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A QUESTÃO DO SEMI-ÁRIDO E O BIOMA CAATINGA

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Academic year: 2021

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EIXO TEMÁTICO 12: SUSTENTABILIDADE, RECURSOS NATURAIS E APROPRIAÇÃO DO ESPAÇO.

ORIENTADOR: PROFº MS. LUIZ HENRIQUE DE BARROS LYRA / UPE / [email protected] DIOGO LOPES LIMA / UPE / [email protected]

SAMARA DE SOUZA SILVA / UPE / [email protected] THIAGO SOUZA XAVIER / UPE / [email protected]

VAGNER DA CUNHA LIMA / UPE / [email protected]

A QUESTÃO DO SEMI-ÁRIDO E O BIOMA CAATINGA

1. O BIOMA CAATINGA.

Foto de Diogo Lima, 2009.

Nesta foto, pode-se visualizar parte da vegetação na BA - 210 (LIMA, 2009).

Caatinga (que quer dizer “mata branca”) é o único bioma exclusivamente brasileiro, o que significa que grande parte do seu patrimônio biológico não pode ser encontrado em nenhum outro lugar do planeta. A caatinga ocupa uma área de cerca de 750.000 km², cerca de 11% do território nacional englobando de forma contínua parte dos estados do Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia e parte do Norte de Minas Gerais (Sudeste do Brasil).

Apresenta vegetação típica de regiões semi-áridas com perda de folhagem pela vegetação durante a estação seca. Anteriormente acreditava-se que a caatinga seria o resultado da degradação de formações vegetais mais exuberantes, como a Mata Atlântica ou a Floresta Amazônica. Essa crença sempre levou à falsa idéia de que o bioma seria homogêneo, com biota pobre em espécies e em endemismos, estando pouco alterada ou ameaçada, desde o início da colonização do Brasil, tratamento este que tem permitido a degradação do meio ambiente e a extinção em âmbito local de várias espécies, principalmente de grandes mamíferos, cujo registro em muitos casos restringe-se atualmente à associação com a denominação das localidades onde existiram. Entretanto, estudos e compilações de dados mais recentes apontam a caatinga como rica em biodiversidade e endemismos, e bastante heterogênea. Muitas áreas que eram consideradas como primárias são, na verdade, o produto de interação entre o homem nordestino e o seu ambiente, fruto de uma exploração que se estende desde o século XVI.

Neste sentido, Malvezzi (2007) lembra que há milhões de anos, toda essa localidade era imersa pelo mar. Depois, as placas tectônicas se elevaram e a região se integrou ao continente. Um dos mais belos arquivos do surgimento do Semi-Árido brasileiro e de seu bioma, a caatinga, está preservado no sítio arqueológico da Serra da Capivara, em São Raimundo Nonato (PI). Em vários painéis rupestres inscritos nas pedras, temos cenas do cotidiano de uma população que ali viveu entre 17 mil e 10 mil anos atrás. Aves imensas e animais gigantescos, como o tigre-dente-de-sabre, além de peixes e outros bichos de pequeno porte interatuavam com aquela população. No Museu do Homem Americano existem fósseis desses animais. Há apenas 10 mil anos o local era ocupado por grande quantidade de floresta tropical semelhante à Floresta Amazônica. Ao término do período glacial mais recente, os rios extinguiram-se, a floresta também foi extinta junto à sua ampla fauna. Surgiu um tipo mais ralo de vegetação, menos vivaz,

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com animais menores: a caatinga. Dentre vários rios que rasgavam a região restou somente um de

grande porte, o São Francisco (Velho Chico), no qual suas nascentes ficam no Cerrado, fora do Semi-Árido.

A vegetação da caatinga também não é tão uniforme como se pensa. Tem, pelo menos, três níveis. O primeiro é arbóreo, com uma altura variada de oito a doze metros, árvores de ótimo porte; o segundo é arbustivo, com uma altura de dois a cinco metros; o terceiro é herbáceo, com menos de dois metros. É uma vegetação que se adaptou ao clima. No tempo da seca, perde as folhas, mas não morre; adormece, hiberna. Várias plantas armazenam água, como o umbuzeiro, que tem batatas nas raízes, onde guarda reservas para os tempos secos. Muitas têm raízes rasas, praticamente captando a água na superfície, no momento da chuva. ( MALVEZZI, 2007).

Roberto Malvezzi ainda destaca:

O bioma caatinga foi reconhecido como Reserva da Biosfera no ano de 2001 pela Unesco. Abriga sete parques nacionais, uma reserva biológica, quatro estações ecológicas, três florestas nacionais, cinco áreas de proteção ambiental, três parques estaduais, um parque botânico, um parque ecológico estadual e doze terras indígenas. A reserva biológica tem 190.000 km² e se estende pelos nove estados do Nordeste, além do Norte de Minas. A principal finalidade é proteger a biodiversidade, combater a desertificação, promover atividades sustentáveis e realizar estudos sobre o bioma. (MALVEZZI, 2007, p. 58).

2. ALGAROBEIRA (PROSOPIS JULIFLORA): UMA VERDADEIRA INVASORA DA

CAATINGA.

Foto de Diogo Lima, 2009.

Nesta foto, pode-se observar uma algarobeira na BA - 210 (LIMA, 2009).

A degradação da vegetação da Caatinga é que facilita a invasão da algarobeira no sertão. Nos locais onde o ecossistema natural está preservado, a espécie, que é exótica, não consegue espalhar-se de forma indiscriminada e ocupa o espaço da vegetação nativa, mesmo em locais mais úmidos, a exemplo das áreas de matas ciliares e de galerias.

Praga:

A presença desta planta por todas as zonas agroecológicas do semi-árido brasileiro registra o mais grave fenômeno de invasão biológica de uma espécie exótica sobre a vegetação da caatinga. Age de forma agressiva e pode ser observada em áreas de baixios, em estados como o Rio Grande do Norte, Paraíba, Piauí, Pernambuco e Bahia. Nestes locais, o denso povoamento de algarobeiras domina a paisagem. Vê-se a intensa presença de indivíduos dessa espécie.

Os estudos sobre a planta precisam abrir perspectivas de uso racional da planta nos sistemas agrícolas e até em processamentos industriais, ou ainda estratégias de manejo a fim de inibir sua proliferação destruidora. Atualmente, estima-se que 0,5 milhões de hectares são ocupados por indivíduos dessa espécie no semi-árido e nem sequer uma estimativa de quanto dessa área refere-se a plantios efetivamente feitos por agricultores da região ou à dispersão por meio de animais, sem controle algum.

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Embora seja considerada uma praga para as espécies nativas, a algarobeira tem muitas qualidades

agrícolas. Além de ser importante como forrageira, as vagens das plantas se prestam para vários fins na alimentação do homem, a partir da confecção de bolos, biscoitos, farinha, licor, vinagre, entre outros alimentos.

Costuma ser utilizada também, como produto madeireiro e energético na forma de lenha e carvão que são muito utilizados nas propriedades rurais. Há pouco tempo, têm sido empregadas em setores econômicos que, nas áreas urbanas do semi-árido a utilizam de fonte energética vegetal em padarias, churrascarias, pizzarias e curtumes. É uma planta que abre um “leque” de recursos que necessita de pesquisas para ganhar sustentabilidade na região.

Proteção natural:

Constata-se que as áreas de vegetação ciliar nos afluentes do Rio São Francisco estão quase depredadas por conta da exploração extrativista. Esse cenário de degradação da biodiversidade da caatinga é que abre caminho para o avanço da espécie, principalmente em áreas de maior umidade. Nos locais mais próximos ao leito de riachos e desprovidos de mata nativa foram registrados maior população dessa espécie exótica. À medida que se avança para locais mais distantes dos riachos, portanto, mais secos, menor a presença da algarobeira, conseqüentemente, maior a diversidade e a riqueza das espécies nativas.

3. DEGRADAÇÃO AMBIENTAL.

Entretanto, este nosso patrimônio encontra-se ameaçado. A exploração feita de forma extrativista pela população local e a super-exploração desse espaço para o uso agrícola latifundiário, desde a ocupação do semi-árido, tem levado a uma rápida degradação ambiental. Segundo estimativas, cerca de 70% da caatinga já se encontra alterada pelo homem, e somente 0,28% de sua área encontra-se protegida em unidades de conservação. Estes números conferem à caatinga a condição de ecossistema menos preservado e um dos mais degradados conforme o biologo Guilherme Fister explicou em um recente estudo realizado na Universidade de Oxford. Como conseqüência desta destituição ignominiosa, muitas espécies já se enquadram na lista das espécies ameaçadas de extinção de acordo com o IBAMA. Outras, como a aroeira e o umbuzeiro, já se encontram protegidas pela legislação florestal de serem usadas como fonte de energia, a fim de evitar a sua extinção. Quanto à fauna, os felinos (onças e gatos selvagens), os herbívoros de porte médio (veado catingueiro e capivara), as aves (ararinha azul, pombas de arribação) e abelhas nativas figuram entre os mais atingidos pela caça predatória e destruição do seu habitat natural. Para reverter este processo, estudos da flora e fauna da caatinga são necessário.

4. O SEMI-ÁRIDO, EM RELAÇÃO À ALTERAÇÃO CLIMÁTICA.

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Nestas fotos, pode-se observar o bombeamento de uma cisterna no povoado de Boqueirão (SOUZA,

2009).

A situação do Semi-Árido brasileiro, como a dos demais do planeta, tende a se agravar com o aquecimento global, que terá reflexos imediatos sobre a disponibilidade hídrica. Os impactos poderão ser muito graves. Uma das estimativas é a diminuição em aproximadamente 20% do volume de chuvas que cai sobre a região todos os anos. Se hoje a média anual está em torno de 750 mm, isso significa uma redução para aproximadamente 600 mm por ano. A redução ainda não transforma o Semi-Árido em deserto, mas há situações extremas. Em certos anos, há locais em que o mínimo chega até a 250 mm. Portanto, uma redução nesse índice significa que poderemos conhecer extremos de 200 mm por ano. É uma diminuição muito significativa para uma região que apresenta problemas sérios para acumular água em lençóis subterrâneos, por causa da presença de rochas cristalinas em 70% da área. Só em 30% dela, como na região do aqüífero Gurguéia (PI), há capacidade de armazenamento de águas subterrâneas.

O armazenamento dessa água em mananciais de superfície, como foi à opção até agora, principalmente as grandes barragens, sempre apresentou o inconveniente da enorme evaporação. O problema do Semi-Árido é mais a perda por evaporação – também por transpiração de plantas e animais – do que a falta de precipitação. Como vimos, os técnicos calculam que haja 3 mm de evaporação para cada 1mm de precipitação. A eventual elevação da temperatura aumentará essa diferença.

O futuro do Semi-Árido passará pelo aumento da captação da água de chuva em reservatórios fechados. As cisternas, que desempenham um importante papel na vida dos sertanejos, têm a capacidade de armazenar águas pluviais, fazendo com que essa água armazenada tenha uma função bem determinada dentro do cotidiano das pessoas.

Também será necessária uma verdadeira revolução cultural no manejo da água – afirmação, aliás, que se estende a toda humanidade. Não há mais espaço para a cultura predadora. A questão da desertificação segundo o geógrafo Ariovaldo Umbelino, temos no Brasil a “arenização” e não a desertificação de solos. A diferença, para ele, é que o primeiro fenômeno resulta da ação humana, enquanto o segundo resulta de processos naturais. Mesmo assim, o processo de desertificação – ou se quiserem de arenização – de porções do território preocupa.

5. O QUE SE ESPERA DO HIDRO E AGRONEGÓCIO.

O modelo agrícola baseado na intensa exploração das águas e da terra é um dos responsáveis mundiais pela degradação dos solos e a crise global da água. Em algumas regiões já alcança níveis de tragédia.

A maior evidência da escassez natural de água no sul da Ásia, na África subsaariana e no Oriente Médio, onde há particular dependência de água subterrânea, tem conduzido a um significativo aumento na quantidade e qualidade de produtos irrigados, mas também a um rápido declínio da água dos lençóis freáticos e à poluição dos aqüíferos importantes.

O paradoxo posto pela ONU agrava os desafios que se impõem para a humanidade:

O aumento da produtividade agrícola permanece como um dos mais importantes caminhos para se combater a fome e a pobreza nas primeiras décadas do século XXI. A prática da produção sustentável pode aumentar a produtividade agrícola enquanto conserva a biodiversidade, a fertilidade do solo e a eficiência no uso da água e enquanto reduz a pressão sobre as florestas e a pesca nos mares. Em alguns casos, as tecnologias necessárias não existem e precisam ser desenvolvidas. Em outros casos, os agricultores precisam de capital para adquirir tecnologias ou de capital humano para utilizá-las efetivamente.

Infere-se, então, que o Bioma Caatinga não se resume aos solos e/ou ao seu clima. Porém é configurado por um englobamento de fatores, sendo eles: vegetal e animal, neste também se inclui o homem (suas culturas, seu povo...).

Portanto, faz-se necessário investir e utilizar alguns mecanismos para tentar elucidar muitos problemas e de todos os tipos, como alguns descritos neste artigo.

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REFERÊNCIAS

Bibliografias e Notas:

1. BRASIL. Ministério do Meio Ambiente/Secretaria de Recursos Hídricos. Atlas das áreas suscetíveis à desertificação do Brasil. Brasília: MMA 2007.

2. CAATINGA (2000). Falando de Água: projeto melhoria do acesso, qualidade e gerenciamento de água para o consumo familiar. CAATINGA / CRS – Ouricuri. Cartilha.

3. Conselho Nacional da Reserva da Biosfera da Caatinga.

http://www.biosferadacaatinga.org.br/noticias.html

4. COSTA, Jorge Antonio Silva et. al.. Leguminosas forrageiras da Caatinga: espécies importantes para as comunidades rurais do sertão da Bahia. Feira de Santana: Universidade Estadual de Feira de Santana, SASOP, 2002.

5. DIACONIA (2003). Convivendo com o Semi-Árido: manejo de recursos hídricos. Série “Compartilhando Experiências” no. 1. Brochura.

6. Gleiciane Nogueira. Práticas simples ajudam a combater e prevenir a desertificação. http://www.asabrasil.org.br/

7. http://www.ct.ufpb.br/laboratorios/lpfd/algaroba.htm Acesso dia 28 de outubro de 2008.

8. http://www.institutohorus.org.br/download/fichas/Prosopis_juliflora.htm Acesso dia 27 de outubro de 2008.

9. LIMA, Diogo. Vegetação da caatinga em Juazeiro – BA. 2009. 1 fotografia. color. 10. LIMA, Diogo. Algarobeira na caatinga em Juazeiro – BA. 2009. 1 fotografia. color. 11. Silvio Santana em entrevista a Fernanda Cruz. http://www.asabrasil.org.br/

12. SOUZA, Thiago. Funcionamento de uma Cisterna em Juazeiro – BA. 2009. 2 fotografias. color. 13. WEHAB (Water, Energy, Helth, Agricultural and Biodiversity): Grupo de Trabalho da ONU.

Johannesburgo, 2002, durante a Cúpula Mundial do Meio Ambiente.

Referências

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