenvolvimento dateoria dos
números,até os dias atuais.
Palavras-have: Teoria dosnúmeros,Gauss, Congruêniamodular,
In this paper we make a brief study about arithmeti number theory, in
par-tiular, modular ongruene and whole primality tests. O desribe arefully the
iphering and deipheringmethod of RSA enryption and disuss some nuanes of
RSA. Therefore, this study a little about Gauss, the prine of mathematiians, in
whih many of his ideas are very important and the basis for the development of
number theory, tothe present day.
1 Congruênia 2
1.1 Aspetos Histórios . . . 2
1.1.1 Gauss - O prínipedos matemátios . . . 2
1.2 Congruênia . . . 8
1.3 Congruênia Linear . . . 13
1.4 Os Teoremasde Euler, Fermate Wilson . . . 16
1.5 O TeoremaChinês dos Restos . . . 21
2 Apliações 24 2.1 Aritmétia modulare algumade suas apliações . . . 24
2.1.1 Noções básiasde aritmétia modular. . . 25
2.1.2 Sistemas de identiação . . . 29
2.2 Congruênia eCriptograa . . . 33
2.2.1 Aritmétia modularna riptograa . . . 36
2.2.2 Criptograa e alendários . . . 38
2.2.3 O algoritmoRSA . . . 42
2.2.4 Segurança e apliações . . . 45
2.3 Lista de problemas motivadorese soluções . . . 47
2.3.1 Problema 1 . . . 47
2.3.2 Problema 2 . . . 49
2.3.3 Problema 3 . . . 50
2.3.4 Problema 4 . . . 51
2.3.5 Problema 5 . . . 51
2.3.6 Problema 6 . . . 52
Emmatemátia,aritmétiamodular(hamadatambémdearitmétiadorelógio)
éum sistemade aritmétiapara inteiros,ondeosnúmeros"voltampratrás"quando
atingemum erto valor, o módulo.
OmatemátiosuiçoEuler foi opioneironaabordagemdeongruêniaporvolta
de
1750
, quando ele expliitamente introduziu a ideia de ongruênia módulo umnúmeronatural
N
.A aritmétia modular foi desenvolvidaposteriormenteporCarl FriedrihGauss
emseu livro DisquisitionesArithmetiae, publiado em
1801
.Neste trabalhorealizamos uma análise aprofundada sobre teoria aritmétia dos
números, em espeial as ongruênias modulares e testes de primalidade de
intei-ros. Durante o desenvolvimento estudamos o método de ifragem e deifragem da
riptograa RSA, analisamos problemas que envolvam ongruênia tais omo as
Equações Diofantinas Lineares, oTeoremaChinês dos Restos, entre outros tópios.
Demonstramosedisutimosalgunsimportantesteoremas omooPequenoTeorema
de Fermat, de Euler e o de Wilson e analisamos algumas espeiidades da RSA.
Para isso, estudaremosum pouosobre Gauss,o prínipedos matemátios,noqual
váriasde suasideias são de grandeimportâniae servemde base parao
Congruênia
1.1 Aspetos Histórios
Grande parte dos resultados deste apítulo foi introduzida por Gauss (
1777
−
1855
) em um trabalho publiado em1801
Disquisitiones Arithimetiae quandotinha apenas
24
anos. Várias ideias de grande importânia, que serviram de baseparaodesenvolvimentodateoriade números,apareem nestetrabalho. Atémesmo
anotação, lá introduzida,é a queutilizamoshoje.
1.1.1 Gauss - O prínipe dos matemátios
JohannFriedriharl BenzGauss (
1777
−
1855
),naseu a:30
de Abrilde1777
, em Brunswih, na Alemanha Morreu a:23
de Fevereiro de1855
, em Göttingen,na Alemanha. Cientista, Gauss naseu em Brunswih e morreu em Göttingen, na
Alemanha. Estudou na Universidade de Göttingen de
1795
à1798
, onde passou aensinarMatemátia apartirde
1807
,sendoao mesmotempo diretordoObservató-rioAstronmio pertenenteàquelaInstituição. Manteve ambososargosaté àsua
morte. Gauss dediou-se à: matemátia, astronomia, geodesia, físia-matemátia
e geometria. O seu nome onsta de numerosos resultados obtidos nos domínios da
astronomia, dafísia e damatemátia. Nestas áreas, Gauss demonstrou a
denomi-nadaleifundamentaldaálgebra,segundo aqualumaequaçãodosegundo grautem
duas soluções, uma do tereiro tem três eassim suessivamente. Para tratar
medi-das astronmiasdesenvolveu ométododos mínimosquadrados. Com este sistema
elestes, apartirde pouasobservações. Obteveaindaashamadasoordenadas de
Gauss-utilizam-seespeialmenteparaadeterminaçãode umpontosobrea
superfí-iedaTerra(latitudee longitude);aurvade Gauss -urvadadistribuição normal
mediante a qual é possível representar-se medidas prováveis da Estatístia; o
mé-todode eliminaçãode Gauss -utiliza-se naanálise numériapara resolver sistemas
de equações lineares; e o plano de Gauss - plano para representação dos números
omplexos.
Vida
Filho de um trabalhador do ampo, foi riado no seio de uma família pobre,
austerae sem eduação ientía. Dadasas preárias ondiçõeseonmias da sua
família,reebeu o preiosoapoiodoDuque de Brunswih quereonheeu nele uma
riança-prodígio. Este apoio omeçou quando Gauss tinha 14 anos e permitiu-lhe
dediar-se exlusivamenteaos estudos, durante
16
anos.Ainda antes do seu vigésimo quinto aniversário, já Gauss era famoso pelo seu
trabalhoemMatemátiaeAstronomia. Aos
30
anosfoi nomeadoDiretor doObser-vatóriodeGöttingen,idadedaqualraramentesaiu,exeto porquestõesientías.
Aí,trabalhoudurante
48
anos(de1807
a1855
)atéàsua morte,omquase78
anos.A vida pessoal de Gauss foi trágia e ompliada. Um pai insensível, a morte
prematura da sua primeira mulher, a poua saúde da sua segunda mulher e uma
terrívelrelaçãoomosseuslhosnegou-lhe,atétarde,apossibilidadedevidaestável
noseio de uma famílaequilibrada.
Mesmo om todos estes problemas, Gauss manteve uma ria e espantosa
ativi-dadeientía. Asua preoe paixão pelos números eálulosestendeu-se àTeoria
dosNúmeros,àÁlgebra,àAnálise,àGeometria,àTeoriadasProbabilidadeseàT
e-oriados Erros. Ao mesmotempo,levouemfrenteuma intensiva pesquisa empíria
e teória em muitos outros ramos, inluindo Astronomia Observaional, Meânia
Celeste, levantamento topográo, Geodesia, Geomagnetismo, Eletromagnetismo e
Meanismos Óptios.
Gauss não enontrou nenhum olaborador entre os seus olegas matemátios
tendotrabalhado sempre sozinho. Mas,se é verdadeque o seu isolamentorelativo,
astronomia e o uso frequente que faz do latim têm a mara do séulo XVIII, é
inegável que, nos seus trabalhos, se reete o espírito de um novo período. Se,
tal omo os seus ontemporâneos Kant, Goethe, Beethoven e Hegel, se manteve à
margemdas grandes lutas polítias da sua époa, a verdade é que, no seu próprio
ampo,Gauss expressou asnovas ideiasdasua époade uma formapoderosíssima.
As suas publiações, a sua abundante orrespondênia, as suas notas, e os seus
manusritos mostram que ele possuía uma das maiores virtuosidades ientías de
todos os tempos.
A infânia
Começaram edo os indíios que faziam adivinhar o talento inrível que Gauss
demonstrariaaolongodesuavida. Issoépatenteemalgunsdosexertosquerelatam
a sua infânia. É o aso do seguinte episódio: durante os verões, Gebhard Gauss,
que era ontramestre numa rma de alvenaria, pagava o salário semanal aos seus
trabalhadores. Umavez, quando Gebhardestavaprestes apagarosalárioaum dos
trabalhadores, Carl Friedrih, na altura om apenas três anos, levantou-se e disse:
"Papa, ometeste um erro!", indiando em seguida a quantia erta. Gauss tinha
seguidoosálulossem sequerpoderverosregistrosesritos(dadoqueasuaaltura
ainda não era suiente para alançara mesa), e para surpresa dos presentes, uma
onrmaçãoprovou que Carl Friedrih estava erto.
É portanto natural queGauss tivesse o ostume de dizer que tinha aprendido a
ontar ea alularantes de ter aprendidoa falar.
Outra das suas proezas foi aprender a lersozinho. Como o onseguiu? Segundo
reza a história apenas perguntando aos adultos omo se pronuniavam as letras do
alfabeto. Eisto foi sóo iníio doque viriaa ser a sua obra.
A eduação
Carl Friedrihtinha sete anosquando entrou para aEsolaPrimária St.
Cathe-rine, sendoiniialmenteapenas mais um nomeio de tantosalunos. Oseu professor
era J.G. Büttner, um professor tradiional que, em geral, onsiderava os seus
alu-nos omo inapazes e pouo dotados. No entanto, edo desobriu que Gauss era
Gausstinha erade dezanos efrequentavaalassede aritmétiaquando
Bütt-ner props oseguinte difíilproblema:
Esrevam todos os númerosde 1à 100 e depoisvejamquanto dáa sua soma.
Erahábito,quandoalassetinhaumatarefadestetipo,quesezesseoseguinte:
o primeiro aluno a aabar iria até à seretária do professor om a sua ardósia e
oloá-la-iaemima damesa. O seguintea aabaroloariaa sua ardósiaemima
da do olega e assim suessivamente, até a pilha de ardósias estar ompleta. O
problema em questão não era difíil para alguém que tivesse alguma familiaridade
omasprogressõesaritmétias. Comoosrapazesaindaeramprinipiantes,Büttner
ertamentepensouquelheseriapossívelfazerumintervaloporumbomboado. Mas
estavaenganado... Emalguns segundos, Gaussoloou a sua ardósiana mesa,e ao
mesmotempodissenoseu dialetoBraunshweig: "Liggetse"(Aqui jaz). Enquanto
os outros alunos ontinuavam a somar, Gauss sentou-se almo e sereno, impassível
aos olharesdesdenhosos e suspeitos de Büttner.
No nal da aula os resultados foram examinados. A grande maioria dos alunos
tinha apresentado resultados errados pelo que foram severamente orrigidos om
uma ana-da-índia. Na ardósia de Gauss, que se enontrava no m, estava apenas
um número:
5050
(Édesneessário dizer que o resultado está orreto). Como seriadeesperar, GausstevequeexpliaraoespantadoprofessorBüttneromoéquetinha
obtidoaquele resultado:
Então,
1 + 100 = 101,
2 + 99 = 101,
3 + 98 = 101
, e por ai em diante, aténalmente
49 + 52 = 101
e50 + 51 = 101
. Istodáum total de50
paresde númerosujasoma dá
101
. Portanto, asoma total é50
·
101 = 5050
.Desta maneira aparentemente simples, Gauss tinha enontrado a propriedade
da simetria das progressões aritmétias, derivando a fórmula da soma para uma
progressãoaritmétia arbitrária- fórmulaque, provavelmente, Gauss desobriu por
sipróprio.
Este aonteimento marou o ponto de viragem na sua vida. Büttner
imedia-tamente perebeu que pouo mais tinha para ensinar a Gauss e deu-lhe o melhor
livro esolar de aritmétia, espeialmente enomendado de Hamburg. Por essa
al-tura, Gauss teve um estreito ontato om Martin Bartels, na altura om 18 anos,
Gauss que pouo tinha a aprender om ele mas para Bartels que, mais tarde, se
tornouprofessor de Matemátia.
Perante este gênio, tanto Büttner omo Bartels visitaram o pai de Gauss para
lhefalaremdaeduaçãodoseulho. Gebhardestavahabituadoaqueasuavontade
fosselei na famíliae havia idealizadoque os seus dois lhos seguissem os seus
pas-sos (o que, de fato, aonteeu om o meio irmão de Carl Friedrih, George, fruto
do primeiro asamento de seu pai). Iniialmente Gebhard mostrou-se relutante e
perguntou-lhes (om razão) omoé que iriaarranjar dinheirosuiente para
subsi-diar aeduação superior doseu lho. A istoBartelse Büttner responderam om o
únio argumento que era habitual e, frequentemente, o únio possível, nesses dias:
Nãotemos dúvida que arranjaremos qualquer pessoa distintaque queira servir de
patronoa um talgênio.
O resultado foi um ompromisso... Gebhard permitiuque o rapaz abandonasse
o seu trabalho de rotina ando linho. A roa de ar desapareeu (Gebhard disse
quehavia feito dela lenha para a lareira)e, no seu lugar, apareeram livros. Gauss
eBartels passaram então atrabalhar juntos. Costumavam sentar-se e disutir
pro-blemas de Matemátia até longas horas da noite. Mas edo Bartels ompreendeu
quenada tinha para ensinar aGauss. Oaluno tinha superado o mestre.
Em
1788
,Gaussmatriulou-se(quaseontraavontadedopai)noLieuCathari-neumemBraunshweig. OProfessor Hellwing devolveu oprimeirotrabalho esrito
de Gauss om o omentário de que "não era neessário, para um estudante tão
dotado,ontinuar a ter aulas naquela lasse".
Com a ajuda de Bartels e do lólogo Meyerho, Gauss depressa ultrapassou
os seus olegas, não só em Matemátia omo também nas línguas lássias. No
entanto,para quefossepossível ontinuar asua eduação,e terminadooperíodode
frequênianeste olégio, era neessário dinheiro,oisa que Gauss não tinha.
Disputationes arithmetiae
AsideiasqueuíramdeGaussduranteosanosfrutuososde
1795
−
1801
foram,na suamaioria,reunidasnumtrabalhoquepubliouemLeipzigem1801
,Disputationesarithmetiae.
om uma dediatória a "Sua Graiosa Alteza, Prínipe e Lorde Carl Wilhelm F
er-dinand, Duque de Braunshweig e Lüneburg". Entre outras oisas, Gauss delara
que, sem a bondade do Duque, "nuna teria onseguido dediar-se à Matemátia,
naqual tenhoestado sempre mergulhadoom apaixonado amor". Esta dediatória
éfortaleidapeloestilorooóqueerausadonaalturamas,nesteaso,não estamos
perante uma bajulação vazia de sentimento. Estas palavras reetiam aquilo que
Gauss sentia.
As Disquisitiones arithmetiaeestão divididas emsete partes:
1. Congruênias em geral
2. Congruênias de primeirograu
3. Restode potênias
4. Congruênias de segundo grau
5. Formasquadrátias
6. Apliações
7. Divisões doírulo
Apresentamos em seguida apenas um esboço do onteúdo das Disquisitiones
arithmetiaeque,ompropriedade,podemseronsideradasomoumasinfonia
lás-sia em sete momentos, onde os diferentes temas são ombinados num nal que é
levado aabo om grandeforça emagnía lareza.
Congruênias em Geral e Congruênias de Primeiro Grau
Na primeirapágina Gauss introduz um novosímbolomatemátioe dizque:
Se um número
m
divide a diferençaa
−
b
(oub
−
a
) de dois númerosa
eb
sem deixar resto, entãoa
eb
dizem-seongruentes módulom
,e Gauss esreveua
≡
b
mod
m
Esta expressão lê-se:
a
é ongruente omb
módulom
. A relação é hamadao resto de
a
módulom
, e inversamentea
é hamado o resto deb
módulom
. Se adiferença
a
−
b
não for divisível porm
, entãoa
eb
dizem-seinongruentes módulom
, ea
eb
não são restos um dooutro, módulom
.De aordo om a denição,
a
≡
b
mod
m
é o mesmo quea
−
b
=
my
, ondey
é um número inteiro qualquer.Gauss esolheu o símbolo om grande previdênia, dada a analogia entre
on-gruêniaseigualdades. Anoçãodeongruêniaémaisinlusiva,dadoquepodemos
onsiderara igualdade uma ongruênia de módulo
0
.Na segunda seção doseu Disquisitiones arithmetiae Gauss primeiro provou
al-gunsteoremasdondesaiuaquelequeusualmenteéhamadooTeoremaFundamental
daAritmétia:
Todo o número natural maior que
1
pode, exeto pela ordem dos fatores, seresritode uma euma só maneiraomo produto de números primos.
Usando o teoremafundamental da álgebra Gauss depois determinou o máximo
divisor omum
(a, b)
eo mínimomúltiploomum[a, b]
, de dois númerosa
eb
.Oresultado de Gauss para a solubilidadedas ongruêniaslinearesé:
Se
(a, m) =
d
, então é ondição neessária e suiente para que a ongruêniaa
≡
b
mod
m
sejasolúvelqued
sejaum divisordeb
. Entãologoexistemd
diferentessequênias de soluções, ou seja,
d
soluções.1.2 Congruênia
Denição 1.1 Se
a
eb
são inteiros, dizemos quea
é ongruente ab
módulom
sem
|
(a
−
b)
. Denotamos isto pora
≡
b
mod
m
. Sem
∤
(a
−
b)
dizemos quea
éinongruente a
b
módulom
e denotamosa
6≡
b
mod
m
.Exemplo 1.1
11
≡
3 mod 2
pois2
|
(11
−
3)
. Como5
∤
6
e6 = 17
−
11
temos que17
6≡
11 mod 5
.Proposição 1.1 Se
a
eb
são inteiros, temos quea
≡
b
mod
m
se, e somente se, existir um inteirok
tal quea
=
b
+
km
.da existênia de um
k
satisfazendoa
=
b
+
km
, temoskm
=
a
−
b
, ou seja, quem
|
(a
−
b)
istoé,a
≡
b
mod
m
.Proposição 1.2 Se
a, b, m
ed
são inteiro,m >
0
, as seguintes sentenças sãover-dadeiras:
1.
a
≡
a
mod
m
2. Se
a
≡
b
mod
m
, entãob
≡
a
mod
m
3. Se
a
≡
b
mod
m
eb
≡
d
mod
m
, entãoa
≡
d
mod
m
.Demonstração:
1. Como
m
|
0
, entãom
|
(a
−
a)
,o que impliaa
≡
a
mod
m
.2. Se
a
≡
b
mod
m
,entãoa
=
b
+
k
1
m
paraalguminteirok
1
. Logo,b
=
a
−
k
1
m
, oque implia,pela Proposição 1.1,b
≡
a
mod
m
.3. Se
a
≡
b
mod
m
eb
≡
a
mod
m
, então existem inteirosk
1
ek
2
tais quea
−
b
=
k
1
m
eb
−
d
=
k
2
m
. Somando-se, membro a membro, estas últimasequações, obtemos
a
−
d
= (k
1
+
k
2
)m
, oque impliaa
≡
d
mod
m
.Esta proposiçãonos dizquearelaçãode ongruênia,noonjuntodosinteiros, é
umarelaçãode equivalênia,poisaabamosde provarqueela, éreexiva,simétria
etransitiva.
Teorema 1.1 Se
a, b, c
em
são inteiros tais quea
≡
b
mod
m
, então(1)
a
+
c
≡
b
+
c
mod
m
(2)
a
−
c
≡
b
−
c
mod
m
Demonstração:
(1) Como
a
≡
b
mod
m
,temos quea
−
b
=
km
e, portanto,omoa
−
b
= (a
+
c)
−
(b
+
c)
temosa
+
c
≡
b
+
c
mod
m
.(2) Como
(a
−
c)
−
(b
−
c) =
a
−
b
e, por hipótese,a
−
b
=
km
temos quea
−
c
≡
b
−
c
mod
m
.(3) Como
a
−
b
=
km
entãoac
−
bc
=
ckm
oqueimpliam
|
(ac
−
bc)
e,portanto,ac
≡
bc
mod
m
.Teorema 1.2 Se
a, b, c, d
em
são inteiros tais quea
≡
b
mod
m
ec
≡
d
mod
m
, então(1)
a
+
c
≡
b
+
d
mod
m
(2)
a
−
c
≡
b
−
d
mod
m
(3)
ac
≡
bd
mod
m
Demonstração:
(1) De
a
≡
b
mod
m
ec
≡
d
mod
m
temosa
−
b
=
km
ec
−
d
=
k
1
m
. Somando-se ambos os lados da igualdade, obtemos(a
+
c)
−
(b
+
d) = (k
+
k
1
)m
e isto impliaa
+
c
≡
b
+
d
mod
m
.(2) Bastasubtrair ambososlados daigualdade
a
−
b
=
km
ec
−
d
=
k
1
m
obtendo(a
−
b)
−
(c
−
d) = (k
−
k
1
)m
o que impliaa
−
c
≡
b
−
d
mod
m
.(3) Multipliamosambososladosde
a
−
b
=
km
porc
eambososdec
−
d
=
k
1
m
porb
, obtendoac
−
bc
=
ckm
ebc
−
bd
=
bk
1
m
. Basta, agora,somarmosmembroTeorema 1.3 Se
a, b, c
em
sãointeiros eac
≡
bc
mod
m
, entãoa
≡
b
mod
m
d
onded
= (c, m)
.Demonstração: De
ac
≡
bc
mod
m
temosac
−
bc
=
km
. Se dividirmos os dois membros pord
, teremos(c/d)(a
−
b) =
k(m/d)
. Logom
d
|
c
d
(a
−
b)
e omo(m/d, c/d) = 1
, temos que,(m/d)
|
(a
−
b)
o impliaa
≡
b
mod
m
d
.Denição 1.2 Se
h
ek
são dois inteiros, omh
≡
k
mod
m
, dizemos quek
é um resíduo deh
módulom
.Denição 1.3 o onjunto dos inteiros
{
r
1
, r
2
, . . . , r
s}
é um sistema ompleto de resíduos módulom
se (1)r
i
6≡
r
j
mod
m
parai
6
=
j
(2) para todo inteiron
existe umr
i
tal quen
≡
r
i
mod
m.
Exemplo 1.2
{
0,
1,
2, . . . , m
−
1
}
é um sistema ompleto de resíduos módulom
.Exemplo 1.3 Para
m
ímparoonjunto seguinteéumsistemaompletoderesíduosmódulo
m
.−
m
−
1
2
,
−
m
−
3
2
, . . . ,
−
1,
0,
1, . . . ,
m
−
3
2
,
m
−
1
2
.
Teorema 1.4 Se
k
inteirosr
1
, r
2
, . . . , r
k
formam um sistema ompleto de resíduosmódulo
m
entãok
=
m
.Demonstração: Primeiramentedemonstramosqueosinteiros
t
0
, t
1
, . . . , t
m−
1
,omt
i
=
i
formam, de fato,um sistema ompletode resíduosmódulom
. Sabemos que ,para ada
n
, existe um únio par de inteirosq
es
,taisquen
=
mq
+
s,
0
≤
s < m
. Logo,n
≡
s
mod
m
,sendos
um dost
i
. Como|
t
i
−
t
j
| ≤
m
−
1
,temost
i
6≡
t
j
mod
m
parai
6
=
j
. Portanto,oonjunto{
t
0
, t
1
, . . . , t
n−
1
}
,éumonjuntoderesíduosmódulom
. Distoonluímos queadar
i
é ongruente aexatamente aum dost
i
, oque nosgarante
k
≤
m
. Como o onjunto{
r
1
, r
2
, . . . , r
k}
forma, por hipótese, um sistema ompleto de resíduos módulom
, adat
i
é ongruente a exatamente um dosr
i
e,Teorema 1.5 Se
r
1
, r
2
, . . . , r
m
é um sistema ompleto de resíduos módulom
ea
eb
são inteiros om(a, m) = 1
, entãoar
1
+
b, ar
2
+
b, . . . , ar
m
+
b
também é um sistema ompleto de resíduos módulo
m
.Demonstração: Considerando-se oresultado do teoremaanterior,será suiente
mostrar que quaisquer dois inteiros do onjunto
ar
1
+
b, ar
2
+
b, . . . , ar
m
+
b
, sãoinongruentesmódulo
m
. Para istovamos suporquear
i
+
b
≡
ar
j
+b
mod
m
. Logo, peloTeorema1.1,temosar
i
≡
ar
j
mod
m
. Mas,omo(a, m) = 1
,peloTeorema1.1 nos diz quer
i
≡
r
j
mod
m
. O fato der
i
≡
r
j
mod
m
impliai
=
j
, uma vez que,r
1
, r
2
, . . . , r
m
formam um sistema ompleto de resíduos módulom
, o que ompletaademonstração.
Proposição 1.3 Se
a, b, k
em
são inteiros omk >
0
ea
≡
b
mod
m
, entãoa
k
≡
b
k
mod
m
.
Demonstração: Isto segue, imediatamente, da identidade:
a
k
−
b
k
= (a
−
b)(a
k−
1
+
a
k−
2
b
+
a
k−
3
b
2
+
· · ·
+
ab
k−
2
+
b
k−
1
)
Teorema 1.6 Se
a
≡
b
mod
m
1
, a
≡
b
mod
m
2
, . . . , a
≡
b
mod
m
k
onde
a, b, m
1
, m
2
, . . . , m
k
são inteiros omm
i
positivos,i
= 1,
2, . . . , k
, entãoa
≡
b
mod [m
1
, m
2
, . . . , m
k
]
Onde
[m
1
, m
2
, . . . , m
k
]
é omínimo múltiplo omum dem
1
, m
2
, . . . , m
k
.Demonstração: Seja
p
n
omaiorprimoqueapareenasfatoraçõesdem
1
, m
2
, . . . , m
k
.Cada
m
i
,i
= 1,
2, . . . , k
pode, então, ser expresso omom
i
=
p
α
1
1
i
·
p
α
2
i
2
. . . p
α
n
ni
,
Como
m
i
|
(a
−
b), i
= 1,
2, . . . , k
, temos quep
α
ji
j
|
(a
−
b), i
= 1,
2, . . . , k
,j
= 1,
2, . . . , n
. Logo, se tomarmosα
j
= max
1
≤i≤k{
α
ji}
teremosquep
α
1
1
·
p
α
2
2
·
. . .
·
p
α
n
n
|
(a
−
b)
Mas,
p
α
1
1
·
p
α
2
2
·
. . .
·
p
α
n
n
= [m
1
, m
2
, . . . , m
k
]
Oque implia
a
≡
b
mod [m
1
, m
2
, . . . , m
k
]
1.3 Congruênia Linear
Chamamos de ongruênia linear de uma variável a uma ongruênia da forma
ax
≡
b
mod
m
ondex
é uma inógnita. É fáil de se veriar que sex
0
é umasolução, i.e.,
ax
0
≡
b
mod
m
ex
1
≡
x
0
mod
m,
entãox
1
também é solução. Isto é obvio, pois sex
1
≡
x
0
mod
m,
entãoax
1
≡
ax
0
≡
b
mod
m
. O que aabamos de veriar é que se um membro de uma lasse de equivalênia é solução, então todomembro desta lasse é solução. Destas observações surge uma questão natural: No
aso de existir alguma solução, quantas soluções inongruentes existem? Antes de
respondermos a esta importantequestão, neessitamos provar um teorema que nos
dá informações sobre a existênia de soluções para uma equação diofantina linear.
Uma equação da forma
ax
+
by
=
c
, ondea, b
ec
são inteiros é hamada equaçãodiofantinalinear (o nomevem domatemátio gregoDiofanto).
Teorema 1.7 Sejam
a
eb
inteiros positivos ed
= (a, b)
. Sed
∤
c,
então a equaçãoax
+
by
=
c
nãopossui nenhuma soluçãointeira. Sed
|
c
elapossui innitas soluçõese se
x
=
x
0
ey
=
y
0
é uma solução partiular, então todas as soluções são dadaspor
x
=
x
0
+ (b/d)k
y
=
y
0
−
(a/d)k,
Demonstração: Se
d
∤
c
, então a equaçãoax
+
by
=
c
não possuí soluçãopois, omo
d
|
a
ed
|
b
,d
deveria dividirc
, o qual é uma ombinação linear dea
eb
. Suponhamos, pois,qued
|
c
. Pelo Teorema1.3, existem inteirosn
0
em
0
, taisquean
0
+
bm
0
=
d
(1.1)Como
d
|
c
,existe uminteirok
talquec
=
kd
. Semultipliarmos,ambososmembros de (1.1) pork
, teremosa(n
0
k) +
b(m
0
k) =
kd
=
c
. Isto nos diz que o par(x
0
, y
0
)
om
x
0
=
n
0
k
ey
0
=
m
0
k
é umasoluçãodeax
+
by
=
c
. Éfáilaveriação de queospares daforma
x
=
x
0
+ (b/d)k
y
=
y
0
−
(a/d)k
são soluções, uma vez que
ax
+
by
=
a(x
0
+ (b/d)k) +
b(y
0
−
(a/d)k) =
ax
0
+
ab
d
k
+
by
0
−
ab
d
k
=
ax
0
+
by
0
=
c
O que aabamos de mostrar é que, onheida uma solução partiular
(x
0
, y
0
)
podemos, a partir dela, gerar innitas soluções. Preisamos, agora, mostrar que
todasolução da equação
ax
+
by
=
c
é da formax
=
x
0
+ (b/d)k, y
=
y
0
−
(a/d)k
. Vamossuporque(x, y)
sejaumasolução,i.e.,ax
+
by
=
c
. Mas,omoax
0
+
by
0
=
c
,obtemos, subtraindo membro a membro, que
ax
+
by
−
ax
0
−
by
0
=
a(x
−
x
0
) +
b(y
−
y
0
) = 0,
o que implia
a(x
−
x
0
) =
b(y
0
−
y)
. Comod
= (a, b)
temos, pelo Corolário da Proposição 1.4, quea
d
,
b
d
= 1.
Portanto, dividindo-seosdois membros da últimaigualdade por
d
, teremosa
d
(x
−
x
0
) =
b
d
(y
0
−
y).
(1.2)Logo, pelo Teorema 1.6,
(b/d)
|
(x
−
x
0
)
e portanto existe um inteirok
satisfazendox
−
x
0
=
k(b/d)
,ousejax
=
x
0
+ (b/d)k
. Substituindo-seeste valordex
naequaçãoCom este teorema à mão podemos, agora, dizer quantas são as soluções
inon-gruentes (aso exista alguma)que aongruênia linear
ax
≡
b
mod
m
possui.Teorema 1.8 Sejam
a, b
em
inteiros tais quem >
0
e(a, m) =
d
. No aso emque
d
∤
b
a ongruêniaax
≡
b
mod
m
não possui nenhuma solução e quandod
|
b
, possui exatamente d soluções inongruentes módulom
.Demonstração: PelaProposição 1.1, sabemos queo inteiro
x
é soluçãodeax
≡
b
mod
m
se, e somente se, existe um inteiroy
tal queax
=
b
+
my
, ou, o queé equivalente,
ax
−
my
=
b
. Do teorema anterior sabemos que esta equação não possui nenhuma solução asod
∤
b
, e que sed
|
b
ela possui innitas soluções dadas porx
=
x
0
−
(m/d)k
ey
=
y
0
−
(a/d)k,
onde(x
0
, y
0
)
é uma solução partiular deax
−
my
=
b
. Logo, a ongruêniaax
≡
b
mod
m
possui innitas soluções dadaspor
x
=
x
0
−
(m/d)k
. Como estamos interessados em saber o número de soluções inongruentes, vamos tentar desobrir sobre que ondiçõesx
1
=
x
0
−
(m/d)k
1
ex
2
=
x
0
−
(a/d)k
2
são ongruentes módulom
. Sex
1
ex
2
são ongruentes, entãox
0
−
(m/d)k
1
≡
x
0
−
(m/d)k
2
mod
m
. Isto implia(m/d)k
1
≡
(m/d)k
2
mod
m
,e omo
(m/d)m
temos(m/d, m) =
m/d
, o que nos permite o anelamento dem/d
resultando, pelo Teorema 1.3,k
1
≡
k
2
mod
d
. Observe quem
foi substituídopor
d
=
m/(m/d)
. Isto nos mostra que soluções inongruentes serão obtidas aotomarmos
x
=
x
0
−
(m/d)k
, ondek
perorre um sistema ompleto de resíduos módulod
,o que onluia demonstração.Denição 1.4 Dizemos que uma solução
x
0
deax
≡
b
mod
m
é únia módulom
quando qualquer outra soluçãox
1
for ongruentea x
0
módulom
.Denição 1.5 Uma solução
¯
a
deax
≡
1 mod
m
é hamada de um inverso dea
módulom
. Segue, agora, do Teorema 1.8, que se(a, m) = 1,
então a possui umúnio inverso módulo
m
. A proposiçãoseguintenos dizquando uminteiro ae o seupróprio inverso módulo
p
, ondep
é um número primo.Proposição 1.4 Seja
p
um número primo. O inteiro positivoa
é o seu próprioDemonstração: Se
a
éo seu próprioinverso, entãoa
2
≡
1 mod
p
, oque signia
que
p
|
(a
2
−
1)
. Masse
p
|
(a
−
1)(a
+ 1)
,sendopprimo,p
|
(a
−
1)
oup
|
(a
+ 1)
,oque impliaa
≡
1 mod
p
oua
≡ −
1 mod
p
. A reíproaéimediatapois,sea
≡
1 mod
p
oua
≡ −
1 mod
p
, entãop
|
(a
−
1)
oup
|
(a
+ 1)
. Portanto,p
|
(a
−
1)(a
+ 1)
o que signiaa
2
≡
1 mod
p
, o queonlui a demonstração.
1.4 Os Teoremas de Euler, Fermat e Wilson
Antes de demonstrarmos o Teorema de Wilson, que diz que para p primo
(p
−
1)!
≡ −
1 mod
p
, forneemos um exemplo, tomandop
= 13
, om a nalidade deapresentarmos aideia utilizadana demonstração. Dentre osnúmeros
1,
2,
3, . . . ,
12
somente os números
1
e12
são os seus próprios inversos módulo13
. Isto segueda Proposição 1.4, pois
1
≡
1 mod 13
e12
≡ −
1 mod 13
e nenhum dos números2,
3, . . . ,
11
éongruentea1
ou−
1
módulo13
. Mas,omoosnúmeros2,
3,
4, . . . ,
11
são todos relativamente primos om
13
, ada um deles possui, pelo Teorema 1.8,um únio inverso módulo
13
. Eles podem, portanto, ser agrupados em5
pares(5 = (13
−
3)/2)
que são osseguintes:2
×
7
≡
1 mod 13
3
×
9
≡
1 mod 13
4
×
10
≡
1 mod 13
5
×
8
≡
1 mod 13
6
×
11
≡
1 mod 13
Pelo Teorema 1.2 (3) podemos multipliar estas ongruênias, membro a membro,
obtendo
2
×
3
×
4
×
5
×
6
×
7
×
8
×
9
×
10
×
11
≡
1 mod 13
Se multipliarmos osdois lados por
12
teremos2
×
3
×
4
× · · · ×
11
×
12
≡
12 mod 13
Teorema 1.9 (Teorema de Wilson) Se
p
é primo, então(p
−
1)!
≡ −
1 mod
p
.Demonstração: Como
(2
−
1)!
≡ −
1 mod 2
o resultadoéválidoparap
= 2
. Pelo Teorema 1.8, a ongruêníaax
≡
1 mod
p
tem uma únia solução para todo a no onjunto1,
2,
3, .., p
−
1
eomo,desteselementos,somente1
ep
−
1
sãoseuspróprios inversos módulop
,podemosagruparosnúmeros2,
3,
4, . . . , p
−
2
em(p
−
3)/2
pares ujoproduto sejaongruentea1
módulo13
. Se multipliarmosestas ongruênias,membroamembro, teremos,peloTeorema1.2(3)
2
×
3
×
4
×· · · ×
(p
−
2)
≡
1 mod
p
. multipliando-seambos oslados desta ongruênia porp
−
1
teremos2
×
3
×
4
× · · · ×
(p
−
2)
×
(p
−
1)
≡
(p
−
1) mod
p,
istoé,
(p
−
1)!
≡ −
1 mod
p
uma vez quep
−
1
≡ −
1 mod
p
.O teoremaseguinte nos diz que se um número satisfaz a relação do teorema de
Wilson, eledeve ser primo.
Teorema 1.10 Se
n
é um inteiro tal que(n
−
1)!
≡ −
1 mod
n
, entãon
é primo.Demonstração: Aprovaéporontradição. Vamossuporque
(n
−
1)!
≡ −
1 mod
n
, isto é,n
|
((n
−
1)! + 1)
e quen
não seja primo, ou seja,n
=
rs
,1
< r < n
e1
< s < n
. Nestasondiçõesr
|
(n
−
1)!
e,sendor
umdivisor den
,r
|
((n
−
1)! + 1)
e,portanto,
r
deve dividiradiferença(n
−
1)! + 1
−
(n
−
1)! = 1,
oque é absurdo, uma vez quer >
1
. Logo, um taln
satisfazendo(n
−
1)!
≡ −
1 mod
n
deve ser primo.O próximoteorema nos diz que se
p
é primoep
∤
a
, entãop
|
(a
p−
1
−
1)
. Vamos
primeiramente provar isto num aso partiular om a nalidade de ilustrar a ideia
usadana demonstração. Sejam
p
= 11
ea
= 5
. Logo temos:1
×
5
≡
5 mod 11
4
×
5
≡
9 mod 11
5
×
5
≡
3 mod 11
6
×
5
≡
8 mod 11
7
×
5
≡
2 mod 11
8
×
5
≡
7 mod 11
9
×
5
≡
1 mod 11
10
×
5
≡
6 mod 11
Observe que
11
não divide nenhum dos produtosj
×
5
,1
≤
j
≤
10
que estão na oluna da esquerda nas ongruênias aima. Observe, também, que todos eles sãoinongruentes módulo
11
, pois se5j
≡
5k
mod 11
, devemos terj
≡
k
mod 11
om1
≤
j
≤
10
e1
≤
k
≤
10
, e, portanto,j
=
k
. Logo, omo nenhum é ongruente azero módulo
11
e todos são inongruentes módulo11
, eles devem ser ongruentes adiferentesnúmerosdentre
1,
2,
3, . . . ,
10
. Observequetodosestesnúmerosapareem,sem repetições, na oluna. da direita nas ongruênias aima. Agora podemos
multipliar,membro a membro, estas ongruêniaspara obter
(1
×
5)(2
×
5)(3
×
5)
· · ·
(10
×
5)
≡
5
×
10
×
4
×
9
×
3
×
8
×
2
×
7
×
1
×
6 mod 11
e,portanto,
5
10
10!
≡
10! mod 11
. Mas,omo
(10!,
11) = 1
temos, peloTeorema1.3,que
5
10
≡
1 mod 11,
o que mostra a validade do teorema neste aso partiular em que
a
= 5
ep
= 11
.Com este exemplom mente será fáil provaro teorema.
Teorema 1.11 [Pequeno Teoremade Fermat℄ Seja
p
primo. Sep
∤
a
entãoa
p−
1
≡
1 mod
p
.Demonstração: Sabemosqueoonjuntoformadopelos
p
números{
0,
1,
2, . . . , p
−
1
}
onstituium sistemaompleto de resíduos módulop
. Istosignia quequalqueronjuntoontendonomáximo
p
elementosinongruentesmódulop
podeseroloadonúmeros
ia
,1
≤
i
≤
p
−
1
é divisível porp
, ou seja, nenhum é ongruente a zero módulop
. Quaisquer dois deles são inongruentes módulop
, poisaj
≡
ak
mod
p
impliaj
≡
k
mod
p
e isto só é possível sej
=
k
, uma vez que ambosj
ek
são positivos e menores do quep
. Temos, portanto, um onjunto dop
−
1
elementos inongruentes módulop
e não-divisíveis porp
. Logo, ada um deles é ongruentea exatamente um dentre os elementos
{
1,
2,
3, . . . , p
−
1
}
. Se multipliarmos estas ongruênias, membro amembro, teremos:a(2a)(3a)(4a)
· · ·
(p
−
1)a
≡
1
×
2
×
3
× · · · ×
(p
−
1) mod
p,
ouseja,
a
p−
1
(p
−
1)!
≡
(p
−
1)! mod
p
. Mas,omo
((p
−
1)!, p) = 1
, podemosanelar ofator(p
−
1)!
emambos oslados, obtendoa
p−
1
≡
1 mod
p
oque onluia demonstração.
Corolário 1.11.1 Se
p
é um primo ea
é um inteiro positivo, entãoa
p
≡
a
mod
p.
Demonstração: Temos que analisar dois asos, se
p
|
a
e sep
∤
a
. Sep
|
a
, entãop
|
(a(a
p−
1
−
1))
e, portanto
a
p
≡
a
mod
p
. Se
p
∤
a
,p
|
a
p−
1
−
1
e, portanto,
p
|
(a
p
−
a)
. Logo, em ambosos asos,
a
p
≡
a
mod
p
.
Denição 1.6 Se
n
é um inteiropositivo, a funçãoφ
deEuler, denotadaporφ(n)
,é denida omo sendo o número de inteiros positivos menores do que ou iguais a
n
quesão relativamente primos om
n
.Denição 1.7 Um sistema reduzido de resíduos módulo
m
é um onjunto deφ(n)
inteiros
r
1
, r
2
, . . . , r
φ
(
m
)
, tais que ada elemento do onjunto é relativamente primoom
m
, e sei
6
=
j
, entãor
i
6≡
r
j
mod
m
.Exemplo 1.4 O onjunto
{
0,
1,
2,
3,
4,
5,
6,
7
}
é um sistema ompleto de resíduos módulo8
, portanto{
1,
3,
5,
7
}
é um sistema reduzido de resíduos módulo8
. A m de se obter um sistema reduzido de resíduos de um sistema ompleto módulom
,Teorema 1.12 Seja
a
um inteiro positivo tal que(a, m) = 1
. Ser
1
, r
2
, . . . , r
φ
(
m
)
é um sistema reduzido de resíduos módulo
m
, entãoar
1
, ar
2
, . . . , ar
φ
(
m
)
é, também,umsistema reduzido de resíduos módulo
m
.Demonstração: Como na sequênia
ar
1
, ar
2
, . . . , ar
φ
(
m
)
temosφ(m)
elementos,devemos mostrar que todos eles são relativamente primos om
m
e, dois a dois,inongruentes módulo
m
. Como(a, m) = 1
e(r
i
, m) = 1
, temos(ar
i
, m) = 1
.Logo, nos resta mostrar que
ar
i
6≡
ar
j
mod
m
sei
6
=
j
. Mas, omo(a, m) = 1
dear
i
≡
ar
j
mod
m
temosr
i
≡
r
j
mod
m
, o que impliai
=
j
, uma vez quear
1
, ar
2
, . . . , ar
φ
(
m
)
, é um sistema reduzido de resíduos módulom
, o que onlui ademonstração.
Vamos, agora, mostrar a validade do Teorema de Euler num aso espeial para
ilustraraideiaqueusaremos nademonstração. Sejam
m
= 8
ea
= 5
. Sabemos queoonjunto
{
1,
3,
5,
7
}
éum sistemareduzido de resíduosmódulo8
.Consideremos oonjuntoformado por
5
×
1,
5
×
3,
5
×
5
e5
×
7
. PeloTeorema 1.12esteonjuntotambémonstituiumsistemareduzidoderesíduosmódulo8
. Istosigniaqueada um dos elementos
5
×
1,
5
×
3,
5
×
5,
5
×
7
éongruentemódulo8
aexatamente um dos elementos1,
3,
5,
7
. Temos, na realidade que5
×
1
≡
5 mod 8
5
×
3
≡
7 mod 8
5
×
5
≡
1 mod 8
Multipliando-semembro a membro, estas ongruênias obtemos
5
4
(1
×
3
×
5
×
7)
≡
(1
×
3
×
5
×
7) mod 8
Como
(1
×
3
×
5
×
7,
8) = 1
podemosanelar ofator(1
×
3
×
5
×
7)
obtendo5
4
≡
1 mod 8.
Observe que
4 =
φ(8)
, ouseja, provamos que5
Teorema 1.13 (Euler) Se
m
é um inteiro positivo ea
um inteiro om(a, m) = 1
,então
a
φ
(
m
)
≡
1 mod
m.
Demonstração: NoTeorema1.12mostramosqueoselementos
ar
1
, ar
2
, . . . , ar
φ
(
m
)
onstituemumsistemareduzidoderesíduosmódulo
m
se(a, m) = 1
er
1
, r
2
, . . . , r
φ
(
m
)
for um sistema reduzido de resíduos módulo
m
, Isto signia quear
i
é ongruentea exatamente um dos
r
j
,
1
≤
j
≤
φ(m)
, e portanto o produto dosar
i
, deve ser ongruente aoproduto dosr
j
módulom
, istoé,ar
1
·
ar
2
·
. . .
·
ar
φ
(
m
)
≡
r
1
·
r
2
·
. . .
·
r
φ
(
m
)
mod
m
ouseja,
a
φ
(
m
)
·
r
1
·
r
2
·
. . . r
φ
(
m
)
≡
r
1
·
r
2
·
. . .
·
r
φ
(
m
)
mod
m.
Como
φ
(
m
)
Y
i
=1
r
i
, m
= 1
podemos anelar
φ
(
m
)
Y
i
=1
r
i
emambosos ladospara obter
a
φ
(
m
)
≡
1 mod
m
. Comopara
p
primo,φ(p) =
p
−
1
, oteorema aimaé uma generalizaçãodo Teorema1.11.1.5 O Teorema Chinês dos Restos
O nome dado ao teorema seguinte se deve ao fato de que este resultado já era
onheido,na antiguidade, pelos matemátios hineses.
Teorema 1.14 (O Teorema Chinês dos Restos) Se
(m
i
, m
j
) = 1
parai
6
=
j
e
x
≡
c
1
mod
m
1
x
≡
c
2
mod
m
2
x
≡
c
3
mod
m
3
.
.
.
x
≡
c
r
mod
m
r
(1.3)
possui solução e a solução é únia módulo
m
, ondem
=
m
1
·
m
2
· · · · ·
m
r
.Demonstração: Se denirmos
y
i
=
m/m
i
, ondem
=
m
1
·
m
2
·
. . .
·
m
r
, teremos(y
i
, m
i
) = 1
, pois(m
i
, m
j
) = 1
parai
6
=
j
. Dessa forma, pelo Teorema 1.8, adaumadasongruênias
y
i
x
≡
1 mod
m
i
possuiumaúniasoluçãoquedenotamospory
i
. Logo,y
i
y
i
≡
1 mod
m
i
, i
= 1,
2,
· · ·
, r
. Armamosque onúmerox
dado porx
=
c
1
y
1
y
1
+
c
2
y
2
y
2
+
· · ·
+
c
r
y
r
y
r
éuma solução simultâneapara o nosso sistemade ongruênias.
De fato, pela denição dos
y
j
, temos quem
i
|
y
j
parai
6
=
j
. Assim,c
j
y
j
≡
0 mod
m
i
e, onsequentemente,x
=
c
1
y
1
y
1
+
c
2
y
2
y
2
+
· · ·
+
c
i
y
i
y
i
+
. . .
+
c
r
y
r
y
r
≡
c
i
y
i
y
i
mod
m
i
≡
c
i
mod
m
i
.
Provamos, a seguir, que esta solução é únia módulo
m
. Sex
¯
é uma outra soluçãopara o nosso sistema, então
x
¯
≡
c
i
≡
x
mod
m
i
e, portanto,x
¯
≡
x
mod
m
i
. Logo,m
i
|
(x
−
x), i
= 1,
2, . . . , r
.Por outro lado,omo
(m
i
, m
j
) = 1
parai
6
=
j
temos que[m
1
, m
2
, . . . , m
r
] =
m
1
·
m
2
·
. . .
·
m
r
.
Portanto,peloTeorema1.6,
mm
1
·
m
2
·
. . .
·
m
r
|
(¯
x
−
x)
, ouseja,x
¯
≡
x
mod
m
, oque onluia demonstração.O orolário seguinte é uma versão mais ompleta do Teorema 1.14. Sua prova
segueimediatamentedos teoremas 1.8e1.14.
Corolário 1.14.1 (O Teorema Chinês dos Restos - versão 2) Se
(a
i
, m
i
) = 1
,
a
1
x
≡
c
1
mod
m
1
a
2
x
≡
c
2
mod
m
2
a
3
x
≡
c
3
mod
m
3
.
.
.
a
r
x
≡
c
r
mod
m
r
(1.4)
possui solução e a solução é únia módulo
m
, ondem
=
m
1
·
m
2
· · · · ·
m
r
.Demonstração: Pelo Teorema 1.8, para ada
i
= 1, . . . , r
, existea
i
tal quea
i
a
i
≡
1 mod
m
i
e,portanto,o sistemade ongruênias(1.4) é equivalentea
x
≡
a
1
c
1
mod
m
1
x
≡
a
2
c
2
mod
m
2
x
≡
a
3
c
3
mod
m
3
.
.
.
x
≡
a
r
c
r
mod
m
r
(1.5)
Apliações
2.1 Aritmétia modular e alguma de suas apliações
Uma das ferramentas mais importantes na teoria dos números é a aritmétia
modular,queenvolveooneito deongruênia. FoiobrilhanteGaussqueobservou
que usávamos om muita frequênia frases do tipo:
a
dá o mesmo resto queb
quando divididospor
m
; e queessa relaçãotinha um omportamentosemelhante àigualdade. Foi Gauss então que introduziu uma notação espeía para este fato e
quedenominoudeongruênia. Muitosetemesritosobreessetema,prinipalmente
nos livros sobre teoria dos números. É um oneito muito importante e que está
relaionadoom divisibilidadee osrestos de uma divisão de números inteiros.
Oquenãoémuitoomuméoestudodasmuitasapliaçõesqueotemapossuino
otidianode todas as pessoas. Diferentes ódigos numériosde identiação, omo
ódigosdebarras,númerosdosdoumentosdeidentidade,CPF,CNPJ,ISBN,ISSN,
riptograa, alendários e diversos fenmenos periódios estão diretamente ligados
aotema, onformemostraremos emnosso estudo.
Este tema é bastante atual e pode ser trabalhado já nas lasses do Ensino F
un-damentalegeradorde exelentes oportunidadesde ontextualizaçãonoproesso de
ensino/aprendizagemde matemátia.
Iniialmentevamosmostraralgunselementosteóriossobreaaritmétiamodular
e, na segunda parte do trabalho teremos a apresentação de alguns exemplos de
2.1.1 Noções básias de aritmétia modular
Antes de apresentarmosasdeniçõesepropriedadesrelaionadasàongruênia,
vamos desenvolver três exemplosque poderiamser oloadosaalunos daEduação
Básia,ainda não familiarizadosom otema, omo introdução aoassunto.
Exemplo 2.1 Vamosapresentar umaquestão retiradado bano de questões do site
da OBMEP (Olimpíada Brasileira de Matemátia das Esolas Públias).
A, B,C, D,E, F, Ge H sãoos os de apoio queumaaranhausa para onstruir
suateia, onforme mostra a gura. A aranha ontinua seu trabalho. Sobre qual o
de apoio estará o número
118
?Figura2.1: Teia daAranha
Vejamos oque está aonteendo?
0 1 2 3 4 5 6 7
8 9 10 11 12 13 14 15
16 17 18 19 20 21 22 23
24 25 26 27 28 29 30 31
... ... ... ... ... ... ... ...
Élaro quealgumapessoa bem paientepoderiaontinuar onstruindoatabela
até queapareesse onúmero
118
. Assimelasaberia emqualo aaranhairiaestar.Podemosobservarqueososserepetemaadaoitonúmeroseessaperiodiidade
fazomqueosnúmerosdeadaoformemumaprogressãoaritmétiaderazãoigual
a
8
, ou seja, aumentem de oito em oito. Observamos também que ada o podeser representado a partir dos múltiplosde
8
. O oA orresponde aos números quesão múltiplos de
8
, ou seja, números que divididos por8
deixam resto zero (8.n
,om
n
∈
N
). O oB
orresponde aos números que são múltiplos de8
, mais1
, ou seja, números que divididos por8
deixam resto1
(8.n
+ 1
, omn
∈
N
). O oC
orresponde aos números que são múltiplos de8
, mais2
, ou seja, númerosque divididos por
8
deixam resto2
(8.n
+ 2
, omn
∈
N
) e essa lógia se mantém até o oH
, denido pelos números que divididos por oitodeixam resto7
. É laroquepara sabersobre qual oestará onúmero
118
, basta veriarmos a qualdessasfamíliastalnúmeropertene eissopodeser failmenteobtidoaodividirmos
118
por8
. Vejamos:118 8
(6) 14
Veriamos queo número
118
éigual a8.14 + 6
, ouseja, pertene à famíliadosnúmerosque estão noo
G
.Todos os números de nosso exemplo, que estão no mesmo o, tem uma
parti-ularidade em omum, deixam o mesmo resto ao serem divididos por
8
e, omo jáomentamos na introdução, são ongruentes entre si, no módulo
8
. O número14
,porexemplo,éongruenteaonúmero
22
,nomódulo8
,eissosigniaqueessesdoisnúmeros deixam o mesmo resto quando divididos por8 (verique que ambosestão
sobre oo
G
). Veriando:14 8 22 8
(6) 1 (6) 2
Simboliamente, podemosesrever:
14
≡
22 mod 6
Exemplo 2.2 Aritmétia do relógio
Trata-sedeumasodeongruênia,módulo
12
(nosrelógiosanalógios,élaro).Figura2.2: Relógio analógio
deixam resto
1
.17
horas é ongruente a5
horas, módulo12
. Tanto17
, omo5
,divididos por
12
, deixam resto5
...e assim, suessivamente.1
≡
13
≡
25
≡
. . . ,
mod12
5
≡
17
≡
29
≡
. . . ,
mod12
Assimashoras maradasnumrelógioanalógioonstituemtambém umasolássio
de ongruênia, nesseaso om módulo
12
.Exemplo 2.3 Vejamos uma apliação interessante sobre o tema, relaionada aos
alendários:
Vamos supor que voê saiba em qual dia da semana aiu o dia
1
ode janeiro de
um determinado ano. Em
2006
, por exemplo, foi um domingo. Imaginemos quevoê deseja saber quando airá um outro dia qualquer (vale para qualquer ano). É
só montar uma tabelapara essa primeira semana, que no aso será:
Domingo
→
(1)
Segunda
→
(2)
Terça
→
(3)
Quarta
→
(4)
Quinta
→
(5)
Sexta
→
(6)
Sábado
→
(7)
Veriamosaquiqueestamosnovamente diantedeum asode ongruênia,